Sega Ages 2500 Vol 32 Phantasy Star Complete Collection (Sony Playstation 2)

Uma das iniciativas mais interessantes que a Sega lançou para reavivar todo o seu espólio retro foram os lançamentos da Sega Ages 2500 para a Playstation 2. Em 33 lançamentos diferentes, lançaram para o mercado algumas conversões, remakes dos seus clássicos ou compilações de séries completas como Space Harrier, Wonder Boy / Monster World, Fantasy Zone ou esta compilação da saga clássica Phantasy Star. Claro que a maioria destes lançamentos se ficaram pelo Japão e, pelo menos no caso dos remakes, os resultados finais foram algo díspares na sua qualidade. Alguns títulos ficaram pior que os originais, enquanto outros até ficaram bem interessantes. No ocidente acabamos por receber alguns desses remakes na compilação SEGA Classics Collection que planeio trazer cá em breve também. Entretanto este meu exemplar foi comprado algures em Junho do ano de 2020 no eBay. Não foi barato, mas foi um presente de aniversário que quis dar a mim mesmo!

Compilação com caixa, manual e papelada diversa que não ficou na foto

Mas então o que contém esta compilação? Bom, temos os quatro Phantasy Star clássicos mais alguns títulos secundários que foram saíndo originalmente para a Game Gear ou para o serviço online Mega Net da Mega Drive. Todos esses jogos estão em japonês, mas eu joguei versões emuladas com patches de tradução para inglês já há muitos anos atrás. Este artigo irá incidir precisamente nesses jogos secundários, pois já cá trouxe os da série principal. Se quiserem ler a minha opinião sobre os Phantasy Star principais, podem fazê-lo ao seguir os respectivos links: Phantasy Star, Phantasy Star II, Phantasy Star III, Phantasy Star IV.

As Phantasy Star II Text Adventures são pequenos jogos de aventura, altamente baseados em texto, que contam pequenas histórias de cada personagem do Phantasy Star II, alguns anos antes dos acontecimentos narrados nesse jogo

E vamos começar por abordar brevemente as Phantasy Star II Text Adventures. Como o nome indica, são aventuras gráficas ao estilo japonês, foram lançadas originalmente no serviço online Mega Net da Mega Drive, onde os seus clientes poderiam descarregar pequenos jogos que ficavam armazenados num cartucho próprio para o serviço. Dos vários títulos lançados nesse serviço, temos 8 aventuras gráficas que narram pequenas histórias que mostram um pouco mais do background das diferentes personagens intervenientes no Phantasy Star II. Mais tarde estes jogos tiveram também um lançamento físico para a Mega CD, divididos em duas compilações distintas que incluíam vários jogos deste serviço online.

Ocasionalmente teremos de defrontar alguns inimigos e o dano causado/sofrido é calculado através do lançamento de dados

Não vou detalhar os 8 jogos separadamente, pois todos possuem histórias diferentes, mas partilham todos das mesmas mecânicas de jogo, inspirados em muitos outros jogos de aventura nipónicos, onde na parte inferior do ecrã vemos o texto com os diálogos e descrição do mundo à nossa volta, do lado direito temos o menu com as diferentes acções (move, look, take, use, drop), enquanto que o resto do ecrã está dividido em 2 janelas que mostram alguns gráficos, sendo uma delas o protagonista. Em cada uma dessas opções surge uma interface com as direcções onde nos podemos mover ou no caso das outras opções, menus com os objectos ou personagens com os quais podemos interagir. E sendo jogos de aventura teremos de explorar bem os cenários, falar com pessoas e adquirir uma série de itens de forma a progredir no jogo! O grande twist desta fórmula está precisamente nas batalhas, pois em certos pontos do jogo teremos mesmo alguns combates para enfrentar. E aqui o jogo retém alguns elementos de RPG, pois são batalhas por turnos, onde devemos atacar com alguns dos itens que entretanto vamos encontrando. O dano causado é que é algo aleatório, pois é calculado através do lançamento de dados, mesmo à velha guarda! De qualquer das formas são elementos muito ligeiros de RPG, não há qualquer level up e os combates não são assim tão frequentes, mas temos de nos preocupar em não deixar que a nossa personagem morra, pelo que teremos de encontrar também maneiras de nos regenerar a barra de vida após combates.

A janela mais à esquerda ocasionalmente mostra-nos alguns detalhes gráficos do que se passa à nossa volta

A nível audiovisual, estas aventuras de texto são extremamente simples. Estava a contar que houvesse maior detalhe gráfico, com imagens que ilustram os cenários à nossa volta ou as pessoas com as quais interagimos, mas isso acontece muito esporadicamente. Sempre que há batalhas, uma das janelas gráficas apresenta o nosso oponente, mas ilustrações de cenários só acontece muito esporadicamente e apenas nalgumas das aventuras específicas. De certa forma compreende-se pois estes eram jogos que teriam de ser descarregados digitalmente através de linha telefónica, logo nos inícios dos anos 90, portanto era imperativo que ocupassem o menor espaço possível. Por outro lado as músicas vão sendo variadas consoante a aventura e algumas até as achei bem agradáveis.

Phantasy Star Adventure possui as mesmas mecânicas base de outras aventuras, mas com maior detalhe gráfico

Em 1992 a Sega lança também o primeiro spinoff para a portátil Game Gear, em mais um lançamento que nunca saiu do Japão. Tal como as aventuras de texto da Mega Drive, este também é um lançamento que aborda os eventos do Phantasy Star II, colocando-nos no papel de um outro agente de Paseo na mesma altura em que o jogo principal decorre. E é também uma aventura gráfica, com as mesmas mecânicas de jogo das aventuras anteriores, seja nas acções move, look, talk, take, use, drop seleccionadas através de menus, seja nas batalhas que também têm o sistema de lançamento de dados dados que define o dano causado/recebido em batalhas. Mas ao contrário dos seus predecessores na Mega Drive, aqui há um maior detalhe gráfico, pois todas as áreas que exploramos e personagens que interagimos possuem uma imagem estática descritiva. No entanto, algumas das informações importantes como os nossos pontos de vida ou dinheiro, são apenas visíveis após navegar nalguns menus.

Phantasy Star Gaiden já é um RPG tradicional, mas muito simples

Por fim temos o Phantasy Star Gaiden que saiu também para a Game Gear algures em 1992. É uma sequela directa do primeiro Phantasy Star, decorrendo umas centenas de anos após os acontecimentos do primeiro jogo. Mas a acção não decorre no familiar sistema solar de Algo, mas sim no planeta distante de Copto, que foi colonizado por Alis, a heroína do primeiro jogo, após o final da primeira aventura. E começamos por encarnar na pele dos jovens Alec e Mina, que partem para descobrir o paradeiro do pai de Alec, que havia sido emboscado por bandidos numa terra longínqua. Eventualmente teremos um grande vilão para defrontar, mas a história deste jogo é muito simples.

Ao menos quando entramos em edifícios temos sempre um ecrã detalhado com diálogos

As suas mecânicas de jogo também são bastante simples, com batalhas aleatórias e por turnos, onde poderemos desencadear as acções habituais de atacar, defender, usar itens, magia ou escapar. Mas o maior problema deste jogo, para além da sua simples narrativa, é mesmo o encounter rate que é terrível. Muitas vezes saímos de uma batalha para dar um ou dois passos e entrar noutra! De resto, uma das mecânicas de jogo fora do comum em Phantasy Star é o facto de as magias terem de ser compradas e não aprendidas naturalmente com a evolução das personagens. A nível audiovisual é também um jogo muito simples, as aldeias, cidades e dungeons são practicamente todas iguais entre si, o design dos monstros não é nada de especial e as músicas para além de não serem muitas, não são propriamente cativantes. Em suma, o Phantasy Star original da Master System é de longe um jogo bem melhor em todos os níveis. E a Game Gear tem JRPGs clássicos mais interessantes também.

Portanto estamos aqui perante uma interessante compilação que irá certamente agradar aos fãs de Phantasy Star, pois inclui todos estes spin offs que são bem mais complicados de comprar nas suas versões originais. No entanto temos sempre a barreira linguística, pois são todos jogos bastante pesados em texto e todos estão em Japonês nesta compilação. Um outro detalhe que ficou por contar é que os jogos da Game Gear estão escondidos e têm de ser desbloqueados!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PS2, SEGA, Sony. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.