Rhapsody: A Musical Adventure (Nintendo DS)

Um dos primeiros RPGs dos muitos que a NIS (Nippon Ichi Software) lançou foi o Rhapsody: A Musical Adventure para a primeira Playstation, lançado algures em 1998 no Japão. Tal como muitos outros RPGs da NIS que lhe seguiram, este era um Strategy RPG, com algumas mecânicas de jogo distintas. E tal como o nome indica, é um musical, na medida em que em certos pontos da narrativa, em vez de sermos presenteados com cutscenes CGI ou anime, temos literalmente canções interpretradas pelas personagens principais. Detesto musicais. Bom, essa versão da PS1 saiu nos Estados Unidos em 2000, já as suas sequelas directas e spin offs mantiveram-se em solo nipónico. Mas eis que avançamos para 2008/2009 e um “remake” é lançado para a Nintendo DS que já sai finalmente em solo europeu, sendo essa a versão que vos trago hoje. O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters algures em Junho de 2020 por cerca de 7€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A narrativa leva-nos a um mundo fantasioso (que aparentemente terá ligações a outros jogos da NIS como o Makai Kingdom ou a série Disgaea) onde controlamos uma jovem órfã com um talento muito especial: a menina consegue falar com bonecos, tanto que estes até nos vão acompanhando na aventura e participam no sistema de batalha. O resto da narrativa é simples, mas com alguns momentos de bom humor. Pensem numa espécie de bela adormecida ao contrário, onde é o “príncipe encantado” que acaba por ser vítima de um conjunto de bruxas e cabe-nos a nós salvá-lo.

Cornet possui algumas habilidades especiais que lhe permitem desencadear ataques ridículos, porém poderosos

No que diz respeito às mecânicas de jogo, há aqui uma grande mudança. Nunca cheguei a jogar o original da PS1 mas esse era um RPG estratégico onde teríamos controlar cada personagem individualmente e movê-las pela área de jogo, atacando, usando itens ou outras habilidades quer ofensivas, quer de suporte. Neste remake o sistema de batalha já é mais tradicional e por turnos. Não sei com quantas personagens poderíamos montar a nossa party no original de PS1, mas aqui são sempre 4, a Cornet (personagem principal) mais 3 bonecos. Entre cada turno podemos assignar diferentes acções a cada um dos membros actuais da nossa party como atacar, usar magias ou itens. A própria Cornet que no original teria um papel mais de suporte, nesta versão já tem um papel mais preponderante no ataque, embora continue com algumas habilidades especiais. Algumas destas habilidades especiais possuem um símbolo de um trompete, sendo estes habilidades de suporte como curar toda a gente ou buffs que melhorem temporariamente os stats dos nossos aliados. Para além disso, cada vez que usemos uma dessas habilidades vemos uma pauta musical no canto superior direito a ser escrita com algumas notas musicais, pauta essa que vai “enchendo” até cinco níveis. Essa “barra de energia” pode então ser utilizada por Cornet para despoletar alguns golpes mágicos bastante poderosos e capazes de atingir todos os inimigos em simultâneo. Para além disso, sempre que recrutamos algum novo boneco para combater connosco, estes também terão algumas side quests que poderemos completar. Se o fizermos, Cornet ganha também alguns golpes especiais alusivos a essas personagens.

A história é super simples mas às vezes tem alguns momentos bem humorados

Visualmente é um jogo colorido e bem detalhado, particularmente nas sprites das personagens principais, que mesmo num ecrã pequeno como o da Nintendo DS acabam por resultar bem. Os cenários que poderemos explorar são também bastante diversificados entre si, como aldeias e cidades, florestas, imensas cavernas diferentes, torres, castelos ou até vulcões. Alguns dos cenários até possuem um efeito gráfico interessante que lhes dá um aspecto de terem sido pintados à mão. Mas tal como referi no início deste artigo, este é um RPG musical pelo que em vez de termos algumas cutscenes CGI ou anime em momentos chave da história, estas são substituídas por canções gravadas com vozes reais. A banda sonora não é particularmente do meu agrado e o jogo não possui qualquer voice acting, para além das tais músicas cantadas acima mencionadas. A história é super simples e sinceramente algo desinteressante, embora possua alguns momentos de bom humor, quanto mais não seja por todas as caretas que certas personagens vão fazendo em situações mais caricatas, algo que a NIS tem vindo a fazer bastante em vários dos seus jogos. Ainda a nível técnico, de reportar também que tive alguns problemas com o jogo a congelar em certos momentos. Inicialmente pensei que fosse por o estar a jogar através de um flashcart, mas aparentemente é mesmo bug do jogo visto haver mais gente a reportar os mesmos problemas.

Durante a exploração o ecrã de cima para além de nos dar alguma informação da nossa party actual tem também um mini mapa sempre activo

Portanto este Rhapsody: A Musical Adventure é um jogo original nalgumas das suas mecânicas de jogo e até possui uma apresentação bem agradável tendo em conta as limitações da Nintendo DS. No entanto é um jogo demasiado “cor de rosa” para o meu gosto e acho que teria achado mais piada se a NIS tivesse mantido a jogabilidade do original. Mas lá está, no Japão até teve um sucesso considerável, dando origem a duas sequelas directas e mais uns quantos spin offs que nunca viriam a sair do país do Sol Nascente. Curiosamente foi mesmo o original de PS1 a receber um remaster para a Nintendo Switch na compilação Prinny Presents NIS Classics Volume 2.

F1 Circus 92 (PC-Engine)

Com azáfama habitual do período que antecedem as festas de Natal, bem como um volume de trabalho maior que o habitual, não tenho tido muito tempo para jogar, pelo que o artigo de hoje é mais uma rapidinha e aproveito também para fechar a série F1 Circus no ecossistema da PC Engine. Lançado no mesmo ano que o F1 Circus Special que cá trouxe há relativamente pouco tempo, este título acaba por ser um mero update ao F1 Circus 91, sem o modo Time Attack e outras novidades introduzidas no jogo de CD. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Novembro em lote a um particular, tendo-me custado cerca de 5€.

Jogo com manual embutido e registration card

A grande diferença deste jogo perante o seu HuCard antecessor (F1 Circus 91) é mesmo a introdução da licença da FIA, pelo que todos (ou assim creio, visto não ser expert em F1) construtores e equipas da sua época estão aqui fielmente apresentados. No que diz respeito aos modos de jogo, temos o habitual World Championship, Test Drive e Training. Os mesmos do F1 Circus 91, portanto. A grande fatia está mesmo no modo World Championship onde a ideia é começar por uma equipa de baixo nível tipo a Jordan on Andrea Moda e ao longo de 8 temporadas fazer o melhor campeonato possível, tendo a possibilidade de ir mudando para equipas melhores se a nossa performance for interessante o suficiente.

Todas as 16 equipas que competiram na temporada de 1992 estão aqui representadas, embora apenas podemos começar a carreira com uma das 3 salientadas

A nível de jogabilidade é o mesmo dos seus antecessores: corridas de Fórmula 1 numa perspectiva vista de cima, com velocidade intensa e que nos obriga a practicar bem cada circuito e conhecer todas as suas curvas. Antes de cada corrida propriamente dita temos a possibilidade de participar em treinos ou etapa de qualificação, sendo que em cada fase poderemos customizar vários aspectos do carro, incluindo a direcção que realmente faz a diferença na manobrabilidade do carro.

Para além da licença da FIA, a Nichibutsu aparentemente também terá tido permissão para usar marcas reais nos painéis publicitários

No que diz respeito aos audiovisuais não esperem por grandes novidades perante o seu antecessor pois este utiliza a mesma perspectiva e motor de jogo. O display de informação durante as corridas é semelhante ao do F1 Circus Special, apresentando a mesma informação do estado do nosso carro, qual a mudança inserida e quem ocupa as 6 primeiras posições, as únicas que dão pontos. Informações como a nossa velocidade actual não existem, a nossa posição (caso seja abaixo dos 6 primeiros lugares) apenas é mostrada sempre que passamos a meta, assim como diferenças de tempos para o carro imediatamente à nossa frente e outra para o da retaguarda. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros e às músicas, que por acaso até são bem agradáveis e pareceu-me reconhecer alguns temas do seu antecessor.

Mercs (Sega Master System)

Voltando à Master System e às rapidinhas, tempo agora de vos trazer a modesta adaptação do Mercs para a plataforma de 8bit da Sega. Mercs é uma espécie de sucessor espiritual de Commando, um clássico da Capcom que nos colocava num ambiente de guerra e onde sozinhos teríamos de derrotar todo um exército inimigo, numa perspectiva vista de cima. Já cá trouxe no passado a adaptação desse jogo para a Mega Drive, que por sua vez era uma conversão que até expandia o original arcade. Na Master System o resultado é bem mais modesto. O meu exemplar foi comprado em lote a um particular algures no passado mês de Novembro, tendo-me custado cerca de 15€.

Jogo com caixa e manual

Tal como noutras versões o nosso objectivo é o de nos infiltrarmos num fictício país africano onde um grupo militar para além de estar a preparar um golpe de Estado também conseguiram raptar nada mais nada menos que o presidente dos Estados Unidos da América. Agora, por questões “diplomáticas” a única coisa que os americanos podem fazer é enviar um único soldado com a tarefa de defrontar todo esse exército inimigo e resgatar o presidente norte americano em segurança.

Tal como no original poderemos conduzir alguns veículos em certos níveis e estes também têm uma barra de vida própria

A jogabilidade é, na sua essência, similar à das outras versões do Mercs. Este é então um shooter com uma perspectiva vista de cima e onde teremos muitos soldados inimigos para derrotar e veículos para destruir. Para nos ajudar nessa demanda temos um sistema de power ups que poderemos encontrar ao longo dos níveis. Estes são itens que tanto podem ser novas armas como shotguns, lança chamas ou rockets. Ícones “pow” servem para dar mais poder de fogo à arma que tenhamos actualmente equipada, os itens com a letra M são bombas capazes de causar dano em todos os inimigos presentes no ecrã, enquanto que os itens restantes servem para regenerar/extender a nossa barra de vida ou simplesmente darem pontos adicionais. No que diz respeito aos controlos, um botão dispara, o outro usa as tais mega bombas que referi anteriormente. Nada de muito diferente perante a versão original arcade, a não ser que esta é uma conversão bem mais modesta, com menos detalhe, inimigos no ecrã e uma performance pior. O “original mode” presente na versão Mega Drive não está aqui implementado.

Alguns dos bosses são grandes e bem detalhados

A nível audiovisual este é um jogo colorido e bem detalhado quanto baste, estando no entanto muito abaixo do original arcade e versão Mega Drive, tanto a nível de detalhe, performance, como a quantidade de inimigos presentes no ecrã. Os efeitos sonoros não são nada de especial e já no que diz respeito à música, infelizmente esta está apenas presente no ecrã título, introdução e nas pequenas transições onde os bosses entram em cena. Durante a maior parte do jogo não temos então qualquer música, e como os efeitos sonoros não são grande coisa… bom digamos que não é um jogo muito agradável de se ouvir.

É nestas caixas onde poderemos descobrir alguns dos power ups que podemos apanhar.

Portanto esta adaptação da Master System apesar de ter sido bem-vinda, particularmente para quem não tivesse ainda uma Mega Drive em 1992, acaba por ser um jogo um pouco desapontante. Para além da falta de música ter sido uma falha a meu ver gritante e a performance do jogo não ser a melhor, é mesmo a omissão de um modo de jogo adicional tal como foi feito na versão Mega Drive que torna esta versão mais desinteressante. É que pelo menos no Ghouls ‘n Ghosts a Sega decidiu implementar diferentes mecânicas de jogo que compensassem o facto dessa versão ser muito inferior tecnicamente.

Sega Ages 2500 Series Vol. 1: Phantasy Star Generation: 1 (Sony Playstation 2)

Todos sabemos que a Playstation 2 é, até à data, a consola doméstica mais vendida de sempre, com um catálogo de jogos invejável. E com uma plataforma de tanto sucesso é normal que também tenha recebido imensos jogos mais simples e lançados a preços mais económicos devido a custos de desenvolvimento baixos. Desde compilações retro de empresas icónicas como a Sega, Capcom ou Taito, outros títulos de baixo orçamento porém interessantes e claro, muito shovelware também. No Japão, uma das empresas mais proliferas nesse departamento foi a D3 Publisher com as suas séries Simple 1500 e Simple 2000 onde ao longo de quase 10 anos, principalmente em plataformas como a PS1 e PS2, acabaram por lançar mais de uma centena de jogos diferentes. Tanto relançamentos de jogos previamente publicados por outras empresas, imenso shovelware, mas também vários títulos interessantes como os que deram origem às séries Earth Defense Force, Onechanbara ou outros simplesmente bizarros como Demolition Girl. Por sua vez muitos desses títulos foram posteriormente lançados na Europa através de editoras como a 505 Games, Essential Games, Agetec, ou, no caso do lixo, a Phoenix. Mas voltando ao Japão, foi nesse espírito que em 2003 a Sega anuncia uma parceria com a D3 Publisher que iria alavancar muito do seu espólio de clássicos em novos lançamentos a preços reduzidos. Uma nova empresa de nome 3D-Ages (que ao contrário se lê Sega-D3) foi criada para comandar esta iniciativa e assim nasceu a série Sega Ages 2500, que acabou por receber 33 lançamentos no total, contendo remakes, conversões de jogos clássicos, ou compilações. A cargo da D3 Publishing ficaram os primeiros 15 volumes. Já os restantes 18 foram 100% geridos pela Sega, talvez pela qualidade dos jogos desenvolvidos por estúdios afectos à D3 Publisher não ter sido a melhor. Essa segunda metade da colecção Sega Ages 2500 já se focou mais em compilações e conversões mais próximas dos originais, com muitos desses lançamentos a terem ficado a cargo da fantástica M2 (incluindo a Phantasy Star Complete Collection que já cá trouxe no passado).

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, capa de argolas, separador relativo ao PS1, manual e registration card

Introduções feitas vamos ao que interessa e o primeiro jogo desta série a ver a luz do dia foi precisamente este Phantasy Star Generation 1, um remake do primeiro Phantasy Star da Master System com novos visuais e algumas outras melhorias. O jogo recebeu duas edições físicas diferentes no seu lançamento. A que tenho na colecção é esta edição “limitada” que inclui uma caixa exterior de cartão e uma capa de argolas, que serviria para armazenar uma série de separadores alusivos aos diferentes jogos desta série Sega Ages 2500. O meu exemplar foi comprado algures no final de Maio deste ano no eBay por cerca de 50€. Foi um presente de aniversário que decidi oferecer a mim mesmo! Mas voltando ao jogo em si, tal como referi acima este é um remake do original de Master System, pelo que irei-me focar apenas nas diferenças desta versão. Para mais leitura sobre a versão original 8-bit, recomendo que passem os olhos para o que eu escrevi sobre o original, um artigo de 2011, com um estilo de escrita muito diferente ao que practico actualmente. Qualquer dia reescrevo-o!

Phantasy Star, agora com visuais de RPG Maker. Ainda assim lembro-me de ficar super entusiasmado quando soube que isto estava em desenvolvimento

Ora a primeira novidade que notamos é o novo aspecto gráfico. Apesar de se manter com sprites 2D, todo aquele mundo foi refeito com sprites bem mais detalhadas, tanto na exploração de cidades / mapa mundo, bem como nas batalhas. Ainda assim, não se esqueçam que este foi um jogo de orçamento limitado (e produzido pela Japan Art Media que conseguiram arruinar com a série Lunar), pelo que não esperem por um nível de detalhe incrível. O resultado é que este parece um jogo feito em RPG maker mas hey, não deixa de ser uma evolução considerável desde os gráficos 8bit. A navegação nas dungeons continua na primeira pessoa e aí já é toda em 3D poligonal. O problema é que as texturas são horríveis, particularmente nas dungeons com paredes rochosas. Os diálogos com NPCs deixaram de ser na primeira pessoa com um maior detalhe gráfico do NPC em questão e os cenários em plano de fundo, mantendo os mesmos visuais da exploração normal. As cutscenes foram alteradas para usar imagens estáticas no estilo anime, embora a qualidade dos desenhos não seja a melhor. No que diz respeito ao som, a banda sonora foi toda regravada embora alguns temas acho que poderiam ter ficado melhor conseguidos. Particularmente os temas que foram reutilizados no Phantasy Star IV, cujas versões, mesmo em chiptune, ficaram a anos luz do que conseguiram trazer aqui. Um bocadinho mais de energia nas músicas seria bem-vindo. Não contem também com qualquer voice acting.

As dungeons são agora em 3D poligonal, embora com texturas muito fracas. De notar a introdução do item Atlas que nos permite ter acesso a um automap, embora apenas durante 100 passos.

Não foi só uma actualização audiovisual que este jogo recebeu, mas também várias novidades no campo da jogabilidade. A começar talvez pelo sistema de batalha, agora mais próximo dos introduzidos no Phantasy Star II em diante. A câmara deixa de estar na primeira pessoa para se posicionar nas costas das nossas personagens e existem novas acções, itens e armas a ter em conta. Por exemplo, existem armas de fogo capazes de atingir mais que um inimigo em simultâneo, embora causando menos dano. Poderemos comprar e equipar acessórios que nos dão stats adicionais assim como jóias mágicas que nos permitem desencadear ataques poderosos sob o risco de estas partirem com o uso. Muitos dos itens foram também renomeados para os standards de Phantasy Star, como monomates, telepipes ou escapipes. Trouxeram também os fluids que nos permitem regenerar MP, mas o inventário por personagem continua a ser bastante limitado, pelo que quando explorarmos as dungeons cada vez mais labirínticas da segunda metade do jogo, rapidamente teremos de economizar recursos. Um outro item bastante útil aqui introduzido foram os Atlas. Estes devem ser apenas consumidos durante as dungeons e mostram uma pequena janela no canto superior esquerdo com o mapa já descoberto do local onde estamos. Pena que apenas durem 100 passos! De resto o jogo é mais generoso com a experiência e dinheiro que ganhamos no final de cada batalha, pelo que apesar do grinding continuar a ser recomendado para melhor aguentarmos as dungeons e respectivos bosses, não precisa de ser tão longo quanto no original. Ou pelo menos essa foi a minha percepção, visto que já não pego no original há mais de 20 anos.

A única excepção onde falamos com NPCs na primeira pessoa é nas dungeons, mas como podem ver os assets são de muito baixa resolução e qualidade

De resto a narrativa também foi expandida. O Phantasy Star original não tinha propriamente uma plot complexa, mas practicamente nenhum RPG daquela geração a tinha, devido a limitações de armazenamento nos cartuchos. Então aqui temos novos diálogos, bem como a opção de falar com os membros da nossa equipa, o que é útil caso estejamos algo perdidos sem saber para onde ir a seguir. No entanto os novos diálogos também não acrescentam nada de muito valor à história original, sendo na sua maioria conversa de circunstância algo fútil. Mas sim, tendo em conta usei um patch de tradução feito por fãs, é possível que a tradução não seja a mais fiel, embora neste caso não me acredite muito pois a comunidade Phantasy Star sempre criticou as divergências e inconsistências encontradas nas localizações oficiais dos clássicos.

O sistema de combate foi também remodelado, estando agora mais próximo dos Phantasy Star da Mega Drive e com algumas outras novidades de qualidade de vida.

Portanto é isto o primeiro volume da Sega Ages 2500. Por um lado achei de extremo bom gosto terem começado por pegar no primeiro Phantasy Star que há muito que merecia um remake. Alguns melhoramentos na jogabilidade foram muito bem-vindos, mas sendo este um título de orçamento muito limitado, o resultado final está longe da perfeição. Tal como referi acima, particularmente na narrativa que apesar de expandida não acrescenta nada de muito interessante e os visuais, que apesar de serem superiores aos originais em pura qualidade gráfica, artisticamente são inferiores. Mas esta não foi a última vez que o Phantasy Star original viria a ser revisitado. Em 2018 a Sega relança o branding Sega Ages, agora na Nintendo Switch onde entre 2018 e 2020 viriam a lançar digitalmente adaptações de vários dos seus clássicos, todas com a emulação a cargo da M2. O Phantasy Star foi um deles, com vários melhoramentos como um automap nas dungeons ou a possibilidade de alternar entre a banda sonora PSG e FM. Já no que diz respeito à série Sega Ages 2500 ainda foi lançado um remake similar do Phantasy Star II que também gostaria de arranjar e também recebeu um patch de tradução feito por fãs. De resto a esmagadora maioria dos restantes títulos Sega Ages 2500 se ficaram pelo Japão. A excepção está na compilação Sega Classics Collection da Playstation 2, que trouxe vários dos lançamentos ainda supervisionados pela D3 Publisher num único disco. Futuramente hei-de cá trazer essa compilação também.

Fighting Force (PC)

Desenvolvido pelas mesmas mentes por detrás do Tomb Raider, este Fighting Force começou por ser originalmente concebido para ser um Streets of Rage em 3D. No entanto a Sega acabou por não dar luz verde ao projecto (apostando antes no Die Hard Arcade), pelo que a Core não desistiu da sua ideia, transformando o jogo neste Fighting Force que aqui vos trago, cujo foi lançado para as principais plataformas da época, excepto a própria Sega Saturn, claro. Aparentemente o desenvolvimento da versão Saturn foi levado até bastante tarde, mas algures em 1997 o seu lançamento acabou por ser cancelado. O meu exemplar foi comprado algures em Setembro de 2017 na feira da Vandoma no Porto por cerca de 3€.

Jogo com big box, jewel case, manuais e papelada

A história leva-nos ao “futuro”, poucos anos após o virar do milénio. Um poderoso e influente cientista acreditava piamente no apocalipse que aconteceria no ano 2000, mas quando chega essa fatídica altura e nada acontece, decide forçar esse evento por suas próprias mãos, recorrendo para isso ao seu poderoso exército. Mas claro, 4 pessoas (2 homens e 2 mulheres de origens e profissões distintas) decidem resistir e colocar um travão no Dr. Dex Zeng.

Este é então um beat ‘em up em 3D, dos primeiros que tentou mesmo transportar esse género para os gráficos em 3D poligonal. Infelizmente não é um jogo que tenha envelhecido muito bem, mas sinceramente não o acho assim tão mau. Os controlos consistem em usar as setas do teclado para o movimento, mais outras teclas para socos, pontapés, saltar, correr e agarrar/atirar inimigos. Cada personagem possui diferentes golpes, incluindo um special único, que por sua vez nos retira um pouco da barra de vida de cada vez que os usemos. No que diz respeito às personagens em si, a Mace Daniels e Hawk Manson são as mais balanceadas, o Smasher é um brutamontes super poderoso mas lento, enquanto que a Alana é a mais ágil mas mais fraca fisicamente. Tal como era habitual nos beat ‘em ups das gerações de consolas anteriores, poderíamos apanhar armas, seja ao “roubá-las” aos inimigos que as carregassem, ou depois de destruir objectos que as escondiam. Para além de armas, poderemos também encontrar outros itens como dinheiro que nos dão pontos adicionais, ou medkits ou comida que nos regenerem parcialmente a nossa barra de vida.

Começamos por escolher que personagem queremos representar, sendo que cada um possui diferentes atributos e golpes especiais

E estes são os básicos do Fighting Force. Não o considero um jogo mau tendo em conta a época em que foi lançado e o que a Core Design tentou aplicar aqui. Mas eis os pontos onde acho que o jogo envelheceu pior: o jogo é bastante repetitivo e a decisão de ter uma câmara mais dinâmica não é a melhor, visto que não a podemos controlar, mas vamos por partes. Os níveis são maioritariamente arenas grandes, sejam grandes corredores, ruas ou pátios. Ocasionalmente teremos de partir portões ou paredes para progredir nos mesmos, mas na sua maioria acabam por se tornar níveis monótonos e algo vazios, com grupos de 3, 4 inimigos a surgirem consecutivamente até que o nível termina quando os derrotamos a todos. Existe no entanto um factor que aumenta a longevidade do jogo, pois em pelo menos dois momentos temos de decidir qual dos 3 caminhos disponíveis seguir, resultando em alguns níveis que apenas poderemos visitar numa outra partida. Já a escolha da câmara mais dinâmica também acho que não resulta, pois por um lado não a podemos controlar, por outro volta a vir o tema dos níveis serem amplos, porém vazios. Nas eras 8 e 16bit já tivemos inúmeros beat ‘em ups que, apesar de serem inteiramente em 2D, nos davam a liberdade de mover em 3D pelas ruas, com uma câmara naturalmente fixa. Creio que se tivessem seguido esta abordagem poderiam ter apostado mais em enriquecer os cenários. É que comparado com o Dynamite Deka/Die Hard Arcade, lançado um ano antes nas arcades, esse jogo é bem mais dinâmico e divertido!

Apesar dos cenários serem algo vazios, temos muita coisa para destruir se assim o entendermos. Para além de nos darem mais pontos, por vezes escondem itens regenerativos ou armas que podemos usar no combate

No que diz respeito aos gráficos, as personagens e cenários são totalmente renderizados em 3D poligonal. As personagens e itens possuem um detalhe gráfico bom quanto baste para a época, já os cenários acho que poderiam por vezes ser um pouco mais aprimorados, como já referi acima. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já a banda sonora, apesar de a mesma até ser moderadamente eclética, apresentando-nos algumas músicas electrónicas ou rock, acho que a mesma poderia e deveria ser um pouco mais enérgica para um jogo deste tipo.

Sabem o que não pode faltar num beat ‘em up? Níveis em elevadores. Aqui temos pelo menos dois!

Portanto este Fighting Force é um jogo que envelhece um pouco mal com o decorrer dos anos pelas razões que mencionei dois parágrafos acima. No entanto não o considero um mau jogo de todo e, fanboy da Sega como sou, gostaria que a versão Saturn tivesse visto a luz do dia. O jogo teve um sucesso comercial considerável, com uma versão para a Nintendo 64 a sair já em 1999, meros meses antes da sua sequela, Fighting Force 2 ter saído para a Playstation e Dreamcast. E ora cá está mais um jogo com má fama, que planeio jogar em breve e tirar isso a limpo.