Record of Lodoss War Deedlit in Wonder Labyrinth (Sony Playstation 4)

Tempo de voltar à PlayStation 4 para um jogo curto, mas que me agradou bastante. Record of Lodoss War nasceu originalmente de replays de sessões de RPG de mesa, tendo posteriormente evoluído para uma série de romances de fantasia, RPGs de tabuleiro, anime, manga e videojogos. É uma série com muito pouca presença fora do Japão, pelo menos no que toca a videojogos. Isto porque, até à data, apenas dois foram lançados oficialmente em inglês, sendo este Deedlit in Wonder Labyrinth um desses casos. Felizmente que, algures em 2021, a editora europeia Red Art Games anunciou o seu lançamento em formato físico, tendo o meu exemplar chegado às mãos apenas no ano seguinte. Custou-me pouco mais de 35€ e ainda tive a sorte de conseguir receber alguns bónus de pré-reserva, como o CD com a banda sonora e um bonito livro, não só com arte do jogo, mas também com muita informação relevante sobre o universo Record of Lodoss War.

Jogo com caixa. Livro de arte e CD com a banda sonora (ainda selado) foram ofertas de bónus de pré-reserva.

A história leva-nos a controlar a elfo Deedlit, que acorda sem quaisquer memórias do seu passado e ainda por cima num misterioso labirinto completamente desconhecido para si. Ao explorá-lo, irá encontrar várias figuras do seu passado, sejam amigos ou inimigos, e a mais importante é seguramente o cavaleiro Parn, o seu amor de longa data que já não deveria estar vivo, a chamar Deedlit para as profundezas do labirinto.

Infelizmente as cenas narrativas não mostram muito mais que isto

No que toca às mecânicas de jogo, este é um metroidvania muito inspirado em Castlevania: Symphony of the Night, não só pela natureza não linear da exploração e pelas mecânicas de RPG de acção, mas também pelos visuais serem muito similares: em ambos os títulos temos elementos de fantasia mais sinistra e todo o mapa passa-se, aparentemente, num enorme castelo. A outra grande influência é, por incrível que pareça, Ikaruga. Isto porque desde cedo que iremos desbloquear dois espíritos que nos acompanharão na aventura: Sylph, espírito do vento, e Salamander, espírito do fogo. Ambos os espíritos possuem diferentes características e o jogo permite-nos alternar entre ambos com um simples pressionar de um botão. Sylph permite-nos temporariamente levitar no ar, dando-nos um maior controlo e precisão em saltos mais exigentes, enquanto Salamander permite-nos deslizar pelo solo como uma bola de fogo invencível.

Para além da arma branca principal, vamos poder também usar um arco e flecha, útil não só no combate, mas também para ultrapassar alguns puzzles

A comparação com Ikaruga está no facto de cada espírito ser imune ao dano elemental do seu próprio elemento, assim como apenas causar dano desse elemento em específico, algo que também se replica em muitos dos inimigos. Ou seja, vão existir alturas, tipicamente durante os bosses, em que teremos de alternar repetidamente entre o espírito seleccionado, não só para absorver o dano inimigo, mas também para conseguir causar dano. Absorver dano do mesmo elemento possui ainda outra particularidade: ajuda-nos a regenerar a nossa barra de magia, o que, por sua vez, nos dá liberdade para usar magias mais frequentemente. Devo dizer que usei e abusei destas mecânicas para conseguir derrotar alguns dos bosses. Um outro detalhe interessante prende-se com a maneira como fazemos upgrade a estes espíritos. Cada vez que causamos dano a um inimigo, o nível do espírito não equipado vai subindo progressivamente do nível 1 ao nível 3, um patamar crítico que concede a Deedlit a capacidade passiva de regenerar a sua própria vida. Contudo, o jogo exige uma execução precisa, pois sofrer qualquer dano faz com que o nível do espírito activo desça imediatamente, penalizando o jogador e interrompendo a cura.

Visualmente é um jogo com detalhes muito bonitos!

No que toca aos audiovisuais, este Deedlit in Wonder Labyrinth mantém um estilo visual 2D pixel art muito bem conseguido e como eu gosto: sprites bonitas, bem detalhadas e animadas, assim como cenários consideravelmente variados entre si e também com um óptimo nível de detalhe. Logo a primeira batalha contra um boss, um dragão gigante, foi suficiente para me deixar com um sorriso de orelha a orelha! Já no que toca ao som, a banda sonora é bastante agradável, consistindo numa mistura entre temas orquestrais e outros com influências de jazz, folk, música electrónica ou rock. Pena que não exista voice acting e que as cenas narrativas sejam tão simples.

Este pilar de energia é um exemplo de algo que nos causa dano se tivermos a Sylph equipada, mas que Salamanderé capaz de absorver. Mas neste caso precisamos dos poderes de levitação de Sylph para ultrapassar o obstáculo.

Posto isto, devo reafirmar que gostei bastante deste jogo. Já sou um fã de metroidvanias por defeito, então um com pixel art tão bom quanto este e uma jogabilidade sólida, tanto melhor! É, no entanto, um jogo algo curto e nota-se perfeitamente que foi uma produção de baixo orçamento, com certos pequenos detalhes na apresentação a beneficiarem de um maior tempo de aperfeiçoamento. Ainda assim, devo dizer que fiquei com esta Team Ladybug no radar, pois já desenvolveram outros metroidvanias no passado, como foi o caso de Shin Megami Tensei: Synchronicity Prologue ou Touhou Luna Nights.

The Exit 8 / Platform 8 (Sony Playstation 5)

Tempo de voltar à Playstation 5 para uma rapidinha a uma compilação de dois pequenos jogos que eu sinceramente não os conhecia de todo, até me terem sido recomendados por um dos meus colegas do podcast The Games Tome. Ambos os jogos foram produzidos por um pequeno estúdio indie japonês, que estão também a trabalhar num jogo de terror ao qual irei seguramente estar atento no futuro. O meu exemplar foi comprado na Amazon japonesa algures no início de Janeiro, visto que ambos os jogos não têm (pelo menos até à data) nenhum lançamento físico no ocidente.

Jogo com caixa

Começando pelo The Exit 8, este é um jogo de perspectiva na primeira pessoa e com uma premissa simples, mas intrigante: estamos presos num corredor infinito numa estação de metro. O espaço é algo sinuoso, com uma secção mais longa onde encontramos vários elementos como pósteres publicitários, portas de manutenção e até outra pessoa que caminha na direção oposta. No início, tudo parece normal, mas, ao percorrermos o corredor repetidamente, começamos a notar mudanças. Algumas bastante evidentes, como portas que antes estavam fechadas mas agora abertas, alterações nos pósteres ou na iluminação, e outras muito mais subtis. O objetivo do jogo é alcançar a saída 8, algo que só se torna claro quando prestamos atenção aos avisos afixados nas paredes. A mecânica central gira em torno da deteção de anomalias—diferenças no ambiente que indicam que algo não está certo. Sempre que identificamos uma, devemos virar para trás e percorrer o corredor no sentido contrário. No final desse percurso, encontramos um painel que indica em que saída estamos, começando na saída zero e progredindo até à saída 8. Se não houver anomalias, ou se as detetarmos e reagirmos corretamente, o número da saída aumenta. No entanto, se ignorarmos uma anomalia ou falharmos ao tentar escapar de certas situações, a contagem é reiniciada para zero, forçando-nos a recomeçar. É um jogo bastante curto e simples no seu conceito, mas também bastante divertido pelas diferentes situações bizarras (ou, por vezes, algo assustadoras) com que nos iremos deparar. Para os que quiserem descobrir todas as anomalias, há um cartaz afixado algures no corredor que indica quantas ainda faltam encontrar. Além disso, a menos que decidamos apagar todo o progresso, o jogo não repete anomalias, a menos que falhemos a sua deteção e/ou resolução.

No Exit 8, é neste corredor onde tudo acontece

Já o Platform 8 surge como a sequela de The Exit 8, embora funcione, na verdade, como uma prequela. Desta vez, em vez de um corredor infinito, encontramo-nos presos num metro onde a mesma carruagem se repete infinitamente e sentado num dos bancos, reconhecemos o homem com quem nos cruzávamos no primeiro jogo. O objetivo mantém-se semelhante: alcançar a plataforma 8, algo que só será possível se estivermos atentos às anomalias que ocorrem à nossa volta. No entanto, há diferenças consideráveis em relação ao primeiro jogo. Aqui, não podemos voltar atrás, o jogo obriga-nos sempre a avançar para a próxima carruagem. Além disso, as anomalias são muito menos subtis e, em muitos casos, podem representar uma ameaça direta, obrigando-nos a reiniciar o progresso caso não consigamos sobreviver. Sempre que escapamos a uma anomalia, ao seguir para a carruagem seguinte vemos o número da próxima saída a incrementar, mantendo a mecânica de progressão até à saída 8. Após completar o jogo pela primeira vez, os indicadores das saídas passam a exibir quantas anomalias ainda nos faltam descobrir e sobreviver, incentivando a exploração. Com a ênfase em anomalias mais evidentes e perigosas, Platform 8 incorpora um maior número de elementos de terror, tornando a experiência mais intensa do que a do seu antecessor.

Já no Platform 8 percorremos um número infinito de carruagens idênticas até conseguirmos sair

A nível audiovisual, ambos os jogos são bastante simples. Ainda assim, tendo sido desenvolvidos com recurso ao motor gráfico Unreal Engine 5, optei por comprar a versão PS5 ao invés da versão Switch que também estava disponível na Amazon. Mas na verdade não esperem por gráficos incríveis. O The Exit 8 é todo um corredor branco com pouca coisa mais, já o Platform 8 apresenta-nos o interior de um metro bastante realista. O homem com o qual nos iremos cruzar no entanto (e outras personagens humanas ou não) não estão lá muito bem detalhados, mas sinceramente tal não é muito importante. Já no que diz respeito ao som, esta é uma experiência muito minimalista, onde apenas ouvimos o ruído dos nossos próprios passos e do ambiente à nossa volta. Gostei mais dos elementos de terror mais vincados no Platform 8!

É no Platform 8 onde acontecem as situações mais bizarras

Portanto estamos aqui perante dois jogos muito curtos, mas que acabaram por entreter bastante pelo seu conceito original. Visto que a Kotake Create já afirmou não querer desenvolver mais nenhuma sequela desta fórmula, este lançamento acaba por se mostrar mais interessante visto que contém ambos os jogos no disco. Irei no entanto estar atento ao que eles publicarão no futuro!