Wolfenstein: Youngblood (Sony Playstation 4)

Depois de ter jogado o Wolfenstein II: The New Colossus no PC chegou finalmente a vez de jogar aquele que, até à data é o último jogo da série. Isto claro, sem contar com o Wolfenstein: Cyberpilot que saiu na mesma altura que este mas como é um spin-off que requer um capacete VR para ser jogado, devo deixá-lo de parte. Mas enquanto os Wolfenstein anteriores que foram também produzidos pela MachineGames eram first person shooters com uma jogabilidade brutal, mecânicas de jogo da velha guarda e uma narrativa excelente, este Youngblood acaba por ser uma desilusão ao apresentar-se como um jogo Co-Op e com algumas mecânicas de MMORPG que acabam por prejudicar bastante a sua jogabilidade, pelo menos no início. O meu exemplar sinceramente já não me recordo quando o comprei. Creio que foi numas campanhas da Worten, talvez numa black friday com o jogo a custar-me menos de 10€.

Jogo com caixa e papelada. Esta edição traz um código que supostamente nos permite convidar um amigo para jogar todo o jogo connosco.

Vamos começar como sempre pela história: a série Wolfenstein, particularmente desde o reboot introduzido com o Wolfenstein The New Order segue uma realidade alternativa: como seria o mundo se a Alemanha nazi tivesse ganho a segunda-guerra mundial? Particularmente com uma Alemanha extremamente poderosa a nível militar e tecnológico. Ambos os predecessores decorrem então maioritariamente nos anos 60, onde B.J. Blazkowicz se junta a vários grupos de resistência, tanto na Europa como nos Estados Unidos, e limpa o sebo a centenas de nazis. São jogos que possuem alguns vilões notáveis e várias cutscenes tensas e sádicas que só nos dão ainda mais vontade de os derrotar! Este Youngblood já se passa na década de 80 onde controlamos as filhas do Terror Billy, Jessie ou Sophia Blazkowicz que viajam dos Estados Unidos para Paris em busca do seu pai. Lá iremos nos juntar a um grupo de resistentes que vivem nos imensos subterrâneos das catacumbas da cidade e invariavelmente teremos também mais um ou outro vilão para derrotar, mas a narrativa está longe do brilhantismo dos seus predecessores.

A primeira missão passa-se a bordo de um Zeppelin gigante e serve como uma espécie de tutorial das mecânicas básicas de jogo que teremos pela frente. Para além disso é a única área do jogo que não poderemos visitar posteriormente.

Já no que diz respeito à jogabilidade, as mecânicas base dos seus antecessores estão todas lá: podemos equipar todo um arsenal de diferentes armas, o jogo oferece-nos a possibilidade de adoptar uma abordagem mais furtiva ou entrar mesmo a matar à Rambo, inúmeros coleccionáveis e claro, medkits e armaduras são também necessários para irmos sobrevivendo. O facto de este ser um jogo cooperativo, existem também uma série de mecânicas pensadas para esse efeito: cada uma das irmãs poderá ter equipada uma pep action, ou seja, gestos motivacionais que dão algumas vantagens a ambas, como causar muito mais dano durante alguns segundos, regenerar parcialmente (ou totalmente) as barras de vida, armadura, entre outros. Naturalmente que estas acções têm um período de cooldown para não serem abusadas. Há também pequenos puzzles que nos obrigam a colaborar, mas tendo em conta que joguei sozinho (com a outra irmã a ser controlada pelo CPU) estes foram apenas simples tarefas de abrir portas ou pressionar botões em simultâneo.

As pep actions são uma das novidades aqui introduzidas e prendem-se às mecânicas de cooperação. Cada uma das irmãs possui uma diferente habilidade que poderá ser usada ocasionalmente para ajudar ambas em momentos de maior aperto

Até aqui tudo bem, mas entram depois as mecânicas de RPG. Ao matar inimigos vamos ganhando pontos de experiência e dinheiro. Os primeiros fazem com que subamos de nível e fiquemos fisicamente mais fortes, já o dinheiro pode ser gasto em diversos upgrades para cada uma das armas que vamos coleccionando, assim como diferentes habilidades. E que habilidades são essas? Para além de coisas como extender permanentemente o nosso limite de vida ou armadura, podemos também desbloquear coisas como: usar duas armas em simultâneo ou usar armas pesadas como as Laserhammer ou Dieselhammer que muito jeito dão. E isto eram habilidades que nos jogos anteriores poderíamos fazer normalmente!! As armas pesadas dão um grande jeito para combater bosses ou inimigos mais poderosos e aqui estamos muito fracos inicialmente, pelo menos até conseguirmos fazer o grind suficiente para comprar uma série de habilidades necessárias. Mesmo para quem quiser optar por uma jogabilidade mais furtiva, existem certas habilidades que terão de ser compradas para tornar a nossa tarefa mais fácil.

Sendo este um jogo cooperativo e algo open world, introduziram também várias mecânicas de RPG. Pena que os inimigos também façam level scaling no entanto.

Ao menos para além das 5 missões que compõem a história principal, vamos tendo toda uma imensidão da cidade de Paris para explorar e muitas missões secundárias para cumprir. Estas são a melhor forma que temos para ir ganhando a experiência e dinheiro necessários para conseguir ir desbloqueando as habilidades (e melhorar as armas) para nos aproximarmos mais à experiência de jogo dos seus predecessores. Mas mesmo existindo um sistema de experiência que vá evoluindo a nossa personagem, não quer dizer que áreas de Paris que exploremos inicialmente no jogo passem a ser um passeio no parque, pois todos os inimigos têm também um sistema de level scaling que vai acompanhando o nível da nossa personagem. Para além disso, tendo em conta que joguei sozinho, a própria inteligência artificial da irmã não é grande coisa e muitas vezes atrapalha mais do que ajuda, ao tapar-me o ângulo de tiro ou revelar-se para uma série de inimigos quando eu estava a tentar ser mais sneaky. Para além disso, a possibilidade de um head shot não ser suficiente para matar um inimigo sem qualquer capacete, ou mesmo a necessidade de despejar quase um clip inteiro de uma metralhadora para qualquer inimigo básico obrigou-me mesmo a diminuir um nível na dificuldade standard do jogo.

Os combates continuam brutais e a acção intensa como sempre, pena é que muitas das habilidades básicas de outros jogos tenham aqui de serem desbloqueadas!

Já no que diz respeito aos audiovisuais este é mais um jogo muito bem competente. Os inimigos vêm em todos os tamanhos e feitios e a cidade de Paris está bem representada, misturando os seus edifícios típicos com toda aquela arquitectura opressora da máquina de guerra nazi. Aliás, mundo que aqui exploramos não é um mundo inteiramente aberto, mas sim um conjunto de diferentes áreas acessíveis através de túneis de metro que estão interligados entre si. Dá mesmo a ideia de ser uma visão próxima daquilo que a Raven pretenderia fazer com o Wolfenstein de 2009 e falharam miseravelmente. De resto, e sendo este um jogo dos anos 80, até a sua banda sonora captura perfeitamente muita da música mais synth pop/rock que se fazia na época. No entanto tal como referi acima, acho que a narrativa deste jogo ficou muito aquém das expectativas e a personalidade das irmãs Jess e Soph são mesmo as de adolescentes histéricas que muito me irritou. Faltaram mesmo aquelas cutscenes mais tensas ou até os momentos mais bizarros dos outros jogos, o que de certa forma até se entende dada a natureza mais open world deste jogo.

A cidade de Paris até que está bem representada, com toda a sua arquitectura clássica misturada com a imagem nazi e muitos vibes dos anos 80 também.

Portanto e para concluir, apesar de todas as minhas críticas devo dizer que até gostei deste jogo. Mas começou a acontecer apenas a partir da sua segunda metade, pois já tinha evoluído minimamente a minha personagem com habilidades básicas que já faziam parte dos jogos anteriores e assim consegui melhor desfrutar da experiência. Mas tal não deveria ser necessário em primeiro lugar! E jogando com um amigo de maneira cooperativa deve ser bem mais interessante, de facto. Mas ainda assim, com os outros jogos com uma jogabilidade excelente logo de início e acima de tudo uma narrativa bem mais empolgante, este Youngblood fica uns bons furos abaixo dos seus predecessores.

Area 51 (Sony Playstation 2)

Tempo de voltar à Playstation 2 para mais um first person shooter que tinha aqui em backlog. Produzido pela Midway (não confundir com o jogo arcade de 1995 publicado pelos mesmos nas consolas da época), este é um jogo cujo maior factor publicitário era mesmo o de possuir voice acting do David Duchovny, Marylin Manson e mais alguns actores não tão famosos. Sinceramente não me recordo nem onde, nem quando o comprei, muito menos quanto terá custado. Mas foi seguramente barato, abaixo dos 5€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Apesar do talento de voz de vários nomes conhecidos, sinceramente não achei a história nada de especial. O jogo coloca-nos no papel de Ethan Cole, membro de uma unidade de reacção rápida de elite, que havia sido chamada para conter uma contaminação nos laboratórios secretos da Area 51. Um poderoso vírus capaz de transformar os humanos que contamina, tornando-os em criaturas grotescas, porém poderosas, está rapidamente a contaminar todas as instalações secretas. À medida que o jogo vai progredindo há toda uma teoria de conspiração que também se vai desenrolando, envolvendo os Illuminati e claro, os aliens cinzentos que figuram na capa do jogo.

Ocasionalmente teremos algumas cutscenes em CGI que avançam a história

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são ainda as de um FPS da velha guarda, na medida que vamos poder apanhar várias armas distintas e mantê-las todas no nosso arsenal. Pistolas, metralhadoras, shotguns, sniper rifles e claro, armas alienígenas são alguns dos exemplos. Podemos ainda usar alguns pares de armas em simultâneo, como a metralhadora e shotgun, embora de forma apenas temporária. Para além de um scanner que eventualmente teremos de utilizar para desbloquear o progresso no jogo (e descobrir também vários documentos secretos), o grande factor diferencial na jogabilidade é o facto de nós eventualmente ficarmos também infectados (desculpem lá o pequeno, porém necessário spoiler) e quando isso acontece iremos também ter a possibilidade de alternar entre a forma humana e mutante. Na forma mutante ficamos mais poderosos, embora não possamos usar armas de fogo. Temos no entanto dois poderes, um que nos regenera a vida, outro que pode contaminar os inimigos. Cada vez que usemos estas habilidades temos também uma barra de energia que se vai gastando, sendo que essa pode ser regenerada ao atacar inimigos na forma mutante, interagir com certos cadáveres com uma grande carga viral ou, tal como a barra de vida, também poderemos encontrar alguns itens para o efeito. Outra utilidade da forma mutante é o o facto de termos uma visão melhorada que salienta a posição dos inimigos, incluindo os soldados que usam camuflagem invisível.

O jogo começa de forma algo tranquila, incluindo um tutorial disfarçado

Para além do modo história, o jogo teria também uma forte componente multiplayer. Para além de multiplayer local em split screen, este jogo oferecia também partidas online, mesmo na versão da Playstation 2. Mas não cheguei a experimentar nem um nem outro e duvido que os servidores oficiais ainda estivessem sequer activos. De resto para além dos segredos que poderemos descobrir ao longo do jogo e alimentam ainda mais as teorias da conspiração lá introduzidas, vários outros extras como pequenos trailers ou making of podem também ser desbloqueados, o que é sempre interessante.

As criaturas que iremos enfrentar e eventualmente também nos transformar

A nível audiovisual é um jogo competente para uma PS2, mas longe do brilhantismo do Black. Tendo em conta que todo o jogo se passa na Area 51, não há uma grande variedade de níveis. A sua maioria decorre em laboratórios ou zonas mais industriais/militares muito parecidos entre si, embora ocasionalmente ainda encontremos algumas surpresas, como um cenário de estúdio da primeira viagem à Lua, só mesmo para meter sal na ferida. Os últimos níveis já são todos passados em bases com tecnologia extra-terrestre, o que lhes dá um aspecto bem distinto dos restantes. Kudos também para o Easter egg da máquina arcade do Area 51 da Atari de 1995, que como já referi acima, foi publicado para as consolas pela própria Midway também. O voice acting traz-nos várias vozes conhecidas como também já referi. Mas mesmo assim, não o achei nada de empolgante. A própria voz do David Duchovny é usada principalmente a narrar a introdução de cada capítulo e sinceramente não achei a narrativa nada de empolgante. A banda sonora também me passou um pouco ao lado, pois pouco ficou na memória.

Algumas armas podem ser usadas aos pares, embora apenas temporariamente.

Portanto este Area 51 é um FPS bem competente, embora sinceramente me arrependa de não ter antes comprado a versão PC, não só por ter melhores gráficos, mas também pelo suporte ao rato e teclado que acaba por fazer toda a diferença. Ainda tive de perder algum tempo nesta versão a ajustar os melhores valores de sensibilidade dos analógicos para o deixar o mais fluído possível. De resto é um jogo que apesar de algumas boas ideias (como a capacidade de nos transformarmos num mutante com poderes distintos), a sua narrativa é bastante aborrecida, particularmente tendo em conta que possui alguns actores profissionais a dar a sua voz.

Gungrave (Sony Playstation 2)

Vamos finalmente voltar à Playstation 2 para um jogo que há muito tinha em backlog e desta vez lá me decidi a pegar nele. Produzido pela Red Entertainment (a mesma empresa por detrás de séries como Bonk’s/ PC Kid, os RPGs Far East of Eden ou mesmo a série Sakura Wars) este Gungrave é um jogo de acção na terceira pessoa com conceito algo bizarro e uns visuais bem originais, até porque teve a colaboração de artistas por detrás de séries manga/anime como Trigun ou Oh! My Goddess. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo onde terá sido comprado, nem quanto custou. Apesar de possuir um talão da compra original de uma loja alemã, é uma versão inteiramente em inglês.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história leva-nos a uma metrópole fictícia e controlar uma personagem bem bizarra, a começar pelo seu nome: Beyond the Grave. E este é uma espécie de um cyborg, ressuscitado após ter sido brutalmente assassinado pelo seu suposto melhor amigo (Harry Mc Dowell) há 15 anos atrás. Tanto Harry como Brandon (o nome original da nossa personagem) eram membros de uma organização mafiosa e o motivo de Brandon ter sido assassinado irá eventualmente ser revelado durante as cutscenes. Basicamente 15 anos se passaram, Beyond the Grave está de volta e o objectivo é o de derrotar toda uma série de bandidos dessa organização e assim salvar uma jovem rapariga de 15 anos, invariavelmente ligada ao seu passado.

Visualmente o jogo é bastante original, mas tecnicamente fraco devido à reduzida draw distance que tem

Bom a jogabilidade é no mínimo original. Grave enverga duas pistolas gigantes e o jogo leva-nos numa série de apenas 6 níveis, mas estes repletos de inimigos que teremos de destruir. Começando pelos controlos, o quadrado é o botão principal para se disparar, enquanto que o círculo nos permite correr (sem poder disparar ao mesmo tempo) e o X nos permite saltar ou, se usado em conjunto com o direccional, permite-nos saltar em câmara lenta nessa direcção e nesse curto período disparar bem mais rapidamente. Os botões L1 servem para fazer lock-on ao inimigo mais próximo ou strafing, caso não tenhamos nenhum na mira, enquanto que o L2 nos permite dar uma volta de 180º. Já se pressionarmos o L3 podemos andar um pouco mais rápido e disparar ao mesmo tempo e o R1 é um ataque corpo-a-corpo de curto alcance, com Grave a pegar no enorme caixão que carrega e o usar como arma.

O jogo tem uma curva de aprendizagem algo exigente que nos pune nos níveis de dificuldade mais avançados. Temos continues ilimitados, mas com sérias penalizações na nossa pontuação

Temos também um sistema de combos que é incrementado de cada vez que acertemos em alguém ou nalgum objecto destrutível, podendo inclusivamente o seu contador chegar às centenas, visto que os cenários têm sempre alguns objectos destrutíveis precisamente para conseguirmos chegar a combos elevados. E para que servem estes combos? Bom, com cada combo bem sucedido vamos incrementar uma barra de energia que, sempre que a mesma se completa, nos desbloqueia um golpe especial, os Demolition Shots, que poderemos usar posteriormente recorrendo ao botão de triângulo. O primeiro demolition shot que temos disponível consiste no Grave usar um lança rockets que está convenientemente escondido no seu caixão. No entanto, à medida que vamos avançando no jogo e mediante a nossa performance e avaliação no final de cada nível, iremos desbloquear outros demolition shots diferentes que podem ser alternados num menu de pausa. De resto convém também referir que Grave possui um escudo e uma barra de vida. O primeiro é restaurado automaticamente ao fim de alguns segundos sem sofrer dano. Já quando este se esvazia, começamos mesmo a perder vida.

O facto de os cenários possuirem tantos objectos destrutíveis não é por acaso. Tais servem para manter o nosso contador de combos sempre activo!

Até aqui tudo bem, o jogo tem os seus bonitos momentos e a acção é de facto insana, com inúmeros inimigos a surgirem de todos os lados. Os controlos têm uma certa curva de aprendizagem, sendo que truques como o strafing, disparar mais rápido quando saltamos em câmara lenta, ou simplesmente se pressionarmos furiosamente o quadrado sem mais nenhum botão faz com que o Grave dispare em poses cada vez mais over the top e causando assim mais dano. Mas de longe há coisas que poderiam ser melhoradas. Grave é lento, o que até faz algum sentido visto que possui duas armas gigantes e carrega um caixão consigo, pelo que aprender aqueles truques acima referidos é essencial. O que me chateia mais é mesmo não haver nenhum controlo de câmara, com o segundo analógico a ser então completamente deixado de lado e isto é sem dúvida o que mais atrapalha no jogo.

Com a colaboração de vários artistas conhecidos da cena manga/anime, esperem também por várias cutscenes animadas ao longo do jogo

Já no que diz respeito aos visuais, estes são bastante originais, embora tecnicamente ainda sejam bastante fracos. Os 6 níveis que vamos poder explorar vão tendo cenários bastante variados entre si, pois apesar de serem todos em zonas urbanas, vamos poder explorar diferentes partes da cidade, seus edifícios, fábricas ou mesmo fazer uma pequena viagem num comboio, por exemplo. A direcção artística é excelente, pois como referi logo no primeiro parágrafo este jogo teve a colaboração de alguns artistas de manga/anime notáveis da indústria, resultando em personagens originais e bem detalhadas assim como os próprios cenários têm um grafismo próximo do cel shading que resulta bem para o estilo de jogo. No entanto, num ponto de vista meramente técnico, este jogo parece por vezes de uma geração anterior. O campo de visão é muito reduzido, abusando bastante daquele típico “efeito de nevoeiro” que era muito comum em jogos 3D na geração anterior. Imaginem uma sala ampla e bem iluminada mas onde não conseguem ver nada uns 5 metros à vossa frente e à medida que vão caminhando essas zonas vão ficando iluminadas. Tendo em conta que foi o primeiro jogo que eles produziram para a Playstation 2, o não conhecimento das capacidades da consola talvez seja a razão pela qual tecnicamente este jogo deixe a desejar. De resto nada a apontar no som: o voice acting está integralmente em japonês como manda a Lei e a banda sonora é cativante e bastante eclética, tendo até algumas músicas mais jazzy e que me fizeram lembrar o Cowboy Bebop.

O lock on é um dos nossos melhores amigos, mas se o inimigo estiver longe não funciona

Portanto este Gungrave é um jogo bastante original, tanto no seu conceito, como nos seus visuais. No entanto a falta de controlo da câmara é para mim um problema sério e que prejudica bastante a sua jogabilidde. Do ponto de vista técnico, apesar da originalidade e irreverência dos seus visuais, apresenta também alguns problemas que lhe retiram algum valor. Ainda assim foi uma experiência positiva e fico muito curioso a ver como o jogo evoluiu na sua sequela, que aparenta pelo menos ser bem maior que este.

Beyond a Steel Sky (Sony Playstation 4)

Ora cá está um jogo que não estava nada à espera. O Beneath a Steel Sky foi um dos muitos jogos de aventura gráfica que os britânicos Revolution Software produziram ao longo da sua carreira e recentemente resolveram revisitar essa franquia ao produzir uma sequela inédita, lançada algures no ano passado. O meu exemplar foi comprado na worten algures por altura das promoções da Black Friday 2022, tendo-me custado algo em torno dos 20€ depois dos descontos.

Jogo com sleeve exterior, steel book, papelada, autocolantes e um código de descarga da banda sonora

O jogo decorre 10 anos após os eventos da sua prequela onde Robert Foster, depois de ter escapado de Union City, decide voltar a viver no deserto em comunidades mais pequenas e ter uma vida pacata e humilde. E é precisamente num desses momentos de descontração com os seus co-habitantes que surge um robot gigante e rapta Milo, uma criança que estava simplesmente entretida a pescar. Determinado em salvar a criança e resgatá-la de volta para a sua família, Robert segue o trilho deixado pelo robot no deserto que o leva invariavelmente de volta à Union City. Depois de ultrapassar alguns percalços que nos impediam de entrar na cidade, Robert vê esta muito diferente desde a sua última aventura. Union City é agora uma cidade próspera e com toda a sua população aparentemente feliz. No entanto rapidamente nos apercebemos que essa felicidade tem um preço na liberdade individual. A sociedade é altamente monitorizada e manipulada através do sistema informático MINOS, que por sua vez substitui o LINC da primeira aventura.

Apesar de não considerar que o jogo tenha personagens muito carismáticas, gostei particularmente da personalidade incutida a alguns dos robots com os quais temos de interagir

No que diz respeito às mecânicas de jogo, pensem neste título como uma aventura gráfica moderna, onde nos poderemos mover livremente por uma série de áreas e teremos de falar com pessoas, coleccionar e usar itens e resolver uma série de puzzles para progredir. Uma das novidades aqui introduzidas é a possibilidade de fazer hacking a certos robots e outros equipamentos electrónicos. Por exemplo, alguns podem ser tão simples como aldrabar um sistema de autenticação de uma porta, ao trocar a ordem de “abrir e/ou fechar porta” consoante o utilizador for ou não autorizado. Muitos desses puzzles serão no entanto bem mais desafiantes, exigindo a interacção de vários desses componentes em cadeia para que consigamos alcançar o nosso objectivo. Por exemplo, a parte de ir “buscar inspiração” para um poema leva-nos por uma cadeia de diferentes acções que não serão muito óbvias à primeira. De resto, também tal como no Beneath a Steel Sky teremos a oportunidade de nos aventurar dentro do próprio sistema informático MINOS, desta vez sem puzzles frustrantes, mas não deixando de ser segmentos de jogo bastante originais.

Os puzzles mais interessantes são aqueles onde teremos de fazer hacking a vários equipamentos ou robots e trocar algumas das suas funcionalidades.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é sem dúvida um prato misto. Por um lado graficamente o jogo possui cenários bem detalhados e eu sempre gostei do aspecto futurista, mas também algo steampunk do original. Aqui os robots são um misto entre designs mais limpos e futuristas ou outros mais “retro futuristas” tal como no primeiro jogo. O meu problema é mesmo com o detalhe das outras personagens humanas. O jogo não tenta ser ultra realista, com os gráficos a terem um tom mais próximo da banda desenhada (inclusivamente é assim que a cutscene de introdução nos é apresentada), mas as caras das personagens humanas são mesmo hit or miss. Algumas acho bem conseguidas, outras são tão, tão feias que nem sei o que é que os artistas tinham em mente! Entendo perfeitamente que este jogo é um esforço de um estúdio mais pequeno e apresentar visuais bem detalhados de um jogo 3D exige muito esforço e dedicação, mas a diferença de qualidade tão abismal em certas personagens é mesmo algo que não consigo compreender. Até os pequenos bugs que enfrentei para mim são completamente irrelevantes face a essa desproporção na arte das personagens. Por exemplo, em diálogos a câmara aproxima-se dos seus intervenientes, mas muitas vezes ambas as personagens ficam parcialmente cortadas do ecrã. Ou os NPCs sem rotinas de movimento alternativas, pois também me aconteceu nos diálogos ter um NPC a constantemente a tentar passar por cima de mim, ao invés de dar a volta. São pequenas coisas que tendo em conta o budget do jogo não têm grande relevância. Por outro lado gostei bastante do voice acting. Sim, nem todas as personagens são tão fortes quanto as principais, mas gostei particularmente do tom jovial e bem humorado que muitos dos robots possuem nas suas vozes, desde o tom exageradamente educado de um certo robot mordomo, passando para o sarcasmo que já conhecemos do Joey.

Explorar o interior de um poderoso sistema informático é algo que marca também o seu regresso neste jogo

Portanto, apesar dos seus desequilíbrios a nível artístico e uma ou outra aresta por limar, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este jogo. Para quem gostou do seu antecessor irá sem dúvida apreciar esta inesperada sequela e, mesmo sabendo que está longe de ser um jogo brilhante, fiz questão em comprar este jogo em tempo útil para dar os sinais certos à Revolution: quero mais aventuras gráficas!

Prince of Persia (Sony Playstation 3)

Depois da trilogia que começou com o Prince of Persia: The Sands of Time, a Ubisoft lança, em 2008, um novo reboot da série com este Prince of Persia. Ao contrário do Warrior Within e em certa parte do The Two Thrones que incorporavam mais elementos de acção, este tentou ser uma espécie de regresso às origens, apresentando cenários que recuperaram o misticismo dos melhores jogos da saga e um maior foco na exploração e platforming. Infelizmente o resultado final não foi o melhor como irei descrever em seguida, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado numa Mediamarkt algures em 2015 por menos de 3€.

Jogo com caixa e manual

Antes de irmos para o que o jogo tem de melhor, convém dar algum contexto da sua história. Aqui nós encarnamos uma vez mais no afamado príncipe, agora relegado a um mero tomb raider, mas acredito que a sua personagem ainda nos traria algumas surpresas caso as eventuais sequelas que a Ubisoft teria planeadas tivessem sido lançadas. É que muito pouco da sua pessoa e seu passado é revelado ao longo do jogo. Aparentemente este regressaria de uma bem sucedida caça ao tesouro mas acaba por se perder no deserto, quando encontra a jovem e bela Elika, princesa de um reino algures no meio do deserto e que estava a ser perseguida por soldados. Lá nos decidimos a ajudar e eventualmente vemo-nos envolvidos numa luta para travar o regresso de um poderoso demónio cujo povo daquele reino agora em ruínas durante muitos anos lutaram para que não acontecesse. Para impedir que tal aconteça teremos de explorar todos os recantos das ruínas imponentes daquele reino e regenerá-los para que todos os traços das trevas que os assolam desapareçam. Pelo caminho a Elika, que nos irá acompanhar ao longo de todo o jogo, irá ganhar novas habilidades que por sua vez nos permitem avançar mais nalgumas áreas.

Os primeiros momentos do jogo servem de tutorial onde iremos aprender todas as mecânicas básicas. Curiosamente é também a única altura onde teremos inimigos humanos para enfrentar

Mas o que o jogo tem de melhor são mesmo os seus audiovisuais. Para mim este Prince of Persia é um dos melhores jogos da sua geração nesse aspecto. Os cenários têm uma direcção artística lindíssima, apresentando-nos inúmeras ruínas que revelam o misticismo daqueles cenários idílicos dos contos das 1001 noites. À medida que avançamos no jogo vamos poder desbloquear uma série de galerias de arte que mostram de forma ainda melhor o que os artistas visionaram originalmente para o jogo. O aspecto do príncipe e da sua companheira Elika têm um look quase de cel shading que também lhes dá um aspecto mais de desenho animado e que a meu ver resulta muito bem. O voice acting é bastante competente e a banda sonora é épica e muito bem conseguida. O jogo tem pequenos detalhes deliciosos pois a Elika segue-nos por todo o lado e ocasionalmente vemos algumas pequenas interacções entre ambas as personagens. Por exemplo, se saltarmos de uma plataforma para o chão e não nos movermos, a Elika saltaria em cima de nós, pelo que o Prince aproveita para a receber nos seus braços e pousá-la em segurança no solo.

Antes de libertarmos cada zona, estas são escuras e repletas de uma gosma negra fatal que nos obriga a viajar com cuidados redobrados

Já no que diz respeito à jogabilidade é que as coisas começam a ficar piores. O jogo está claramente dividido entre duas mecânicas de jogo distintas: a exploração e o combate. Começando pelo combate, este é na sua essência bastante metódico, fazendo até lembrar um pouco o combate do Prince of Persia original onde o deflectir as investidas inimigas e contra atacar no tempo certo são a chave do sucesso. Teremos também uma série de combos que poderemos eventualmente executar, se o oponente nos permitir e os conseguirmos encadear com sucesso. Os botões faciais servem para o príncipe atacar com a sua espada, usar a sua garra (que muito nos ajuda no platforming também), desviar dos golpes inimigos ou chamar a Elika para que esta lance um ataque mágico. Infelizmente não é o sistema de combate mais dinâmico do mundo, tornando os combates bastante lentos e também infelizmente vamos tendo alguns quick time events em certos momentos e a sua implementação também não é a melhor. Isto porque por vezes ou o jogo não regista os nossos comandos devidamente, ou o tempo de reacção é variável. Tenho a certeza de muitas vezes ter carregado no botão certo e falhar, enquanto que noutras vezes também carreguei no botão certo porém pareceu-me ter demorado um pouco mais a fazê-lo e o jogo regista-o com sucesso. É inconsistente, portanto.

O jogo está dividido em quatro zonas distintas (mais o templo central) e interconectadas entre si que nos permite progredir de forma não linear. Poderemos também nos teletransportar para quaisquer zonas que já tenham sido libertadas

No que diz respeito à exploração contem com as habituais acrobacias que teremos de fazer ao progredir em todas as áreas, ao correr e saltar entre paredes, colunas, suportes de bandeiras, ou até portais mágicos que nos transportam de uma ponta do cenário para a outra. Alguns desses portais coloridos (cujos apenas são activados assim que tivermos desbloqueado as habilidades necessárias para tal) até nos dão algum grau de liberdade ao correr em superfícies como paredes ou tectos, ou até voar em caminhos pré-determinados mas onde ocasionalmente nos teremos de desviar de obstáculos. Acima referi que o jogo está dividido em múltiplas áreas que poderão ser exploradas por qualquer ordem e existem duas fases distintas para cada uma dessas áreas. Antes de a “salvar”, iremos encontrar essa área coberta de uma gosma negra que nos mata caso lhe toquemos e teremos então de seguir uma série de caminhos sinuosos até à sua zona central onde, depois de derrotar o boss que a protege, a poderemos então limpar de toda a corrupção e trevas. A partir dessa altura vemos espalhadas por toda a zona umas quantas esferas de luz que poderemos (e devemos) coleccionar, pois são essas esferas que nos irão desbloquear os portais mágicos coloridos que, em certas zonas, são necessários para chegar ao seu centro, derrotar o boss e tudo o resto. Essa liberdade de exploração até foi algo que me agradou.

A maior crítica que o jogo recebeu foi pela sua dificuldade muito branda, ao Elika nos salvar em qualquer situação. Pessoalmente até agradeci que o fizesse em várias alturas!

Agora as coisas más: a opinião geral é que este é um jogo bastante fácil e isso de facto acontece pois não podemos morrer. Seja no platforming com algum salto mal calculado ou no combate, quando algum inimigo nos está prestes a aplicar um golpe fatal, a Elika entra sempre, sempre em cena e safa-nos da morte certa. Bom, sinceramente eu nem achei isto uma má ideia de todo, a Elika é então uma espécie de checkpoint ambulante e, tendo em conta que tal como nos Assassin’s Creed muitas vezes a personagem salta numa direcção completamente diferente do que a que eu tencionava, ter essa ajuda é bem-vinda. Nos Sands of Time poderíamos voltar atrás no tempo e corrigir os nossos erros, aqui a Elika faz-nos isso. E no combate, com os problemas que mencionei acima, ter a Elika como segurança adicional também é uma grande ajuda. Mas neste caso, sempre que ela nos salva, o inimigo recupera um pouco da sua vida também, pelo que teremos mesmo de eventualmente aprender a combater decentemente.

A relação entre ambas as personagens vai evoluindo de uma forma interessante ao longo do jogo, o que ajuda a entender o porquê do jogo ter terminado como terminou

Para mim o pior neste Prince of Persia é mesmo a forma em como o jogo está dividido. Os combates existem em número muito reduzido, sendo na sua maioria os bosses que teremos de enfrentar. Para agravar as coisas, o reino está dividido em quatro áreas principais mais o templo central, onde vamos desbloquear os novos poderes e eventualmente avançar para a recta final do jogo. Em cada uma dessas quatro áreas iremos enfrentar os mesmos bosses em cada um dos diferentes “níveis” dessa área num total de 6 (seis!) vezes cada um. Inimigos normais aparecem de vez em quando nos corredores de transição entre “níveis” e mesmo esses combates poderão ser evitados caso nos coloquemos lá suficientemente rápido para os destruir antes de estes sequer aparecerem! Portanto vamos ter cenários lindíssimos para explorar, mas imensamente vazios e mesmo quando há combates, a sua variedade é muito, muito reduzida. Deveria ter havido, a meu ver, um melhor balanço entre a exploração e o combate.

Os combates podem não ser os mais intuitivos e dinâmicos, mas o facto de acontecerem tão poucas vezes também não ajuda

Mas para mim o que leva a maçã podre no topo do bolo é mesmo o momento Asura’s Wrath. Ora há muita gente que odiou o final deste jogo. Pessoalmente surpreendeu-me bastante pela positiva e gostei do final, apesar de ter ficado no ar aquele momento de “to be continued” que nunca se concretizou. Ora e depois apercebo-me que a Ubisoft lançou um DLC, na altura pela quantia de 10€, que se intitulava de “Epílogo”, continuando assim a história mais um pouco e dando um novo final ao jogo. Por curiosidade fui à Playstation Store ver quanto custaria tal DLC e este já nem sequer estava disponível para ser comprado! Fui então ao youtube ver alguém a jogá-lo do início ao fim e apercebi-me que não perdi grande coisa. Este é apenas uma dungeon gigante com muitos mais obstáculos, apesar de ter agora um novo tipo de portais que não traz nada de realmente novo. Até os inimigos e bosses são os mesmos do jogo base! E sim, o final desse DLC continua a terminar com um momento de to be continued, não acrescentando nada de realmente relevante. Ainda assim, a atitude da Ubisoft em lançar um DLC que continuaria a história do jogo base continua a ser para mim um golpe baixo.

Portanto este Prince of Persia é um jogo que apesar de ter uns audiovisuais lindíssimos acaba por desiludir bastante. Não pelo facto de não ser um jogo difícil devido a nunca morrermos, sinceramente em certas alturas até agradeci essa ajuda, mas sim por ser um jogo extremamente mal balanceado na sua execução. Os cenários são bonitos, porém bastante vazios e os combates (que por sua vez também não são os melhores do mundo) são muito esporádicos e com muito pouca variedade entre si. Ainda assim gostava de ter visto a Ubisoft a continuar esta história pois acho que o jogo até tinha algum bom potencial.