Pengo (Sega Game Gear)

Tempo de continuar pelas rapidinhas e visitar agora um clássico arcade da Sega de 1982, que finalmente vê, quase 10 anos depois do seu lançamento original, uma versão para uma consola da Sega. Pengo surge então na ressaca do sucesso esmagador de Pac-Man, numa altura em que toda a concorrência tentava replicar essa fórmula de sucesso e, dessa forma, jogos de ecrã único com um labirinto tornaram-se bastante comuns. A Sega não foi uma excepção. O meu exemplar foi comprado a um amigo no passado mês de Setembro por 5€.

Jogo com caixa e manual

Pengo leva-nos a controlar um pinguim com uma simples missão: proteger o seu lar de estranhas criaturas, os Sno-Bees. E por lar entenda-se um labirinto de blocos de gelo, que são também as nossas armas contra esta ameaça. Recorrendo aos botões faciais podemos pontapear os blocos de gelo, que deslizam pelo ecrã até embaterem nas extremidades do nível ou noutro bloco. Se pelo meio apanharmos um Sno-Bee, ainda melhor! Se atacarmos um bloco que já estiver encostado a outra superfície, então o mesmo é destruído.

Tal como no original arcade, o ecrã título dá também uma muito breve explicação dos objectos envolvidos

Cada nível tem um certo número de Sno-Bees para matar, sendo que nem todos estão visíveis no ecrã. Alguns são ainda ovos por eclodir, presos dentro dos blocos que compõem as paredes do nível, e que vão eclodindo à medida que vamos derrotando os restantes inimigos. No início de cada nível, o jogo dá algum destaque a esses blocos com ovos, tornando-os temporariamente brilhantes. Se os conseguirmos destruir antes de os mesmos eclodirem, ganhamos pontos. Aliás, tal como na maioria dos videojogos desta época, não existe propriamente um final e o objectivo é fazer a melhor pontuação possível. E Pengo dá-nos muitas formas de fazer pontos extra. Matar mais que uma criatura de uma só vez é talvez a melhor maneira de amealharmos muitos pontos de uma só vez. A outra consiste em juntar uma série de blocos indestrutíveis numa fila única, o que, para além de nos dar alguns pontos extra, deixa todos os inimigos no ecrã temporariamente atordoados e vulneráveis para serem atacados directamente.

Cada sno-bee por nascer está escondido em blocos de gelo, que são salientados temporariamente

No que toca aos audiovisuais, estamos perante um jogo muito simples, pois já o original de arcade o era. A versão de Game Gear até tem os layouts dos labirintos muito próximos da versão original arcade, mas todas as sprites tiveram que ser redimensionadas para melhor caberem no ecrã de menor resolução da Game Gear. São portanto sprites mais pequenas, mas, tendo em conta a simplicidade dos cenários e das cores envolvidas, o menor tamanho não prejudica a experiência de jogo. No que toca ao som, este é bastante simples e as músicas não são também muito variadas. As versões japonesas do original arcade e da Game Gear possuem uma adaptação do clássico Popcorn, de Gershon Kingsley, um dos pioneiros da música electrónica, mas essa música está ausente nas versões ocidentais, provavelmente por questões de licenciamento.

Ser rápidos em cada nível também nos recompensa com pontos adicionais

Portanto, Pengo é um jogo arcade muito simples e, de certa forma, entende-se o porquê de a Sega o ter recuperado para o lançamento da Game Gear. Apesar de estar longe da simplicidade e genialidade de um Tetris, não deixa de ser um jogo simples e bastante apto para sessões de jogo curtas. Não deixa, no entanto, de ser um jogo já bastante datado para a época em que esta versão é lançada. A Sega deu continuidade a este conceito com Pepenga Pengo para a Mega Drive, um jogo bastante mais interessante mas que é, infelizmente, exclusivo da região japonesa. E como foi lançado já no final de 1995, sendo inclusivamente o último jogo lançado pela própria Sega para a consola naquele território, acabou também por se tornar bastante caro com o tempo.

Super Space Invaders (Sega Game Gear)

Tempo de voltarmos às rapidinhas, desta vez para um jogo da portátil Game Gear, com esta adaptação do Super Space Invaders. Publicado pela Domark e desenvolvido pelos também britânicos Tiertex e The Kremlin (ambos com experiência em produzir videojogos para sistemas 8bit da Sega), este jogo é uma adaptação do Super Space Invaders ’91 de arcade, uma sequela oficial do clássico da Taito do final da década de 70. Para além das versões Master System e Game Gear, o jogo recebeu também lançamentos em diversos microcomputadores populares no mercado Europeu dessa época. A razão pela qual este será um artigo muito breve é simples: já cá trouxe, há muitos anos atrás, uma análise da versão Master System e esta versão Game Gear é muito similar. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Setembro por 5€.

Jogo com caixa e manual

E este Super Space Invaders é portanto mais um shmup que nos coloca uma vez mais a defrontar hordas de alienígenas que tentam invadir o nosso planeta. Enquanto que no Space Invaders original tínhamos de derrotar aliens que se moviam em matriz, de uma forma cada vez mais rápida à medida que se aproximavam da superfície do planeta, aqui o conceito é o mesmo, mas rapidamente nos apercebemos que os aglomerados de inimigos são agora bem mais dinâmicos e agressivos. Para além disso, temos também um sistema de power ups diversos e até alguns bosses para derrotar, tornando este Super Space Invaders uma evolução notável do original.

Visualmente o jogo é muito semelhante ao original, com os cenários agora a ficarem mais compactados para melhor suportarem a resolução da Game Gear

Esta versão Game Gear difere apenas nos gráficos, que foram redimensionados para melhor caberem num ecrã menor. Sinceramente prefiro as maiores resoluções da versão Master System. De resto, mantém os mesmos efeitos de som e música, que apenas toca no ecrã título e final de jogo.

Super Space Invaders é portanto um interessante shmup, se bem que bastante desafiante. Esta versão Game Gear não traz nada de novo a não ser a sua portabilidade (que também seria possível recorrendo a um acessório como o Master Gear Converter). Acho que teria sido mais interessante termos tido uma versão 16bit para a Mega Drive, algo que infelizmente não aconteceu. E a razão disso terá sido, provavelmente o Space Invaders 90, um jogo diferente, publicado pela própria Taito na mesma época em solo japonês e americano.

Wonder Boy: The Dragon’s Trap (Sega Game Gear)

Adoro o Wonder Boy III: The Dragon’s Trap e depois de o ter jogado várias vezes na sua versão original para a Sega Master System, o seu remake para sistemas modernos e até a sua versão PC Engine CD, chegou agora a vez de jogar a versão Game Gear. Apesar desta versão até me ter surpreendido por não ser uma mera conversão directa do original Master System, este artigo acabará por ser então uma rapidinha, onde irei abordar algumas das diferenças mais notórias desta versão portátil.

Jogo com caixa e manual, foi comprado a um amigo meu no passado mês de Março por cerca de 20€.

A diferença mais evidente está mesmo nos gráficos. Em virtude de se acomodar melhor ao ecrã pequeno da portátil da Sega, as sprites são maiores e o layout das áreas de jogo foi também ligeiramente modificado, particularmente na sua verticalidade. Para além disso, alguns gráficos foram redesenhados e sinceramente até nem desgostei do aspecto final, embora tenha pena da substituição do icónico NPC por detrás da maioria das lojas. Em vez de um porco com uma pala num dos olhos e a fumar um cigarrinho, temos agora outras personagens humanas mais genéricas. Outra alteração notável está na barra de vida: agora simplesmente não há espaço no ecrã para mostrar os corações de uma barra de vida completa e expandida. O ecrã de pausa, onde podemos equipar as diferentes magias e equipamento que vamos desbloqueando foi também redesenhado.

O ecrã título desta vesão está mais próximo da arte original da versão Japonesa e isso é bom!

No que toca às mecânicas de jogo, há também aqui algumas diferenças notáveis. Na sua essência, este The Dragon’s Trap mantém-se como um jogo de acção aventura não linear, muito próximo de um metroidvania, onde À medida que vamos progredindo na história, a nossa personagem vai-se transformando em diferentes animais, que lhe conferem habilidades distintas e que nos permitiriam alcançar zonas previamente inatingíveis. Esta versão Game Gear introduz algumas mudanças no equipamento disponível, sejam meras mudanças de nome, sejam nos atributos ou custo, ou mesmo itens completamente novos.

Visualmente, a principal mudança prende-se no layout dos níveis, estão agora menos verticais e mais compactos devido ao menor ecrã e resolução disponível.

Por exemplo, na versão Master System teríamos de ter um número mínimo de “charm points” para além de dinheiro para comprar alguns dos itens mais poderosos. Aqui não há essa limitação dos pontos de charme e os itens que nos atribuíam tais pontos foram agora substituídos por umas pedras preciosas azuis que, uma vez utilizadas, nos permitem teletransportar imediatamente de volta para a cidade central, o que acaba por ser uma funcionalidade muito útil. A outra mudança notável está no uso da Tasmanian Sword, aqui renomeada para Kashmir Sword. Esta espada secreta permite-nos transformar livremente entre os vários animais disponíveis. A grande diferença é que a versão Master System precisaríamos de dois comandos ligados e executar combinações de botões em ambos, enquanto que nesta versão basta pressionar 2 para saltar e 1 para atacar para usar essa habilidade.

Infelizmente o porquinho foi substituído por humanos genéricos!

Portanto esta versão Game Gear acabou por me surpeender positivamente por não ser uma simples conversão, mas sim pela Westone se ter dado ao trabalho de adaptar a fórmula do jogo a um ecrã mais pequeno, para além de terem alterado algumas coisas no layout dos níveis e também nas próprias mecânicas de jogo. Apesar de não considerar que todas as mudanças tenham sido positivas, não deixa de ser um óptimo jogo e esta versão Game Gear acaba portanto por ser também bastante competente. É um clássico da era 8bit, recomendo vivamente que o joguem, seja em que versão for!

Wonder Boy (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, vamos hoje ficar com mais uma versão do Wonder Boy original, jogo que já cá trouxe no passado na sua versão Master System. Sendo a Game Gear pouco mais que uma Master System portátil, seria de esperar que esta versão fosse muito semelhante ao lançamento anterior para a Master System, o que, de facto, se veio a concretizar. O meu exemplar foi-me trazido do Reino Unido por um amigo, tendo-me custado originalmente umas 10£.

Jogo com caixa e manual

Que me tenha apercebido, a única diferença desta versão em relação à da Master System é mesmo o facto de correr numa resolução inferior, devido ao ecrã do portátil da Sega. Para melhor se enquadrar no ecrã mais reduzido, deu-me a sensação de que as sprites do Tom-Tom e dos inimigos são maiores em relação aos cenários. No entanto, isso, aliado à menor resolução horizontal disponível, torna esta versão um pouco mais desafiante. É que Wonder Boy é um jogo de plataformas que exige grande precisão no controlo da inércia da personagem e dos seus saltos, que, uma vez pressionado o botão, não há como corrigir a trajectória após algum deslize.

O Skate dá jeito porque serve também de escudo, mas não nos permite parar, pelo que teremos de fazer algumas secções de platforming mais exigentes em constante movimento

De resto, sendo uma versão tão parecida com a da Master System (e, por sua vez, também com o original de arcade), Wonder Boy é um jogo de plataformas desafiante e agradável de início, mas que depressa acaba por se tornar repetitivo devido à pouca variação dos seus níveis, tanto a nível gráfico como nas músicas que nos vão acompanhando. No que toca à performance, notei aqui e ali um ou outro abrandamento, que confesso não me recordar se também acontece na versão Master System.

Os bosses são, infelizmente, também bastante repetitivos. Apenas a sua cabeça muda, assim como alguns padrões de movimento e ataque.

Por fim, não podia deixar de referir o quão conturbada é a série Wonder Boy de documentar. Devido ao incomum acordo celebrado entre a Sega e a Westone (onde a Sega era detentora dos direitos do nome da série e das suas personagens, enquanto a Westone era dona do jogo em si) acabaram por surgir derivados como Adventure Island, da Hudson, entre muitos outros títulos baseados nos vários Wonder Boy, mas lançados em sistemas como a Famicom ou a PC Engine. A própria Sega, por vezes, também não ajudou muito à festa, já que nos Estados Unidos esta mesma versão de Wonder Boy para a Game Gear chama-se nada mais, nada menos que Revenge of Drancon, o que não tem nada a ver.

OutRun (Sega Game Gear)

Tempo de voltar às rapidinhas para mais uma versão do clássico de Yu Suzuki, OutRun, desta vez para a portátil 8bit da Sega. Visto que a própria Sega já havia produzido uma versão desse clássico para a Master System, e como a Game Gear é pouco mais que uma Master System portátil, seria de esperar que esta versão portátil fosse uma conversão directa. Mas não foi esse o caso, como irei detalhar à frente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Junho, tendo custado pouco mais de 20€ e está completo.

Jogo com caixa e manual

A versão Game Gear de OutRun mantém o mesmo conceito da versão original, no entanto, infelizmente, muito do seu conteúdo foi cortado. Aqui também viajamos a bordo de um Ferrari Testarossa, onde o objectivo é o de chegar ao checkpoint seguinte dentro do tempo limite. Ao longo da viagem vamos tendo várias bifurcações no caminho, que nos leva a explorar diferentes áreas. No entanto esta versão viu alguns dos seus segmentos cortados, existindo apenas 4 metas possíveis, ao contrário das 5 originais. O facto de a Sega ter decidido lançar este jogo num cartucho com metade da capacidade da versão Master System certamente terá obrigado a estes cortes, o que é uma pena. Por outro lado, apesar de haver um menor número de trechos de estrada, os mesmos foram prolongados, o que não é necessariamente uma boa notícia.

Outros carros na estrada, ao contrário da versão Master System!

Por outro lado, esta versão Game Gear possui um modo versus, que tanto pode ser jogado localmente contra o CPU como contra um amigo através de um cabo de ligação entre ambos os sistemas. Aqui escolhemos qual o troço em que queremos competir, qual a música a ouvir e somos largados na estrada, sozinhos, contra o nosso rival e naturalmente o objectivo é o de chegar em primeiro. Devo também dizer que esta versão é bem desafiante! A distância entre checkpoints e o tempo disponível para os atravessar não nos dão qualquer margem para erros graves. Embater noutro carro ou parte do cenário é suficiente para nos obrigar a recomeçar do zero.

A existência de um modo versus é uma das grandes novidades desta versão

A nível audiovisual, esta versão possui as mesmas 3 músicas do original arcade. Visto que a Master System e Game Gear partilham do mesmo chip de som, a banda sonora acaba por soar muito parecida entre as versões. Mesmo tendo em conta que o chip de som é de longe o calcanhar de Aquiles de ambos os sistemas, as músicas em si são tão boas que acabam por soar bastante bem aqui também. A versão Game Gear tem também efeitos sonoros, que apesar de não serem incríveis, é algo que a versão Master System não tem. Já a nível gráfico as versões são também distintas, mas equilibradas no balanço de pontos fortes e fracos. A versão Master System tem, na minha opinião, um melhor detalhe das pistas e cenários de fundo, melhor sensação de velocidade, mas no entanto não possui outros carros na estrada. Já esta de Game Gear tem um ou outro detalhe gráfico melhor nos cenários (como a presença do mar do lado esquerdo do ecrã no primeiro troço de estrada), mas como um todo a versão Master System parece-me melhor nesse campo. No entanto, tem outros carros na estrada. Esta versão Game Gear não tem também os diferentes finais possíveis, seguramente algo que foi também cortado pelo jogo correr num cartucho de menor capacidade.

Nem tudo são boas notícias, pois infelizmente há menos troços para explorar.

Portanto esta versão Game Gear do OutRun acaba por ser algo decepcionante. A componente versus, especialmente em multiplayer, é uma novidade interessante. Apesar de as pistas não serem tão bem detalhadas como na versão Master System (tirando um ou outro apontamento), esta versão tem a vantagem de possuir outros carros na estrada e efeitos de som para além da música. No entanto, a falta de conteúdo devido a ter sido lançado num cartucho de capacidade inferior é o que mais decepciona nesta versão, que poderia ter sido muito melhor se não fosse esse problema. Mas em pleno século XXI esta discussão é meramente académica, com a facilidade que há em emular o original arcade que é de longe a melhor versão.