Head Buster (Sega Game Gear)

Vamos agora voltar à portátil de 8bit da Sega, para um interessante exclusivo japonês produzido pela NCS/Masaya. Head Buster é um jogo de estratégia por turnos onde iremos construir o nosso pequeno exército de robots e combater uma série de robots inimigos, ao longo de 10 batalhas. Felizmente existe um patch de tradução para o inglês, eliminando assim qualquer barreira linguística. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu algures em Julho de 2020.

Cartucho solto, jogo japonês

E nós aqui encarnamos no papel de um miúdo que se inscreve numa competição de lutas com robots, começamos o jogo com 600 créditos e antes de começar cada combate temos acesso a uma loja onde poderemos comprar um ou mais robots e customizá-los à nossa vontade, bem como ver o mapa da próxima arena onde podemos combater. Isto é útil pois dá para ver que tipo de terreno iremos encontrar e preparar os nossos robots da melhor forma. Infelizmente não dá é para antever quais os robots inimigos que iremos enfrentar!

As diferentes armas que temos têm também diferentes alcances

Mas pronto, com 600 créditos lá poderemos comprar um ou 2 robots e equipá-los com algum armamento adicional. Começamos por escolher se queremos um robot de estrutura ligeira, normal ou pesada, o que irá afectar a sua agilidade (nomeadamente o número de células que nos podemos deslocar em cada turno) bem como a sua armadura, pois os robots mais pesados são mais resistentes ao fogo inimigo. Podemos também customizar a parte inferior do robot, seja ao usar pernas, lagartas ou um hovercraft, que por sua vez cada tipo destas peças nos permite atravessar diferentes tipos de terreno e obstáculos como água, montanhas ou florestas. Daí a possibilidade de explorar o tipo de terreno que iremos enfrentar entre cada combate ser muito importante! Os braços e ombros podem ser equipados com diferentes escudos e armas de curto, médio e longo alcance, sendo que os ombros são as que carregam as armas mais destrutivas como mísseis ou napalm, mas também poderão carregar outros equipamentos especiais que nos podem dar diferentes habilidades nas batalhas como lançar fumo para não sermos atingidos por fogo inimigo. Outra das características importantes que devemos comprar é o computador de bordo, que, dependendo do modelo escolhido, nos permite efectuar algumas acções adicionais nos combates, como esconder ou evadir de fogo inimigo, bem como reparar o dano sofrido.

Cada tipo de parte inferior tem as suas vantagens e desvantagens

Passando para as batalhas em si, estas são todas por turnos, sendo que cada turno é dividido em 2 fases. A primeira fase é a de posicionamento dos nossos robots e em seguida o CPU faz o mesmo para os seus robots. Depois lá temos a fase de ataque onde se tivermos algum inimigo no nosso alcance de fogo, podemos disparar. No caso de termos um computador de bordo que nos permita evadir do fogo inimigo também o podemos fazer. Ou poderemos simplesmente recarregar algumas das armas que eventualmente tenhamos usado. Cada batalha termina quando todos os robots inimigos tenham sido destruído, ou a sua base. Uma vez terminada a batalha, ganhamos algum (pouco) dinheiro e somos levados novamente para a tal loja onde podemos prever o próximo campo de batalha e modificar os nossos robots, ou mesmo construir novos.

Infelizmente o dinheiro que ganhamos entre cada combate não é assim tanto pelo que não perder robots é essencial para a sobrevivência

É um jogo relativamente simples mas desafiante pois o dinheiro que ganhamos em caso de vitória não é assim tanto, pelo que vai ser difícil ir acompanhando o poder de fogo inimigo à medida que vamos avançando no jogo. Usar tácticas mais defensivas, como estar perto da base onde poderemos regenerar a vida dos nossos robots pode ser uma boa opção, mas também podemos tentar ser mais sneaky e usar robots mais ligeiros para atacar directamente a base inimiga. De qualquer das formas é muito importante ir registando as passwords que nos vão sendo atribuídas no final de cada batalha, pois caso um dos nossos robots seja destruído, mesmo que vencemos o confronto no final, o mesmo é perdido para sempre ou seja, teremos de construir um robot de novo e o dinheiro nunca dá para tudo. Ainda nas passwords, o jogo vai-nos atribuindo uma password curta e longa e eu recomendo vivamente que anotem a password longa. A curta apenas serve para registar em que ponto do jogo vamos, mas todos os robots que tenhamos construido previamente desaparecem.

As batalhas poderiam ter mais detalhe gráfico, pois a câmara está sempre na perspectiva de um dos nossos robots, mesmo quando está a sofrer dano.

A nível audiovisual é um jogo competente tendo em conta que estamos a falar de um jogo para a Game Gear. As arenas são coloridas, mas seria interessante que houvesse uma maior variedade de cenários. Quando transitamos para um ecrã de batalha temos sempre a câmara na perspectiva de primeira pessoa de um dos nossos robots, que seja para atacar, quer seja quando estamos a sofrer dano. A barra de vida que aparece no ecrã é a barra de vida do robot a ser atacado. Seria interessante uma perspectiva como nos Advance Wars, onde pudéssemos ver ambos os robots e suas barras de vida. Já no que diz respeito ao som, as músicas são agradáveis e nada de especial a apontar aos efeitos sonoros.

Portanto este Head Buster é um jogo de estratégia por turnos que até tem potencial precisamente pela customização que podemos fazer ao criar robots de raiz e que tirem proveito do terreno que iremos enfrentar nos confrontos seguintes. Mas para além do desafio que nos é imposto ao irmos enfrentando inimigos tendencialmente mais fortes em número e poder de fogo, seria bem mais interessante se houvesse aqui uma narrativa qualquer, mesmo que fosse algum dos clichés habituais. Competir para ganhar trocos e ter de enfrentar inimigos mais poderosos a seguir não chega para mim.

Gynoug (Sega Mega Drive)

A Masaya (também conhecida por NCS) é uma das developers mais interessantes da era 16bit, embora muitos dos seus jogos se tenham ficado apenas em solo nipónico. Felizmente não é o caso de Gynoug (também conhecido por Wings of Wor em solo norte-americano), um shmup onde encarnamos no anjo Wor, numa batalha contra uma série de forças infernais. O meu exemplar foi comprado algures em Março a um particular no Reino Unido. Ficou-me por sensivelmente 20€ já com os portes.

Jogo com caixa e manual

Este é um shmup bastante frenético com inimigos a surgirem de todo o lado e projécteis a serem disparados constantemente, principalmente em níveis de dificuldade mais elevados. Felizmente que temos auto-fire e disparos que se espalham no ecrã por defeito, permitindo-nos também disparar consecutivamente. Como não poderia deixar de ser temos também uma série de power ups para apanhar e a primeira coisa que nos salta à vista é talvez as duas barras de energia coloridas que nos aparecem no ecrã. Estas são aumentadas à medida que vamos coleccionando uma série de esferas vermelhas ou azuis, sendo que umas aumentam o nosso poder de fogo, outras aumentam o leque de direcções em que os nossos disparos tomam. Temos também outras pedras coloridas para apanhar que variam o nosso padrão de disparo. Por defeito concentramos o fogo todo para a frente, mas podemos variar e tirar alguma potêcia da frente, de forma a que alguns dos nossos disparos saiam também para trás, ou dividir a potência de igual forma para ambas as direcções.

Temos um sistema de power ups interessante, onde as armas especiais têm diferentes usos

Como é habitual temos também algumas armas especiais. Estas são apanhadas quando encontramos pergaminhos com uma certa letra e que vão ocupando um dos 3 slots que temos para armazenar esses poderes. Estas armas especiais são distintas entre si, se bem que se tivermos dois ou mais slots ocupados com a mesma arma, então a sua potência é amplificada. Estas têm sempre uma duração limitada, seja por um tempo limite, ou por limite de munições.

Os bosses são visualmente muito apelativos

Agora que temos as mecânicas de jogo cobertas, passemos para os visuais. Apesar de ser um jogo lançado ainda relativamente cedo no ciclo de vida da consola (saiu originalmente no início de 1991 no Japão), é um jogo graficamente muito capaz, principalmente nos bosses e cenários que estão muitíssimo bem detalhados. Estes últimos estão  repletos de efeitos de parallax scrolling, e ocasionalmente alguns efeitos especiais de distorção ou rotação de sprites que me agradam bastante. Mas para além disso, os cenários em si, bem como os inimigos estão muito bem desenhados, indo buscar imensas inspirações diferentes, sejam cenários que nos remetam para antigas civilizações romanas ou gregas, o steampunk, ou mesmo aqueles designs sinistros e biomecânicos que H.R. Giger tão bem nos deu a conhecer. Face a esta variedade de temáticas nos cenários e inimigos, as músicas são também bastante ecléticas e agradáveis, oscilando entre temas de composição mais clássica, outros mais folk ou modernos.

Os cenários são variados, não faltando no entanto aqueles mais orgânicos e nojentos

Portanto este Gynoug é um óptimo shmup para a Mega Drive e recomendo vivamente a quem for fã do género. Quem for um bocado azelha como eu neste tipo de jogos vai passar alguma dificuldade, mas ao menos tem um jogo bem bonito para apreciar também.