Resident Evil Zero (Nintendo Gamecube)

RE0Voltando aos Zombies aqui no blog, eu que planeio fazer uma análise dos 6 Resident Evil que possuo na minha GameCube, mesmo tentando intercalar um outro jogo pelo meio, vai ser uma semana repleta de criaturas devoradoras de cérebros. Desta vez escolhi falar do Resident Evil Zero, uma prequela do primeiro jogo da série, outrora exclusiva para Gamecube (agora também tem uma versão para Wii). A minha cópia foi adquirida algures em 2003/2004 no miau.pt. Não sei precisar quanto custou mas suponho que tenha sido algo à volta dos 30€. Está impecável.

Resident Evil Zero GC

Jogo completo com caixa, manual e demais papelada

Resident Evil Zero estava para sair inicialmente para a Nintendo 64. A certa altura (talvez motivados pelo remake de RE1) a Capcom decidiu mover este jogo para a sua sucessora, a GameCube. Existem alguns vídeos na net acerca desta versão inicial, e mesmo para um jogo de Nintendo 64, já era graficamente bastante detalhado. Nota-se também que mesmo na versão N64, muitas das ideias iniciais foram mantidas para a versão final. RE Zero coloca-nos no papel de Rebecca Chambers, membro do esquadrão Bravo da S.T.A.R.S. que Chris Redfield, Jill Valentine e companhia vão à procura no jogo original. O esquadrão Bravo é enviado às Arklay Mountains para investigar uma série de homicídios bizarros e outros relatos estranhos. A meio do caminho o seu helicóptero avaria e são forçados a aterrar em plena floresta, onde descobrem uma carrinha de transporte de prisioneiros acidentada, sendo que o respectivo prisioneiro (Billy Coen – uma das personagens do jogo) desaparecido. O esquadrão continua a investigação até que Rebecca descobre um comboio aparentemente abandonado e repleto de zombies, bem como outras criaturas fofinhas. A história vai decorrendo, Rebecca encontra Billy Coen e é forçada a cooperar com ele para sobreviver, entretanto prosseguem as suas vidas e vão encontrar uma outra mansão da Umbrella, um abandonado centro de investigação e treino de funcionários. Como prequela, RE Zero cumpre o seu papel de desvendar os mistérios da origem da Umbrella Corp, bem como de outras personagens importantes como Spencer, Marcus, William Birkin e Albert Wesker. Obviamente que descobrimos também o que se passou com a Rebecca e como é que ela foi parar à Spencer Mansion de Resident Evil 1.

screenshot

Hunters, charmosos como sempre

No que diz respeito à jogabilidade, Resident Evil Zero é um misto de problemas antigos com inovações inéditas na série. Os problemas antigos prendem-se com os chamados “tank controls” que tão bem eram conhecidos na série clássica nos idos tempos da PS1. Resident Evil Remake podia ter a desculpa por ser um “update” de um jogo antigo, mas mesmo aí, a Capcom tinha incluido um esquema de controlo que apesar de ser um pouco confuso, sempre era melhor que os tank controls. Neste jogo nem isso temos, infelizmente. A grande novidade reside num “zapping system” para controlar as 2 personagens principais deste jogo. Billy Coen e Rebecca estão juntos grande parte do jogo, tendo de colaborar entre si para resolver puzzles, auxiliar no combate, etc. O jogador escolhe a personagem que quer jogar, sendo que a outra passa a ser controlada por IA (ainda assim é possível controlar ao mesmo tempo o movimento da segunda personagem com o C-Stick, não sendo possível controlar o uso de items ou disparo de armas). Quando o jogador quiser trocar de personagens basta carregar no botão Z e já está. Billy Coen é a personagem mais forte, capaz de aguentar com mais dano, com porte físico para arrastar objectos grandes e tem um isqueiro. Já Rebecca é mais frágil, mais pequena, o que lhe permite entrar em entradas apertadas, e tem um kit que lhe permite misturar as várias ervas que regeneram vida/curam intoxicações. Este sistema também permite a troca directa de items entre as personagens, logo que estejam perto uma da outra. É possível deixar uma personagem num sítio enquanto a outra vai fazer outra coisa qualquer, aliás, várias vezes isso vai acontecer e vão existir algumas fases no jogo em que apenas iremos controlar uma personagem só. O jogo está também repleto de puzzles que requerem a colaboração dos 2 jogadores. No geral, acho que esta novidade das 2 personagens foi bem conseguida. Uma outra diferença face aos restantes RE clássicos é a ausência de uma arca para colocar os items. Aqui, podemos ir deixando os items no chão de qualquer sala, sendo que o mapa do jogo guarda a informação de que items é que cada sala comporta.

Screenshot

Um protótipo de um Tyrant

Graficamente o jogo continua sublime. Utiliza o mesmo motor gráfico do Remake lançado uns meses atrás, mas ainda mais refinado. Onde se nota uma melhoria substancial é nas cut-scenes, onde as mesmas em FMV têm uma qualidade muito boa. Os modelos das personagens e criaturas continuam excelentemente modelados, bem como os cenários pré-renderizados que várias vezes não estão estáticos. Os jogos de luzes, sombras, efeitos de água, etc continuam um regalo para os olhos. A secção do comboio está especialmente bem conseguida, peca por ser curta. A nível de som, Resident Evil Zero tem igualmente um bom trabalho nesta área. A música quando existe é sinistra o suficiente para criar aquele clima tenso, e os efeitos sonoros dos zombies e restantes criaturas estão também bons. O voice-acting é competente, longe vão os tempos de diálogos de filmes série B.

screenshot

Um dos bosses pequeninos e bonitinhos

Como não podia deixar de ser, este jogo apresenta também uma série de extras. Completar o jogo num menor espaço de tempo possível desbloqueia vários bónus, desde o mítico lança rockets e/ou metralhadora com munição infinita, novas vestimentas para as personagens, e o mini-jogo Leech Hunter. Este mini-jogo consiste em visitar a mansão repleta de criaturas, e coleccionar um determinado número de “leech charms” (máximo de 100). Consoante o resultado também se desbloqueiam alguns goodies, como munição infinita para todas as armas do jogo.

Resident Evil Zero é um bom jogo para quem gosta da série clássica do Resident Evil. Para os fãs é um must-have, pois o jogo conta a história de (quase) tudo o que esteve por detrás dos restantes jogos envolvendo a Umbrella, tem uma envolvente audiovisual muito bem conseguida. Peca apenas pelo arcaico esquema de controlo das personagens que a Capcom implementou. Vendo outros jogos como Eternal Darkness e até o próprio Devil May Cry de Shinji Mikami, que a Capcom poderia ter incluido um esquema mais moderno. Resident Evil Zero foi também relançado para a Nintendo Wii, tirando partido dos seus controlos com sensor de movimento.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Resident Evil Zero (Nintendo Gamecube)

  1. Apesar dos seus defeitos é um must have/play para os fãs da série. Foi uma boa surpresa na altura mas poderá não agradar no presente devido aos controlos, algo que os “fãs” actuais abominam como já constatei em várias ocasiões.

  2. Pingback: Resident Evil 5 Gold Edition (Sony Playstation 3) | GreenHillsZone

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