Illusion of Time (Super Nintendo)

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A Super Nintendo é uma consola fascinante no que diz respeito aos RPGs. Para além de óptimas entradas em séries já bem conhecidas do público em geral como Dragon Quest, Final Fantasy ou Fire Emblem, obras primas como Earthbound ou Chrono Trigger, teve também direito a vários jogos um pouco mais experimentais no seu conceito, como ActRaiser, Live-A-Live ou a interessante trilogia de RPGs de acção da Quintet/Enix, composta pelos Soul Blazer, Illusion of Time/Gaia e Terranigma. Este meu exemplar do Illusion of Time foi adquirido num bundle de vários cartuchos de SNES que comprei no OLX, algures em meados de 2016. Ficou-me por 12€, embora infelizmente seja a versão francesa. No entanto já era um jogo que conhecia e tinha jogado até ao final através da emulação, alguns anos antes. EDIT: Comprei recentemente, por cerca de 70€ uma versão UK completa na CeX.

Jogo completo com caixa, mapa e cartucho, versão UK

O jogo decorre numa versão fantasiosa do nosso planeta, onde iremos visitar alguns locais conhecidos como as linhas de Nasca, ruínas Incas, a grande muralha da China ou as piramides do Egipto. A história no entanto leva-nos a encarnar no jovem Will, que desde cedo é incumbido do pesado fardo de salvar o mundo, obrigando-nos a percorrer esses conhecidos locais em busca das Mystic Statues, de forma a impedir que um estranho e sinistro cometa que surgiu recentemente no céu destrua o mundo. Na verdade a história vai se desenrolando de uma maneira bem interessante e as coisas vão fazendo mais sentido, mas deixo isso para quem o for jogar. Will possui também poderes especiais, consegue entrar em portais que o levam ao Dark Space, uma estranha dimensão onde podemos falar com uma misteriosa entidade de nome Gaia, que de certa forma nos vai guiando pela nossa aventura. Aí podemos também salvar o jogo, bem como alternar entre as diferentes formas que nos podemos transformar, como o guerreiro Freedan ou o estranho ser etéreo Shadow, que apenas é desbloqueado perto do final do jogo. Mas já lá vamos.

Ao longo do jogo vamos desbloqueando habilidades que Will, Freedan ou mais tarde Shadow poderão executar
Ao longo do jogo vamos desbloqueando habilidades que Will, Freedan ou mais tarde Shadow poderão executar

Illusion of Time é um RPG de acção que faz lembrar bastante jogos como o The Legend of Zelda, mas com um percurso altamente linear, ao contrário do mundo aberto de Zelda. Há aqui um foco bastante grande no combate e exploração de dungeons, bem como na narrativa da história. No primeiro tema, somos encorajados a derrotar todos os inimigos presentes na mesma sala, por um lado em algumas circunstâncias tal é obrigatório para que se abram novos caminhos que nos permitam progredir na dungeon, por outro se o fizermos somos recompensados com um aumento definitivo da nossa barra de energia, poder de ataque ou defesa. No decorrer do jogo vamos também ganhando novas habilidades como diferentes ataques ou movimentos, bem como a tal possibilidade de encarnar noutras personagens. Tanto Freedan como Shadow possuem habilidades únicas que serão também necessárias para resolver puzzles e progredir nas dungeons. Por exemplo, para além de Freedan ser mais forte, tem também alguns ataques de longo alcance que para além de darem um jeitaço contra os bosses, servem também para interagir com interruptores ou alavancas longínquos e que nos abrem passagens. Shadow, pelo ser etéreo que é, pode-se também esgueirar entre as frinchas do solo e alcançar outras salas, mas esta é uma habilidade que só daremos uso mais lá para o final.

As transições de locais no mapa mundo são feitas através dos efeitos gráficos do mode 7
As transições de locais no mapa mundo são feitas através dos efeitos gráficos do mode 7

A narrativa é algo que até me surpreendeu pela positiva pelos temas que aborda, como a fragilidade da vida humana, o seu legado, a escravatura ou o canibalismo forçado de uma tribo indígena que pela fome que passava se viu obrigada a comer parte dos seus habitantes para sobreviver (se bem que isto está algo censurado na versão ocidental). As várias personagens como os amigos de infância de Will e as outras que vão aparecendo também vão amadurecendo e as relações se vão estreitando de uma forma bastante interessante para a época em que o Illusion of Time foi lançado.

A narrativa é por vezes bastante macabra, como é a história deste jogador de uma espécie de roleta russa, que mais tarde vimos a descobrir que sofria de uma doença terminal e jogava apenas para tentar ganhar o máximo de dinheiro possível para deixar para a sua família.
A narrativa é por vezes bastante macabra, como é a história deste jogador de uma espécie de roleta russa, que mais tarde vimos a descobrir que sofria de uma doença terminal e jogava apenas para tentar ganhar o máximo de dinheiro possível para deixar para a sua família.

Tecnicamente acho este jogo bastante interessante. Algumas sprites como as de Will e Freedan são bastante bem animadas, assim como a grande variedade dos cenários que percorremos é bastante agradável. Para além de representarem diferentes culturas do nosso planeta, temos também cenários completamente fantasiosos como uma floresta de cogumelos e lianas gigantes. Os bosses geralmente são grandinhos e também bem detalhados. Mas se há coisa que realmente se destaca nos audiovisuais deste jogo é sem dúvida a banda sonora que tem uma óptima qualidade. Os instrumentos soam mesmo a instrumentos reais e as músicas em si são geralmente folclóricas (tendo em conta cada cultura).

No fim de contas considero este Illusion of Gaia um jogo muito interessante para quem gostar de RPGs de acção, tanto pela sua jogabilidade orientada ao combate físico, como pela narrativa que nos leva a atravessar diferentes culturas e a maneira como as personagens madurecem e estreitam os laços entre si. E claro, a excelente banda sonora que referi acima.

T2 The Arcade Game (Sega Mega Drive)

21170_frontO artigo de hoje para não variar é mais uma rapidinha, desta vez para um jogo da Mega Drive. T2: The Arcade Game, é um dos vários jogos lançados sobre este fantástico filme de acção protagonizado por Arnold Schwarzenegger, tendo as suas origens na arcade e produzido pela Midway. É um light gun shooter em 2D, portando ainda algo similar àquelas galerias de tiro como o Operation Wolf. O meu exemplar veio da feira da Ladra em Lisboa, foi comprado algures em Agosto/Setembro e custou-me 5€.

Jogo com caixa
Jogo com caixa

O jogo segue mais ou menos os acontecimentos narrados pelo filme, que acredito plenamente que todos os leitores já o tenham visto. No entanto há um grande foco nos acontecimentos do futuro, pelo que a primeira metade dos níveis decorre nesse cenário apocalíptico onde as máquinas tentam a todo o custo exterminar a raça humana, connosco a participar em campos de batalha onde temos de destruir ondas intermináveis de exterminadores, ou mesmo nas próprias bases da resistência, onde exterminadores disfarçados de humanos tentam causar o caos. Eventualmente lá mandamos o “nosso” exterminador para o passado para proteger John Connor e os níveis seguintes uma vez mais acabam por ser mais ou menos inspirados no filme, com a destruição da empresa Cyberdine que viria mais tarde criar a Skynet e a fuga ao avançado T-1000, culminando no famoso tiroteio numa fundição metarlúrgica.

Existe um número razoável de diferentes itens que podemos apanhar. Este em particular faz o reset do medidor de sobreaquecimento da metralhadora
Existe um número razoável de diferentes itens que podemos apanhar. Este em particular faz o reset do medidor de sobreaquecimento da metralhadora

Eu gosto bastante de light gun shooters, mas infelizmente, antes do Virtua Cop ou Time Crisis que introduziram o 3D, permitindo a transições mais dinâmicas ou cinemáticas, nos velhinhos jogos 2D deste género, a jogabilidade acabava por ser bem mais limitada, com os níveis a resumirem-se a galerias de tiro algo estáticas ou simplesmente com um simples scrolling no ecrã. Este jogo não foge a essa regra, e o número de inimigos no ecrã é bastante abundante, de tal forma que se torna practicamente impossível não sofrer dano, principalmente se não tivermos uma Menacer e recorrermos aos controlos pelo comando. Talvez por isso o jogo não penalize o jogador sempre que seja necessário recorrer aos continues. De resto a jogabilidade em si é bastante simples, com um botão para disparar a arma no seu modo “normal”, ou seja, disparar balas. O outro botão serve para disparar a arma secundária, que podem ser rockets ou uma shotgun, dependendo dos níveis. Aí a munição é limitada, ao contrário da arma primária, a metralhadora, que possui balas infinitas. No entanto essa arma pode sobreaquecer, obrigando-nos a gerir melhor as coisas do nosso lado. Naturalmente existem também uma série de power ups, que tanto podem surgir normalmente no ecrã, ao derrotar inimigos, ou ao destruir caixotes e objectos aleatórios nos níveis. Desses power ups temos coisas como continues extra, itens que nos aumentam temporariamente o poder de fogo, munição para a arma secundária, rapid fire sem sobreaquecer a arma principal, entre outros.

Graficamente é um jogo um pouco mais modesto tendo em conta o original de arcade, onde as sprites digitalizadas à lá Mortal Kombat foram substituídas por puro pixel art, alguns níveis foram simplificados e a cutscene final foi removida, substituída por uma foto do John Connor, acompanhada por texto. No que diz respeito ao som, para além de algumas voice samples que foram também omitidas face à versão arcade, no geral até gostei da adaptação. As músicas têm todas uma toada mais rock, que se adequa bem àquilo que o chip de som da Mega Drive é capaz de produzir.

Sempre me fascinou o design ameaçador destes exterminadores!
Sempre me fascinou o design ameaçador destes exterminadores!

No fim de contas, considero este T2 The Arcade Game um sólido light gun shooter, tendo em conta que para a época, não havia muito melhor e os jogos 2D deste género sempre foram algo “gallery shooters” (com o Lethal Enforcers da Konami a ser uma notável excepção). De resto, numa nota de rodapé, este jogo foi convertido para uma panóplia de plataformas incluindo a Commodore Amiga, Super Nintendo e respectivas consolas de 8bit. E se por um lado a conversão da Game Boy é horrenda, as versões Master System e Game Gear, numa perspectiva meramente técnica, foram óptimas surpresas. Mas deixarei isso para um possível futuro post, assim que apanhar uma dessas versões na colecção.

Champions of Europe (Sega Master System)

311219_frontContinuando pela Master System com mais uma rapidinha, o artigo que cá trago hoje é de um jogo que corro o sério risco de lhe ser injusto. Isto porque sinceramente pelo que joguei não me agradou, embora tenha lido muitas opiniões em que é um jogo que se demora a habituar à sua jogabilidade e eu não lhe dei tanto uso assim. Este meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa, algures durante o mês de Agosto, por 5€.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

Tal como no nome do jogo indica, refere-se ao campeonato europeu de futebol de 1992, e dá-nos a possibilidade de participar no torneio, jogar partidas amigáveis ou participar em sessões de treino, onde podemos practicar os penalties, ou simplesmente correr pelo campo e practicar os controlos. E isso acaba por ser uma função muito importante pois os controlos deste jogo são muito diferentes. Controlar a bola é uma tarefa hercúlea, pois ao contrário dos jogos de futebol normais, onde o jogador que leva a bola se tem de preocupar em fugir aos adversários de forma a não perder a bola, aqui o simples facto de correr com posse da bola é uma arte por si só. É perfeitamente normal, principalmente se estiverem 2 jogadores humanos a jogar um contra o outro, ver a bola parada no campo e fails consecutivos de ninguém a conseguir controlar decentemente.

A interface do menu principal tenta ser original para a época, mas acho-a desnecessariamente complicada
A interface do menu principal tenta ser original para a época, mas acho-a desnecessariamente complicada

Para além dos controlos adversos, o jogo deixa-nos com uma série de opções, algumas mais interessantes que outras. No caso de jogarmos o modo torneio, muitas dessas tornam-se aleatórias de partida para partida, como é o caso das condições meteorológicas, velocidade do vento, ou o critério do árbitro (há 7 árbitros, supostamente cada qual com diferentes critérios de arbitragem mas no fim de contas parece-me tudo algo aleatório). Outras opções são sempre alteráveis, como é o caso do posicionamento do radar do jogo ou a duração de cada parte. A estratégia pode também ser alterada a qualquer altura nas partidas ao pressionar os botões 1 e 2 em simultâneo.

Tudo isto é muito bonito para um jogo de 8bit, mas a jogabilidade desnecessariamente complicada mata tudo. Isso e o facto de existirem aqui mais uns erros crassos. Não há qualquer informação no ecrã do tempo de cada partida nem do seu resultado, ocasionalmente lá aparece um balão de fala do árbitro que vai indicando o tempo (real) que falta para terminar a parte respectiva e ainda mais ocasionalmente o resultado. Custava assim tanto colocar essa informação no ecrã? Depois não há qualquer música durante as partidas, nada de ruídos de fundo, nem sequer quando se marca um golo. Tudo o que ouvimos são os apitos do árbitro e os ressaltos da bola no chão, que soam a tudo menos ao que deveriam. As únicas vezes que temos música é durante a intro do jogo e quando vencermos o torneio. Depois há aqui uns bugs bastante ridículos, como faltas completamente estúpidas ou pior ainda, se marcarmos um auto golo, o golo conta a nosso favor. Sim, é verdade.

As indicações do árbitro são dadas pela forma destes balões de diálogo
As indicações do árbitro são dadas pela forma destes balões de diálogo

Para mim é o pior jogo de futebol que já joguei na Master System. Pior ainda que o World Soccer, que por si já é um jogo extremamente simples, no entanto tem uma jogabilidade muito melhor que este. Mas o que é mais incrível é que para além de ter recebido óptimas notas, tanto nas revistas oficiais da Sega como nas outras, ainda hoje vejo aqui e ali algumas boas críticas independentes ao jogo, onde se queixam um pouco da jogabilidade mas que acaba por ser uma questão de hábito. Não sei onde esta gente tem a cabeça ou então sou eu que estou muito errado…

Thunder Blade (Sega Master System)

50451_frontHoje é tempo de mais uma rapidinha, onde voltamos à Sega Master System para analisar mais uma conversão arcade da própria Sega. Thunder Blade, que provavelmente já o conhecem pela sua adaptação para a Mega Drive, era um shooter tecnicamente impressionante para a altura em que saiu, pelo seu uso da tecnologia de sprite scaling e de diferentes perspectivas, sempre com uma óptima sensação de velocidade e profundidade. Infelizmente a Master System não tem capacidades para implementar toda essa tecnologia, pelo que esta é uma conversão mais modesta. O meu exemplar foi comprado na Feira da Ladra em Lisboa algures em Agosto, tendo-me custado 5€.

Jogo em caixa
Jogo em caixa

Originalmente, Thunder Blade era um shmup bem impressionante para a época em que foi lançado nas arcades, tal como referido no parágrafo acima. Apesar de possuir apenas 4 níveis, os mesmos eram dividos na perpesctiva “over the top” mais tradicional, com o scrolling vertical, e depois outros segmentos numa perspectiva de terceira pessoa semelhante ao que era visto em jogos como After Burner ou Space Harrier. Mesmo na perspectiva mais tradicional, havia uma sensação de profundidade notória, o primeiro nível decorria numa cidade e os prédios eram apresentados como uma camada de sprites umas em cima das outras, posicionando-se de tal forma com o scrolling que simulam um efeito 3D agradável. Até era possível controlar a altura do helicóptero, mas infelizmente na versão Master System isso não é possível, e nesses segmentos vistos de cima, o tal efeito 3D também não foi incluido.

Visto de cima, Thunder Blade é um jogo algo banal, pois nesta versão perdeu-se o efeito 3D característico da versão arcade
Visto de cima, Thunder Blade é um jogo algo banal, pois nesta versão perdeu-se o efeito 3D característico da versão arcade

Depois, se jogaram o Space Harrier da Master System, quando o jogo altera para aquela perspectiva, também podem esperar uma performance semelhante, ou seja, são segmentos algo lentos e naqueles níveis tipo o segundo, onde somos levados por umas cavernas e teremos de nos desviar de vários obstáculos. Como o framerate nessas secções é horrendo e nem dá para entender muito bem o caminho, escusado será dizer que fartei de me bater nas paredes. Curiosamente o remake da Mega Drive apenas se focou nesta perspectiva, mas essa consola já tinha o poder necessário para replicar melhor essas secções mais chatas. No final de cada nível temos um boss para defrontar, alguns na perspectiva mais tradicional, outros na mais “tridimensional”. De resto a jogabilidade é simples, com um botão a disparar rajadas de metralhadora e outro para disparar mísseis ar-terra, de forma a atingir os inimigos que estavam no solo, geralmente tanques ou navios no nível aquático.

Na perspectiva pseudo 3D tipo After Burner, mesmo quando o caminho a seguir é tão simples quanto este, as coisas ficam algo lentas.
Na perspectiva tipo After Burner, mesmo quando o caminho a seguir é tão simples quanto este, as coisas ficam algo lentas.

Tecnicamente não é uma conversão lá muito boa. A música é sempre a mesma e não é das mais agradáveis. Depois por um lado na perspectiva mais tradicional o jogo até é fluído, embora a custo de se perder aqueles efeitos 3D da versão arcade. Quando passa para a perspectiva tipo Space Harrier as diferenças infelizmente são logo bem notórias, conforme já mencionado. Mas ao menos a Sega tentou e temos de ver que nessa altura estava practicamente sozinha a suportar a Master System em todos os territórios, onde a competição era feroz tanto pela Nintendo no Japão e Estados Unidos, como pela esmagadora popularidade dos micro computadores da Sinclair, Commodore e afins no território europeu. Por acaso até fiquei agradavelmente surpreendido com as conversões para Commodore 64 e ZX Spectrum, a versão C64 conseguiu reproduzir de uma forma minimamente convincente a sensação de profundidade dos níveis de perspectiva vista de cima.

Phoenix Wright: Ace Attorney (Nintendo DS)

phoenix_wright_-_ace_attorney_coverartMantendo-me pelas portáteis da Nintendo, o jogo que cá trago agora é o primeiro capítulo de uma série que se revelou numa óptima surpresa para mim. Phoenix Wright: Ace Attorney é uma interessante mistura de aventura gráfica e visual novel, com a temática da defesa de casos “impossíveis” em tribunal. É uma série que já existia no mercado desde 2001 de forma exclusiva para a GameBoy Advance apenas no Japão. Felizmente que, com a introdução da Nintendo DS, a Capcom decidiu pegar nos jogos já existentes dessa série e relançá-los na nova portátil da Nintendo, com diversas mudanças e melhoramentos, principalmente pelo facto de o mercado ocidental não ter ficado esquecido. O meu exemplar é uma versão norte-americana, que foi comprada na Feira da Ladra em Lisboa, no último Sábado que passei por lá, no final de Setembro. Custou-me 15€ se a memória não me falha.

Jogo com caixa, papelada e manual na sua versão norte-americana
Jogo com caixa, papelada e manual na sua versão norte-americana

A personagem principal é o jovem advogado Phoenix Wright, que se encontra a iniciar a sua carreira na firma de Mia Fey, a sua mentora. Ao longo do jogo teremos 5 casos para resolver, onde o primeiro serve como uma espécie de tutorial, onde Mia Fey nos vai auxiliando no tipo de acções que teremos de ter em conta e mais precisamente no seu timing. Cada capítulo está dividido em 2 secções distintas, com uma cutscene de abertura onde assistimos a uma cena de um assassinato, sendo que depois ficaremos com o papel de defender o principal suspeito da sua inocência. Essas duas secções distintas dividem-se na parte de exploração, onde iremos percorrer por vários cenários, de forma a recolher e examinar pistas que possam ser usadas como provas e entrevistar pessoas para recolher os seus testemunhos. A outra parte são claro as sessões do tribunal, onde teremos de interrogar testemunhas e procurar contradições nos seus diálogos, recorrendo também às provas encontradas anteriormente. Eventualmente as testemunhas vão sendo descredebilizadas e o verdadeiro culpado dos crimes vai sendo encontrado.

Ao questionar as testemunhas da maneira correcta, acabamos por descobrir algumas inconsistências e mentiras que muitas vezes nos levam a situações hilariantes.
Ao questionar as testemunhas da maneira correcta, acabamos por descobrir algumas inconsistências e mentiras que muitas vezes nos levam a situações hilariantes.

É precisamente nestas sessões dos julgamentos que o jogo ganha todo o seu charme, pois é aí que todo o dramatismo acontece, e as personagens são todas bastante carismáticas. O jogo balanceia muito bem o drama com o humor, até porque a grande maioria das personagens são bem bizarras e muitas vezes quando os contradizemos eles começam a dizer parvoíces. Depois claro, temos as “regras” do jogo em que todo o suspeito é considerado culpado até prova em contrário, os julgamentos têm um prazo máximo de 3 dias para se chegar a um veredicto e as nossas acções se feitas à sorte ou com o ou fora do seu timing vão irritando o juíz, até que podemos vir mesmo a perder o caso se lhe esgotarmos a paciência. Gritar “Objection!” pode ser bem bonito com todos os gestos elegantes que os advogados fazem, mas não adianta de nada se não tivermos um argumento que o suporte. E sim, o próprio juíz também não é propriamente imparcial ou isento…

Todas as acções que tomamos durante o julgamento devem ser meticulosas, pois se metermos água várias vezes o juiz chama-nos incompetentes, considera o réu culpado e dá o caso por encerrado.
Todas as acções que tomamos durante o julgamento devem ser meticulosas, pois se metermos água várias vezes o juiz chama-nos incompetentes, considera o réu culpado e dá o caso por encerrado.

Felizmente podemos gravar o nosso progresso no jogo a qualquer momento, e o facto de os casos terem no máximo 3 dias para ficarem fechados não influencia em nada a história, pois a mesma é bastante linear e esse limite nem sempre é necessário para ser atingido. Quando temos mais que uma sessão de julgamento o jogo remete-nos novamente para a parte de exploração de forma a recolher novas provas e testemunhos. Quando tivermos encontrado tudo o que é necessário ao round seguinte, somos então encaminhados para uma nova sessão no tribunal. Aí, a arte e o engenho está precisamente no saber o que dizer, ou que provas apresentar para descredibilizar as testemunhas entrevistadas. Temos de estar bastante atentos aos diálogos de forma a procurar alguma frase chave que não bata certo com os perfis que temos das personagens e das provas recolhidas, o que nem sempre é evidente, principalmente naqueles casos mais “avançados” no jogo.

As provas que encontramos depois de analisadas meticulosamente são usadas como forma de provar a inocência do réu
As provas que encontramos depois de analisadas meticulosamente são usadas como forma de provar a inocência do réu

O quinto e último caso foi desenvolvido especialmente para esta conversão da Nintendo DS, pois usa as características únicas da DS no decorrer do jogo, como a possibilidade de usar o touch screen para rodar objectos, ou um kit de análise forense para procurar outras pistas que também recorre ao touchscreen ou microfone.  No entanto, ao longo de todo o jogo, os diálogos e cutscenes vão sendo vistos no ecrã superior, com o inferior a servir de interface para aceder ao inventário, escolha de diálogos e afins. Vem também com a possibilidade de usar comandos por voz, mas sinceramente não testei, porque sempre o joguei em espaços públicos e queria evitar gritar “objection!!” para não pensarem que sou maluquinho.

De resto, graficamente é um jogo interessante, mesmo sendo uma conversão de um jogo de Game Boy Advance. As personagens têm todas um traço manga tipicamente japonês e as suas expressões faciais são hilariantes. As músicas são também variadas e bastante agradáveis, como a Capcom sempre nos habituou.

Na fase da exploração teremos de procurar por pistas escondidas e entrevistar várias pessoas
Na fase da exploração teremos de procurar por pistas escondidas e entrevistar várias pessoas

Phoenix Wright Ace Attorney é uma excelente série que me surpreendeu bastante e à Capcom também, pois lançou o jogo nos Estados Unidos de uma forma contida e rapidamente se popularizou, gerando várias rupturas de stock. Ainda bem que tal aconteceu pois dessa forma quase todos os outros acabaram por sair também no Ocidente, e deram também azo a um interessante crossover com a série Professor Layton que planeio jogar assim que comprar uma 3DS. Ainda assim a Capcom não deve ter produzido cópias suficientes dos jogos desta série, pois todos eles são algo complicados de aparecer nos círculos normais, pelo menos a preços apetecíveis.