Tenho um carinho especial pela série Sherlock Holmes do estúdio Ucraniano Frogwares, particularmente pelos seus jogos de aventura. Apesar dos primeiros títulos não serem particularmente impressionantes a nível audiovisual, o setting victoriano e todas as mecânicas de jogo de detective que incluiram nos mesmos, desde análise forense a raciocínios de dedução para encontrar os culpados sempre foram aspectos que me agradaram. Então lá procurei arranjar forma de ter os jogos em formato físico na colecção. Comprar cada título separadamente era uma opção bastante válida, mas decidi antes arranjar uma compilação que incluísse o máximo de lançamentos possível. E uma das coisas que me surpreendeu foi o facto de existirem imensas compilações, todas elas lançadas quer pela Focus Interactive, Mastertronic ou Daedalic Entertainment, dependendo do país e com um número variável de jogos. Apostar numa compilação em inglês seria o ideal, o que é o caso das lançadas pela Mastertronic, mas depois de apanhar esta “L’Integrale Sherlock Holmes” a 3€ na vinted não houve grande margem para dúvidas. Visto que tenho todos estes jogos no steam, não cheguei a jogá-los por aqui, mas suspeito que os mesmos estejam todos em francês.
Compilação com sleeve exterior de cartão, caixa, manual, papelada e 3 discos!
O artigo de hoje é uma muito interessante aventura gráfica do estilo point and click. Nunca tinha ouvido falar do jogo até que a certa altura o GOG chegou a oferecer cópias digitais do mesmo por um período limitado e como gostei do que vi, lá decidi adicioná-lo à minha conta para jogar quando calhasse. Eventualmente a Limited Run Games anunciou que iria lançar o jogo em formato físico e lá reservei a minha cópia algures no ano passado. Mas infelizmente só chegou às minhas mãos há poucos meses atrás.
Jogo com caixa e uma desculpa esfarrapada de manual
E este é um jogo com uma temática cyberpunk, decorrendo num futuro não muito risonho e claro, onde a tecnologia avança de tal forma que a maior parte das pessoas possuem uma espécie de implantes no corpo que as permitem viver num mundo de “realidade aumentada”, o que as deixa cada vez mais alienadas da realidade propriamente dita. Nós controlamos Nathan, um hacker ainda resistente a essa mudança e que a certo dia acorda sem a sua namorada ao seu lado, que desaparece misteriosamente. Lá começamos a aventura no seu encalço onde teremos entretanto de resolver toda uma série de puzzles até chegar ao seu pé e vamos também conhecer todo aquele mundo alternativo. Obviamente que eventualmente lá iremos lutar para mandar abaixo o sistema que controla a humanidade, mas é toda uma viagem até chegarmos a esse ponto.
Adoro a direcção artística e visuais pixel art desta aventura!
A jogabilidade é o que se espera de uma aventura gráfica deste estilo, com o cursor a servir para interagir com uma série de objectos ou outras personagens e ao contrário do que habitualmente estamos habituados no PC, aqui os dois analógicos do comando da PS4 são igualmente necessários, pois o direito controla o cursor, já o esquerdo controla o movimento de Nathan. Como é habitual, vamos ter vários itens que poderemos guardar no inventário para posteriormente utilizar noutros objectos ou personagens, assim como poderemos combiná-los uns nos outros. Ocasionalmente teremos alguns puzzles mais desafiantes, incluindo alguns puzzles bem geeks onde deveremos converter caracteres ASCII para chegar à sua solução! Ainda na jogabilidade convém também só referir que por vezes nos diálogos o jogo parece que encravava por alguns segundos, não nos deixando mudar a linha de diálogo.
A banda sonora é também fantástica, então esta música dos Keygen Assault é uma maravilha!
Visualmente este é um jogo muito único pois é todo ele representado em pixel art, mesmo como eu gosto. O tema cyberpunk está muito bem representado e a utilização de tecnologias antigas (para fugir ao tal sistema) serve de desculpa para colocar imensas referências retro, como os computadores Lorraine 500 (Amiga 500) ou o Atari ST que é lá referido com um outro nome que não me recordo. Ou a trivia de o Doom precisar de 4MB de RAM para ser executado! Em suma, é um jogo para geeks! Sendo este um título indie infelizmente não temos qualquer voice acting, mas a banda sonora é excelente! Esta é composta por muitas músicas chiptune que nos remetem mesmo para a cena europeia da década de 80 / inícios dos 90, com aquele som característico de jogos de Amiga, Commodore 64 entre outros sistemas da época. Ocasionalmente temos alguns temas mais metal/electronica, pois a própria banda italiana Master Boot Record esteve envolvida na banda sonora deste jogo. Só pela banda sonora já valeu a pena e os MBR já tinha ouvido falar, agora irei descobrir a sua discografia com mais atenção.
Perto do final do jogo iremos controlar também Jay, a tal namorada de Nathan
Portanto este Virtuaverse é um óptimo jogo de aventura point and click com uns visuais (e banda sonora!) muito retro e que acabam por resultar lindamente. Recomendo vivamente a quem gostar de aventuras gráficas e de temas cyberpunk! Fico curioso para eventuais novos lançamentos desta equipa!
Vamos voltar às rapidinhas a um título indie bem curtinho que é na verdade uma prequela do Finding Paradise, que por sua vez é um sucessor do To The Moon, ambos jogos que poderiam perfeitamente terem sido realizados no RPG Maker devido aos seus visuais muito característicos de RPGs da era 16bit, particularmente os da SNES. Mas estes são jogos que de RPG têm muito pouco, pois o seu ponto forte é precisamente a narrativa que nos contam. Na verdade este foi um jogo que apenas conheci após terminar o Finding Paradise, pelo que o adicionei imediatamente à minha wishlist do steam para o comprar num dia em que tivesse entrado numa promoção, o que acabou por acontecer algures no mês passado.
E este jogo, ao contrário dos To the Moon e Finding Paradise, onde encarnamos na dupla de cientistas Eva e Neil que com recurso a uma tecnologia avançada procuram satisfazer os desejos mais íntimos de felicidade de pessoas muito idosas ou doentes terminais, este é um jogo bem diferente na sua proposta, até porque não existem quaisquer diálogos. Nós encarnamos então no papel de um pequeno menino solitário e com dificuldades em se adaptar na escola e fazer amigos. Num certo dia salva um pequeno pássaro de ser atacado por um outro animal, mas que acaba por partir uma asa, o que o impede de voar. O menino começa então a tomar conta do pássaro e afeiçoa-se muito ao animal, que por sua vez também o ajuda com os seus problemas em socializar com as restantes pessoas.
Tal como os restantes jogos da série To the Moon este é um título com uma narrativa forte, embora não existam quaisquer diálogos desta vez
Toda esta história é-nos mostrada através de várias cut-scenes (todas com os visuais característicos desta série) onde muito ocasionalmente lá teremos alguma (pouca) liberdade de nos movimentarmos pelo ecrã e ocasionalmente pressionar a barra de espaço para interagir com alguns objectos. O To the Moon e Finding Paradise são jogos de aventura com uma narrativa muito forte e emocional, embora tivessem uma componente de “jogo” mais activa e claro, os diálogos algo sarcásticos entre Neil e Eva para contrastar com todo o drama restante. Aqui é tudo muito mais minimalista e sem quaisquer diálogos, o que por vezes confesso que tornou as coisas algo aborrecidas. Outra das coisas que não gostei muito é o facto de não podermos pausar rigorosamente nada enquanto estiver alguma cut-scene a decorrer, o que acontece em cerca de 80% do tempo de jogo, que é pouco mais que uma hora.
Inicialmente achei bastante estranho o jogo utilizar muitos recursos que viriam a ser utilizados no Finding Paradise, mas lá nos dizem que este é uma prequela desse jogo.
De resto tal como referi acima, este é um jogo com visuais muito simples típicos de um RPG da era de 16bit e com aquelas sprites pequenas e animações simples, porém com um charme muito característico. Quando o comecei a jogar estranhei o facto de haverem muitas semelhanças com o Finding Paradise como a personagem principal e os cenários. Estranhei o facto de terem reutilizado esses recursos no jogo seguinte, mas no fim desta aventura lá dizem que “a história continua no Finding Paradise” e ficou tudo perdoado! A banda sonora é como tem sido habitual nos jogos da FreeBird muito relaxante e assente principalmente em melodias simples de piano, porém muito carregadas de sentimento.
Mais uma rapidinha a um jogo da série Pixel Puzzles e, até ver, será o último. A ver se tiro este veneno do sistema, visto que nas ultimas semanas gastei largas dezenas de horas com estes jogos! Este é mais um dos Pixel Puzzles que vieram parar à minha conta steam sem que eu desse conta. O único que tinha comprado (na verdade terá vindo num indie bundle) foi o Pixel Puzzles Undeadz, já todos os restantes apareceram-me na conta steam sem que eu desse por isso, tendo sido provavelmente oferecidos pela empresa que os publica. O que nem é uma má estratégia para atrair novos clientes, pois estes jogos têm toda uma série de puzzles gratuitos, mas muitos, muitos mais que podem ser comprados através de DLC. Não o fiz neste caso.
A interface deste jogo é muito similar à do Pixel Puzzles Traditional Jigsaws, desde o seu sistema de menus, opções e controlos. O objectivo é, como sempre, irmos montando vários puzzles e formar uma imagem completa. As peças geralmente ficam a boiar numa área lateral e com o rato poderemos arrastá-las e tentar colocá-las no puzzle, ou numa outra área lateral para armazenamento. Com o botão direito do rato podemos também orientar as peças para o ângulo que achamos que seja o correcto. Num dos cantos do ecrã temos também uma imagem em ponto pequeno do puzzle completo. E aí a possibilidade que o Pixel Puzzles Ultimate introduziu para nos permitir mover essa imagem de referência livremente pelo ecrã e ampliá-la quando quisermos foi algo que já senti a falta neste jogo. De resto, à medida que vamos colocando peças correctamente, iremos também ganhar alguns tokens, que podem posteriormente ser utilizados para uma série de ajudas, como activar uma imagem fantasma do puzzle completo e que se vai desvanecendo ao fim de alguns segundos. Outras ajudas como indicar a orientação correcta da peça seleccionada, ou mesmo até a sua localização no puzzle podem também ser utilizados, mediante o número de tokens que tenhamos disponíveis para gastar.
Mais um pixel puzzles, desta vez focado numa temática de ilustrações e anime. A interface é a mesma do Traditional Jigsaws
A nível audiovisual também não tenho nada de especial a acrescentar, visto que o jogo utiliza a mesma interface do já referido Traditional Jigsaws. Podemos escolher que ecrãs de fundo queremos utilizar antes de resolver cada puzzle e estes tipicamente incluem diferentes músicas de fundo ou até algumas pequenas animações. E tal como é perceptível no nome do jogo, todos os puzzles aqui disponíveis são baseados em ilustrações e/ou anime.
Tempo para mais uma rapidinha a um indie com este Thomas Was Alone. Desenvolvido por Mike Bithell e com música composta por David Housden, este é um interessante jogo de plataformas com vários elementos de puzzle e uma narrativa original a acompanhar a acção. Sinceramente não me recordo como é que o meu exemplar veio cá parar, muito menos quando ou quanto me custou, mas suspeito que terá vindo nalgum indie bundle por uma bagatela.
O conceito do jogo leva-nos a controlar inicialmente Thomas, uma inteligência artificial que ganha consciência e começa a explorar todo o espaço virtual à sua volta. Thomas é representado por um pequeno rectângulo vermelho e o objectivo dos primeiros níveis é precisamente levá-lo do início ao fim do nível, até ao seu portal de saída que nos desbloqueia o nível seguinte. Mas à medida que vamos progredindo no jogo iremos descobrir outras IAs, cada qual com diferentes traços de personalidade e também representadas por diferentes formas e cores. Chris é o primeiro, um quadrado laranja incapaz de saltar tão alto como Thomas. Os níveis seguintes já obrigarão à cooperação entre ambas as personagens (podemos alternar o controlo livremente entre elas) para ultrapassar certos obstáculos e chegar à saída do nível. À medida que vamos progredindo no jogo iremos desbloquear muitas outras personagens adicionais, como John, um rectângulo amarelo mais alto, mais ágil e capaz de saltar a longas distâncias, Claire, um quadrado grande e o único capaz de flutuar na água, Laura, um rectângulo horizontal que também não salta grande coisa mas serve de trampolim para as outras personagens, James, um rectângulo verde que está sempre com gravidade invertida ou Sarah, um rectângulo roxo capaz de duplo-salto.
Cada personagem possui habilidades próprias e os níveis apresentam-nos diversos desafios onde teremos de utilizar essas diferentes habilidades em conjunto
À medida que estas personagens vão sendo introduzidas, os desafios para ultrapassar os níveis vão necessitar que utilizemos as habilidades de todas essas personagens, para que as mesmas consigam chegar aos seus próprios portais. E a história vai precisamente contar a maneira como todos vão convivendo uns com os outros e formando uma certa amizade. Lá mais para a frente no jogo a história leva-nos a controlar outras personagens mais genéricas, sem grandes habilidades próprias, mas que ao atravessarem certas zonas coloridas irão ganhar a habilidade das personagens anteriores. Por exemplo, uma personagem que atravesse uma zona verde irá ganhar gravidade invertida, enquanto que outra que atravesse uma zona vermelha ganha a possibilidade de servir de trampolim e por aí fora, pelo que as possibilidades e os puzzles que teremos de resolver continuam bastante originais e imaginativos. O jogo está dividido ao longo de 9 zonas com 10 níveis cada, mas assim que o terminemos desbloqueamos ainda 2 zonas adicionais com novas personagens e habilidades, sendo uma prequela aos acontecimentos narrados no jogo principal. Apesar dos muitos níveis, não é um jogo muito longo, tendo-me levado cerca de 5 horas a terminá-lo na totalidade. Vão haver alguns puzzles mais complexos ou obstáculos mais difíceis de ultrapassar, mas nada que seja assim tão frustrante quanto isso.
A narrativa é também apresentada de forma bastante original e com uma narração de qualidade!
A nível gráfico este é um jogo muito particular com os seus visuais minimalistas, cenários maioritariamente escuros e as personagens… bom essas são todas elas quadriláteros bastante minimalistas também. Já no que diz respeito ao som, a banda sonora é bastante relaxante e agradável e a narração é francamente boa (aliás essa foi uma das razões que levaram o jogo a ganhar prémios internacionais). A voz é protagonizada por Danny Wallace (a mesma pessoa que dá a voz à personagem de Shaun Hastings no universo Assassin’s Creed – o historiador dos assassinos) e o resultado final ficou excelente.
Portanto este é um simples, porém interessante e original jogo de plataformas que nos trará diversos desafios para resolver e alguns segmentos de platforming mais exigentes (mas muito longe do que outros precision platformers da época exigiam). A excelente banda sonora e narrativa são outros pontos bastante fortes e em suma acho que é uma excelente opção para uma experiência um pouco mais casual.