Teenage Mutant Ninja Turtles: The Cowabunga Collection (Sony Playstation 4)

Ao longo dos últimos meses tenho jogado aos poucos esta compilação de jogos das Tartaruga Ninja. Produzida pela Digital Eclipse, esta compilação é uma verdadeira lição em como se deve fazer material deste tipo. Traz quase todos os jogos TMNT clássicos da Konami lançados entre 1989 e 1993 (faltando apenas o TMNT Manhattan Missions exclusivo de DOS), sendo que todos esses jogos possuem também uma série de extras e melhoramentos como reduzir sprite flicker e lentidão nos jogos de NES, save states, rewind, vidas extra, entre outros como o suporte multiplayer inclusivamente online em certos jogos. Para além de todos os extras de conteúdo adicional como imensos scans das caixas e manuais de todos os jogos desta compilação e suas variantes, revistas de banda desenhada, publicidades, e muito mais. Foi notoriamente um labor of love. O meu exemplar foi comprado na Amazon por pouco mais de 22€ algures em Dezembro do ano passado.

Jogo com caixa

Irei aproveitar este artigo para me focar mais nos jogos que não tenho na minha colecção, pelo que não me vou alongar muito no Teenage Mutant Ninja Turtles da NES. É o primeiro jogo da Konami com esta propriedade intelectual e apesar de ser na minha opinião o pior, não é um mau jogo de todo, devido a nos permitir trocar de tartaruga a qualquer momento no jogo e alguma não linearidade da exploração. Sim o nível subaquático continua incrivelmente difícil e com tempo reduzido, mas os save states e rewind são uma ajuda preciosa.

A inclusão de inúmeros extras como manuais, publicidades, documentos de desenvolvimento ou artwork é uma excelente adição a esta compilação.

O TMNT Arcade Game, na sua versão arcade, está também aqui disponível para ser jogado. Este sim, um grande clássico da Konami por nos permitir jogar em multiplayer local com até mais 3 amigos e isso também está aqui presente na compilação, para além de permitir inclusivamente jogar online, algo que eu não experimentei. Para um jogo de 1989, tinha gráficos incríveis para a época e apesar de achar que a jogabilidade ainda esteja longe de ser refinada (os bosses são autênticas esponjas, por exemplo) não deixa de ser um óptimo jogo e que este sim, abriu portas para o sucesso dos restantes jogos da Konami das Tartarugas. O arcade game foi também trazido para a NES, que apesar de ser uma versão bem mais modesta, não deixa de ter sido uma conversão do arcade bem impressionante. Alguns dos extras incluídos desta versão incluem a opção de retirar o sprite flicker e alguns abrandamentos da versão original, deixando o jogo mais fluído. Mas sejamos sinceros, apesar desta versão NES possuir um ou outro nível adicional, a versão arcade é de longe superior.

As versões arcade aqui também suportam multiplayer local com até 4 jogadores em simultâneo!

Segue-se o primeiro jogo da Game Boy, o Fall of the Foot Clan. E este é um simples jogo de acção/plataformas onde teremos 5 níveis distintos para explorar e poderemos escolher com que tartaruga queremos jogar antes de os começar. É um jogo totalmente 2D e simples na sua jogabilidade, com um botão de salto e um outro para atacar. Pressionando baixo e ataque permite-nos disparar shurikens que, apesar de serem mais fracas que um golpe normal, permitem-nos atacar com segurança a média distância. Cada tartaruga tem a sua barra de vida que pode ser restabelecida ao comer pizza, mas caso morramos, a tartaruga que controlamos é capturada e somos obrigados a rejogar a zona onde estamos desde o início com outra tartaruga. Pode-se então dizer que este jogo possui 4 vidas ao todo! Em certas zonas poderemos encontrar níveis de bónus que servem contêm diferentes mini-jogos onde poderemos amealhar mais pontos, embora nem todos sejam assim tão interessantes quanto isso. De resto é um título ainda muito simples e lançado numa fase muito embrionária da Game Boy, com gráficos e animações simplistas, mas com uma banda sonora bem competente no entanto.

A Digital Eclipse deu-se ao trabalho de construir também estes pequenos guias para cada jogo, mesmo como se fossem páginas de revista!

Segue-se o Turtles in Time, o segundo jogo arcade presente nesta compilação, lançado originalmente em 1991. É um beat ‘em up absolutamente fantástico e com uma jogabilidade melhorada perante o seu antecessor, até porque temos muitos mais golpes distintos que podemos executar. É também um jogo que pode ser jogado com um máximo de 4 jogadores em simultâneo e deve ter sido absolutamente incrível ser jogado com amigos numa arcade, até porque se jogado sozinho isto come imensos créditos. Gráficos e som incrível, uma boa variedade de níveis (até porque como o nome indica o jogo envolve viagens no tempo), um excelente jogo. Este Turtles in Time acabou mais tarde por ser relançado para a Super Nintendo, que é também uma conversão bem interessante. Graficamente fica uns furos abaixo do original como seria de esperar, mas não deixa de ser bem competente nesse departamento e traz ainda uns quantos extras. Como seria de esperar essa versão está também aqui representada, pelo que vos convido a ler esse artigo para mais detalhes.

Podemos também optar por dimensionar a imagem da forma que quisermos, assim como activar ou desactivar bordas no ecrã

A Game Boy recebeu ainda em 1991 o seu segundo jogo, o Back from the Sewers. Apesar de ser superior ao seu predecessor, mantém-se um jogo de acção relativamente simples, onde antes de cada nível podemos escolher qual a tartaruga com a qual queremos jogar e os controlos são simples com um botão de salto e outro de ataque. Os níveis são mais longos, muito melhor detalhados graficamente e apesar de a maioria do jogo se apresentar como um título 2D de plataformas/acção num único plano, alguns níveis (ou excertos) já apresentam aqueles visuais típicos de um beat ‘em up, onde teríamos uma maior liberdade de movimento. Caso percamos uma vida teremos de rejogar o nível com uma das outras tartarugas e, quando chegamos ao final do mesmo, somos levados a um nível de bónus com um boss que se o conseguirmos derrotar, libertaremos a tartaruga que havia sido feita prisioneira antes. Se mantivermos todas as tartarugas em jogo, teremos então um outro nível de bónus para jogar, onde teremos de apanhar uma série de pizzas num período de tempo algo apertado. A nível audiovisual é um jogo simples devido às limitações técnicas da Game Boy original, mas bem mais detalhado visualmente que o seu predecessor, com níveis mais detalhados e sprites maiores. As músicas são óptimas e temos ainda alguns clipes de voz digitalizada.

No caso dos jogos de Game Boy podemos também optar por escolher os vários tons de monocromático do ecrã original de Game Boy, GB Pocket ou até um modo Game Boy Color que lhe acrescenta alguma cor.

A NES recebeu em 1992 um outro beat’ em up, o Manhattan Project. Infelizmente este é um jogo que nunca chegou a sair na Europa o que é uma pena pois nessa altura a franchise das tartarugas ninja ainda era bem popular e a NES ainda detinha uma quota considerável do mercado. Comparando com a versão NES do Arcade Game, este é de longe um título superior. A jogabilidade mantém-se simples com um botão de ataque e outro de salto, embora seja agora possível desencadear diferentes golpes como atirar inimigos uns contra os outros ou usar um special (ao pressionar ambos os botões faciais em simultâneo) que apesar de poderoso, retira-nos alguma da vida de cada vez que o usamos. Os níveis são longos, bem detalhados (para um sistema 8bit) e com uma maior variedade de inimigos. As músicas são como tem sido habitual, excelentes! A versão aqui emulada conta uma vez mais com funcionalidades extra que podem remover os abrandamentos e sprite flicker da versão original.

Foi mesmo uma pena este Manhattan Project não ter recebido um lançamento europeu nos anos 90. Ao menos muita gente poderá jogá-lo pela primeira vez aqui!

Em 1992, para além da Super Nintendo ter recebido a conversão do Turtles in Time que eu já mencionei acima, foi também a altura da Mega Drive receber o seu primeiro jogo desta série, o Hyperstone Heist, que também já cá o trouxe no passado, pelo que não me vou alongar nesse título, até porque esta versão não inclui nenhum extra de relevo. O ano seguinte começa com um novo jogo para a Game Boy, o Radical Rescue. Esse também já cá trouxe no passado, pelo que também não o irei detalhar, apenas deixar a dica que, tal como os outros jogos Game Boy presentes nesta compilação, o jogo inclui alguns melhoramentos incluindo um modo “a cores” muito rudimentar, supostamente idêntico ao que uma Game Boy Color apresentaria.

É inegável que o Tournament Fighters da Super Nintendo não seja superior ao da Mega Drive, tanto em jogabilidade como em gráficos. A banda sonora já é bem mais discutível, na minha opinião.

Para fechar a compilação, seguem-se então os Tournament Fighters, a começar pelo lançamento da Super Nintendo que, para a minha surpresa depois de ter jogado a versão Mega Drive, me apercebi que era um jogo inteiramente diferente e sinceramente também o achei melhor em todos os aspectos. A começar pela jogabilidade que é mais fluída e o uso de quatro botões faciais dá-nos também uma maior variedade de diferentes golpes que podemos executar. Graficamente, apesar de eu achar os cenários da versão da Sega por vezes bastante originais, na verdade acho que os gráficos mais coloridos e apesar de os cenários urbanos não serem tão originais, acabam por resultar melhor como um todo, até por se adequarem mais a um estilo mais urbano da própria série. De resto, para além do modo história esta versão traz também um modo arcade e versus, onde temos uma maior liberdade de escolha das personagens jogáveis.

Outros dos extras, podemos consultar todas as bandas sonoras dos títulos aqui presentes!

Segue-se então a versão Mega Drive deste Tournament Fighters que também já cá a trouxe no passado, pelo que não me vou alongar aqui. Para além destas versões 16bit a Konami decide também lançar uma versão para a NES já em 1994 e, por incrível que pareça, até a Europa a chegou a receber, ao contrário do Manhattan Project que é de longe um jogo melhor e mais interessante. E este é na mesma um jogo de luta de 1 contra 1, mas com uma jogabilidade bem mais simples devido aos poucos botões faciais disponíveis. Um detalhe interessante na jogabilidade é o facto de ocasionalmente surgir no ecrã um aparelho voador e a personagem que o conseguir partir e apanhar a esfera brilhante que o mesmo larga, pode posteriormente utilizar um poderoso golpe capaz de retirar uma percentagem generosa da vida do nosso oponente. De resto, a selecção de personagens e cenários também é bastante reduzida e no que diz respeito aos modos de jogo temos o modo história, versus e um torneio que não cheguei a experimentar.

Portanto esta Cowabunga Collection é uma excelente compilação de videojogos mais antigos e a meu ver a Digital Eclipse está de parabéns pois elevaram bastante a fasquia do que seria expectável numa compilação deste género. Para além de suportes a save states, rewinds, multiplayer online em certos jogos e vários outros melhoramentos (incluindo melhorar a performance e eliminar o sprite flicker de todos os jogos da NES, por exemplo), a Digital decidiu também incluir pequenos guias com algumas dicas para cada jogo, construídos como se tivessem sido retirados de uma revista de videojogos dos anos 90 e estes podem também serem consultados a qualquer momento no jogo. Depois temos todo o “museu” com scans de alta qualidade das caixas e manuais de cada lançamento as suas versões americanas e japonesas, assim como muitos outros registos interessantes, como anúncios, galerias de arte, capas de banda desenhada, entre outros. Só tenho mesmo pena de os manuais não poderem ser consultados a qualquer momento dentro dos jogos tal como os pequenos guias.

Yakuza Kiwami (Sony Playstation 4)

E vamos agora para um artigo que embora não se qualifique como uma rapidinha será um pouco mais curto do que o que o jogo até merece, mas como já terminei o Yakuza original da Playstation 2 há bastantes anos, este artigo irá-se focar principalmente nas diferenças introduzidas neste remake. Confesso que até estive algo hesitante em comprar os Kiwamis, mas eventualmente lá me decidi a fazê-lo, embora não me recordo bem quando e onde o comprei. Creio que o meu exemplar foi comprado numa CeX e não foi muito caro.

Jogo com caixa e papelada

Mas ainda bem que me decidi a comprá-lo, pois assim aproveitei para me reintroduzir na série com a prequela Yakuza 0 e jogar os Kiwami de seguida para me relembrar a história e posteriormente prosseguir com a série normalmente. Isto porque joguei os primeiros 2 na PS2 já em 2012 e depois por acasos da vida acabei por não dar seguimento à série, apesar de ter gostado de ambos os jogos. E este é então um remake do primeiríssimo jogo da série, onde apesar de a história principal se manter a mesma (controlamos Kiryu Kazuma 10 anos após este ter assumido um crime de assassinato que não cometeu para proteger o seu melhor amigo), a narrativa sofreu alguns retoques para melhor se encaixar com os eventos introduzidos na prequela. Por exemplo, nas cutscenes entre capítulos há um recontar da história que envolve o Nishikiyama e a forma como se transformou no vilão que já conhecíamos da versão original, ou mesmo todo o envolvimento de Goro Majima como rival de Kiryu.

Como é habitual, o que não faltam são sidequests para fazer e algumas bem humoradas

Mas não foi só a história que foi refinada, mas também a jogabilidade. Na sua essência, o jogo mantém o mesmo conceito de open world, onde temos o distrito de Kamurocho para ser explorado a nosso bel-prazer, inúmeras sidequests (muitas delas novas) e actividades opcionais que enriquecem bem mais o jogo. Toda essa exploração e aventura é intercalada com um sistema de combate agora muito similar ao introduzido pelo Yakuza 0, com Kiryu a poder alternar livremente (com recurso ao d-pad) entre 4 estilos distintos de luta, o mesmo sistema de heat que nos permite executar golpes bem mais poderosos e ligeiras mecânicas de RPG por podermos equipar a personagem com diferentes armas ou acessórios ou todo o seu sistema de evolução. Ao contrário do Yakuza 0 (que por decorrer numa altura onde havia dinheiro à fartazana na economia japonesa) para desbloquear novas habilidades teríamos de investir dinheiro nas mesmas, aqui estas são desbloqueadas através de pontos de experiência. Basicamente, por cada 1000 pontos de experiência (que podem ser ganhos através de combate, comer comida em restaurantes, ou ao completar sidequests e outras actividades) ganhamos um skill point que poderão ser amealhados e gastos ao desbloquear novas habilidades. A grande excepção está no estilo Dragon of Dojima, que está 75% preso a um novo “mini-jogo / sidequest” introduzido neste remake: Majima Everywhere!

O Kiwami traz um sistema de combate mais moderno em comparação com o original e as skills são desbloqueadas com os pontos de experiência que vamos juntando

Basicamente a ideia é que, como Kiryu passou 10 anos na prisão, perdeu muita da força que o fazia ser um oponente temível e Majima, como bom rival que é, vai passar o jogo todo a perseguir-nos (um pouco como os Mr. Shakedown do Yakuza 0) e combater connosco sempre que nos apanhe. A parte original é que não só poderemos encontrar Majima simplesmente a passear pelas ruas, mas também noutras situações variadas como intrometer-se nalguma luta de rua que estejamos envolvidos, esconder-se em locais bizarros como caixotes do lixo, malas de carro, cones gigantes, etc. Pode até estar vestido de polícia ou de zombie, ou mesmo intrometer-se nos mini-jogos e obrigar-nos a competir com ele. A árvore de habilidades Dragon of Dojima poderá ser evoluida à medida que vamos combatendo contra o Majima em todos estes diferentes cenários e Majima usa também os diferentes estilos de luta que foram introduzidos no Yakuza 0. As restantes habilidades do Dragon of Dojima serão aprendidas pelo mestre Komeki (que ensinou Majima na prequela) e que por sua vez nos obrigarão também a perder algum tempo no coliseu e participar nalguns torneios de lutas.

Apesar de a personagem Majima ser bem menos cruel nesta versão, para compensar incorporaram o sistema Majima Everywhere com algumas situações caricatas

No que diz respeito aos minijogos, o mahjong, shogi, casino, baseball e bowling do lançamento original estão aqui presentes, assim como o minijogo de engatar miúdas nos bares. Do Yakuza 0 temos novamente o Pocket Circuit Racing (agora com mais circuitos) ou os bares de Karaoke. Bilhar e dardos estão também presentes, embora não me recorde se estavam presentes no lançamento original da PS2. Os centros arcades da Sega também continuam mas, sendo este um jogo que decorre primariamente no ano 2005, já não podem jogar clássicos como Out Run, Hang On ou After Burner. Temos algumas máquinas arcade do Virtua Fighter 4 mas infelizmente tal não pode ser jogado. Temos então os UFO catchers, aquelas maquinetas para apanhar brindes e duas novidades: cabines de fotos e o jogo Mesuking. Este último é nitidamente influenciado no Mushiking, um jogo arcade da Sega lançado originalmente em 2003 e que envolvia trading card games de insectos, cujas cartas eram lidas por um leitor e as suas personagens e habilidades eram transportadas para a partida em si. Apesar da sua jogabilidade simples baseada em regras de pedra-papel-tesoura, o jogo foi um enorme sucesso no Japão e posteriormente foram lançadas outras versões para inúmeros sistemas que me recordo de estarem durante uns bons meses nos tops de vendas do Japão. Mas em que difere Mesuking de Mushiking? É simples, em vez de insectos normais, temos mulheres seminuas e com adereços de roupa que as assemelhem a insectos como joaninhas, escaravelhos, abelhas, etc. Yakuza no seu melhor.

Outra das novidades, um mini jogo em homenagem ao Mushi King, um êxito da Sega daquele tempo. Mas em vez de insectos são mulheres semi-nuas!

No que diz respeito aos gráficos o jogo utiliza o mesmo motor gráfico do Yakuza 0. Não joguei ainda os da PS3 para ter uma boa base de comparação, mas claro, comparando com o original de PS2, Kamurocho está representada com muito mais detalhe. No entanto, tal como já tinha referido no artigo do Yakuza 0, há uma discrepância bem considerável no detalhe gráfico das personagens em si. Uma personagem principal está com um bom nível de detalhe, enquanto uma mais genérica está uns furos bem abaixo. Enquanto navegamos pela cidade é normal que tal aconteça e nem prestamos grande atenção, mas como esses modelos mais genéricos são muitas vezes reaproveitados para as sidequests, durante as cutscenes das mesmas a discrepância é bem notória. Sinceramente acho que a PS4 consegue fazer melhor, pelo que estou curioso em ver a evolução para os mais recentes. De resto nada de especial a apontar ao som, o voice acting (integralmente em japonês ao contrário do lançamento ocidental do jogo na PS2) é excelente e a banda sonora é bastante diversificada e vai entretendo.

Portanto este Yakuza Kiwami é um remake bem interessante. A jogabilidade foi refinada para melhor reflectir as mecânicas de lançamentos mais recentes e todo o conteúdo extra é muito benvindo. A narrativa foi expandida, embora tenha pena que a personagem do Majima seja bem menos cruel nesta versão do jogo, mas tal vai também um pouco de encontro ao que assistimos do desenvolvimento da personagem no Yakuza 0. No entanto tudo isso foi perdoado com a introdução do sistema Majima Everywhere e todas as suas

Wolfenstein: Youngblood (Sony Playstation 4)

Depois de ter jogado o Wolfenstein II: The New Colossus no PC chegou finalmente a vez de jogar aquele que, até à data é o último jogo da série. Isto claro, sem contar com o Wolfenstein: Cyberpilot que saiu na mesma altura que este mas como é um spin-off que requer um capacete VR para ser jogado, devo deixá-lo de parte. Mas enquanto os Wolfenstein anteriores que foram também produzidos pela MachineGames eram first person shooters com uma jogabilidade brutal, mecânicas de jogo da velha guarda e uma narrativa excelente, este Youngblood acaba por ser uma desilusão ao apresentar-se como um jogo Co-Op e com algumas mecânicas de MMORPG que acabam por prejudicar bastante a sua jogabilidade, pelo menos no início. O meu exemplar sinceramente já não me recordo quando o comprei. Creio que foi numas campanhas da Worten, talvez numa black friday com o jogo a custar-me menos de 10€.

Jogo com caixa e papelada. Esta edição traz um código que supostamente nos permite convidar um amigo para jogar todo o jogo connosco.

Vamos começar como sempre pela história: a série Wolfenstein, particularmente desde o reboot introduzido com o Wolfenstein The New Order segue uma realidade alternativa: como seria o mundo se a Alemanha nazi tivesse ganho a segunda-guerra mundial? Particularmente com uma Alemanha extremamente poderosa a nível militar e tecnológico. Ambos os predecessores decorrem então maioritariamente nos anos 60, onde B.J. Blazkowicz se junta a vários grupos de resistência, tanto na Europa como nos Estados Unidos, e limpa o sebo a centenas de nazis. São jogos que possuem alguns vilões notáveis e várias cutscenes tensas e sádicas que só nos dão ainda mais vontade de os derrotar! Este Youngblood já se passa na década de 80 onde controlamos as filhas do Terror Billy, Jessie ou Sophia Blazkowicz que viajam dos Estados Unidos para Paris em busca do seu pai. Lá iremos nos juntar a um grupo de resistentes que vivem nos imensos subterrâneos das catacumbas da cidade e invariavelmente teremos também mais um ou outro vilão para derrotar, mas a narrativa está longe do brilhantismo dos seus predecessores.

A primeira missão passa-se a bordo de um Zeppelin gigante e serve como uma espécie de tutorial das mecânicas básicas de jogo que teremos pela frente. Para além disso é a única área do jogo que não poderemos visitar posteriormente.

Já no que diz respeito à jogabilidade, as mecânicas base dos seus antecessores estão todas lá: podemos equipar todo um arsenal de diferentes armas, o jogo oferece-nos a possibilidade de adoptar uma abordagem mais furtiva ou entrar mesmo a matar à Rambo, inúmeros coleccionáveis e claro, medkits e armaduras são também necessários para irmos sobrevivendo. O facto de este ser um jogo cooperativo, existem também uma série de mecânicas pensadas para esse efeito: cada uma das irmãs poderá ter equipada uma pep action, ou seja, gestos motivacionais que dão algumas vantagens a ambas, como causar muito mais dano durante alguns segundos, regenerar parcialmente (ou totalmente) as barras de vida, armadura, entre outros. Naturalmente que estas acções têm um período de cooldown para não serem abusadas. Há também pequenos puzzles que nos obrigam a colaborar, mas tendo em conta que joguei sozinho (com a outra irmã a ser controlada pelo CPU) estes foram apenas simples tarefas de abrir portas ou pressionar botões em simultâneo.

As pep actions são uma das novidades aqui introduzidas e prendem-se às mecânicas de cooperação. Cada uma das irmãs possui uma diferente habilidade que poderá ser usada ocasionalmente para ajudar ambas em momentos de maior aperto

Até aqui tudo bem, mas entram depois as mecânicas de RPG. Ao matar inimigos vamos ganhando pontos de experiência e dinheiro. Os primeiros fazem com que subamos de nível e fiquemos fisicamente mais fortes, já o dinheiro pode ser gasto em diversos upgrades para cada uma das armas que vamos coleccionando, assim como diferentes habilidades. E que habilidades são essas? Para além de coisas como extender permanentemente o nosso limite de vida ou armadura, podemos também desbloquear coisas como: usar duas armas em simultâneo ou usar armas pesadas como as Laserhammer ou Dieselhammer que muito jeito dão. E isto eram habilidades que nos jogos anteriores poderíamos fazer normalmente!! As armas pesadas dão um grande jeito para combater bosses ou inimigos mais poderosos e aqui estamos muito fracos inicialmente, pelo menos até conseguirmos fazer o grind suficiente para comprar uma série de habilidades necessárias. Mesmo para quem quiser optar por uma jogabilidade mais furtiva, existem certas habilidades que terão de ser compradas para tornar a nossa tarefa mais fácil.

Sendo este um jogo cooperativo e algo open world, introduziram também várias mecânicas de RPG. Pena que os inimigos também façam level scaling no entanto.

Ao menos para além das 5 missões que compõem a história principal, vamos tendo toda uma imensidão da cidade de Paris para explorar e muitas missões secundárias para cumprir. Estas são a melhor forma que temos para ir ganhando a experiência e dinheiro necessários para conseguir ir desbloqueando as habilidades (e melhorar as armas) para nos aproximarmos mais à experiência de jogo dos seus predecessores. Mas mesmo existindo um sistema de experiência que vá evoluindo a nossa personagem, não quer dizer que áreas de Paris que exploremos inicialmente no jogo passem a ser um passeio no parque, pois todos os inimigos têm também um sistema de level scaling que vai acompanhando o nível da nossa personagem. Para além disso, tendo em conta que joguei sozinho, a própria inteligência artificial da irmã não é grande coisa e muitas vezes atrapalha mais do que ajuda, ao tapar-me o ângulo de tiro ou revelar-se para uma série de inimigos quando eu estava a tentar ser mais sneaky. Para além disso, a possibilidade de um head shot não ser suficiente para matar um inimigo sem qualquer capacete, ou mesmo a necessidade de despejar quase um clip inteiro de uma metralhadora para qualquer inimigo básico obrigou-me mesmo a diminuir um nível na dificuldade standard do jogo.

Os combates continuam brutais e a acção intensa como sempre, pena é que muitas das habilidades básicas de outros jogos tenham aqui de serem desbloqueadas!

Já no que diz respeito aos audiovisuais este é mais um jogo muito bem competente. Os inimigos vêm em todos os tamanhos e feitios e a cidade de Paris está bem representada, misturando os seus edifícios típicos com toda aquela arquitectura opressora da máquina de guerra nazi. Aliás, mundo que aqui exploramos não é um mundo inteiramente aberto, mas sim um conjunto de diferentes áreas acessíveis através de túneis de metro que estão interligados entre si. Dá mesmo a ideia de ser uma visão próxima daquilo que a Raven pretenderia fazer com o Wolfenstein de 2009 e falharam miseravelmente. De resto, e sendo este um jogo dos anos 80, até a sua banda sonora captura perfeitamente muita da música mais synth pop/rock que se fazia na época. No entanto tal como referi acima, acho que a narrativa deste jogo ficou muito aquém das expectativas e a personalidade das irmãs Jess e Soph são mesmo as de adolescentes histéricas que muito me irritou. Faltaram mesmo aquelas cutscenes mais tensas ou até os momentos mais bizarros dos outros jogos, o que de certa forma até se entende dada a natureza mais open world deste jogo.

A cidade de Paris até que está bem representada, com toda a sua arquitectura clássica misturada com a imagem nazi e muitos vibes dos anos 80 também.

Portanto e para concluir, apesar de todas as minhas críticas devo dizer que até gostei deste jogo. Mas começou a acontecer apenas a partir da sua segunda metade, pois já tinha evoluído minimamente a minha personagem com habilidades básicas que já faziam parte dos jogos anteriores e assim consegui melhor desfrutar da experiência. Mas tal não deveria ser necessário em primeiro lugar! E jogando com um amigo de maneira cooperativa deve ser bem mais interessante, de facto. Mas ainda assim, com os outros jogos com uma jogabilidade excelente logo de início e acima de tudo uma narrativa bem mais empolgante, este Youngblood fica uns bons furos abaixo dos seus predecessores.

Beyond a Steel Sky (Sony Playstation 4)

Ora cá está um jogo que não estava nada à espera. O Beneath a Steel Sky foi um dos muitos jogos de aventura gráfica que os britânicos Revolution Software produziram ao longo da sua carreira e recentemente resolveram revisitar essa franquia ao produzir uma sequela inédita, lançada algures no ano passado. O meu exemplar foi comprado na worten algures por altura das promoções da Black Friday 2022, tendo-me custado algo em torno dos 20€ depois dos descontos.

Jogo com sleeve exterior, steel book, papelada, autocolantes e um código de descarga da banda sonora

O jogo decorre 10 anos após os eventos da sua prequela onde Robert Foster, depois de ter escapado de Union City, decide voltar a viver no deserto em comunidades mais pequenas e ter uma vida pacata e humilde. E é precisamente num desses momentos de descontração com os seus co-habitantes que surge um robot gigante e rapta Milo, uma criança que estava simplesmente entretida a pescar. Determinado em salvar a criança e resgatá-la de volta para a sua família, Robert segue o trilho deixado pelo robot no deserto que o leva invariavelmente de volta à Union City. Depois de ultrapassar alguns percalços que nos impediam de entrar na cidade, Robert vê esta muito diferente desde a sua última aventura. Union City é agora uma cidade próspera e com toda a sua população aparentemente feliz. No entanto rapidamente nos apercebemos que essa felicidade tem um preço na liberdade individual. A sociedade é altamente monitorizada e manipulada através do sistema informático MINOS, que por sua vez substitui o LINC da primeira aventura.

Apesar de não considerar que o jogo tenha personagens muito carismáticas, gostei particularmente da personalidade incutida a alguns dos robots com os quais temos de interagir

No que diz respeito às mecânicas de jogo, pensem neste título como uma aventura gráfica moderna, onde nos poderemos mover livremente por uma série de áreas e teremos de falar com pessoas, coleccionar e usar itens e resolver uma série de puzzles para progredir. Uma das novidades aqui introduzidas é a possibilidade de fazer hacking a certos robots e outros equipamentos electrónicos. Por exemplo, alguns podem ser tão simples como aldrabar um sistema de autenticação de uma porta, ao trocar a ordem de “abrir e/ou fechar porta” consoante o utilizador for ou não autorizado. Muitos desses puzzles serão no entanto bem mais desafiantes, exigindo a interacção de vários desses componentes em cadeia para que consigamos alcançar o nosso objectivo. Por exemplo, a parte de ir “buscar inspiração” para um poema leva-nos por uma cadeia de diferentes acções que não serão muito óbvias à primeira. De resto, também tal como no Beneath a Steel Sky teremos a oportunidade de nos aventurar dentro do próprio sistema informático MINOS, desta vez sem puzzles frustrantes, mas não deixando de ser segmentos de jogo bastante originais.

Os puzzles mais interessantes são aqueles onde teremos de fazer hacking a vários equipamentos ou robots e trocar algumas das suas funcionalidades.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é sem dúvida um prato misto. Por um lado graficamente o jogo possui cenários bem detalhados e eu sempre gostei do aspecto futurista, mas também algo steampunk do original. Aqui os robots são um misto entre designs mais limpos e futuristas ou outros mais “retro futuristas” tal como no primeiro jogo. O meu problema é mesmo com o detalhe das outras personagens humanas. O jogo não tenta ser ultra realista, com os gráficos a terem um tom mais próximo da banda desenhada (inclusivamente é assim que a cutscene de introdução nos é apresentada), mas as caras das personagens humanas são mesmo hit or miss. Algumas acho bem conseguidas, outras são tão, tão feias que nem sei o que é que os artistas tinham em mente! Entendo perfeitamente que este jogo é um esforço de um estúdio mais pequeno e apresentar visuais bem detalhados de um jogo 3D exige muito esforço e dedicação, mas a diferença de qualidade tão abismal em certas personagens é mesmo algo que não consigo compreender. Até os pequenos bugs que enfrentei para mim são completamente irrelevantes face a essa desproporção na arte das personagens. Por exemplo, em diálogos a câmara aproxima-se dos seus intervenientes, mas muitas vezes ambas as personagens ficam parcialmente cortadas do ecrã. Ou os NPCs sem rotinas de movimento alternativas, pois também me aconteceu nos diálogos ter um NPC a constantemente a tentar passar por cima de mim, ao invés de dar a volta. São pequenas coisas que tendo em conta o budget do jogo não têm grande relevância. Por outro lado gostei bastante do voice acting. Sim, nem todas as personagens são tão fortes quanto as principais, mas gostei particularmente do tom jovial e bem humorado que muitos dos robots possuem nas suas vozes, desde o tom exageradamente educado de um certo robot mordomo, passando para o sarcasmo que já conhecemos do Joey.

Explorar o interior de um poderoso sistema informático é algo que marca também o seu regresso neste jogo

Portanto, apesar dos seus desequilíbrios a nível artístico e uma ou outra aresta por limar, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este jogo. Para quem gostou do seu antecessor irá sem dúvida apreciar esta inesperada sequela e, mesmo sabendo que está longe de ser um jogo brilhante, fiz questão em comprar este jogo em tempo útil para dar os sinais certos à Revolution: quero mais aventuras gráficas!

Yakuza 0 (Sony Playstation 4)

Ah, as saudades que eu tinha da série Yakuza! Joguei os Yakuza e Yakuza 2 originais da PS2 em 2012. Só mais tarde é que vim a arranjar as sequelas para a PS3 mas nessa altura com a minha vida profissional mais atarefada fui adiando. Entretanto desde 2015 e o lançamento deste Yakuza 0 que a série tem vindo a ter um certo interesse “revitalizado” no ocidente, recebendo este jogo, remakes dos primeiros Yakuzas, novas sequelas e remasters dos Yakuza 3-5, lançados originalmente na geração da PS3. Então o backlog da série foi crescendo bastante e eu fiquei algo reticente em qual deles começar. Como também possuo os Kiwami na colecção, decidi então recomeçar a jogar a série com este Yakuza 0 que é uma prequela, passando posteriormente para os remakes Kiwami, os remasters dos 3-5 e outras sequelas e jogos secundários. O meu exemplar sinceramente já não me recordo onde nem quando o comprei, muito menos quanto me terá custado. Mas não terá sido caro pois os jogos desta série baixam de preço relativamente rápido depois do seu lançamento.

Jogo com caixa e papelada

Ora como referi acima este Yakuza 0 é uma prequela do primeiro jogo, passando-se algures em 1988 (ano de lançamento da Mega Drive no Japão!) contando com os muito jovens Kazuma Kiryu e Goro Majima como protagonistas principais. Começamos por jogar com Kiryu e no habitual distrito de Kamurocho em Tokyo, e Kiryu acaba por ser acusado de um homicídio que não cometeu. Este decide então sair da família Dojima e limpar o seu nome, agora como civil, onde à medida que vamos progredindo na história vamo-nos apercebendo que Kiryu foi realmente tramado, numa conspiração cada vez maior. Dois capítulos depois somos levados para Osaka e o distrito de diversão nocturna de Sotenbori, onde Majima é o gestor de um cabaret de sucesso. Mas rapidamente nos apercebemos que Majima está em Sotembori de “castigo” por ter traído a sua família yakuza também em Kamurocho, uns anos atrás. Como oportunidade de voltar para a sua antiga família, Majima aceita um trabalho para assassinar uma certa pessoa. As histórias começam de forma independente uma da outra mas à medida que vamos progredindo no jogo, as mesmas vão-se interligando, como seria de esperar.

Cada personagem possuivários estilos de luta. O beast style do Kiryu é simplesmente brutal para enfrentar grandes grupos!

Iremos então alternar entre jogar com Kiryu e Majima a cada dois capítulos, sendo que no capítulo final teremos a oportunidade de alternar livremente entre personagens e ambas as localizações de Tokyo e Osaka. A jogabilidade principal deste Yakuza é a de um misto de um beat ‘em up de rua e de um RPG, na medida em que teremos batalhas aleatórias ao explorar as ruas, bem como poderemos evoluir cada uma das personagens e aprender novas técnicas, assim como equipar diferentes armas, roupa e acessórios que nos modificam os stats ou nos dão outros benefícios. Estou bem ciente que entre o Yakuza 2 da PS2 e este Zero se passaram uns quantos jogos que terão evoluído o sistema de combate, pelo que quando for jogar os Yakuzas 3-5 talvez venha a sentir algumas dificuldades. Ainda assim, o que aqui temos é que cada personagem poderá alternar livremente entre 3 estilos de combate distintos (à medida que forem sendo desbloqueados, claro), com um estilo de combate opcional que poderá ser desbloqueado mais tarde. O dinheiro que vamos ganhando poderá ser utilizado para evoluir cada um destes estilos de combate e para além da barra de vida temos também de ter em conta a barra do “heat” cuja se vai enchendo cada vez que damos porrada com sucesso a alguém e esta poderá ser utilizada para desencadear alguns golpes ultra-violentos e que retiram muito dano aos nossos oponentes. Objectos da rua como cartazes, cones de trânsito, armas deixadas pelos inimigos podem também ser utilizadas no combate, sendo que cada tem também uma ou mais “heat actions” associadas.

A história principal é séria e muito bem escrita. Por outro lado as side quests contrastam bastante, sendo bem humoradas e muitas vezes bizarras!

Tal como os seus predecessores, este é um jogo de acção open world com uma história empolgante e repleta de reviravoltas. No entanto, há muito mais para explorar para além da narrativa principal e cujos objectivos aparecem sempre devidamente assinalados no mapa. Temos também dezenas de sidequests que contrastam bastante o ambiente mais sério proporcionado pela aventura principal: aqui fiz coisas tão bizarras como ensinar uma dominatrix a fazer o seu trabalho, gravar um videoclip com o Michael Jackson e Steven Spielberg ou ajudar a defender um vendedor de cogumelos absolutamente banais que, por ter um aspecto de criminoso e ter a sua loja num beco escuro os seus clientes sempre assumiam que estaria a vender cogumelos alucinogénios e os negócios acabavam sempre em porrada. São bastantes sidequests mas todo o bom humor envolvido fazem com que valha mesmo a pena as fazer. Mas tal como os outros Yakuzas temos também inúmeros mini-jogos opcionais para participar, desde jogar em arcades da Sega, passando por bilhar, dardos, casino, mahjong shogi, entre muitos outros. Para além disso podemos ainda participar em corridas de carros de brincar, pescar, tentar engatar miúdas por telefone entre muitas outras distracções.

Antes do mIRC, aparentemente o que estava na moda eram clubes de telefone para engatar estranhos. E claro que é isso que podemos também fazer

Há pouco referi que poderíamos evoluir as personagens e aprender novos golpes ou simplesmente as fortalecer. No entanto para aprendermos esses novos golpes teremos de gastar dinheiro para os desbloquear, havendo algumas notáveis excepções de técnicas que nos terão de ser ensinadas por diferentes mestres. À medida que vamos tentar evoluir as personagens rapidamente nos apercebemos que a quantidade de dinheiro necessária é bem superior ao que conseguimos ganhar quer por combate, quer por apostas nalguns dos mini-jogos referidos acima. A solução passa por investir algum tempo (e dinheiro) em negócios que ambas as personagens virão a gerir com o decorrer da história. Kiryu torna-se presidente de uma empresa de imobiliária, onde teremos de comprar uma série de edifícios em Kamurocho e eventualmente melhorá-los, para depois podermos colectar uma renda sobre os mesmos. Claro que teremos de defrontar outros bandidos ligados a outras empresas do ramo pelo caminho! Já o Majima terá de gerir um cabaret club, onde não só teremos de contratar (e treinar) raparigas para trabalhar no clube, mas durante os turnos de trabalho em si teremos mesmo muita gestão para fazer: emparelhar os clientes com as raparigas com as características mais adequadas aos seus gostos, assim como atender alguns dos pedidos que vão sendo feitos. Pensem numa espécie de overcooked com turnos de 3 minutos. Ora tanto um negócio como o outro, apesar de serem introduzidos durante a história principal, todo o seu progresso restante é inteiramente opcional, mas altamente encorajado pelos lucros que geram e que nos permitem tornar Kiryu e Majima em lutadores cada vez mais fortes e capazes.

Podemos evoluir cada personagem e os seus estilos de luta ao aprender novos golpes. O problema é que estes são cada vez mais caros!

No que diz respeito aos audiovisuais, este foi o primeiro jogo da série a ser desenvolvido com as consolas da passada geração em mente. Há um bom salto visual perante o pouco que vi dos Yakuzas da geração anterior, no entanto há ainda muita margem para melhorias. Por exemplo, as personagens principais estão bem detalhadas e com óptimas animações faciais, muitas das personagens secundárias apresentam um nível de detalhe bem pobre. Durante a exploração em mundo aberto essa diferença gráfica até pode nem ser muito perceptível, mas nas cutscenes é bem notória. No entanto a atenção ao detalhe por parte da Sega continua incrível! As localizações de Kamurocho e Sotenbori, apesar de a história se passar em 1988, continuam repletas de locais familiares a quem jogou alguns dos títulos anteriores, incluindo muitos dos bares, locais com mini jogos como o bowling, o batting center e as diferentes lojas que poderemos visitar. No caso das lojas de conveniência até podemos explorar as revistas vendidas e ver umas quantas capas de revistas japonesas da época, que eu presumo que sejam reais. Já no que diz respeito ao som, não há muito a dizer: há muitos diálogos, tendo em conta que teremos também imenso conteúdo opcional para experimentar. Portanto, apenas os diálogos mais importantes estão narrados, cuja narração em japonês me parece impecável. A banda sonora é também bastante eclética, com os temas mais rock das batalhas a ganharem, para mim, um maior destaque.

Para ganharmos um bom dinheiro poderemos investir em negócios paralelos. Kiryu torna-se um barão da imobiliária e Majima um gerente de um clube nocturno, que possui um mini jogo associado bastante viciante!

Portanto este Yakuza Zero foi uma óptima experiência que me consumiu mais de 100h do meu tempo e eu não fiz tudo o que jogo me tinha para oferecer. As batalhas do coliseu, os modos de jogo adicionais como o Climax Battle foram dois temas que nem lhes cheguei a pegar e já nem vale a pena referir todos os objectivos de cada mini jogo! No entanto, finalizando a história principal poderemos gravar um save final que tanto poderá ser usado para um New Game Plus como para voltar a Kamurocho/Sotembori depois da história principal ter terminado e fazer todo o conteúdo opcional que quisermos. Portanto, só me resta reafirmar que gostei bastante deste Yakuza Zero e fiquei com o bichinho de jogar os próximos, algo que irei fazer em breve.