Ghost Trick (Nintendo DS)

Ghost TrickGhost Trick é dos últimos grandes jogos que a Nintendo DS recebeu, já no início de 2011 por estas bandas. É um jogo de puzzle/aventura desenvolvido pela Capcom e possui um conceito bastante original e acima de tudo, muito bem executado. Já vi o Ghost Trick em promoção por várias vezes em diversas lojas em Portugal, mas foi só na última vez que o vi em promo, nas FNACs algures durante o ano passado que consegui arranjar a minha cópia. Custou-me 5€ e foi comprado na FNAC do Norte Shopping, se a memória não me falha.

Ghost Trick - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Este jogo começa com um homicídio. Aliás, dois. Acordamos como um espírito numa sucata sem quaisquer memórias do que se tenha passado, ao lado do cadáver de um tipo com o cabelo loiro pontiagudo todo fancy. Como espírito assistimos também ao homicídio de uma jovem ruiva por parte de um assassino contratado. Sem saber o que se passa somos contactados por Ray, um espírito que possui um velho candeeiro de escritório e nos conta que tal como a ruiva fomos assassinados naquela noite e, por algum motivo temos a habilidade de desempenhar uma série de “ghost tricks”, podendo viajar 4 minutos atrás no tempo da morte de alguém e depois manipular uma série de objectos de forma a tentar mudar-lhe o destino. E é isso que fazemos, descobrindo depois que esse assassinato era apenas a ponta de um icebergue repleto de conspirações, personagens enigmáticas e marcantes.

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Conheçam Sissel, o protagonista deste jogo que permanece misterioso até ao fim

Os puzzles assentam essencialmente em realizar estes ghost tricks, onde podemos alternar entre o plano da realidade e o plano dos espíritos. Neste último o tempo está parado e é aqui onde podemos viajar de objecto em objecto que esteja dentro de um determinado raio, podendo interagir com eles, desde coisas simples como abrir um guarda-chuva ou ligar uma luz, bem como podemos “possuir” o cadáver das vítimas recentes, onde poderemos falar com o seu espírito e descobrir como morreram, para depois as salvar. E esses puzzles são muito bem elaborados, onde a interacção com os objectos é crucial não só para evitar uma morte, mas também para nos levarem de um lado a outro do cenário em situações que de outra forma não seria possível. Mas como Sissel apenas pode possuir objectos que lhe estejam perto do seu espírito (sim, o nome da personagem principal é Sissel), a Capcom arranjou uma maneira inteligente de transportar o jogador entre cenários completamente distintos: o telefone. Sempre que vemos o telefone a tocar, em qualquer situação teremos de fazer todos os possíveis de possuir o telefone assim que possível. Para além de escutarmos a conversa entre os vários intervenientes, fica também estabelecida uma ligação que nos pode transportar directamente para o outro lado da linha.

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No plano dos espíritos, o tempo permanece estático e os objectos que podemos possuir ganham este relevo azul. As pessoas/cadáveres têm o relevo alaranjado.

Os primeiros puzzles vão sendo relativamente simples até porque teremos Ray a nos dar dicas de como prosseguir, mas à medida em que as coisas vão avançando esses puzzles começam a ficar bastante complexos, e o caminho a seguir nem sempre é óbvio, ou lógico. Existem situações em que à medida que vamos tentando prevenir uma morte descobrimos outra e depois lá teremos de arranjar maneira de prevenir ambas… e por vezes alguns puzzles apenas podem ser resolvidos nos últimos segundos! Mais lá para a frente poderemos também contar com a ajuda de um outro espírito e utilizar novos truques na jogabilidade. Este espírito para além de ter um raio de acção maior, ou seja, consegue mover-se entre objectos mais distanciados entre si, tem a habilidade peculiar de trocar objectos com a mesma forma. Por exemplo, se alguém estiver prestes a ser esmagado por uma rocha esférica, podemos trocar a rocha por uma bola inofensiva que esteja lá próximo.

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Sempre que desejarmos podemos reler as informações que temos sobre algumas personagens e locais.

E Ghost Trick tem uma grande variedade de cenários e personagens. Desde casas fancies, restaurantes, uma prisão de alta segurança mas com prisioneiros altamente improváveis, uma esquadra de polícia ou outros que não quero “spoilar”, Ghost Trick apresenta uma variedade muito agradável de ambientes e de personagens com carismas muito peculiares. O Inspector Canabella e a sua maneira estranha de ser, os prisioneiros e os próprios guardas prisionais que têm todos um parafuso a menos, o sempre leal mas doido cão Missile, enfim, o jogo está repleto de bons momentos. Mas a acompanhar estas personagens carismáticas estão os bons gráficos que nos são presenteados. Para os padrões de uma Nintendo DS e a sua baixa resolução, estes são provavelmente os gráficos 2D mais refinados existentes na consola. Para além dos cenários bastante detalhados e coloridos, as sprites das personagens são bem grandes e acima de tudo possuem uma animação tão fluída que é impossível não chamar à atenção. Infelizmente não existe qualquer voice-acting, com as emoções a serem representadas por efeitos sonoros, mas as músicas estão boas e adaptam-se bem à diferentes atmosferas que o jogo vai proporcionando.

No fim de contas acho este Ghost Trick um excelente jogo para a Nintendo DS. Penso que haja espaço para uma sequela e a Nintendo 3DS seria uma excelente plataforma para a receber. A jogabilidade e os puzzles são bastante originais e o jogo tem uma direcção artística que me agrada bastante, assim como a história que apesar de ir dando grandes voltas e reviravoltas parece-me estar muito bem pensada. O mesmo pode ser dito dos gráficos e repito-me: parecem-me mesmo serem os melhores gráficos em 2D que já vi a Nintendo DS a fazer.

Resident Evil Operation Raccoon City (PC)

Resident Evil Operation Raccoon CityA série Resident Evil foi recebendo vários jogos ao longo da sua existência, muitos deles spinoffs da série principal, contando histórias alternativas ou utilizando diferentes mecânicas de jogo. Com a série principal a evoluir para uma vertente puramente de acção e os acontecimentos de Raccoon City cada vez num passado mais longínquo, eis que a Capcom apresenta este Operation Raccoon City, um shooter na terceira pessoa com grande foco no cooperativo, passando-se nada mais nada menos na cidade de Raccoon, when the shit hitted the fan, ou seja, nos acontecimentos de Resident Evil 2 e 3. O jogo entrou na minha colecção algures durante o ano passado, tendo sido comprado na Mediamarkt de Alfragide por 10€.

Resident Evil Operation Raccoon City - PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Encarnamos num esquadrão de mercenários de elite ao serviço da Umbrella – a USS Delta Team, carinhosamente apelidada de Wolfpack, incumbida inicialmente com a missão de se infiltrar nos laboratórios de William Birkin, o autor do G-Virus introduzido no Resident Evil 2, obter as samples desse mesmo vírus e impedir que Birkin divulgue o T-Virus aos militares norte-americanos. Ao longo do jogo vamo-nos então cruzar-nos com várias personagens e locais que fizeram furor no Resident Evil 2 e 3, como William e Sherry Birkin, Leon, Claire, Ada, Hunk, Nicholai ou o infame Nemesis, que numa das missões teremos de o enfraquecer suficientemente para lhe injectar um parasita que devolve o seu controlo à Umbrella. Infelizmente a história apresenta alguns conflitos com a história da série principal, tornando este Operation Raccoon City em mais uma side-story o que é pena pois eu até acho que teria potencial para ser algo mais.

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Saber por onde temos de seguir é fácil, os indicadores vão aparecendo sempre no ecrã

Operation Raccoon City é então um shooter na terceira pessoa, onde podemos jogar com uma de 6 personagens com caracterísicas próprias numa esquadrão com 4 elementos. É sem dúvida um jogo mais pensado para se jogar cooperativamente, tal como Left 4 Dead, mas o seu resultado infelizmente não é o melhor, especialmente se quisermos jogar sozinhos, mas já lá vamos. As personagens consistem em 6 classes diferentes com habilidades passivas e activas que podemos evoluir com pontos de experiência ganhos à medida em que vamos jogando este Resident Evil. Bertha é a médica de serviço, capaz de carregar com mais Spray Kits, ou curar mais eficientemente os companheiros de equipa. Four eyes é a cientista do grupo, capaz de infectar e controlar inimigos com os vários virus da Umbrella ao seu dispor, Vector sendo a personagem mais stealth, capaz de se tornar invisível por algum período de tempo, Spectre é o espião de serviço, capaz de identificar items e inimigos num maior raio de visão e por fim temos Beltway, especialista em explosivos e Lupo, especialista em armas de assalto, líder do grupo e a minha personagem predilecta.

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Nos laboratórios da Umbrella temos sempre criaturas bonitinhas à nossa espera

Ao longo do jogo vamos tendo várias missões, cujo indicador do objectivo está sempre presente, pelo que avançar no jogo nunca traz dificuldade ao identificar o caminho a seguir, até porque os níveis são lineares e repletos de dead ends. Cada personagem pode carregar 2 armas, uma side-arm e uma arma principal, e ao longo do jogo vamos descobrindo sprays de primeiros socorros, sprays para curar infecções do T-Virus e uma série de diferentes granadas que podemos carregar num inventário naturalmente reduzido. Frequentemente temos de enfrentar enormes waves de inimigos, pelo que era bom que as mecânicas de jogo fossem boas. Sinceramente gostei bastante das personagens, desde as suas habilidades à própria estética dos seus uniformes e claro as suas personalidades, o que me deixa mesmo com pena de a jogabilidade ser mázinha. O jogo assenta muito nas mecânicas de cover, como muitos shooters modernos, mas infelizmente a sua execução não é a melhor. É frequente estarmos em cover quando não precisamos e o contrário. O balanceamento entre munições e o dano provocado nos inimigos é mau. Muitos inimigos são autênticas esponjas, precisando de muitas e muitas balas para finalmente serem derrotados. Se estivéssemos a falar de um boss ou algumas outras B.O.W da Umbrella então até seria compreensível, mas quando os lickers levam tanto tempo a morrer e as munições ficam algo escassas, algo não está bem. Isto para quem joga sozinho é ainda pior, pois a IA é incapaz de nos ressuscitar, para além de não ser lá muito inteligente no geral.

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Os zombies são as únicas criaturas que nos dão realmente a sensação de as nossas armas serem poderosas

Uma mecânica interessante é quando somos infectados pelo T-Virus, vamos perdendo vida gradualmente até nos curarmos com um spray apropriado para o efeito. Se não nos conseguirmos curar, morremos apenas para voltar à vida como zombie, inteiramente controlado pela IA, onde atacamos os nossos companheiros, forçando-lhes a que nos matem para depois nos ressuscitarem. O problema é que num jogo singple player eles não nos ressuscitam, lá teremos de recomeçar num checkpoint.

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Uma grande parte do jogo é também passada nas plenas ruas de Raccoon City, repletas de zombies

Para além do modo campanha, existem ainda outros modos de jogo mais competitivos. Duas variantes de team deathmatch – Team Attack, com uma equipa a jogar pelo Wolfpack e a outra pelo exército norte-americano, o Heroes, onde em cada equipa existirão algumas personagens “lendárias” mais poderosas (Hunk ou Leon, por exemplo), o Biohazard, uma variante de capture the flag, onde temos de encontrar várias amostras do G-Virus espalhadas aleatoriamente no mapa e trazê-las para a base e por fim o modo Survivor. Este modo é mais intenso, pois obriga às duas equipas lutarem freneticamente entre si de modo a garantir um lugar no limitadíssimo helicóptero de resgate.

Isto tudo para descrever genericamente o jogo, pois falando concretamente desta versão para PC, as coisas acabam por ser muito piores devido à fraquíssima conversão para PC. É um jogo muito mal optimizado, para além de utilizar o serviço Games for Windows Live, que já por si só não é muito bom devido aos bugs do mesmo. Mas é frequente que mesmo em bons PCs, o jogo apresente uma performance muito má, forçando o jogador a utilizar resoluções mais baixas para obter um framerate mais estável. Depois convém também dizer que foram muito preguiçosos ao converter toda a interface do jogo. Os menus foram pensados para quem utiliza um gamepad, e os próprios ícones que aparecem no jogo também. As teclas pré-definidas para muitas das acções são muito mal escolhidas, mas felizmente podem ser customizadas. Claro que quero com isto dizer que é dos poucos jogos para PC em que realmente aconselho a jogar com um gamepad, ou mesmo jogarem-no numa consola, se o jogo correr com problemas no vosso PC tal como no meu.

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Enfrentar várias waves de hunters tem sempre o seu nível de desafio

Posto isto, RE Operation Raccoon City é um jogo que na teoria poderia e deveria ser muito melhor do que o que realmente foi. O jogo tem algumas ideias muito boas, a campanha tem os seus bons momentos e gostei realmente da nossa equipa de mercenários. Mas as mecânicas de controlos, a fraca IA e algumas más decisões de design tornam o jogo bem medíocre, ainda para mais na versão PC com todos os seus problemas de performance, fruto de uma conversão apressada e preguiçosa. Ainda assim é daqueles jogos que por 10€ novo ainda dá para entreter, mas vou recomendando as versões para PS360 ao invés desta versão para PC. Esta versão corre no serviço Games For Windows Live que será descontinuado neste ano de 2014,tornando-o obsoleto e inútil para quem quiser jogar online. Até agora não existem notícias que a Capcom vai remover a componente GFWL do jogo e subsituí-la pela Steamworks como foi feito no Bioshock 2, por exemplo, mas não estou convencido que o façam. Existem ainda uma série de DLCs disponíveis, entre os quais uma outra campanha jogada pelos “bons da fita”, uma equipa das Spec Ops do exército norte-americano. Por muito interesse que venha a ter numa campanha dessas, recuso-me prontamente a dar mais dinheiro à Capcom que prefere lançar DLCs para o seu jogo em vez de corrigir os seus problemas de performance.

eXceed 3rd- Jade Penetrate Black Package (PC)

De volta para mais um shmup todo bullethell, logo implica mais uma rapidinha. eXceed 3rd – Jade Penetrate Black Package é o terceiro jogo da série eXceed, uma de várias séries “indies” japonesas, os chamados doujins, que tal como os anteriores tem como protagonistas meninas todas “cute” que certamente agradam a muitos quarentões barrigudos (kawaiiiiiiiiiiiii), mas a mim nem por isso. E também tal como os outros jogos é uma experiência completamente bullethell que apesar de ser bonito ver todas aquelas cores e efeitos no ecrã, um gajo tem mesmo de ter bastante perícia e paciência para aprender todos os padrões e sobreviver. Também tal como os outros jogos, foi comprado algures no ano passado num indiebundle, tendo-me custado muito pouco.

eXceed 3rdA primeira diferença que notamos face ao anterior é que a história leva um rumo diferente, deixando de lado o conflito entre vampirinhas e as gun bullet children, outras jovens raparigas com poderes especiais, utilizadas como armas numa ordem religiosa qualquer. Aqui a história continua sem ter grande interesse para mim, isto mesmo por causa de todos os “cute characters” que pessoalmente não acho muita piada. Desta vez as protagonistas são um híbrido entre dragões e demónios e a nossa personagem quer-se tornar uma espécie de líder lá do sítio, tendo para isso de derrotar outras meninas que pretendem o mesmo.

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Desta vez acho que os gráficos do jogo ficaram melhorzinhos

Mas o que interessa neste tipo de jogos não é a sua história mas sim a sua jogabilidade, e este jogo parece-me ser uma espécie de regresso às mecânicas do primeiro. Ficaram assim descartadas as mecânicas de dualidade de energias à lá Ikaruga, que tinham sido implementadas no eXceed 2nd. Aqui para além dos ataque normal, temos também as bombas, que podem ser disparadas automaticamente quando estamos prestes a perder uma vida, ou os ataques especiais, que só podemos lançar quando tivermos enchido uma barrinha de energia no fundo do ecrã. Ao longo do jogo podemos também ser recompensados com mais bombas ou outros “ajudantes”, que também atacam continuamente e o melhor de tudo, é fogo direccionado para os inimigos.

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Para quem gostar destas personagens todas cutxi cutxi, o artwork até pode ser bom

Para alem do resto, o jogo tem vários graus de dificuldade, para mim o easy é mais que suficiente, pois todos aqueles projécteis no ecrã ao mesmo tempo exigem mesmo muita paciência a decorar padrões e perícia a estar constantemente à procura do buraco da agulha. Graficamente é um jogo com backgrounds simples, como tem sido habitual. No entanto todos os efeitos de luzes e todos os projécteis no ecrã ao mesmo tempo dão um toque mais bonito à coisa. Mas por vezes exageram e a poluição visual é tanta que acabamos por nos perder no meio de toda aquela cacofonia visual e lá se vai mais uma vida à vida (no pun intended). O voice acting é algo que também não me diz muito e apesar de o jogo ter sido localizado (aparentemente pela Capcom), e os diálogos estarem todos traduzidos, durante o jogo vamos ouvir muitas falas em japonês que não sofreram qualquer tradução. As músicas é que vão sendo mais variadas e isso já me agradou. Desde cenas mais electrónicas, ou mais rock/metal com influências neoclássicas, isso já é bem mais a minha onda.

No fim de contas parece-me um shmup competente para quem gosta do género bullethell, o que não é o meu caso. Para os restantes, então o melhor é mesmo passar ao lado.

Satazius (PC)

Mais um dia, mais uma rapidinha de um jogo indie para PC. E isto só é rapidinha pois eu geralmente sou uma nódoa em shmups. Satazius é um jogo que me parece ser uma homenagem a Gradius, tanto no aspecto da nave, inimigos e cenários, a jogabilidade, e o sistema de selecção de armas. Produzido pelo estúdio Astro Port, e localizado pela Capcom, o jogo chegou-me à conta do Steam algures no ano passado, salvo erro no bundle Indie Gala de October, tendo-me custado uma ninharia como é habitual.

sataziusAo começar a aventura temos logo um ecrã de selecção de armas que vai reaparecendo antes de cada nível e após cada gameover. Para além de podermos seleccionar uma de várias armas principais, podemos escolher também duas secundárias, das quais podemos alternar sempre que quisermos ao longo do jogo. Essas armas secundárias geralmente consistem em modos de fogo para várias direcções, muito úteis em momentos mais apertados. Obviamente que também podemos escolher uma arma especial, bastante poderosa, mas que apenas a podemos utilizar ocasionalmente, quando a mesma estiver carregada, sendo bem utilizadas em lutas contra bosses. Ainda assim muitas destas armas estão bloqueadas ao início, sendo desbloqueadas à medida em que vamos progredindo no jogo.

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Os níveis vão tendo visuais variados, não sendo tudo no espaço sideral

Durante o jogo estas armas, bem como a velocidade da nave podem sofrer upgrades, bastando para isso recolher vários dos powerups que vão surgindo no ecrã. Estes upgrades vão-se mantendo de nível para nível, a menos que percamos uma vida, aí voltam atrás alguns níveis. Ainda assim, o jogo nos níveis de dificuldade mai baixa (easy/normal), não é assim tão desafiante e com um bocadinho de perícia e utilização inteligente das armas lá se vai avançando no jogo, até porque com as armas especiais basta um ou 2 disparos para arrumar com o boss. Nos níveis mais elevados de dificuldade o desafio vai sendo maior, mas pelo menos não é um bullethell como muitos outros shmups que se vêem por aí.

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E como manda a lei, os bosses impõe sempre algum respeito

Visualmente é nitidamente um jogo inspirado nos grandes clássicos da era 16-bit, nomeadamente o próprio Gradius. Temos níveis a decorrer em pleno espaço sideral, outros em cavernas ou bases tecnológicas. Bosses gigantes como não deveria deixar de ser, e com muitos ataques diferentes, forçando-nos a reconhecer os seus padrões de movimento. O jogo tem uns gráficos bem limpinhos, e permite jogar tanto em fullscreen como em modo janela, o que para mim neste género de jogos mais “retro” é preferível. A música adequa-se perfeitamente ao estilo de jogo, é um techno futurista bastante uptempo, ideal para toda a cacofonia que por vezes vai aparecendo no ecrã. No fim de contas parece-me ser um shmup que não reinventa a roda, mas para quem é fã do género, certamente irá encontrar algo que aprecie neste jogo.

U.N. Squadron (Super Nintendo)

UN Squadron De volta à máquina 16-bit da Nintendo para uma pequena análise a um shooter horizontal da Capcom. U. N. Squadron, conhecido no Japão como Area 88 e sendo uma adaptação de um manga do mesmo nome. É um jogo que surgiu pela primeira vez nas arcades durante o ano de 1989, tendo chegado à SNES algures no ano de 1991. A minha cópia chegou-me às mãos recentemente, através de um bundle que comprei a um colega de trabalho. De todos os jogos que faziam parte do pack, este era o que vinha em pior estado, com aquela enorme fita cola no meio da caixa. Ainda assim não acho que tenha sido mau negócio de todo, até porque nesse pack tinha também um certo Contra…

UN Squadron - Super Nintendo
Jogo completo com caixa, papelada e manuais. Pena a fita cola na caixa de cartão…

A história coloca-nos ao comando de 3 pilotos do UN Squadron, um esquadrão de batalha composto por mercenários bastante habilidosos, que tenta defender o seu país, o reino de Aslam, que foi tomado de assalto por um enorme grupo de mercenários e traficantes de armas, o Project4. Os membros do UN Squadron são então a última esperança de devolver a liberdade ao seu povo, e o resto não é difícil de imaginar. Podemos incialmente escolher jogar com um de 3 pilotos disponíveis: Shin Kazama, Mickey Scymon e Greg Gates, cada um com as suas habilidades próprias. Shin é o piloto que mais rapidamente evolui a arma principal, Mickey o que consegue carregar com mais armas especiais e Greg o que recupera mais rapidamente de dano sofrido.

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As 3 personagens com as quais podemos jogar

Pela esta última frase, já dá para entender que o jogo apresenta algumas mecânicas interessantes. A primeira é que para além de termos de escolher logo à partida o piloto, podemos também escolher o avião a utilizar. Cada piloto tem o seu avião por defeito, mas posteriormente poderemos “comprar” outros aviões com diferentes características, que poderão ser especialmente úteis em algumas missões. E sim, este é um jogo baseado em missões, onde podemos escolher que missão jogar através de um mapa. Assim sendo, não é um jogo tão linear como normalmente eles são. Mas para além de comprar aviões, antes de cada missão podemos também escolher que armas secundárias queremos levar, mas tal como os aviões, essas custam dinheiro. E como podemos ganhar dinheiro? Fácil, destruindo os inimigos. No final de cada missão se não tivermos utilizado todas as armas especiais que compramos anteriormente, o seu valor é restituído à nossa conta, no entanto também não podemos gastar dinheiro à toa, pois se perdermos uma vida, perdemos todo o dinheiro investido nessas armas.

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Ecrã de selecção de missões. Apenas podemos escolher combater os items que estão dentro do círculo mais claro, que vai aumentando à medida em que vamos progredindo

O sistema de dano também é interessante. Ao contrário dos 1-hit-kills tradicionais, aqui temos uma barra de energia. No entanto é frequente que mesmo com um hit a barra se esvazie por completo e basta mais um hit para perdermos uma vida, obrigando-nos a escolher a missão novamente. No entanto, se conseguirmos sobreviver durante algum tempo voltamos a recuperar parte da vida. Mas existem também diversos powerups que podemos encontrar ao destruir os inimigos. Uns restabelecem vida, outros munições das armas especiais que compramos para a missão, outros ainda aumentam o “Pow level”, que basicamente aumenta o dano infligido pela arma principal (que como sempre, tem munição infinita). Voltando às missões, para além das principais que resultam sempre num confronto com um boss, existem outras especiais, ou secundárias como lhes quiserem chamar, onde podemos destruir  pequenos “convoys” terrestres inimigos num curto intervalo de tempo, o que nos dá  bastante dinheiro por recompensa.

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No final de cada missão principal temos sempre um boss. Escolher as armas especiais adequadas já é meio caminho andado.

Graficamente acho um jogo bastante competente para a altura em que foi lançado. Apesar de os gráficos não serem o supra-sumo da SNES, são bastante coloridos e os backgrounds vão sendo também bastante variados. O mesmo se pode dizer dos inimigos e os próprios efeitos das armas especiais também são bastante bonitos. No entanto, tirando um ou outro efeito na apresentação do jogo, este não é daqueles jogos que abusa do mode 7 e as capacidades de sprite rotation que tanto populares foram na SNES. Talvez por ser um port de arcade. Ainda assim, o artwork das personagens e restantes NPCs que vamos vendo quer nos briefings quer na “loja” estão bastante bons, assim como as expressões faciais que vamos vendo dos pilotos ao longo fo jogo. Os efeitos sonoros são OK, cumprem bem o seu papel, já as músicas, bom isso é outra conversa completamente diferente. A Capcom no seu catálogo retro possui imensas músicas notáveis e a banda sonora deste jogo não é excepção. Não sei se vão buscar músicas ao anime Area 88, mas o que é certo é que as músicas deste jogo geralmente são muito rockeiras e bastante uptempo, o que em conjunto com o bom chip de som da SNES, temos aqui algumas faixas memoráveis.

Infelizmente o jogo não herdou o modo para 2 jogadores das arcadas, mas não deixa de ser um óptimo shooter para quem é fã do género. A SNES nem é propriamente conhecida por jogos deste tipo, pelo que U.N. Squadron, pela sua jogabilidade fora do vulgar e excelente apresentação audiovisual apresenta-se como uma óptima alternativa.