U.N. Squadron (Super Nintendo)

UN Squadron De volta à máquina 16-bit da Nintendo para uma pequena análise a um shooter horizontal da Capcom. U. N. Squadron, conhecido no Japão como Area 88 e sendo uma adaptação de um manga do mesmo nome. É um jogo que surgiu pela primeira vez nas arcades durante o ano de 1989, tendo chegado à SNES algures no ano de 1991. A minha cópia chegou-me às mãos recentemente, através de um bundle que comprei a um colega de trabalho. De todos os jogos que faziam parte do pack, este era o que vinha em pior estado, com aquela enorme fita cola no meio da caixa. Ainda assim não acho que tenha sido mau negócio de todo, até porque nesse pack tinha também um certo Contra

UN Squadron - Super Nintendo

Jogo completo com caixa, papelada e manuais. Pena a fita cola na caixa de cartão…

A história coloca-nos ao comando de 3 pilotos do UN Squadron, um esquadrão de batalha composto por mercenários bastante habilidosos, que tenta defender o seu país, o reino de Aslam, que foi tomado de assalto por um enorme grupo de mercenários e traficantes de armas, o Project4. Os membros do UN Squadron são então a última esperança de devolver a liberdade ao seu povo, e o resto não é difícil de imaginar. Podemos incialmente escolher jogar com um de 3 pilotos disponíveis: Shin Kazama, Mickey Scymon e Greg Gates, cada um com as suas habilidades próprias. Shin é o piloto que mais rapidamente evolui a arma principal, Mickey o que consegue carregar com mais armas especiais e Greg o que recupera mais rapidamente de dano sofrido.

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As 3 personagens com as quais podemos jogar

Pela esta última frase, já dá para entender que o jogo apresenta algumas mecânicas interessantes. A primeira é que para além de termos de escolher logo à partida o piloto, podemos também escolher o avião a utilizar. Cada piloto tem o seu avião por defeito, mas posteriormente poderemos “comprar” outros aviões com diferentes características, que poderão ser especialmente úteis em algumas missões. E sim, este é um jogo baseado em missões, onde podemos escolher que missão jogar através de um mapa. Assim sendo, não é um jogo tão linear como normalmente eles são. Mas para além de comprar aviões, antes de cada missão podemos também escolher que armas secundárias queremos levar, mas tal como os aviões, essas custam dinheiro. E como podemos ganhar dinheiro? Fácil, destruindo os inimigos. No final de cada missão se não tivermos utilizado todas as armas especiais que compramos anteriormente, o seu valor é restituído à nossa conta, no entanto também não podemos gastar dinheiro à toa, pois se perdermos uma vida, perdemos todo o dinheiro investido nessas armas.

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Ecrã de selecção de missões. Apenas podemos escolher combater os items que estão dentro do círculo mais claro, que vai aumentando à medida em que vamos progredindo

O sistema de dano também é interessante. Ao contrário dos 1-hit-kills tradicionais, aqui temos uma barra de energia. No entanto é frequente que mesmo com um hit a barra se esvazie por completo e basta mais um hit para perdermos uma vida, obrigando-nos a escolher a missão novamente. No entanto, se conseguirmos sobreviver durante algum tempo voltamos a recuperar parte da vida. Mas existem também diversos powerups que podemos encontrar ao destruir os inimigos. Uns restabelecem vida, outros munições das armas especiais que compramos para a missão, outros ainda aumentam o “Pow level”, que basicamente aumenta o dano infligido pela arma principal (que como sempre, tem munição infinita). Voltando às missões, para além das principais que resultam sempre num confronto com um boss, existem outras especiais, ou secundárias como lhes quiserem chamar, onde podemos destruir  pequenos “convoys” terrestres inimigos num curto intervalo de tempo, o que nos dá  bastante dinheiro por recompensa.

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No final de cada missão principal temos sempre um boss. Escolher as armas especiais adequadas já é meio caminho andado.

Graficamente acho um jogo bastante competente para a altura em que foi lançado. Apesar de os gráficos não serem o supra-sumo da SNES, são bastante coloridos e os backgrounds vão sendo também bastante variados. O mesmo se pode dizer dos inimigos e os próprios efeitos das armas especiais também são bastante bonitos. No entanto, tirando um ou outro efeito na apresentação do jogo, este não é daqueles jogos que abusa do mode 7 e as capacidades de sprite rotation que tanto populares foram na SNES. Talvez por ser um port de arcade. Ainda assim, o artwork das personagens e restantes NPCs que vamos vendo quer nos briefings quer na “loja” estão bastante bons, assim como as expressões faciais que vamos vendo dos pilotos ao longo fo jogo. Os efeitos sonoros são OK, cumprem bem o seu papel, já as músicas, bom isso é outra conversa completamente diferente. A Capcom no seu catálogo retro possui imensas músicas notáveis e a banda sonora deste jogo não é excepção. Não sei se vão buscar músicas ao anime Area 88, mas o que é certo é que as músicas deste jogo geralmente são muito rockeiras e bastante uptempo, o que em conjunto com o bom chip de som da SNES, temos aqui algumas faixas memoráveis.

Infelizmente o jogo não herdou o modo para 2 jogadores das arcadas, mas não deixa de ser um óptimo shooter para quem é fã do género. A SNES nem é propriamente conhecida por jogos deste tipo, pelo que U.N. Squadron, pela sua jogabilidade fora do vulgar e excelente apresentação audiovisual apresenta-se como uma óptima alternativa.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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