Fear Effect 2: Retro Helix (Sony Playstation)

Tempo de voltar à primeira Playstation para um jogo que já sai consideravelmente tarde no seu ciclo de vida, em 2001. Confesso que já me lembro de muito pouca coisa do primeiro Fear Effect, mas algo ficou sempre patente: os seus visuais não convencionais e claro, as temáticas mais maduras até pela sexualização das suas personagens principais. Entretanto, algures em Dezembro de 2022 um amigo meu trouxe-me este jogo de uma loja francesa por cerca de 15€ e lá foi ficando em backlog até agora. É a sua versão norte-americana, daí ter tido um preço bem mais em conta.

Jogo com caixa e manual

Em Fear Effect 2, voltamos a assumir o controlo da mercenária Hana, agora acompanhada por Rayne, ambas tão letais quanto sedutoras. A missão inicial parece simples: infiltrar-se numa festa repleta de figuras do alto escalão corporativo e roubar um objeto valioso. No entanto, quando criaturas grotescas e mortos-vivos começam a surgir, torna-se evidente que há forças em jogo muito além da segurança privada. A narrativa expande-se à medida que avançamos, permitindo-nos também controlar duas outras personagens masculinas, cada uma com a sua própria história, mas cujos destinos acabam inevitavelmente entrelaçados.

Tal como o seu antecessor, temos aqui uns quantos momentos mais “sensuais” por assim dizer

No que toca à jogabilidade, Fear Effect 2 mantém a base do primeiro jogo, inspirando-se em Resident Evil com os seus tank controls, ângulos de câmara fixos e gráficos pré-renderizados—ou, em alguns casos, full motion video como pano de fundo, o que explica a necessidade de quatro CDs para acomodar o jogo. A mecânica distintiva da barra de vida regressa, não só reduzindo-se com o dano sofrido, mas também com o medo, que se intensifica nos confrontos que iremos enfrentar. Não existem no entanto quaisquer itens regenerativos, pelo que a recuperação de vida está limitada à eliminação de inimigos, embora a quantidade recuperada seja modesta, e a eventos específicos, como a troca de personagens jogáveis ou batalhas contra bosses. Como tal, o combate exige precisão e estratégia, tornando-se essencial dominar o botão de dodge e o uso das teclas quadrado e círculo para alternar rapidamente entre armas e itens. De resto, e uma vez mais tal como nos survival horrors da época, a progressão requer também uma boa dose de exploração e resolução de puzzles. Contudo, alguns desses quebra-cabeças são bastante obtusos, levando-me, em certas ocasiões, a recorrer a um guia para evitar frustrações desnecessárias.

Um pormenor a reter é que apenas vale a pena disparar quando a indicação da mira aparecer no topo do ecrã

Outro aspeto curioso é a forma como o jogo gere os discos. Apesar de estar dividido em quatro, o jogador frequentemente precisa de trocá-los fora da sequência esperada—do primeiro para o segundo, depois para o quarto, regressando ao primeiro, e assim sucessivamente. Felizmente, a variedade dos cenários mantém o interesse vivo, transportando-nos desde esgotos e aquedutos a edifícios futuristas, ruínas chinesas e templos inspirados na mitologia oriental. Além das secções de combate e exploração, há momentos em que o jogo introduz mecânicas diferenciadas, como a infiltração na festa. Aqui, somos obrigados a evitar os guardas sem recorrer a armas, esquivando-nos de detectores de metais que denunciam a nossa presença. O jogo até permite abordagens furtivas em certas situações, proporcionando não só uma alternativa estratégica ao combate direto, mas também uma recuperação extra da barra de vida.

Ao longo de todo o jogo iremos acabar por jogar com quatro personagens distintas, não só a dupla de femme fatale do início do jogo

No que toca aos gráficos, Fear Effect 2 mantém a identidade visual do seu antecessor, com personagens renderizadas num estilo cel-shading que funciona surpreendentemente bem dentro das limitações da plataforma. Esse efeito cartoon torna-se ainda mais evidente nas cut-scenes, onde os modelos das personagens ganham um nível de detalhe adicional, reforçando o aspeto estilizado do jogo. No entanto, a decisão de misturar cenários pré-renderizados com full motion video, apesar de inovadora para a época, não envelheceu tão bem. A baixa resolução desses vídeos torna-se bastante percetível, criando um contraste algo estranho. O voice acting, por outro lado, é bastante competente para um jogo desta geração. As influências orientais das personagens principais são evidentes, mas os sotaques britânicos das suas vozes destoam e parecem algo deslocados no contexto. Ainda assim, as vozes das personagens principais estão bem conseguidas no geral. Já a banda sonora revelou-se menos memorável para mim, pois passou bastante despercebida ao longo da experiência, sem grandes momentos que se destacassem. Contem com uma banda sonora mais ambiental e discreta, portanto.

Não iremos encontrar apenas inimigos humanos para combater

Portanto este segundo Fear Effect é um jogo interessante, uma vez mais pelos seus visuais bastante distintos e uma narrativa algo madura para a época. No entanto, tal como referi acima, é um jogo que envelhece um pouco mal, não só pelo uso das técnicas híbridas entre cenários pré-renderizados ou gravados em vídeo, o combate preciso e os puzzles algo frustrantes. Ainda assim confesso que a série Fear Effect tinha o seu potencial e a Eidos também achava o mesmo, até porque um terceiro jogo estava em desenvolvimento para a PS2 mas acabou por ser cancelado algures em 2003. Entretanto, anos mais tarde e para minha total surpresa que só descobri tal coisa agora, uma sequela foi lançada em 2018, sendo intitulada de Fear Effect Sedna. Aparentemente as críticas não foram positivas e o facto de o jogo apenas ter sido lançado de forma digital também ajudou a ter passado completamente despercebido do meu radar. Um remake do primeiro jogo foi também anunciado em 2017 e eventualmente cancelado. No ano passado no entanto, a Limited Run Games anuncia um remaster do primeiro jogo a sair para as consolas actuais do mercado. Seguramente um anúncio de um remaster deste segundo jogo não estará longe também.

The Exit 8 / Platform 8 (Sony Playstation 5)

Tempo de voltar à Playstation 5 para uma rapidinha a uma compilação de dois pequenos jogos que eu sinceramente não os conhecia de todo, até me terem sido recomendados por um dos meus colegas do podcast The Games Tome. Ambos os jogos foram produzidos por um pequeno estúdio indie japonês, que estão também a trabalhar num jogo de terror ao qual irei seguramente estar atento no futuro. O meu exemplar foi comprado na Amazon japonesa algures no início de Janeiro, visto que ambos os jogos não têm (pelo menos até à data) nenhum lançamento físico no ocidente.

Jogo com caixa

Começando pelo The Exit 8, este é um jogo de perspectiva na primeira pessoa e com uma premissa simples, mas intrigante: estamos presos num corredor infinito numa estação de metro. O espaço é algo sinuoso, com uma secção mais longa onde encontramos vários elementos como pósteres publicitários, portas de manutenção e até outra pessoa que caminha na direção oposta. No início, tudo parece normal, mas, ao percorrermos o corredor repetidamente, começamos a notar mudanças. Algumas bastante evidentes, como portas que antes estavam fechadas mas agora abertas, alterações nos pósteres ou na iluminação, e outras muito mais subtis. O objetivo do jogo é alcançar a saída 8, algo que só se torna claro quando prestamos atenção aos avisos afixados nas paredes. A mecânica central gira em torno da deteção de anomalias—diferenças no ambiente que indicam que algo não está certo. Sempre que identificamos uma, devemos virar para trás e percorrer o corredor no sentido contrário. No final desse percurso, encontramos um painel que indica em que saída estamos, começando na saída zero e progredindo até à saída 8. Se não houver anomalias, ou se as detetarmos e reagirmos corretamente, o número da saída aumenta. No entanto, se ignorarmos uma anomalia ou falharmos ao tentar escapar de certas situações, a contagem é reiniciada para zero, forçando-nos a recomeçar. É um jogo bastante curto e simples no seu conceito, mas também bastante divertido pelas diferentes situações bizarras (ou, por vezes, algo assustadoras) com que nos iremos deparar. Para os que quiserem descobrir todas as anomalias, há um cartaz afixado algures no corredor que indica quantas ainda faltam encontrar. Além disso, a menos que decidamos apagar todo o progresso, o jogo não repete anomalias, a menos que falhemos a sua deteção e/ou resolução.

No Exit 8, é neste corredor onde tudo acontece

Já o Platform 8 surge como a sequela de The Exit 8, embora funcione, na verdade, como uma prequela. Desta vez, em vez de um corredor infinito, encontramo-nos presos num metro onde a mesma carruagem se repete infinitamente e sentado num dos bancos, reconhecemos o homem com quem nos cruzávamos no primeiro jogo. O objetivo mantém-se semelhante: alcançar a plataforma 8, algo que só será possível se estivermos atentos às anomalias que ocorrem à nossa volta. No entanto, há diferenças consideráveis em relação ao primeiro jogo. Aqui, não podemos voltar atrás, o jogo obriga-nos sempre a avançar para a próxima carruagem. Além disso, as anomalias são muito menos subtis e, em muitos casos, podem representar uma ameaça direta, obrigando-nos a reiniciar o progresso caso não consigamos sobreviver. Sempre que escapamos a uma anomalia, ao seguir para a carruagem seguinte vemos o número da próxima saída a incrementar, mantendo a mecânica de progressão até à saída 8. Após completar o jogo pela primeira vez, os indicadores das saídas passam a exibir quantas anomalias ainda nos faltam descobrir e sobreviver, incentivando a exploração. Com a ênfase em anomalias mais evidentes e perigosas, Platform 8 incorpora um maior número de elementos de terror, tornando a experiência mais intensa do que a do seu antecessor.

Já no Platform 8 percorremos um número infinito de carruagens idênticas até conseguirmos sair

A nível audiovisual, ambos os jogos são bastante simples. Ainda assim, tendo sido desenvolvidos com recurso ao motor gráfico Unreal Engine 5, optei por comprar a versão PS5 ao invés da versão Switch que também estava disponível na Amazon. Mas na verdade não esperem por gráficos incríveis. O The Exit 8 é todo um corredor branco com pouca coisa mais, já o Platform 8 apresenta-nos o interior de um metro bastante realista. O homem com o qual nos iremos cruzar no entanto (e outras personagens humanas ou não) não estão lá muito bem detalhados, mas sinceramente tal não é muito importante. Já no que diz respeito ao som, esta é uma experiência muito minimalista, onde apenas ouvimos o ruído dos nossos próprios passos e do ambiente à nossa volta. Gostei mais dos elementos de terror mais vincados no Platform 8!

É no Platform 8 onde acontecem as situações mais bizarras

Portanto estamos aqui perante dois jogos muito curtos, mas que acabaram por entreter bastante pelo seu conceito original. Visto que a Kotake Create já afirmou não querer desenvolver mais nenhuma sequela desta fórmula, este lançamento acaba por se mostrar mais interessante visto que contém ambos os jogos no disco. Irei no entanto estar atento ao que eles publicarão no futuro!

B.O.B. (Sega Mega Drive)

Vamos voltar agora à Mega Drive para um jogo que muita nostalgia me traz. Não que o tenha jogado no seu sistema original quando era mais novo, mas sim este foi um dos primeiros jogos que joguei em emulação, algures no início de 1999, a par de jogos como a versão Mega Drive do R.C. Pro Am ou Road Rash. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Janeiro deste ano, tendo-me custado algo à volta dos 20€.

Jogo com caixa e manual, que já viu melhores dias

A história leva-nos a controlar um robot extraterrestre que se preparava para ir a um encontro com a sua namorada e para isso pede a nave do seu pai emprestada, que lhe pede para a devolver sem qualquer arranhão. Naturalmente que na viagem a nave despenha-se e B.O.B, aterra num asteróide gigante, pelo que o nosso objectivo acabará por ser o de sair dali o quanto antes, até porque os níveis que iremos explorar estão repletos de obstáculos e inimigos.

Mapa de jogo, são mesmo muitos os níveis que iremos explorar!

Este é um jogo de plataformas, onde os controlos são simples: o botão B dispara a arma que tenhamos equipada no momento, o C salta e o A serve para usar certos gadgets que poderemos também equipar. Todas os gadgets e armas possuem munições limitadas (excepto os punhos do próprio B.O.B., mas esses têm naturalmente um alcance menor), que poderão ser encontrados à medida que vamos explorando os níveis. Para além disso, poderemos também encontrar itens que nos regeneram a nossa barra de vida ou até vidas extra. As diferentes armas podem disparar projécteis com diferentes trajectórias, poderosos mísseis teleguiados entre outros como um lança chamas. Já no que diz respeito aos gadgets, estes podem ser pequenos chapéus-helicóptero que nos permitem voar temporariamente, guarda-chuvas para amortecer quedas, trampolins que nos permitem chegar a plataformas de outra maneira inatingíveis, entre outro como escudos temporários ou flashes que paralisam os inimigos. Tanto as armas como o equipamento podem ser trocados no menu de pausa, mas também durante a própria acção, exigindo no entanto que pressionemos uma combinação de botões para o efeito.

Pausando temos acesso ao inventário e a password actual

O jogo possui bem mais níveis do que eu me lembrava, sendo uns 50 ao todo. O objectivo de cada nível é o de procurar a sua saída dentro de um tempo limite, derrotando inimigos e ultrapassando os vários obstáculos que nos vão sendo apresentados. Gerir bem as munições disponíveis bem como os gadgets que vamos encontrando é também uma das preocupações que temos de ter, até porque precisamos mesmo de os utilizar para completar alguns dos níveis. À medida que vamos avançando, os níveis vão ficando também cada vez mais complexos e labirínticos e o tempo disponível para o completar poderá não chegar. Ocasionalmente temos também alguns bosses para derrotar e o progresso poderá ser gravado através de um sistema de passwords.

Apesar do jogo não variar muito graficamente, adoro estes pequenos diálogos! Isso e as boas animações da personagem principal, dão um certo charme ao jogo

De resto, a nível visual, este não é um mau jogo de todo, na medida em que a sprite do B.O.B. é grande, bem detalhada e repleta de diferentes animações que dão um certo charme à personagem. Os níveis em si, apesar de não serem mal detalhados como um todo, infelizmente acabam por se tornar algo repetitivos. Isto porque ao longo dos seus 50 níveis, B.O.B. terá de explorar 3 asteróides distintos e cada asteróide apenas tem dois tipos de cenários diferentes. Os do primeiro “mundo” consistem numa espécie de uma fábrica e cavernas repletas de criaturas insectóides e/ou viscosas. O segundo mundo alterna entre níveis mais high-tech e ruínas de alguma civilização antiga. Por fim, o terceiro mundo traz um pouquinho mais de variedade. Vamos explorar outras cavernas cheias de criaturas bizarras, mais níveis de origem alienígena e outros algo urbanos. Esta falta de variedade acaba também por se reflectir nas músicas, que apesar de não serem desagradáveis, acabam por se repetir bastante. Por outro lado, os efeitos sonoros têm muito aquele feeling de estarmos num desenho animado, o que também contribui para a atmosfera agradável do jogo.

Portanto este B.O.B. é um agradável jogo de plataformas e que, tal como já referi anteriormente, me traz muitas boas memórias. É um jogo bem mais longo daquilo que eu pensava e infelizmente acaba também por ser algo repetitivo na pouca variedade e natureza labiríntiga dos seus níveis. Ainda assim, foi bom voltar a jogá-lo ao fim de tantos anos!

Phantasy Star Online: Episode I and II Plus (Nintendo GameCube)

Tempo de voltar às rapidinhas e à Nintendo GameCube para um artigo muito breve, o de um relançamento do Phantasy Star Online cujo lançamento se ficou pelo Japão e Américas. Já por cá falei várias vezes do Phantasy Star Online, tanto o seu lançamento original de Dreamcast, como o seu relançamento na Nintendo GameCube, um dos primeiros jogos que comprei para o sistema e que muito joguei (se bem que sempre de forma offline, pelo menos nessa versão da consola da Nintendo). Esta versão Plus contém algum conteúdo adicional que irei descrever muito brevemente. Sendo eu um grande fã desta série, este já era um lançamento que tinha em vista em adicionar à colecção há vários anos, mas o seu preço proibitivo sempre me inibiu de o comprar. Sinceramente nunca estaria à espera de encontrar esta variante na Europa, muito menos cá em Portugal. Eis que um dia destes o vejo numa cash converters e a menos de metade do preço que habitualmente é vendido no ebay norte-americano! Acabei por não resistir, não foi um jogo barato, mas tendo em conta o preço apetecível e não ter de me chatear com despesas aduaneiras, lá teve de ser.

Ora como já referi no artigo do PSO Episode I & II, esse lançamento para além de incluir o conteúdo do PSO ver. 2 da Dreamcast (e PC) trazia também uma nova expansão, o tal segundo episódio, que narra um novo capítulo na história, novas áreas para serem exploradas, novas quests, mais inimigos para combater, mais armas para coleccionar e outros modos de jogo adicionais. O principal motivo da existência desta versão Plus é o facto desta corrigir alguns bugs, um deles bastante severo visto que permitia a consola correr homebrews (ou jogos piratas) sem qualquer modificação adicional ao sistema. Curiosamente a versão Plus nunca chegou a sair na Europa, o que me leva a crer que esse problema já estaria resolvido no lançamento europeu, ou a Sega simplesmente já não quis saber. Para além disso, esta versão traz algumas sidequests adicionais, que outrora apenas estariam disponíveis para quem jogasse o jogo de forma online, passando a estar agora no disco e disponíveis a qualquer um. Eu na verdade já tinha jogado esse conteúdo no Phantasy Star Online Blue Burst, o último relançamento oficial do Phantasy Star Online clássico, versão exclusiva para o PC, com ainda uma nova expansão para ser jogada, o Episode IV (o Episode III é uma conversa completamente diferente).

O Episode II é conteúdo inteiramente novo. A versão Plus traz algumas sidequests no disco que de outra forma apenas estariam disponíveis online

Eu avisei que este artigo seria mesmo muito breve, este relançamento do PSO é uma mera curiosidade, até porque para quem quiser matar saudades do original, é muito fácil encontrar o Blue Burst disponível para ser jogado em servidores privados. Essa é também uma versão que eu adoraria ter um dia destes na colecção, mas infelizmente o seu preço é também demasiado alto e duvido muito que a encontre casualmente numa cash converters.

Kirby’s Dream Collection (Nintendo Wii)

Tempo de voltar à Nintendo Wii para um lançamento muito interessante e que infelizmente não chegou a ver a luz do dia no nosso território europeu. Este Kirby’s Dream Collection é portanto uma compilação que celebra os 20 anos da série Kirby, incluindo “todos” os jogos Kirby das gerações 8, 16bit e também o Kirby 64. Supostamente todos os Kirby considerados como entradas principais até à Nintendo 64, pelo que jogos como Kirby’s Pinball Land ou Kirby’s Dream Course ficaram de fora. Para além disso, inclui também alguns extras que irei detalhar mais à frente. Eu sei que a série Kirby sempre foi algo secundária para a Nintendo, mas é difícil conceber uma razão pela qual este lançamento nunca saiu em solo europeu. Talvez por se aproximar do lançamento da WiiU? Talvez por um dos jogos aqui incluídos nunca ter saído na Europa antes? Se bem que para mim esse seria um motivo adicional para a compilação ter sido lançada por cá. O meu exemplar foi comprado aquando de uma viagem que fiz a Nova Iorque em 2017, numa das várias GameStop que por lá visitei. Já não me recordo ao certo quanto custou, mas foi seguramente barato. Infelizmente no entanto não está completo, faltando-lhe a sleeve exterior de cartão e o livro de arte.

Compilação com caixa, manual, jogo, banda sonora e papelada. Falta a sleeve exterior de cartão e o livro com arte.

O foco deste artigo será dado aos jogos que ainda não tenho nesta colecção por fora desta colectânea, mas serão análises muito sucintas, visto que um dia gostaria de os ter também de uma forma standalone e nessa altura irei seguramente entrar em mais detalhe. Por fim, detalharei também os extras aqui incluídos. E pegando nos jogos por ordem de lançamento, o primeiro seria mesmo o Kirby’s Dream Land para o Game Boy original e que já cá trouxe no passado, pelo que aproveitem para dar lá uma leitura. Digamos apenas que é o primeiro jogo de plataformas da série e que introduz muitas das mecânicas pela qual a personagem viria a ficar conhecida, excepto a de herdar as habilidades dos inimigos engolidos. Excelente, se bem que algo simples, jogo de plataformas.

Tudo excelentes jogos de plataforma! Mas não seria nada mal visto se tivessem incluído os restantes jogos de GB e SNES pelo menos.

O jogo que se segue é o Kirby’s Adventure da NES. Lançado em 1993, é um jogo já de um ciclo tardio na vida da consola e é também um título graficamente impressionante, visto que o cartucho onde o mesmo corre contém algum hardware adicional que tornaram possível incluir tanto detalhe. É dos jogos mais bonitos da NES e apesar de já cá ter trazido o seu remake para Game Boy Advance, merece algumas palavras adicionais. Basicamente é um jogo muito maior que o seu predecessor de Game Boy, com um mapa à lá Super Mario World onde poderemos escolher os níveis que queremos jogar, incluindo muitos níveis bónus com mini-jogos peculiares que nos podem permitir ganhar vidas extra. Para além de graficamente ser um jogo impressionante, não só pelas cores, tamanho das sprites e detalhe das animações, mas também por incluir vários efeitos gráficos que não são nada habituais numa NES, como é o caso de algum parallax scrolling em algumas ocasiões. Mas a real novidade está mesmo na introdução das mecânicas de Kirby poder herdar as habilidades dos inimigos que devora. É impressionante a quantidade de diferentes habilidades que podemos herdar, um total de 24, logo neste primeiro jogo! É portanto um excelente jogo de plataformas na NES e a HAL está uma vez mais de parabéns pelo que aqui fizeram.

Apesar da emulação dos jogos antigos ser competente, certas funcionalidades extra seriam muito bem-vindas. O suporte a Super Game Boy neste jogo em específico era uma delas.

Segue-se o Kirby’s Dream Land 2, lançado também para o Game Boy e que já vai buscar algumas coisas do lançamento anterior da NES, nomeadamente as diferentes transformações que Kirby pode assumir, embora surjam num número bem mais limitado. Por outro lado, a grande novidade está na inclusão de diversos animais que nos podem ajudar ao longo da aventura como é o caso de um hamster, um pássaro e um peixe, cada qual com diferentes habilidades. Por exemplo, o hamster é rápido e não escorrega no gelo, enquanto o pássaro nos permite voar livremente e o peixe dá-nos muito melhor agilidade na água, assim como permite que o Kirby consiga absorver habilidades de inimigos enquanto estiver submerso. Por outro lado, apesar de haver uma menor variedade de diferentes abilidades que Kirby pode obter, as mesmas podem ser também utilizadas de formas diferentes mediante o animal que nos esteja a ajudar no momento. De resto é um jogo de plataformas bem competente e consideravelmente mais longo que o primeiro de Game Boy, mas confesso que visualmente acho o primeiro Dream Land melhor e o Kirby’s Adventure é, para mim, um jogo de plataformas como um todo largamente superior também.

O museu é interessante, apesar de ter alguma trivia muito fora do contexto.

Entramos agora na secção de Super Nintendo com dois lançamentos já tardios no ciclo de vida da consola, começando pelo Kirby Super Star (conhecido por cá na Europa como Kirby’s Fun Pak). Esse jogo é por si só uma espécie de compilação de vários outros jogos Kirby criados especificamente para esse cartucho. A maioria são jogos de plataforma tradicionais do Kirby com as suas mecânicas de copiar habilidades (ainda mais expandidas desde o Kirby’s Adventure!) e com ligeiras diferenças de mecânicas entre si. Mas temos também alguns mini-jogos propriamente ditos, como duelos de samurais ou medir forças em concursos de artes marciais. Os jogos aqui incluídos estão graficamente impressionantes, com sprites grandes, bem coloridas, detalhadas e animadas e as músicas são também bastante agradáveis. Um óptimo lançamento também! É um jogo lançado originalmente em Março de 1996 no Japão, tendo chegado cá à Europa no mês de Janeiro de 1997, poucos meses antes do lançamento da Nintendo 64 por cá.

O Kirby’s Dream Land 3 foi a principal razão que me fez comprar esta compilação, visto ser um jogo que não chegou a ser lançado na Europa. E é muito bom tecnicamente!

Segue-se o Kirby’s Dream Land 3, lançado no final de Novembro de 1997 em solo norte-americano (tendo sido inclusivamente o último jogo da própria Nintendo lançado para a SNES nesse território) e em Março de 1998 no Japão. Apesar de aperentemente um lançamento europeu ter sido planeado, tal nunca se chegou a materializar, pelo menos não durante o ciclo de vida da Super Nintendo por cá. E esta foi a principal razão pela qual quis comprar esta compilação, pois estamos aqui perante um dos jogos tecnicamente mais bonitos que a Super Nintendo nos tem para apresentar e naturalmente é também um óptimo jogo de plataformas em 2D. Muito resumidamente, a nível de jogabilidade expande os conceitos introduzidos pelo Kirby’s Dream Land 2, na medida em que para além de podermos copiar as habilidades dos inimigos derrotados, vamos também poder juntar-nos a vários animais distintos, que fazem com que essas mesmas habilidades sejam consideravelmente diferentes mediante o animal com quem estamos. Continuamos a ter poucas habilidades base para usar, mas por outro lado temos animais diferentes que nos podem ajudar, todos com diferentes características, resultando em ainda mais combinações distintas! Visualmente é também um jogo impressionante e que faz lembrar o Super Mario World 2: Yoshi’s Island, com os gráficos com um estilo artístico que parecem cenários e personagens desenhados e pintados à mão. Para além disso, o jogo possui imensos efeitos de parallax scrolling e transparências de muita qualidade. Virtudes de utilizar o chip SA-1 (curiosamente também utilizado no Kirby’s Fun Pak/Super Star). Sinceramente gostei mais o Kirby’s Fun Pak, mas este é também um óptimo jogo.

Apesar de para mim não ter o mesmo apelo das versões SNES, este Kirby 64 é um jogo muito bem detalhado para o sistema.

Segue-se então, por fim, o Kirby 64: The Crystal Shards. Sendo um título da Nintendo 64, por sua vez lançada numa altura em que toda a gente queria jogos em 3D poligonal, este título é um desses casos, embora mantenha ainda uma jogabilidade 2D. A grande novidqade nas mecânicas de jogo é o facto de agora podermos assimilar mais que uma habilidade em simultâneo, resultando uma vez mais em imensas possibilidades de diferentes ataques e jogabilidade. De resto, é um jogo de plataformas muito similar aos anteriores nas restantes mecânicas de jogo. Visualmente, apesar de eu preferir de longe os visuais pixel art de ambos os lançamentos da Super Nintendo já cá mencionados acima, na verdade a HAL está uma vez mais de parabéns. Todos os jogos presentes nesta compilação são tecnicamente impressionantes para os seus sistemas e este é um jogo 3D poligonal muito bem conseguido a nível técnico, visto que todos os níveis são coloridos, variados entre si e acima de tudo bem detalhados, com imensas texturas diferentes em simultâneo no ecrã, o que não é nada habitual num jogo de Nintendo 64. A banda sonora continua a ser bastante agradável.

O novo jogo aqui incluído é baseado no Kirby’s Return to Dreamland (conhecido por Kirby’s Adventure Wii por cá), que me parece excelente. Fiquei com vontade de o jogar!

De resto, o que mais traz esta compilação? Temos um jogo inteiramente novo para experimentar, chamado de New Challenge Stages. São essencialmente um conjunto de desafios onde a nossa performance é avaliada pelo tempo que demoramos a completar cada nível, inimigos derrotados, dano sofrido, moedas coleccionadas, entre outros. Os níveis em si parecem ser baseados no jogo do Kirby da Wii que precedeu este, o Kirby’s Adventure Wii (ou Kirby’s Return to Dream Land Deluxe na sua versão Switch), que por sua vez me parece fantástico. Também presente no disco temos outros extras como uma espécie de museu interactivo do Kirby, com detalhes (scans das caixas e vídeos de gameplay e informativos) de todos os jogos Kirby até à data, assim como 3 episódios de uma série de animação que não fazia ideia da sua existência. Físicamente o jogo traz outros extras, como um CD com banda sonora da série e um livro de arte de 45 páginas, esse último infelizmente não tenho. De resto, uma nota apenas para a emulação dos jogos aqui jogáveis: apesar de a emulação em si ser competente, não traz nenhuma daquelas funcionalidades óptimas que vemos actualmente em compilações deste género de jogos mais antigos. Save states seriam bem-vindos! Na verdade estes até existem em alguns jogos, mas são apenas temporários, usados quando saímos do jogo e apagados uma vez que lá entremos novamente. Outras funcionalidades como o suporte a Super Game Boy do Kirby’s Dream Land 2 seriam também interessantes e confesso que não se perdia nada se tivessem incluído mais alguns desses jogos mais antigos de GB e SNES na compilação também.