Return to Castle Wolfenstein (Sony Playstation 2)

rtcw ps2Return to Castle Wolfenstein é um reboot do “avô” dos FPS (Wolfenstein 3D). Foi lançado em 2001 para o PC, tendo sido convertido para Xbox e PS2 em 2003. A versão PS2 tem o subnome “Operation Resurrection” enquanto que a versão Xbox é “Tides of War”. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames ainda neste ano, tendo pago uns 3/4€ pelo jogo. Está em óptimas condições.

Return to Castle Wolfenstein Operation Resurrection
Jogo completo com caixa, papelada e manual

Return to the Castle Wolfenstein no PC, apesar de ter um modo single-player competente, foi bem mais famoso pela sua vertente multiplayer, que consistia num modo de jogo guiado por objectivos, e membros de equipa divididos por classes, aspectos que vieram a ser aproveitados posteriormente por muitos FPS modernos. A versão Xbox mantém esta vertente multiplayer, graças à boa qualidade da infraestrutura Xbox Live. Já a Raster Productions, estúdio que tratou da conversão PS2, fizeram um péssimo trabalho em muitos campos. O mais importante foi a não inclusão de qualquer modo multiplayer. Assim sendo, vamos lá focar-nos na vertente singleplayer.

Pelo menos desde Wolfenstein 3D que os jogos da série envolvem o regime Nazi e o seu interesse pelo Oculto. O jogo coloca-nos na pele do agente secreto B.J. Blazkowicz, que enquanto se encontrava no Norte de África a combater as forças de Rommel, recebe uma missão secreta numa qualquer cidadela do Egipto, para investigar umas escavações que estão a ser feitas pelos Nazis. À medida que o jogo vai avançando vamos visitando várias localizações, desde o próprio Castle Wolfenstein, a sua vila, fábricas em ruína, laboratórios secretos na Noruega, etc. Vamos também descobrir que os Nazis planeiam ressuscitar um antigo cavaleiro demoníaco que foi selado uns séculos antes por um herói misterioso. Ao ressuscitá-lo, os Nazis planeiam ter um exército demoníaco ao seu dispor, bem como um outro de criaturas geneticamente (e tecnologicamente) modificadas. Assim sendo Blazkowicz não só tem de enfrentar soldados comuns, bem como vários tipos de zombies e criaturas sombrias fruto de experiências Nazis. O jogo original no PC começa logo no Castle Wolfenstein, com Blazkowicz feito prisioneiro. As conversões para consolas adicionam um episódio novo, logo no início, o tal passado no Egipto, que acaba por explicar como Blazcowitz foi lá parar.

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Sniper rifle - um mimo

O jogo é composto por vários capítulos, cada um separado por cinemáticas que fazem uma espécie de briefing do que é para fazer em seguida. Por sua vez cada capítulo é dividido por uma série de missões, com vários objectivos a serem cumpridos. Objectivos esses que podem passar por procurar documentação secreta, assassinar oficiais importantes, auxiliar membros da resistência, prevenir lançamento de mísseis, etc. Algumas missões também exigem bastante stealth, se formos descobertos é logo game over. Felizmente existem algumas armas silenciosas, desde revólveres, metralhadoras e até sniper rifles. Aliás, armamento é coisa que não falta neste jogo e felizmente podemos carregar tudo ao mesmo tempo. Facas, revólveres, vários tipos de metralhadora, rifles, panzerfausts, granadas, lança-chamas, e as jóias da coroa do exército Nazi – Tesla Gun (arma eléctrica) e Venom (metralhadora pesada).

Mas isto está tudo presente na versão PC (excepto os níveis novos), a equipa que converteu este jogo para a PS2 fez um trabalho mauzinho. A começar pela não inclusão de um modo multiplayer, nem em split screen. Em seguida porque a própria conversão ficou cheia de falhas. Uma coisa que achei mesmo muito má foi a inteligência artificial dos inimigos. Se eles nos ouvirem a fazer barulho, ficam logo alerta e rapidamente nos encontram. No entanto se formos silenciosos, aconteceu-me várias vezes estar a poucos metros dos inimigos e eles impávidos e serenos. Se estiverem 2 soldados a conversar e com um tiro de sniper matarmos um, o outro se não nos vir nem sequer estranha o facto do seu colega ter levado um balázio. Enfim, exemplos de má IA é o que não falta.

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Detestei este gajo - é mesmo melhor dar uso da sniper rifle á distância.

Outro aspecto onde a Raster Productions deixou algo a desejar foi o quesito gráfico. As texturas estão bem mais pobres que a versão PC e Xbox, e o mesmo pode ser dito sobre os modelos dos objectos e os efeitos de iluminação. Mas nada que não nos habituemos ao fim de algum tempo de jogo. A nível de som aí a experiência já está mais bem conseguida. À semelhança de Medal of Honor, em momentos de mais tensão o jogo coloca uma música mais orquestral a condizer com o momento. O voice-acting está competente, mesmo as falas entre os soldados no próprio jogo. Os alemães falam inglês com sotaque alemão, mas preferia mesmo que falassem a sua própria língua e o jogo tivesse legendas. De facto, nenhuma das falas do jogo tem legendas, o que é uma pena, visto haver uma discrepância grande entre os volumes de jogo e das cut-scenes (estas últimas estão bem mais baixas). Para colmatar estas falhas incluiram uma novidade. Return to Castle Wolfenstein possui (à semelhança dos jogos clássicos), zonas secretas espalhadas nos mapas, com munições ou tesouros. Cada zona secreta que se encontra equivale a um ponto na pontuação final do nível. Esses pontos poderão ser trocados por vários bónus, seja uma maior capacidade de armazenamento de munições, mais health points, mais armadura, items restaurativos, etc.

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Yep, zombies da idade média, este jogo tem-nos. Pena que não sejam minimamente assustadores.

Para finalizar, só posso recomendar este jogo a quem não conseguir arranjar a versão PC ou até a versão Xbox. A versão PS2 tem várias falhas, sendo a mais grave a não inclusão da componente multiplayer. Ainda assim, a vertente “história” é competente o suficiente para proporcionar uma experiência minimamente agradável, e tanto esta conversão como a de Xbox têm alguns níveis extra. Fica ao vosso critério.

Resident Evil 2 (Nintendo Gamecube)

Resident Evil 2 GCNFalar de conversões é sempre um risco. Se um dia me vier calhar às mãos uma outra versão deste jogo pouco ou nada terei a dizer, mas adiante. O jogo que trago aqui é a conversão do clássico Resident Evil 2 para Gamecube, jogo virtualmente idêntico às suas versões PS1 e Dreamcast. A minha cópia foi adquirida sinceramente já não me recordo onde nem quando, muito menos quanto custou. Penso que tenha sido no miau.pt ou então no ebay uk, e unhas-de-fome como eu sou, dificilmente terá custado mais de 20€.

Resident Evil 2 GCN
Jogo completo com caixa, papelada e manual

Antes de mais, a nível de artwork deixem-me dizer que este deve ser o único Resident Evil cuja artwork prefiro a versão americana à europeia. Em todos os outros, principalmente o RE4, a artwork europeia dá 15-0. Quanto ao jogo em si, basicamente é uma promessa cumprida da Capcom, que se comprometeu em trazer todos os jogos principais da série Resident Evil ao cubito da Nintendo. Mas ao contrário de Resident Evil 1, este não viu qualquer update gráfico. Aliás, mesmo segundo as palavras da Capcom “not a single polygon has been changed”, embora muitas pessoas tenham escrito nas suas reviews que os modelos pareciam ter melhores definições que a versão PS1. O problema deste jogo foi a infeliz decisão da Capcom em tê-lo comercializado com o custo normal de um jogo “novo”, ao invés de o ter lançado como um budget title.

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CGs de 1998, bons tempos

Resident Evil 2 coloca-nos na pele de Claire Redfield (irmã de Chris) e de Leon Kennedy, polícia de Racoon City no seu primeiro dia de trabalho. Estava o Leon a chegar a Racoon, quando é abordado por um conjunto de zombies. Surpreendido, encontra Claire, salvando-a e trazendo-a para o seu carro de polícia. Dirigem-se para a esquadra de Racoon City tendo um acidente de percurso a meio do caminho forçando-os a seguir caminhos separados. O jogo dá-nos a hipotese de escolher qual a personagem que queremos seguir, sendo as 2 histórias um pouco diferentes, mas que se assemelham no final. O jogo decorre portanto na zona urbana de Racoon City, onde se instaurou uma epidemia do T-Virus, deixando a cidade repleta de zombies e outras criaturas sinistras fruto da Umbrella Corp. Ao longo do jogo vamos-nos apercebendo como a epidemia chegou até Racoon e conhecendo personagens importantes como William e Sherry Birkin e Ada Wong.

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¡Cerebros!

A jogabilidade é a do costume: “tank controls”. Ao menos voltaram a incluir o “Type C” que apesar de ainda ser um esquema algo confuso, sempre é melhorzinho. Podiam era ter implementado a combinação de botões para a personagem dar uma volta de 180º de forma instantânea, não lhes tinha custado nada. O jogo à semelhança dos Resident Evil clássicos está também repleto de vários puzzles necessários para avançar na história. Muitas novas aberrações também não faltam e ficheiros para descobrir e ler novos detalhes a história. Sempre gostei dessas coisinhas nesta série. A versão GameCube (bem como outras conversões existentes) traz os “Arrange Modes”, que basicamente são o modo japonês do jogo, mais fácil, com mais items e uma submachine gun logo de início. Este jogo traz também o mini jogo do Hunk/Tofu, desbloqueado no final do jogo principal (com rank A), que consiste em estar na pele do mercenário Hunk (ou de um Tofu), procurar uma amostra do G-Virus e abandonar Racoon City com segurança. Um outro modo de jogo, é o Extreme Battle, que são igualmente missões separadas da história principal.

A nível gráfico, não há muito a dizer, são os mesmos da versão PS1, mas talvez numa resolução maior (e daí talvez não, penso que os únicos RE2 que correm em resoluções maiores são as conversões PC e Dreamcast). São gráficos obviamente datados e ainda com os mesmos bugs (clipping) presentes na versão original, mas paciência, vai-se jogando sem grandes problemas. Nunca gostei muito dos RE’s passados em Racoon City, o clima urbano não proporciona aquela tensão que uma mansão abandonada, escura e com salas claustrofóbicas proporciona. Mas ainda assim cheguei a apanhar alguns sustos com os lickers. Sonoramente o jogo não é mal executado, só o voice-acting é que poderia ser melhor, mas em 1998 isso ainda não era preocupação de quase ninguém, portanto escapa.

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Sim, também existem laboratórios da Umbrella neste jogo.

Para concluir, só aconselho este jogo a quem for coleccionador, ou como eu, quem quiser ter a série clássica toda na mesma consola. Apesar de quase todos os ports deste jogo terem mais conteúdo que a versão original de Playstation (existe também o relançamento para PS1 como RE2 Dualshock Edition, com vários destes extras, mas não saiu em território europeu), na minha opinião a melhor conversão encontra-se na Dreamcast, pois à semelhança do que se vê no PC tem vários extras que mesmo esta versão de Gamecube mais recente não tem. Recentemente foram lançados os 3 Resident Evil clássicos da PS1 para a PSN, mas honestamente não sei quais os extras que contêm.

Sega Touring Car Championship (Sega Saturn)

Sega Touring Car ChampionshipQuando somos novinhos, somos mesmo facilmente impressionaveis. Em 1996, eu com 10 anos na altura, lembro-me de ver imagens do próximo “grande” jogo de corrida da Sega para a sua Saturn e babar-me completamente para o que estava a ver. O jogo em questão era o Sega Touring Car Championship e finalmente uma data de anos depois (mais de 10!) finalmente acabou por chegar às minhas mãos e o resultado foi algo decepcionante. A minha cópia foi comprada no ano passado na loja portuense PressPlay, penso que me tenha custado algo à volta de 7€. Está em óptimo estado, faltando apenas o manual europeu. Edit: recentemente arranjei outra cópia que me ficou por 2.5€, estando bem mais completa e adivinhem, não era só o manual europeu que me faltava, pois isto está cheio de papelada.

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa.

É inegável o amor da Sega pelo desporto motorizado. Apesar de nos anos 80 termos sido presenteados com Outrun e Hang On, foi nos anos 90 com o florescer dos jogos 3D que a Sega deu o grande salto no que diz respeito a jogos desta área. Virtua Racing, Daytona USA, Sega Rally, Manx TT, foram uma série de óptimos jogos arcade que revolucionaram o género. O jogo seguinte foi o Sega Touring Car Championship, desenvolvido pela AM3 (também conhecida por Hitmaker) na placa Model 2. Apesar de não ser um mau jogo, não conseguiu ter o mesmo sucesso dos seus antecessores. Por consequência a versão Saturn também não iria ter o mesmo sucesso que Sega Rally ou Daytona USA. STCC é baseado na antiga competição alemã de carros de turismo “Deutsche Tourenwagen Meisterschaft” (DTM), onde conduzimos carros da Mercedes, Opel, Alfa Romeo e Toyota.

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Ecrã de selecção de veículos

O grande problema deste jogo, e o que me deixou decepcionado é a sua controlabilidade, que está longe de ser tão suave e perfeita como a do Sega Rally, ou até a de Daytona USA. Podemos fazer várias modificações aos carros, desde suspensões até à própria “handling”,mas a verdade é que eu não noto diferenças na pista. E para além de ter controlos que dificultam a condução, o jogo é bastante exigente. Podemos estar a conduzir com o “pé na tábua”, sem bater nas paredes ou outros obstáculos e ainda assim estarmos bem atrás da concorrência. Muita gente diz que esto jogo se for jogado com o comando 3D da Saturn se torna numa experiência mais agradável, acredito que sim, mas não o posso fazer pois actualmente não possuo o tal comando.

No que diz respeito a modos de jogo, como tem sido habitual nas conversões arcade da época, a versão caseira pouco ou nenhum material novo introduzia. Aqui à partida parece ser o mesmo, mas à medida que vamos jogando iremos desbloquear uma série de novos circuitos, carros e modos de jogo, que tornam esta conversão numa experiência mais completa. Temos logo à partida uma distinção de modos – Arcade ou Saturn. Em Arcade temos o Championship Mode que uma réplica da versão original, onde corremos com um dos 4 carros disponíveis nos 3 circuitos base. Se no final ficarmos em primeiro lugar é desbloqueado um quarto circuito. Ao vencer também este circuito desbloqueamos o Grand Prix Mode (igual ao anterior, mas com 20 voltas em cada pista), e ao vencer o GP Mode é desbloqueado o modo de jogo final na Arcade, o Expert Mode. O Saturn mode alberga uma maior variedade de opções. Temos também o Championship Mode, em tudo idêntico à vertente Arcade mas com a opção de fazer modificações aos veículos, Time Attack que são corridas livres contra-relógio, bem como o modo VS que inclui a vertente multiplayer para 2 jogadores em split-screen. Ao terminar a pista bónus do Championship Mode no modo Saturn, é desbloqueado o Exhibition Mode e mais uma pista de bónus. Ao terminar esta última pista é desbloqueado um carro protótipo. Ao completar tudo o que há nos modos Arcade e Saturn são também desbloqueados os carros do Sega Rally. Claro que estas coisas também podem ser todas desbloqueadas através de códigos de batota.

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O jogo em movimento parece mais bonito…

Uma das funcionalidades mais interessantes deste jogo é a sua vertente online. Como eu devo ter referido no meu artigo da Sega Saturn, a mesma chegou a ter acesso à Internet nos mercados dos EUA e Japão, bem como jogos com suporte a multiplayer online (Duke 3D é um exemplo). Embora não tenha jogo online, STCC vinha com a opção de fazer upload dos tempos de cada jogador para o site da Sega, de modo a fazerem parte do ranking mundial. Nas versões americanas e japonesas deste jogo, isto era possível fazer-se através do próprio jogo e do uso do modem NetLink. A versão PAL também permite que o façamos, mas através do PC. O cd do jogo tem um ficheiro html para o efeito. Outra funcionalidade muito interessante são os “Global Net Events”. Ocorreram 3 “torneios” especiais, um no dia de Natal de 1997 e mais 2 em 1998, tendo os mais variados objectivos, desde 2 voltas em Time Attack, passando por correr fora de mão e evitar bater nos outros carros.

Falando agora dos visuais, caímos num outro problema do jogo. STCC não tem os problemas graves de “pop in” característicos de Daytona USA e Manx TT, embora sofra de algum “clipping” algumas vezes – algo habitual no tempo das 32bit. O jogo é também muito rápido, mas o grande problema é que o framerate é demasiado baixo, o que torna o jogo um pouco desagradável para os olhos. Os modelos dos carros até que estão bem conseguidos, mas as pistas e as suas texturas poderiam ter recebido mais trabalho. Passando para o som, a banda sonora ao contrário dos outros jogos já não é inspirada em rock/metal, passando para uma sonoridade mais pop/electrónica. Não é de todo o meu género musical de eleição, mas devo dar o braço a torcer que as músicas até que estão bem conseguidas.

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Multiplayer – se forem os 2 azelhas como eu, passa a ser um jogo de pinball

Finalizando, Sega Touring Car Championship não é de todo dos piores jogos de corrida da Saturn, mas ainda fica uns bons furos abaixo de Sega Rally ou Daytona USA. Para quem gosta de jogos de corrida com o feel e a jogabilidade agradável de um jogo Arcade, este não é jogo para isso. Contudo, para quem tiver um comando 3D da Saturn e gostar de jogos de corrida com mecânicas de controlo mais complexas poderá dar uma tentativa. STCC também recebeu um lançamento para PC (Windows 95). Os gráficos estão melhores e o framerate também, mas ainda assim o jogo tem uma controlabilidade difícil.

Resident Evil Zero (Nintendo Gamecube)

RE0Voltando aos Zombies aqui no blog, eu que planeio fazer uma análise dos 6 Resident Evil que possuo na minha GameCube, mesmo tentando intercalar um outro jogo pelo meio, vai ser uma semana repleta de criaturas devoradoras de cérebros. Desta vez escolhi falar do Resident Evil Zero, uma prequela do primeiro jogo da série, outrora exclusiva para Gamecube (agora também tem uma versão para Wii). A minha cópia foi adquirida algures em 2003/2004 no miau.pt. Não sei precisar quanto custou mas suponho que tenha sido algo à volta dos 30€. Está impecável.

Resident Evil Zero GC
Jogo completo com caixa, manual e demais papelada

Resident Evil Zero estava para sair inicialmente para a Nintendo 64. A certa altura (talvez motivados pelo remake de RE1) a Capcom decidiu mover este jogo para a sua sucessora, a GameCube. Existem alguns vídeos na net acerca desta versão inicial, e mesmo para um jogo de Nintendo 64, já era graficamente bastante detalhado. Nota-se também que mesmo na versão N64, muitas das ideias iniciais foram mantidas para a versão final. RE Zero coloca-nos no papel de Rebecca Chambers, membro do esquadrão Bravo da S.T.A.R.S. que Chris Redfield, Jill Valentine e companhia vão à procura no jogo original. O esquadrão Bravo é enviado às Arklay Mountains para investigar uma série de homicídios bizarros e outros relatos estranhos. A meio do caminho o seu helicóptero avaria e são forçados a aterrar em plena floresta, onde descobrem uma carrinha de transporte de prisioneiros acidentada, sendo que o respectivo prisioneiro (Billy Coen – uma das personagens do jogo) desaparecido. O esquadrão continua a investigação até que Rebecca descobre um comboio aparentemente abandonado e repleto de zombies, bem como outras criaturas fofinhas. A história vai decorrendo, Rebecca encontra Billy Coen e é forçada a cooperar com ele para sobreviver, entretanto prosseguem as suas vidas e vão encontrar uma outra mansão da Umbrella, um abandonado centro de investigação e treino de funcionários. Como prequela, RE Zero cumpre o seu papel de desvendar os mistérios da origem da Umbrella Corp, bem como de outras personagens importantes como Spencer, Marcus, William Birkin e Albert Wesker. Obviamente que descobrimos também o que se passou com a Rebecca e como é que ela foi parar à Spencer Mansion de Resident Evil 1.

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Hunters, charmosos como sempre

No que diz respeito à jogabilidade, Resident Evil Zero é um misto de problemas antigos com inovações inéditas na série. Os problemas antigos prendem-se com os chamados “tank controls” que tão bem eram conhecidos na série clássica nos idos tempos da PS1. Resident Evil Remake podia ter a desculpa por ser um “update” de um jogo antigo, mas mesmo aí, a Capcom tinha incluido um esquema de controlo que apesar de ser um pouco confuso, sempre era melhor que os tank controls. Neste jogo nem isso temos, infelizmente. A grande novidade reside num “zapping system” para controlar as 2 personagens principais deste jogo. Billy Coen e Rebecca estão juntos grande parte do jogo, tendo de colaborar entre si para resolver puzzles, auxiliar no combate, etc. O jogador escolhe a personagem que quer jogar, sendo que a outra passa a ser controlada por IA (ainda assim é possível controlar ao mesmo tempo o movimento da segunda personagem com o C-Stick, não sendo possível controlar o uso de items ou disparo de armas). Quando o jogador quiser trocar de personagens basta carregar no botão Z e já está. Billy Coen é a personagem mais forte, capaz de aguentar com mais dano, com porte físico para arrastar objectos grandes e tem um isqueiro. Já Rebecca é mais frágil, mais pequena, o que lhe permite entrar em entradas apertadas, e tem um kit que lhe permite misturar as várias ervas que regeneram vida/curam intoxicações. Este sistema também permite a troca directa de items entre as personagens, logo que estejam perto uma da outra. É possível deixar uma personagem num sítio enquanto a outra vai fazer outra coisa qualquer, aliás, várias vezes isso vai acontecer e vão existir algumas fases no jogo em que apenas iremos controlar uma personagem só. O jogo está também repleto de puzzles que requerem a colaboração dos 2 jogadores. No geral, acho que esta novidade das 2 personagens foi bem conseguida. Uma outra diferença face aos restantes RE clássicos é a ausência de uma arca para colocar os items. Aqui, podemos ir deixando os items no chão de qualquer sala, sendo que o mapa do jogo guarda a informação de que items é que cada sala comporta.

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Um protótipo de um Tyrant

Graficamente o jogo continua sublime. Utiliza o mesmo motor gráfico do Remake lançado uns meses atrás, mas ainda mais refinado. Onde se nota uma melhoria substancial é nas cut-scenes, onde as mesmas em FMV têm uma qualidade muito boa. Os modelos das personagens e criaturas continuam excelentemente modelados, bem como os cenários pré-renderizados que várias vezes não estão estáticos. Os jogos de luzes, sombras, efeitos de água, etc continuam um regalo para os olhos. A secção do comboio está especialmente bem conseguida, peca por ser curta. A nível de som, Resident Evil Zero tem igualmente um bom trabalho nesta área. A música quando existe é sinistra o suficiente para criar aquele clima tenso, e os efeitos sonoros dos zombies e restantes criaturas estão também bons. O voice-acting é competente, longe vão os tempos de diálogos de filmes série B.

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Um dos bosses pequeninos e bonitinhos

Como não podia deixar de ser, este jogo apresenta também uma série de extras. Completar o jogo num menor espaço de tempo possível desbloqueia vários bónus, desde o mítico lança rockets e/ou metralhadora com munição infinita, novas vestimentas para as personagens, e o mini-jogo Leech Hunter. Este mini-jogo consiste em visitar a mansão repleta de criaturas, e coleccionar um determinado número de “leech charms” (máximo de 100). Consoante o resultado também se desbloqueiam alguns goodies, como munição infinita para todas as armas do jogo.

Resident Evil Zero é um bom jogo para quem gosta da série clássica do Resident Evil. Para os fãs é um must-have, pois o jogo conta a história de (quase) tudo o que esteve por detrás dos restantes jogos envolvendo a Umbrella, tem uma envolvente audiovisual muito bem conseguida. Peca apenas pelo arcaico esquema de controlo das personagens que a Capcom implementou. Vendo outros jogos como Eternal Darkness e até o próprio Devil May Cry de Shinji Mikami, que a Capcom poderia ter incluido um esquema mais moderno. Resident Evil Zero foi também relançado para a Nintendo Wii, tirando partido dos seus controlos com sensor de movimento.

Desert Speedtrap (Sega Master System)

desert speedtrapO jogo que trago hoje é daqueles jogos que quando eramos pequenos gostavamos bastante, mas hoje pegando neles vemos que afinal não era nada de especial. Era o que dava, não ter muito mais o que jogar! Este jogo creio que me foi oferecido por uns tios meus algures em 1997, último ano em que me lembro de ver jogos de Master System novos nos hipermercados. Creio que custava 4 contos na altura. Está completo e impecável. Esta minha edição é uma das “Portuguese Purples” que já mencionei no post da minha Master System III. Em Portugal foi também lançado o jogo na sua versão original, com a capa em quadriculado branco. Edit: Recentemente comprei na cash converters uma edição normal por 15€.

Desert Speedtrap SMS
Jogo completo com caixa e manual PT

Desert Speedtrap é um jogo de plataformas produzido pela Probe, tendo saído já num ciclo avançado de vida para a Master System, em 1993. O jogo tem aquele feel “cartoon” que os desenhos animados do Roadrunner e Coyote tanto nos proporcionavam. Personagens a andar no ar  para depois se aperceberem e finalmente cair, muitas pancadas nas paredes, enfim, os clichés estão todos aqui. Apesar de haver alguma (pouca) variedade, os níveis são todos situados nos desertos da américa central. Uns mais industriais (refira-se: minas), uns outros em diferentes alturas do dia, mas a verdade é que os níveis parecem ser sempre mais do mesmo.

Jogo completo com caixa e manuais na sua versão PAL normal

O objectivo do jogo consiste em atravessar os níveis dentro de um tempo limite, derrotando ou evitando os inimigos presentes e, em último lugar, escapar à perseguição de Coyote. Nos níveis existem dezenas de estrelas espalhadas que ao serem coleccionadas, para além de aumentar a pontuação dão um boost no relógio. Ao derrotar os inimigos, estes podem deixar vários powerups diferentes. Desde invencibilidade, bónus de 30s, multiplicador de pontos por 10, etc. Roadrunner ataca os inimigos saltando para cima deles, e a sua “vida” divide-se em 4 hit points. Roadrunner pode recuperar vida ao comer alpista espalhada ao longo dos níveis. Alguns pratos apenas contém alpista para restabelecer apenas um ponto de vida, outros podem restabelecer até 3 pontos de vida. Ainda assim existem alguns pratos que podem ter sido armadilhados pelo Coyote, tirando 2 pontos de vida. Não há maneira de distinguir os pratos “bons” dos armadilhados, é uma questão de os memorizar. Perto do final de cada nível Coyote começa a perseguir-nos através de algum veículo. Sejam foguetes, autocarros ou até mini-helicópteros, nesta parte do nível o objectivo não é derrotar Coyote, mas sim evitar o seu contacto e procurar a tabuleta que diz “Exit”. Ao alcançar esta tabuleta, Coyote espalha-se sempre, tal como nos desenhos animados.

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Ecrã título do jogo

O jogo encontra-se dividido ao longo de 14 níveis, cada 2 dentro da mesma “zona” e com Coyote com o mesmo veículo. Acontece que se no ecrã das opções mudarmos a dificuldade para “easy” apenas temos acesso a pouco mais de metade do jogo. Isso não vem escrito no manual, e eu quando era mais novo jogava sempre em easy e sempre pensei que tinha acabado o jogo. Antes de cada nível é mostrado um mapa com a posição actual de Roadrunner e no “último” nível Roadrunner ainda se encontrava +/- a meio do mapa. Sempre achei isso estranho e a certa altura decidi voltar a jogar o jogo em “Normal”, aí sim acabei por chegar ao final real, apesar de o jogo não oferecer muito mais conteúdo “inédito”.

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Ecrã de introdução de um dos primeiros 2 níveis

O que menos gosto neste jogo é a jogabilidade. É difícil controlar a velocidade a que RR se desloca, podendo dar pequenos passos como uma corrida pouco tempo depois. Isso e o facto de RR sempre ficar um pouco suspenso no ar quando corre para fora de um desnível (mesmo que seja pequeno) e demorar algum tempo a cair, ficando susceptível de ataques inimigos. É engraçado uma vez ou outra, mas sempre cansa. O facto de RR também correr demasiadamente rápido e ganhar muita inércia (dificultando a travagem) é problemático pois muito facilmente podemos sofrer dano de algum inimigo. Ao menos em Sonic podemos rodopiar para de certa forma nos proteger do contacto inimigo. Os controlos são simples. D-pad para movimentar RR (cima e baixo para deslocar a câmara nessa direcção), botão 1 para saltar e botão 2 para comer alpista, quando perto de um prato.

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Ecrã de jogo, aquelas gotas também magoam o RR (!!!)

Visualmente, Desert Speedtrap até tem bons gráficos com sprites detalhadas e coloridas. O problema é mesmo a falta de variedade nos cenários. Sonoramente o jogo não é nada de especial, e mesmo a música tradicional dos Looney Tunes se torna irritante ao fim de algum tempo. Os instrumentos MIDI utilizados não foram os melhores… Ao menos sempre tem o característico som “bip-bip”. O jogo saiu também para Game Gear que, ao que saiba, é virtualmente idêntico, diferenciando apenas na menor resolução do ecrã e uma paleta com mais cores. Recomendo a sua compra apenas para coleccionadores (sendo a edição Portuguese Purple uma das mais cobiçadas).