Tempo para mais uma rapidinha para a Game Gear. E se a Game Boy tinha no Tetris o expoente máximo nos jogos de puzzle, a Sega fez o mesmo e foi atrás de um dos clones com mais potencial que surgiram na época. Columns, de Jay Geertsen, era um jogo onde blocos verticais tricoloridos iam caindo no ecrã e apenas poderíamos trocar a ordem das cores. A ideia era juntar 3 ou mais blocos em linha da mesma cor e fazê-los desaparecer, com os restantes a “cair” e podendo depois desencadear outras combinações. A Sega ficou então com os direitos de Columns e lançou vários jogos em diferentes plataformas, desde as máquinas arcade até à portatil Game Gear. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto, num bundle de vários jogos de Game Gear que me ficou bastante barato. Edit: Recentemente arranjei uma versão completa por 10€.
Jogo com caixa e manual
Tal como já referi acima, o conceito do jogo é bastante simples. É um puzzler em que vão caindo blocos verticais de 3 cores e o objectivo é o de agrupar 3 ou mais blocos da mesma cor para os fazer desaparecer. A única coisa que controlamos, para além de onde colocar o bloco, é a ordem pela qual queremos que as cores apareçam. É possível agrupar blocos horizontalmente, verticalmente e diagonalmente, bem como fazer combos que nos dão mais pontos extra, pois os blocos que desaparecem dão lugar aos que estão imediatamente acima. Nesta versão do Columns temos apenas um bloco especial, que faz com que desapareçam todos os blocos da mesma cor, assentando-o em cima de um bloco com a cor que queremos fazer desaparecer. De resto esta versão possui ainda um modo de jogo, o Flash. Aqui já temos o ecrã previamente preenchido com alguns blocos e temos de os fazer desaparecer até alcançar uma jóia reluzente algures lá no meio.
Os backgrounds vão mudando de cor com o decorrer do jogo.
No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente este Columns é um jogo mais modesto. Graficamente não há muito que pode melhorar, sinceramente. Num ecrã como o da Game Gear, é preciso ter algum cuidado redobrado com a área de jogo. Existem alguns backgrounds que vão mudando ligeiramente com o tempo, mas nada de especial. Infelizmente as músicas é que não são lá muito cativantes para ser sincero e aí poderia ser um ponto mais facilmente melhorado. Ainda assim neste tipo de jogos o que interessa mesmo é a jogabilidade e Columns é um jogo bem sólido nesse aspecto. Esta versão Game Gear não foge à regra nesse aspecto e isso é o mais importante.
Killzone Shadow Fall foi um dos jogos de lançamento da PS4, e tendo eu até gostado dos seus predecessores, não poderia falhar este jogo também. É um novo capítulo na série, 30 anos após os acontecimentos narrados nas prequelas, que culminaram com a destruição do planeta Helghan. A ISA decidiu então albergar os sobreviventes no seu planeta Vekta, dividindo-o a meio com uma muralha gigantesca. Naturalmente as tensões continuavam altas entre ambas as facções e eventualmente novos conflitos voltam a ocorrer. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide, algures no início do verão de 2016. Custou-me cerca de 12€ se bem me recordo.
Jogo com caixa e panfletos, já que manuais nesta geração são uma miragem.
Shadow Fall continua a tradição de um first person shooter futurista, mas com algumas novidades. Por um lado muito do armamento antigo volta a marcar cá a sua presença, embora com algumas modificações nas armas. Por outro temos o OWL, um pequeno drone que nos acompanha ao longo de practicamente todo o jogo e pode ser usado para nos auxiliar em várias circunstâncias. A função mais importante é a de ataque, onde o podemos mandar para um grupo de inimigos e o drone enfrenta-os por nós, o que nos pode ajudar bastante em manobras de distracção. Por outro lado temos de ter em conta que o OWL possui também uma barra de energia que vai sendo diminuída à medida que leva fogo inimigo. Quando se esvazia, o drone volta para nós e fica a recarregar em background. Isto também tem de ser tido em conta pois quando levamos com bastante dano e ficarmos incapacitados, o drone pode-nos ressuscitar se tivermos connosco algum medkit. No entanto, se o drone estiver a ser recarregado então nada podemos fazer e teremos de recomeçar do checkpoint.
Uma das outras funcionalidades que temos é a possibilidade de fazer um scan à area que nos rodeia, mostrando a posição dos inimigos e de alguns itens
O OWL pode também ser usado para outras funções, como as de disparar uma descarga electrostáctica, atarantando momentaneamente os inimigos. Isso é também útil para incapacitar temporariamente drones ou robots inimigos de nos atacarem, bem como a de destruir escudos. Outra das funções do OWL é a de criar precisamente um escudo para nos proteger do fogo inimigo, ou ser usado como gancho de forma a fazer slide para plataformas que estejam bem abaixo de nós. O drone pode ainda ser usado para interagir com computadores e outros terminais, seja para obter informação necessária para progredir no jogo, ou desactivar alarmes inimigos. Aliás, durante todo o jogo é notório que há toda uma atmosfera diferente em torno das missões. Enquanto que nos anteriores jogávamos num clima de guerra aberta e muitas das missões faziam parte de campanhas militares, onde até tinhamos a companhia de soldados NPCs, aqui a maior parte das missões são mais de infiltração, num ambiente bastante tenso entre as forças da ISA e os Helghast.
Neste jogo a história leva-nos a um ambiente de Guerra fria, onde a maior parte das missões são para prevenir conflitos maiores.
De resto a jogabilidade é a típica de um first person shooter, a Guerrilla Games não reinventou a roda e sinceramente nem era preciso. Existem alguns segmentos novos, como aquelas partes jogadas em pleno espaço e sem gravidade, ou a última missão, jogada com um outro protagonista que não a personagem principal, que possui uma jogabilidade completamente furtiva. Foi uma missão que me deixou com um sabor algo agridoce, pois por um lado não usamos o OWL, mas sim algumas habilidades furtivas, como a possibilidade de ficar temporariamente invisível (embora as câmaras de segurança nos consigam detector), ou a possibilidade de usar spider bots para precisamente destruir câmaras de segurança. A primeira parte da missão gostei bastante, mas a última foi um martírio para a completar. Quem jogou este Killzone provavelmente terá a mesma opinião que eu. Basicamente temos de percorrer uma cidade de forma completamente despercebida, evitar sermos descobertos por civis, militares ou câmaras de segurança e tudo dentro de um tempo limite de aproximadamente 3 minutos e meio. Até aí tudo bem, mas o mecanismo de camuflar não funciona tão bem assim e com os soldados 100% alertas torna o objectivo final bastante difícil. Se formos descobertos uma vez, muito dificilmente conseguiremos recuperar. Mas eventualmente lá consegui fazer o que era pretendido e terminei o jogo.
Existem várias variantes de jogo no multiplayer. Infelizmente é coisa que não tenho tempo para explorar
Temos também vários modos de multiplayer à disposição, embora sinceramente não tenha perdido nenhum tempo com eles. Pelo que entendi, para além de vários modos de jogo como o team deathmatch, variantes do capture the flag ou modos de conquista de objectivos, existem também várias classes com diferentes habilidades e afins. Para além disso existe um modo de jogo co-operativo na forma do DLC Intercept, que obviamente também não testei porque não o comprei. Pelo que investiguei é uma espécie de Left 4 Dead contra Hellghasts… De resto existem vários outros DLCs, alguns gratuitos, como mapas extra para o multiplayer, outros coisas inúteis como novas skins e afins, mas é o mercado que temos…
De resto, no ponto de vista audiovisual, Shadow Fall é um jogo naturalmente bastante competente. Quando os primeiros trailers foram revelados e mostraram aquelas cidades de Vekta tão imponentes e detalhadas, mostravam também o poder de processamento que a PS4 possuía. Acho que é um jogo com gráficos bem competentes, embora sinceramente acho que estamos a atingir um patamar tal, em que não vale a pena estar a focar demasiado nos gráficos, pois nos jogos AAA para estas consolas, se há coisa que os developers vão fazer bem, é precisamente todo o eye candy. E este Killzone a meu ver cumpre bem com o seu propósito. As músicas também vão sendo épicas como se quer e o voice acting parece-me competente. No entanto, sinceramente não achei que a história fosse tão boa assim. Talvez se me tivesse dado ao trabalho de procurar todos os coleccionáveis (comics, logs de texto e áudio, páginas de jornal, etc), talvez me conseguisse envolver mais na história. Assim já nem tanto, pois fiquei com a sensação que aquela relação entre o Kellan e o comandante Sinclair e o escalamento dos conflitos ficou muito forçada com o decorrer das coisas.
Graficamente é um jogo competente que mostra o poder da nova geração de consolas. Agora se era algo realmente necessário em 2013, bom, isso é outra história.
Posto isto, acho este Killzone Shadow Fall um FPS bem competente para quem for fã do género. Possui os seus altos e baixos, na minha opinião não é tão bom quanto os anteriores até porque os Helghast, aqueles space nazis que tão intimidadores eram nos jogos anteriores, não me pareceram tão ameaçadores assim neste jogo. Mas ainda assim é um jogo bastante competente e felizmente vai ser daqueles que certamente irá ser encontrado ao desbarato no futuro.
Escrever um artigo sobre este jogo depois de ter feito o mesmo à sua fantástica sequela Super Smash Bros Melee torna-se uma tarefa algo ingrata. Isto porque a obra-prima da Gamecube pegou na mesma formula de jogo introduzida neste jogo e melhorou-a em todos os aspectos, com muitos mais modos de jogo, bónus e conteúdo extra para desbloquear. Pelo que irei tratar este artigo mais como uma rapidinha. O meu exemplar veio da cash converters de Alfragide algures durante o ano de 2016. Foi um cartucho caro, custou-me cerca de 25€ se bem me recordo.
Apenas cartucho
A ideia por detrás deste Super Smash Bros é simples e genial. Colocar várias personagens do universo Nintendo à pancada umas com as outras, em arenas também retiradas de cenários como os de Mushroom Kingdom, Hyrule, F-Zero ou Metroid. Mas ao contrário de outros crossovers como Marvel vs Capcom, aqui as mecânicas de jogo são muito diferentes, aproximando-se mais a um party game do que propriamente a um jogo de luta normal. Isto porque para além de termos 4 personagens no ecrã à batatada, independentemente da personagem escolhida, as mecânicas de jogo são muito similares. Os diferentes golpes que podemos fazer são feitos usando sempre as mesmas (simples) combinações de botões. Depois temos os power ups que vão surgindo no ecrã, todos eles também do universo Nintendo e com diferentes usos, como uma Super Scope da SNES para disparar tiros, um martelo de Donkey Kong, pokébolas que chamam Pokémons para atacar, entre muitos outros.
Por vezes temos de defrontar um número grande de oponentes
O objectivo aqui também não é o de drenar a barra de energia do nosso oponente, mas sim atirá-los fora da arena. Ao distribuir pancada aumentamos sim uma percentagem, essa que quanto maior for, mais longe da arena somos lançados e mais difícil é para recuperar. As arenas são várias plataformas suspensas no ar e cada personagem tem truques especiais como duplos ou triplo saltos que podem e devem ser usados para recuperar e tentar aterrar de novo na arena. Temos à nossa disposição vários modos de jogo, tanto multiplayer como single player. Na vertente single player temos o modo de treino que nos permite practicar os movimentos de cada personagem, e podemos practicar as nossas habilidades de platforming nos modos Bonus 1 and 2 Practice. Aqui teremos de percorrer 2 dos níveis de bónus que geralmente encontramos no modo de jogo normal, onde com uma personagem teremos de saltar em todas as plataformas marcadas ou destruir uma série de alvos, espalhados em sítios de difícil acesso. O modo de jogo normal é relativamente curto, mas nunca se torna enfadonho. Começamos por defrontar Link em Hyrule, depois uma equipa de Yoshis, depois o Fox McCloud em pleno espaço sideral, os dois irmãos Mario juntos e por aí fora até defrontarmos a Master Hand.
O truque está em não deixar o nosso oponente aterrar na arena. Temos é de garantir que nós o conseguimos fazer.
Como não poderia deixar de ser temos várias personagens que podem ser desbloqueadas. Originalmente o elenco é composto por 8 personagens da Nintendo, pelo que poderemos desbloquear outras 4 ao completar o modo normal de jogo dentro de alguns objectivos prédefinidos, ou no caso do Luigi, ao completar o Bonus 1 Practice com cada um dos 8 personagens iniciais. As outras personagens desbloqueáveis são a Jigglypuff, Captain Falcon e o Ness, de Earthbound. De resto, para além do conteúdo single player, a grande alegria deste jogo estava na sua vertente multiplayer de até 4 jogadores. Apesar de não oferecer tantas opções de customizações como na sequela Melee, não deixa de ser super divertido. A jogabilidade é mesmo excelente e a aproximação a um party game torna este Super Smash Bros num jogo multiplayer local por excelência.
Aqui também podemos pausar o jogo e ver o caos que criamos, com mais calma
Graficamente é um jogo interessante para a Nintendo 64. As personagens e as arenas estão bem detalhadas, apesar das imagens de fundo serem de muito má resolução, infelizmente. Mas de resto está tudo ok, assim como as músicas que tanto podem ser temas inteiramente novos como é o caso da música de abertura, ou retirados de clássicos da Nintendo como Zelda, Starfox ou Metroid. Um excelente jogo em todos os aspectos, mas com muita margem para melhorias, como de facto se tem vindo a assistir com cada sequela.
Por norma não costumo comprar cartuchos soltos para consolas como a Master System ou a Mega Drive a menos que seja algum jogo raro/caro e o cartucho apareceu a um preço convidativo, ou quando é um jogo que quero mesmo ter na colecção e o cartucho aparece barato o suficiente. Pelo menos assim já dá para jogar! Foi o que aconteceu com este Fatal Fury, um dos primeiros clones de Street Fighter II e o jogo que iniciou toda aquela rivalidade saudável entre a Capcom e a SNK que nos serviu para trazer imensas pérolas vindas dos dois lados. Este meu exemplar veio da cash converters de Alfragide por cerca de 3€, algures neste Verão passado. EDIT: Recentemente comprei uma versão completa do jogo.
Jogo com caixa e manual
Fatal Fury deu início ao torneio “King of Fighters” que mais tarde viria a ser recordado noutra série, e tem algumas peculiaridades muito interessantes. A primeira é, se jogarmos sozinhos, apenas podemos escolher uma de três personagens: os irmãos Terry e Andy Bogard, ou o seu amigo Joe Higashi. Porquê? Porque esta é uma história de vingança, principalmente pelos irmãos Boggard, pois entram no torneio com o objectivo de se vingarem de Geese Howard, poderoso mafioso que está por detrás do torneio e assassinou o seu pai uns 10 anos antes. Iremos então percorrer uma série de combates, até chegarmos aos guarda-costas de Geese e ao vilão propriamente dito no final.
Hoje em dia é um pouco estranho um jogo de luta onde só podemos escolher uma de 3 personagens.
Se quisermos jogar com 2 jogadores, então poderemos jogar com as outras personagens do jogo. Se bem me recordo, isto não acontecia na versão original arcade, onde estaríamos sempre presos às 3 personagens principais. Esta foi portanto uma das mudanças trazidas na versão Mega Drive. Depois a jogabilidade também é um pouco diferente do que o Street Fighter II nos introduziu. Dispomos apenas de um botão para socos, outro para pontapés e um outro para agarrar e atirar o adversário. Mas há uma peculiaridade, na medida em que podemos alternar entre 2 planos de jogo, dando-lhe assim alguma liberdade extra de movimentos. A versão SNES deste Fatal Fury descartou esta mecânica de jogo, mas está aqui presente, tal como na original.
O elenco de personagens até é interessante, cada qual com golpes bastante distintos entre si.
No entanto esta versão Mega Drive possui algumas outras diferenças notáveis. Personagens como Hwa Jai ou o notável Billy Kane estão completamente desaparecidas desta versão. Para os substituir temos a oportunidade de de lutar contra os nossos 2 aliados, dependendo da personagem que escolhemos no início. Outra diferença está nos mini jogos. A versão arcade, em cada 2 combates apresentava-nos um mini-jogo onde teríamos de ganhar um duelo de braço de ferro, obrigando-nos a carregar ferozmente num dos botões. Aqui na Mega Drive esses segmentos de bónus também desapareceram. Sinceramente não que me façam muita diferença, mas é uma pena que tenham sido retirados.
De resto a jogabilidade parece-me bem sólida nesta conversão, não que eu seja um entendido na matéria. Graficamente tiveram de ser feitos alguns sacrifícios, mas ainda assim acho que as personagens estão bem detalhadas e animadas, e o mesmo pode ser dito das arenas, com as paisagens a mudar um pouco entre cada round. Para além disso, aqui há uma compentente de história mais elaborada, pois entre cada combate temos uma pequena cutscene de Geese a comentar os nossos feitos e a ficar cada vez mais irritado com a nossa progressão no torneio. As músicas também são agradáveis, embora as originais de arcade também tenham mais qualidade.
Acho estas imagens entre cada combate bem mais interessantes do que as do Street Fighter II
E pronto, Fatal Fury é isto. Na verdade é um pouco redutor apelidá-lo de clone de Street Fighter II por várias razões. Por uma, porque estava a ser desenvolvido ao mesmo tempo que Street Fighter II. Por outra, porque um dos seus desenvolvedores era um dos criadores do Street Fighter original, que entretanto tinha saído da Capcom e ingressado na SNK. De certa forma ambos os jogos vão buscar as suas inspirações ao primeiro Street Fighter, e neste Fatal Fury houve muita coisa que saiu completamente diferente do que Street Fighter II. O facto de podermos jogar apenas com 3 personagens, ou as lutas entre 2 planos distintos. A versão arcade possui ainda um modo multiplayer cooperativo, onde 2 jogadores unem forças para defrontar os adversários. Aqui o multiplayer na versão Mega Drive é mais tradicional, como já referido acima.
A Playstation 2 é uma consola que teve um sucesso comercial tremendo. E como todas as consolas que vendem assim tanto, têm um pouco de tudo, desde pérolas escondidas, grandes clássicos e jogos de lixo. Uma das coisas que mais gosto ao coleccionar na PS2 é precisamente descobrir algumas pequenas pérolas escondidas e tesourinhos deprimentes. No Japão há uma série de pequenos jogos budget chamada Simple 2000 series, com jogos de todos os géneros possíveis. Dessa série, foram lançados 123 jogos no Japão e alguns deles chegaram cá à Europa. E se por um lado aí também há muito jogo que não vale todo o packaging que foi usado para o criar, também há algumas entradas mais interessantes, como os Zombie Hunters que já cá trouxe. Este Street Boyz é um deles. O meu exemplar veio de uma loja de Matosinhos algures no verão deste ano. Acho que me custou 7.5€, bem mais do que o que eu normalmente estaria disposto a dar por um jogo deste género, mas acabei por o levar na mesma.
Jogo com caixa e manual.
Street Boyz é um beat ‘em up em 3D onde controlamos o jovem Shin que, numa disputa com o seu irmão mais novo, se vê preso. Na sua cela, encontra-se com outro arruaceiro de nome Ginji, que também foi preso sem saber muito bem o porquê. E o porquê parece ser que o Hell Black Heaven, o mais poderoso gangue do Japão, controla a polícia e ordenou a prisão de outros arruaceiros suficientemente fortes, para solidificar a posição do gangue no seu poder. O resto não é muito difícil de adivinhar, é pancadaria para tudo o que seja polícia e outros bandidos também! Começando por fugir da prisão, para depois explorar outros locais da cidade até encontrar o líder do gangue e fazer justiça.
Aqui tudo vale para andar à pancada!
É um jogo de porrada surpreendentemente competente, com um primitivo sistema de combos, e onde podemos pegar em qualquer item no ecrã e atirá-lo contra os nossos adversários, seja um caixote do lixo, uma cadeira, uma mesa ou mesmo um dos nossos adversários, tudo serve para dar pancada. Também podemos apanhar algumas armas brancas que dão sempre jeito. No final de cada nível podemos navegar num mapa da cidade e falar com outros rufias para obter informações, visitar lojas para comprar alguns itens, gravar o progresso no jogo e começar o nível seguinte. Juntamente connosco, anda sempre um NPC que nos ajuda (ou não) a distribuir pancada. Vamos fazendo novos amigos à medida que vamos progredindo no jogo e podemos depois fazer alguns golpes em conjunto, que são especialmente úteis para defrontar alguns bosses. Cada NPC possui diferentes estatísticas, uns possuem mais vida que outros, outros são mais fortes, etc. Podemos também equipá-los com alguns itens que compremos nas lojas para os deixar mais fortes nalguns campos. Nas lojas também podemos mudar completamente o look da personagem principal.
No final de cada nível temos sempre um boss. É importante saber defender para além de atacar.
Do ponto de vista técnico, nota-se a milhas que este é um jogo barato. As animações são deliciosas, como a maneira ridícula como o herói corre, ou a forma em como pega nos objectos (ou pessoas!) e os usa para bater nos inimigos são impagáveis! Para além disso os gráficos não são nada de especial, parecendo por vezes que estamos a jogar algo de Nintendo 64, tal é o pouco detalhe das personagens e dos níveis. Não existe qualquer voice acting, o diálogo é todo apresentado em texto. Por outro lado a banda sonora é na sua maior parte composta por músicas hard rock cheias de guitarradas, o que me agrada bastante.
Para mim, este Street Boyz é um daqueles jogos maus, mas que valem bem a pena serem jogados. É verdade que graficamente são muito pobrezinhos, mas a jogabilidade nem é má de todo, apesar de haverem alguns problemas com a inteligência artificial, principalmente a do nosso companheiro. Mas mesmo com esses defeitos, há ali qualquer coisa que me faz gostar do jogo, sem dúvida as bizarrices japonesas que aqui vemos!