Depois de ter terminado o Steins;Gate original, não perdi muito tempo a começar a sua sequela. A nível de mecânicas de jogo é muito semelhante ao seu predecessor, pelo que este artigo será mais uma rapidinha. O meu exemplar foi comprado numa CeX na zona do Porto, algures no final de Outubro de 2018, tendo-me custado na altura uns 8€.
Jogo com caixa
Portanto este jogo decorre algures num futuro alternativo, onde Okabe falha o seu objectivo principal, se jogaram o primeiro jogo para obter o True Ending, sabem do que estou a referir. Então aqui controlamos um Okabe Rintaro bastante desolado e deprimido, frustrado pela sua impotência em mudar as coisas e torna-se agora uma pessoa mais séria, sem ceder às loucuras da sua persona Hououin Kyouma (só por isso já começo a gostar do jogo!). Decide ir para a faculdade e estudar, mas uma vez mais o destino prega-lhe uma partida. Agora para além de lidar com viagens no tempo ou alterações da linha temporal, também temos uma Inteligência Artificial super sofisticada para lidar e que irá ter um papel fulcral na história. É o máximo que consigo dizer sem spoilar a história.
Estás no jogo errado, Okabe
No que diz respeito à jogabilidade, esta é exactamente igual à do primeiro jogo. Estamos então portanto perante uma Visual Novel com carradas de texto para ler (não é tão longa como o primeiro jogo mas não anda longe disso), onde ocasionalmente teremos de tomar algumas decisões que irão decidir os eventos futuros e levar-nos a um de vários finais possíveis. Essas decisões envolvem uma vez mais as interacções que vamos tendo com o telemóvel ao aceitar/rejeitar certas chamadas telefonicas chave, bem como ler e responder a mensagens. Mas desta vez estas decisões levam a ramificações na história bastante díspares entre si! E se chegarmos ao verdadeiro final, apercebemo-nos que uma sequela deverá estar a caminho.
No que diz respeito aos audiovisuais, uma vez mais para quem jogou o primeiro jogo ou está habituado a VNs já pode ter uma ideia do que esperar aqui. Ou seja, vamos ter várias imagens estáticas das personagens com quem vamos interagindo, com as suas expressões faciais e posturas a mudarem conforme os diálogos vão decorrendo, com algumas imagens mais trabalhadas a surgirem ocasionalmente. É um jogo muito estático e confesso que numa PS4 estava à espera que a 5pb se tivesse esmerado um pouco mais ao incluir mais animações. Mas ainda assim, devo dizer que gostei mais do desenho das personagens neste jogo, excepto o Daru, preferi o Daru anterior. De resto as músicas vão sendo agradáveis e variadas, desde temas bem calmos, outras melodias mais alegres e algumas mais tensas para as situações mais bicudas que iremos enfrentar.
Agora em vez de mandar emails, temos um Instant Messenger para interagir
Portanto é mais uma VN sólida para quem gostar de ler uma boa história. O facto das escolhas que formos tomando mudarem radicalmente a narrativa em cada ramificação é uma boa ideia, mas por vezes acaba por tornar as coisas bem mais confusas. E no geral devo dizer que preferi a história do primeiro jogo, mas esta também está repleta de boas surpresas.
Justamente na semana em que Shenmue III é finalmente lançado, lá consegui finalizar o Shenmue II. Não que planeie comprar o Shenmue III a full price, mas com as promoções que se avizinham de Black Fridays e Natal, nunca se sabe! Tenho este jogo em várias plataformas, mas tal como no primeiro, foi no HD Remaster para a PS4 onde o joguei até ao fim. A versão Dreamcast foi comprada por 20€ na Cash Converters de Alfragide, já há uns bons anos atrás, provavelmente 2014 ou 2015. A versão Xbox também não consigo precisar quando a arranjei, visto que já me passaram diversos exemplares pelas mãos, mas esta veio de uma feira de velharias e está completa e em bom estado. O remaster para a PS4, também como já referi no outro artigo, veio de uma Worten algures neste ano, numa das suas promoções de “leve 3 pague 2”.
Jogo completo com manuais, sleeve exterior e papelada
Tal como no artigo anterior, começo por abordar as diferenças entre versões. A versão Dreamcast é a original, e visto não ter saído nos Estados Unidos, a versão que nos chegou até à Europa contém todo o voice acting original em japonês, com legendas em Inglês. A versão Xbox, já vem com o voice acting em inglês. Inclui algumas ligeiras melhorias gráficas e de performance, para além de incluir alguns extras como a possibilidade de gravar o progresso no jogo em qualquer altura, ou tirar screenshots a qualquer instante. Para além disso traz um DVD bónus com um filme que resume a história do primeiro jogo e os seus momentos chave. Já o remaster HD, transcrevo o que disse sobre o primeiro jogo: “o remaster HD foi upscaled para 1080p, com algumas melhorias nos gráficos, apresentando no entanto a possibilidade de optarmos pelo voice acting em japonês ou inglês. Sinceramente prefiro jogar com o voice acting original, logo aqui está uma óptima melhoria! Os controlos, apesar de estarem longe de perfeitos, foram revistos, incluindo suporte aos analógicos e a algum controlo de câmara adicional . Podemos também salvar o nosso progresso no jogo a qualquer momento, para além de mais alguns pequenos extras como o suporte a troféus”. A possibilidade de tirar screenshots também se mantém.
Versão Xbox com caixa, manual e disco bónus. Não gosto muito da arte desta versão.
E este Shenmue II começa logo após os eventos do jogo anterior, logo no início de 1987, onde partimos para Hong Kong no encalço de Lan Di, não só para procurar vingança pelo assassinato do pai de Ryo Hazuki, mas também para desvendar o porquê de todos os acontecimentos que se têm vindo a desenrolar. A primeira melhoria a denotar é precisamente na área a explorar. O distrito de Wan Chai em Hong Kong só por si já possui muito mais áreas de jogo, repletas de lojas e outros edifícios que poderemos explorar. Mais lá para a frente, ainda em Hong Kong vamos explorar também a cidade degradada de Kowloon, que apesar de mais pequena em àrea horizontal, está repleta de grandes prédios, cheios de interligações entre si, e com muitos elevadores avariados e escadas fechadas, tornando a sua navegação algo labiríntica. Por fim acabamos por explorar parte do interior da China, quando caminhamos rumo à vila de Bailu, que servirá de ponto de arranque do Shenmue III.
Remaster dois dois Shenmues para a Playstation 4
Tal como o seu predecessor, Shenmue II é um jogo de natureza open-world, que assenta em três mecânicas de jogo principais. As free quests representam toda a natureza de exploração, onde podemos navegar livremente pelo mapa, interagir com NPCs e inclusivamente jogar alguns mini-jogos como coleccionar pequenas figuras, jogar arcadas ou participar em jogos de azar. Ocasionalmente lá teremos de participar nalguns combates de rua (e não só), com o jogo a assumir algumas mecânicas semelhantes aos Virtua Fighter, onde podemos por em prática diferentes golpes e muitas vezes teremos de defrontar mais que um oponente em simultâneo. Por fim temos várias outras cutscenes repletas de quick time events. Desta vez não temos condução de veículos (saudades das corridas de empilhadoras!).
A versão Xbox por si só já vinha com alguns melhoramentos gráficos
A parte de exploração é sem dúvida onde passamos mais tempo e é aqui que as quests principais se vão desenvolvendo. Tal como no seu predecessor, o jogo possui um relógio niterno, com transições entre dia e noite. As localizações que podemos/devemos visitar, como as diferentes lojas, têm horários próprios de funcionamento que devemos ter em conta, bem como todos os NPCs seguirem rotinas próprias, o que é muito interessante e tecnicamente impressionante para a altura em que o jogo foi desenvolvido. Outros detalhes como as diferentes condições metereológicas estão novamente aqui presentes. A nível de melhoramentos, a principal funcionalidade que achei muito benvinda é a o possibilidade de, em certas ocasiões, poder avançar rapidamente no tempo. Por exemplo, temos uma quest que nos obriga a estar no ponto A a uma certa hora. Enquanto no original tinhamos mesmo de esperar esse tempo todo, aqui vamos tendo a opção de avançar o tempo até à hora em questão. É certo que é fácil matar tempo: Nesta sequela temos muito mais por explorar, muitos mais minijogos como lutas por dinheiro, competições de braços de ferro, gambling, empregos, coleccionáveis, mas pura e simplesmente podemos não querer perder tempo com isso e avançar na história, pelo que esta opção é muito benvinda.
Espero que estas QTEs na Dreamcast não sejam tão frustrantes quanto na PS4
No que diz respeito aos combates, há aqui também mais algumas mudanças face ao original. No original Dreamcast, e no remaster, podemos importar todas as habilidades (e o seu nível) do primeiro jogo para a sequela, se bem que iremos também aprender novos golpes neste jogo. Para os nossos golpes serem mais eficazes, temos de os practicar e isto, no primeiro Shenmue, era algo que se podia fazer em qualquer altura do dia, em alguns espaços abertos, sendo uma óptima maneira de passar o tempo. Aqui não temos essa possibiliade, pelo que apenas podemos ir evoluindo os nossos golpes nas batalhas propriamente ditas. Outra possibilidade é desafiar alguns lutadores de rua, mas aí temos a desvantagem de poder perder dinheiro, caso percamos o combate.
Não temos de conduzir empilhadoras, mas vamos precisar de passar umas manhãs a carregar livros antigos
Por fim, no que diz respeito aos quick time events, este Shenmue II introduz alguns novos tipos de QTEs: sequências de botões que têm de ser pressionados rapidamente e sem falhas. Bom, para mim este é mesmo o ponto mais baixo em todo o jogo. Isto porque estas sequências para além de terem um timing muito próprio, não dão quaisquer margens para erros. Geralmente conseguimos gravar o nosso progresso no jogo antes de haverem estas QTEs “especiais”, ou noutras situações o jogo deixa-nos tentar novamente sem nos prejudicar. Mas já na recta final de Kowloon, temos uma série de combates mais exigentes que terminam com QTEs deste género. E se falharmos, temos de recomeçar os combates de novo. Posso dizer que tentei seguramente mais de 20 vezes o combate contra o Baihu e falhava sempre uma destas QTEs. Não sei se é um problema do remaster, provavelmente na Dreamcast ou Xbox as coisas não são tão críticas, mas tive muitas dificuldades na PS4. A dica que posso dar é: se tiverem uma destas QTEs em que precisam de pressionar 2 direcções seguidas e depois um botão facial, usem o analógico, com toques firmes e na direcção certa, não necessariamente à velocidade da luz mas também não muito lento. Se tivermos de pressionar algumas direcções e botões faciais de forma alternada, aí já uso mais o D-pad: Com calma, mas uma vez mais relativamente rápido, toques firmes em cada botão. Creio que o meu problema era tentar fazer as sequências rápidas demais e/ou não pressionar devidamente nos botões certos, muitas vezes o sistema não aceitava as minhas combinações, mesmo eu tendo a certeza que pressionei os botões correctos. Em qualquer dos casos, foi muito, muito, muito frustrante. Espero que o Yu Suzuki tenha implementado um sistema melhor no Shenue III.
Podemos perguntar às pessoas por direcções e algumas até se disponibilizam em nos acompanhar aos destinos.
A nível audiovisual, tal como referi anteriormente, o original um jogo tecnicamente muito impressionante para a época em que foi lançado (finais de 1999). A sequela mantém a mesma qualidade, com cidades muito bem detalhadas, especialmente as personagens, as suas animações e expressões faciais. Para além disso há uma maior variedade de cenários a explorar, não só urbanos, e a representação das cidades parece-me muito realista para a época retratada. O remaster traz texturas em maior resolução, modelos poligonais ligeiramente mais detalhados e alguns efeitos de luz adicionais, embora tenha o mesmo problema de, à noite, o jogo ser bem mais escuro que o original. A nível de som, as músicas são muito ambientais (tirando se calhar o tema mais rock da Joy), indo buscar muitos temas orientais. As cidades estão repletas do burburinho de pessoas a falar, músicas das lojas a tocar em plano de fundo, enfim, cheias de vida! O voice acting original, em Japonês, é excelente para a sua época. Já o inglês… bom… sinceramente não acho que seja o mais interessante.
Depois dos acontecimentos frenéticos do terceiro disco, o quarto é literalmente um passeio
Portanto, este Shenmue II acaba por ser uma excelente sequela do clássico da Dreamcast, expandindo os seus conceitos de exploração ao adicionar muito mais conteúdo e território a explorar. Algumas novidades nas mecânicas de jogo como a possibilidade de avançar o tempo em determinadas situações foram muito benvindas, já os novos QTEs sequenciais não, de todo. Os controlos continuam a ser algo estranhos na movimentação de Ryo, mas são fruto do seu tempo. A narrativa está excelente e agora, ao fim destes anos todos, consigo entender perfeitamente o porquê dos fãs de Shenmue quererem tanto uma sequela, pois a história tem potencial e eu também estou bastante curioso em acompanhar o seu desfecho.
Vamos voltar à Playstation 4, onde ficamos agora com mais um videojogo português, um que até teve honras em sair em formato físico, aparentemente de forma exclusiva em Portugal, pelo menos até à Limited Run Games ter também lançado um batch limitado do mesmo jogo algures durante este ano. A glória de Strikers Edge começou logo em 2016, onde uma versão preliminar do jogo venceu a primeira edição dos Prémios Playstation em Portugal. Após ter recebido financiamento da Sony eis que no início de 2018 o jogo estava finalmente pronto e nas principais superfícies comerciais do nosso país. O meu exemplar foi comprado algures em Maio deste ano, na FNAC do Mar Shopping, tendo-me custado 8€.
Jogo com caixa
Lembram-se do jogo do mata? Aquele em que a desculpa era atirar com uma bola a alta velocidade para os nossos adversários? Bom, este é uma espécie de jogo do mata mais elaborado e fantasioso, onde todas as personagens são ora cavaleiros, arqueiros, feiticeiros ou até ninjas, cada qual com diferentes projécteis e habilidades, sejam armas brancas como flechas, shurikens ou outras facas/espadas, ou mesmo projécteis mágicos.
Temos um pequeno modo campanha que para além de ser uma boa maneira de practicar as mecânicas de jogo sozinho, também vemos o background de cada personagem
A jogabilidade é muito simples de se entender, porém exige muita práctica para se dominar: O analógico da esquerda serve para movimentar a nossa personagem, enquanto o da direita serve para apontar os nossos golpes, com uma seta a surgir no ecrã, para indicar a direcção para a qual os nossos ataques serão projectados. Depois todas as outras acções ficam nos botões de cabeceira, com os do lado esquerdo para manobras defensivas, enquanto os do lado direito são dedicados para os ataques. O botão L2 serve para nos desviarmos na direcção pretendida com o analógico esquerdo, enquanto o L1 serve para bloquear um ataque inimigo, embora em cada partida apenas possamos bloquear 3 golpes, se bem que vão havendo outros obstáculos nas arenas como rochas ou barris, sobre os quais nos podemos esconder, mas não por muito tempo pois esses objectos podem ser destruídos com projécteis inimigos, e o mesmo podemos fazer aos nossos adversários! O botão R2 serve para disparar e caso o deixemos pressionado durante alguns segundos, vamos carregando a nossa personagem para despoletar um ataque mais poderoso que, caso seja bem sucedido, causa mais dano nos oponentes. É nesta altura, imediatamente após despoletar um ataque forte, que podemos também pressionar o botão R1, que activa a habilidade especial da nossa personagem, o que nos permite encadear uma série de ataques poderosos caso sejamos bem sucedidos. Cada personagem possui diferentes habilidades, algumas até têm ataques que cobrem áreas maiores, o que nos permite usar estratégias diferentes.
Dependendo das habilidades de cada um, podemos causar várias mudanças de estado nos adversários, como atordoá-los ou a arder, por exemplo
Ora como referi acima, isto é fácil de perceber, já pondo em práctica obriga a algum treino, pois temos de estar em constante movimento para evitar sermos atingidos pelo adversário, bem como usar o analógico direito para manter a mira sempre na direcção dos adversários. E sempre que disparamos, os nossos projécteis demoram breves segundos a atravessar o ecrã, pelo que muitas vezes temos de tentar adivinhar onde o adversário estará antes de disparar. Para além disso, atacar ou evadir usa a nossa stamina, que uma vez gasta nos deixa algo lentos e sem poder atacar ou evadir durante alguns segundos até recuperar. Os golpes fortes têm de ser carregados, e nos segundos em que estamos a carregar a nossa personagem, a nossa movimentação é também bastante lenta, o que nos deixa igualmente vulneráveis a ataques inimigos. É também possível deflectir ataques inimigos, caso os nossos projécteis se cruzem, algo que vai acontecer vezes sem conta no meio do caos.
Cada personagem especial possui algumas habilidades especiais que, se forem bem executadas causam dano extra
Agora como devem calcular, este é um jogo que transpira multiplayer por todos os poros. Temos a possibilidade de jogar partidas de 1 contra 1, ou 2 contra 2 (não tenho a certeza se podemos jogar 2 contra 1), tanto online como em multiplayer local. E acredito que seja um jogo bastante divertido em festas lá em casa com os amigos, mas não o cheguei a experimentar. Tentei várias vezes o modo online, mas infelizmente não consegui encontrar ninguém com quem jogar umas partidas. É o grande problema deste Strikers Edge infelizmente, é um jogo indie perdido no meio de muitos outros, e pelo menos no caso da PS4, pelo que quem quiser jogá-lo online vai ter uma tarefa difícil. Felizmente que temos também um pequeno modo campanha onde podemos jogar sozinhos e ver o background histórico de cada personagem, para além de servir de bom treino para o multiplayer.
No que diz respeito aos audiovisuais, este Strikers Edge até que cumpre bem o seu papel. Os gráficos são um 2D com bastante pixel art, personagens variadas e bem animadas. Mesmo durante os combates vamos tendo alguns momentos como zooms e slowdowns quando alguém está a soro e prestes a levar com um projéctil na cara, com um público virtual a reagir com aplausos ou gritos de espanto mediante o resultado desses momentos. Isto contribui bastante para a atmosfera do jogo, foi um bom detalhe. As músicas são também excelentes, misturando temas épicos com o chiptune de outros tempos.
Em cada arena temos também alguns obstáculos que podem servir de abrigo, isto é, até serem destruídos
Portanto este Strikers Edge é um interessante jogo com um foco no multiplayer e uns audiovisuais retro e charmososos. A jogabilidade é simples e viciante, mas o seu problema é que infelizmente ninguém o joga online hoje em dia. Ainda assim possui o multiplayer local que acredito que seja divertido em noites de festa lá por casa. Recomendo vivamente a sua compra, até porque hoje em dia é frequente encontrá-lo novo a preços reduzidos. Um marco na produção nacional de videojogos!
Durante o (curto) tempo de vida da Sega Dreamcast, eu era um ávido fanboy desta empresa nipónica. E mesmo ainda não tendo a consola (não havia €€€ para tudo), sempre tentei convencer os meus amigos que a consola da Sega seria uma excelente alternativa face à Playstation 1 ou mesmo à sua sucessora. Um dos jogos que sempre me impressionou foi precisamente o Shenmue de Yu Suzuki, pela liberdade que nos dava enquanto jogadores (sem dúvida um pioneiro do open world) mas também pelos gráficos extremamente bem detalhados para a época. Entretanto quando consegui realmente juntar dinheiro para comprar uma nova consola (em 2002), já a Dreamcast estava morta na Europa, pelo que optei antes por comprar a Nintendo Gamecube, que também tinha um catálogo de videojogos bastante promissor, bem como alguns clássicos da Dreamcast. Entretanto os preços dos Shenmue começaram a escalar e só consegui comprar o meu bem mais tarde, tendo-me custado 20€ na Cash Converters de Alfragide, assim como o Shenmue II, estando os 2 em óptimo estado. Entretanto, depois do Kickstarter do Shenmue III a Sega anunciou finalmente que iria remasterizar os Shenmue originais para os sistemas mais recentes, sendo que acabei por comprar a versão PS4 algures numa das promoções da Worten de “leve 3 pague 2”.
Jogo com sleeve, caixas, manuais e pequeno catálogo. Por algum motivo tenho 2 manuais idênticos
Apesar de ter experimentado o original, foi precisamente no remaster onde consegui terminar o jogo, pelo vou aproveitar para abrir o artigo precisamente para falar das diferenças entre ambas as versões. O remaster foi upscaled para 1080p, com algumas melhorias mínimas nos gráficos, apresentando no entanto a possibilidade de optarmos pelo voice acting em japonês ou inglês. Sinceramente prefiro jogar com o voice acting original, logo aqui está uma óptima melhoria! Os controlos, apesar de estarem longe de perfeitos, foram revistos, incluindo suporte aos analógicos e a algum controlo de câmara adicional . Podemos também salvar o nosso progresso no jogo a qualquer momento, para além de mais alguns pequenos extras como o suporte a troféus.
Remaster dois dois Shenmues para a Playstation 4
A história de Shenmue leva-nos a Dezembro de 1986 à pequena cidade de Dobuita, no Japão. O protagonista é Ryo Hazuki, um jovem estudante da secundária e também praticante de artes marciais que subitamente vê o dojo do seu pai a ser invadido por mafiosos e o seu pai, Iwao Hazuki, a ser atacado por um misterioso homem chinês chamado Lan-Di, que lhe exige um artefacto que aparentemente estava escondido na sua propriedade. Depois de o obter, Lan Di assassina Iwao e põe-se em fuga. Naturalmente que Ryo quer vingança, começando a aventura precisamente no encalço de Lan-Di nas imediações do Dojo Hazuki, e a pouco e pouco vamos também desvendando um pouco do mistério acerca de Lan-Di, quais os seus motivos, bem como o passado de Iwao Hazuki.
Preparem-se para serem transportados para uma versão realista de uma pequena cidade japonesa em 1986
Shenmue é um jogo de natureza open world, bastante pioneiro no seu género, mas que se divide principalmente em 3 vertentes diferentes de jogabilidade. Por um lado temos as freequests, que envolvem toda a exploração das diferentes localizações que vamos tendo acesso, bem como as interacções com outras personagens. Temos também as sequências de pancadaria, onde o jogo se assume um pouco como um beat ‘em up. Também temos algumas cutscenes com Quick Time Events, algo que acabou por se tornar moda poucos anos depois de Shenmue ter vindo ao mundo. Por fim teremos ainda alguns segmentos de condução de veículos que também usam controlos diferentes.
À medida que personagens nos vão dando pistas chave, estas são registadas num bloco de notas.
A parte de toda a exploração é sem dúvida a que mais impressiona devido à atenção ao detalhe que Yu Suzuki e companhia levaram em conta. Shenmue usa um relógio interno onde o tempo não pára sendo que vamos presenceando transições de dia/noite (se bem que às 23:30 voltamos sempre para casa, afinal Ryo ainda é menor e bom rapaz), assim como diferentes condições meteorológicas. Os estabelecimentos comerciais têm horários fixos, e os NPCs possuem diferentes rotinas: de manhã vemo-los a sairem dos seus apartamentos para irem trabalhar, ao fim do dia vemo-los a voltar para casa, por exemplo. Para avançar na história vamos ter de falar com um infindável número de pessoas, se bem que alguns eventos apenas são despoletados a certas alturas do dia. Visto que no primeiro Shenmue não temos qualquer maneira de controlar o tempo, por vezes teremos mesmo de esperar que seja uma certa hora para entrar num certo local, por exemplo. Felizmente que podemos nos entreter com várias coisas enquanto esperamos, seja coleccionar bonecos, ou torrar moedas em arcades, incluindo jogar partidas dos clássicos Hang-On ou Space Harrier, nas suas versões originais.
As horas passam, as pessoas fazem as suas rotinas, a noite cai e abrem-se um novo leque de oportunidades
O sistema de combate já é algo inspirado em Virtua Fighter, o que sinceramente não resulta tão bem quando temos vários oponentes para defrontar ao mesmo tempo. A movimentação é um pouco lenta, e o problema do controlo de câmara (mais sobre isto em breve) também não ajuda. Temos no entanto muitos golpes e combos diferentes para aprender, algo que o jogo também nos encoraja a fazer no tempo livre: aprender novos golpes, e praticá-los. Isto é também um dos melhores passatempos que podemos fazer, pois à medida que vamos treinando as nossas habilidades (seja no dojo da família ou nalguns espaços abertos como um parque de estacionamento vazio em Dobuita), os golpes practicados vão ficando mais fortes, causando mais dano aos inimigos. Depois temos algumas cutscenes com QTEs e hoje em dia creio que toda a gente sabe a que tipo de jogabilidade se refere, algo que Shenmue foi um dos pioneiros. Eventualmente a história remete-nos para investigar as docas locais, onde teremos de inclusivamente de arranjar um emprego. É aqui que acabamos por ser um operador de empilhadoras, onde vamos tendo como tarefas diárias transportar contentores de um lado para o outro, nunca sem antes termos uma corrida matinal de empilhadoras, o que foi um detalhe muito engraçado.
Felizmente também dá bem para gastar o tempo (e dinheiro) a fazer muitas outras coisas que não seguir a história principal
A partir do momento em que ganhamos este emprego, no entanto, a nossa agenda acaba por ficar bem mais trancada, só podendo explorar Dobuita ao final do dia. É nesta fase do jogo também que eventualmente despoletamos uma série de eventos que nos vão levando para o final da primeira aventura, pelo que se quiserem explorar Dobuita por mais algum tempo, evitem ir às docas. No entanto, apesar de longo, este jogo tem no entanto um prazo para ser terminado. Temos até à primavera para o conseguir finalizar, o que acaba por ser tempo mais que suficiente, permitindo-nos explorar os locais e NPCs bem à vontade.
A nível de controlos, bom aqui é que a porca torce o rabo. A maior falha no design da Dreamcast não foi para mim a não inclusão de um leitor de DVD ao invés do formato proprietário GD-ROM, até porque em 1998 essa era uma tecnologia ainda muito recente e cara. Mas a falta de um segundo analógico na Dreamcast é um detalhe que a Sega deveria ter antecipado e corrigido: a Nintendo 64 apesar de não ter 2 analógicos já tinha o C-button a tomar funções similares no controlo de câmara e a Sony já tinha introduzido o Dual Shock a nível global em 1998. Ou seja, na versão Dreamcast usamos o D-pad para controlar Ryo e o analógico para controlar a câmara, o que no comando da Dreamcast se traduz em usar o mesmo polegar para ambas as funções, o que é chato. Para além disso a movimentação de Ryo é algo estranha, muitas vezes imprecisa, o que me levou no início a andar constantemente colado a paredes. Sim, mesmo na versão PS4 que já suporta 2 analógicos! De resto temos mais uma série de detalhes interessantes, mas também um pouco chatos por vezes. Por exemplo, para inspeccionar objectos nos cenários temos de: pressionar um dos botões de cabeceira para fazer zoom e eventualmente mudar a perspectiva para primeira pessoa. Depois, se já tivermos minimamente alinhados com o objecto que queremos inspeccionar, o jogo é inteligente e tranca a câmara nesse objecto, caso contrário temos de controlar a câmara manualmente para apontar para o objecto que queremos inspeccionar. Depois lá carregamos num botão de acção e vemos a mão de Ryo a pegar no objecto, onde podemos posteriormente rodar a mão com o analógico para melhor inspeccionar o objecto que agarramos. Abrir gavetas ou a porta do frigorífico é feita desta forma, bem como inspeccionar os seus conteúdos. Isto é giro pois oferece um realismo sem precedentes para a época, mas também acaba por irritar um pouco.
Algumas personagens estão incrivelmente bem detalhadas, aqui vemos Lan-Di, o assassino que procuramos.
Por fim, a nível audiovisual. Bom, devo dizer que não gostei muito do voice acting em inglês. Sim, é certo que é impressionante para a época todas as personagens terem as suas próprias falas, mas o voice acting em inglês não é o melhor. A versão PS4 felizmente, tal como já referido acima, permite-nos optar pelo voice acting em japonês o que prefiro até porque é bem mais fiel ao clima do jogo, afinal estamos a viver o dia-a-dia de um jovem japonês. De resto as músicas practicamente só existem em cutscenes, sendo bastante agradáveis. Já quando exploramos as ruas de Dobuita apenas ouvimos o burburinho de uma cidade em movimento, com alguns estabelecimentos a tocarem as suas próprias melodias para a rua. A nível gráfico, para um jogo lançado originalmente em 1999, estava de facto soberbo para a época, principalmente nos detalhes das personagens e suas expressões faciais. Os cenários também estavam incrivelmente detalhados para a época. O remaster é uma mera conversão com poucas melhorias neste aspecto, embora tenha reparado que quando anoitece, o jogo fica bem mais escuro no remaster, por algum motivo.
A versão Dreamcast traz também um disco extra, o Shenmue Passport que traz uma série de extras, incluindo algumas funcionalidades online.
Portanto, depois de ter jogado este Shenmue consigo perceber o porquê da Sega ter depositado tantas esperanças neste jogo, pois foi de facto absolutamente inovador para a época e pioneiro em muitos aspects de jogabilidade que vemos em jogos de aventura open world actualmente. Está longe de ser perfeito, com alguns controlos manhosos e a gestão do tempo não ser a melhor, mas devo dizer que gostei bastante, e vou começar muito em breve a sua sequela. Pelo pouco que investiguei antes de a começar, parece que melhoraram uma série de aspectos. Veremos!
Voltando aos jogos da Telltale, no passado mês de Junho acabei por mandar vir do eBay UK o penúltimo capítulo da saga The Walking Dead, o A New Frontier. Foi muito barato, visto que foi comprado novo a menos de 10€ e por cá não encontrava a esse valor nem em segunda mão. Para quem já jogou os anteriores, sabe bem com o que pode contar aqui, pelo que não me vou alongar muito neste artigo.
Jogo com caixa. Comprado novo e nem um panfleto publicitário traz…
Este título conta então mais um capítulo da vida da jovem Clementine, a qual já seguimos desde o primeiro TWD. Visto que joguei os primeiros dois jogos na Playstation 3, não consegui usar o save com as minhas escolhas do jogo anterior, mas a Telltale pensou nesse caso e antes de começarmos uma nova aventura, podemos resumir as nossas escolhas chave dos dois jogos anteriores. As escolhas que tomei no primeiro jogo ainda me lembrava bem, já as do segundo nem por isso, o que também diz muita coisa em relação à sequela não ter sido tão memorável assim. De resto, e apesar da Clementine ser uma personagem importante ao longo deste jogo, na verdade acabamos por controlar antes Javier Garcia, um ex-jogador de basebol, que tenta sobreviver a todo o apocalipse zombie com o que resta da sua família, nomeadamente os seus dois jovens sobrinhos e a cunhada.
Como sempre vamos tendo algumas escolhas para fazer
Javier vem de uma relação complicada com o seu irmão David, algo que também acaba por transparecer para o resto da família e esse é um dos pontos chave no desenvolvimento das personagens nesta aventura. A Clementine acaba por se cruzar com Javier e sua família e a história vai-se desenrolando a partir do momento em que ambos decidem colaborar. Como sempre vamos ter uma série de conflitos pela frente, não só com zombies, mas também com outras povoações humanas, tendo muitas vezes de tomar decisões difíceis que podem resultar na morte de algumas personagens chave, ou no relacionamento que vamos tendo com os nossos pares, pois para agradar a uns acabamos por desagradar a outros e isso reflete-se no desenrolar da história. Como sempre nesta série temos um tempo limite para tomar as nossas decisões, e no caso do diálogos, ficar calado é também uma opção, mas geralmente nunca é muito boa.
Para além dos diálogos vamos tendo aquelas mecânicas típicas dos jogos de aventura point and click, onde teremos de explorar os cenários, interagir com pessoas e objectos. Por vezes la temos alumas situações de combate onde o jogo recorre uma vez mais aos quick time events. A maneira como estes QTEs estão apresentados até é bastante inteligente e natural, pelo que estas secções não são tão chatas assim, como em muitos outros jogos que usam e abusam dos QTEs.
Os QTEs até que são bem dinâmicos
De resto a nível técnico este A New Frontier mantém o mesmo estilo gráfico dos seus predecessores, nomeadamente o cel-shading que lhe dá um aspecto mais saído de banda desenhada, o que é natural pois é mesmo desse meio que The Walking Dead surgiu. A diferença aqui é que este jogo está bem mais polido, com melhores efeitos de luz e definições das expressões faciais de cada personagem. Afinal de contas, joguei os anteriores numa PS3 e aqui notam-se bem alguns melhoramentos. De resto, temos um excelente voice acting como habitual.
Portanto este The Walking Dead é mais um jogo de aventura competente, mas usa uma fórmula que já deixa poucas surpresas a quem jogou os anteriores. Colocaram aqui muito mais drama familiar que nos jogos anteriores para tentar diferenciá-lo, apesar de mais uma vez termos várias escolhas que alteram o desenrolar do jogo, há sempre uma linha condutora para a qual as nossas escolhas vão convergindo no final. Fico curioso no entanto para jogar o último capítulo da saga, quanto mais não seja para ver qual será o destino de Clementine.