Batman: The Telltale Series (Sony Playstation 4 / PC)

Vamos agora para uma rapidinha a mais um jogo da Telltale, nomeadamente esta primeira temporada do Batman. Tal como os outros jogos de aventura da Telltale, este Batman é mais um misto entre aventura gráfica e sequências de acção repletas de QTEs. Pelo meio vamos tendo também vários diálogos cujas escolhas que vamos tomando vão tendo algumas consequências na narrativa, nomeadamente as relações entre Batman/Bruce Wayne e as restantes personagens, bem como alguns eventos que se podem tornar algo diferentes. Tenho duas versões distintas deste jogo, a primeira é a versão PC (digital, Steam) que me veio parar às mãos certamente através de algum bundle por uma bagatela, já a segunda é a versão PS4 que comprei algures em Outubro na Amazon por pouco mais de 10€. Este artigo irá incidir na versão PS4.

Jogo com caixa

O jogo passa-se todo em Gotham City, onde, à medida que vamos avançando na história, Bruce Wayne vai ser o centro de todas as atenções da cidade, devido a certos crimes que aconteceram no passado e que envolvem a sua família. Paralelamente (e eventualmente veremos que não é uma coincidência), começam a haver uma série de crimes violentos perpretados por um grupo de mercenários, que mais tarde se vem a descobrir que pertencem aos Children of Arkham. Portanto, iremos ao longo de todo o jogo alternar entre Bruce Wayne e a sua persona de Batman para desvendar todos esses mistérios e confrontar uma série de vilões. Caras conhecidas como a Catwoman, Joker, Penguin ou o Two Face serão alguns dos vilões que iremos lidar.

Como é habitual nos jogos da Telltale, temos um tempo limitado para responder. Não responder também é válido e terá as suas consequências

Tal como referi acima, esta é mais uma mistura entre aventura gráfica, onde teremos de explorar cenários e investigar uma série de pistas, bem como teremos várias cutscenes de acção repletas de quick time events, onde teremos de pressionar rapidamente os botões ou combinações que vão surgindo pelo ecrã. Pelo meio teremos muitos diálogos onde teremos de responder a perguntas dentro de um tempo limite, e ocasionalmente tomar algumas decisões importantes, como escolher qual pessoa queremos salvar num determinado conflito. As respostas que damos e as decisões que escolhemos vão mudando as relações com quem nos rodeia e, no limite, poderão também influenciar parte da narrativa. Digo parte da narrativa pois tipicamente estes jogos da Telltale dão-nos uma falsa sensação de liberdade e independentemente das escolhas tomadas, há sempre uma certa ordem de acontecimentos chave que nunca mudam. Poderemos no entanto, ter de visitar diferentes cenários, e por conseguinte iremos presenciar/interagir em diferentes eventos, mediante algumas escolhas que fazemos. Sinceramente até que gostei da história, a narrativa é bastante madura.

As sequências de acção estão repletas de QTEs bem estilizados

A nível gráfico é um jogo que segue os mesmos visuais da série Walking Dead da Telltale, com os seus gráficos algo cel shaded e que sinceramente resultam bem, pois Batman surge precisamente de um contexto de banda desenhada. O voice acting é, como habitual nos jogos da Telltale, excelente e a banda sonora acompanha bem a narrativa, alternando entre temas mais atmosféricos ou mais épicos consoante o contexto. Para além disso, toda a acção é apresentada de uma forma algo cinemática e que também resulta bastante bem. Até aqui tudo bem, mas pelo menos na PS4 o jogo está repleto de problemas técnicos. Para além de quebras graves de framerate (o que já me tinha habituado nos jogos da Telltale na PS3), o jogo está repleto de glitches gráficos e problemas de audio. Em relação a estes últimos, por vezes há diálogos inaudíveis, mas que estão presentes nas legendas, outras vezes é ao contrário, ouvimos diálogos, mas nada é escrito nas legendas. Também me aconteceu por vezes a música ser interrompida abruptamente a meio de uma conversa e só retornar quando se muda de cena. No que diz respeito aos bugs gráficos, temos coisas como a imagem ficar desfocada do nada (e não me parece que seja propositado), conseguir ver o interior da cabeça do Bruce nalgumas cutscenes ou alguns problemas de renderização de certos efeitos especiais de luz/sombras e afins. Por exemplo, o mais gritante é o fumo dos cigarros do Gordon, que aparece sempre no ecrã como formas brancas opacas. Parece que fizeram recortes de uma folha de papel e colaram! Mas tal como referi acima, isto na versão PS4. No PC não sei se terá os mesmo problemas.

Ocasionalmente temos também de fazer algum trabalho de detective e analisar cenas de crme

Portanto devo dizer que, apesar dos problemas técnicos que acompanharam toda a aventura, pelo menos na versão PS4, até que gostei deste Batman. A sua narrativa madura agradou-me bastante, mas de certa forma compreendo o porquê da Telltale Games ter falido. A fórmula que usaram consistentemente ao longo de todos estes jogos acaba por se esgotar. E sinceramente, apesar de até gostar dos seus jogos, nunca conseguiria comprar uma destas aventuras a full price. E o facto da versão PS4 estar repleta de problemas técnicos também não ajudava. Mas depois da falência da Telltale em 2018 e o seu ressurgimento no ano seguinte (agora com outros patrões), foram lançados alguns DLCs adicionais para ambas as aventuras do Batman, as Shadow Edition. Estas aparentemente davam um look mais noir a ambos os jogos, mas sinceramente nem as experimentei. Poderia tê-lo feito na versão PC, cujo DLC já veio incluindo no bundle, mas não o fiz.

Assault Suit Leynos (Sony Playstation 4)

Vamos voltar à Playstation 4 para ficar com um remake de um shmup muito interessante. A série Assault Suits da Masaya/NCS teve 4 jogos lançados em sistemas de 16 e 32bit ao longo de uma década. Este Assault Suit Leynos é um remake do primeiro jogo da série, lançado na Mega Drive japonesa em 1989. Infelizmente foi um jogo que nunca chegou a sair na Europa, embora tenha saído nos Estados Unidos sob o nome de Target Earth. Este remake foi produzido por um pequeno estúdio japonês chamado Dracue e, tendo em conta que estes haviam desenvolvido os Gunhound, outros mecha shooters fortemente influenciados pela série Assault Suit, pareceram-me os candidatos ideais para trabalhar neste remake. Felizmente a editora Rising Star Games decidiu pegar no lançamento físico e trazê-lo para o Ocidente, não esquecendo a Europa! O meu exemplar foi comprado novo, creio que numa Worten há uns anos atrás por 20€.

Jogo com caixa e papelada

A história leva-nos ao futuro, onde a Terra está sob ataque de uma força militar colossal, liderada por humanos que haviam sido ostracizados pelos líderes terrestres, após uma expedição espacial aos confins do sistema solar que não correu lá muito bem. Inspirações de séries anime como Macross são evidentes, pois para além de haver mechas em todo o lado, vamos estar também envolvidos numa série de conflitos espaciais, com grandes cruzeiros de guerra a atacarem-se uns aos outros em plano de fundo.

Infelizmente os controlos continuam com uma curva de aprendizagem elevada pois o d-pad ou analógico esquerdo servem para mover e controlar a mira em simultâneo na direcção pressionada

Mas antes de falar na jogabilidade desde remake e de todas as suas particularidades, vamos começar com o básico e abordar brevemente a versão original de Mega Drive. Nessa versão o d-pad serve não só para controlar o nosso mecha, mas também para controlar a direcção onde disparamos. E ali tinhamos dois sistemas de controlo que poderíamos optar, o primeiro fazia com que disparássemos sempre na direcção de movimento, o segundo já nos dava algum controlo independente, onde pressionar o d-pad para a esquerda ou direita controla o movimento do mecha nessas direcções, já pressionar para cima ou baixo faz movimentar a mira. De resto, os botões A, B e C servem para disparar a arma actualmente seleccionada, o botão B serve para saltar e activar os boosters se os mesmos estiverem equipados e o botão C poderia servir para ir rodando de arma, se essa opção estivesse activa, caso contrário teríamos de pausar o jogo para aceder ao inventário e seleccionar a arma correspondente. Os níveis vão alternando entre secções à superfície, com alguns elementos ligeiros de platforming, mas também em pleno espaço em situações de gravidade zero, onde teríamos uma liberdade de movimentos muito maior. É um jogo muito desafiante, não só pela jogabilidade distinta, mas também pela grande quantidade de inimigos e projécteis que vamos efrentar em simultâneo. Felizmente que barra de vida se vai regenerando ao fim de alguns segundos sem sofrer dano, pelo que teríamos mesmo de jogar de forma muito cautelosa.

O modo arcade inclui muitos objectivos e bosses adicionais

Ora aqui na PS4 essas bases mantêm-se. Infelizmente a Dracue não decidiu melhorar o esquema de controlo básico do mecha, pelo que tanto o d-pad como o analógico esquerdo servem para controlar o nosso mecha e a direcção da mira em simultâneo. O analógico direito poderia perfeitamente servir para controlar a mira, mas assim sendo, esperem por uma curva de aprendizagem algo longa! De resto, o remake traz muitas novidades para além de gráficos e som melhorados, a começar na possibilidade de o mecha dar socos, o que é muito útil em certas situações. Para além de todas as armas (e armaduras extra) que poderemos vir a desbloquear e equipar antes de cada missão, aqui foram introduzidos uma série de equipamentos novos, incluindo um escudo que já vem desbloqueado de origem e pode ser activado ao pressionar o botão R1. Esse escudo protege-nos da maioria de golpes frontais, mas continuamos expostos a dano que venha de outras direcções, o que irá acontecer principalmente em níveis de gravidade zero. Mantendo o botão L1 pressionado permite-nos trancar a mira na direcção actual, já os L2 e R2 servem para alternar entre as diferentes armas que tenhamos equipado. À medida que vamos progredindo no jogo (e com base na nossa performance) iremos desbloquear novas armas ou equipamentos (como armaduras extra), que poderemos equipar antes de cada missão. Temos 6 slots de equipamento disponíveis e, tendo em conta que apenas a metralhadora (e uma outra arma que não cheguei a desbloquear) possuem munições infinitas, devemos mesmo escolher de forma inteligente o equipamento que queremos levar. Por exemplo, na fase inicial do último nível, temos de proteger a nossa frota dos colossos inimigos, pelo temos de os eliminar rapidamente. Estava a ter muita dificuldade em conseguir destruir esses colossos a tempo, até que decidi equipar a shotgun e ver que rapidamente os desfazia como barrar manteiga num pão!

Algumas das missões decorrem em pleno espaço onde temos muita maior liberdade de movimentos. Esperem por batalhas épicas!

Mas continuando pelo o que o remake nos traz, temos essencialmente dois modos de jogo. O principal é o arcade mode, onde os níveis foram algo refeitos face ao original da Mega Drive: a história foi expandida, vamos tendo alguns objectivos adicionais para cumprir em cada missão, bem como uma série de bosses adicionais que não estavam presentes no jogo original. Escondido nas opções temos também o classic mode, uma versão mais próxima do original da Mega Drive, sem os bosses e objectivos adicionais, mas no entanto é bem mais desafiante devido ao número de inimigos que teremos de enfrentar! Também nas opções temos acesso a um tutorial que nos ajuda a habituar aos controlos, bem como alguns extras que incluíram nesta versão, como artwork tanto do remake como do original, incluindo design documents que naturalmente estão todos em japonês. Um scan do manual da versão japonesa da Mega Drive também está disponível para consulta, mas o que dava mesmo jeito era um manual deste remake, quanto mais não fosse em formato digital. Outra coisa relevante a mencionar é o facto de em cada modo de jogo que jogamos (incluindo o tutorial) vamos ganhando pontos. Pontos esses que, ao visitar o ecrã das opções, nos vão fazendo subindo de ranking e por conseguinte desbloquear uma série de customizações que poderemos activar. Uma das primeiras que desbloqueamos é uma mira laser que é extremamente útil, pois facilita imenso o trabalho de apontar!

Antes de cada missão podemos escolher que equipamento levar, tendo em conta que temos apenas 6 slots disponíveis e a maioria das armas possui munição limitada.

A nível audiovisual estamos perante um jogo competente, até porque a versão de Mega Drive era ainda muito modesta pois saiu no início de vida dessa plataforma. Se virmos o Assault Suit Valken para a Super Nintendo (saiu no ocidente sob o nome de Cybernator), já há uma evolução gráfica bastante evidente! Então este remake é uma evolução gráfica bem grande perante o original, pois os cenários, naves, mechas e inimigos no geral estão muito melhor detalhados, assim como os efeitos gráficos de explosões e afins. Mas não deixa de ser um jogo algo 2D, pelo que se me dissessem que estava a jogar um jogo de PS2 não me admiraria. Para além dos objectivos e bosses adicionais introduzidos nesta versão, a história foi também expandida com mais diálogos, desta vez todos com voice acting em japonês. As músicas foram também refeitas agora com instrumentos reais embora seja possível desbloquear as músicas da versão Mega Drive. Aliás, se optarmos por jogar o classic mode são mesmo as músicas da Mega Drive que ouvimos. Gostaria que tivessem também incluído o lançamento da Mega Drive na íntegra, seria muito interessante!

Este não é um bullet hell shooter, mas tem os seus momentos

Portanto este Assault Suit Leynos é um lançamento interessante. É um shmup algo diferente e que nos obriga a enfrentar uma maior curva de aprendizagem devido ao controlo dos mechas, mas devo dizer que gostei de o jogar. Não deixa de ser um jogo muito de nicho, mas a série Assault Suits já há muito que me despertava o interesse e esta é uma óptima maneira de sermos introduzidos à mesma. Tal como referi acima, seguiu-se o Assault Suits Valken (Cybernator) na SNES, que também acabou por receber um remake anos mais tarde para a PS2. Tanto um jogo como o outro receberam ainda sequelas, o Leynos 2 saiu na Saturn e o Valken 2 na PS1, embora este aparentemente já seja um RPG algo similar aos Front Mission. Será uma série que irei explorar melhor no futuro, sem dúvida!

Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy (Sony Playstation 4)

A série Ace Attorney sempre despertou o meu interesse, pois para além de ter aquela componente de investigação criminal típica de aventuras gráficas, possui toda a dinâmica dos tribunais e das trocas de acusações entre advogados e testemunhas. Para além disso, possui um bom sentido de humor, com personagens carismáticas e casos cada vez mais mirabolantes. Esta compilação traz os primeiros 3 jogos da série Ace Attorney que fecham assim a sua primeira trilogia com o advogado de defesa Phoenix Wright como o principal protagonista. Esta foi uma compilação que tem vindo a ser lançada desde 2012 em sistemas mobile, tendo sido também relançada em várias outras plataformas ao longo dos anos como a Nintendo 3DS, Playstation 4, PC ou Switch. Infelizmente os lançamentos físicos dessa compilação têm-se ficado por solo japonês ou asiático, pelo que acabei por optar por comprar a versão Japonesa PS4. Qual a razão? Ao instalar os jogos na consola, ficam disponíveis em inglês, claro! O meu exemplar foi comprado algures no mês passado de Setembro numa loja online por cerca de 45€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e folheto informativo, na sua versão japonesa

Os jogos da série Ace Attorney são um misto entre aventura gráfica e visual novel, onde encarnamos no papel de um advogado e, pelo menos em todos os Ace Attorney que joguei até agora têm sido advogados de defesa, onde teremos de provar a inocência do nosso cliente em vários casos de homicídio. Cada caso está dividido tipicamente em 2 partes, a de investigação, onde vamos explorar vários cenários (incluindo o do crime) e falar com diversas pessoas, em busca de procurar pistas que nos levem à verdade e ilibar o nosso cliente das suas acusações de homicídio. Uma vez recolhidas todas as evidências, o jogo transita automaticamente para o julgamento onde teremos de estar atentos aos testemunhos que vão sendo prestandos e desmascarar todas as suas contradições. Nessas revisões de testemunho poderemos, a qualquer momento, interromper a testemunha para lhe pedir mais detalhes acerca do que estaria a dizer no momento ou poderemos contrapor a sua afirmação, seleccionando uma das pistas recolhidas anteriormente. Por exemplo, a testemunha pode dizer que o crime foi cometido às 7 da tarde, quando no relatório da autópsia diz que a vítima morreu a uma hora completamente diferente. Nessa altura podemos levantar uma objecção e apresentar o relatório da autópsia como prova, o que irá descredibilizar um pouco a testemunha e obrigá-la a rever o seu depoimento, aproximando-se cada vez mais da verdade.

Os segmentos de investigação servem para entrevistar potenciais testemunhas e recolher provas ou pistas úteis para os julgamentos

No entanto, apesar de termos esta liberdade de ir pressionando e contrapondo as testemunhas, temos de ter algum cuidado e tomar apenas a acção certa no timing certo. Se interrompermos demasiadamente a testemunha ou apresentar provas erradas para a contraposição, poderemos sofrer penalizações que, no limite, nos podem fazer perder o caso e o nosso cliente ser condenado à morte por homicídio. É então necessário estar muito atentos ao que vai sendo dito pelas testemunhas e tomar acções apenas nos momentos certos. De resto, os casos vão começando de forma bastante simples e, à medida que vamos avançando cada jogo, vão se tornando cada vez mais complexos, obrigando por vezes aos julgamentos extenderem-se por até 3 sessões, sempre intercaladas com segmentos de investigação.

As personagens com as quais nos vamos cruzando vão sendo bastante carismáticas

Ora não me vou alongar sobre o primeiro Phoenix Wright Ace Attorney visto que já cá o abordei no passado na sua versão da Nintendo DS. Essa conversão para a DS tinha trazido um capítulo adicional face ao lançamento original de GBA e esse era um capítulo onde foram introduzidas algumas mecânicas de jogo que tiravam maior partido das características da Nintendo DS, nomeadamente análise forense e a possibilidade de observar em 3D alguns dos objectos recolhidos como pistas/provas. Isto obrigava mesmo ao uso do touch screen e até do microfone, pelo que não estava certo se esse caso adicional estaria incluído nesta compilação, mas felizmente que o incluiram! Em relação ao segundo e terceiro jogo, nenhum teve capítulos adicionais aquando das suas conversões para a Nintendo DS, pelo que também não temos aqui nenhum conteúdo adicional. Mas no entanto essas duas sequelas já tinham adicionado algumas novas mecânicas de jogo perante o original, nomeadamente as interrogações que podemos fazer a certas personagens durante as fases de investigação. No segundo e terceiro jogo Phoenix Wright terá então a possibilidade de, enquanto dialogar com as personagens, de se aperceber que estas lhe estão a esconder qualquer coisa, com um ou mais cadeados a surgirem no ecrã em sua volta. Nessa altura, poderemos tentar interrogá-los e, tal como nos julgamentos, apresentar provas que mostrem que as personagens nos estão a esconder qualquer coisa.

Nesta compilação os assets foram redesenhados em alta definição, mas não esperem por grandes mudanças no som

A nível audiovisual, confesso que estava à espera que neste remaster a Capcom se tivesse esforçado um pouco mais. Os maiores melhoramentos vão para os visuais que são apresentados agora com cenários e retratos das personagens com maior detalhe e resolução. De resto, particularmente a nível de música e efeitos sonoros, não há grande coisa a mudar, infelizmente. Estava a contar que houvesse algum voice acting, quanto mais não fosse apenas em Japonês, mas infelizmente não é o caso. Então, no lugar do voice acting vamos estar constantemente a ouvir os mesmos ruídos enquanto as letras vão sendo escritas no ecrã sendo que, quando são pessoas a falar de forma mais efusiva, ouvimos outros efeitos sonoros tipo de pancadas e coisas a baterem umas nas outras, o que é um pouco estranho.

Portanto, mesmo o facto de ser uma compilação algo modesta no que toca ao processo de “remastering“, não deixa de ser uma compilação bem sólida. A série Ace Attorney é muito divertida e repleta de personagens bem carismáticas. As histórias vão sendo cada vez mais mirabolantes e é muito recompensador nós irmos desmascarando as testemunhas em tribunal e ir encontrando o verdadeiro culpado por detrás de cada homicídio. Esta colectânea é também uma opção ligeiramente mais barata de ter os primeiros 3 Ace Attorneys, numa altura em que os lançamentos em inglês da Nintendo DS estão cada vez mais caros.

Kotodama: The 7 Mysteries of Fujisawa (Sony Playstation 4)

Ora cá está mais um jogo que comprei 100% às cegas. Às vezes calha bem, outras vezes nem por isso. Vi-o numa CeX daqui da zona do Porto por 10€ e a capa chamou-me à atenção. Ao ler a contra capa vi que era uma visual novel que se passava numa escola secundária no Japão e o protagonista teria de resolver 7 mitos urbanos daquela escola. Ora e depois de ter sido agradavelmente surpreendido por títulos como o Root Letter e por a Pqube por vezes publicar algumas coisas interessantes lá decidi arriscar. Mas desta vez o resultado não foi tão bom assim.

Jogo com caixa

Ora e como descrevi acima nós controlamos um protagonista (cujo nome podemos escolher assim como o sexo) que acaba de ser transferido para uma nova escola e, ao fazer novos amigos, acaba por ser arrastado para um certo clube escolar e a ter de desvendar sete mitos urbanos lá da escola. Lá teremos então de falar com muita gente e passar todas as áreas da escola a pente fino para obter pistas e eventualmente desvendar os mistérios um por um. O nome de kotodama vem do poder especial que o nosso protagonista detém, que consiste em “libertar a mente” dos suspeitos e obrigá-los a contar a verdade. Temos esse poder porque aparentemente fizemos um pacto com um demónio (que assume a forma de uma gata, visível apenas para o protagonista) e que nos vai acompanhando e dando algumas dicas ao longo da aventura. O porquê desse pacto ter existido nunca é desvendado e sinceramente a história acaba por nunca enveredar por essa direcção também.

Infelizmente a narrativa nunca fica tão interessante quanto deveria

E sendo este jogo uma visual novel, esperem por muito texto para ler, muitos locais para visitar e ocasionalmente algumas escolhas para fazer. Mas temos aqui pelo menos duas nuances que valem a pena referir. Uma delas são as viagens no tempo. À medida que vamos avançando na história e alcançamos um dos finais possíveis, os créditos são interrompidos, somos avisados que há mais coisas para descobrir e voltamos atrás no tempo, com todo o conhecimento que tínhamos adquirido até então. Teremos então de tentar novamente e fazer as coisas de maneira diferente para obter outro tipo de respostas. É que a primeira vez que jogamos, os mistérios são simples e resolvidos muito facilmente, mas acabam por não corresponder 100% à verdade e à medida que vamos rejogando é que vamos chegando cada vez mais às verdadeiras conclusões. E isto é um conceito muito interessante, mas a história infelizmente não está de todo a esse nível e acaba por ser uma oportunidade desperdiçada.

À medida que vamos revelando novas pistas, também ganhamos pontos de experiência que serão usados na pontuação ao jogar o mini jogo Kotodama

A outra nuance relevante é o tal kotodama. Quando nós activamos os nossos poderes, somos levados para um puzzle game do género “match 3” onde temos várias esferas coloridas espalhadas num tabuleiro e a ideia é agrupá-las em conjuntos de 3 ou mais (apenas linhas horizontais e verticais) e fazê-las desaparecer, com novas esferas coloridas a surgirem caídas de cima logo de seguida. Se for possível provocar uma reacção em cadeia e fazer uns quantos combos ainda melhor, até porque se conseguirmos um combo forte, poderemos vir a obter algumas esferas especiais que servem como power ups. Estes podem limpar uma linha horizontal e vertical, fazer as esferas de uma certa cor desaparecerem, multiplicadores de pontos, entre outros. Temos um número limitado de movimentos e o objectivo, que era inicialmente o de libertar a mente dos suspeitos e obrigá-los a falar a verdade, acaba por se traduzir numa espécie de strip tetris. Sim, pois as suspeitas (e suspeito, também teremos de fazer o mesmo com um rapaz) vão ficando sem roupa à medida que vamos tendo sucesso no mini jogo. Ora isto é um fan service que sinceramente não faz muito sentido, até porque a própria narrativa do jogo nem sequer é focada no romance, nem nos típicos adolescentes pervertidos que habitalmente são presença assídua em visual novels.

E o tal mini jogo “Kotodama” é um puzzle do tipo match 3 onde as miúdas (e um rapaz) vão ficando com cada vez menos roupa à medida que vamos avançando

A nível audiovisual nada de especial a apontar. Todo o voice acting está em Japonês e as músicas são algo genéricas, com melodias alegres durante a maior parte do tempo e outras um pouco mais tensas ou sinistras quando a narrativa puxa para esses lados. Visualmente é um jogo muito simples como é habitual em visual novels, com muito pouca animação das personagens com as quais vamos interagindo.

Não estava propriamente à espera que fosse um jogo muito forte do ponto de vista gráfico, gostaria sinceramente é que a história acabasse por ter sido mais interessante. A ideia de voltar atrás no tempo e refazer a mesma investigação de forma diferente agradou-me, mas sinceramente achei os mistérios e as personagens sem grande interesse. Não estava também à espera de uma narrativa tão complexa como a de um Steins:Gate ou um Virtue’s Last Reward, mas havia ali potencial para muito melhor. Os puzzle games (que podem posteriormente ser jogados à parte) são bastante divertidos até, mas a cena do strip realmente também não encaixa no jogo.

Wonder Boy: The Dragon’s Trap (Sony Playstation 4 / PC)

O Wonder Boy III: The Dragon’s Trap é, para mim, um dos melhores jogos de plataforma da era 8bit. É também um metroidvania, embora seja ainda algo primitivo. E quando soube há alguns anos atrás que estava a ser preparado um remake, fiquei bastante interessado. É que a liderar o projecto estava nada mais nada menos que Omar Cornut, não só um grande entusiasta da série Wonder Boy, mas também da própria consola Master System e restante hardware Sega 8bit. Omar Cornut é o autor do emulador Meka, que usei bastante há anos atrás, bem como um dos fundadores da comunidade SMSPower, que costumo também seguir. Mas adiante! Apesar de ter o jogo no steam há algum tempo, e sinceramente não me recordo como veio cá parar, quis mesmo optar por ter antes um lançamento físico, algo que aconteceu há uns meses atrás, após ter comprado este exemplar da PS4 através de um vendedor no ebay por cerca de 25€. É bom ver um jogo de PS4 “normal” com tantos extras, a começar por um manual!

Jogo com capa reversível, manual, banda sonora, porta chaves e papelada

E escrever sobre a série Wonder Boy é sempre uma dor de cabeça, não só pelas diferenças de nome entre regiões e entre consolas, a começar pelo facto do Adventure Island ser um reskin do primeiro Wonder Boy e que deu origem à sua própria série. O Wonder Boy III da Master System (não confundir com o Wonder Boy III da Mega Drive que não tem nada a ver) é na verdade o segundo jogo da subsérie Monster World, que primam por serem jogos de plataforma não lineares (os tais metroidvania) e com alguns elementos ligeiros de RPG. O twist deste Dragon’s Trap está mesmo na forma como o jogo começa. Há um recontar da última batalha contra o Dragão (a mesma que finaliza o Wonder Boy in Monster Land), mas desta vez, o dragão ao ser derrotado lança uma maldição ao jovem herói, transformando-o num dragão! Então lá teremos uma vez mais de vaguear pela Monster Land em busca da nossa humanidade! No entanto, à medida que vamos defrontando outros bosses, vamo-nos transformando noutras criaturas, que nos darão diferentes habilidades também. E o mundo está construído de forma a que certos locais apenas sejam acessíveis a certas criaturas, bem como teremos muitas salas secretas para descobrir, com equipamento mágico ou corações que nos extendam a barra de vida.

É impossível ficar indiferente a estes gráficos lindíssimos, pintados à mão

Não é um jogo muito grande, mas gostei bastante do conceito das diferentes transformações. O dragão cospe fogo, podendo atacar à distância e é invulnerável a lava, mas não tem qualquer escudo que o defenda. A segunda transformação é um homem-rato, minúsculo, mas que lhe permite não só esgueirar-se por passagens estreitas mas também agarrar-se a superfícies com uma textura quadriculada, podendo assim subir paredes ou mesmo andar pelos tectos. Outra é um homem-piranha, capaz de nadar à vontade na água, já o lion-man é uma transformação poderosa e com uma óptima área útil de defesa e ataque. A última transformação é um homem-pássaro, que apesar de ser mais frágil, permite-nos voar livremente e explorar os cenários à vontade. É contudo, a única forma que é vulnerável à água, pelo que temos também de ter isso em atenção. É portanto um jogo onde há um grande foco na exploração, mas também teremos de fazer algum grinding, pois os melhores equipamentos também custam uma pipa de massa.

Ocasionalmente encontramos lojas onde poderemos comprar melhor equipamento, outros itens, ou mesmo hospitais onde nos regeneram a barra de vida

Mas o que traz este remake de novo? Bom, para além dos gráficos e som refeitos e que descreverei mais à frente, temos também alguns locais secretos (e novos) para explorar, bem como alguns melhorias de quality of life. Apesar de não haver nenhum sistema de fast travel, sempre que quisermos voltar à aldeia central, que serve de hub para aceder a todas as outras áreas, basta pausar e escolher a opção para voltar ao ecrã título. Quando recomeçarmos o jogo, estamos novamente na aldeia central, mas retendo toda a barra de vida, dinheiro, equipamento e magias que tenhamos amealhado. É também uma excelente maneira de evitar morrer, pois apesar do jogo ter vidas infinitas, sempre que morremos voltamos à tal aldeia central, mas perdemos todos os itens que tenhamos amealhado (no entanto o equipamento, tamanho da barra de vida e dinheiro mantêm-se).

Diferentes formas do Wonder Boy possuem também diferentes habilidades

Já a nível audiovisual, fizeram aqui um trabalho excelente. Os gráficos foram todos redesenhados com figuras e cenários desenhados à mão, mas com excelentes animações. A banda sonora foi toda regravada usando instrumentos reais, e algumas músicas ficaram mesmo muito boas na minha opinião, dando-lhe até outra vida, como o tema do deserto que agora é bem mais jazzy. Gostava de um dia ver um documentário de making of deste jogo, pois o Omar e sua equipa fizeram todo este jogo com base em engenharia reversa do lançamento original para a Master System. Para além disso, a qualquer momento podemos alternar, em tempo real, entre os gráficos originais e do remake, mas também ambas as bandas sonoras, e aí dá mesmo para sentir as diferenças!

Outra das novidades aqui introduzidas é a possibilidade de jogarmos com uma rapariga

Portanto este lançamento acaba por me agradar bastante, pois não só é um remake de um jogo clássico da Master System, como também é um remake de muita qualidade e, espero eu, que tenha de certa forma cativado a audiência para eventualmente vermos mais lançamentos deste género, o que de certa forma já aconteceu. Em 2018 tivemos o lançamento de Monster Boy and the Cursed Kingdom, um sucessor espiritual de Wonder Boy, e este ano um novo remake, o do Monster World IV, agora sob o nome de Wonder Boy: Asha in Monster World. Planeio comprar e jogar ambos em breve!