Continuando pelas rapidinhas de jogos desportivos na Game Gear, o jogo que cá trago agora é mais um jogo de futebol e mais uma entrada numa série que assumiu diversos nomes mediante o sistema e a região em que os seus jogos foram lançados. Lembram-se da série Striker da Rage Software, cuja versão francesa da SNES se chamava Eric Cantona’s Football Challenge? Pois bem, as versões Sega desse mesmo jogo chamam-se Ultimate Soccer. O meu exemplar veio da Cash Converters de Belfast algures no mês de Novembro. Custou-me 2£.
Apenas cartucho
Tal como as outras versões, esta também dispõe de diversos modos de jogo, desde partidas amigáveis para um ou dois jogadores, e competições de selecções, na forma de torneios ou campeonatos. Os torneios envolvem todas as 64 equipas presentes no jogo (Portugal ficou esquecido) e os campeonatos podem incluir até 16 equipas. É também possível practicar os penalties. O jogo toma uma perspectiva aérea semelhante ao World Cup Italia 90, com a jogabilidade a ser bastante rápida e fluída. No entanto, o ecrã pequeno da Game Gear também dificultaria um pouco as coisas, pois as sprites são bastante pequenas na versão Master System. Aqui lá tiveram de fazer um maior zoom ao relvado para se poder disinguir melhor o que está a acontecer no ecrã.
Graficamente até que é um jogo bem detalhado, com o campo a ser bem definido.
As músicas são bastante festivas e ao contrário de outras versões dos Strikers, aqui também tocam durante as partidas. As animações dos golos são engraçadas! As das faltas são também bastante detalhadas, com o árbitro em grande destaque. De resto, tal como referi acima é um jogo com uma jogabilidade rápida e fluída, muito à imagem de vários jogos de futebol de sucesso de estúdios europeus da década de 90, como Kick Off ou Sensible Soccer. O efeito de aftertouch onde depois de rematar podemos controlar ligeiramente a curvatura da bola está também aqui presente, através do d-pad. Em suma parece-me ser um bom jogo de futebol para a Game Gear, mas considero as versões 16-bit bastante superiores.
Voltando às rapidinhas e às consolas portáteis, o jogo que cá trago hoje é uma sub-série de jogos de plataformas que ficou exclusiva para a Nintendo Gameboy. O Donkey Kong Country foi um interessante jogo de plataformas para a Super Nintendo. Produzido pela Rare, revitalizou um herói (ou antiherói) algo esquecido pela Nintendo, transformando-o em mais um dos principais protagonistas dos jogos de plataforma 2D para as máquinas 16bit. A série ficou principalmente conhecida pelos seus gráficos inovadores para a época, ao utilizarem sprites e backgrounds pré-renderizados, dando-lhe um aspecto bem moderno. Para a Game Boy, a Rare foi também lançando a série Donkey Kong Land, inspirados pelos jogos da SNES, mas com uma história e layout de níveis diferentes. O meu exemplar veio de um negócio do OLX, com o jogo a ficar-me por 10€, estando completo e em estado imaculado.
Jogo com caixa, poster e manual.
O facto da Gameboy não conseguir capturar o mesmo eye candy que a SNES, é algo que foi até trazido para a própria história do jogo, com o mesmo a decorrer algum tempo após a primeira aventura e com o velhote Cranky Kong (que é o Donkey Kong original que raptou Mario) a queixar-se que o jogo de SNES só teve sucesso precisamente pelos seus excelentes audiovisuais, enquanto que os Donkey e Diddy Kong argumentam precisamente que a sua jogabilidade também foi um factor de sucesso. Cranky Kong diz ainda que nunca conseguirão ter o mesmo sucesso se uma das suas aventuras se passasse num universo 8bit de recursos restrictos como é o da Game Boy e está lançado o desafio, colocando mais uma vez a dupla de macacos no caminho dos piratas K. Rool e afins. Curiosamente havia mesmo dentro da Nintendo quem argumentasse que Donkey Kong Country para a SNES possuia uma jogabilidade bastante vazia e o jogo apenas teve sucesso precisamente pelos seus bonitos gráficos e som. Miyamoto foi uma das pessoas que teve essa opinião no início e esta “história” por detrás do primeiro Donkey Kong Land deverá ter sido uma alfinetadazinha interna também por parte da Rare.
O facto de se usarem sprites pré-renderizadas, na minha opinião não resulta tão bem na Gameboy.
De resto é óbvio que a Game Boy não conseguiria replicar todo o esplendor gráfico da Super Nintendo, apesar de manterem na mesma aquele look pré-renderizado. Mas já lá vamos. A jogabilidade teve de ser reduzida a 2 botões de acção (um para saltar, outro para agarrar e atirar barris), com o select a alternar entre Donkey e Diddy Kong. As mecânicas de salto, ataque de inimigos, os barris onde podemos saltar e sair disparados, os animais que encontramos e que servem de meio de transporte, a possibilidade de coleccionar as letras KONG, as salas escondidas com bónus, são tudo coisas herdadas do DKC e que aqui também marcam a sua presença. As maiores diferenças estão mesmo no layout dos níveis que é completamente diferente, apesar de existirem muitas semelhanças entre as suas temáticas, como selvas, cavernas, navios, o fundo do mar, entre outros. Donkey e Diddy Kong nunca estão presentes em simultâneo no ecrã e as indicações do número de bananas que apanhamos, assim como as letras KONG vão desaparecendo assim que os apanhemos, para libertar um pouco do ecrã.
Como na SNES, temos um pequeno mapa mundo que nos deixa rejogar os níveis que já tenhamos completado
Graficamente é portanto um jogo bem mais modesto, com os gráficos na mesma pré-renderizados, mas a baixa resolução do ecrã da Gameboy, em conjunto com a fraca paleta de cores em tons de cinza, não causa o mesmo impacto. É certo que este foi um dos primeiros jogos a tirar completamente partido do Super Game Boy, mas mesmo assim as coisas não chegam perto do original de SNES. As músicas são tocadas com um chiptune mesmo à 8bit e sinceramente até gusto mais delas asssim.
Apesar de ser compatível com a Super Gameboy, os ganhos de qualidade não são assim tantos.
De resto, apesar de não ter o mesmo charme a nível gráfico da versão SNES, até porque tal tarefa era virtualmente impossível numa Gameboy clássica, este Donkey Kong Land até se mostrou um jogo de plataformas bem competente, principalmente para quem gostar das mecânicas de jogo dos originais.
O Resident Evil 5 foi um jogo em que a Capcom tentou forçar uma jogabilidade cooperativa às mecânicas introduzidas anteriormente pelo Resident Evil 4, um jogo que marcou uma viragem radical nas mecânicas de jogo da série, deixando-a bem mais dinâmica e simples de controlar, mas despojando a série das suas raízes de survival horror em detrimento de um jogo com mais foco na acção. Mas infelizmente, mesmo que quiséssemos jogar sozinhos, tínhamos que cooperar sempre com uma outra personagem e a sua inteligência artificial deixou as coisas muito a desejar. Felizmente pelo menos nesse aspecto esta sequela melhorou e bastante as coisas. O meu exemplar veio da Mediamarkt de Alfragide se bem me lembro, foi comprado há uns anos atrás, deve-me ter custado algo à volta dos 20€ há uns anos atrás.
Jogo com caixa, manual e papelada
A Capcom decidiu apresentar Resident Evil 6 de uma forma diferente, com o jogo a consistir em 4 diferentes campanhas distintas e interligadas, a ocorrer nos Estados Unidos, um país fictício na Europa de Leste e na China. Podemos jogar como Leon e Helena, Chris Redfield e o seu subordinado Piers, Sherry Birkin marca o seu regresso desde o Resident Evil 2, na aventura com o jovem e misterioso Jake Muller. Por fim a quarta campanha leva-nos pelos olhos de Ada Wong, uma personagem ainda mais envolta em mistério e cuja história une várias pontas soltas que ficaram das outras campanhas. A história envolve o C-Virus e a sua propagação por mais uma cidade norte-americana, algures num país da Europa de Leste e por fim na China. Isso implicou novas pragas de zombies (finalmente, zombies de volta!) ou dos J’avo, humanos capazes de sofrerem diversas mutações, um pouco como as Las Plagas dos Resident Evil 4 e 5.
Os zombies marcam novamente o seu regresso, em especial na campanha do Leon e Helena!
De resto a jogabilidade mantém-se muito semelhante àquela introduzida no Resident Evil 4, com a perspectiva over the shoulder e as mecânicas típicas de um shooter na terceira pessoa. Mas tal como no Resident Evil 5, o jogo possui um grande foco na vertente cooperativa, pois qualquer pessoa pode juntar-se ao jogo de outra a qualquer momento, logo que tenhamos essa opção activa nas configurações. Mesmo jogando completamente sozinhos, teremos sempre uma outra personagem a auxiliar-nos na campanha. A exepção é a Ada Wong, que típicamente joga sozinha, embora um dos patches lançados para o jogo deixa a opção de Ada jogar cooperativamente com um “Agente”, embora este não tenha nenhuma influência na história. O inventário é algo limitado, embora dê para carregar com umas quantas armas diferentes e respectivas munições. De resto, para além dos 1st Aid Sprays, podemos combinar ervas na forma de pastilhas que podem ser agregadas a uma espécie de atalho no ecrã, permitindo-nos curar a qualquer altura com recurso a um único botão do comando da Playstation.
Como sempre temos alguns bosses para derrotar, cada vez maiores e mais letais.
Claro que para quem jogar de forma cooperativa também tem que se preocupar com o seu parceiro. Já para quem jogar sozinho, felizmente o nosso parceiro não é tão burro como a Sheva Alomar do Resident Evil 5, sendo mais úteis e felizmente não desperdiçam as nossas munições. Por outro lado, apesar de ser um jogo sólido, este Resident Evil 6 possui também alguns defeitos. Os que mais me chatearam foram aqueles momentos onde temos de defrontar várias waves de inimigos, ou outros onde os inimigos parece que nunca páram de aparecer. Eu gosto de levar o meu tempo, jogar cuidadosamente e ir distribuindo head shots sempre que possível. Mas em certas alturas tudo fica mais caótico e o melhor remédio é mesmo correr. De resto a coisa que mais me chateou foi mesmo a longa duração de cada nível. Gostei bastante do facto do jogo possuir 4 campanhas distintas que nos levam a diferentes locais e sub-histórias para descobrir. Mas cada nível em si acaba por ser bastante longo, podendo levar inclusivamente várias horas para ser terminado, para quem gosta de explorar cada recanto como é o meu caso. Os níveis deveriam ser um pouco mais curtos para poder também jogar o jogo em doses menores. É verdade que existem checkpoints que nos permitem retomar a acção a qualquer altura, mas terminar um nível dá-nos uma sensação de realização bem maior do que avançar um checkpoint.
O modo Mercenaries está de regresso, desta vez logo desbloqueado de início
Por fim devo também referir um pouco o sistema de upgrades. Ao defrontar os inimigos e destruir caixas ou abrir cestos com itens, podemos encontrar pontos de skills. Esses pontos de skills podem depois ser gastos entre níveis, ao comprar skills que nos aumentam a proficiência com cada arma, melhoram as nossas defesas, aumentam a probabilidade dos inimigos largarem itens quando morrem, etc. Para além disso existem ainda outros modos de jogo. Um deles é o Mercenaries, um modo de jogo que já existe há algum tempo na série, se bem que desta vez já vinha desbloqueado de origem. Existem no entanto outros modos de jogo multiplayer, mas que tinham de ser comprados como DLCs. algo que eu não comprei logo não posso dar grandes detalhes. Modos de jogo como Onslaught, Predator, Survivor ou Siege fazem parte da lista dos modos de jogo que podem ser comprados à parte. Se bem me recordo o Resident Evil 6 teve a polémica de possuir vários conteúdos DLC já no disco, obrigando-nos a pagar por algo que já estaria pronto desde o primeiro dia. Isso não se faz Capcom!
Há aqui um grande foco pelo online, embora sinceramente eu não lhe ligue nenhum
No que diz respeito aos audiovisuais, acho este um bom jogo. A universidade e pequena cidade americana invadida por zombies está bem detalhada, e o mesmo pode ser dito dos outros cenários que vamos explorando, como o cemitérios sinistro e o seu sistema de cavernas, as bases submarinas, navios ou bairros chineses. Não tenho nada a apontar aos diálogos e a música é bastante épica e/ou tensa, mediante a situação.
Resident Evil 6 é um jogo que me surpreendeu pela positiva pela sua duração, embora ache que pudesse estar melhor fragmentado em níveis mais curtos. A jogabilidade mais voltada para a acção marca novamente o seu regresso e o foco no cooperativo também, tal como foi visto no Resident Evil 5. Mas felizmente, caso joguemos sozinhos, a inteligência artificial é muito melhor e revela-se bem mais útil para nos ajudar a varrer os inimigos, bem como não nos gasta as nossas munições.
Há coisas que estou sempre a aprender. Quando comprei este bundle de jogos para a Game Gear ao desbarato na Feira da Vandoma estava longe de imaginar que já tinha jogado este World Cup Soccer da Tengen. Mas na verdade, esse jogo foi também lançado com um nome diferente e que deixava a Tengen completamente fora da equação. A versão Master System deste jogo é também conhecida por Tecmo World Cup 93, cuja já cá trouxe numa rapidinha.
Apenas cartucho
Este Tengen World Cup Soccer é também conhecido no Japão como Kick & Rush. E tal como a versão Master System possuimos dois modos de jogo: um que simula a competição da Taça do Mundo de futebol, outro para partidas amigáveis, que pode também ser jogado através de multiplayer com recurso a um cabo que liga uma Game Gear à outra. De resto este World Cup Soccer possui os mesmos defeitos e virtudes que a sua versão Master System. Por um lado a sua jogabilidade é empolgante e completamente arcade, mas por outro não existem quaisquer tipos de faltas, e a possibilidade de podermos alterar por completo o uniforme das selecções também não é das coisas que mais me fascina pois pderemos descaracterizar por completo uma selecção.
Tal como na versão Master System fica a faltar o mostrador do resultado, para além do tempo de jogo.
De resto a maior diferença está mesmo na resolução do ecrã ser menor, o que permite dar mais destaque às sprites dos jogadores do que propriamente ao campo que nos envolve. De resto é practicamente idêntico, com algumas imagens digitalizadas a surgirem no ecrã cada vez que um golo é marcado. As músicas são mais ou menos, não achei que fossem as mais cativantes de sempre mas vão-se ouvindo. De resto é um jogo de futebol banal e tanto a Game Gear quanto a Master System possuem melhores jogos no seu catálogo deste género.
Vamos lá a mais uma rapidinha de volta para a Sega Master System. O jogo que cá trago hoje foi um daqueles que sofreu bastantes alterações desde o seu lançamento original no Japão, até à versão ocidental que aqui conhecemos como Black Belt. Isto porque no Japão este é um jogo da série Hokuto No Ken, ou Fist of the North Star, um anime bastante popular no Japão na década de 90, mas que nada dizia a nós ocidentais. O anime era também bastante violento e o jogo não se ficou atrás, mas nesse aspecto felizmente não houve censura. Mas já lá vamos. O meu exemplar veio da Cash Converters de Belfast e custou-me 5 libras.
Jogo com caixa e manual
Aqui a primeira coisa a mudar é a história. Nós somos um mestre de artes marciais chamado Riki cuja missão e defrontar uma série de outros bandidos e resgatar a sua namorada que foi raptada pelo seu rival de longa data. Na práctica, este jogo traduz-se para um daqueles beat ‘em ups algo primitivos, onde apenas nos podemos deslocar num plano e temos inimogos constantemente a aparecer de todos os lados. Um pouco como o Kung Fu da NES. E aqui a jogabilidade é simples, com a posibilidade de dar socos e diferentes tipos de pontapés, para além de saltar. A dificuldade é um pouco acima da média, embora seja uma versão bem mais fácil que a original japonesa. Isto porque aqui ao menos vão surgindo alguns power ups na parte superior do ecrã que nos restabelecem energia. Só temos é de os conseguir apanhar a tempo! Na versão japonesa pelo que vi não temos nenhuma forma de recuperar vida.
A jogabilidade apesar de simples, não torna o jogo fácil pois estamos sempre a ser bombardeados com inimigos a alta velocidade
E com a quantidade de inimigos que vão surgindo no ecrã, percorremos os níveis muito lentamente. Ocasionalmente temos de defrontar um pequeno boss, um inimigo que precisa de mais alguns golpes para ser derrotado. Na versão japonesa temos mais mini-bosses pela frente em cada nível, mais um motivo por ser uma versão mais difícil. Depois no final de cada nível somos também levados para um boss num combate 1 contra 1, onde cada um possui a sua própria barra de vida e aí o jogo ganha contornos de um jogo de luta 1 contra 1, embora a jogabilidade em si seja idêntica.
Quando defrontamos um boss as sprites tornam-se maiores e mais detalhadas. Mas nem sempre as arenas são interessantes.
Graficamente é uma versão que sinceramente deixa muito a desejar. Isto porque a versão japonesa é muito mais interessante, com os cenários pós-apocalípticos e aquela bandidagem retirada de um filme do Mad Max. Aqui mudaram os cenários para cidades normais, ou zonas mais tradicionais japonesas. Assim como os bandidos que têm um look tirado de um filme de kung fu dos anos 70. Quando passamos para os combates contra os bosses, as sprites são maiores e mais detalhadas, assim como os cenários. Mas os cenários desta versão Black Belt por vezes parecem-me algo forçados, mais uma vez o original tinha um lançamento melhor nesse aspecto. As músicas são OK e pareceram-me iguais em ambas as versões. Outra coisa que felizmente não mudaram, ao contrário do Last Battle da Mega Drive lançado uns anos depois, foi a violência. Cada inimigo que defrontamos é desfeito em vários pedaços e apesar de não haver sangue, é algo que está também presente na versão japonesa.
Até o ecrã título da versão japonesa é bem melhor!
Black Belt é um jogo interessante para quem gostar destes beat ‘em ups primitivos, por ser um jogo desafiante e a jogabilidade não ser má de todo. No entanto, terem transformado completamente os gráficos do jogo tornaram-o bem mais genérico. O Hokuto No Ken é de longe mais interessante, embora se tenha ficado apenas no Japão.