Depois do sucesso de X-Men: Children of the Atom, a Capcom continuou a apostar em jogos de luta com personagens da Marvel, tendo lançado no ano seguinte nas arcades este Marvel Super Heroes, que possui um maior leque de super heróis e super vilões com que poderemos jogar. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias no final de 2017, sinceramente já nem me recordo bem por quanto mas sei que foi por menos de 5€. Pessoalmente preferia encontrar a conversão para a Sega Saturn, mas por esse preço não o iria deixar lá ficar.
Jogo com caixa e manual
Como referi acima aqui podemos escolher diferentes personagens jogáveis, algumas do mundo X-Men como é o caso de Wolverine, Psylocke, Juggernaut e Magneto, De outras séries temos o Hulk, Capitão América, Spider Man, Iron Man entre outros, incluindo os bosses desbloqueáveis Dr. Doom e Thanos, que serve como o principal antagonista do jogo. Ora no que diz respeito à jogabilidade, esperem por um jogo de luta intenso, com especial foco nos sistemas de combos e com todas as personagens a possuirem ataques especiais e visualmente muito apelativos. Para além da barra de vida temos em baixo a barra do special, que se vai enchendo à medida que vamos atacando, sofrendo dano, ou usar ataques especiais nos nossos oponentes. Quando a barra estiver cheia poderemos usar uma série de golpes ainda mais poderosos, ou no caso da maioria das personagens, podemos evoluir essa barra de specials ainda mais para desbloquear alguns ataques ainda mais desvastadores.
Combos, counters e outros eventos especiais como desferir o primeiro ataque não só contribuem para a pontuação bem como encher a barra de special mais rapidamente
Mas o que este Marvel Super Heroes trouxe mesmo de diferente foi o seu sistema de gems, pedras preciosas que poderemos adquirir ao longo dos combates e que nos permitem ganhar algumas habilidades temporárias assim que as activarmos. Temos pedras que nos deixam regenerar parcialmente a nossa barra de vida, outras que nos fortalecem o poder de ataque, outras a defesa, outras que nos deixam temporariamente mais rápidos, etc. É um sistema interessante, mas pode soar um pouco injusto, pelo que no modo versus há a possibilidade de o desactivarmos de todo. Ah, e já que refiro o modo versus, bom aqui é mesmo só isso e o modo arcade, não existe qualquer outro modo de jogo adicional, infelizmente.
Graficamente possui sprites muito bem detalhadas
No que diz respeito aos audiovisuais, é um jogo bem detalhado como já o X-Men Children of the Atom o foi. As arenas possuem um bom nível de detalhe sendo bastante variadas entre si, cada uma alusiva ao universo de cada lutador disponível. As arenas possuem também muita verticalidade, pois algumas personagens são bastante ágeis e conseguem saltar bastante alto, permitindo alguns combos aéreos também. As sprites, pelo menos no caso dos X-Men são semelhantes ao Children of the Atom, sendo especialmente impressionantes nas personagens de maior porte, como é o caso de Hulk ou Juggernaut. As músicas são igualmente agradáveis, embora não tenha nenhum tema tão memorável quanto os clássicos Street Fighter II.
Cada personagem possui um leque bastante amplo de ataques visualmente apelativos
No geral parece-me ser uma conversão competente do original arcade, embora a versão Saturn seja mais fluída e aparentemente possua mais frames de animação nas personagens, principalmente se usarmos uma das expansões de memória RAM da consola. Estas acabaram por não sair oficialmente fora do Japão (não confundir com as expansões de ROM usadas por alguns jogos como o King of Fighters 95), mas caso tenham um, um Action Replay ou mesmo um PseudoSaturn Kai, a versão europeia do Marvel Super Heroes reconhece a memória adicional e usa-a. Na Playstation não temos nenhuns desses floreados, mas a menos que sejam puristas do género, as perdas não são assim tão incomodativas.
Nos memes actuais, são muito comuns as referências ao anime JoJo. É uma série que tem vindo a ganhar cada vez mais popularidade no ocidente, apesar de já existir na forma de manga desde a década de 80. Os seus videojogos, pelo menos fora do Japão, têm sido algo escassos, sendo que no final da década de 90 a Capcom aproveitou a franchise para lançar mais um dos seus inúmeros jogos de luta em 2D nas arcades, tendo sido convertido posteriormente para sistemas como a Playstation e Dreamcast. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, tendo vindo como new old stock numa loja no Porto. Custou-me 5€.
Jogo com caixa e manuais
Nunca li nem vi os mangas/anime JoJo, mas aparentemente seguem a linhagem da família Joestar no seu confronto contra Dio, um vampiro. Mas ao contrário da família Belmont que está munida de chicotes, aqui todas as personagens possuem poderes psíquicos, onde invocam um espírito que luta a seu lado e lhes pode conferir poderes especiais, como manipulação de elementos como água e vento, ou mesmo parar o tempo, no caso de Dio. Este Bizarre Adventure da Dreamcast possui na verdade não um mas sim dois jogos diferentes. A primeira versão arcade produzida pela Capcom era conhecida como JoJo’s Venture sendo que lançaram posteriormente uma actualização, com mais personagens jogáveis, mais arenas, mais golpes e possivelmente alguns balanceamentos na jogabilidade. Aqui podemos jogar ambos os jogos, onde para além do modo versus para 2 jogadores e o modo história/arcade, teremos também a possibilidade de jogar o modo Survival onde teremos de enfrentar oponentes em seguida até ao máximo que conseguirmos aguentar.
Alguns dos poderes especiais são mesmo muito extravagantes
A nível de jogabilidade, os botões faciais do comando da Dreamcast servem para desferir golpes ligeiros, médios e pesados. O botão que sobra serve para activar ou desactivar o stand, ou seja o nosso espírito/familiar que nos acompanha. Dependendo da personagem, o stand pode acompanhar-nos nos combates, lutando lado a lado, substituindo completamente a personagem principal, ou assumindo a forma de armas. Para além da barra de vida de cada lutador, abaixo vemos a barra de vida dos stands, cuja vai regenerando sempre que os desactivemos. O ritmo de jogo pode ser frenético principalmente quando activamos os stands, pois nessa forma já conseguimos despoletar uma série de combos e golpes especiais. Não tendo os stands disponíveis, as personagens também são um pouco mais vulneráveis, pelo que teremos de optar por uma jogabilidade mais contida. Antes de começarmos cada partida podemos optar por jogar no modo normal ou easy. Este último é bom para practicar, pois simplifica alguns golpes e combos, mas por outro lado não podemos desencadear alguns dos golpes mais poderosos. Para practicar a sério existe um modo de jogo para esse efeito.
Como a Capcom nos tem vindo a habituar desde os Darkstalkers e a série Versus, a acção pode ficar mesmo muito intensa
No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo desenvolvido originalmente no sistema CPS3 da Capcom, o mesmo usado nos Street Fighter III que acabaram mais tarde por serem convertidos para a Dreamcast. Portanto possui sprites em 2D muito bem detalhadas e animadas, já as arenas são algo estáticas, mas não deixam de ser bonitas. Se jogarmos o modo história/arcade, entre cada combate vamos vendo cutscenes que contam a história do ponto de vista da personagem escolhida. Nunca vi o anime, pelo que não sei o quão fidedignas estas histórias são, mas se escolhermos um dos bons da fita, a maneira como a história se desenrola acaba por ser muito semelhante no final. Já se escolhermos um dos vilões, as coisas acabam por não correr muito bem para os heróis. Mas as cutscenes até que são consideráveis para um jogo de luta, pelo que foi uma agradável surpresa. Aparentemente a conversão da Playstation inclui ainda um Super Story Mode, que parece ser ainda melhor, é pena que não chegou a este port. No que diz respeito ao som, bom ouvimos muitas frases em japonês como não poderia deixar de ser. As músicas confesso que estava à espera que fossem um pouco mais memoráveis, mas não são más de todo.
Portanto este JoJo’s Bizarre Adventure acaba por ser mais um bom jogo de luta da Capcom e confesso que até me deixou com vontade de ver o anime um dia destes. É uma pena que o jogo não tenha tido tanto sucesso assim, pois depois deste fighter foram feitos uns jogos para a PS2 que até me pareceram bastante interessantes, mas ficaram-se pelo Japão apenas. Na PS3 e PS4 porém surgiu mais uma dupla de fighters, e estes já sairam no Ocidente, embora a Capcom já nada tenha a ver com os mesmos. A ver se lhes dou uma oportunidade um dia que os encontre no preço certo.
Nos anos 90, e após o lançamento de Street Fighter II que revolucionou todo o panorama dos videojogos nas arcades, mas também em casa, a Capcom não se cansou de lançar updates e sequelas de Street Fighter, bem como novas séries de jogos de luta como foi o caso de Darkstalkers. X-Men Children of the Atom é também um jogo muito importante na medida em que não só conseguiram assegurar o licenciamento para um videojogo de luta de uma das franchises mais populares da Marvel, como o sucesso do jogo serviu para abrir portas a mais videojogos de luta da Marvel e imensos crossovers que lhe seguiram. A Sega Saturn foi uma das contempladas com uma versão caseira deste jogo, sendo que a minha cópia foi comprada algures em Setembro deste ano, na loja Mr. Zombie, por 22€.
Jogo com caixa e manual
Neste jogo podemos optar por jogar com 6 dos X-Men, como Cyclops, Psylocke, Wolverine ou Storm, bem como 4 vilões, como o caso de Silver Samurai, uma Sentinela ou a Spiral. Tanto um grupo como o outro acaba por defrontar o Juggernaut e Magneto nos dois últimos combates, tantando travar mais um dos seus planos. Akuma, do universo de Street Fighter é uma personagem secreta que pode ser desbloqueável.
O casting de personagens é ainda reduzido
Tal como Super Street Fighter II ou Darkstalkers, este Children of the Atom é um jogo de luta mais frenético, com grande ênfase nos combos e golpes especiais, que podem ser desbloqueados à medida que vamos enchendo a barra dos specials, aqui apelidada de X-Power, onde cada personagem possui diferentes habilidades e poderes mutantes, como os raios vermelhos de Cyclops, a habilidade de voar da Storm, ou mesmo a possibilidade de auto regeneração do Wolverine. As arenas em si são agora muito mais verticais, pois cada mutante salta bastante alto e algumas arenas possuem diferentes níveis inclusivamente. A nível de controlos as coisas são simples, com os 6 botões faciais do comando da Saturn a servirem para socos e/ou pontapés fracos, médios e fortes, os botões de cabeceira a servir para saltar a grandes alturas ou correr, e o d-pad a servir também para fazer throws ou defender dos golpes inimigos. Depois claro que cada personagem possui diferentes golpes especiais e combos que convém que aprendamos!
Personagens grandes, boas animações, cenários muito bem detalhados. A CPS2 era mesmo uma maravilha!
A nível de modos de jogo, para além do arcade temos como seria de esperar um versus para dois jogadores. Para além desses dois modos de jogo temos ainda um Survival, onde teremos de enfrentar uma série de oponentes de forma aleatória, até perdermos um combate e com a nossa vida a regenerar apenas um pouco entre combates. Temos também o Group Battle, mais uma vertente multiplayer que nos permite formar equipas e combater entre as mesmas.
A nível audiovisual é um jogo bastante competente. Os lutadores estão muito bem detalhados e animados, algo que se vai mantendo habitual nos fighters baseados no sistema CPS2 que lhe seguem. As arenas são grandes e muito bem detalhadas também, como a Danger Room que vai mudando a sua temática, uma fábrica de sentinelas, a nave espacial de Magneto, entre outros. É por estas razões que sempre gostei destes fighters 2D, pelos seus visuais excelentes e arenas bem detalhadas! As músicas são também bastante agradáveis, tendo geralmente uma toada mais rock que pessoalmente me agrada mais. De resto aparentemente esta versão Saturn corta uns quantos frames de animações devido à pouca memória disponível no sistema, algo que foi posteriormente corrigido noutros fighters que possuem expansões de memória. Sinceramente não me incomoda assim tanto, acho esta uma boa conversão também, sem dúvida melhor que a da Playstation que inclusivamente foi lançada mais tarde.
Confesso que não conhecia estes vilões, nem a Spiral!
Portanto estamos perante um óptimo fighter 2D, o primeiro que abriu as portas à Capcom para todas as sequelas e crossovers que foi lançando nos anos que lhe seguiram. A ver como ficou o Marvel Super Heroes em breve!
Antes de ser a própria Capcom a trabalhar directamente em jogos para a Mega Drive, como aconteceu no Street Fighter II, por exemplo, era a Sega que obtinha as licenças para converter alguns dos seus clássicos arcade, o que aconteceu com Strider, Ghouls ‘n Ghosts e este Forgotten Worlds. Estes 3 jogos foram convertidos em versões 16 e 8bit, não deixando a Master System de fora. O meu exemplar foi comprado no mês de Setembro, onde fui a Paris em trabalho e lá consegui arranjar umas horas para visitar as lojas de Boulevard Voltaire, onde este jogo me custou 10€.
Jogo com caixa
Forgotten Worlds é um interessante shmup com as suas origens nas arcades, decorrendo num futuro pós apocalíptico onde a raça humana foi quase extinta devido a uma ameaça misteriosa que invadiu o planeta. O futuro da humanidade fica então a cargo de dois super-soldados criados pelos humanos que irão sozinhos efrentar Bios, o tal “deus” invasor.
Graficamente o jogo não está nada mau para uma plataforma 8bit
Ora no original arcade para além de controlarmos a posição da nossa personagem com um joystick, existia também uma track-ball que nos permitia apontar as armas em 360º. A jogabilidade obrigava-nos então a ter reflexos rápidos não só para nos desviarmos dos inimigos e seus projécteis, mas a usar também a bola para apontar aos inimigos. Na Master System por acaso existe um comando com uma track ball, mas ficou-se apenas pelo Japão e mesmo assim, para este jogo o ideal seria um duplo analógico como temos hoje em dia. Portanto nesta versão, que infelizmente é single player apenas, a nossa personagem dispara automaticamente, sendo que o D-Pad controla a posição e os botões 1 e 2 controlam a rotação, fazendo a mira rodar no sentido dos ponteiros do relógio ou ao contrário.
Ocasionalmente podemos entrar em lojas e comprar uma série de power ups com os créditos que vamos amealhando
Ao destruir os inimigos vamos poder apanhar moedas, dinheiro esse que pode ser gasto ao visitar certas lojas que vão surgindo ao longo dos níveis. Aqui temos um tempo limite para fazer compras, que podem ser novas armas, itens regenerativos para a nossa barra de energia, armaduras melhores que aguentam com mais dano, ou as Cluster Bombs, bombas que causam dano em todos os inimigos no ecrã em simultâneo. Na versão Master System, no entanto, teremos de pressionar os botões 1 e 2 em simultâneo para activar estas bombas. A jogabilidade é então relativamente simples, mas exige muita práctica para controlar efectivamente a nossa personagem, onde para além de nos preocuparmos em desviar dos inimigos e seus projécteis, devemos também apontar-lhes em cheio.
Entre cada nível vamos tendo também algumas cutscenes, pena que nesta versão o segundo herói seja completamente esquecido.
A nível audiovisual, bom estamos perante uma conversão modesta, visto que o original arcade corre num sistema bem mais poderoso. Infelizmente não dispomos de todos os níveis na versão Master System, mas os que existem estão bem detalhados perante as limitações da consola. Percorremos cidades em ruína e outras localizações mais futuristas, culminando sempre num confronto contra um boss que tipicamente estão bem detalhados mesmo nesta versão 8bit, se bem que a custo de se perder todos os cenários de fundo enquanto o combatemos. Algo que é habitual em shmups 8bit. Já as músicas, bom, essas sinceramente não gostei. Não sei se já as músicas originais arcade não sejam grande coisa e a conversão directa também não ajudou, ou se a Sega resolveu inventar. Seja como for, infelizmente o resultado fica aquém do desejável.
Portanto, este Forgotten Worlds é um interessante shmup, um que já há muito gostava de ter na colecção. É louvável a Sega ter mantido o suporte para a Master System e trabalhado numa conversão que se adivinhava algo difícil e o resultado não é nada mau de todo. Ainda assim gostava um dia de ter também a versão Mega Drive que é mais fiel ao original. Ou a PC-Engine, mas isso são outros campeonatos.
A série Mega Man é uma daquelas que um dia gostaria de detalhar com mais atenção. Desde o primeiro jogo lançado em 1987 para a NES, a série foi evoluindo em múltiplas outras subséries ao longo dos anos culminando em dezenas e dezenas de títulos diferentes. Se bem que há cerca de 10/15 anos atrás o ritmo de novos lançamentos tem abrandado ou mesmo estagnado, talvez pela Capcom ter exagerado um pouco nos seus lançamentos, mas nos últimos anos vamos vendo um ressurgimento gradual de certas séries clássicas dentro do universo Mega Man, incluindo várias compilações (digitais) das séries mais bem conceituadas. Este Zero Collection é então uma compilação física para a Nintendo DS de todos os Mega Man Zero que haviam sido lançados anteriormente para a Gameboy Advance. O meu exemplar foi comprado a um outro coleccionador algures no início do Verão deste ano, tendo-me custado 10€ e é a versão norte-americana.
Jogo com caixa, manual e papelada
Sendo esta uma compilação e visto que será algo difícil para mim encontrar os 4 lançamentos originais para a GBA por um valor relativamente baixo, vou aproveitar este artigo para abordar separadamente cada jogo da série. O primeiro Mega Man Zero foi lançado originalmente em 2002 para a Gameboy Advance, decorrendo cerca de 100 anos após os últimos desenvolvimentos da saga Megaman X. Tem como protagonista o andróide Zero, que tinha sido introduzido precisamente na série anterior, tendo sido ressuscitado por um grupo de outros andróides, aqui chamados de Reploids que formam um movimento de resistência ao grupo Neo Arcadia. Esse grupo, supostamente liderado pelo Mega Man X, havia lançado uma campanha de terror contra todos os outros reploids, assumindo que todos fossem mavericks – basicamente robots maus.
Zero é como se fosse um ninja, super ágil e equipado de uma espada mortal
O jogo em si é uma evolução das mecânicas de jogo dos Mega Man X. Temos a base da resistência que podemos explorar livremente, e inclusivamente falar com outros NPCs, algo necessário até para desbloquear novos power ups. Mas o resto do jogo é à base de missões, algumas delas onde até temos alguma liberdade de escolher qual a ordem que as queremos jogar. Aqui temos também alguns elementos RPG, pois inicialmente Zero está equipado do seu sabre e pistola, mas posteriormente poderá desbloquear novas armas. E quanto mais as usarmos, as armas vão subindo de nível, adquirindo novas habilidades. Podemos ainda equipar as armas com factores elementais como fogo ou electricidade, sendo que há bosses que são resistentes (ou até imunes) a alguns elementos, mas em contrapartida são fracos perante outros). Para além disso, ao longo do jogo poderemos encontrar uma série de Cyber Elfs, estes são pequenas criaturas cibernéticas que podem ser equipadas na nossa personagem, conferindo-lhe algumas novas habilidades temporárias ou permanentes. Coisas como aumentar a nossa barra de energia, tornar todos os inimigos mais lentos, são algumas das habilidades introduzidas por estas pequenas criaturas, que por sua vez têm de ser alimentadas pelos cristais de energia que vamos encontrando. De resto, para além deste piscar de olho aos RPGs, Mega Man Zero é na sua essência um sidescroller 2D, bastante frenético até porque Zero é um andróide bem ágil, podendo saltar entre paredes e fazer slides pelo chão, o que resulta numa jogabilidade bastante rápida se assim o entendermos.
Tal como nos Megaman X, a narrativa é bem elaborada ao longo de várias cutscenes
A nível audiovisual, tanto este jogo como toda a série, é bastante consistente, exibindo gráficos 2D bastante detalhados, com óptimas animações (principalmente quando cortamos os robots inimigos ao meio, algo que foi até censurado nos lançamentos ocidentais). Os níveis vão sendo algo variados, desde grandes instalações futuristas, passando até por cidades em ruínas (o tema da série é algo pós-apocalíptico) ou desertos. As músicas são também bastante agradáveis e com um ritmo acelerado, o que se adequa perfeitamente ao estilo de jogo.
Alguns antagonistas irão marcar a sua presença em vários jogos
Um ano depois, a Capcom lançou a sequela Mega Man Zero 2. A nível audiovisual mantém os mesmos padrões elevados do primeiro jogo, já no que diz respeito à jogabilidade, algumas coisas foram alteradas. Uma das armas extra é a nova Chain Rod, um gancho que para além de servir para o ataque, permite-nos balancear-nos pelos tectos como no Bionic Commando, ou até arrastar blocos gigantes para nos ajudar no platforming. Se concluirmos cada missão com um ranking de A ou S (os mais altos) também poderemos herdar algumas habilidades dos bosses que defrontamos, as EX Skills. O uso de Cyber Elves também está aqui presente e tal como o anterior, a nível audiovisual este é um jogo excelente, com níveis muito bem detalhados, assim como os bosses. As músicas também se mantêm numa toada bem mais rock, algo que me agrada, naturalmente.
Os bosses são tipicamente grandes e bem animados
E eis que em 2004 recebemos o terceiro jogo da saga. Tal como os seus predecessores, é um excelente jogo de acção/plataformas, onde mais uma vez defrontamos um vilão que quer dominar o mundo, sejam humanos ou outros reploids. A nível de jogabilidade é muito semelhante ao seu antecessor, na medida em que teremos várias armas diferentes para usar, diferentes habilidades para desbloquear dos bosses que defrontamos, e Zero continua a ser um robot muito ágil. Desta vez no entanto não precisamos de treinar as nossas armas, visto que elas já estão no nível de experiência máximo.O corpo de Zero pode agora ser customizado quando encontrarmos chips para esse efeito, que nos permitem customizar a cabeça, corpo e pernas. Aqui são também introduzidos os Secret Disks, centenas de disquetes espalhadas pelos níveis (ou obtidas a derrotar os inimigos normais) que se traduzem em Cyber Elves, chips de customização para o corpo de Zero, cápsulas de energia ou pura e simplesmente coleccionáveis.
À medida que novos títulos iam saindo, mais Zero poderia ser customizável
De resto, aparentemente este Mega Man Zero 3 possui também algumas interacções com a série Battle Network, mas não estou bem por dentro do que seja. Por fim, uma vez mais estamos presentes a um jogo com excelentes gráficos 2D, seja no detalhe dos níveis, seja nas animações dos inimigos e principalmente os bosses. Também tal como os restantes, as músicas são mais rock.
Por fim temos o Mega Man Zero 4, lançado originalmente em 2005, uma vez mais um ano após o lançamento anterior. Esta sequela sofreu muitas mudaças, princalmente na gestão dos Cyber Elves sendo que agora só temos um que por sua vez tem de ser evoluido à base de Energy Crystals. O buster e o sabre continuam presentes, mas a arma adicional é o Zero Knuckle, que permite, entre outras coisas, roubar armas dos inimigos. No que diz respeito à customização de Zero, temos uma vez mais vários chips que podemos equipar e que podem conferir a Zero várias habilidades, desde maior poder de ataque, uma maior barra de vida, ou outras coisas ainda mais úteis como a capacidade de realizar saltos duplos. Para isso temos no entanto de apanhar peças dos adversários derrotados e combiná-las para o efeito, possuindo assim um sistema de crafting.
O sistema de controlo meteorológico pode-nos facilitar ou dificultar a progressão nos níveis. Por exemplo, neste nível se nevar temos um caminho livre por cima de espinhos.
Para além disso os próprios níveis também podem ser customizados, nomeadamente as suas condições metereológicas, que podem ou não tornar um nível mais fácil, ou abrir outras passagens que seriam previamente inacessíveis. Por exemplo, num dos níveis temos de entrar dentro de um canhão solar. Se mudarmos a meteorologia para tempo nublado, o canhão irá disparar menos vezes, tornando o progresso mais fácil. Por outro lado, para adquirirmos as EX-Skills dos bosses que derrotarmos, teremos de completar os níveis nas condições meteorológicas mais desfavoráveis. De resto, uma vez mais a nível audiovisual estamos presentes em mais um jogo com um 2D bem competente e boas músicas também.
Esta compilação inclui alguns extras, como um easy mode ou artwork desbloqueável.
Portanto, esta colectânea para a Nintendo DS é uma óptima maneira de jogar a excelente quadrilogia dos Megaman Zero, excelentes jogos de acção/platforming, que culminaram posteriormente na série Megaman ZX. Esta compilação possui ainda alguns extras como um Easy Mode para todos os jogos presentes (antes só o Mega Man Zero possuia tal feature) e uma galeria de arte desbloqueável. Ainda assim, visto que tanto os originais desta colectânea, como esta própria colectânea não sejam tão acessíveis assim no mercado retro, a Capcom decidiu recentemente lançar uma outra compilação (em formato digital) que inclui também os Megaman ZX e ZX Advent e pode ser encarada como uma alternativa séria.