Final Fantasy (Sony Playstation Portable)

Final Fantasy é uma franchise importantíssima do reportório da actual Square-Enix. Reza a lenda que foi o primeiro jogo da série que salvou a Squaresoft de uma situação financeira algo complicada, cujo Final Fantasy seria potencialmente o último jogo da empresa, daí o nome Final. Bom, mas foi de tudo menos final e a série foi evoluindo bastante ao longo dos tempos, tendo alcançado vários momentos de sucesso (e algum insucesso também) ao longo dos seus lançamentos. Esta é uma das várias conversões que temos para o primeiro Final Fantasy e o meu exemplar foi comprado a um particular por 5€ algures no Verão do ano passado. Estava selado!

Jogo com caixa, manual e papelada. Versão Essentials que eventualmente será substituída pela normal.

A Squaresoft/Square-Enix foi lançando várias conversões deste jogo ao longo dos anos. O seu lançamento original foi para a Nintendo Famicom, já no final de 1987, cuja versão americana chegou ao seu mercado só em 1990. Depois disso, se não contarmos com uma versão para o MSX2 que se ficou apenas pelo Japão em 1989, e uma compilação com o Final Fantasy II também para a Famicom em 1994, a Square apenas voltou a pegar no jogo em 2000, com uma conversão para a portátil Wonderswan Color, que mais uma vez acabou por ser um lançamento exclusivo para o Japão. Essa conversão já trouxe uma série de novidades, desde um grafismo mais detalhado e mais próximo dos RPGs de 16bit da saga. Essa versão foi posteriormente usada como base para uma conversão para a Playstation, que saiu cá como Final Fantasy Origins, que adicionou ainda cutscenes em FMV e aparentemente a possibilidade de desbloquear algum artwork, algo que sinceramente não confirmei visto não possuir essa versão. Em 2004, o primeiro Final Fantasy foi lançado uma vez mais em conjunto com o segundo, desta vez para a Gameboy Advance, numa compilação intitulada “Dawn of Souls” que planeio aqui trazer muito em breve. Essa versão, naturalmente não possui as cutscenes em FMV e artwork da versão PS1, mas inclui uma série de novas dungeons, bem como outros conteúdos adicionais como um bestiário. Depois de mais conversões para telemóveis que não interessam a ninguém, eis que chegamos a esta versão de PSP, que retém o conteúdo adicional da Gameboy Advance, as cutscenes em FMV, mais alguns efeitos gráficos e ainda mais conteúdo adicional!

Os combates são aleatórios e por turnos, aqui ainda não tinhamos o ATB.

Mas falemos sobre o jogo em si. Quatro misteriosos guerreiros de origem incerta, têm a missão de reactivar os 4 cristais elementais (Terrra, Fogo, Água e Ar) e salvar o planeta de uma entidade maléfica que o está lentamente a destruir. Mas antes disso começamos a aventura com um cliché ainda mais óbvio: temos de salvar uma princesa que foi raptada por Garland, outrora um cavaleiro muito bem conceituado do reino de Cornelia. Quando o derrotamos é que nos é apresentada a verdadeira quest desta aventura.

No que diz respeito à jogabilidade, esta é relativamente simples, pois este é um RPG à moda antiga: batalhas aleatórias e por turnos! O que temos de não linear está precisamente no início do jogo, onde podemos construir a nossa party de 4 personagens, escolhendo livremente várias classes. Inicialmente dispomos de Fighters, Thiefs (mais ágeis), Black Belts (especializados em combate corpo a corpo) e temos depois as classes mágicas: White Mages (especializados em magia defensiva/regenerativa), Black Mages (especializados em magia ofensiva ou que enfraqueça os adversários) e os Red Mages, que podem usar um pouco de ambas as vertentes, sem nunca masterizarem um dos estilos. Posteriormente pderemos evoluir estas classes, dotando as personagens da capacidade de aprenderem novas habilidades e usar equipamento que previamente estava barrado para a a sua classe.

Graficamente o jogo está mais polido, mas sem perder a sua identidade original

Uma coisa que sempre me causou desconforto neste jogo quando eu era mais novo, era a noção de que os feitiços mágicos podem ser comprados nas lojas, em vez de serem aprendidos com a experiência dos combates. Basicamente existem 8 níveis de magia, com os níveis mais avançados a serem desbloqueados consoante o nível em que os feiticeiros estão. Para além disso, para cada nível de magia, teremos à disposição nas lojas 4 feitiços, sendo que apenas poderemos aprender 3 por nível de magia. Portanto quando formos ao “supermercado comprar dois quilos de Fira”, acabamos sempre por deixar um feitiço de fora.

Depois outra das coisas que me lembro da versão original me irritar, e felizmente nas conversões mais recentes isso já estar melhorado, é a assignação de alvos durante o combate. Basicamente o combate está representado da seguinte forma: do lado direito temos a nossa party, toda alinhada. Do lado esquerdo temos os inimigos distribuidos ao longo de diferentes posições, cujo número máximo pode ser de nove. Ao escolher atacar alguém, seja com golpe físico, mágico, etc, temos de escolher um alvo em concreto. Se duas ou mais personagens escolherem atacar o mesmo inimigo, e se o primeiro a conseguir matar, o segundo vai atacar no mesmo espaço vazio, desperdiçando assim uma acção no turno. Isto fazia com que no jogo original tivéssemos de ter um pensamento muito mais estratégico quando escolhemos que acções tomar em cada turno. Felizmente nas conversões mais recentes isto já não acontece, e se decidirmos atacar um inimigo que entretanto foi derrotado, o CPU escolher outro inimigo aleatório para receber o golpe.

Eventualmente lá arranjamos outros meios de transporte que nos deixam explorar o mundo mais livremente

De resto, tal como já referi acima, esta conversão PSP traz uma série de conteúdo adicional. As dungeons do Dawn of Souls são dungeons opcionais que foram incluídas aquando do lançamento do jogo para a Gameboy Advance. Estas possuem uma dificuldade incremental, com a primeira a ter 5 andares, a segunda 10, a outra 20 e por fim a última 40, sendo que pelo meio teremos alguns “níveis” bastante bizarros. Os níveis são também distribuídos de forma aleatória, os baús com tesouros nem sempre estão disponíveis e podemos optar por múltiplos bosses para defrontar no final, cada qual com diferentes recompensas, o que, para quem quiser mesmo completar o jogo a 100%, terá de visitar estas dungeons várias vezes. Na PSP, de novidade temos o Labyrinth of Time que é uma dungeon de 30 andares ainda mais diabólica. Por um lado a progressão nos níveis continua aleatória, nunca sabermos qual o nível que vem a seguir. Depois em cada nível temos um desafio para cumprir, àz vezes são puzzles lógicos, outras vezes exigem skills avançadas de observação, ou simplesmente paciência. Temos um tempo limite para cumprir cada desafio, tempo esse que pode ser extendido ao sacrificarmos algumas habilidades como diminuir o nosso ataque, defesa, inibir o uso de magia, escapar das batalhas, etc. Passando esse tempo, o andar começa a ser inundado de veneno que nos vai retirando pontos de HP e MP. As batalhas não param o relógio e os inimigos são tipicamente fortes. Para além disso não podemos fazer save game nem fugir da dungeon, é mesmo do or die. Depois claro, teremos novos bosses para defrontar!

Tal como na conversão para a PS1, temos aqui uma ou outra cutscene em FMV

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um remake interessante, mas que mantém toda a identidade do jogo original. Por um lado as sprites possuem muito mais detalhe, com as suas armas inclusivamente a reflectir as que temos equipadas, nas animações de ataque nas batalhas. Os backgrounds também são mais coloridos e detalhados, mas nunca fogem muito do design original. Nesta versão PSP temos ainda alguns efeitos gráficos como a sombra das nuvens em cidades, ou nuvens de pó, fumo e fagulhas de fogo nas dungeons, consoante a sua temática. As magias também possuem novas animações e efeitos gráficos e as músicas foram todas remixadas, desta vez com muito mais qualidade.

No fim de contas esta conversão do Final Fantasy acaba por ser bastante interessante por uma série de razões: melhoraram bastante os audiovisuais, mas sem nunca fugir muito do conceito original do jogo, e por todo o conteúdo extra que se deram ao trabalho de incluir aqui.

Sherlock Holmes: The Mystery of the Persian Carpet (PC)

Sem querer avancei um jogo à frente na saga Sherlock Holmes. Depois do confronto do detective britânico e de Arséne Lupin, também uma personagem fictícia da literatura, a Frogwares lançou um novo “crossover”, o de Sherlock Holmes contra Jack the Ripper, o famoso serial killer londrino do final do século XIX. Só depois dessa aventura (que eu irei jogar em seguida), é que a Frogwares decide, no mesmo ano lançar este Mystery of the Persian Carpet, que é um jogo muito diferente dos seus predecessores. Mas já lá vamos! Tal como a maior parte dos outros jogos desta série que possuo na minha conta steam, este jogo foi comprado num indie bundle por uma bagatela.

Ao contrário de todos os outros, que de uma certa forma são todos aventuras gráficas do estilo point and click, onde teremos um ou mais mistérios e puzzles para resolver, aqui o estilo de jogo é muito diferente. Vamos contextualizar primeiro: Ao gabinete de Sherlock Holmes chega a notícia que um jovem pintor zé-ninguém foi assassinado e depois embrulhado numa valiosa carpete persa, e o seu corpo deixado noutro local. Intrigado, Sherlock decide investigar e é aí que começamos a aventura. Primeiro chega-nos às mãos algumas informações da vítima e do crime em si. Depois lá vamos ao local do crime e teremos de encontrar pistas nos cenários, como marcas de sangue, pegadas, partes de tecido ou cabelos, etc. Depois lá investigamos algumas testemunhas e suspeitos e também as temos de observar atentamente, em busca de mais pistas. Por fim, visitamos o escritório de Holmes, onde poderemos practicar alguma análise forense às pistas que encontramos anteriormente. No fim de cada “nível” lá teremos de agrupar todas as pistas obtidas e estabelecer ligações entre a vítima, suspeitos, arma e hora do crime.

Os objectos que procuramos podem ser pistas ou itens que podem posteriormente ser usados para desbloquear outros.

Em cada nivel vamos ter mais cenários para explorar, pessoas para analisar, pistas para analisar e deduções para fazer. Na exploração de cenários e das pessoas, na parte inferior do ecrã temos pistas sobre os objectos/pistas que devemos encontrar, depois lá teremos de os procurar nos cenários, o que nem sempre é muito fácil pois as coisas nem sempre estão muito visíveis. Também temos de interagir com outros objectos de forma a encontrar outras pistas, como abrir cofres, baús e afins, algo que muitas vezes nos obriga a resolver alguns puzzles lógicos para o efeito. Alguns é a palavra certa, pois há puzzles que nos obrigam mesmo a alguma tentativa-erro. De resto, o conceito de jogabilidade até que é interessante, principalmente aquela parte em que fazemos deduções lógicas ao interligar as diferentes pistas, suspeitos, cenários e a vítima. Quando finalmente conseguirmos estabelecer uma ligação entre um suspeito, a vítima, um cenário, a arma do crime e a hora, encontramos o culpado e o jogo termina. Claro que só no último “nível” conseguimos ter essa conclusão!

Infelizmente acho que poderiam ter caprichado mais na narrativa.

Agora o que não me agradou muito no jogo foi a sua apresentação. Os cenários são estáticos, e todos eles são localizações familiares de jogos anteriores do Sherlock Holmes, o que é uma pena. Até alguns dos puzzles são parecidos! Depois não existe qualquer voice acting, deviam ter investido um pouco mais nisso. As músicas são várias músicas clássicas características da série, aí já não me queixo muito.

Portanto este é um jogo que apesar de ter algumas boas ideias, poderiam ter investido mais na sua apresentação. Esta é uma fórmula que a Frogwares não descartou, pois mais tarde lançaram outro jogo do mesmo estilo, o The Hound of the Baskervilles que enventualmente jogarei. Agora é tempo de apanhar o Jack the Ripper!

Secret Command (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas e na Sega Master System, o jogo que cá trago hoje é curioso por ter nomes completamente diferentes nos três principais mercados. Inicialmente lançado em 1986 no Japão como Ashura, este é um daqueles jogos tipo Commando, Mercs ou Ikari Warriors, onde sozinhos temos de defrontar exércitos inteiros, mesmo como nos filmes do Rambo. E a referência nem é por acaso, pois uma das armas que podemos usar é o arco com as “flechas rockets” bastante populares nos seus filmes. Tanto que nos Estados Unidos o jogo foi mesmo readaptado com o nome do filme do Rambo II, embora não siga propriamente a história. Depois lá chegou à Europa com um novo nome, Secret Command (embora o título do jogo diga Secret Commando). É uma salada russa! O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures em Julho passado.

Jogo em caixa

Portanto, tal como referi este é um jogo semelhante ao Commando, com o jogador a poder disparar tiros da sua metralhadora, ou disparar as “flechas rockets”, que podem matar vários soldados inimigos de uma só vez e não só, como destruir tanques ou casas que abrigam prisioneiros de guerra. Estes, ao serem salvos, oferecem-nos sempre um power up de recompensa, que podem ser mais rockets, vidas extra, upgrades para a nossa metralhadora, aumentando o alcance dos tiros, ou mesmo o seu poder de penetração. Ou também podemos obter um item capaz de destruir todos os inimigos presentes no ecrã ao mesmo tempo. Para além disso podemos também jogar o jogo de forma cooperativa.

Na capa temos Secret Command, já no próprio jogo é Secret Commando, o que faz mais sentido

Infelizmente nem tudo são rosas. Os bosses finais resumem-se sempre a uma espécie de fortificação que temos de deitar abaixo, enquanto vários soldados inimigos vão também surgindo aqui e ali só para nos chatear. Os 2 primeiros “bosses” são repetidos, mas com uma paleta de cores nos níveis seguintes. Os primeiros 4 níveis são passados em cenários mais “naturais” como selvas, pântanos ou desertos, enquanto que o quinto é passado numa cidade e o último numa base militar inimiga. Os gráficos em si são simples e não possuem muito detalhe, mas cumprem o seu papel e não posso pedir muito mais a um jogo de Master System de 1986. Já as músicas não as achei mesmo nada de especial.

Não me lembro desta cena nos filmes do Rambo!

De resto, este é um jogo que até dá para entreter, principalmente se jogado com um amigo. Na falta de Commando ou Ikari Warriors na Master System, está aqui uma aposta que não é assim tão má quanto isso.

Pirates of Dark Water (Sega Mega Drive)

O jogo que cá trago hoje é um daqueles que não se costuma encontrar muito facilmente (pelo menos a um bom preço) para a Mega Drive. É certo que jogos com o selo da Sunsoft nesta era dos 8 e 16bit tipicamente era sinónimo de qualidade, e talvez por isso os jogos da Sunsoft na Mega Drive (que não são assim tantos quanto isso) tenham uma procura acima do normal. O meu exemplar foi comprado algures em Janeiro de 2016, na feira da Vandoma. É apenas o cartucho, para já, e na altura custou-me 8€.

Apenas cartucho

Mas afinal o que é este Pirates of the Dark Water? Basicamente é um jogo de acção/plataformas desenvolvido pela Iguana Entertainment (estúdio que viria mais tarde a ficar famoso pela série NBA Jam) que é baseado numa série de animação da Hannah-Barbera do mesmo nome. Sinceramente não me recordo se esta série alguma vez passou na TV portuguesa durante os anos 90, mas basicamente conta a história do príncipe Ren e seus companheiros, habitantes do mundo fantasioso de Mer, que estava a ser consumido por uma substância maligna apelidada de Dark Water. Para salvar o planeta, teríamos de ir encontrar 13 tesouros mágicos e a série anda toda à volta disto, tal como o jogo.

O mapa diferentes níveis que vamos explorar. No centro temos a tal Dark Water que está a consumir o mundo e que é naturalmente o nosso destino final.

A Sunsoft publicou duas versões inteiramente diferentes para a SNES e Mega Drive. A versão SNES é um beat ‘em up como o Golden Axe, já esta versão Mega Drive é um jogo de acção/plataformas mais tradicional. Antes de cada nível temos a possibilidade de escolher qual a personagem com a qual queremos jogar, sendo que cada personagem possui diferentes habilidades. Basicamente todas elas possuem uma arma branca para o combate próximo, embora o tamanho das lâminas (e consequentemente o seu alcance) varie de personagem para personagem, e têm também um ataque especial de longo alcance que exige munições (que podem ser encontradas ao longo dos níveis) para serem usados. O príncipe atira facas, a rapariga “ecomancer” usa ataques mágicos e o brutamontes atira lanças.

Graficamente os níveis possuem muito detalhe e são bem coloridos.

Para além disso podemos apanhar outros itens ou power ups como comida que nos restabelece a barra de energia, corações que extendem a nossa barra de vida até um nível máximo, moedas que podem ser usadas para obter informações de NPCs, chaves para abrir portas, frutas ou várias poções mágicas que vão sendo armazenadas no nosso inventário. As frutas podem ser usadas com o Niddler, o pássaro-macaco que nos auxilia na aventura, por um lado para nos dar informação acerca do nível em que estamos, ou levar a personagem escolhida num nível de volta para o barco, de forma a que possamos trocar de personagens on the fly. As poções que apanhamos podem ser usadas para nos dar invencibilidade temporária, saltar mais alto, deixar os inimigos temporariamente paralisados, entre outros.

Infelizmente temos aqui alguns problemas na jogabilidade que tornam o jogo algo irritante em certas alturas. Por um lado os inimigos fazem respawn, basta movermo-nos um pouco no ecrã que se voltarmos onde estávamos antes eles voltam a aparecer. Depois por vezes o jogo coloca-nos em situações ingratas, onde teremos algum platforming sensível para fazer e a colocação de certos inimigos pode-nos atrapalhar bastante! Até porque, como é habitual em muitos jogos do género, sempre que somos atingidos saltamos um pouco para trás, o que nos pode trazer problemas se estamos a saltar entre plataformas frágeis ou escalar escadas e afins.

Sim, para além de usar as armas brancas, também podemos dar pontapés.

A nível de audiovisuais, este é um jogo que me deixa com alguns sentimentos mistos. Por um lado graficamente está muito bom, se bem que as personagens poderiam ter um pouco mais de detalhe, no entanto os níveis em si estão muito bem detalhados, são bastante coloridos e ocasionalmente lá têm uns efeitos gráficos interessantes, como a trovoada unm dos níveis nocturnos, ou as transparências deixadas pelos holofotes de uma cidade. Por outro lado acho um pouco desnecessária a forma como implementaram os diálogos. Basicamente sempre que alguém tem alguma coisa para nos dizer aparece um ecrã com uma grande parede de texto para ler, muitas vezes com mais que uma página. Poderiam ter feito as coisas de uma forma mais dinâmica, com balões de diálogo, por exemplo, sempre dava um outro aspecto mais agradável ao jogo. Já as músicas sinceramente não achei lá grande coisa. É certo que este foi um jogo apenas publicado pela Sunsoft, não desenvolvido por eles, mas o rótulo da Sunsoft costumava ser sinónimo de boas músicas.

Pena que os diálogos não sejam todos mostrados desta forma, como na introdução.

Portanto este Pirates of Dark Water é um jogo que até tem algumas boas ideias, mas a jogabilidade precisava de ser um pouco mais aprimorada. Fiquei no entanto com mais curiosidade com o beat ‘em up para a SNES, pois esse já foi desenvolvido pela própria Sunsoft. A ver se chega cá um dia destes!

Grand Theft Auto: London 1969 (Sony Playstation)

Grand Theft Auto é uma série que dispensa apresentações. Desde o primeiro jogo que nos apresenta um mundo aberto à exploração onde, para além de cumprir uma série de missões relacionadas com o mundo do crime organizado, podemos simplesmente vaguear pelo mapa e causar todo o caos que bem entendermos. O primeirinho jogo, desenvolvido pela DMA Design, que mais tarde se veio a tornar na Rockstar, foi um sucesso de vendas e não tardou muito para que, antes da sequela Grand Theft Auto 2, ainda houvesse tempo para um expansion pack. O meu exemplar veio de uma CeX do Reino Unido, por alturas em que um colega de trabalho lá passou. Custou-me 5 libras, estando completo e em bom estado.

Jogo com caixa e manual

Esta expansão, tal como o nome sugere, é toda passada na cidade de Londres (desta vez não usaram nomes fictícios como Liberty City ou San Andreas) no ano de 1969. A jogabilidade é idêntica à do GTA original, ou seja, temos um mapa inteiro por nossa conta onde podemos importunar todos os transeuntes que nos apetecer, se bem que também depois temos a polícia à perna. Nesse caso, o jogo até parece-me ser mais permissivo, a polícia não é tão agressiva quanto noutros GTAs. Se por outro lado quisermos seguir o modo “história”, então lá teremos de nos deslocar a cabines telefónicas, ouvir o que nos têm a dizer e agir em conformidade. As missões geralmente são do género: entrar no carro A, falar com a pessoa B, intimidá-la, conduzir até ao ponto C e limpar o sebo a alguém, explodir um carro armadilhado, ou outras coisas agradáveis como raptar pessoas, colectar dinheiro sujo entre outros trabalhos de business as usual no seio do crime organizado britânico da década de 60. Ocasionalmente lá teremos uma missão mais fora do baralho, como aquela onde tomamos o papel de um agente secreto à lá James Bond onde teremos de interceptar camiões com mísseis intercontinentais e evitar que os mesmos sejam usados na capital britânica.

A nível de jogabilidade, as coisas não diferem muito do original. Ou nada mesmo.

No que diz respeito aos audiovisuais, este não é um jogo propriamente bonito. Tal como o original e a sua sequela, o jogo é apresentado numa perspectiva aérea que não dá margem para muito detalhe, mas não deixam de ser funcionais. Ainda assim não deixaram de incluir alguns pontos chave da capital britânica, como a Tower of London ou a zona de Westminster com o Big Ben e restantes monumentos. Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes, mas tal como no jogo original, são bastante simples e poderiam ser melhor animadas. A melhor parte é mesmo a banda sonora que simula diferentes estações de rádio que podemos ouvir sempre que entramos num carro, desde comentários hilariantes dos radialistas, passando pelas músicas que vão sendo algo variadas, mas todas elas com aquela groove muito característico da década de 60. G-roovy, as my granddad would say!

Portanto, este mission pack, que aliás nesta edição até requer o jogo original para ser jogado, acaba por ser isso mesmo, um mission pack que não adiciona nada de propriamente novo à jogabilidade do original, oferecendo no entanto um setting completamente diferente, o de Londres nos anos 60. Seria bom que isto fosse revisitado no futuro! Existe também a Special Edition deste jogo, que, ao contrário desta, não necessita do GTA original para ser jogado.