Advance Wars (Nintendo Gameboy Advance)

O Advance Wars foi um dos jogos que mais me impressionou nos primeiros tempos de vida da famosa portátil da Nintendo. Os seus gráficos coloridos e cartoonescos aliados a um jogo de estratégia militar por turnos conferiam-lhe um charme inigualável dentro do género. Só mais tarde é que vim a descobrir que o Advance Wars era, na verdade, o último de uma já longa série de jogos da Nintendo, lançados desde o Famicom Wars em 1988, todos exclusivamente em solo japonês. O meu exemplar foi comprado algures em Fevereiro de 2016, creio que a um amigo meu, por um preço muito atractivo.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Eu já estava para terminar este jogo há ANOS! Recentemente, a meio desta semana que terminou, descobri o meu antigo save num dvd com backups seguramente com mais de 10 anos! Visto que já tinha a campanha bastante avançada nesse save, decidi terminá-la de uma vez por todas. E neste Advance Wars, no seu modo single player principal, nós encarnamos num papel de conselheiro militar e iremos acompanhar uma série de COs (Commanding Officers) do exército de Orange Star ao longo de imensas batalhas. Inicialmente para repelir a invasão da nação vizinha de Blue Moon, para depois entrarmos também em conflito com as nações restantes que nos atacam sem sabermos muito bem o porquê… claro que eventualmente vamos descobrir a razão!

O botão R serve para ver informação das tropas, bem como dos terrenos

Mas antes de nos debruçarmos sobre a campanha temos direito a um extenso tutorial com uma série de outras batalhas onde, com os conselhos de Nell, uma CO sénior, vamos aprendendo TODAS as mecânicas de jogo, desde as mais básicas, passando pelas mais avançadas também. Uma vez terminado o tutorial, lá nos debruçamos sobre a campanha militar principal. E este Advance Wars é então um jogo de estratégia por turnos onde teremos de vencer uma série de batalhas ao cumprir um de dois objectivos: eliminar todos os inimigos presentes no ecrã, ou conquistar a base inimiga. Naturalmente que o adversário nos pode fazer o mesmo, perdendo nós a batalha. Ocasionalmente poderemos ter outras condições diferentes de vitória como a de conquistar uma série de edifícios ou sobreviver um certo número de turnos. Durante o nosso turno podemos posicionar as nossas tropas da melhor forma e atacar as tropas inimigas. Mas, mesmo sendo este um jogo todo colorido e de atmosfera ligeira, as suas mecânicas de jogo são bem mais complexas do que poderiam achar pelo seu aspecto. Afinal é a Intelligent Systems (os mesmos produtores de Fire Emblem) que estiveram por detrás desta série!

A capacidade de movimento depende de vários factores, como o tipo de unidade e o terreno que atravessa

Então temos uma infidade de detalhes a ter em conta. Iremos ter à nossa disposição (dependendo da missão), várias tropas terrestres (infantaria, tanques, artilharia, blindados, baterias anti-aéreas, etc), marítimas (diversos tipos de navios de transporte, combate e submarinos) ou aéreas (helicópteros de combate, transporte, caças e bombardeiros). Cada tipo de unidade tem diferentes características de ataque, defesa e agilidade. Cada tipo de terreno possui também diferentes características de defesa e mobilidade. Por exemplo, as montanhas (que não podem ser atravessadas por todo o tipo de unidades), conferem uma defesa superior (I have the high ground!!), porém reduzem bastante a mobilidade das unidades que as atravessam. Para além disso, detalhes como o combustível e munições de uma grande parte de unidades devem ser tidas em conta, pelo que teremos ocasionalmente que as reabastecer, seja ao estacionar unidades de transporte ao seu lado, ou levá-las para bases/cidades que tenhamos conquistado. As cidades conquistadas dão-nos dinheiro entre turnos, dinheiro esse que, caso tenhamos alguma fábrica, aeroporto, ou porto marítimo na nossa posse, pode ser usado para criar novas unidades militares também. Outros detalhes a ter em conta são as condições meteorológicas que afectam principalmente o movimento das tropas e o efeito de fog of war que ocorre em algumas missões, ocultando as movimentações inimigas.

Diferentes tipos de terrenos conferem também diferentes graus de defesa

Um outro detalhe a ter em conta são os COs que estão em batalha, pois cada um possui diferentes particularidades. Do nosso lado (Orange Star), inicialmente temos o Andy, uma criança equilibrada que não tem pontos fortes nem fracos. O seu poder especial (sim, os COs têm poderes especiais que podem ser usados quando uma barra de energia se preencher) consiste em que todas as unidades aliadas em campo regenerem dois pontos de vida. Mais lá para a frente é-nos apresentado o Max, um outro CO. Com o Max em campo, nativamente todas as tropas de confronto directo ganham bónus de ataque, mas em contrapartida as unidades de longo alcance (artilharia) perdem em alcance e poder de dano. O seu poder especial, quando activado, confere a todas as unidades de confronto directo bónus adicionais de ataque e movimento durante um turno! Por fim iremos também conhecer uma nova CO, a Sami. Com ela em campo, todas as tropas de infantaria ganham um bónus de ataque e defesa e os veículos de transporte têm maior mobilidade. Para além disso, as tropas de infantaria conseguem conquistar cidades/bases muito mais rapidamente! Quando o seu poder especial é activado, as tropas de infantaria ganham ainda mais bónus de ataque, defesa e mobilidade, ignorando o tipo de terreno. Portanto escolher que CO queremos levar para cada missão poderá ser também a chave para o sucesso! Naturalmente, os exércitos inimigos também vão tendo COs diferentes, que por sua vez possuem diferentes habilidades.

Algumas missões têm fog of war, que limita a nossa visibilidade das forças inimigas. Por outro lado, também nos poderemos esconder do inimigo

Já no que diz respeito à longevidade, essa é elevadíssima, pois uma vez terminado o modo campanha desbloqueamos o Advanced Campaign, que é uma versão mais difícil da campanha. Para além disso, temos muitos outros modos de jogo disponíveis, como o War Room, que apresenta uma série de desafios adicionais, o Battle Maps onde poderemos comprar desbloqueáveis, o Design Map que nos deixa criar os nossos próprios modos de batalha, bem como vários modos de jogo multiplayer que tanto podem ser jogados localmente ao passar a GBA de mão em mão, ou jogados através do link cable.

Controlar fábricas, portos navais ou aeroportos será indispensável nalgumas missões para criarmos mais tropas

A nível audiovisual este é um jogo que possui um charme muito característico. As personagens principais (os COs) possuem um aspecto anime e durante as batalhas vemos as animações das diferentes unidades a combaterem entre si. Todas têm um aspecto muito cartoon que de certa forma me faz lembrar a série Metal Slug. A banda sonora que nos vai acompanhando ao longo de toda a campanha é também muito agradável, com músicas que vão tendo influências de marchas militares, mas não só. Para terem uma ideia, a última fase da campanha onde defrontamos as forças de Black Hole já têm uma toada mais rock!

Atacar À distância é bastante útil para não sofrer nenhum fogo de volta. No entanto, unidades de artilharia não conseguem responder quando estão sob fogo directo

Portanto este Advance Wars é um excelente jogo da biblioteca da Gameboy Advance. O facto de ter tão bom aspecto visual, poderá surpreender algumas pessoas, pois por detrás de todo o aspecto colorido, diria infatil até, temos aqui um jogo de estratégia por turnos bastante complexo e com uma jogabilidade repleta de pequenos detalhes que teremos mesmo de ter em conta se quisermos assegurar uma vitória. O facto de ser um jogo da Intelligent Systems já deverá atenuar algumas dessas surpresas para quem conhecer o estúdio da Nintendo. Este Advance Wars foi um jogo de sucesso mesmo no ocidente, pois todos os seus sucessores directos (na GBA e DS também) acabaram por receber lançamentos no ocidente. Ainda assim, para quem os tenha falhado, a Nintendo está a preparar um relançamento de ambos os títulos GBA para a Switch para o início do próximo ano.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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