Resident Evil (Sega Saturn)

Tempo de voltar às rapidinhas na Sega Saturn para um jogo que dispensa apresentações: Resident Evil, um dos grandes clássicos da quinta geração de consolas e responsável por popularizar o género de survival horror nos anos que se seguiram ao seu lançamento. Lembro-me perfeitamente de ver vídeos do jogo no saudoso Templo dos Jogos e ficar completamente embasbacado! Infelizmente, nunca tive acesso ao jogo na época, tendo-o apenas jogado brevemente em casa de amigos, no qual se incluiu esta versão da Sega Saturn. Não foi por acaso que, em 2002, decidi comprar a Nintendo GameCube, pois por essa altura já se sabia que a consola iria receber um lindíssimo remake do primeiro jogo, conversões dos restantes e dois supostos exclusivos: a prequela Resident Evil Zero e o Resident Evil 4 a ser lançado algures no futuro. No que toca ao primeiro Resident Evil, apesar de ter jogado, anos mais tarde, a versão PS1 em emulação, nunca havia jogado esta versão Saturn tempo suficiente para ter uma opinião concreta pelo que aproveitei o facto de recentemente ter encontrado um exemplar em bom estado numa CeX para finalmente o jogar.

Jogo com caixa e manual

E o REmake é um jogo consideravelmente diferente destas primeiras versões: apesar de também controlarmos a Jill ou Chris Redfield, que possuem algumas diferenças entre si, o remake traz novas áreas, novos inimigos, diferentes esquemas de controlo e uns gráficos lindíssimos. Ainda assim, foi bom voltar a pegar no Resident Evil original ao fim de tantos anos. Fiz uma ronda com a Jill Valentine, que apesar de possuir menos vida do que o Chris, tem um inventário ligeiramente maior (com 8 slots ao invés de 6) e acesso a um lockpick, que nos permite abrir pequenas gavetas ou armários em busca de mantimentos, enquanto que o Chris precisa de procurar chaves próprias para abrir os mesmos compartimentos, num inventário por si só mais compacto. O item especial do Chris é um isqueiro, que será necessário para ultrapassar certos puzzles. Portanto, escolher a Jill acaba por ser o modo fácil, pois não só o inventário extra dá muito jeito, a progressão de Jill é mais generosa ao encontrar armas poderosas mais cedo.

Chris possui um inventário mais apertado, o que por sua vez torna o jogo bem mais difícil pela gestão ainda mais apertada de recursos.

De resto contem com um excelente jogo de acção/aventura onde teremos de fazer uma cuidada gestão de recursos, muitas vezes optando por fugir de inimigos em vez de os combater. Isto tudo com ângulos de câmara fixos, cenários pré-renderizados (excepto itens coleccionáveis ou objectos interactivos como peças de mobília ou escadotes) e os infames tank controls onde o direccional para a esquerda ou direita faz com que a nossa personagem rode nessa direcção, a direcção de cima faz com que avance e o baixo para recuar. Felizmente o direccional da Sega Saturn é bastante confortável, pelo que os tank controls até nem funcionam mal nesta versão. A versão Sega Saturn também é notória por incluir algum conteúdo bónus não existente nas outras versões, nomeadamente o Battle Mode. Neste modo de jogo, teremos de sobreviver uma série de encontros com monstros com munições e tempo limitadas. É uma espécie de protótipo do que se viria a tornar o Mercenaries, um minijogo recorrente dentro do universo desta série.

Qualquer objecto poligonal nos cenários indica um item coleccionável ou objecto interactivo.

Já no que toca aos audiovisuais devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com a performance desta versão. É reconhecido que o suporte a transparências ou outros efeitos de luz mais avançados é mais limitado na Sega Saturn quando comparada com a Playstation, e isso é notório nesta versão. Efeitos de fumo ou superfícies de água são renderizados utilizando efeitos de mesh em vez de transparências reais como na Playstation. Mas o detalhe poligonal das personagens e inimigos está melhor do que esperava na versão Sega Saturn, com algumas texturas adicionais nesta versão. De resto, nada a apontar à banda sonora que é bastante tensa e adequada à atmosfera do jogo. Já a narração… bom… é incrivelmente má e isso sempre fez parte do charme do primeiro Resident Evil. Já tinha saudades de ouvir a tirada da “Jill sandwich“!

Há poucas cenas mais icónicas que esta nessa geração de consolas.

Portanto e em suma, Resident Evil é um grande clássico da quinta geração de consolas e apesar de hoje em dia existirem versões muito superiores às originais dessa geração, a verdade é que as versões Saturn e PS1 continuam bastante jogáveis e a versão Saturn é, inclusivamente, melhor do que esperava pelo que ainda com mais pena fiquei pela versão Saturn do Resident Evil 2 ter sido cancelada.

Desconhecida's avatar

Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

Um pensamento em “Resident Evil (Sega Saturn)”

  1. Que maravilha, escorregou umas lágrimas agora vendo esse artigo…Zerei com os 2, alugava todo final de semana, e isso na raça, sem dicas e nada, no máximo um livro de inglês do lado kk

    Enquanto isso, meus amigos já tinham zerado no PS1, graças aos games piratas, época onde vendiam 3 games por 10 reais.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.