Medal of Honor (2010) (PC)

MOH 2010Medal of Honor é uma série de videojogos (a sua maioria FPS) que ficou conhecida principalmente pelos jogos sobre a 2a Guerra Mundial. Call of Duty foi uma série surgiu uns tempos depois, claramente inspirada pelos primeiros. Mas jogos com o tema da 2a Guerra Mundial começavam a ser abundantes, então a série Call of Duty decidiu enveredar pelos caminhos das guerras modernas. O sucesso foi estrondoso e Medal of Honor decidiu tomar o mesmo caminho, tendo lançado em 2010 um jogo homónimo passado na guerra do Afeganistão. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames. Custou-me algo em torno dos 3, 4€. Uma pechinha e e está completo.

Medal of Honor 2010 PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Medal of Honor é na verdade 2 jogos em 1, a vertente singleplayer e multiplayer, desenvolvidas por estúdios diferentes, utilizando motores gráficos também diferentes. Irei-me inserir particularmente na componente “solo”, visto que nunca fui muito de perder muito tempo nos modos multiplayer seja de que jogo for. Esta vertente foi desenvolvida pelo estúdio da EA Danger Close e coloca-nos na pele de vários personagens de grupos de forças especiais nas primeiras operações dos Estados Unidos em solo Afegão, em 2002. Apesar de o jogo ser algo baseado em missões reais, existe toda uma história (ficção) e um feeling cinematográfico por detrás que retiram um pouco do seu realismo, como tem sido habitual na série. O modo campanha, é variado, apesar de curto. Desde missões nocturnas de resgate em aldeias ou cavernas repletas de talibãs, enormes ofensivas para capturar um aeródromo, marcar vários alvos inimigos para serem atingidos por fogo aéreo, missões puramente de sniper, outras de stealth, chegando também a voar num AH-64 Apache tal como no velhinho Desert Strike. Tal como vários FPS modernos, temos um número limite de armas que podemos carregar, sendo 1 faca para ataques melee, um revolver e 2 armas de maior porte que tanto poderão ser armas norte americanas, bem como outras armas conquistadas aos inimigos (na sua maioria as fiéis AK-47). Também existe o mecanismo de auto-healing que sempre foi algo que me irritou. Os controlos são semelhantes aos de Call of Duty (o que não é mau) com a novidade do “slide to cover”, que consiste em resvalar para um abrigo, durante um sprint. Nos controlos originais, este movimento é algo chato de se realizar, mas felizmente podemos alterar os controlos à nossa vontade.

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Mais um calmo dia no Afeganistão…

Conforme referi anteriormente, existe todo um feeling cinematográfico neste jogo. Os scripted events são uma constante e contribuem para toda a adrenalina, bem como todo o vocabulário militar utilizado entre  as personagens. Como consequência tornam o jogo bastante linear e apesar de as áreas serem relativamente grandes, estão repletas de barreiras intransponíveis. Infelizmente o jogo para além de curto é bastante fácil e a Inteligência Artificial dos inimigos deixa muito a desejar. Basta ser paciente que eles arranjam sempre maneira de se porem a jeito de levar um balázio. Ainda referente ao jogo singleplayer, existe um outro modo de jogo de nome Tier 1. Este é mais um modo de desafio, onde o jogador tem de percorrer as várias missões do jogo na mais alta dificuldade, sem checkpoints e saves. No fim de cada missão o tempo de a completar é afixado num ranking online. Já o modo multiplayer é também inspirado em vários outros jogos do género, com o jogador a assumir uma de 3 diferentes classes (rifleman, special ops e sniper) cada uma com diferentes características, bem como adquirir experiência de modo a desbloquear o uso de várias outras armas e items bastante úteis. Daqui existem vários modos de jogo, entre os quais “Combat Mission”, onde os americanos devem cumprir 5 objectivos num mapa para vencer a ronda, “Team Assault”, uma variante do conhecido Team Deathmatch, Objective Raid, onde os americanos têm de localizar e destruir/defender 2 objectivos dos Talibães e finalmente o “Sector Control”, cujo objectivo é capturar e defender alguns pontos espalhados no mapa. Existe um DLC com mais uns modos de jogo, mas não fiz o download.

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Dependendo do calibre da arma, o ambiente envolvente pode ser destruído. Claro que isso pode ser virado contra nós

Graficamente o jogo é bonito. Eu adquiri muito recentemente um laptop “jeitoso” e finalmente posso jogar os jogos HD que tenho perdido desde 2006, portanto irei achar muitos gráficos bonitos para os jogos mais recentes. Apesar de as modelações poderem ter mais detalhe, a iluminação na minha opinião ficou bem feita, os níveis que são jogados durante o dia são bastante mais apelativos que a monotonia das mantanhas à noite. De vez em quando lá surge um ou outro bug gráfico, em que as texturas detalhadas demoram um pouco a surgir. A banda sonora é que já não é lá grande coisa, Linkin Park nunca foi o meu género, mas a ideia de ter algum rock pesado para vários momentos de maior tensão e adrenalina não é uma má ideia, apenas um pouco mal executada, para os meus gostos. De resto a nível de efeitos sonoros e voice-acting o jogo é soberbo. Todas as armas parecem e soam realistas, a interacção entre os nossos colegas de combate, os Talibãs e Tchechenos a pragejar nas suas líguas, toda aqula gíria militar que nos chega constantemente ao ouvido são de facto muito agradáveis.

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Yay, gore!

Apesar de algumas falhas, eu achei este jogo bastante divertido, embora seja algo fácil e curto. Mas como ainda não tive a oportunidade de jogar a fundo nenhum Call of Duty da era moderna nem o novíssimo Battlefield 3, sinto que me falta alguma base de comparação mais sólida. Este Medal of Honor saiu também para PS3 e Xbox360, com a versão PS3 com um extra (em números limitados) de uma conversão para HD do clássico Medal of Honor Frontline da PS2/xbox/GC. Ainda assim, parece que a versão PC é a que se porta melhor a níveis de framerate e afins. Pelo que se não dão grande importância ao extra da versão PS3 eu diria que a versão PC é a melhor escolha.

Wonder Boy III: The Dragon’s Trap (Sega Master System)

wonder-boy-iii-the-dragons-trap-coverA Master System foi a minha primeira e única consola durante muitos anos. Andavam os meus amigos de volta de jogos como Daytona USA ou Final Fantasy VII para a suas Sega Saturn e Playstation, e eu ainda andava de volta de jogos como Sonic 2, Desert Strike ou até Phantasy Star. Ainda assim, haviam alguns jogos mais antigos da década de 80 que me despertavam o interesse mas não conhecia ninguém que os tinha e só os vim a jogar mais tarde. A série Wonderboy da Westone foi uma delas. Wonderboy foi um jogo simples de plataformas desenvolvido para as arcades de 1986. Pouco tempo depois viu conversões para as consolas da Sega SG-1000 e mais tarde Mark III/Master System (entre outras). Uma conversão para a NES também foi desenvolvida por parte da Hudson, contudo como a Sega mantinha os direitos da franchise “Wonder Boy”, pelo que o jogo sofreu algumas alterações das personagens e bosses, bem como um novo nome “Adventure Island”. Desde esse momento que as 2 série seguiram caminhos diferentes. A Hudson manteve o nome Adventure Island e lançou vários jogos com a mesma mecânica do original, já a Westone manteve o nome Wonderboy e evoluiu a série para o mundo “Monster World”, onde os jogos passaram a ser mais que meros jogos de plataforma. Para evitar confusões neste, existe um outro Wonderboy III desenvolvido para Arcade e Mega Drive que segue um pouco as raízes da série, sendo um jogo mais linear. Este artigo refere-se exclusivamente ao “The Dragon’s Trap”. O meu exemplar veio do Ebay, tendo-me custado à volta de 15 libras. Infelizmente possui a capa e manual em mau estado, pelo que eventualmente o substituirei.

Jogo com manual

 

Bom, a história deste The Dragon’s Trap começa onde o jogo anterior ficou (Wonderboy in Monster Land). Wonder Boy no castelo do maléfico Meka Dragon, equipado com todo o equipamento lendário, todos os “corações” e ataque e defesa no máximo. Enfrentamos assim um dos bosses mais fortes do jogo logo no primeiro encontro, mas com o Wonder Boy todo “pimped up” a batalha não é assim um grande desafio. Contudo, Meka Dragon antes de morrer amaldiçoa Wonder Boy, transformando-o num pequeno monstro “Lizard-Man”. Wonder Boy escapa depois do castelo transformado em monstro e todo o equipamento e “corações” que previamente tinha foram perdidos. Assim começa esta aventura, com Wonder Boy à procura da Salamander Cross, o item que lhe poderá restaurar a sua forma humana. A maior parte dos jogos da série Wonder Boy / Monster World são jogos não lineares, que misturam a exploração de jogos de plataforma como Metroid, aliando a características de RPGs de acção como os próprios Castlevania 2D modernos, com armas/ escudos e armaduras, e vários items que alteram o status da personagem. De facto, Wonder Boy é largado num “overworld”, sem muito sítio por onde ir inicialmente. À medida que o jogo vai progredindo vamos adquirindo novas habilidades transformando-nos noutros animais, abrindo assim hipóteses de percorrer caminhos ou alcançar items que de outra forma seriam impossíveis de obter. Existem também lojas espalhadas pelo jogo onde podemos adquirir items/equipamento, igrejas onde podemos fazer “save” do jogo  – na verdade apenas geram uma password com o progresso actual, e outras casas como uma onde poderemos alternar entre as várias formas de animais que vamos adquirindo ao longo do jogo. Como devem calcular, cada animal tem pontos fortes e fracos, a impossibilidade de utilizar algum equipamento, ou habilidades próprias, tais como imunidade a lava, voar, nadar, ou esgueirar-se por portas e entradas minúsculas. Os animais que vamos “adquirindo” ao longo do jogo são: Lizard-Man, Mouse-Man, Piranha-Man, Lion-Man, Hawk-Man e finalmente o “Hu-Man” – a forma humana que embora seja forte, não possui nenhuma habilidade especial. Tal como Zelda também existem pelo jogo “Heart Containers”, que aumentam os pontos de vida de Wonder Boy.

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Graficamente, para um jogo de 1989, posso dizer sem problema algum que foi um dos jogos mais bonitos da era 8-bit. As personagens carismáticas com sprites detalhadas (o mesmo para os inimigos e bosses), os “níveis” bem pensados, bastante coloridos e variados entre si, tornam este Wonder Boy numa boa experiência mesmo ao fim destes anos todos. Visitamos vários castelos, cavernas, selvas, templos, passagens sub-aquáticas, pirâmides e esfinges, muitas dessas zonas com vários caminhos a explorar e items a descobrir, consoante o animal que incorporamos. A nível de som, quem conhece a Master System sabe que o seu chip de som nunca foi lá grande coisa (culpa da Sega que não quis lançar a Master System já com o chip FM embutido no ocidente), mas neste jogo o pessoal da Westone conseguiu dar a volta ao problema e apresentar várias melodias agradáveis que concerteza fazem parte das memórias de muitos jogadores de Master System por esse mundo fora. Os controlos são óptimos para um jogo de plataformas, com precisão e inércia de movimento no ponto certo. O combate é simples – espada e escudo (ou não, dependendo do animal). A exploração e o grinding para obter dinheiro para comprar equipamento superior, tornam este jogo numa óptima experiência, um pouco viciante, até.

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Este “padre” tem um aspecto curioso

Existem algumas conversões deste jogo: em 1992 foi lançada uma conversão directa para a Master System portátil, ou seja, a Sega Game Gear. Apesar de o jogo em si ser o mesmo, foram feitas algumas modificações, principalmente a nível de artwork, tanto no title screen como nas lojas. Antes disso, em 1991 saiu para a TurboGraphX 16 / PC Engine da NEC uma conversão feita por parte da Hudson (os mesmos por detrás da série Adventure Island) que como se as séries Wonder Boy/Monster World e Adventure Island já não fossem confusas por si só, esta versão do jogo chama-se Adventure Island no mercado japonês e Dragon’s Curse no ocidente. É o mesmo jogo que na versão Master System, mas devido ao hardware melhorzinho da TG16 o jogo apresenta gráficos mais detalhados, embora tenham alterado mais uma vez o aspecto da personagem principal e bosses. Em 2007 na colecção SEGA Ages 2500 para a PS2 japonesa saiu uma compilação completa de todos os jogos da série Wonder Boy / Monster World, e na Nintendo Virtual Console existem tanto a versão Master System como a TG16 para download. Para quem gosta de jogos de plataforma e aventura, recomendo vivamente que joguem esta série. Em Wonderboy III: The Dragon’s Trap têm o melhor jogo da série na minha opinião.

 

God Hand (Sony Playstation 2)

God HandO jogo de hoje é mais um exemplo da onda criativa que atravessou os estúdios da Capcom na geração passada, desta vez o já extinto Clover Studios, que trabalhou anteriormente em jogos como Okami ou Viewtiful Joe. God Hand é um jogo de “perrada” situado num mundo pós apocalíptico / western, repleto de momentos WTF e cómicos. Infelizmente conseguiram dar alguns tiros ao lado neste jogo, conforme será descrito mais à frente. A minha cópia foi comprada na GameStop algures em Agosto/Setembro deste ano, não me custou mais de 10€ e está como nova.

God Hand PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história segue o lutador Gene, que após ter tido um braço decepado por uma série de rufias, encontra-se com a bela jovem Olivia que sendo a última guardiã viva das “God Hands” entrega a Gene a última God Hand, substituindo o seu braço perdido e dando-lhe novos poderes. As God Hands foram umas armas outrora utilizadas para derrotar o grande demónio Angra, salvando assim a humanidade. Na altura em que o jogo decorre, 4 demónios (os chamados Four Devas) planeiam roubar a última God Hand a Gene e ressusitar Angra novamente. Isto é a história geral, os 4 Devas são 4 demónios algo cómicos e ao longo do jogo vamos encontrando vários outros mini-bosses igualmente hilariantes. Desde gémeos gays, “power rangers” anões, cientistas malucos, entre vários outros.

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Tau! Nas jóias de família!

O que God Hand tem de muito mal, na minha opinião é a sua jogabilidade, principalmente na parte da movimentação, bastante travada. Gene mexe-se quase como os “tank controls” habituais dos primeiros resident evil. Isto aliado ao facto da câmara ser fixa e apontar sempre na direcção em que Gene se encontra, torna esta experiência algo frustrante, por nem vermos os inimigos que se encontram atrás de nós até ser tarde demais. Em relação à pancadaria, a coisa melhora um pouco pois God Hand é um beat ‘em up bastante customizável. Os botões Triângulo, Quadrado e X podem ser customizados com vários golpes, resultando em diferentes combos. Estes golpes individuais são mais de 100 e podem ser adquiridos quer numa loja própria, quer ao derrotar alguns bosses ou mesmo ao vencer alguns dos mini-jogos. O botão “O” é uma espécie de botão multi-usos, podendo ser utilizado para abrir portas, cestos, pegar em objectos, ou até aplicar uns golpes especiais para quando os inimigos estão tontos ou cansados: desde joelhadas na cabeça, passando por “suplexes” ou até palmadas no rabiosque de meninas mal comportadas (a sério!). Existem também outras técnicas especiais, as “Roulette”. Estes são golpes poderosos que podem ser desencadeados a troco de 1 ou mais “roulette orbs” – items encontrados ao longo do jogo. Para finalizar esta parte, God Hand tem ainda um modo que faz lembrar o Devil Trigger de Devil May Cry. Gene dispõe de uma barra de tensão que, estando no seu máximo, Gene pode utilizar os poderes da God Hand, tornando-o temporariamente invencível, bem mais rápido e mais forte. Obviamente que tudo o que é bom acaba depressa, portanto tanto os roulette techniques como o poder da God Hand devem ser usados com precaução.

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Shannon, uma diabinha cheia de estilo

God Hand é um jogo difícil. Embora possamos escolher um nível de dificuldade no início do jogo, existe também um “rating level” que funciona da seguinte maneira: Se estivermos a jogar muito bem e conseguirmos dar vários hits seguidos, o nível do barómetro aumenta, e o jogo aumenta a sua dificuldade. Se pelo contrário estivermos constantemente a levar no corpo, o jogo torna-se um pouco mais fácil (os inimigos demoram mais a atacar). A estrutura do jogo segue por níveis acedidos através de um mapa. Cada nível é por si dividido em vários rounds, que podem ser áreas grandinhas, como áreas pequenas com algumas lutas mais importantes. Para além disso, pode também ser visitada entre cada round uma ilha com vários locais de interesse, entre os quais uma loja onde Gene pode adquirir ou vender vários golpes ou items que lhe fortaleçam. Existe também uma arena onde podemos treinar os vários golpes e combos disponíveis, bem como realizar algumas “missões” que passam por derrotar um número fixo de inimigos num dado intervalo de tempo (ou não). Finalmente existe também um casino onde podemos jogar videopoker, Blackjack e Slot Machines, para ganhar algum dinheiro ou até algumas técnicas exclusivas.

Graficamente God Hand é um jogo bastante simples. Os cenários (salvo raras excepções) são bastante simples e pouco detalhados. As personagens (principalmente as mais importantes) já estão bem modeladas e detalhadas. A câmara sendo fixa provoca alguns glitches gráficos também, como o clipping exagerado entre paredes de edifícios. No que diz respeito ao som, apesar de não ser um jogo muito pretencioso neste aspecto, acho que God Hand até desempenha um bom trabalho, tendo em conta que quer passar uma atmosfera toda “série B”. O voice acting acompanha perfeitamente toda a parvoíce (no bom sentido) que vai decorrendo ao longo do jogo.

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A escolher uma roulette technique

Para concluir, God Hand é um jogo repleto de humor e bizarrices. Infelizmente a jogabilidade é muito travada, a câmara é trapalhona e os gráficos têm alguns problemas. Isto aliando a uma dificuldade elevada (Shinji Mikami quis que este fosse um jogo para o público hardcore), deixam esta experiência com um sabor agridoce. God Hand seria um jogo excelente (para os meus gostos), se não o tivessem deixado com estes problemas. Ainda assim não deixa de ser um jogo com um certo “cult” por detrás (e merecido!) pelo que recomendo vivamente que pelo menos o experimentem. Para além da versão original PS2, God Hand está também disponível para a PS3 através de download na PSN. Experimentem!

Action Fighter (Sega Master System)

action-fighter-coverTempo de mais um post rápido de um jogo do fundo da gaveta (do fundo mesmo!). Action Fighter é um shooter vertical da Sega saido originalmente em 1986 para a Arcade e Master System (e posteriormente para vários computadores da época). É claramente inspirado por outro jogo famoso um pouco mais antigo, o Spy Hunter da Midway, porém tem algumas diferenças notáveis. Este jogo chegou-me às mãos através de um pack de 7 jogos que comprei no miau.pt há uns anos, na altura tinha-me ficado por 5€ o pack completo, mais os respectivos portes de envio. Apenas lhe falta o manual, infelizmente.

Action Fighter SMS
Uma das capas mais manhosas de sempre

Tal como em Spy Hunter, assumimos que o protagonista de Action Fighter é uma espécie de agente secreto. O jogo tem 5 níveis, cada um com um objectivo de destruir algumas armas de destruição massiva, tais como submarinos, tanques de mísseis, etc. As missões começam sempre com uma moto, num cenário urbano, com vários outros veículos na estrada. A moto é um veículo frágil, portanto um hit dos inimigos ou um despiste e lá se vai uma vida. É aí que entra a parte do shooter, apesar de a maior parte dos veículos que vão aparecendo na estrada não me parecerem inimigos (até ambulâncias lá andam), não existe qualquer penalização por destruí-los (ao contrário do que acontece em Spy Hunter). Agora vem a parte gira: ao destruir os “inimigos” que vão surgindo no ecrã, eles vão deixando várias letras. Ao coleccionar as letras de A até D transforma a frágil moto num carro desportivo mais robusto (não explode ao primeiro toque em inimigos) e com mais poder de fogo. Ainda na estrada de vez em quando surge um camião que diz “SEGA”. A ideia é conseguirmos entrar no camião em andamento (o pessoal old school lembra-se do Kitt a fazer isso), com o objectivo de ganhar mais poder de fogo.

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Briefing da primeira missão

Depois de coleccionar as letras E e F o carro é transformado num avião e aqui o jogo toma completamente uma proporção de shooter vertical. Tal como em vários outros shooters da época, pode-se disparar em 2 níveis diferentes: à altura da nave e largar bombas para inimigos que estejam no solo. Também é possível adquirir vários outros power-ups quando se está em voo. Enquanto se está no ar basta novamente 1 hit para voltar ao início da secção aérea. O esquema de vidas é que é curioso. No início de cada missão temos um timer. Enquanto esse timer não chegar a zero, podemos morrer as vezes que quisermos que não tem problema. Depois desse tempo já é a “doer”. Felizmente várias vidas podem ser adquiridas quer em powerups quer na pontuação corrente.

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"Easy right!"

Passando para o aspecto técnico da coisa e tendo em conta que o ano era 1986, Action Fighter não é muito mau. Não tem gráficos muito variados, é verdade, mas as sprites são detalhadas o suficiente e o jogo é bastante colorido, algo que nem muitas consolas da altura podiam dar-se ao luxo de fazer. Já o som é aquela eterna pedra no sapato. Para quem está habituado ao chip sonoro da Master System até que pode nem desgostar. A jogabilidade em si não é muito boa, principalmente na parte terrestre, onde é muito fácil perder o controlo do veículo, podendo ter consequências fatais. No final de contas, Action Figher não é um jogo que tenha envelhecido muito bem, e seja apelativo para jogar nos dias de hoje. Recomendo apenas a coleccionadores ou fãs do género.

Brothers in Arms Earned in Blood (Sony Playstation 2)

Brother in Arms Earned in Blood PS2Este post à partida será um pouco mais pequeno que o habitual, pois vem no seguimento do Brothers in Arms: Road to Hill 30, cujo jogo partilha as mesmas mecânicas, gameplay e motor gráfico que este, sendo assim recomendo dar uma leitura prévia a esse artigo. Tal como o jogo anterior, este foi adquirido na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo entre os 3 e 4 euros e está completa, em bom estado.

Brothers in Arms Earned in Blood PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história desta vez segue Joe “Red” Hartsock, outrora membro do pelotão de Matt Baker. Metade do jogo segue alguns eventos que decorreram no jogo anterior, mas do ponto de vista de Hartsock. Outra parte do jogo já vai para além dos eventos decorridos em Road to Hill 30. A mecânica do jogo e o gameplay são exactamente os mesmo. Em Brothers in Arms preza-se uma abordagem estratégica na altura do combate. Enfrentar os inimigos “à Rambo” na maior parte das vezes apenas resulta num ecrã de game over. Hartsock geralmente tem consigo 1 ou 2 pequenos esquadrões (ou um tanque) e a ideia geralmente é colocar um esquadrão a dar fogo de cobertura nuns inimigos, enquanto o outro vai pelos flancos acabar com eles. O problema é que mais uma vez a versão PS2 tem problemas de IA em relação ao original de PC e o port de Xbox. Os esquadrões nem sempre respondem da melhor forma às nossas ordens, ficando muitas vezes descobertos a fogo inimigo. Os inimigos também quando percebem que estão a ser flanqueados costumam fugir logo também para céu aberto ficando também descobertos, o que acaba por tirar alguma “piada” a toda a estratégia. O design dos mapas também é um pouco mais linear, o que acaba por forçar um pouco mais a estratégia que teremos de adoptar.

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Vista posicional dos esquadrões e inimigos

O modo multiplayer é mais variado desta vez. Temos na mesma várias missões multiplayer a cumprir, seja chegar do ponto A ao ponto B, destruir infraestruturas alemãs, etc. Pode ser na mesma jogado em splitscreen para 2 jogadores, ou online com mais uns quantos. A táctica de comandar esquadrões mantém-se. Para além disto, Earned in Blood traz também um “Skirmish” mode com missões adicionais. Pode ser jogado sozinho ou em modo cooperativo, quer em splitscreen quer online. Existem 5 missões para o lado americano e outras 5 para o lado alemão. Para cada mapa podemos jogar de formas diferentes: “Objective” como se uma missão normal se tratasse; “Timed Assault” onde o objectivo é arrasar com todos os inimigos no menor tempo possível; “Defence” é um modo de sobrevivência onde enfrentaremos ondas intermináveis de inimigos nesse mesmo mapa, e finalmente o “Tour of Duty” que consiste em completar todas as missões numa dificuldade acrescentada apenas com uma vida, um esquadrão, sem checkpoints ou savegames de qualquer forma.

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Multiplayer warfare!

A nível visual, o jogo tem o mesmo motor gráfico do anterior. São gráficos agradáveis para uma PS2, mas nada do outro mundo. Algo que não mencionei no jogo anterior foi o enorme trabalho (que pode ser visto nos extras) que a Gearbox teve ao sincronizar os lábios das personagens com as falas. Na versão PS2 não se vê nada disso infelizmente. A nível sonoro, ou o jogo foi feito muito à pressa ou está um pouco abaixo do anterior. As personagens continuam a interagir uns com os outros, mas acho que não o fazem tanto como no jogo anterior. A banda sonora permanece com a mesma qualidade. Da mesma forma que fizeram no Road to Hill 30, aqui ao jogar-se o jogo principal nos vários graus de dificuldade vão sendo desbloqueados vários extras, desde fases da produção do jogo, arquivo histórico e curiosidades várias das armas, veículos e infantaria presente no jogo.

Apesar das falhas da versão PS2, não deixa de ser um jogo agradável para quem gostar da temática. As falhas na IA são de facto o problema mais sério, mas com um pouco de mais cuidado e paciência vai-se jogando bem. A versão original de PC (e Xbox) são naturalmente mais bonitas, o design dos níveis está mais completo e os problemas de IA mais atenuados. Recomendaria também que ficassem longe da conversão para a Nintendo Wii que saiu uns anos mais tarde. É baseada nesta versão PS2 sem os modos multiplayer e com mais alguns problemas.