Resident Evil Code Veronica X (Nintendo Gamecube)

resident evil code veronica gc palCode Veronica é o primeiro jogo principal da série sem os cenários pré-renderizados. Lançado originalmente em 2000 para a Sega Dreamcast, o hardware da mesma já permitia desenhar cenários 3D minimamente realistas, pelo que a Capcom optou por esse caminho. Ano e meio depois, Code Veronica foi re-lançado para a Dreamcast no Japão e para a PS2 em todo o mundo sob o nome Code Veronica X, onde tinham alterado ligeiramente a história, melhorado os gráficos, e introduzido uma série de novas CGs ao longo do jogo. A versão de pre-order da PS2 incluia também o chamado “Wesker’s Report”, um documentário fictício relatando os vários eventos da Umbrella até à altura.  Em 2003/2004 o jogo chega finalmente à Nintendo Gamecube, fruto do acordo entre a Capcom e a Nintendo em lançar toda a série principal nesta consola. Infelizmente é uma conversão directa da versão PS2, sem nenhum conteúdo adicional. A minha cópia foi comprada no miau.pt, não me recordo do ano nem quanto custou, mas não terá sido mais de 25€.

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Jogo completo com caixa, papelada e manual

A história segue Claire Redfield, que parte em busca do seu irmão Chris, pouco depois dos eventos corridos em Resident Evil 2. Logo no início somos presenteados com uma bela CG de Claire a invadir um edifício da Umbrella em França. Muitos tiros depois (incluindo a perseguição por um helicóptero como num Terminator 2), Claire é feita prisioneira e enviada para a prisão de Rockfort Island, uma localidade pertencente à família Ashford, família essa envolvida na criação da Umbrella e do famoso Progenitor Virus. Ao longo do jogo iremos visitar outros locais, incluindo uma base da Umbrella em plena Antárctida, bem como controlar outras personagens como o colega de “prisão” Steve Burnside. Chris Redfield entra na segunda metade do jogo à procura da sua irmã, revisitando dessa forma muitos dos locais anteriores. De volta estão também os zombies, muitos morcegos (chatos) e novas B.O.W. (Bio Organic Weapons), bem como é introduzido um novo virus à série, o T-Veronica, inspirado numa das antagonistas principais do jogo.

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Steve Burnside, companheiro de Claire na luta para escapar de Rockfort Island

A jogabilidade mantém-se nos “tank controls”, embora a Capcom tenha incluido o esquema de controlo “Type-C” que permite avançar com o botão R, utilizando o stick esquerdo para alterar a direcção da personagem. Uma novidade na questão da jogabilidade introduzida neste jogo é a perspectiva de primeira pessoa, ao utilizar certas armas como a sniper rifle, por exemplo. Aliás, é possível jogar o jogo todo numa perspectiva de primeira pessoa, introduzindo uma série de códigos “Action Replay”, penso que inicialmente a Capcom tinha planos para incluir a visão em primeira pessoa no jogo todo, depois lá mudaram de ideias. Para além do combate em si, contem na mesma com vários puzzles para resolver, muita exploração, items para recolher, etc.

Graficamente, podemos afirmar que era um jogo bastante bonito numa Dreamcast, no ano 2000. Para a altura em que chegou à Gamecube (2003/2004), já havia no mercado jogos como Metroid Prime e Zelda Wind Waker que eram um autêntico regalo para os olhos. Ainda assim, são agradáveis e envelheceram bem melhor que os vistos em RE2 e 3. Os modelos são suficientemente bem detalhados, tanto os inimigos, como vários objectos e texturas.  Mesmo abandonando os gráficos pré-renderizados, a câmara ainda é de ângulos fixos, embora estes sejam mais amigáveis e dêm uma melhor perspectiva da sala. Obviamente que não chega ao nível de “beleza” de um Remake ou um Zero, mas sendo uma simples conversão de um jogo mais antigo e feito num hardware inferior, não me queixo. Infelizmente o factor “medo” para mim foi quase inexistente, algo que só o Remake e o Zero, na minha opinião, conseguiram alcançar uma atmosfera bastante tensa. Não faltam zombies e outras criaturas “bonitas” em Code Veronica, mas a atmosfera de uma casa abandonada ou a claustrofobia de um comboio repleto de zombies não está lá, mesmo existindo alguns desses cenários aqui. Já a nível de som não há realmente muito a dizer, foi um bom trabalho da Capcom. A música é atmosférica e sem muita presença, explodindo para músicas mais fortes em momentos mais caóticos, como a luta contra bosses, por exemplo. Os restantes efeitos sonoros são também bem conseguidos, desde os gemidos de zombies até às explosões. O voice-acting pela primeira vez na série levou um tom mais “sério” e não aquele desastrado presente nos primeiros jogos da série.

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Zombies novamente, desta vez com os cenários em 3D

A nível de extras, este Resident Evil possui poucos, comparando com os restantes jogos da série (principalmente conversões). Ao completar o jogo principal, dependendo do tempo levado e performance ao longo do jogo, é atribuído um rank final. Se o rank for de A (muito difícil), é desbloqueado um lança-rockets com munição infinita. Independentemente do ranking é desbloqueado sempre um minijogo, o Battle mode. Este minijogo pode ser jogado em 3ª pessoa, ou em primeira pessoa como se um FPS se tratasse, e consiste simplesmente em chegar do ponto A ao ponto B no menor tempo possível. Dependendo da performance neste Battle mode, podem ser desbloquadas novas personagens para serem jogadas aqui (como Albert Wesker), bem como o Linear Launcher. É uma pena não se desbloquear outros modos de jogo, ou até outros uniformes para as personagens, mas paciência.

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Ecrã de visualização de items, não mudou muita coisa

Concluindo, o que disse acerca do RE2 e 3 repito-o aqui. Aconselho este jogo apenas para quem for coleccionador ou quiser ter os jogos da série principal até ao RE4 na Gamecube. Digo isto pois geralmente encontra-se este jogo bem mais barato na sua versão PS2 (que apresenta as CGs de melhor qualidade devido a correrem num DVD, enquanto que nas versões DC e GC as mesmas estão comprimidas). Mesmo a versão Dreamcast, que embora tenha menos cutscenes e pequenos detalhes alterados, é uma versão perfeitamente capaz e pouco perde entre estas versões mais completas. Foram também anunciadas para X360 e PS3 conversões remasterizadas em HD deste jogo e do Resident Evil 4, poderão perfeitamente vir a ser as versões definitivas destes jogos.

Resident Evil 3: Nemesis (Nintendo Gamecube)

Resident Evil 3: NemesisMais um post sobre aquela que possivelmente será a saga de survival horror mais famosa do planeta. Lançado originalmente em 1999 para a PS1, este capítulo da saga introduziu diversas inovações na série, tendo sido convertido para várias plataformas, entre as quais a Nintendo Gamecube em 2003, fruto do acordo entre a Capcom e a Nintendo de trazerem para a GameCube todos os jogos da série principal até ao Resident Evil 4. A minha cópia foi adquirida por aí em 2004 ou 2005 no miau.pt e deve ter-me custado algo à volta dos 20€. Está completa e em bom estado.

Resident Evil 3 GCN
Jogo completo com caixa e manual

Resident Evil 3 é mais um jogo que decorre em Racoon City, estando dividido em duas partes. Na primeira, os acontecimentos decorrem 24h antes dos acontecimentos de Resident Evil 2, já na segunda parte do jogo, a acção decorre dois dias depois, onde assistimos ao destino da própria Racoon City. Resident Evil 3: Nemesis coloca-nos na pele de Jill Valentine, uma das protagonistas principais do original Resident Evil, e ocasionalmente Carlos Oliveira, membro de uma equipa de mercenários que andavam por Racoon a fazer algo… O jogo tem o subtitulo de “Nemesis”, referente à criatura da capa do jogo. Nemesis é a mais recente e avançada arma bio orgânica criada pelos laboratórios da Umbrella, tendo sido largado em Racoon City apenas com um propósito: Assassinar os membros sobreviventes da equipa S.T.A.R.S. pois os mesmos sabiam demasiado sobre a Umbrella. Um pouco como Mr. X em Resident Evil 2, Nemesis irá aparecer várias vezes ao longo do jogo, sendo que neste Jill poderá combatê-lo (de forma a ganhar bons items) ou simplesmente fugir (e Nemesis poderá perseguir Jill).

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Nemesis em CG

A nível de jogabilidade, enquanto que o jogo mantém os infames “tank controls” (algo que só viria a ser mudado com RE4), mas no entanto introduz uma série de inovações neste campo. Foi o primeiro jogo a utilizar o esquema da volta rápida de 180º, algo que viria a ser utilizado nos jogos seguintes. Implementou também a possibilidade de a personagem poder-se desviar dos ataques inimigos, o que nem sempre resulta. Outra das inovações é o sistema de fabrico de munições. Sim, tal como misturar ervas em jogos anteriores, aqui é possível misturar tipos de pólvora para obter munições variadas, desde pistolas a granadas. Finalmente, este jogo tem também uma série de “quick-time events”, na medida em que em várias alturas do jogo surge no ecrã e escolha de duas decisões que Jill pode tomar, decisões essas que afectam o decorrer do jogo, podendo inclusivamente afectar o final do mesmo. Existe um tempo limite para a escolha que se for ultrapassado provoca danos na personagem ou até morte imediata. Ao defrontar Nemesis, se escolhermos combatê-lo (algo que eu tento fazer sempre), Nemesis recompensa-nos ao deixar vários items que não irão querer perder. Alguns items são partes de armas poderosas, caixa de kits de primeiros socorros, ou munição infinita para uma dada arma.

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Confronto com Nemesis

Passando para os gráficos, enquanto que no Resident Evil 2 não reparei em grandes diferenças, neste jogo os modelos já me pareceram melhores, pelo menos com menos bugs devido ao clipping. Os críticos dizem que o jogo foi inspirado na versão PC e Dreamcast, que já apresentava uns gráficos ligeiramente melhores. Ainda assim, não esperem nada muito acima do nível de uma Playstation, a sua plataforma nativa. Os críticos dizem também que esta conversão GC tem também um melhor framerate, a 60fps constantes, realmente notei que o jogo era fluído. As cut-scenes já têm uma melhor qualidade que as de Resident Evil 2, lembro-me perfeitamente de as ver pela primeira vez numa PS1 em 1999 e ficar espantado. A nível sonoro nada foi alterado face ao original. O voice-acting ainda é um pouco pobre e os restantes efeitos sonoros e músicas mantêm-se fiéis ao seu propósito, seja de manter uma atmosfera tensa, seja para alturas com mais acção, imprimir um ritmo mais explosivo.

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Mais zombies polícias para despachar!

A respeito dos extras, esta conversão para GC não traz nada a mais que as outras. Pelo contrário, até traz a menos, na medida em que alguns extras já estão desbloqueados à partida quer na versão Dreamcast quer no PC. Falo dos uniformes extras (através da Boutique key – desbloqueados consoante o ranking final após completar o jogo) e do minijogo Mercenaries. Este mino-jogo consiste em tomarmos o papel de um dos vários mercenários que aparecem no jogo principal e ir de um local A para o local B num determinado tempo. Tempo esse insuficiente, que pode ser aumentado ao matar inimigos, descobrir zonas secretas, resgatar pessoas, etc. Este mini jogo tem a vantagem de se poder desbloquear munição infinita a armas no jogo principal, consoante a pontuação obtiva. No melhor cenário é desbloqueado munições infinitas para todas as armas do jogo. Na Gamecube, o Mercenaries pode ser acedido tal e qual como a versão PS1, completando o jogo principal pelo menos uma vez. Um outro extra são os epílogos, que retratam o que aconteceu a várias personagens importantes ao longo da série até ao momento, como Chris, Claire, Barry, Ada Wong, entre outros, formando 8 no total. Cada epílogo destes é desbloqueado a cada vez que se completa o jogo principal, e isto é válido para todas as conversões.

Para concluir, Resident Evil 3 é considerado pelos fãs como um jogo com mais elementos de acção do que propriamente survival horror, o que se traduziu num jogo com menor popularidade face aos restantes. Em relação a esta conversão, eu só posso repetir o que disse anteriormente na análise ao Resident Evil 2 ou seja, só recomendo a sua compra a coleccionadores ou a pessoas que queiram ter os jogos clássicos apenas numa consola. As versões PS1 e Dreamcast costumam encontrar-se no mercado de usados a preços bem mais em conta e para quem tiver PS3 ou PSP pode comprar digitalmente a versão PS1.

Resident Evil 2 (Nintendo Gamecube)

Resident Evil 2 GCNFalar de conversões é sempre um risco. Se um dia me vier calhar às mãos uma outra versão deste jogo pouco ou nada terei a dizer, mas adiante. O jogo que trago aqui é a conversão do clássico Resident Evil 2 para Gamecube, jogo virtualmente idêntico às suas versões PS1 e Dreamcast. A minha cópia foi adquirida sinceramente já não me recordo onde nem quando, muito menos quanto custou. Penso que tenha sido no miau.pt ou então no ebay uk, e unhas-de-fome como eu sou, dificilmente terá custado mais de 20€.

Resident Evil 2 GCN
Jogo completo com caixa, papelada e manual

Antes de mais, a nível de artwork deixem-me dizer que este deve ser o único Resident Evil cuja artwork prefiro a versão americana à europeia. Em todos os outros, principalmente o RE4, a artwork europeia dá 15-0. Quanto ao jogo em si, basicamente é uma promessa cumprida da Capcom, que se comprometeu em trazer todos os jogos principais da série Resident Evil ao cubito da Nintendo. Mas ao contrário de Resident Evil 1, este não viu qualquer update gráfico. Aliás, mesmo segundo as palavras da Capcom “not a single polygon has been changed”, embora muitas pessoas tenham escrito nas suas reviews que os modelos pareciam ter melhores definições que a versão PS1. O problema deste jogo foi a infeliz decisão da Capcom em tê-lo comercializado com o custo normal de um jogo “novo”, ao invés de o ter lançado como um budget title.

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CGs de 1998, bons tempos

Resident Evil 2 coloca-nos na pele de Claire Redfield (irmã de Chris) e de Leon Kennedy, polícia de Racoon City no seu primeiro dia de trabalho. Estava o Leon a chegar a Racoon, quando é abordado por um conjunto de zombies. Surpreendido, encontra Claire, salvando-a e trazendo-a para o seu carro de polícia. Dirigem-se para a esquadra de Racoon City tendo um acidente de percurso a meio do caminho forçando-os a seguir caminhos separados. O jogo dá-nos a hipotese de escolher qual a personagem que queremos seguir, sendo as 2 histórias um pouco diferentes, mas que se assemelham no final. O jogo decorre portanto na zona urbana de Racoon City, onde se instaurou uma epidemia do T-Virus, deixando a cidade repleta de zombies e outras criaturas sinistras fruto da Umbrella Corp. Ao longo do jogo vamos-nos apercebendo como a epidemia chegou até Racoon e conhecendo personagens importantes como William e Sherry Birkin e Ada Wong.

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¡Cerebros!

A jogabilidade é a do costume: “tank controls”. Ao menos voltaram a incluir o “Type C” que apesar de ainda ser um esquema algo confuso, sempre é melhorzinho. Podiam era ter implementado a combinação de botões para a personagem dar uma volta de 180º de forma instantânea, não lhes tinha custado nada. O jogo à semelhança dos Resident Evil clássicos está também repleto de vários puzzles necessários para avançar na história. Muitas novas aberrações também não faltam e ficheiros para descobrir e ler novos detalhes a história. Sempre gostei dessas coisinhas nesta série. A versão GameCube (bem como outras conversões existentes) traz os “Arrange Modes”, que basicamente são o modo japonês do jogo, mais fácil, com mais items e uma submachine gun logo de início. Este jogo traz também o mini jogo do Hunk/Tofu, desbloqueado no final do jogo principal (com rank A), que consiste em estar na pele do mercenário Hunk (ou de um Tofu), procurar uma amostra do G-Virus e abandonar Racoon City com segurança. Um outro modo de jogo, é o Extreme Battle, que são igualmente missões separadas da história principal.

A nível gráfico, não há muito a dizer, são os mesmos da versão PS1, mas talvez numa resolução maior (e daí talvez não, penso que os únicos RE2 que correm em resoluções maiores são as conversões PC e Dreamcast). São gráficos obviamente datados e ainda com os mesmos bugs (clipping) presentes na versão original, mas paciência, vai-se jogando sem grandes problemas. Nunca gostei muito dos RE’s passados em Racoon City, o clima urbano não proporciona aquela tensão que uma mansão abandonada, escura e com salas claustrofóbicas proporciona. Mas ainda assim cheguei a apanhar alguns sustos com os lickers. Sonoramente o jogo não é mal executado, só o voice-acting é que poderia ser melhor, mas em 1998 isso ainda não era preocupação de quase ninguém, portanto escapa.

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Sim, também existem laboratórios da Umbrella neste jogo.

Para concluir, só aconselho este jogo a quem for coleccionador, ou como eu, quem quiser ter a série clássica toda na mesma consola. Apesar de quase todos os ports deste jogo terem mais conteúdo que a versão original de Playstation (existe também o relançamento para PS1 como RE2 Dualshock Edition, com vários destes extras, mas não saiu em território europeu), na minha opinião a melhor conversão encontra-se na Dreamcast, pois à semelhança do que se vê no PC tem vários extras que mesmo esta versão de Gamecube mais recente não tem. Recentemente foram lançados os 3 Resident Evil clássicos da PS1 para a PSN, mas honestamente não sei quais os extras que contêm.

Resident Evil Zero (Nintendo Gamecube)

RE0Voltando aos Zombies aqui no blog, eu que planeio fazer uma análise dos 6 Resident Evil que possuo na minha GameCube, mesmo tentando intercalar um outro jogo pelo meio, vai ser uma semana repleta de criaturas devoradoras de cérebros. Desta vez escolhi falar do Resident Evil Zero, uma prequela do primeiro jogo da série, outrora exclusiva para Gamecube (agora também tem uma versão para Wii). A minha cópia foi adquirida algures em 2003/2004 no miau.pt. Não sei precisar quanto custou mas suponho que tenha sido algo à volta dos 30€. Está impecável.

Resident Evil Zero GC
Jogo completo com caixa, manual e demais papelada

Resident Evil Zero estava para sair inicialmente para a Nintendo 64. A certa altura (talvez motivados pelo remake de RE1) a Capcom decidiu mover este jogo para a sua sucessora, a GameCube. Existem alguns vídeos na net acerca desta versão inicial, e mesmo para um jogo de Nintendo 64, já era graficamente bastante detalhado. Nota-se também que mesmo na versão N64, muitas das ideias iniciais foram mantidas para a versão final. RE Zero coloca-nos no papel de Rebecca Chambers, membro do esquadrão Bravo da S.T.A.R.S. que Chris Redfield, Jill Valentine e companhia vão à procura no jogo original. O esquadrão Bravo é enviado às Arklay Mountains para investigar uma série de homicídios bizarros e outros relatos estranhos. A meio do caminho o seu helicóptero avaria e são forçados a aterrar em plena floresta, onde descobrem uma carrinha de transporte de prisioneiros acidentada, sendo que o respectivo prisioneiro (Billy Coen – uma das personagens do jogo) desaparecido. O esquadrão continua a investigação até que Rebecca descobre um comboio aparentemente abandonado e repleto de zombies, bem como outras criaturas fofinhas. A história vai decorrendo, Rebecca encontra Billy Coen e é forçada a cooperar com ele para sobreviver, entretanto prosseguem as suas vidas e vão encontrar uma outra mansão da Umbrella, um abandonado centro de investigação e treino de funcionários. Como prequela, RE Zero cumpre o seu papel de desvendar os mistérios da origem da Umbrella Corp, bem como de outras personagens importantes como Spencer, Marcus, William Birkin e Albert Wesker. Obviamente que descobrimos também o que se passou com a Rebecca e como é que ela foi parar à Spencer Mansion de Resident Evil 1.

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Hunters, charmosos como sempre

No que diz respeito à jogabilidade, Resident Evil Zero é um misto de problemas antigos com inovações inéditas na série. Os problemas antigos prendem-se com os chamados “tank controls” que tão bem eram conhecidos na série clássica nos idos tempos da PS1. Resident Evil Remake podia ter a desculpa por ser um “update” de um jogo antigo, mas mesmo aí, a Capcom tinha incluido um esquema de controlo que apesar de ser um pouco confuso, sempre era melhor que os tank controls. Neste jogo nem isso temos, infelizmente. A grande novidade reside num “zapping system” para controlar as 2 personagens principais deste jogo. Billy Coen e Rebecca estão juntos grande parte do jogo, tendo de colaborar entre si para resolver puzzles, auxiliar no combate, etc. O jogador escolhe a personagem que quer jogar, sendo que a outra passa a ser controlada por IA (ainda assim é possível controlar ao mesmo tempo o movimento da segunda personagem com o C-Stick, não sendo possível controlar o uso de items ou disparo de armas). Quando o jogador quiser trocar de personagens basta carregar no botão Z e já está. Billy Coen é a personagem mais forte, capaz de aguentar com mais dano, com porte físico para arrastar objectos grandes e tem um isqueiro. Já Rebecca é mais frágil, mais pequena, o que lhe permite entrar em entradas apertadas, e tem um kit que lhe permite misturar as várias ervas que regeneram vida/curam intoxicações. Este sistema também permite a troca directa de items entre as personagens, logo que estejam perto uma da outra. É possível deixar uma personagem num sítio enquanto a outra vai fazer outra coisa qualquer, aliás, várias vezes isso vai acontecer e vão existir algumas fases no jogo em que apenas iremos controlar uma personagem só. O jogo está também repleto de puzzles que requerem a colaboração dos 2 jogadores. No geral, acho que esta novidade das 2 personagens foi bem conseguida. Uma outra diferença face aos restantes RE clássicos é a ausência de uma arca para colocar os items. Aqui, podemos ir deixando os items no chão de qualquer sala, sendo que o mapa do jogo guarda a informação de que items é que cada sala comporta.

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Um protótipo de um Tyrant

Graficamente o jogo continua sublime. Utiliza o mesmo motor gráfico do Remake lançado uns meses atrás, mas ainda mais refinado. Onde se nota uma melhoria substancial é nas cut-scenes, onde as mesmas em FMV têm uma qualidade muito boa. Os modelos das personagens e criaturas continuam excelentemente modelados, bem como os cenários pré-renderizados que várias vezes não estão estáticos. Os jogos de luzes, sombras, efeitos de água, etc continuam um regalo para os olhos. A secção do comboio está especialmente bem conseguida, peca por ser curta. A nível de som, Resident Evil Zero tem igualmente um bom trabalho nesta área. A música quando existe é sinistra o suficiente para criar aquele clima tenso, e os efeitos sonoros dos zombies e restantes criaturas estão também bons. O voice-acting é competente, longe vão os tempos de diálogos de filmes série B.

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Um dos bosses pequeninos e bonitinhos

Como não podia deixar de ser, este jogo apresenta também uma série de extras. Completar o jogo num menor espaço de tempo possível desbloqueia vários bónus, desde o mítico lança rockets e/ou metralhadora com munição infinita, novas vestimentas para as personagens, e o mini-jogo Leech Hunter. Este mini-jogo consiste em visitar a mansão repleta de criaturas, e coleccionar um determinado número de “leech charms” (máximo de 100). Consoante o resultado também se desbloqueiam alguns goodies, como munição infinita para todas as armas do jogo.

Resident Evil Zero é um bom jogo para quem gosta da série clássica do Resident Evil. Para os fãs é um must-have, pois o jogo conta a história de (quase) tudo o que esteve por detrás dos restantes jogos envolvendo a Umbrella, tem uma envolvente audiovisual muito bem conseguida. Peca apenas pelo arcaico esquema de controlo das personagens que a Capcom implementou. Vendo outros jogos como Eternal Darkness e até o próprio Devil May Cry de Shinji Mikami, que a Capcom poderia ter incluido um esquema mais moderno. Resident Evil Zero foi também relançado para a Nintendo Wii, tirando partido dos seus controlos com sensor de movimento.

Resident Evil (Nintendo Gamecube)

RE 1 RemakeUma das razões que me fez escolher a Gamecube como a consola de eleição da geração passada algures em 2002, foi o facto de a série principal Resident Evil se tornar “Exclusiva” para a nova consola da Nintendo (o que obviamente acabou por não acontecer). Junto desse anúncio foram mostradas imagens de um remake do primeiro jogo da série, com gráficos modernos e puzzles repensados. Bom, eu babei-me ao ver aquilo e ainda com o anúncio do Resident Evil Zero com o mesmo motor gráfico e futuramente sair exclusivamente o Resident Evil 4, foi razão mais que suficiente para eu ter torrado cerca de 260€ por uma Gamecube e um jogo em 2002. O meu jogo foi comprado a um amigo meu da escola secundária por cerca 30€, está em boas condições.

Resident Evil GC
Jogo completo com caixa e manual

Resident Evil é um jogo e uma série que dispensa apresentações. Apesar de os survival horrors como os conhecemos hoje tenham nascido com o Alone in the Dark da Ubisoft, Resident Evil (Biohazard no Japão) foi a série que definitivamente popularizou o género, gerando vários clones e outros jogos que se tenham inspirado nesta série. O jogo original saiu em 1996 para a Playstation, apresentava a história de 2 membros da polícia especial de Racoon City (S.T.A.R.S.) numa missão de resgate de uma outra equipa STARS que tinha sido perdida nos bosques de Racoon City, equipa essa que por sua vez se encontrava a investigar a origem de vários crimes macabros: desaparecimento de pessoas, e vítimas com indícios de canibalismo. Os protagonistas chamam-se Chris Redfield e Jill Valentine, nomes sonantes nos vários Resident Evil que se vieram a suceder. A segunda equipa S.T.A.R.S. acabou por ser também atacada no bosque por cães zombies e procuram refúgio numa mansão próxima, que servia de instalações da empresa farmaceutica Umbrella Corporation. Os membros sobreviventes Chris, Jill, Barry e o líder Wesker decidem separar-se de modo a encontrar sobreviventes dos restantes S.T.A.R.S. e arranjar uma forma de eles próprios sairem dali em segurança. Assim começa a aventura onde o jogador decide se quer jogar com o Chris ou a Jill. Com o decorrer da aventura vão descobrindo muitos horrores, zombies por todos os lados e outras criaturas geneticamente modificadas através do T-Virus desenvolvido pela Umbrella. O resto… joguem vocês!

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ângulos esquisitos que aumentam a tensão do jogo - este nem tanto

Eu devo confessar que, por nunca ter tido nenhuma consola da Sony até este ano, a versão original do Resident Evil pouco me passou pelas mãos. Apenas joguei um pouco da versão PC e PS1 através de emulação. Portanto, ao contrário de muitos veteranos do jogo original, Resident Evil foi uma experiência completamente nova para mim neste remake. A Capcom afirma que alterou 70% do jogo, desde salas com o design trocado, novos puzzles, puzzles antigos modificados, mais armas, modos de jogo, inimigos, a história secundária de George Trevor, bem como menções a protagonistas dos jogos seguintes, de modo a tapar buracos na história que existiam anteriormente. A história principal em si permaneceu inalterada. Escolher Chris ou Jill leva o jogo por caminhos diferentes, aumentando o replay value. Além disso Chris e Jill apresentam diferenças na sua jogabilidade. Jill é mais rápida, mas mais fraca e tem uma maior capacidade de armazenamento de items. Já o Chris é mais forte, porém mais lento e com capacidade para levar menos 2 items que a Jill.

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Jill a explorar a sala... uma passagem secreta talvez?

O gameplay permanece +/- o mesmo do jogo original, contudo introduzindo algumas novidades dos jogos seguintes tal como a volta rápida de 180º. De resto são na mesma os “tank controls” que os jogos clássicos da série tão bem eram conhecidos. Este esquema demora um pouco a acostumar e dificulta a experiência do jogo desnecessariamente. A Capcom  introduziu porém novos métodos de controlo secundários, mas são igualmente confusos. Uma outra novidade no gameplay deste remake consiste na introdução de items defensivos, que são utilizados automaticamente quando um inimigo agarra a personagem. Temos facas, tasers para a Jill ou granadas para Chris. O jogo decorre ao longo de várias áreas de uma enorme mansão, inclusivamente os subterrâneos que albergam laboratórios cheios de aberrações. Muitas criaturas vão sendo encontradas, puzzles para desvendar. Como disse acima os personagens têm um certo número de items que podem carregar ao mesmo tempo muitos deles importantíssimos para a sobrevivência ou para resolver puzzles. Contudo existe um sistema de “arcas mágicas” ao longo do jogo onde podemos alojar os items que não precisamos para mais tarde os utilizar. Os items que guardarmos numa arca ficam acessíveis em todas as outras (excepto no modo de jogo “Real Survival”). Os zombies estão mais inteligentes. Podem abrir portas, rebentar janelas (belos sustos que isto me rendeu), inclusive num ou noutro modo de jogo temos um certo zombie familiar que nos pressegue ao longo da mansão, repleto de granadas presas ao seu corpo que se tivermos a infelicidade de lhe dar um tiro é game over na certa. Ao completarmos o jogo vamos desbloqueando várias coisas, desde novas vestimentas para as personagens, novas armas (incluindo um lança rockets com munição infinita – adoro esta arma), 3 novos modos de jogo: Real Survival, Invisible e One Tough Zombie e até artwork ou mensagens deixadas pelos próprios criadores do jogo. Replay value ao máximo.

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Bicho bonito, é melhor fazer-lhe umas festinhas com a shotgun.

Graficamente o jogo é belíssimo, deixou-me de queixo caído da primeira vez que o vi em funcionamento. Os cenários, apesar de serem pré-renderizados e com câmaras fixas, encontram-se muito bem feitos e detalhados. Os modelos tanto das personagens principais como das próprias criaturas são uma delícia para os olhos ainda nos dias de hoje. Aqueles bosses gigantes são realmente um espanto. Além disso a Capcom conseguiu desenvolver um óptimo sistema de iluminação e de sombras que interage perfeitamente com os cenários pré-renderizados. Detalhes como as partículas da cabeça de zombies a serem desintegradas a tiros de shotgun são fenomenais. O som também se encontra bem conseguido. As vozes e diálogos foram todas regravadas dando um tom mais sério ao jogo, ao invés do diálogo digno de filmes de série B presentes no jogo original. As criaturas soam aterradoras e é possivel ouvir os seus passos e gemidos, mesmo que não os consigamos ver, aumentando assim o clima de tensão presente no jogo. Toda esta conjugação de visuais fantásticos e som bem definido, aliado aos corredores apertados e escuros de uma mansão sinistra, bem como outras áreas como o seu cemitério, túneis e laboratórios, tornam este Resident Evil, na minha opinião, como o mais assustador de toda a série. Apenas Resident Evil Zero chegou lá perto (também por usar o mesmo motor de jogo e ter uma mansão própria).

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Este boss é fenomenal

Sinceramente, depois deste jogo nem fiquei com vontade de jogar o original. Este remake é tão bem conseguido que voltar às texturas, modelos e voice acting da versão PS1 até parece crime. Ainda assim conto em comprar uma das versões existentes do jogo original para colecção. Este Remake porém foi relançado na Wii, mantendo todo o seu esplendor da versão Gamecube e adicionar suporte ao Wiimote. Sejam veteranos da série Resident Evil, ou simplesmente gostam de jogos de terror, não deixem escapar esta pérola.