Ganbare! Golf Boys (PC-Engine)

Eu avisei que nos próximos tempos ia trazer algumas rapidinhas a jogos desportivos da PC-Engine. Depois da conversão do Jack Nicklaus, que sendo um jogo de origem ocidental está completamente em inglês mesmo na sua versão PC-Engine, chegou agora a vez de escrever sobre este Ganbare! Golf Boys, um título produzido pela NCS/Masaya. Ao contrário do Jack Nicklaus, que é um simulador mais realista, este já possui uma jogabilidade mais arcade e por isso acaba por ser também mais divertido de se jogar. Tal como o Jack Nicklaus, este jogo veio de um bundle de 15 jogos de PC Engine que comprei algures em Dezembro do ano passado, por menos de 5€ por jogo, já a contar com custos de portes e alfândega, o que acabou por ser um óptimo preço.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Aqui dispomos de 3 modos de jogo nomeadamente um torneio, stroke e match. Infelizmente o manual não dá grandes detalhes sobre cada um dos modos de jogo em si. O match está trancado para 2 jogadores portanto presumo que seja exclusivo multiplayer pelo que não o experimentei, já o modo stroke apresenta 2 campos de golfe que podemos jogar. O modo torneio parece-me ser o mais completo, visto que inicialmente dispomos apenas de um torneio em que podemos participar (NCS), mas posteriormente poderemos vir a desbloquear outros dois (Japan e World). Ambos os modos de jogo podem no entanto ser jogados sozinhos ou com um máximo de 4 jogadores em simultâneo, recorrendo a um multitap.

Depois de escolhermos o nome dos jogadores, poderemos também introduzir uma password que presumo que restaure alguma partida anterior

A jogabilidade é simples, onde primeiramente devemos apontar a mira para definir a direcção da tacada e depois, com o pressionar do botão I, vamos avançando nas acções seguintes, a começar por escolher que taco a usar, a posição da bola que queremos atingir e por fim preparar a tacada. Esta possui uma vez mais uma barra de energia que temos de interagir a dois tempos, primeiro para definir a potência da tacada, depois para definir a sua precisão. A barra de energia é no entanto apresentada numa forma circular que representa o movimento dos braços ao realizar a tacada. No primeiro “tempo”, quanto mais próximo da extremidade superior da barra nos aproximarmos quando pressionamos o botão, mais os braços do golfista estão no ar, indicando que a tacada será mais potente dessa forma. Já o segundo tempo deve ser pressionado próximo do centro inferior da barra circular, próximo do solo. E eu disse que este jogo era mais arcade e de facto acaba por ser pelo menos na sua apresentação, pois no resto até que inclui tudo o que é habitual de se encontrar num simulador desta época. O vento e o alcance máximo de cada tipo de taco são naturalmente coisas que nos devemos preocupar e ao pressionar o botão Select é-nos mostrado um menu (que curiosamente até está em inglês) onde podemos realizar acções secundárias, como observar o campo de golfe livremente, obter conselhos (em japonês), ver a pontuação ou até definir a nossa postura.

Pessoalmente até que gosto deste sistema para planear as tacadas. Acho-o bem intuitivo!

No que diz respeito à apresentação, este é um jogo que mantém sempre uma perspectiva vista de cima, com a câmara a aproximar-se quando estamos no green, ou seja, já perto do buraco. Isto permite que as partidas fluam bem melhor do que noutros simuladores da época, que tentavam renderizar o campo em pseudo 3D e isso interrompia constantemente a acção em breves segundos. Graficamente o jogo apresenta visuais coloridos (dentro do possível, visto que a maior parte dos circuitos são em tons verde de vegetação, azuis para água e amarelos para areia). O detalhe é o suficiente tendo em conta a distância e posicionamento da câmara. Já as músicas até que são bastante agradáveis e os efeitos sonoros cumprem bem o seu papel.

Estes triângulos no terreno presumo que assinalem declives

Portanto este Ganbare Golf Boys até que me pareceu um jogo de golfe bem competente e sem dúvida mais divertido de jogar que o Jack Nicklaus. Os seus visuais são simples e a jogabilidade também é intuitiva, mesmo com quase todo o texto em japonês. No entanto a PC-Engine possui imensos jogos de golfe e eu ainda tenho uns quantos para experimentar, pelo que ainda é prematuro estar a dizer se este será dos melhores.

Assault Suits Valken (Sony Playstation 2)

O artigo de hoje será mais uma rapidinha, pois este Valken para a PS2 é um remake do mesmo jogo da Super Nintendo que chegou cá ao ocidente como Cybernator. Portanto este artigo será mais focado nas diferenças entre esta versão e a original! O meu exemplar foi comprado em Novembro de 2014 na extinta loja Gamer de Santo Tirso por menos de 4€.

Jogo com caixa e manual

Ora o remake foi desenvolvido pela X-Nauts, que aparentemente era uma empresa formada por antigos funcionários da Psikyo (o logo da Psikyo surge na contra-capa, mas é o da X-Nauts que vemos ao arrancar o jogo), que por sua vez era um estúdio japonês que já tinha uma boa experiência em produzir shmups, com séries como Gunbird ou Strikers 1945 no seu catálogo. Então este remake por mãos tão experientes teria tudo para dar certo, certo? Infelizmente o resultado final ficou um pouco aquém das expectativas.

Ao menos recuperaram os retratos durante os diálogos

A começar pelos controlos e dificuldade no geral, que são muito superiores nesta versão PS2. Os controlos e mecânicas de jogo são em todo idênticos aos da versão SNES, excepto num detalhe crucial. Ao manter o botão L1 pressionado, trancamos a direcção de disparo, tal como na SNES. Excepto se depois pressionarmos para trás, o mecha acaba por inverter a direcção de disparo. Por exemplo, assumindo que trancamos a direção de disparo num ângulo de 45º, da esquerda para a direita. Na SNES ao pressionar para trás o mecha simplesmente andava de costas, mantendo a mesma direcção de disparo. Aqui o mecha vira-se para trás, mantendo o ângulo de 45º, mas na direcção oposta. É um pequeno detalhe, mas que faz uma grande diferença. Para além disso esta versão é francamente mais difícil pois os inimigos são mais resistentes, o nosso mecha é mais frágil e há menos drops de vida pelo decorrer dos níveis.

Tal como no original temos alguns curtos segmentos onde o jogo se comporta como um shmup tradicional

Do ponto de vista audiovisual a diferença deste remake para o lançamento original não é assim tão acentuada, notando-se no entanto francas melhorias em explosões e afins. O sexto nível, onde temos de explorar uma caverna escura e que usava um interessante efeito de luz na versão da SNES, está agora um pouco mais genérico. Mas em contrapartida temos todo o conteúdo que foi cortado ou censurado da versão SNES ocidental, nomeadamente os retratos das pessoas que estão a falar durante os diálogos, bem como uma certa cena que foi cortada já perto do final do jogo. Pena no entanto que não tenham incluído voice acting como a Dracue fez no remake do Assault Suit Leynos. A banda sonora foi também toda regravada, embora sinceramente até que prefiro antes as versões originais.

Portanto este Assault Suits Valken para a PS2 até que se tornou algo decepcionante, pois é um jogo que teria um potencial tremendo para um remake de melhor qualidade, que poderia ser perfeitamente possível na PS2. Ainda assim não deixa de ser um lançamento interessante por parte da 505 Games, que na era da PS2 trouxe imensos jogos low budget japoneses para o mercado Europeu e alguns até que eram bastante interessantes. Este em particular nunca chegou a sair em solo Americano, por exemplo.

Cybernator (Super Nintendo)

Vamos voltar agora à Super Nintendo para o sucessor do Assault Suit Leynos / Target Earth. Produzido uma vez mais pela Masaya/NCS, a sequela de Leynos foi lançada em 1992 na Super Famicom, no Japão, como Assault Suits Valken. A Konami publicou o jogo no ocidente algures no ano seguinte, mas já sob o nome de Cybernator. O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters algures no passado mês de Outubro por cerca de 15€.

Cartucho solto

E este é mais um shooter onde controlamos um mecha gigante, em confrontos contra outras forças militares, tanto em combates em plena gravidade zero do espaço, como à superfície de planetas. Acaba por ser no entanto uma prequela do Leynos. A história leva-nos uma vez mais ao futuro, onde as reservas de combustíveis fósseis na Terra estão cada vez mais escassas e é despoletada uma guerra para o seu controlo entre duas facções poderosas, a Federation e os Axis. Nós encarnamos em Jake Brain, um piloto da tal Federação e iremos então confrontar as forças do Eixo ao longo de 7 níveis bastante intensos!

Os controlos podem ser ligeiramente customizados, mas a curva de aprendizagem está sempre lá

Tal como no Leynos, temos um esquema de controlo um pouco fora do convencional, com o d-pad a servir para controlar o movimento do mecha, mas também a sua mira. As direcções esquerda e direita fazem com que o mecha se desloque nessas direcções, enquanto as direcções cima e baixo servem precisamente para corrigir a mira. O botão L serve para trancar a mira numa determinada direcção, enquanto o R activar o escudo, embora este apenas possa ser activado no solo, infelizmente. Os botões faciais servem então para activar o dash (apenas no solo), saltar, disparar a arma actualmente equipada ou trocar de arma. Se forem às opções existem outras configurações de controlos, mas todas irão ter uma curva de aprendizagem algo longa. Existem no entanto alguns segmentos de jogo onde o ecrã está em autoscrolling e controlamos o mecha como num shmup normal, ou seja, disparando sempre em frente, independentemente do movimento.

Esperem por ver muitos diálogos durante a acção

Há aqui mais algumas diferenças notáveis perante o Leynos, por exemplo, antes de cada nível não temos de escolher quais armas queremos carregar. Inicialmente apenas dispomos do Vulcan Cannon (e os punhos, que ao contrário do remake do Leynos não possuem um botão próprio, temos mesmo de seleccioná-los através do botão R), mas à medida que vamos explorando os níveis iremos também encontrar algumas outras armas como mísseis ou raios laser. Os mísseis possuem munição limitada, já a metralhadora ou os raios laser têm munições infinitas, apesar de as armas terem de ser recarregadas, o que é feito automaticamente. À medida que vamos jogando vamos também encontrando diversos power ups. Os que têma forma de um P são precisamente power ups que vão melhorando as armas que tivermos seleccionada no momento. Cada arma possui 3 níveis de evolução, sendo que cada nível é naturalmente mais poderoso que o anterior e para lá chegar teremos de coleccionar um certo número destes power ups. Outro dos itens que podemos apanhar têm a forma de H e esses regeneram-nos parcialmente a barra de vida. Sim, ao contrário do Leynos a vida não é regenerada automaticamente, poucos segundos depois sem sofrer dano! O escudo é uma grande ajuda, mas não nos protege a 100% e com os continues limitados, o desafio está lá! Para além disso, se não cumprirmos todos os objectivos de algumas missões é possível chegar a um mau final.

Tal como no Leynos, esperem também por uns quantos combates em gravidade zero!

Do ponto de vista audiovisual é um jogo excelente. Aliás, comparando com o Assaul Suit Leynos da Mega Drive a evolução é bastante notória. Não só o jogo é bem mais colorido, mas todos os níveis estão muito mais detalhados. Para terem uma ideia, temos aqui pequenos detalhes deliciosos como os pilotos humanos saltarem do seu mecha quando este é destruído, ou o dano que poderemos causar nos cenários. Todas as missões são acompanhadas de imensos diálogos, antes, durante e depois de cada nível, algo que já acontecia no Leynos também. No entanto, infelizmente, a Konami decidiu cortar muito conteúdo nos lançamentos ocidentais (Cybernator). Para além do retrato da personagem que acompanharia os diálogos, aparentemente foram cortadas (censuradas) mais umas quantas cenas. É pena, mas felizmente existe um patch de tradução feito por fãs na versão japonesa, para quem quiser experimentar. Já no que diz respeito à banda sonora, esta até que é interessante. Vamos ouvir muitas melodias quase orquestrais, outras repletas de sintetizadores, como a Super Nintendo é bem capaz de emular. Mas naturalmente são aquelas músicas mais mexidas, e com boas linhas de baixo, que mais me agradaram.

Naturalmente esperem por uns quantos bosses para enfrentar

Portanto estamos aqui perante mais um jogo bem sólido. Tal como o Leynos, é um shooter desafiante pela sua curva de aprendizagem nos controlos, embora seja mais simples nalgumas questões, como o facto de existirem menos armas ou equipamento. Depois de o jogar, percebo o porquê de o remake do Assault Suit Leynos introduzir algumas novidades perante a versão original de Mega Drive, nomeadamente o escudo e os punhos como arma de curto alcance. Fiquei com pena de saber, posteriormente, que a versão ocidental deste Assault Suits Valken ter sido censurada e vários dos diálogos cortados. O que me levará então a experimentar em breve o remake lançado anos mais tarde para a PS2, que aparentemente tem esse conteúdo restaurado. Infelizmente, no entanto, as críticas a esse remake não são muito boas. Veremos!

Assault Suit Leynos (Sony Playstation 4)

Vamos voltar à Playstation 4 para ficar com um remake de um shmup muito interessante. A série Assault Suits da Masaya/NCS teve 4 jogos lançados em sistemas de 16 e 32bit ao longo de uma década. Este Assault Suit Leynos é um remake do primeiro jogo da série, lançado na Mega Drive japonesa em 1989. Infelizmente foi um jogo que nunca chegou a sair na Europa, embora tenha saído nos Estados Unidos sob o nome de Target Earth. Este remake foi produzido por um pequeno estúdio japonês chamado Dracue e, tendo em conta que estes haviam desenvolvido os Gunhound, outros mecha shooters fortemente influenciados pela série Assault Suit, pareceram-me os candidatos ideais para trabalhar neste remake. Felizmente a editora Rising Star Games decidiu pegar no lançamento físico e trazê-lo para o Ocidente, não esquecendo a Europa! O meu exemplar foi comprado novo, creio que numa Worten há uns anos atrás por 20€.

Jogo com caixa e papelada

A história leva-nos ao futuro, onde a Terra está sob ataque de uma força militar colossal, liderada por humanos que haviam sido ostracizados pelos líderes terrestres, após uma expedição espacial aos confins do sistema solar que não correu lá muito bem. Inspirações de séries anime como Macross são evidentes, pois para além de haver mechas em todo o lado, vamos estar também envolvidos numa série de conflitos espaciais, com grandes cruzeiros de guerra a atacarem-se uns aos outros em plano de fundo.

Infelizmente os controlos continuam com uma curva de aprendizagem elevada pois o d-pad ou analógico esquerdo servem para mover e controlar a mira em simultâneo na direcção pressionada

Mas antes de falar na jogabilidade desde remake e de todas as suas particularidades, vamos começar com o básico e abordar brevemente a versão original de Mega Drive. Nessa versão o d-pad serve não só para controlar o nosso mecha, mas também para controlar a direcção onde disparamos. E ali tinhamos dois sistemas de controlo que poderíamos optar, o primeiro fazia com que disparássemos sempre na direcção de movimento, o segundo já nos dava algum controlo independente, onde pressionar o d-pad para a esquerda ou direita controla o movimento do mecha nessas direcções, já pressionar para cima ou baixo faz movimentar a mira. De resto, os botões A, B e C servem para disparar a arma actualmente seleccionada, o botão B serve para saltar e activar os boosters se os mesmos estiverem equipados e o botão C poderia servir para ir rodando de arma, se essa opção estivesse activa, caso contrário teríamos de pausar o jogo para aceder ao inventário e seleccionar a arma correspondente. Os níveis vão alternando entre secções à superfície, com alguns elementos ligeiros de platforming, mas também em pleno espaço em situações de gravidade zero, onde teríamos uma liberdade de movimentos muito maior. É um jogo muito desafiante, não só pela jogabilidade distinta, mas também pela grande quantidade de inimigos e projécteis que vamos efrentar em simultâneo. Felizmente que barra de vida se vai regenerando ao fim de alguns segundos sem sofrer dano, pelo que teríamos mesmo de jogar de forma muito cautelosa.

O modo arcade inclui muitos objectivos e bosses adicionais

Ora aqui na PS4 essas bases mantêm-se. Infelizmente a Dracue não decidiu melhorar o esquema de controlo básico do mecha, pelo que tanto o d-pad como o analógico esquerdo servem para controlar o nosso mecha e a direcção da mira em simultâneo. O analógico direito poderia perfeitamente servir para controlar a mira, mas assim sendo, esperem por uma curva de aprendizagem algo longa! De resto, o remake traz muitas novidades para além de gráficos e som melhorados, a começar na possibilidade de o mecha dar socos, o que é muito útil em certas situações. Para além de todas as armas (e armaduras extra) que poderemos vir a desbloquear e equipar antes de cada missão, aqui foram introduzidos uma série de equipamentos novos, incluindo um escudo que já vem desbloqueado de origem e pode ser activado ao pressionar o botão R1. Esse escudo protege-nos da maioria de golpes frontais, mas continuamos expostos a dano que venha de outras direcções, o que irá acontecer principalmente em níveis de gravidade zero. Mantendo o botão L1 pressionado permite-nos trancar a mira na direcção actual, já os L2 e R2 servem para alternar entre as diferentes armas que tenhamos equipado. À medida que vamos progredindo no jogo (e com base na nossa performance) iremos desbloquear novas armas ou equipamentos (como armaduras extra), que poderemos equipar antes de cada missão. Temos 6 slots de equipamento disponíveis e, tendo em conta que apenas a metralhadora (e uma outra arma que não cheguei a desbloquear) possuem munições infinitas, devemos mesmo escolher de forma inteligente o equipamento que queremos levar. Por exemplo, na fase inicial do último nível, temos de proteger a nossa frota dos colossos inimigos, pelo temos de os eliminar rapidamente. Estava a ter muita dificuldade em conseguir destruir esses colossos a tempo, até que decidi equipar a shotgun e ver que rapidamente os desfazia como barrar manteiga num pão!

Algumas das missões decorrem em pleno espaço onde temos muita maior liberdade de movimentos. Esperem por batalhas épicas!

Mas continuando pelo o que o remake nos traz, temos essencialmente dois modos de jogo. O principal é o arcade mode, onde os níveis foram algo refeitos face ao original da Mega Drive: a história foi expandida, vamos tendo alguns objectivos adicionais para cumprir em cada missão, bem como uma série de bosses adicionais que não estavam presentes no jogo original. Escondido nas opções temos também o classic mode, uma versão mais próxima do original da Mega Drive, sem os bosses e objectivos adicionais, mas no entanto é bem mais desafiante devido ao número de inimigos que teremos de enfrentar! Também nas opções temos acesso a um tutorial que nos ajuda a habituar aos controlos, bem como alguns extras que incluíram nesta versão, como artwork tanto do remake como do original, incluindo design documents que naturalmente estão todos em japonês. Um scan do manual da versão japonesa da Mega Drive também está disponível para consulta, mas o que dava mesmo jeito era um manual deste remake, quanto mais não fosse em formato digital. Outra coisa relevante a mencionar é o facto de em cada modo de jogo que jogamos (incluindo o tutorial) vamos ganhando pontos. Pontos esses que, ao visitar o ecrã das opções, nos vão fazendo subindo de ranking e por conseguinte desbloquear uma série de customizações que poderemos activar. Uma das primeiras que desbloqueamos é uma mira laser que é extremamente útil, pois facilita imenso o trabalho de apontar!

Antes de cada missão podemos escolher que equipamento levar, tendo em conta que temos apenas 6 slots disponíveis e a maioria das armas possui munição limitada.

A nível audiovisual estamos perante um jogo competente, até porque a versão de Mega Drive era ainda muito modesta pois saiu no início de vida dessa plataforma. Se virmos o Assault Suit Valken para a Super Nintendo (saiu no ocidente sob o nome de Cybernator), já há uma evolução gráfica bastante evidente! Então este remake é uma evolução gráfica bem grande perante o original, pois os cenários, naves, mechas e inimigos no geral estão muito melhor detalhados, assim como os efeitos gráficos de explosões e afins. Mas não deixa de ser um jogo algo 2D, pelo que se me dissessem que estava a jogar um jogo de PS2 não me admiraria. Para além dos objectivos e bosses adicionais introduzidos nesta versão, a história foi também expandida com mais diálogos, desta vez todos com voice acting em japonês. As músicas foram também refeitas agora com instrumentos reais embora seja possível desbloquear as músicas da versão Mega Drive. Aliás, se optarmos por jogar o classic mode são mesmo as músicas da Mega Drive que ouvimos. Gostaria que tivessem também incluído o lançamento da Mega Drive na íntegra, seria muito interessante!

Este não é um bullet hell shooter, mas tem os seus momentos

Portanto este Assault Suit Leynos é um lançamento interessante. É um shmup algo diferente e que nos obriga a enfrentar uma maior curva de aprendizagem devido ao controlo dos mechas, mas devo dizer que gostei de o jogar. Não deixa de ser um jogo muito de nicho, mas a série Assault Suits já há muito que me despertava o interesse e esta é uma óptima maneira de sermos introduzidos à mesma. Tal como referi acima, seguiu-se o Assault Suits Valken (Cybernator) na SNES, que também acabou por receber um remake anos mais tarde para a PS2. Tanto um jogo como o outro receberam ainda sequelas, o Leynos 2 saiu na Saturn e o Valken 2 na PS1, embora este aparentemente já seja um RPG algo similar aos Front Mission. Será uma série que irei explorar melhor no futuro, sem dúvida!

Gaia no Monshou (PC-Engine)

Vamos voltar à PC-Engine com um dos precursores da saga Langrisser, um dos primeiros, senão mesmo o primeiro, strategy rpg japonês. A saga de Elthlead, a tal precursora de Langrisser, começou precisamente com o lançamento de Elthlead numa série de computadores nipónicos em 1987. Ainda nesse ano é também lançado para os mesmos computadores este Gaia no Monshou (Crest of Gaia), que sinceramente nunca entendi muito bem se é uma sequela ou um remake do primeiro jogo. O que é certo é que este jogo acabou por sair também em 1988 na PC-Engine e felizmente acabou por receber também um patch de tradução feito por fãs. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado, veio juntamente no bundle da PC-Engine Duo RX e mais uns quantos jogos que comprei a um francês no eBay.

Joco com caixa e manual embutido na capa

Mas sendo este um jogo tão primitivo no género dos SRPGs, as suas influências de RPG são ainda muito modestas. Existem 3 modos de jogo distintos: o Scenario, Construction e Campaign, mas antes de entrar no detalhe de cada um, fiquemo-nos primeiro pelos básicos. Este é então um jogo de estratégia por turnos, onde vamos participando em várias batalhas e cujo campo de batalha está dividido numa série de quadrados. A iniciativa é calculada de forma aleatória no início de cada turno, pelo que poderemos ser nós ou o inimigo a começar o turno primeiro. E é aqui que poderemos seleccionar cada unidade que controlamos, movimentá-las pelo cenário e posteriormente atacar alguma unidade inimiga, se esta estiver dentro do alcance de ataque, claro. Vamos tendo unidades de diferentes tipos e classes, como guerreiros, arqueiros, peças de artilharia, dragões voadores, navios, entre outros, sendo que cada tipo de unidade tem os seus respectivos pontos de defesa e ataque, bem como diferentes alcances de movimento e ataque. Por exemplo, unidades mais pesadas não conseguem cobrir grandes distâncias num turno, unidades com armas brancas como espadas ou machados não conseguem atacar à distância, ao contrário dos arqueiros, ou os navios não podem mover-se em terra. Já as unidades aéreas, têm uma grande liberdade de movimento e podem cobrir todo o tipo de terrenos. Portanto todas as unidades que vamos controlando vão tendo as suas particularidades e vamos ter de as usar de forma muito inteligente para contrariar as movimentações inimigas!

Antes de cada turno há um sorteio a ver quem tem a iniciativa de começar primeiro

No que diz respeito a magias, elas também existem neste Gaia no Monshou mas de uma forma não tão convencional. Basicamente, antes de cada batalha, cada lado poderá seleccionar uma de várias magias geradas aleatoriamente, que podem consistir em aumentar o nosso poder de ataque, defesa, agilidade, causar dano aleatório em unidades inimigas, entre outras. E depois, em cada turno as magias seleccionadas por ambos os lados podem ser activadas… ou não. Isso é tudo uma questão de sorte! E infelizmente a sorte é também o maior problema deste jogo, pois podemos ter a sorte de num turno, para além de sermos os primeiros a atacar, poderemos ter a sorte de acertar todos os nossos golpes, mas no turno seguinte podemos falhar a maioria e por azar o inimigo acerta-nos sempre e com muitos criticals que rapidamente dizimam as nossas forças. É por isso que este é acima de tudo um jogo de muita paciência, preserverança e sorte. Posicionar e atacar as nossas tropas de forma inteligente certamente não chega para o sucesso.

Como é habitual podemos seleccionar uma unidade de cada vez, posicioná-la e atacar caso tenhamos algum inimigo no nosso alcance

Mas vamos lá abordar os diferentes modos de jogo. O primeiro é o scenario mode, onde teremos a hipótese de jogar livremente 30 batalhas distintas (sendo que as primeiras 25 pertencem à história do jogo) e em cada batalha já temos um exército prédefinido que poderemos controlar. Antes de cada batalha temos no entanto direito a uma parede de texto que nos vai apresentando a história que antecede imediatamente a batalha que seleccionamos. O campaign mode é o verdadeiro modo história, onde jogamos as tais primeiras 25 batalhas do scenario mode de forma sequencial, mas curiosamente não temos as tais sequências de texto que vão narrando a história entre cada batalha… temos sim é uma pequena cutscene exclusiva que encerra a história, caso terminemos esse modo de jogo com sucesso. Mas para além de jogar essas 25 batalhas sequencialmente, neste modo de jogo não temos um exército predefinido, mas sim teremos de construir o nosso próprio exército antes de cada batalha. Inicialmente temos um certo número de créditos com os quais podemos recrutar até um máximo de 20 unidades, sendo que cada tipo de unidade possui custos diferentes. No final da batalha, se perdermos poucas unidades, ainda vamos receber alguns créditos adicionais para usar na batalha seguinte. E é aqui que o factor sorte mais irrita, pois caso percamos muitas unidades no final de uma batalha, seremos fortemente penalizados e na batalha seguinte teremos menos créditos para gastar, o que nos irá certamente trazer problemas. Então temos mesmo de procurar recrutar as unidades mais fortes para aquele conflito e evitar ao máximo casualidades no nosso exército, para que na batalha seguinte possamos recrutar mais um ou dois soldados e por aí em diante. O jogo vai-nos atribuindo uma password no final de cada conflito, mas como o joguei em emulação, o save state fez magias. Por fim temos o modo Construction, que como o nome indica, nos permite seleccionar um mapa e escolher ambos os exércitos que poderemos controlar depois.

No modo campanha, temos de gerir bem os recursos e escolher as melhores unidades para cada confronto

A nível audiovisual é também um jogo muito modesto. As unidades são bastante pequenas e com muito pouco detalhe e animações. Ao contrário do que séries como Shining Force ou Fire Emblem nos habituaram, não temos animações bem detalhadas dos confrontos, apenas alguns brilhos no posição dos lutadores afectados, que nos podem indicar se acertamos o golpe ou não e, no caso do ecrã todo brilhar, se tivemos a sorte de aplicar um critical. Ou o azar de sofrer um… Outra das coisas que me chateou é o facto de nunca sabermos qual a barra de vida dos inimigos! Já a das nossas unidades, o seu valor de defesa vai diminuindo consoante o dano que vão sofrendo. Mas continuando com os gráficos, mesmo os próprios cenários também não possuem lá muito detalhe. De resto, a nível de som, as músicas até que são bastante agradáveis, ao menos isso.

Curiosamente esta pequena parede de texto que antecede cada batalha no scenario mode não nos aparece no modo campanha

Portanto este Gaia no Monshou é um jogo que acredito que tenha sido muito importante para a génese dos SRPGs como conhecemos hoje em dia, mas não deixa de ser muito primitivo, tanto na sua apresentação como jogabilidade e ainda com muito pouco de RPG propriamente dito. E claro, como já referi bastantes vezes… o seu foco em pura sorte também é capaz de tirar qualquer um do sério.