Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy (Sony Playstation 4)

A série Ace Attorney sempre despertou o meu interesse, pois para além de ter aquela componente de investigação criminal típica de aventuras gráficas, possui toda a dinâmica dos tribunais e das trocas de acusações entre advogados e testemunhas. Para além disso, possui um bom sentido de humor, com personagens carismáticas e casos cada vez mais mirabolantes. Esta compilação traz os primeiros 3 jogos da série Ace Attorney que fecham assim a sua primeira trilogia com o advogado de defesa Phoenix Wright como o principal protagonista. Esta foi uma compilação que tem vindo a ser lançada desde 2012 em sistemas mobile, tendo sido também relançada em várias outras plataformas ao longo dos anos como a Nintendo 3DS, Playstation 4, PC ou Switch. Infelizmente os lançamentos físicos dessa compilação têm-se ficado por solo japonês ou asiático, pelo que acabei por optar por comprar a versão Japonesa PS4. Qual a razão? Ao instalar os jogos na consola, ficam disponíveis em inglês, claro! O meu exemplar foi comprado algures no mês passado de Setembro numa loja online por cerca de 45€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e folheto informativo, na sua versão japonesa

Os jogos da série Ace Attorney são um misto entre aventura gráfica e visual novel, onde encarnamos no papel de um advogado e, pelo menos em todos os Ace Attorney que joguei até agora têm sido advogados de defesa, onde teremos de provar a inocência do nosso cliente em vários casos de homicídio. Cada caso está dividido tipicamente em 2 partes, a de investigação, onde vamos explorar vários cenários (incluindo o do crime) e falar com diversas pessoas, em busca de procurar pistas que nos levem à verdade e ilibar o nosso cliente das suas acusações de homicídio. Uma vez recolhidas todas as evidências, o jogo transita automaticamente para o julgamento onde teremos de estar atentos aos testemunhos que vão sendo prestandos e desmascarar todas as suas contradições. Nessas revisões de testemunho poderemos, a qualquer momento, interromper a testemunha para lhe pedir mais detalhes acerca do que estaria a dizer no momento ou poderemos contrapor a sua afirmação, seleccionando uma das pistas recolhidas anteriormente. Por exemplo, a testemunha pode dizer que o crime foi cometido às 7 da tarde, quando no relatório da autópsia diz que a vítima morreu a uma hora completamente diferente. Nessa altura podemos levantar uma objecção e apresentar o relatório da autópsia como prova, o que irá descredibilizar um pouco a testemunha e obrigá-la a rever o seu depoimento, aproximando-se cada vez mais da verdade.

Os segmentos de investigação servem para entrevistar potenciais testemunhas e recolher provas ou pistas úteis para os julgamentos

No entanto, apesar de termos esta liberdade de ir pressionando e contrapondo as testemunhas, temos de ter algum cuidado e tomar apenas a acção certa no timing certo. Se interrompermos demasiadamente a testemunha ou apresentar provas erradas para a contraposição, poderemos sofrer penalizações que, no limite, nos podem fazer perder o caso e o nosso cliente ser condenado à morte por homicídio. É então necessário estar muito atentos ao que vai sendo dito pelas testemunhas e tomar acções apenas nos momentos certos. De resto, os casos vão começando de forma bastante simples e, à medida que vamos avançando cada jogo, vão se tornando cada vez mais complexos, obrigando por vezes aos julgamentos extenderem-se por até 3 sessões, sempre intercaladas com segmentos de investigação.

As personagens com as quais nos vamos cruzando vão sendo bastante carismáticas

Ora não me vou alongar sobre o primeiro Phoenix Wright Ace Attorney visto que já cá o abordei no passado na sua versão da Nintendo DS. Essa conversão para a DS tinha trazido um capítulo adicional face ao lançamento original de GBA e esse era um capítulo onde foram introduzidas algumas mecânicas de jogo que tiravam maior partido das características da Nintendo DS, nomeadamente análise forense e a possibilidade de observar em 3D alguns dos objectos recolhidos como pistas/provas. Isto obrigava mesmo ao uso do touch screen e até do microfone, pelo que não estava certo se esse caso adicional estaria incluído nesta compilação, mas felizmente que o incluiram! Em relação ao segundo e terceiro jogo, nenhum teve capítulos adicionais aquando das suas conversões para a Nintendo DS, pelo que também não temos aqui nenhum conteúdo adicional. Mas no entanto essas duas sequelas já tinham adicionado algumas novas mecânicas de jogo perante o original, nomeadamente as interrogações que podemos fazer a certas personagens durante as fases de investigação. No segundo e terceiro jogo Phoenix Wright terá então a possibilidade de, enquanto dialogar com as personagens, de se aperceber que estas lhe estão a esconder qualquer coisa, com um ou mais cadeados a surgirem no ecrã em sua volta. Nessa altura, poderemos tentar interrogá-los e, tal como nos julgamentos, apresentar provas que mostrem que as personagens nos estão a esconder qualquer coisa.

Nesta compilação os assets foram redesenhados em alta definição, mas não esperem por grandes mudanças no som

A nível audiovisual, confesso que estava à espera que neste remaster a Capcom se tivesse esforçado um pouco mais. Os maiores melhoramentos vão para os visuais que são apresentados agora com cenários e retratos das personagens com maior detalhe e resolução. De resto, particularmente a nível de música e efeitos sonoros, não há grande coisa a mudar, infelizmente. Estava a contar que houvesse algum voice acting, quanto mais não fosse apenas em Japonês, mas infelizmente não é o caso. Então, no lugar do voice acting vamos estar constantemente a ouvir os mesmos ruídos enquanto as letras vão sendo escritas no ecrã sendo que, quando são pessoas a falar de forma mais efusiva, ouvimos outros efeitos sonoros tipo de pancadas e coisas a baterem umas nas outras, o que é um pouco estranho.

Portanto, mesmo o facto de ser uma compilação algo modesta no que toca ao processo de “remastering“, não deixa de ser uma compilação bem sólida. A série Ace Attorney é muito divertida e repleta de personagens bem carismáticas. As histórias vão sendo cada vez mais mirabolantes e é muito recompensador nós irmos desmascarando as testemunhas em tribunal e ir encontrando o verdadeiro culpado por detrás de cada homicídio. Esta colectânea é também uma opção ligeiramente mais barata de ter os primeiros 3 Ace Attorneys, numa altura em que os lançamentos em inglês da Nintendo DS estão cada vez mais caros.

Konami Krazy Racers (Nintendo Gameboy Advance)

Vamos continuar pelas rapidinhas, agora com um clone do Super Mario Kart na Gameboy Advance, nomeadamente este Konami Krazy Racers que foi um título de lançamento desta portátil em todos os territórios. Lembro-me bem de ter lido algumas reviews a este jogo na altura! O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias algures no mês passado de Outubro por 1€.

Cartucho solto

Ora tal como referi acima este é um clone do Super Mario Kart, mas em vez de termos as tradicionais personagens do mushroom kingdom, temos antes umas quantas personagens do universo da Konami, desde o Goemon, uma das estátuas das ilhas de Páscoa (típicas da série Gradius), o Dracula de Castlevania, o polvo vermelho de Parodius, entre outras. E este é um kart racer com controlos simples, com os botões faciais a servirem para acelerar e travar, ou os de cabeceira para saltar ou usar itens. Sim, porque sendo este um clone de Super Mario Kart, esperem por apanhar uma grande variedade de itens, power ups e armas que podem ser usadas nas corridas. Estes podem ser mísseis, bombas deixadas nas traseiras, raios eléctricos que atingem todos os oponentes em simultâneo, etc. Para além dos power ups poderemos também encontrar algumas moedas espalhadas pelos circuitos, moedas essas que podem ser posteriormente usadas numa loja para comprar alguns destes itens. A vantagem de comprar (e activar) alguns itens da loja, quando os apanharmos nalguma corrida, poderemos usá-los mais que uma única vez. Portanto esperem por corridas caóticas, não só pela agressividade de todos os power ups a serem usados, mas também porque as pistas vão tendo alguns obstáculos como buracos ou outros empecilhos como bolas de fogo a surgirem do nada.

O ecrã de selecção de personagens é engraçado, mas preferia que dessem os detalhes das características do kart de cada um

No que diz respeito aos modos de jogo temos aqui uns quantos. O modo free run serve para fazer umas corridas rápidas, ideais para practicar. O mesmo poderá ser dito do time attack, onde o objectivo é competir unicamente contra o relógio e tentar o melhor tempo possível. O principal modo de jogo single player é o Krazy GP onde, tal como no Mario Kart, vamos poder competir em diferentes campeonatos, de ordem de dificuldade crescente e cada um dos campeonatos tem 4 corridas diferentes. O objectivo é o de terminar cada campeonato em primeiro lugar e para isso temos também de terminar cada corrida pelo menos em terceiro lugar. Se chegarmos ao fim do campeonato em primeiro lugar, desbloqueamos o “teste de condução” que nos dará a possibilidade de competir nos campeonatos seguintes, que usam karts mais poderosos. Estes testes de condução são um conjunto de provas, desde um time attack onde teremos de terminar uma corrida abaixo de um determinado tempo, corridas contra um rival, ou uma corrida adicional normal, contra 7 oponentes. É um jogo surpreendentemente exigente, onde para venmcer teremos mesmo de memorizar cada circuito, fazer bem as curvas mais apertadas, evitar obstáculos e aproveitar bem os turbos e eventuais atalhos. E claro, temos também de ter uma pontinha de sorte devido aos power ups, é que os nossos oponentes não têm problemas em usá-los contra nós!

Como seria de esperar, o que não faltam são armas e power ups para semear o caos!

No que diz respeito aos audiovisuais, este até que é um jogo bastante colorido e bem detalhado. Todas as personagens e pistas têm um aspecto mais cartoonesco, até o drácula ou ninja do Metal Gear Solid, o que se adequa perfeitamente à atmosfera mais festiva que o jogo tenta passar. Os circuitos decorrem em cenários variados, desde praias, zonas geladas, outras repletas de lava e até umas quantas pistas que piscam mais que um olho à Rainbow Road dos Mario Kart! As pistas são representadas num efeito semelhante ao do Mode 7, mas ao contrário deste na SNES, os circuitos não são apenas planos achatados gigantes, também vamos ter algumas sprites que ajudam a dar-lhes alguma vida. As músicas são também bastante agradáveis, a começar pela música título que é extremamente viciante e é cantada, com voice samples bastante nítidas. As outras músicas são igualmente boas e como seria de esperar vamos também ouvir alguns remixes de músicas retiradas de certos jogos da Konami como a Beginning do Castlevania III, Antarctic Adventure, Parodius, entre muitos outros.

Portanto devo dizer que este Konami Krazy Racers até que é um jogo de karts bem divertido e desafiante, pelo que se forem fãs do estilo recomendo que o experimentem. O facto de ser igualmente uma homenagem às personagens introduzidas pela Konami ao fim de todos aqueles anos, também é um factor muito positivo. Ainda assim, se calhar trocava uma ou outra personagem pelo Sparkster, que a meu ver é uma ausência de peso neste elenco.

Virtua Fighter 10th Anniversary (Sony Playstation 2)

O artigo de hoje é uma rapidinha a um título muito curioso. Por alturas do décimo aniversário da série Virtua Fighter a Sega lança, no Japão, um produto mesmo feito a pensar nos fãs da série: o Virtua Fighter 10th Anniversary: Memory of Decade, que incluía um livro, um DVD com entrevistas aos produtores e este pequeno jogo Virtua Fighter 10th Anniversary, que é essencialmente um demake do modo arcade do Virtua Fighter 4 Evolution, com todas as suas personagens presentes nessa versão, mas com os gráficos do Virtua Fighter original arcade. O jogo foi posteriormente relançado no Japão em bundle com o próprio Virtua Fighter 4 Evolution e é essa a versão que tenho na colecção. O meu exemplar foi comprado a um particular por 25€ algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

Tal como referi acima, este é um título simples, que inclui apenas os modos de jogo arcade e versus. As personagens jogáveis são todas as que foram introduzidas no Virtua Fighter 4 Evolution e possuem a maior parte dos seus golpes, excepto os que usem a terceira dimensão de movimento, pois o Virtua Fighter original era um jogo com uma jogabilidade ainda presa num plano bidimensional. Graficamente tudo é apresentado como se fosse o primeiro Virtua Fighter, com os backgrounds simples e estáticos, uma arena quadrada e claro, as personagens renderizadas com muitos poucos polígonos. A nível de jogabilidade, parece-me ser um jogo mais rápido que o VF original, mas claro, ainda tem aqueles saltos lunares muito característicos do original. Já as músicas, essas são um misto entre temas rock, electrónicos e algumas melodias mais tradicionais asiáticas, no caso das arenas de algumas personagens, como a Pai ou o ninja Kage Maru.

Todo o charme do primeiro Virtua Fighter, agora também com as novas personagens

Portanto este é um título completamente de fan service. O que aqui temos é um jogo de luta apenas com o essencial, o modo arcade e versus para 2 jogadores, mas que consegue capturar todo o charme e nostalgia de um tempo em que os jogos em 3D poligonal ainda eram muito primitivos. Para além do lançamento original no Japão dentro do Memory of Decade, e seu relançamento em bundle com o VF4 Evolution anos mais tarde, este jogo estava também disponível para quem fizesse a pre-order do Virtua Fighter 5 da Playstation 3 também no Japão. Já no ocidente, este 10th Anniversary está incluído dentro do próprio VF4 Evolution, mas apenas nos Estados Unidos. Já na Europa, infelizmente não tivemos essa sorte. Existem em circulação umas quantas edições promocionais deste jogo no formato PAL, certamente oferecidas a distribuidores, imprensa ou lojas, mas nunca ao público geral. No entanto, o facto de haver essa versão promo, talvez possa indicar que um eventual lançamento ao retalho tenha vindo a ser equacionado, o que infelizmente nunca chegou a acontecer. O porquê de ter sido incluído no próprio disco do VF4 Evolution apenas nos Estados Unidos poderá ser explicado por ter sido uma decisão algo tardia da própria Sega em fazê-lo, visto que a versão norte-americana do VF4E foi lançada por lá uns meses depois do lançamento europeu.

The Blues Brothers (Super Nintendo)

Lembro-me perfeitamente de, na escola, usar o computador da sala de estudo para “estudar”. Estudar videojogos que eu, e outros alunos, instalavamos por lá, claro. Um desses era um jogo de plataformas da Titus, o Blues Brothers, que curiosamente apenas joguei lá na escola, nunca o cheguei a copiar e jogar em casa. Este The Blues Brothers para a Super Nintendo é também um jogo de plataformas da Titus, mas também uma sequela ao Blues Brothers de 1991 que referi acima. Este novo jogo é conhecido noutras plataformas como The Blues Brothers: Jukebox Adventures. O meu exemplar foi comprado no mês passado numa Cash Converters, creio que me custou uns 15€.

Cartucho solto

E este é mais um daqueles videojogos genéricos onde uma empresa pega numa licença de um filme conhecido e produz um jogo que não tem nada a ver com o material original. Estamos aqui perante então mais um jogo de plataformas em 2D, mas que infelizmente não tem nada de realmente extraordinário e que o demarque dos demais. Podemos então controlar os irmãos Jake ou Elwood e os controlos são simples, com um botão para saltar, outro para correr e um outro para disparar projécteis, que neste jogo são discos de vinil que se encontram às dezenas espalhados pelos níveis. O objectivo de cada nível é o de encontrar uma jukebox, que sinaliza a sua saída. Teremos então 34 níveis de puro platforming, uns mais complicados que outros, ao exibirem vários obstáculos como abismos, espinhos em paredes, inimigos por todo o lado, plataformas móveis ou outras armadilhas como raios eléctricos. Nós temos uma barra de vida que é medida em corações e ao longo dos níveis poderemos encontrar inúmeros itens para apanhar, como os tais discos de vinil que servem de munição, corações para restabelecer a nossa barra de vida, vidas extra, extensões de tempo para terminar o nível, invencibilidade temporária, entre outros. Um dos power ups que podemos encontrar são fatias de bolo e estas transformam os irmãos em gajos todos musculados e que me pareceram capazes de saltar mais alto também.

Após o ecrã título, podemos escolher quais dos irmãos queremos controlar

Até aqui tudo bem, temos a receita para um jogo de plataformas algo genérico, mas também não esperem por grandes facilidades. Os níveis são curtos e muitos deles podem ser completados em menos de um minuto, mas cada vez vamos tendo mais obstáculos pela frente e a inércia em demasia que as personagens ganham não ajudam nada nos saltos mais precisos. Vai ser muito frequente a personagem não travar a tempo e escorregar de uma plataforma, sofrendo dano no processo ou perdendo mesmo uma vida. De resto, existe também um modo de jogo cooperativo (com menos níveis, aparentemente), onde as personagens jogam em simultâneo e teriam de cooperar entre si para atravessar alguns desafios de platforming. Não cheguei a experimentar este modo de jogo, até poderá ser divertido, embora as críticas que li digam que é muito frustrante devido ao sistema de colisões entre ambos os jogadores.

Graficamente não é o jogo mais excitante de sempre

Já no que diz respeito aos audiovisuais, infelizmente estava à espera de melhor. Não há uma grande variedade de cenários, temos uma floresta cheia de cogumelos que servem de molas para nos fazer saltar mais alto, uma espécie de uma fábrica e umas dungeons cheias de correntes que podem ser escaladas, bem como outros obstáculos. Os níveis vão alternando entre estras 3 zonas, pelo que não há mesmo grande variedade dos cenários. E os que existem, também não são propriamente dos mais bonitos que já viram numa SNES. As músicas também são uma desilusão. Sendo um jogo dos Blues Brothers, estava à espera que tivesse uma banda sonora à altura, mas infelizmente não foi o caso. Para além de haverem poucas músicas, e algumas até terem um cheirinho de blues, estas sinceramente nem fazem justiça ao filme, nem às capacidades do chip de som da SNES.

Portanto estamos aqui perante um jogo que apesar de não ser o platformer mais excitante que podem encontrar na Super Nintendo, também não é tão mau quanto isso, pois vai apresentando alguns bons desafios de platforming. Pena é que seja tão genérico, a todos os níveis.

Advance Wars (Nintendo Gameboy Advance)

O Advance Wars foi um dos jogos que mais me impressionou nos primeiros tempos de vida da famosa portátil da Nintendo. Os seus gráficos coloridos e cartoonescos aliados a um jogo de estratégia militar por turnos conferiam-lhe um charme inigualável dentro do género. Só mais tarde é que vim a descobrir que o Advance Wars era, na verdade, o último de uma já longa série de jogos da Nintendo, lançados desde o Famicom Wars em 1988, todos exclusivamente em solo japonês. O meu exemplar foi comprado algures em Fevereiro de 2016, creio que a um amigo meu, por um preço muito atractivo.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Eu já estava para terminar este jogo há ANOS! Recentemente, a meio desta semana que terminou, descobri o meu antigo save num dvd com backups seguramente com mais de 10 anos! Visto que já tinha a campanha bastante avançada nesse save, decidi terminá-la de uma vez por todas. E neste Advance Wars, no seu modo single player principal, nós encarnamos num papel de conselheiro militar e iremos acompanhar uma série de COs (Commanding Officers) do exército de Orange Star ao longo de imensas batalhas. Inicialmente para repelir a invasão da nação vizinha de Blue Moon, para depois entrarmos também em conflito com as nações restantes que nos atacam sem sabermos muito bem o porquê… claro que eventualmente vamos descobrir a razão!

O botão R serve para ver informação das tropas, bem como dos terrenos

Mas antes de nos debruçarmos sobre a campanha temos direito a um extenso tutorial com uma série de outras batalhas onde, com os conselhos de Nell, uma CO sénior, vamos aprendendo TODAS as mecânicas de jogo, desde as mais básicas, passando pelas mais avançadas também. Uma vez terminado o tutorial, lá nos debruçamos sobre a campanha militar principal. E este Advance Wars é então um jogo de estratégia por turnos onde teremos de vencer uma série de batalhas ao cumprir um de dois objectivos: eliminar todos os inimigos presentes no ecrã, ou conquistar a base inimiga. Naturalmente que o adversário nos pode fazer o mesmo, perdendo nós a batalha. Ocasionalmente poderemos ter outras condições diferentes de vitória como a de conquistar uma série de edifícios ou sobreviver um certo número de turnos. Durante o nosso turno podemos posicionar as nossas tropas da melhor forma e atacar as tropas inimigas. Mas, mesmo sendo este um jogo todo colorido e de atmosfera ligeira, as suas mecânicas de jogo são bem mais complexas do que poderiam achar pelo seu aspecto. Afinal é a Intelligent Systems (os mesmos produtores de Fire Emblem) que estiveram por detrás desta série!

A capacidade de movimento depende de vários factores, como o tipo de unidade e o terreno que atravessa

Então temos uma infidade de detalhes a ter em conta. Iremos ter à nossa disposição (dependendo da missão), várias tropas terrestres (infantaria, tanques, artilharia, blindados, baterias anti-aéreas, etc), marítimas (diversos tipos de navios de transporte, combate e submarinos) ou aéreas (helicópteros de combate, transporte, caças e bombardeiros). Cada tipo de unidade tem diferentes características de ataque, defesa e agilidade. Cada tipo de terreno possui também diferentes características de defesa e mobilidade. Por exemplo, as montanhas (que não podem ser atravessadas por todo o tipo de unidades), conferem uma defesa superior (I have the high ground!!), porém reduzem bastante a mobilidade das unidades que as atravessam. Para além disso, detalhes como o combustível e munições de uma grande parte de unidades devem ser tidas em conta, pelo que teremos ocasionalmente que as reabastecer, seja ao estacionar unidades de transporte ao seu lado, ou levá-las para bases/cidades que tenhamos conquistado. As cidades conquistadas dão-nos dinheiro entre turnos, dinheiro esse que, caso tenhamos alguma fábrica, aeroporto, ou porto marítimo na nossa posse, pode ser usado para criar novas unidades militares também. Outros detalhes a ter em conta são as condições meteorológicas que afectam principalmente o movimento das tropas e o efeito de fog of war que ocorre em algumas missões, ocultando as movimentações inimigas.

Diferentes tipos de terrenos conferem também diferentes graus de defesa

Um outro detalhe a ter em conta são os COs que estão em batalha, pois cada um possui diferentes particularidades. Do nosso lado (Orange Star), inicialmente temos o Andy, uma criança equilibrada que não tem pontos fortes nem fracos. O seu poder especial (sim, os COs têm poderes especiais que podem ser usados quando uma barra de energia se preencher) consiste em que todas as unidades aliadas em campo regenerem dois pontos de vida. Mais lá para a frente é-nos apresentado o Max, um outro CO. Com o Max em campo, nativamente todas as tropas de confronto directo ganham bónus de ataque, mas em contrapartida as unidades de longo alcance (artilharia) perdem em alcance e poder de dano. O seu poder especial, quando activado, confere a todas as unidades de confronto directo bónus adicionais de ataque e movimento durante um turno! Por fim iremos também conhecer uma nova CO, a Sami. Com ela em campo, todas as tropas de infantaria ganham um bónus de ataque e defesa e os veículos de transporte têm maior mobilidade. Para além disso, as tropas de infantaria conseguem conquistar cidades/bases muito mais rapidamente! Quando o seu poder especial é activado, as tropas de infantaria ganham ainda mais bónus de ataque, defesa e mobilidade, ignorando o tipo de terreno. Portanto escolher que CO queremos levar para cada missão poderá ser também a chave para o sucesso! Naturalmente, os exércitos inimigos também vão tendo COs diferentes, que por sua vez possuem diferentes habilidades.

Algumas missões têm fog of war, que limita a nossa visibilidade das forças inimigas. Por outro lado, também nos poderemos esconder do inimigo

Já no que diz respeito à longevidade, essa é elevadíssima, pois uma vez terminado o modo campanha desbloqueamos o Advanced Campaign, que é uma versão mais difícil da campanha. Para além disso, temos muitos outros modos de jogo disponíveis, como o War Room, que apresenta uma série de desafios adicionais, o Battle Maps onde poderemos comprar desbloqueáveis, o Design Map que nos deixa criar os nossos próprios modos de batalha, bem como vários modos de jogo multiplayer que tanto podem ser jogados localmente ao passar a GBA de mão em mão, ou jogados através do link cable.

Controlar fábricas, portos navais ou aeroportos será indispensável nalgumas missões para criarmos mais tropas

A nível audiovisual este é um jogo que possui um charme muito característico. As personagens principais (os COs) possuem um aspecto anime e durante as batalhas vemos as animações das diferentes unidades a combaterem entre si. Todas têm um aspecto muito cartoon que de certa forma me faz lembrar a série Metal Slug. A banda sonora que nos vai acompanhando ao longo de toda a campanha é também muito agradável, com músicas que vão tendo influências de marchas militares, mas não só. Para terem uma ideia, a última fase da campanha onde defrontamos as forças de Black Hole já têm uma toada mais rock!

Atacar À distância é bastante útil para não sofrer nenhum fogo de volta. No entanto, unidades de artilharia não conseguem responder quando estão sob fogo directo

Portanto este Advance Wars é um excelente jogo da biblioteca da Gameboy Advance. O facto de ter tão bom aspecto visual, poderá surpreender algumas pessoas, pois por detrás de todo o aspecto colorido, diria infatil até, temos aqui um jogo de estratégia por turnos bastante complexo e com uma jogabilidade repleta de pequenos detalhes que teremos mesmo de ter em conta se quisermos assegurar uma vitória. O facto de ser um jogo da Intelligent Systems já deverá atenuar algumas dessas surpresas para quem conhecer o estúdio da Nintendo. Este Advance Wars foi um jogo de sucesso mesmo no ocidente, pois todos os seus sucessores directos (na GBA e DS também) acabaram por receber lançamentos no ocidente. Ainda assim, para quem os tenha falhado, a Nintendo está a preparar um relançamento de ambos os títulos GBA para a Switch para o início do próximo ano.