Devil May Cry (Sony Playstation 2)

Devil May CryA Capcom foi uma das software houses mais criativas da geração passada, como já tive a oportunidade de dizer em artigos anteriores. Devil May Cry, apesar de inicialmente ter sido projectado para ser o Resident Evil 4, ao longo do seu desenvolvimento Shinji Mikami acabou por lhe dar uma grande reviravolta, tanto no conceito como na jogabilidade, criando assim uma nova franchise de sucesso. A minha cópia foi comprada algures este ano no ebay UK, por 1 libra mais portes de envio. Daquelas bagatelas que às vezes temos a sorte de apanhar! O jogo está completo e em bom estado.

Devil May Cry PS2
Jogo completo com caixa e manual

O herói da série chama-se Dante, filho de um pai demónio e mãe humana. O pai, de nome Sparda, foi um poderoso demónio que se insurgiu há 2000 anos atrás contra os planos de Mundus (imperador do Underworld) de invadir e destruir a Terra. Mundus foi também responsável pela morte da família de Dante, 20 anos antes dos acontecimentos deste jogo. Desde então que Dante se torna numa espécie de mercenário, aceitando apenas trabalhos que envolvam o sobrenatural, para se tentar vingar dos demónios que mataram a sua família. A certa altura, Dante fica a conhecer a loiraça Trish que lhe avisa dos planos de Mundus voltar ao activo e indica o castelo da ilha de Mallet que funciona como portal entre as duas dimensões. Na cena seguinte, Dante já se encontra às portas do tal castelo e a acção começa a partir daí.

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Cenários bonitos...

Devil May Cry foi um jogo revolucionário pelo seu combate “estiloso” para a época. É um hack ‘n slash com alguma exploração à mistura, fruto da sua herança de Resident Evil. Dante é um “caçador de demónios” equipado com 2 pistolas automáticas e uma larga espada, podendo tanto esquartejar o que lhe apareça à frente, encher os inimigos de chumbo ou até uma mistura dos 2. Há um grande ênfase na execução de combos e de manobras acrobáticas, tornando o gameplay bem mais dinâmico e livre dos tank controls que Resident Evil sempre teve no passado. Inicialmente Dante apenas tem as 2 pistolas e uma espada, mas ao longo do jogo vão sendo descobertas outras armas que conferem diferentes habilidades, como o salto duplo. Existem 2 barras de energia diferentes, a barra de vida normal, e uma outra usada para o Devil Trigger. Devil Trigger transforma Dante na sua versão demoníaca, ficando mais rápido, mais forte, com mais habilidades (como voar, por exemplo), a sua vida vai regenerando lentamente. Mas como tudo o que é bom acaba depressa, essa barra de energia do Devil Trigger é utilizada num certo tempo limite, mediante a percentagem de energia “Devil Trigger” disponíveis. Existem vários powerups sob a forma de “orbs” de várias cores. Uns restauram a barra de energia, outros extendem-na, bem como à barra Devil Trigger, novas vidas, e finalmente existem as red orbs, que são uma espécie de unidade monetária do jogo, permitindo a aquisição de items e novas habilidades ao longo do jogo. Existem outros items para além das orbs, mas este artigo não pretende ser um manual 😛

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Phantom, um dos primeiros bosses

Mesmo a jogabilidade ser completamente diferente dos Resident Evil clássicos, Devil May Cry ainda herdou algumas das suas características. A mais notória são os ângulos de câmara, que são fixos em salas grandes e abertas, e seguem o movimento do jogador em corredores mais apertados. Contudo, mesmo nesse caso a câmara não é controlada pelo jogador, o que pode ser um pouco irritante na altura de fazer alguns saltos delicados entre plataformas. A outra parecença reside no facto de o jogo não ser só porrada e ter uma elevada dose de exploração e um ou outro puzzle, sendo que a maioria assenta no princípio “encontrar o objecto A, levá-lo ao local B, para poder aceder a C”. De outra forma, apesar de ser possível fazer backtracking em vários momentos do jogo, o progresso do mesmo é separado por missões. Essas missões são coisas simples: encontrar objecto X, derrotar inimigo XYZ, descobrir o caminho para chegar a A. Existem também missões secretas que não são obrigatórias para se concluir o jogo. Essas missões geralmente consistem em derrotar um certo inimigo de uma determinada maneira, ou travar um combate dentro de um tempo limite. Estas missões secretas geralmente recompensam o jogador com powerups.

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Dante a mostrar quem manda

Passando para a questão gráfica, os jogos 3D geralmente envelhecem pior que os clássicos 2D, portanto temos de nos contextualizar no ano de 2001. Nessa perspectiva não me lembro de um jogo mais bonito na PS2 que tenha saído até então (talvez o Ico). Os cenários estão bem desenhados e com bastante detalhe, principalmente se compararmos este jogo com um seu sucessor Chaos Legion, que apresentava cenários bastante simples. A arquitectura do castelo, das salas, os efeitos de iluminação, a modelação das personagens e dos inimigos macabros, acho que no total está um artwork bem conseguido, aliando a uns bons gráficos para a PS2 na era 2001. A banda sonora segue na mesma a imagem rock/gótico deixada pelo estilo de Dante, com uma banda sonora orientada ao rock/industrial, dando também lugar a uma ambiência sonora mais sinistra quando os inimigos são derrotados.

Devil May Cry foi um jogo muito bem conseguido por parte da Capcom, gerando várias sequelas e inspirando outros jogos como o recente Bayonetta. É um jogo que se encontra muito facilmente e muito barato nesses amazon e ebays por aí fora. Foi recentemente anunciado um remaster em HD para PS3 e X360, têm o potencial de se tornar a melhor versão deste jogo, mas a ver o que foi feito no RE4, as mudanças não serão assim muitas.

Chaos Legion (Sony Playstation 2)

Chaos Legion PS2Não restem dúvidas que a Capcom foi uma das software houses mais activas na geração passada. Para além de novas entradas em séries como  Resident Evil, Breath of Fire e Mega Man, foram também criadas novas franchises como Devil May Cry, Viewtiful Joe, Killer 7, God Hand, Onimusha, Monster Hunter, entre vários outros exemplos. Devil May Cry foi uma das séries de maior sucesso, tendo sido imitada por vários outros jogos, inclusive da própria Capcom. Chaos Legion é um deles, foi um jogo que comprei no início deste ano no ebay uk, por cerca de 5€. Está completo e em bom estado.

Chaos Legion PS2
Jogo completo com caixa e manual

Chaos Legion segue a história de Sieg Warheit, um “Knight of the Dark Glyphs” da Order of St. Overia, na busca do seu antigo companheiro Victor Delacroix que, após a morte da sua irmã Siela Riviere, culpa Sieg do seu assassinato (Sieg e Siela eram namorados ou algo do género). Victor passa para o “dark side”, e vai em busca dos 3 “Sacred Glyphs” de modo a unir os 3 diferentes planos de existência (Nether World, Middle World e Celestial World), provocando a destruição do mundo, mas porém trazendo de volta a sua irmã Siela. A história é um bocado novela mexicana, mas siga. Ao longo do jogo vão sendo visitados vários locais, que infelizmente não diferem muito entre si, sendo a maioria templos ou ruínas sempre com uma arquitectura gótica por detrás.

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Sieg e os seus Malice, contra um boss chato

A jogabilidade na sua essência não difere muito da jogabilidade de Devil May Cry, no que diz respeito ao combate com a espada. Mas ao invés de pistolas, Sieg conta com os seus “Legions”, criaturas que podem ser invocadas para o auxiliar na batalha. Sejam em golpes como “Assist”, até ter as criaturas em terreno de combate, podendo tomar atitudes ofensivas ou defensivas. Cada Legion tem habilidades diferentes, desde espadachins, arqueiros, bombas, garras, sendo mais ou menos eficazes para os vários diferentes inimigos. Alguns items escondidos também só poderão ser descobertos ao utilizar estas habilidades dos Legions. Sieg começa com o Legion Thanatos, o mais poderoso, mas que infelizmente é destruído no final do primeiro nível. Os restantes Legions vão sendo encontrados nos níveis seguintes e o próprio Thanatos também poderá vir a ressuscitado lá mais para a frente. O combate em si fornece pontos de experiência, não para Sieg, mas sim para os seus Legions, podendo subir o seu poder de ataque/defesa e habilidades. O estado de Sieg também evolui, mas através de items como “Defense Up” ou “Life Max Up” que tanto podem estar espalhados no jogo, como podem ser deixados pelos inimigos derrotados. Existem portanto 2 barras de energia, uma da vida de Sieg (que caso chegue a zero já sabem o que acontece) e existe uma outra que é a “Soul”. Esta é a barra de energia que permite utilizar os golpes especiais “assist” dos Legions, bem como serve para os invocar. Após a sua invocação esta barra “Soul” muda de forma, tornando-se numa barra de vida para os Legions. Chegando a zero o Legion volta para o seu mundo e é necessário voltar a recuperar alguma dessa energia para os poder utilizar novamente. A energia Soul obtém-se através do Sieg distribuir pancada nos inimigos, pela sua própria espada. Mais lá para a frente conhecemos uma menina de nome Arcia Rinslet, ao fim de algum tempo podemos jogar com ela. A menina não usa os Legions mas sim 2 pistolas como arma (ou os seus próprios pontapés), podem imaginar que a maneira de jogar com ela não é muito diferente de um certo Dante…

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Arcia a mostrar os seus dotes...

Uma coisa que me irritou foi o “targeting system”. É possível “marcar” um inimigo para que os Legions se concentrem apenas nele, mas nem sempre é fácil fazê-lo. O combate aéreo foi a minha maior frustração. É muito difícil que os Legions lutem com sucesso com inimigos que estejam acima de Sieg, e mesmo o próprio Sieg tem limitações ao utilizar os seus golpes nessas circunstâncias. Não consigo fazer “target” a inimigos que estejam a voar, como tal dificulta bastante o combate, mesmo para encaminhar os Legions para atacarem alguns desses inimigos. De resto, tendo em conta que quando Sieg invoca um Legion, Sieg perde algum do seu poder de ataque e velocidade, o que torna o jogo um pouco travado. Os controles também poderiam ser melhores, é frequente não se conseguir mudar a direcção de um golpe quando se está a fazer um combo.

Graficamente o jogo não é nada de especial. Os cenários até podem ser minimamente bonitos por se influenciarem na arquitectura gótica mas pecam por serem muito simples (a nível de texturas) e muito repetitivos. Existem uma ou outra missão na floresta que dá uma lufada de ar fresco, mas mesmo aí não esperem nada de especial. O jogo tem também bastante “fog”, algo típico de jogos de N64. Pelo contrário, é um jogo que apresenta um elevado número de inimigos no ecrã ao mesmo tempo, o que tendo em conta a plataforma em que saiu e o ano, não deixa de ser uma proeza interessante. Talvez por isso os gráficos estejam algo pobres. Os modelos das personagens e inimigos também são um pouco fracos, mas não é nada que seja insuportável. O som, confesso que a banda sonora me passou um pouco ao lado, mas pareceu-me na onda do rock e uma ou outra batida mais electrónica. O voice-acting por si não gostei quase nada. A história não é muito cativante e os diálogos são bastante dramáticos, não me convenceu.

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Fog of War, dizem alguns

Concluindo, acho que Chaos Legion até teve boas ideias, mas a sua execução não foi a melhor. O esquema dos Legions até que está bem pensado, cada um com uma série de habilidades características que permitem estratégias de luta bastante diferentes. Na minha opinião peca pelos controlos e pela história. Os gráficos não são grande coisa, mas não é algo que dê muita importância. Não é um dos jogos que eu recomendo a toda a gente que tenha uma PS2, mas quem gostar de Devil May Cry poderá encontrar algum entretenimento aqui.

Resident Evil 4 (Nintendo Gamecube)

resident_evil_4[3]Finalmente, após algum tempo de inactividade, volto a escrever neste espaço. Para compensar, o artigo de hoje incide num dos melhores jogos lançados na geração passada. Resident Evil 4 foi um jogo indubitavelmente marcante para a já longa série de terror da Capcom, introduzindo uma jogabilidade inovadora que parece que veio para ficar, bem como uma nova envolvente. A minha cópia foi adquirida no miau.pt. Não me recordo quando foi, nem quanto custou. Está impecável e é da versão que vinha num bundle com uma GameCube cinzenta, trazendo um disco bónus com uma demo do Metroid Prime, um making of de Resident Evil 4, e trailers dos outros jogos da série presentes na Gamecube. Um bom mimo.

RE 4 GC
Jogo completo com caixa, manual, papelada e disco de bónus

Desde cedo que Resident Evil 4 se tornou num dos jogos mais promissores da Gamecube, mas na verdade os primeiros rumores do jogo surgiram já em 1999. Ao longo dos anos o jogo foi alvo de várias reformulações. Desde cedo que a Capcom queria que Resident Evil 4 marcasse uma mudança radical na série, sendo que a primeira versão do jogo, ainda em desenvolvimento para a PS2, acabou por se afastar de tal forma do conceito da série que Shinji Mikami resolveu dar-lhe o nome de Devil May Cry, tornando-se num inteiramente novo que mais tarde trarei aqui a este espaço. Em 2002 Resident Evil 4 foi anunciado como um exclusivo para a GameCube, mostrando um trailer com Leon Kennedy a fugir de uma estranha mancha negra. Mais tarde, em 2003 a Capcom mostrou uma versão inteiramente nova do jogo, ainda com Leon mas desta vez com uma componente mais “fantasmagórica”, com fantoches “vivos” e seres sinistros. Finalmente decidiram mudar o foco do jogo de terror para a acção e saiu o jogo que hoje conhecemos. Pouco tempo antes de o jogo sair para a Gamecube, a Capcom volta atrás com o acordado com a Nintendo e anuncia que uns meses depois do seu lançamento, uma conversão para a PS2 seria lançada, com conteúdo extra. Na altura, a Gamecube já tinha vendas fracas e os seus fãs esperavam que com a exclusividade de RE4 desse mais alguma força à consola. Infelizmente para mim a Capcom teve esta decisão e, apesar de a versão PS2 ser inferior graficamente, o conteúdo extra é bastante apelativo.

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Olá Ashley. Sim, tem uma cara bonita e é gerada em tempo real.

Resident Evil 4 decorre no ano de 2004, num meio rural e montanhoso do interior de Espanha. Somos informados que a Umbrella já não existe, embora só mais tarde num outro jogo é que se vem a descobrir como. Controlamos Leon Kennedy, a mando dos Serviços Secretos norte-americanos, que tem como missão descobrir o paradeiro de Ashley Graham a filha adolescente do Presidente, resgatando-a com segurança. Somos deixados numa aldeia, onde depressa descobrimos que os seus habitantes não são nada amigáveis. Armados de sacholas, machados, moto-serras e outros apetrechos, Leon só tem de lhes limpar o sebo. Desde cedo que os aldeões parecem possuídos, sendo também devotos seguidores de um culto secreto e sinistro das redondezas, os “Los Iluminados”. Ao longo do jogo vamos visitando outros sítios como o castelo de “Los Iluminados”, repleto de cultistas sinistros. Uma coisa que toda a gente se perguntou na altura foi “onde estão os zombies?” Pois bem, em RE4 não há zombies, mas sim um novo vírus: “Las Plagas”. Sem querer revelar muito da história, os aldeões e várias outras personagens encontram-se infectados com esse vírus, daí a sua hostilidade. O vírus também é mutagénico, alterando as vítimas para criaturas fofinhas. Mas Resident Evil 4 é muito mais que isto, o resto joguem vocês, apenas vos digo que personagens como Ada Wong e Jack Krauser possuem papeis importantes neste jogo.

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Isto não vai acabar bem...

A jogabilidade é um dos pontos fortes do jogo. Finalmente abandonaram os tank controls e os ângulos de câmara fixos, apresentando uma perspectiva mais “over-the-shoulder” que se tornou popular. O foco do jogo também passou mais para a acção, dando grande ênfase nos tiroteios. É sem dúvida um esquema bem mais dinâmico, com o “action button” a ter uma enorme importância, seja para mandar uns “roundhouse kicks” nuns gajos enfraquecidos, arrombar portas, deitar escadas abaixo para segurança, etc. E sim, a tensão é constante. Os inimigos estão constantemente a tentar rodear Leon, obrigando a um ritmo de jogo bem mais frenético e a busca constante de um lugar seguro. O jogo em si está muito bem estruturado, com uma boa variedade de locais, inimigos, bosses e diversas outras situações. Quando resgatamos Ashley, frequentemente temos de a proteger. Se ela for ferida quer por fogo inimigo, quer pelo próprio Leon e morrer, é game over. Para além disso temos de a guardar a todos os momentos, pois algum dos inimigos pode pegar nela e fugir e se a deixarmos escapar também é game over. Nesse caso temos de ter especial cuidado pois para evitarmos que Ashley escape é necessário abater o seu raptor, tendo o cuidado de não atingir Ashley. Este foi o aspecto mais chato do jogo, na minha opinião. Ainda assim, em alguns locais é possível ordenar a Ashley que se esconda, ordenando depois que saia do seu esconderijo quando o local estiver seguro. Resident Evil também reintroduziu o conceito de Quick Time Events, obrigando o jogador a carregar numa série de botões no momento certo para sobreviver. RE4 introduz também uma série de armas, passando por vários tipos de pistolas, metralhadoras, shotguns, lança-rockets, etc. As caixas de armazenamento de items presente nos jogos passados já não existem. Leon possui uma mala com slots limitados e o jogador tem de acondicionar os items e armas da melhor maneira. Armas podem ser compradas a um vendedor misterioso que vai aparecendo ao longo do jogo em vários locais, e o sistema de save mantém-se o mesmo das máquinas de escrever, com a vantagem de não ser necessário nenhum “ink ribbon”.

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Ashley a ser levada por um cultista. Cuidado para não lhe acertar.

O post já vai longo e eu ainda nem falei nos gráficos. Resident Evil 4 para Gamecube é, sem sombra de dúvidas um dos jogos mais bonitos que a Gamecube oferece, bem como um dos mais bonitos da geração passada. Os modelos das personagens estão muito bem detalhados, sendo tão assustadores devido ao seu realismo. A atmosfera dos locais está muito bem conseguida e ao longo do jogo sinto-me mesmo como se estivesse numa qualquer terriola para a zona das serras Peneda/Gerês. Efeitos como lava e fogo, só visto. Partículas como chuva, esguichos de sangue são autênticos eye candys. A nível de som o jogo está muito bem conseguido. As falas em castelhano dos inimigos são fantásticas, o voice acting é bom, inclusive com alguns momentos de humor, algo fora do normal na série. A música ambiente, como já tem sido habitual também contribui para a atmosfera tensa e de pânico constante no jogo.

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Palavras para quê?

Completando o jogo principal, a versão Gamecube dispõe de mais 2 mini-jogos: “Ada’s Assignment” e o regresso do “Mercenaries”. O primeiro é uma extensão da história oficial do jogo, colocando-nos na pele de Ada Wong na sua busca por 5 amostras do vírus “Las Plagas”. É um mini-jogo igualmente divertido, embora Ada seja uma personagem mais frágil que Leon, obrigando a uma abordagem ainda mais cuidada. “Mercenaries” é na sua essência idêntico à sua versão anterior. O objectivo é ir do lugar A para o B no menor tempo possível e quanto maior for o banho de sangue, melhor. Existem 4 níveis disponíveis e inicialmente apenas podemos jogar com Leon, desbloqueando outras 4 personagens se obtivermos uma boa performance nos vários mapas. Dentro do próprio jogo, existe um outro minijogo de “Target Shooting”. É uma galeria de tiro, onde temos de acertar em vários alvos que vão surgindo no ecrã, evitando acertar em alvos amigáveis. É fortemente encorajado que a performance do jogador seja de 100% de tiros certeiros, ganhando boas quantias de dinheiro e troféus diversos.

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"El Gigante" - um dos vários bosses que vamos encontrar.

Muito mais havia a dizer acerca deste jogo, mas o post já vai longo. Resident Evil 4 foi um jogo verdadeiramente revolucionário e está facilmente no Top 5 dos melhores jogos da Gamecube. Ainda assim, actualmente apenas recomendo esta versão para coleccionadores. A versão PS2 apesar de ter um desempenho gráfico visivelmente inferior, ainda inclui um outro capítulo de jogo inteiramente novo, o “Separate Ways”, onde jogamos com Ada Wong e vemos o que ela andou a fazer no tempo em que andou desencontrada com Leon. Mais tarde o jogo saiu para PC, embora graficamente também tenha sido uma conversão pobre. Para além de uma versão pobre para iPhone, o jogo foi relançado para a Nintendo Wii, mantendo os bons gráficos da versão Gamecube aliando ao suporte do Wiimote e trazendo os extras da versão PS2. Actualmente é na minha opinião a melhor versão deste jogo existente. Contudo daqui a pouco tempo irá sair para PS3 e X360 uma versão “remaster” deste jogo com gráficos em HD, juntamente do Resident Evil Code Veronica X. Esta versão futura tem o potencial de ser a melhor versão de Resident Evil 4. Ainda assim, quer possuam GC, PC, Wii, PS2, PS3 ou X360, façam o favor de jogar este jogo, não se irão arrepender.

Resident Evil Code Veronica X (Nintendo Gamecube)

resident evil code veronica gc palCode Veronica é o primeiro jogo principal da série sem os cenários pré-renderizados. Lançado originalmente em 2000 para a Sega Dreamcast, o hardware da mesma já permitia desenhar cenários 3D minimamente realistas, pelo que a Capcom optou por esse caminho. Ano e meio depois, Code Veronica foi re-lançado para a Dreamcast no Japão e para a PS2 em todo o mundo sob o nome Code Veronica X, onde tinham alterado ligeiramente a história, melhorado os gráficos, e introduzido uma série de novas CGs ao longo do jogo. A versão de pre-order da PS2 incluia também o chamado “Wesker’s Report”, um documentário fictício relatando os vários eventos da Umbrella até à altura.  Em 2003/2004 o jogo chega finalmente à Nintendo Gamecube, fruto do acordo entre a Capcom e a Nintendo em lançar toda a série principal nesta consola. Infelizmente é uma conversão directa da versão PS2, sem nenhum conteúdo adicional. A minha cópia foi comprada no miau.pt, não me recordo do ano nem quanto custou, mas não terá sido mais de 25€.

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Jogo completo com caixa, papelada e manual

A história segue Claire Redfield, que parte em busca do seu irmão Chris, pouco depois dos eventos corridos em Resident Evil 2. Logo no início somos presenteados com uma bela CG de Claire a invadir um edifício da Umbrella em França. Muitos tiros depois (incluindo a perseguição por um helicóptero como num Terminator 2), Claire é feita prisioneira e enviada para a prisão de Rockfort Island, uma localidade pertencente à família Ashford, família essa envolvida na criação da Umbrella e do famoso Progenitor Virus. Ao longo do jogo iremos visitar outros locais, incluindo uma base da Umbrella em plena Antárctida, bem como controlar outras personagens como o colega de “prisão” Steve Burnside. Chris Redfield entra na segunda metade do jogo à procura da sua irmã, revisitando dessa forma muitos dos locais anteriores. De volta estão também os zombies, muitos morcegos (chatos) e novas B.O.W. (Bio Organic Weapons), bem como é introduzido um novo virus à série, o T-Veronica, inspirado numa das antagonistas principais do jogo.

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Steve Burnside, companheiro de Claire na luta para escapar de Rockfort Island

A jogabilidade mantém-se nos “tank controls”, embora a Capcom tenha incluido o esquema de controlo “Type-C” que permite avançar com o botão R, utilizando o stick esquerdo para alterar a direcção da personagem. Uma novidade na questão da jogabilidade introduzida neste jogo é a perspectiva de primeira pessoa, ao utilizar certas armas como a sniper rifle, por exemplo. Aliás, é possível jogar o jogo todo numa perspectiva de primeira pessoa, introduzindo uma série de códigos “Action Replay”, penso que inicialmente a Capcom tinha planos para incluir a visão em primeira pessoa no jogo todo, depois lá mudaram de ideias. Para além do combate em si, contem na mesma com vários puzzles para resolver, muita exploração, items para recolher, etc.

Graficamente, podemos afirmar que era um jogo bastante bonito numa Dreamcast, no ano 2000. Para a altura em que chegou à Gamecube (2003/2004), já havia no mercado jogos como Metroid Prime e Zelda Wind Waker que eram um autêntico regalo para os olhos. Ainda assim, são agradáveis e envelheceram bem melhor que os vistos em RE2 e 3. Os modelos são suficientemente bem detalhados, tanto os inimigos, como vários objectos e texturas.  Mesmo abandonando os gráficos pré-renderizados, a câmara ainda é de ângulos fixos, embora estes sejam mais amigáveis e dêm uma melhor perspectiva da sala. Obviamente que não chega ao nível de “beleza” de um Remake ou um Zero, mas sendo uma simples conversão de um jogo mais antigo e feito num hardware inferior, não me queixo. Infelizmente o factor “medo” para mim foi quase inexistente, algo que só o Remake e o Zero, na minha opinião, conseguiram alcançar uma atmosfera bastante tensa. Não faltam zombies e outras criaturas “bonitas” em Code Veronica, mas a atmosfera de uma casa abandonada ou a claustrofobia de um comboio repleto de zombies não está lá, mesmo existindo alguns desses cenários aqui. Já a nível de som não há realmente muito a dizer, foi um bom trabalho da Capcom. A música é atmosférica e sem muita presença, explodindo para músicas mais fortes em momentos mais caóticos, como a luta contra bosses, por exemplo. Os restantes efeitos sonoros são também bem conseguidos, desde os gemidos de zombies até às explosões. O voice-acting pela primeira vez na série levou um tom mais “sério” e não aquele desastrado presente nos primeiros jogos da série.

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Zombies novamente, desta vez com os cenários em 3D

A nível de extras, este Resident Evil possui poucos, comparando com os restantes jogos da série (principalmente conversões). Ao completar o jogo principal, dependendo do tempo levado e performance ao longo do jogo, é atribuído um rank final. Se o rank for de A (muito difícil), é desbloqueado um lança-rockets com munição infinita. Independentemente do ranking é desbloqueado sempre um minijogo, o Battle mode. Este minijogo pode ser jogado em 3ª pessoa, ou em primeira pessoa como se um FPS se tratasse, e consiste simplesmente em chegar do ponto A ao ponto B no menor tempo possível. Dependendo da performance neste Battle mode, podem ser desbloquadas novas personagens para serem jogadas aqui (como Albert Wesker), bem como o Linear Launcher. É uma pena não se desbloquear outros modos de jogo, ou até outros uniformes para as personagens, mas paciência.

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Ecrã de visualização de items, não mudou muita coisa

Concluindo, o que disse acerca do RE2 e 3 repito-o aqui. Aconselho este jogo apenas para quem for coleccionador ou quiser ter os jogos da série principal até ao RE4 na Gamecube. Digo isto pois geralmente encontra-se este jogo bem mais barato na sua versão PS2 (que apresenta as CGs de melhor qualidade devido a correrem num DVD, enquanto que nas versões DC e GC as mesmas estão comprimidas). Mesmo a versão Dreamcast, que embora tenha menos cutscenes e pequenos detalhes alterados, é uma versão perfeitamente capaz e pouco perde entre estas versões mais completas. Foram também anunciadas para X360 e PS3 conversões remasterizadas em HD deste jogo e do Resident Evil 4, poderão perfeitamente vir a ser as versões definitivas destes jogos.

Resident Evil 3: Nemesis (Nintendo Gamecube)

Resident Evil 3: NemesisMais um post sobre aquela que possivelmente será a saga de survival horror mais famosa do planeta. Lançado originalmente em 1999 para a PS1, este capítulo da saga introduziu diversas inovações na série, tendo sido convertido para várias plataformas, entre as quais a Nintendo Gamecube em 2003, fruto do acordo entre a Capcom e a Nintendo de trazerem para a GameCube todos os jogos da série principal até ao Resident Evil 4. A minha cópia foi adquirida por aí em 2004 ou 2005 no miau.pt e deve ter-me custado algo à volta dos 20€. Está completa e em bom estado.

Resident Evil 3 GCN
Jogo completo com caixa e manual

Resident Evil 3 é mais um jogo que decorre em Racoon City, estando dividido em duas partes. Na primeira, os acontecimentos decorrem 24h antes dos acontecimentos de Resident Evil 2, já na segunda parte do jogo, a acção decorre dois dias depois, onde assistimos ao destino da própria Racoon City. Resident Evil 3: Nemesis coloca-nos na pele de Jill Valentine, uma das protagonistas principais do original Resident Evil, e ocasionalmente Carlos Oliveira, membro de uma equipa de mercenários que andavam por Racoon a fazer algo… O jogo tem o subtitulo de “Nemesis”, referente à criatura da capa do jogo. Nemesis é a mais recente e avançada arma bio orgânica criada pelos laboratórios da Umbrella, tendo sido largado em Racoon City apenas com um propósito: Assassinar os membros sobreviventes da equipa S.T.A.R.S. pois os mesmos sabiam demasiado sobre a Umbrella. Um pouco como Mr. X em Resident Evil 2, Nemesis irá aparecer várias vezes ao longo do jogo, sendo que neste Jill poderá combatê-lo (de forma a ganhar bons items) ou simplesmente fugir (e Nemesis poderá perseguir Jill).

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Nemesis em CG

A nível de jogabilidade, enquanto que o jogo mantém os infames “tank controls” (algo que só viria a ser mudado com RE4), mas no entanto introduz uma série de inovações neste campo. Foi o primeiro jogo a utilizar o esquema da volta rápida de 180º, algo que viria a ser utilizado nos jogos seguintes. Implementou também a possibilidade de a personagem poder-se desviar dos ataques inimigos, o que nem sempre resulta. Outra das inovações é o sistema de fabrico de munições. Sim, tal como misturar ervas em jogos anteriores, aqui é possível misturar tipos de pólvora para obter munições variadas, desde pistolas a granadas. Finalmente, este jogo tem também uma série de “quick-time events”, na medida em que em várias alturas do jogo surge no ecrã e escolha de duas decisões que Jill pode tomar, decisões essas que afectam o decorrer do jogo, podendo inclusivamente afectar o final do mesmo. Existe um tempo limite para a escolha que se for ultrapassado provoca danos na personagem ou até morte imediata. Ao defrontar Nemesis, se escolhermos combatê-lo (algo que eu tento fazer sempre), Nemesis recompensa-nos ao deixar vários items que não irão querer perder. Alguns items são partes de armas poderosas, caixa de kits de primeiros socorros, ou munição infinita para uma dada arma.

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Confronto com Nemesis

Passando para os gráficos, enquanto que no Resident Evil 2 não reparei em grandes diferenças, neste jogo os modelos já me pareceram melhores, pelo menos com menos bugs devido ao clipping. Os críticos dizem que o jogo foi inspirado na versão PC e Dreamcast, que já apresentava uns gráficos ligeiramente melhores. Ainda assim, não esperem nada muito acima do nível de uma Playstation, a sua plataforma nativa. Os críticos dizem também que esta conversão GC tem também um melhor framerate, a 60fps constantes, realmente notei que o jogo era fluído. As cut-scenes já têm uma melhor qualidade que as de Resident Evil 2, lembro-me perfeitamente de as ver pela primeira vez numa PS1 em 1999 e ficar espantado. A nível sonoro nada foi alterado face ao original. O voice-acting ainda é um pouco pobre e os restantes efeitos sonoros e músicas mantêm-se fiéis ao seu propósito, seja de manter uma atmosfera tensa, seja para alturas com mais acção, imprimir um ritmo mais explosivo.

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Mais zombies polícias para despachar!

A respeito dos extras, esta conversão para GC não traz nada a mais que as outras. Pelo contrário, até traz a menos, na medida em que alguns extras já estão desbloqueados à partida quer na versão Dreamcast quer no PC. Falo dos uniformes extras (através da Boutique key – desbloqueados consoante o ranking final após completar o jogo) e do minijogo Mercenaries. Este mino-jogo consiste em tomarmos o papel de um dos vários mercenários que aparecem no jogo principal e ir de um local A para o local B num determinado tempo. Tempo esse insuficiente, que pode ser aumentado ao matar inimigos, descobrir zonas secretas, resgatar pessoas, etc. Este mini jogo tem a vantagem de se poder desbloquear munição infinita a armas no jogo principal, consoante a pontuação obtiva. No melhor cenário é desbloqueado munições infinitas para todas as armas do jogo. Na Gamecube, o Mercenaries pode ser acedido tal e qual como a versão PS1, completando o jogo principal pelo menos uma vez. Um outro extra são os epílogos, que retratam o que aconteceu a várias personagens importantes ao longo da série até ao momento, como Chris, Claire, Barry, Ada Wong, entre outros, formando 8 no total. Cada epílogo destes é desbloqueado a cada vez que se completa o jogo principal, e isto é válido para todas as conversões.

Para concluir, Resident Evil 3 é considerado pelos fãs como um jogo com mais elementos de acção do que propriamente survival horror, o que se traduziu num jogo com menor popularidade face aos restantes. Em relação a esta conversão, eu só posso repetir o que disse anteriormente na análise ao Resident Evil 2 ou seja, só recomendo a sua compra a coleccionadores ou a pessoas que queiram ter os jogos clássicos apenas numa consola. As versões PS1 e Dreamcast costumam encontrar-se no mercado de usados a preços bem mais em conta e para quem tiver PS3 ou PSP pode comprar digitalmente a versão PS1.