Kotodama: The 7 Mysteries of Fujisawa (Sony Playstation 4)

Ora cá está mais um jogo que comprei 100% às cegas. Às vezes calha bem, outras vezes nem por isso. Vi-o numa CeX daqui da zona do Porto por 10€ e a capa chamou-me à atenção. Ao ler a contra capa vi que era uma visual novel que se passava numa escola secundária no Japão e o protagonista teria de resolver 7 mitos urbanos daquela escola. Ora e depois de ter sido agradavelmente surpreendido por títulos como o Root Letter e por a Pqube por vezes publicar algumas coisas interessantes lá decidi arriscar. Mas desta vez o resultado não foi tão bom assim.

Jogo com caixa

Ora e como descrevi acima nós controlamos um protagonista (cujo nome podemos escolher assim como o sexo) que acaba de ser transferido para uma nova escola e, ao fazer novos amigos, acaba por ser arrastado para um certo clube escolar e a ter de desvendar sete mitos urbanos lá da escola. Lá teremos então de falar com muita gente e passar todas as áreas da escola a pente fino para obter pistas e eventualmente desvendar os mistérios um por um. O nome de kotodama vem do poder especial que o nosso protagonista detém, que consiste em “libertar a mente” dos suspeitos e obrigá-los a contar a verdade. Temos esse poder porque aparentemente fizemos um pacto com um demónio (que assume a forma de uma gata, visível apenas para o protagonista) e que nos vai acompanhando e dando algumas dicas ao longo da aventura. O porquê desse pacto ter existido nunca é desvendado e sinceramente a história acaba por nunca enveredar por essa direcção também.

Infelizmente a narrativa nunca fica tão interessante quanto deveria

E sendo este jogo uma visual novel, esperem por muito texto para ler, muitos locais para visitar e ocasionalmente algumas escolhas para fazer. Mas temos aqui pelo menos duas nuances que valem a pena referir. Uma delas são as viagens no tempo. À medida que vamos avançando na história e alcançamos um dos finais possíveis, os créditos são interrompidos, somos avisados que há mais coisas para descobrir e voltamos atrás no tempo, com todo o conhecimento que tínhamos adquirido até então. Teremos então de tentar novamente e fazer as coisas de maneira diferente para obter outro tipo de respostas. É que a primeira vez que jogamos, os mistérios são simples e resolvidos muito facilmente, mas acabam por não corresponder 100% à verdade e à medida que vamos rejogando é que vamos chegando cada vez mais às verdadeiras conclusões. E isto é um conceito muito interessante, mas a história infelizmente não está de todo a esse nível e acaba por ser uma oportunidade desperdiçada.

À medida que vamos revelando novas pistas, também ganhamos pontos de experiência que serão usados na pontuação ao jogar o mini jogo Kotodama

A outra nuance relevante é o tal kotodama. Quando nós activamos os nossos poderes, somos levados para um puzzle game do género “match 3” onde temos várias esferas coloridas espalhadas num tabuleiro e a ideia é agrupá-las em conjuntos de 3 ou mais (apenas linhas horizontais e verticais) e fazê-las desaparecer, com novas esferas coloridas a surgirem caídas de cima logo de seguida. Se for possível provocar uma reacção em cadeia e fazer uns quantos combos ainda melhor, até porque se conseguirmos um combo forte, poderemos vir a obter algumas esferas especiais que servem como power ups. Estes podem limpar uma linha horizontal e vertical, fazer as esferas de uma certa cor desaparecerem, multiplicadores de pontos, entre outros. Temos um número limitado de movimentos e o objectivo, que era inicialmente o de libertar a mente dos suspeitos e obrigá-los a falar a verdade, acaba por se traduzir numa espécie de strip tetris. Sim, pois as suspeitas (e suspeito, também teremos de fazer o mesmo com um rapaz) vão ficando sem roupa à medida que vamos tendo sucesso no mini jogo. Ora isto é um fan service que sinceramente não faz muito sentido, até porque a própria narrativa do jogo nem sequer é focada no romance, nem nos típicos adolescentes pervertidos que habitalmente são presença assídua em visual novels.

E o tal mini jogo “Kotodama” é um puzzle do tipo match 3 onde as miúdas (e um rapaz) vão ficando com cada vez menos roupa à medida que vamos avançando

A nível audiovisual nada de especial a apontar. Todo o voice acting está em Japonês e as músicas são algo genéricas, com melodias alegres durante a maior parte do tempo e outras um pouco mais tensas ou sinistras quando a narrativa puxa para esses lados. Visualmente é um jogo muito simples como é habitual em visual novels, com muito pouca animação das personagens com as quais vamos interagindo.

Não estava propriamente à espera que fosse um jogo muito forte do ponto de vista gráfico, gostaria sinceramente é que a história acabasse por ter sido mais interessante. A ideia de voltar atrás no tempo e refazer a mesma investigação de forma diferente agradou-me, mas sinceramente achei os mistérios e as personagens sem grande interesse. Não estava também à espera de uma narrativa tão complexa como a de um Steins:Gate ou um Virtue’s Last Reward, mas havia ali potencial para muito melhor. Os puzzle games (que podem posteriormente ser jogados à parte) são bastante divertidos até, mas a cena do strip realmente também não encaixa no jogo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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