Galerians (Sony Playstation)

Outubro é o mês do Halloween e aquela altura do ano em que gosto sempre de reservar algum tempo para jogar algumas coisas mais assustadoras. A escolha do passado fim-de-semana foi precisamente Galerians, um dos muitos jogos que surgiram na sequência do tremendo sucesso de títulos como Resident Evil. E, apesar das semelhanças com esse clássico, Galerians tem também um pingo de originalidade, como irei detalhar mais à frente. Quanto ao meu exemplar, confesso que já o tenho na colecção há muitos anos, algures desde 2016, embora já não consiga precisar bem como é que veio cá parar. Há-de ter sido consideravelmente barato!

Jogo com caixa, manual e 3 discos

Galerians leva-nos a um mundo futurista, onde encarnamos Rion, um jovem adolescente que acorda num hospital sem quaisquer memórias de quem é ou do que estava ali a fazer. Não demora muito até descobrir que, afinal, estava detido naquele hospital contra a sua vontade e que tinha sido inclusivamente alvo de várias experiências, durante as quais lhe foram administradas diversas drogas experimentais. Estas deram-lhe também habilidades psíquicas, como a telecinese ou a capacidade de provocar combustões espontâneas, poderes que iremos utilizar recorrentemente para conseguir escapar daquele lugar.

Gráficos pré-renderizados, ângulos de câmara fixos e tank controls. Já tinha algumas saudades disto.

No que toca às mecânicas de jogo, pensem num Resident Evil tradicional, com os seus tank controls, ângulos de câmara fixos e gráficos pré-renderizados. Teremos de gerir os nossos parcos recursos para sobreviver aos encontros com toda uma série de inimigos, explorar bem os cenários e resolver alguns puzzles. A grande diferença está mesmo no combate, onde recorremos exclusivamente às nossas habilidades psíquicas, sem qualquer arma adicional. E tudo isto gira à volta de comprimidos que podemos tomar e de outras drogas sintéticas que podemos injectar no nosso corpo. Por exemplo, ao injectarmos uma dose de Nalcon, ganhamos a habilidade de disparar projécteis psíquicos, um ataque rápido, mas de baixo dano. Já a droga Red permite-nos lançar ataques de fogo capazes de queimar os inimigos, enquanto a D-Felon nos dá acesso a poderes de telecinese, com um ataque poderoso que pode causar dano a vários inimigos em simultâneo. Estas drogas funcionam também como munições para os respectivos ataques, pelo que teremos de gerir cuidadosamente o seu consumo. Qual é o problema deste sistema de combate? Antes de cada ataque, temos de carregar as nossas energias, mantendo o botão R1 pressionado até atingirmos determinado nível. Se sofrermos dano durante este processo, a nossa concentração é interrompida, obrigando-nos a começar de novo. E, tendo em conta que os poderes só são verdadeiramente eficazes depois de ultrapassado um certo nível de carregamento, o combate pode tornar-se bastante frustrante em determinados momentos.

Controlos simples para quem já teria jogado um Resident Evil ou similar.

À medida que exploramos os cenários, iremos também encontrar toda uma série de outros medicamentos. Temos pastilhas que regeneram a nossa barra de vida, comprimidos Skip, que nos permitem aumentar temporariamente o dano dos ataques da droga que tenhamos equipada, e comprimidos de Delmeter, muito importantes para fazer baixar a nossa barra de AP a zero. Mas em que consiste essa barra de AP? São os Anger Points, uma medida que vai aumentando gradualmente, tanto durante o combate como ao longo da exploração. Quando atinge o nível máximo, basta pressionar o botão de ataque para activar o modo short. Aqui, é como se Rion sofresse uma espécie de curto-circuito: a sua agilidade fica severamente afectada e passa a caminhar passo a passo, sob grande sofrimento, mas, em contrapartida, consegue causar dano crítico a todos os inimigos que estejam à sua volta.

AP no máximo e entramos no modo short onde, a custo de uma agilidade muito reduzida e da nossa barra de vida ir dimuindo, causamos dano crítico em todos os inimigos à nossa volta

Qual é o problema? A nossa barra de vida vai sendo gradualmente consumida enquanto este estado se mantiver, a menos que tomemos um dos tais comprimidos de Delmeter, que nos permite regressar ao estado normal. Esta é uma das principais formas de o jogo nos penalizar durante a exploração e o combate, já que os recursos são finitos e o efeito de short pode ser bastante perigoso se não tivermos a medicação necessária à mão. Por outro lado, também não é propriamente difícil ficarmos bloqueados graças a outra funcionalidade interessante: a divinação. Imaginem que estamos perante uma porta trancada e não sabemos onde encontrar a chave ou o interruptor que a abre. Basta pressionar o botão Triângulo em frente à porta para Rion visualizar a localização do objecto necessário para prosseguir. É uma mecânica simples, mas bastante útil para evitar que fiquemos demasiado tempo presos no mesmo sítio.

Todos estes medicamentos e drogas sintéticas podem ser algo confusos de entender no início

Visualmente, Galerians é um jogo interessante para os padrões da época. A direcção artística é bastante distinta e as personagens têm todas um traço muito próprio. Há também uma boa variedade de cenários. Começamos no tal hospital que, como seria de esperar, é dominado por tons brancos e cinzentos, passando depois para a mansão da família de Rion, em ruínas após anos de desuso. É um contraste interessante com os restantes cenários que o jogo nos apresenta. O mundo de Galerians é futurista, obscuro e opressivo, algo que fica perfeitamente representado nas áreas que se seguem: um hotel degradado e repleto de personagens bastante bizarras, culminando no assalto à base do vilão desta narrativa. É precisamente aí que nos espera um boss bastante diferente daquilo que eu estaria à espera, embora prefira não entrar em grandes detalhes para não estragar a surpresa. Já no que toca ao som, não tenho nada de especial a apontar. A narração é competente e a banda sonora é predominantemente minimalista e ambiental, como seria de esperar de um jogo deste género. Cumpre a sua função sem se destacar particularmente.

Confusos sem saber como progredir? Experimentem carregar no triângulo em frente a portas trancadas ou outros objectos de interesse.

Em suma, Galerians foi um jogo que me surpreendeu pela positiva. É mais um dos muitos survival horror lançados na sequência do sucesso de Resident Evil e Silent Hill, mas, apesar de algumas inconsistências na jogabilidade, achei-o bastante original, tanto no conceito como na narrativa. Acredito que tenha passado debaixo do radar de muita gente, e o mesmo pode ser dito da sua sequela, Galerians: Ash, lançada para a PlayStation 2, que planeio jogar muito em breve.

Miracle Warriors (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas vamos voltar à Master System e abordar um dos seus poucos RPGs disponíveis na sua biblioteca. Originalmente desenvolvido pela ASCII e a desconhecida Kogado para uma série de computadores japoneses como Haja no Fuuin, tendo sido posteriormente convertido para a Famicom e Master System. Mas apenas a versão Master System chegou ao ocidente, fruto talvez do seu reduzido catálogo de jogos deste género. O meu exemplar foi comprado em Setembro, numa viagem de trabalho que fiz a Paris e onde deu tempo para visitar as lojas da Boulevard Voltaire, tendo-me custado 20€.

Jogo com caixa

A história leva-nos como não poderia deixar de ser a um mundo fantasioso, onde um ser demoníaco voltou a invadir a terra, inundando-a de monstros. Nós somos um dos heróis de uma profecia qualquer, pelo que teremos de encontrar os outros 3 companheiros da profecia, os Miracle Warriors, bem encontrar também mais umas três chaves interdimensionais que nos deixam entrar na dimensão do vilão (ou melhor dizendo, vilã) e defrontá-lo. Claro que convém também fazer uma série de sidequests e encontrar o melhor equipamento disponível para cada personagem, pelo que teremos muito trabalho pela frente.

Lá terá de ser…

Tal como muitos RPGs old school, o ecrã está dividido da seguinte forma: na parte inferior temos no lado esquerdo os pontos de vida e de experiência de cada personagem. Ao lado direito algumas informações como o dinheiro disponível, ervas regenerativas, dentes de inimigos derrotados (que pode ser usado para trocar por dinheiro ou itens especiais nas diversas aldeias) e os pontos de carácter. Estes últimos são os nossos pontos de karma, pois nas batalhas nem sempre aparecem bandidos ou monstros para combater, também podemos encontrar viajantes, vendedores e monges inocentes que, ao atacá-los irá influenciar negativamente a nossa reputação, algo que pode barrar a nossa entrada nalgumas aldeias.

As batalhas são sempre um contra um em cada turno, mesmo quando temos mais que um elemento no grupo

Na parte superior do ecrã, do lado direito, temos o mapa seja do overworld, cavernas ou cidades/aldeias. Do outro lado temos a vista principal que nos mostra as paisagem de onde estamos, ou no caso de transitar para uma batalha, mostra o nosso oponente. Bom, pelos screenshots eu sempre pensei que este fosse um RPG jogado na primeira pessoa, mas infelizmente não é bem assim, pois esse ecrã muda muito, muito pouco, apenas as cores tendo em conta o tipo de solo que estamos a pisar e pouco mais. As aldeias possuem quase sempre o mesmo ecrã, e as batalhas têm um ecrã típico para cada tipo de terreno.

Falando nas batalhas, aqui as mecânicas também são um pouco diferentes do habitual, pois apesar de serem por turnos, mesmo que tenhamos mais que um elemento na nossa party, apenas um pode atacar de cada vez, escolhido por nós no início de cada turno. As acções que podemos tomar, no entanto são as habituais como atacar, fugir, usar itens mágicos como as tais ervas regenerativas ou ataques mágicos. Podemos também invocar alguns feitiços (assim que os desbloquearmos) ou tentar falar com os oponentes. O equipamento que podemos encontrar é algo limitado, assim como a sua durabilidade, tendo de visitar ferreiros nas aldeias para os reparar. Ou se juntarmos fundos suficientes podemos contratar um desses ferreiros para nos acompanhar, reparando o nosso equipamento constantemente.

Infelizmente é um jogo que engana muito nos screenshots, pois acaba por deixar um pouco a desejar na apresentação

A nível audiovisual, bom confesso que como referi acima, estava à espera de algo mais na apresentação, principalmente na exploração do mundo e aldeias/castelos e afins. Ao menos temos um número considerável de diferentes monstros, com poucas palette swaps entre si. As músicas, apesar de poucas, são agradáveis e ainda bem, pois as vamos ouvir durante muito tempo. A versão japonesa possui suporte ao FM Sound, com uma banda sonora muito melhor.

Portanto este Miracle Warriors é um RPG ainda muito primitivo, que me decepcionou um pouco na sua apresentação e em algumas mecânicas. Tem no entanto alguns detalhes interessantes como o tal sistema de karma. Recomendado apenas para os entusiastas de RPGs da velha guarda, pois mesmo a nível de narrativa, este é um jogo de poucas palavras.

Solitaire Poker (Sega Game Gear)

Solitaire PokerComo estive inactivo no fim de semana, cá vá mais um daqueles artigos super-rápidos só para picar o ponto e dizer que estou vivo. O Solitaire Poker como dá para entender do nome é um jogo de cartas, que tanto combina elementos do Solitário como do Poker. Fácil, não? E este meu exemplar foi oferecido por um colega do trabalho, em conjunto com a sua colecção Game Gear quase toda.

Solitaire Poker - Sega Game Gear
Apenas cartucho

Essencialmente temos duas áreas distintas de jogo. À esquerda vemos filas de cartas como no solitário, à direita temos uma matriz de 5 por 5 cartas que temos de preencher mediante as cartas que nos vão saindo do lado esquerdo. É aí que entram as regras do Poker pois temos de organizar as cartas do lado direito de forma a obter combinações de 5 cartas, como pares, trios, flushs, straights e por aí fora. Essas combinações podem ser contabilizadas horizontalmente, verticalmente e nas diagonais principais e naturalmente quanto mais altas forem as combinações que conseguirmos fazer, mais pontos obtemos. Existem várias pequenas variantes destes jogos para experimentar, tanto em singleplayer como em multiplayer através do cabo próprio para o efeito, mas as regras básicas mantêm-se as mesmas.

screenshot
A área de jogo pode parecer um pouco confusa ao início

A nivel técnico não esperem nada do outro mundo, aliás este é um jogo de cartas, nem tal é suposto. Mas invés a termos uns backgrounds de casino como se calhar seria de esperar, aqui somos presenteados com temas mais tropicais, como praias em background e um ponteiro a ser uma flor vermelha. As músicas até que são agradáveis e apesar de este não ser propriamente um jogo que me fascine, não se pode dizer que seja mau. Até que é bem competente naquilo a que se propõe: oferecer uma experiência aliciante numa portátil de 8bit para quem gosta de jogos de cartas.