Assassin’s Creed Brotherhood (Sony Playstation 3)

A saga Assassin’s Creed era bastante original na altura em que saiu. Conta-nos o conflito secular entre a ordem secreta dos templários que tentava controlar toda a população e por outro lado os Assassinos, que pregavam a liberdade absoluta. Por um lado o jogo decorre nos tempos de hoje, onde controlamos Desmond Miles, que, através da tecnologia Animus, conseguíamos reviver as memórias dos seus ancestores asassinos que estavam alojadas no seu ADN, vivendo as suas experiências em diversas fases da nossa História. Começamos na idade média, no tempo das Cruzadas e com o assassino Altair, já no segundo jogo principal da série revivemos as histórias de Ezio Auditore da Firenze, no período dourado do Renascimento, em pleno século XV e XVI, na Itália.

Jogo com caixa e manual

Este AC Brotherhood continua a história exactamente do ponto onde o jogo anterior nos deixou, e vamos mais uma vez reviver as memórias de Ezio, desta vez com o jogo centrado na cidade de Roma, desde o pequeno distrito do Vaticano, passando para a cidade “moderna” e todas as suas ruínas do Império Romano. Ocasionalmente lá visitaremos outras localidades, como pequenos flashbacks em Florença ou algumas missões secundárias noutras localizações, como o monte Vesúvio. Mas já lá vamos. Sinceramente não me recordo bem onde e quando foi comprado o meu exemplar, creio que foi numa Cash Converters ou CeX, certamente antes de 2016 e não deve ter custado mais de 7€.

Uma das coisas que mais gostei neste jogo (e no anterior também) eram estes momentos trivia sobre algumas personagens e localidades notáveis que visitamos

O jogo herda as mesmas mecânicas do seu antecessor, apresentando um mundo em open world (embora nem todas as áreas do jogo estejam abertas logo no início), onde poderemos fazer várias missões, algumas obrigatórias para progredir na história, outras meramente opcionais mas que também dão jeito quanto mais não seja para ganhar dinheiro ou desbloquear alguns extras. Também tal como os seus predecessores, há aqui um foco numa jogabilidade furtiva, onde teremos de passar despercebidos por entre os guardas, Aliás, muitas das missões obrigam-nos mesmo a não ser detectados de forma alguma. Para isso temos algumas artimanhas como andar misturados nas multidões ou escondidos em fardos de palha, poços ou outros lugares menos suspeitos. Assassinar os guardas por trás (mesmo à traição!) e depois esconder os seus corpos também pode ser uma opção, mas convém que seja num local reservado senão de outra forma a população também entra em pânico e chama à atenção dos restantes guardas.

Lembram-se da cidade de Monteriggioni que tão carinhosamente reconstruiram no jogo anterior? Pois, é reduzida aqui em ruínas.

Se formos apanhados podemos fugir e aí o parkour ganha especial relevância pois teremos de escalar paredes, saltar entre telhados o mais rápido possível para perder os guardas de vista. Caso decidamos combater, o jogo mantém o mesmo tipo de armas que tínhamos antes, desde a lâmina escondida, veneno, pequenas facas que podem ser atiradas, ou armas mais pesadas como grandes espadas ou machados, passando também por armas de fogo algo primitivas. As habilidades base como o contra-ataque ou a possibilidade de desarmar os inimigos também se mantêm aqui. As grandes novidades estão no facto de podermos equipar um pára-quedas (desbloqueado algures a meio do jogo, por intermédio do grande Leonardo DaVinci), a de formar um pequeno esquadrão de assassinos que nos podem ajudar – daí o jogo ter o sobrenome de “Brotherhood”, ou as tarefas de renovação da cidade de Roma.

Tanto exploramos a Roma moderna e renascentista, como as ruínas do seu império

Mais detalhes destes últimos: a cidade de Roma está dividida em pequenas regiões, cada uma com uma torre comandada por um capitão do exército de Borgia. Nós somos encorajados a assassinar esses capitães e posteriormente destruir as suas torres. Quando o fizermos, poderemos abrir uma série de lojas como bancos, ferreiros, comerciantes de arte, médicos ou alfaiates e comprar alguns monumentos históricos, renovando assim a cidade de Roma, e ao mesmo tempo ir ganhando algum dinheiro de 20 em 20 minutos mediante a quantidade de lojas/monumentos que renovamos. Para além disso, a certa altura do jogo ganhamos a habilidade de recrutar candidatos a assassinos. Basicamente por cada torre de Borgia que destruimos, poderemos recrutar mais um candidato. Depois podemos mandá-los em missões para que ganhem experiência (e dinheiro para nós), para que subam de nível e fiquem mais fortes. Os assassinos que estejam em standby podem-nos ajudar sempre que desejarmos. Ao pressionar o botão L2, lá aparece um ou outro assassino que esteja livre e começa a combater com os guardas que estejam à nossa volta, criando manobras de diversão perfeitas para quando temos alguma missão em que tenhamos de passar despercebidos. Por outro lado, quanto mais fortes forem os nossos assassinos, melhor se safam no combate. E para além disso, se tivermos 6 assassinos em standby, podemos também usar a habilidade Arrow Storm que, como o nome indica, é uma chuva de flechas que atinge todos os inimigos visíveis no ecrã.

Os assassinos que recrutamos podem ser evoluídos à medida em que os mandamos fazer algumas missões pela Europa fora, Lisboa incluida.

Para além disso temos outras facções com as quais colaboramos como os ladrões de La Volpe, os mercenários de Bartolomeo ou as “acompanhantes de luxo”, que podem ser contratados também para distrairem os guardas, para além de nos presentearem com um número considerável de missões opcionais e outros desafios. Portanto este Assassin’s Creed possui imenso conteúdo para quem não se quiser restringir apenas à história principal e nem sequer referi os DLCs que não cheguei a jogar (só mais tarde é que me apercebi que supostamente o DLC Copernicus Conspiracy é gratuito). Temos ainda uma vertente multiplayer que sinceramente também não experimentei, pelo que não me vou alongar.

Saltos suicidas? Yep, continuamos a fazer disso.

Na parte técnica, este jogo usa o mesmo motor gráfico do seu predecessor, pelo que podem contar com o mesmo detalhe gráfico. No entanto, se no Assassin’s Creed II poderiamos viajar livremente entre diferentes cidades, aqui o jogo passa-se principalmente em Roma, possuindo um mapa bem maior. Acredito que isso se traduza em mais carga para processamento, pois desta vez vi várias quebras de framerate bem notórias e por muitas vezes. Ainda assim, para quem jogou o Assassin’s Creed II, já dá para ter uma ideia com o que contar. A cidade de Roma está bem ilustrada e é muito interessante ver o contraste entre uma cidade no centro do Renascimento, com as ruínas de um antigo e imponente império. Mais uma vez nada a apontar ao voice acting que é bem competente e a banda sonora que é dinâmica, alternando entre melodias bem atmosféricas e outras mais tensas ou épicas quando a acção aperta mais.

Portanto, este é mais um jogo sólido na franchise Assassin’s Creed. Neste ponto (ainda não joguei os seguintes), consigo perceber o porquê da Ubisoft ter entrado numa onda de lançar um AC novo a cada ano. Até à altura têm sido jogos bem executados e com uma boa evolução na história e na jogabilidade. A ver em breve como se safou o AC Revelations, que fecha a trilogia de Ezio.

Assassin’s Creed II (Sony Playstation 3)

Depois do sucesso do Assassin’s Creed original, não faltava muito até que a Ubisoft lançasse uma sequela. O primeiro jogo tinha o assassino Altair como protagonista, e os cenários cidades do médio Oriente como Jerusalém ou Damasco, no pico das cruzadas levadas a cabo pelos Cavaleiros Templários. Aqui encarnamos num outro assassino, num período completamente diferente, mas já lá vamos. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo bem de onde veio nem quanto custou mas certamente não foi caro. Só tenho pena de não ter comprado uma versão já com os DLCs incluidos pois confesso que fiquei com vontade de os jogar.

Jogo com caixa e manual

A saga Assassin’s Creed, pelo menos até ao jogos que presenciei, coloca-nos em duas realidades alternativas. Numa estamos num futuro próximo algo distópico, onde descendentes da ordem dos templários e dos assassinos continuam a lutar entre si. Aqui neste período a personagem principal é o jovem Desmond, descendente do clã de assassinos, onde através do Animus, uma máquina que nos permite explorar as memórias genéticas, conseguimos voltar ao passado e reviver as memórias dos nossos antepassados. No primeiro Assassin’s Creed fomos até à Idade Média, mesmo no auge das Cruzadas, onde tivemos a história de Altair na sua busca pela Maçã de Éden, um artefacto misterioso, capaz de controlar a mente das massas, que seria usado pela ordem dos templários para controlar o mundo. Aqui continuamos à procura de respostas no passado, com Desmond a reviver as memórias de um outro seu antepassado, o Ezio Auditore da Firenze, um jovem de uma família rica de Florença, em pleno período Renascentista.

Eventualmente poderemos usar duas espadas escondidas, o que deixa o combate com mais possibilidades

Basicamente Ezio vê parte da sua família a ser enforcada publicamente, após terem sido atraiçoados por um magistrado corrupto, que plantou falsas provas. Ezio foge com a sua mãe e irmã para o interior, onde é acolhido pelo seu tio Mario que lhe revela que tanto ele como o pai eram Assassinos, começando a treiná-lo para o mesmo. No resto do jogo vamos procurar vingança e assassinar os traidores da sua família, ao mesmo tempo que vamos descobrir os seus motivos e mais uma vez acabamos por encontrar os templários no centro das tramóias. Mas a transição de Ezio e Desmond acaba por ser bastante interessante e a história acaba por levar-se por vários contornos de conspirações históricas, o que também me agrada. Ao longo do jogo vamos também interagir com várias personagens históricas como Leonardo Da Vinci, que se torna amigo de Ezio, ou o Rodrigo de Borgia, o principal antagonista que na vida real acabou por se tornar Papa.

Após encontrar os locais secretos com mensagens do Subject 16, temos de descodificar as mensagens recorrendo a vários puzzles

A jogabilidade também levou alguns upgrades. As suas bases mantêm-se, com o jogo a assumir uma natureza algo não-linear em cenários open-world, onde podemos vaguear algo livremente pelas diferentes cidades e fazer as missões pela ordem que quisermos, excepto claro, as que dão seguimento à história. Há também uma preocupação em mantermos uma jogabilidade furtiva, passando despercebido no meio da multidão enquanto nos esquivamos de guardas e vamos assassinando quem tiver de ser. E depois lá temos o parkour, a possibilidade de escalar paredes e saltitar entre os telhados, muros e outros obstáculos para nos movermos de uma forma mais ágil possível. Felizmente há uma série de coisas que melhoraram face ao primeiro jogo, a que mais me agradou foi mesmo o facto de chamarmos menos à atenção dos guardas. No primeiro jogo bastava correr pela cidade, aqui os guardas são bem mais tolerantes nesse aspecto. Mas claro, se agredirmos alguém, ou simplesmente dermos um encontrão num transeunte que estava a carregar qualquer coisa, lá vêm os guardas nos pedir satisfações. Também temos guardas nos telhados que nos obrigam a descer, mas se formos rápidos conseguimo-los assassinar sem grandes problemas.

Distrair os guardas nunca foi tão fácil! Podemos contratar um bando de mercenários, de ladrões ou prostitutas para o efeito

Claro que quando um guarda nos apanha a fazer algo de errado, temos duas hipóteses: ou combatemos ou fugimos. Fugir por vezes é a melhor opção e aí temos de nos afastar o suficiente e depois procurar um sítio onde possamos passar despercebidos, seja num fardo de palha, ou simplesmente misturado entre a multidão. Se decidirmos combater, bom, o combate também sofreu alguns melhoramentos face ao jogo original. Temos mais tipos diferentes de armas que podemos usar, incluindo uma lámina envenenada, bombas de fumo que atordoam os nossos inimigos, um pequeno revólver e no caso da lâmina escondida, a arma de marca dos assassinos, agora podemos equipar uma em cada mão, permitindo-nos assassinar 2 alvos em simultâneo, se estiverem juntinhos. De resto, para além de esquivar e contra-atacar, agora temos também a possibilidade de desarmar os inimigos.

Há mais alterações, a meu ver para melhor. A saúde não se regenera automaticamente (bom, na verdade só um quadradinho), e para nos curar temos de procurar um médico e/ou usar medkits. Temos dinheiro que pode ser usado para comprar medkits, armas, armaduras ou bolsas que nos permitem carregar mais facas de atirar, frascos de veneno ou medkits. Também temos uma pequena cidadela só para a família Auditore, na região de Monteriggioni, que acabamos por tomar conta. Para além de incluir montes de segredos, a certa altura podemos investir na cidade e na nossa mansão, ao melhorar as suas lojas, infrastruturas, ou aumentar o valor da nossa mansão, ao coleccionar todas as armas, armaduras e comprar várias pinturas renascentistas. Isto faz com que a cada 20 minutos vamos recebendo uma “renda” dos habitantes da cidadela, o que vai acabar por nos facilitar bastante o processo de compra de mais equipamento ou itens.

Estas mensagens com contexto histórico agradaram-me bastante!

Vamos tendo também vários tipos de missões a executar, desde as típicas missões de assassinamento, onde grande parte das vezes temos de as executar de forma furtiva. Por vezes temos temos de seguir algumas pessoas chave até que nos levem a um esconderijo com outros alvos a abater. Temos missões para encher de porrada maridos infiéis, outras para bater tempos em corridas parkour (estas foram as que mais me irritaram), entre outras. Coleccionáveis como as penas do nosso pequeno irmão Petruccio, os puzzles do misterioso subject 16, ou as catacombas de outros assassinos que podemos explorar para desbloquear a armadura de Altair, são exemplos de algum conteúdo opcional que podemos fazer.

Ao longo do jogo vamos visitar as cidades de Florença, Toscana, Forli, Veneza, e parte de Roma (Vaticano), na recta final do jogo. À medida que vamos avançando no jogo e explorar as cidades, vamos preenchendo uma base de dados com dados históricos de várias localizações reais das cidades em questão, bem como pequenas biografias das várias personagens com que nos vamos cruzando. Não sei se são dados inteiramente verdadeiros (alguns certamente não são, para se adaptarem à ficção do jogo), mas são detalhes que me agradaram bastante.

Outra das novidades perante a prequela é que, apesar de podermos caminhar ou cavalgar entre cidades, agora podemos usar também o conveniente fast travel!

A nível audiovisual não tenho nada de especial a apontar. As personagens não estão incrivelmente detalhadas (excepto algumas das vestimentas de Ezio que possuem um bom nível de detalhe e animação). Por outro lado, as cidades estão muito bem representadas, gostei bastante de toda a atenção ao detalhe nesse sentido. No que diz respeito ao voice acting não tenho mesmo nada a apontar, está bastante competente e a narrativa é muito superior à do primeiro jogo, a meu ver. As músicas é que vão passando algo despercebido, mas num jogo com uma ambiência como o Assassin’s Creed é esperado, pois as músicas vão-se adaptando às situações. Isto é, tanto podemos ir ouvindo algumas melodias tipicamente renascentistas em plano de fundo, como a música irrompe com temas mais épicos quando estamos a combater e/ou a fugir.

Portanto, devo dizer que gostei bastante deste Assassin’s Creed. Só tenho pena da Ubisoft ser uma empresa gananciosa e ter incluido 2 capítulos extra (que inicialmente eram para ser parte integral da história) como DLC. O jogo foi relançado várias vezes mesmo na própria PS3, com algumas versões a incluir estes DLCs, o que não é o meu caso infelizmente. E os mesmo continuam caros, o que não faz sentido nenhum para um jogo de 2009. Mas pronto, é a vida! De resto fiquei ansioso para experimentar o Brotherhood!

Street Racer (Sega Saturn)

Jogos de corrida como Super Mario Kart foram bastante influentes, apesar desse jogo apenas ter recebido uma sequela vários anos depois, já para a Nintendo 64. Noutras plataformas foram surgindo outros clones, entre os quais este mesmo Street Racer, desenvolvido pela Vivid Image e publicado pela Ubisoft para uma série de plataformas entre as quais a Mega Drive, Super Nintendo, Playstation e claro, esta versão Sega Saturn. O meu exemplar, nomeadamente a caixa e manuais, foram-me oferecidos há muitos anos, por um amigo de infância mas que não encontrava o CD do jogo em lado nenhum. No mês passado um outro particular ofereceu-me o CD do jogo que ele tinha a mais e lá ficou a minha cópia completa.

Jogo com caixa e manuais

No fundo, este é mais um daqueles jogos de corrida cómicos e descontraídos, inspirado em parte por jogos como Mario Kart, na medida em que também teremos de nos desviar de obstáculos e podemos atacar os nossos oponentes seja através de socos ou tabefes, seja usando alguns power ups que podemos ir encontrando pelas pistas, como bombas de dinamite. Mas estes ataques apenas nos deixam ligeiramente atordoados por meros segundos, e tendo em conta que a inteligência artificial é muito peculiar, estes powerups de ataque podem não ser lá muito importantes. Passo a explicar: cada corrida no modo campeonato tem 10 voltas onde concorremos contra outros 7 participantes. Desses 7, há um que vai ser o nosso rival e vai andar mesmo taco-a-taco connosco, se chegarmos em primeiro ele chega em segundo, se chegarmos em segundo certamente que foi esse que chegou em primeiro. Todos os outros participantes apenas estão ali para empatar! Então estes powerups de  ataque são uma pequena ajuda mas não são determinantes para vencer corridas, ao contrário de jogos como o Mario Kart. Por outro lado também vamos adquirindo turbos e esses sim, se usados de forma inteligente servem para fazer a diferença. Ah, e os karts aqui saltam, algo que também dá jeito usar nas curvas mais apertadas.

O jogo possui uma mistura entre gráficos 2D e 3D

De resto temos várias personagens por onde escolher, cada qual com as suas vantagens ou desvantagem. Cada personagem possui pelo menos 3 circuitos diferentes, pelo que ao longo do modo campeonato vamos poder correr numa série de pistas. As pistas por outro lado não são lá muito compridas, daí também termos de correr 10 voltas de cada vez. Para além do modo campeonato podemos correr em multiplayer para até 8 jogadores com recurso ao multitap, mas sinceramente não cheguei a experimentar, nem sei como é que seria possível 8 jogadores em split screen. Temos ainda um modo arena onde é basicamente um deathmatch sobre rodas, mas a sua implementação não ficou nada de especial.

Podemos escolher vários ângulos de câmara, entre os quais um que se assemelha aos micromachines

A nível técnico, este é um jogo que mistura o 2D com o 3D. Os carros, personagens e pickups são todos sprites 2D, bem como alguns objectos no ecrã como palmeiras e outras plantas. Por outro lado as pistas já possuem vários cenários poligonais e este é dos poucos exemplos onde a versão Saturn apresenta um 3D mais detalhado do que a sua rival na Playstation. Muito provavelmente porque terá a versão principal a ser desenvolvida e a versão PS1 apenas um port. Temos aqui também vários ângulos de câmara, incluindo um visto de cima que nos faz lembrar jogos como os Micromachines. As músicas são bastante agradáveis, misturando o rock e electrónica com alguns elementos mais “regionais” mediante a pista que estamos a correr.

Multiplayer para 4 pessoas até entendo, mas para 8 deve ser grande confusão!

Portanto, este jogo até que é bastante agradável de se jogar embora seja um pouco frustrante a inteligência artificial não ser mais balanceada. Se tiverem na dúvida entre a versão Saturn ou PS1, este é daqueles poucos exemplos de jogos 3D (ou quase) em que a versão Saturn leva vantagem. Por outro lado se tiverem a oportunidade de experimentar as versões SNES ou Mega Drive, tentem obter as 2 pois são jogos muito diferentes entre si. Mas isso ficará para um eventual artigo futuro.

Red Steel (Nintendo Wii)

Quando a Wii foi revelada, um dos jogos de maior destaque, pelo menos de fora da própria Nintendo, foi este Red Steel. As características de sensores de movimento do Wiimote tornavam este jogo num título muito curioso, pois poderíamos apontar a arma livremente pelo ecrã, bem como usar o Wiimote e Nunchuck como espadas duplas. Naturalmente que o jogo sofreu bastante hype e até que nem é mau de todo, se bem que também temos de contar que foi um pioneiro dentro do género. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures em Novembro do ano passado, aquando da minha estadia em Belfast em trabalho. Custou-me uma libra numa carboot sale.

Jogo com caixa, manual e papelada

O jogo coloca-nos no papel de Scott Munroe, noivo da jovem japonesa Miyu Sato, filha de um importante empresário nipónico, que nos preparamos para vir a conhecer, num jantar num imponente restaurante em Los Angeles. À porta fechada, mesmo à boss. A expectativa era muita até que algo não corre bem: o restaurante é invadido por bandidos, que raptam a nossa noiva Miyu e ferem gravemente o seu pai, Isao Sato. É nestas alturas que nos apercebemos das ligações da família Sato à Yakuza, e ao longo do jogo iremos tentar resgatar Miyu de uma facção rival, à medida em que nos vamos embrenhando cada vez mais nesse mundo.

O menu até que é original, com todas as suas luzes e animações tipicamente japonesas

O que realmente revolucionou neste jogo foram as suas mecânicas de jogo com os sensores de movimento dos comandos da Wii. Para apontar e disparar usávamos o Wiimote como apontador, e o nosso braço e arma virtuais replicavam com algum realismo esses movimentos no ecrã. Isto é, ao contrário dos FPS tradicionais onde a mira está sempre no centro do ecrã, independentemente para onde estejamos virados, aqui o braço e arma vão varrendo o ecrã em qualquer direcção, sendo que para a câmara virar teremos de apontar o Wiimote para uma das extremidades do ecrã. Com o tempo acaba por ser intuitivo, mas também é verdade que isto nos acaba por tirar algum ângulo de visão da câmara. De resto, disparar é no gatilho (botão B), acções como recarregar ou alternar de arma podem ser feitas com recursos a movimentos do nunchuck ou usando botões secundários. Atirar granadas também nos obriga a agitar o nunchuck como se fossemos atirar uma granada.

Tal como muitos FPS modernos, para recuperar vida basta ficar quietinho por uns segundos e não levar dano

Existem no entanto outras mecânicas de jogo que não foram muito bem implementadas aqui na parte do shooting. Para fazer zoom usamos o botão A para focar (e fazer um ligeiro lock-on a algum alvo, sendo que para ampliar ou afastar a imagem teremos de manter o botão A pressionado e aproximar ou afastar o Wiimote da televisão, o que não é o mais intuitivo. Mais lá para a frente vamos aprender algumas novas habilidades, como a de abrandar momentaneamente o tempo, permitindo-nos seleccionar uma série de alvos e disparar tiros certeiros de rajada em seguida. Aqui podemos optar por entre tiros letais ou não letais, se apontarmos para as armas dos bandidos, desarmando-os. Depois de desarmados, se abanarmos o wiimote verticalmente, é sinónimo de os ordenar baixar as armas, e renderem-se, traduzindo-se assim em menos kills e mais respect points, que já explicarei mais à frente. No caso de estarmos a defrontar um grupo de bandidos em que exista um líder, se desarmarmos o líder e o obrigarmos a render-se, todos os outros bandidos à sua volta também se rendem e nos entregam as armas.

Se conseguirmos fazer com que o líder de um grupo de bandidos se renda, todos os outros ao seu lado também largam as armas.

Mas nem só de tiros vive este Red Steel. Uma das possibilidades que os controlos de movimento introduzidos pela Wii prometiam, era usar o wiimote como se uma espada se tratasse. E este Red Steel quis logo apanhar também esse comboio, pelo que ocasionalmente lá teremos alguns duelos de espadas. Nós teremos, na maior parte das vezes, equipados com 2 armas. O Wiimote serve para controlar a espada principal, enquanto o Nunchuck controla uma pequena espada que serve principalmente para defender e deflectir os golpes inimigos. Abanando os comandos na horizontal faz cortes horizontais, abanando na vertical resulta em cortes verticais. Para além disso, poderemos depois aprender algumas combos, e recorrendo ao analógico do nunchuck, podemos também esquivar dos golpes inimigos, apanhando-os também indefesos. A tradução de movimentos reais para os do jogo não é a melhor (isto ainda estava longe de usar um motion plus) mas acaba também por ser intuitiva e para se ter sucesso nos combates de espada acaba também por ser uma questão de timing ao aplicar golpes, evasões ou bloqueios.

As cutscenes, essas infelizmente deixam muito a desejar, sendo na sua maioria simples animações ou então usam o motor gráfico do jogo.

Os respect points que referi acima são ganhos à medida em que jogamos de uma forma menos letal, ou seja, obrigando os bandidos a renderem-se na parte do shooting, ou quando derrotamos alguém em duelos de espadas, temos também a hipótese de o deixar viver ou matá-lo. Se o deixarmos viver, ganharemos muitos mais pontos de respeito. Estes depois traduzem-se em aumentar o nosso ranking, que por sua vez nos pode desbloquear novas armas no Kajima’s Shooting Range,  e novas combos de espada no Otori’s Sword Training. De resto, para além do modo história, temos também uma vertente multiplayer local que sinceramente nunca testei. Pelo que percebi, temos aqui variantes de deathmatch e o modo Killer, onde cada jogador recebe um objectivo secreto e vence quem conseguir alcançar esse objectivo em primeiro lugar. A surpresa é que inicialmente temos de usar o Wiimote como telemóvel e encostá-lo ao ouvido, onde iremos receber o nosso objectivo secreto através da coluna do comando.

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo acaba por ser um pouco agridoce. Por um lado, os cenários até que estão muito bem detalhados para uma Gamec-err… Wii. Vamos explorar diversos cenários urbanos, incluindo uma oficina automóvel, fábricas de processamento de peixe, casas de “massagens”, dojos tradicionais, entre outros. Os cenários para além de serem variados estão também muito bem detalhados, com bonitos efeitos de luz e partículas, com muitas partes dos cenários a poderem ser destructíveis. As personagens é que poderiam ser um pouco melhor detalhadas e num jogo com ênfase em duelos de espadas, não haver uma gota de sangue também não fica lá muito bem. As cutscenes entre os níveis também poderiam ser melhores, sendo uma sequência de imagens ou pequenas animações, acompanhadas por uma narração. Por outro lado, as músicas são bastante agradáveis e variadas, assim como os efeitos sonoros e voice acting que acaba por ser competente, embora não excelente.

Apesar do jogo nem ser mau de todo graficamente, está longe de ser tão bem detalhado quanto alguns screenshots promocionais que se viam por aí.

Portanto, este Red Steel até que é um jogo interessante. Sendo um dos pioneiros da Wii ao adaptar as mecânicas de jogo de um FPS aos controlos da Wii, até que não se safa lá muito mal, embora algumas mecânicas pudessem ser um pouco mais polidas, como podemos observar noutros FPS da consola. A Ubisoft, ao fim de 4 anos, lá lançou uma sequela, passada num ambiente completamente diferente. Irei jogá-lo em breve!

Donald Duck Quack Attack! (Sega Dreamcast)

A rapidinha de hoje leva-nos de volta à Dreamcast, para um jogo que já há muito estava na minha fila de espera para ser jogado e quando finalmente peguei nele, até que se revelou numa boa surpresa, apesar de ser relativamente curto. É verdade que sempre fui um fã do Pato Donald e este Quack Attack foi um jogo lançado para uma série de diferentes plataformas entre 2000 e 2002, não fosse este um jogo produzido pela Ubisoft. Surpreendentemente, muitas dessas versões possuem grandes diferenças entre si (obviamente não contando com as versões portáteis para Gameboy Color e Advance). O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa Cash Converters. Foi barato, acho que nem a 2€ chegou.

Jogo completo com caixa e manuais

A história é simples, a repórter Margarida estava a investigar em directo o que o bruxo Merlock andava a engendrar, quando acaba por ser raptada. O Professor Pardal, Donald e o seu primo Gastão estavam a ver a reportagem na TV e após verem Margarida a ser raptada, Gastão parte logo para a salvar, deixando Donald para trás. O Professor Pardal acaba então por ajudar o Donald, obrigando-o primeiro a passar por outras localizações até que consiga finalmente reactivar o teleporte que o leve para Merlock.

Pensem neste jogo como um clone dos Crash Bandicoot clássicos, mas com personagens da Disney

A jogabilidade é inspirada nos Crash Bandicoot clássicos da Playstation 1, na medida em que o jogo herda as mesmas mecânicas de platforming, tanto numa perspectiva de sidescroller em 2D, como numa perspectiva 3D como se um jogo de corridas se tratasse, sem controlo de câmara. Até a nível de powerups o jogo tem similaridades, visto que podemos coleccionar estrelas que nos dão vidas extra de cada vez que apanhemos 100, e temos um power up de invencibilidade temporária. Donald ataca os inimigos com um botão específico e os níveis estão divididos em vários mundos, sendo que temos diferentes objectivos para cumprir em cada nível, não é só chegar ao fim: temos de procurar os brinquedos dos sobrinhos do Donald, que nos desbloqueiam um nível extra de perseguições antes de enfrentar o boss. Para desbloquear o boss precisamos também de encontrar um item específico em cada nível, que nos permite depois activar o teleporte que nos leva ao boss. Cumpridos esses objectivos, desbloqueamos também o time trial, onde teremos de rejogar todos os níveis e chegar à meta antes de um tempo específico, sendo depois recompensado com novas vestimentas para o Donald.

Tal como no Crash Bandicoot, os níveis vão alternando entre o clássico sidescroller 2D, com a jogabilidade 3D

Como referi anteriormente, existem várias versões diferentes deste jogo. Esta versão para a Dreamcast é muito semelhante à versão PC e Nintendo 64, mantendo a mesma estrutura de níveis e jogabilidade no geral. A versão PS1 possui uma banda sonora inteiramente diferente e os níveis misturam a jogabilidade 2D e 3D dentro do mesmo nível, enquanto que aqui são separadas. As versões PS2 e Gamecube são evoluções da versão PS1, mas mesmo essas possuem algumas diferenças, para além do salto gráfico. Mas essas diferenças ficariam para um eventual artigo futuro, pois planeio adquirir pelo menos uma dessas versões.

Portanto esta versão Dreamcast apresenta gráficos coloridos e bem detalhados para a consola que é. Os níveis vão sendo algo variados, atravessando florestas, a cidade de Patópolis, a mansão assombrada da Maga Patológica e finalmente um templo antigo, onde acabaremos por defrontar o bruxo de Merlock e salvar a Margarida. O jogo usa o mesmo motor gráfico do Rayman 2, pelo que podemos encontrar aqui um nível de detalhe bastante satisfatório para a Dreamcast, embora ache que os modelos de Donald pudessem ser um pouco melhor detalhados. As músicas são bastante agradáveis, possuindo uma atmosférica muito característica de desenhos animados, o que acaba por se adequar bem ao clima do jogo.

Em cada nível “principal” acabamos por ter 3 objectivos: encontrar todos os brinquedos, um item para desbloquear o boss daquela zona, e vencer o tempo do Gastão

Portanto, no final de contas, este Quack Attack é um jogo de plataformas bastante interessante e competente, especialmente para os que gostam do Crash Bandicoot clássico. Perde, no entanto por ser um jogo curto, e por não ser lá muito difícil, visto ser muito fácil coleccionar vidas novas e os níveis possuirem bastantes checkpoints espalhados.