O outro artigo extremamente breve de hoje é a versão Dreamcast do Resident Evil, cujo jogo já foi aqui abordado na sua incarnação para a Gamecube que poderão ler na íntegra aqui. Esta versão para a Dreamcast foi comprada recentemente, num bundle de Dreamcast que lá me apareceu por 15€.
Jogo com caixa, manual e papelada
E então em que se difere esta versão da versão Gamecube? As únicas diferenças realmente visíveis é o facto do modo Mercenaries e os uniformes extra estarem desbloqueados logo de início, para além do que existem 2 uniformes extra que a versão Gamecube não tem. Para além disso, no gameplay, o VMU da Dreamcast serve para mostrar o estado de vida, algo útil que evita uma ida ao menu só para verificar isso. A outra possível diferença está nos gráficos. Há quem diga que a versão Gamecube, como sendo uma conversão directa da versão PS1, tenha gráficos ligeiramente inferiores aos da Dreamcast, mas sinceramente não notei grandes diferenças. São ambos superiores à versão PS1 no entanto, quanto mais não seja pela maior resolução.
Prevejo que esta vai ser uma semana bem complicada de trabalho, portanto vamos lá continuar com as rapidinhas. E a rapidinha de hoje é a conversão para Gameboy do jogo de luta mais famoso de sempre, o Street Fighter II. E naturalmente escusado será dizer que é uma conversão muito, muito aquém do lançamento original. Este meu cartucho foi comprado na cash converters de Alfragide por cerca de 2€.
Apenas cartucho
Todos nós conhecemos o Street Fighter II, e o quão importante este videojogo foi, por marcar definitivamente um padrão de um género de videojogos que ainda não tinha uma identidade muito própria. Excelente jogabilidade, gráficos, música, personagens bem diferentes entre si e carismáticas quanto baste tornaram o Street Fighter II num dos maiores sucessos de sempre das arcadas, com imensas revisões e conversões para outros sistemas e claro, com o seu sucesso deu-se uma explosão de fighting games, alguns meros imitadores, outros que ousavam em fazer algo diferente. E no meio dessa miríade de conversões, a Game Boy também recebeu uma versão já algo tardia, em 1995.
Mesmo com o downgrade gráfico, as arenas continuam inconfundíveis
Naturalmente é uma versão com alguns cortes, pois o hardware da Gameboy não é de todo o mais indicado para receber uma conversão fiel à arcade por várias razões. A primeira é a falta de botões necessários para se poder desencadear uma série de golpes. A maneira de diferenciar entre um soco/pontapé forte ou fraco depende do tempo que mantivermos o dedo a pressionar o botão respectivo, o que é algo que vai atrapalhar um bocado. A outra restrição óbvia é o ecrã monocromático deixando as personagens sem quaisquer uniformes alternativos. É possível por o Ryu a lutar contra outro Ryu, mas vão ser indistinguíveis no ecrã. Mas esta versão tem também mais cortes, como a não inclusão de algumas das personagens jogáveis como o Dhalsim, E. Honda e Vega.
Os modos de jogo disponíveis nesta versão
E se a nível de jogabilidade esta é uma versão que naturalmente deixa muito a desejar, o seu desempenho técnico também, com os movimentos das personagens a serem muito pouco fluídos. A nível gráfico propriamente dito a Gameboy faz o que pode. Os cenários são tão parecidos quanto possível aos originais, embora com menos detalhes. O design das personagens é inspirado nas sprites da versão Super Street Fighter II e as músicas, embora com um chiptune 8bit, mantêm a sua essência e continuam a ser bastante agradáveis. Sinto é a falta das vozes digitalizadas, e ouvir coisas como Sonic Boom ou Shoryuken!
Elenco reduzido na conversão para a Gameboy
Posto isto, esta para mim é uma versão do Street Fighter II que vale a pena mais pela curiosidade em ver o downgrade necessário para meter essa pérola a correr em hardware bem mais limitado. Isso ou se estiverem nalguma ilha deserta e as baterias da PSP ou Gameboy Advance já se tiverem esgotado.
O Commando foi um jogo interessante por parte da Capcom. Notavelmente influenciado por filmes como Rambo, esse era um daqueles primeiros jogos de acção em que sozinhos teríamos de defrontar um exército inteiro em cenários de guerra. O conceito pegou e naturalmente acabaram por surgir diversos imitadores, como Ikari Warriors, Jackal ou mesmo alguns jogos do próprio Rambo que acabaram por lhe seguir essas mesmas pegadas. Naturalmente a Capcom também não se deixou ficar quieta e mais tarde ou mais cedo lançam também este Mercs como uma sequela aprimorada. Das várias conversões existentes deste jogo, esta para a Mega Drive acaba por ser a mais interessante, pelas razões que irei referir ao longo deste artigo. Esta minha cópia, apesar de ser Genesis foi comprada cá em Portugal, tendo vindo de um bundle no OLX onde comprei 8 jogos de Mega Drive em caixa por 35€.
Jogo com caixa e manual, na sua versão americana
A história prende-se aos clichés habituais: o presidente norte-americano foi raptado aquando de uma visita a um qualquer país africano. Mas em vez de se envolver o exército por aparentemente desrespeitar tratados diplomáticos, o governo norte-americano decide antes contratar uma equipa de mercenários para que de forma “discreta” se possa resolver esse conflito. Sim, uma equipa até porque o lançamento original para arcade permitia multiplayer cooperativo de até 3 jogadores em simultâneo. Infelizmente na versão Mega Drive não tem qualquer multiplayer, sendo esse o seu principal defeito.
Aqui temos alguma liberdade de movimento, podendo explorar os níveis da forma como quisermos. Só não dá voltar para trás
De resto, Mercs tem também uma jogabilidade um pouco diferente de Commando. É quase um Contra com uma perspectiva diferente, ou mesmo um shmup com soldados em vez de naves espaciais ou aviões. Isto porque vamos tendo várias armas diferentes ao nosso dispor, desde a tradicional metralhadora, até lança-chamas, lasers ou mesmo o “spread shot” bem conhecido da série Contra. Para além disso, também existem outros power-ups que nos podem aumentar o poder de fogo, daí a minha comparação aos shmups tradicionais. Outras novidades estão também na eliminação do conceito de 1 hit kills, sendo o mesmo substituído por uma barra de vida, que inclusivamente pode ser regenerada caso encontremos power-ups para o efeito. A outra novidade está no facto de podermos conduzir alguns veículos como jipes, barcos ou tanques, o que torna a acção ainda mais interessante! E claro, para além das armas normais temos também as bombas que destroem todos os inimigos no ecrã, mas essas vêm em número limitado.
Estes caixotes podem conter uma grande variedade de itens… ou então barras de dinamite que explodem passado poucos segundos
Mas se por um lado a Sega teve o desplante de não ter introduzido a vertente multiplayer nesta conversão, por outro lado adicionaram um modo de jogo diferente, o “Original Mode”. Aqui os níveis são completamente redesenhados e algumas mecânicas de jogo alteram-se. Ao longo do jogo vamos encontrando tendas de campanha. Lá dentro temos uma loja onde poderemos trocar as medalhas que vamos encontrando no campo de batalha por power-ups, mas também poderemos encontrar outras personagens que podem ser recrutadas e jogáveis. Ao longo do jogo basta carregar no botão de pausa que poderemos alternar entre as diferentes personagens, sendo que cada uma dispõe de uma arma diferente. Os power ups que encontramos afectam apenas essa mesma personagem, pelo que temos de ter alguma estratégia ao apanhá-los. Não vale a pena apanhar um powerup de dano para a arma quando a mesma já está no máximo. Mais vale mudar para outra personagem, apanhar esse power-up e mudar de volta para a personagem anterior caso desejemos.
A tal loja que vamos encontrando no Original Mode
A nível de audiovisuais já nos sistemas arcade este jogo era um salto bem grande face ao Commando original. Notoriamente 16bit, o jogo apresentava umas sprites bem detalhadas, em níveis igualmente detalhados e bastante coloridos. As sprites gigantes para os bosses eram um eye candy e felizmente não houve grandes perdas de qualidade nesta transição para a Mega Drive, com os gráficos a ficarem muito próximos da versão arcade. As músicas são também bem inspiradas, acho que neste campo tanto a Capcom como a Sega fizeram um bom trabalho.
A apontar de negativo nesta conversão só consigo mesmo fazê-lo à falta da vertente multiplayer, nem que fosse para 2 jogadores apenas. De resto o Mercs é um óptimo shooter para quem gostar do género e esta conversão para a Mega Drive tecnicamente saiu muito bem na fotografia. O modo original foi sem dúvida uma adição muito benvinda e quase que faz esquecer a falta de multiplayer. Existe também uma conversão deste jogo para a Master System, que acabou por sair mais ou menos na mesma altura, tal como a Sega o fez com outros jogos da Capcom na mesma época (Strider, Ghouls ‘n Ghosts, Forgotten Worlds), estou algo curioso em ver como seria a versão Master System deste Mercs, mas esta versão enche-me as medidas.
Resident Evil: Survivor é o primeiro spin-off da série principal, saindo ainda para a primeira Playstation. E se a subsérie “Gun Survivor” que também abrange um spin off da série Dino Crisis já deu aqui o ar da sua graça com o Resident Evil Dead Aim, sempre tive curiosidade em experimentar o primeiro e quando o vi incompleto e em mau estado na feira da Ladra em Lisboa por cerca de 1€ decidi-o levar na mesma. Obviamente que um dia que o jogo me apareça à frente em melhores condições será substituído. Update: O que acabou por acontecer recentemente, com o meu amigo Ivan Cordeiro a oferecer-me um extra que tinha por lá, embora sem manual. Muito obrigado!
Jogo com caixa
Os acontecimentos deste jogo decorrem não muito tempo depois dos acontecimentos dos Resident Evil 2 e 3, onde Raccoon City acabou por ser dizimada para conter a sua epidemia zombie. O local desta vez é uma ilha solitária no meio do oceano, com mais uma base de laboratórios da Umbrella onde as coisas correm mal e um novo surto do T-Virus é lançado sobre a população. O nosso personagem acorda nessa ilha após um acidente de helicóptero, amnésico e sem saber onde está, é levado a acreditar que o seu nome é Vincent, que mais tarde se vem a saber que Vicent era o líder da Umbrella nessa ilha, um homem cruel e impiedoso que não olhava a meios em sacrificar humanos para as suas experiências biológicas. O costume vindo da Umbrella! É uma história simples, mas sinceramente não precisaríamos de muito mais para um jogo light gun, basta ver os primeiros The House of the Dead.
Brains?
No entanto este não é um simples jogo light gun, como o The House of the Dead, Virtua Cop ou Time Crisis. Vai buscar outros elementos aos Resident Evil clássicos na medida em que nos podemos movimentar livremente, apanhar itens, interagir com os itens que apanhamos e com o cenário de forma a progredir no jogo. É essencialmente um first person shooter com suporte a uma light gun. E se o jogo tiver uma história simples e previsível por mim pode não ser algo assim tão mau, a jogabilidade acaba por ser crítica num jogo destes. E ao preferirem fazer algo mais fiel aos Resident Evil originais do que um mero light gun shooter on rails como The House of the Dead acabam por tornar este jogo mais frustrante de ser jogado com uma light gun, pois obriga-nos a mover a pistola para fora do alcance da TV de forma a nos movimentarmos, e movê-la para a TV para dispararmos. Assim sendo acabo por preferir usar o esquema de controlo com o gamepad apenas, embora mesmo assim os controlos não são tão bons como se fosse um FPS a sério, como um Quake 2, por exemplo, pois obriga-nos a alternar o uso do direccional para movimento ou para mirar com a arma. Falando nas armas, temos vários revólveres com munição infinita que poderemos vir a utilizar, mas armas mais poderosas como a shotgun, magnum ou lança granadas têm munições mais escassas e são melhor utilizadas nalguns inimigos específicos como um ou outro boss ou algum hunter mais chato lá na recta final do jogo.
Parecem, mas não são mergulhadores… são mais umas tropas de elite ao serviço da Umbrella
De resto este Gun Survivor é um jogo curto, tanto que até nem podemos fazer save da nossa posição – apenas do armamento que possuímos, no entanto apresenta várias secções com caminhos alternativos que poderemos tomar, aumentando assim um pouco o seu factor de replayability. Graficamente é um jogo competente, mas temos de ter em consideração que, por ser jogado na primeira pessoa, os cenários não são pré-renderizados como nos Resident Evil clássicos, mas sim completamente poligonais, daí parecerem piores que os jogos anteriores da série, no entanto até que acho que os zombies e outras criaturas fofinhas como os hunters e lickers estejam bem detalhados. A música vai-se adaptando à atmosfera do jogo, sendo mais mexida em alturas com mais acção e tensa quando deve ser. Já o voice acting é horrível, infelizmente.
Nem todas as armas têm munição ilimitada, só os revólveres, excepto a Magnum.
No fim de contas, para mim jogar um Resident Evil inteiramente na primeira pessoa sempre tinha sido algo que gostaria de fazer, tanto como um light gun shooter puro e duro que nem o The House of the Dead, ou algo mais ao estilo FPS clássico. Infelizmente a Capcom decidiu misturar as duas coisas e ainda outras dos Resident Evil clássicos, resultando numa jogabilidade que tinha potencial (e obrigação) de ser melhor. Mas não acho que seja um jogo mau de todo e com alguma práctica até se joga bem.
Mais uma super rapidinha a um jogo de ZX Spectrum do qual eu gostaria muito de possuir uma outra versão na minha colecção, visto esta não ser das melhores. Por um lado, as limitações naturais impostas pela plataforma, mas por outro pois apesar desta conversão ter o selo da Elite, não é dos trabalhos mais felizes deste histórico estúdio britânico. O meu exemplar, ao contrário do Ghouls ‘n Ghosts, é mais uma das cassetes do mercado cinzento português e custou-me 1€ no mês passado na feira da Vandoma no Porto.
Jogo na sua versão “mercado cinzento”
Este é o primeiro jogo da série “Makaimura”, onde encarnamos no cavaleiro Arthur, com a missão de resgatar a sua donzela que tinha sido raptada por forças do inferno. Somos então obrigados a atravessar vários locais tenebrosos, como cemitérios, ruínas, castelos e cavernas, sempre com monstrinhos como zombies, feiticeiros ou diabretes a atravessarem-se no nosso caminho. Tanto o original de arcade como a conversão NES são jogos de plataformas muito difíceis, repletos de inimigos, obstáculos para ultrapassar e a cada vida que percamos teremos de recomeçar a acção no início do segmento actual.
Gráficos simplistas, é verdade, mas prefiro estes segmentos monocromáticos do que misturas estranhas de cores.
Aqui infelizmente temos apenas 3 níveis, mas tudo o resto das mecânicas básicas de jogo se mantém. Ao primeiro choque com um inimigo Arthur perde a sua armadura e é obrigado a continuar apenas com as suas boxers vestidas e se sofrermos mais um golpe em seguida transformamo-nos num esqueleto e lá perdemos uma vida. Para atacar começamos inicialmente com um número ilimitado de lanças para atirar, mas poderemos encontrar outras armas com diferentes modos de ataque, como as bombas lançadas em arco com splash damage, ou as faquinhas mais rápidas. A jogabilidade em si pareceu-me sólida, embora a falta dos restantes níveis seja uma lacuna grande.
Como sempre, um boss no final do nível.
No que diz respeito aos audiovisuais, como seria de esperar esta é uma adaptação com uma paleta de cores muito reduzida, mas quanto a isso não há muito a fazer e é algo que já se tem de contar ao jogar algo do pequeno grande computador da Sinclair. As sprites em si, bem como os backgrounds parecem-me bem detalhadas tendo em conta a falta de cores, mas no que diz respeito ao som, esta é outra grande falha do jogo. Não há música, nem sequer no ecrã título e os efeitos sonoros do jogo não são nada do outro mundo. No fim de contas, apesar de ser um jogo que nem se joga nada mal, fica a sensação no ar que a Elite poderia e deveria ter feito muito mais. A aguardar que me caia às mãos um dia destes a versão NES…