Uncharted 4: A Thief’s End (Sony Playstation 4)

Depois de ter terminado a trilogia original do Uncharted, comecei a jogar, embora de forma algo alternada, o Uncharted Golden Abyss da PS Vita e este Uncharted 4 para a Playstation 4. Enquanto o jogo da Vita é um capítulo secundário nas aventuras de Nathan Drake, este já é uma sequela a sério. E mesmo tendo jogado a trilogia original nas suas versões remastered para a PS4, o salto qualitativo deste Uncharted 4, mesmo comparando com os remasters dos anteriores, é de facto bastante notável. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado a um vendedor particular. É a edição limitada que traz um steelbook, um livro com artwork e foi comprado novo, por apenas 7€.

Edição limitada com caixa de cartão exterior, steelbook, artwork, papelada e autocolantes

A história leva-nos uma vez mais a explorar a vida de Nathan Drake em mais uma busca a um tesouro, desta vez o do pirata Avery, que aparentemente teria escondido uma fortuna de valor incalculável. É também um jogo onde iremos descobrir mais coisas do passado de Nathan Drake, nomeadamente a sua relação com o seu irmão Samuel Drake, que acaba por ter um grande foco na história do início ao fim. Até porque é o próprio Sam que convence Nathan a abandonar a sua então vida pacata para retomar a busca ao tesouro que começaram muitos anos antes. E claro, uma vez mais não estarão sozinhos nessa busca, pois teremos um exército de mercenários para enfrentar também.

Os combates corpo a corpo são mais brutais, e desta vez sem indicações no ecrã dos botões a pressionar no caso de contra ataque

No que diz respeito à jogabilidade, o básico é o mesmo que a série já nos tem habituado desde a trilogia original, mas acreditem ou não, o resultado é ainda melhor. Temos uma vez mais um excelente balanço entre sequências de acção over the top, a exploração e platforming, tudo associado a uma narrativa ainda mais bem escrita, que nos faz criar uma maior empatia entre todas as personagens principais. Os tiroteios, que continuam a assentar nas mesmas mecânicas cover based, possuem agora um maior foco na furtividade, ao dar-nos mais esconderijos, a possibilidade de “marcar” os inimigos, bem como sermos avisados se estivermos prestes a ser descobertos. Claro que podemos ignorar uma abordagem furtiva e entrar à Rambo, mas isso tem consequências, pois os inimigos são ainda mais agressivos e todos nos vão começar a flanquear e atacar de forma mais voraz que antes. Alguns deles, principalmente os soldados altamente armadurados, são autênticas esponjas de balas, mas felizmente já só perto da recta final é que os começamos a enfrentar. Os combates corpo-a-corpo foram também revistos e, apesar de os controlos serem practicamente idênticos ao que eram antes, agora não temos no ecrã a informação visual que nos avisa quando devemos contra-atacar um golpe inimigo. Teremos mesmo de observar os seus movimentos e agir correctamente quando necessário, algo que será absolutamente vital num certo encontro lá mais para a frente.

Ocasionalmente poderemos conduzir alguns veículos, como as belíssimas paisagens de Madagascar

De resto, tal como os anteriores, teremos à nossa disposição um grande arsenal de armas que poderemos descobrir e utilizar, embora apenas possamos carregar com uma arma leve, uma pesada e algumas granadas. Para além disso contem com alguns puzzles ocasionais, estes sinceramente achei-os um pouco mais desafiantes que os anteriores (e ainda bem!) bem como imensos coleccionáveis, muitos deles muito bem escondidos. Para além do modo história, que é sem dúvida mais longo que os anteriores Uncharted, teremos também um modo multiplayer competitivo que sinceramente não cheguei a perder tempo. Temos também um DLC com um modo co-op de sobrevivência, onde teremos de enfrentar diversas ondas de inimigos, mas também não perdi tempo com ele. A expansão The Lost Legacy acabou por ser lançada como um título standalone, pelo que o irei abordar separadamente, assim que o terminar.

O HDR é muito bem utilizado nos efeitos de luz

A nível audiovisual, tal como eu referi acima, já tinha achado os remasters da trilogia original com óptimo detalhe gráfico, mas quando peguei neste Thief’s End apercebi-me que de facto este Uncharted 4 é um jogo de uma geração acima. O nível de detalhe, tanto nas paisagens (que tal como nos anteriores até que são bastante detalhadas), como nas próprias personagens, os efeitos de luz, fogo, água e por aí fora são de facto de uma qualidade que deixam os Uncharteds da Playstation 3 uns bons furos abaixo. Quando comecei este jogo é que me apercebi que a maior parte dos títulos da PS4 que joguei até agora foram títulos que não foram necessariamente desenvolvidos a pensar nesta plataforma, pelo que me voltei a surpreender com o que esta máquina da Sony é capaz e que ainda tenho muito que jogar! De resto, o voice acting é excelente como antes e, tal como referi acima, os produtores conseguiram construir óptimos diálogos, que não só resultam bem nas cutscenes, como naquelas pequenas conversas que os protagonistas vão tendo ao longo do jogo. São diálogos que parecem completamente naturais e assentam muito bem à personalidade dos protagonistas.

O arsenal à nossa disposição é bastante vasto e teremos de o usar de forma inteligente nos diferentes combates que iremos defrontar

Portanto, este Uncharted 4 é um excelente jogo de acção, na minha opinião o melhor da série até ao momento, pois para além de ser uma produção excelente no campo audiovisual, narrativa e a fluidez com que a história se desenrola, possui também uma jogabilidade ainda mais refinada. Pena que tenham trocado alguns controlos, nomeadamente os botões de recarga e lançar granadas, que me levaram a desperdiçar alguns explosivos de forma bastante estúpida até me habituar.

Psycho-Pass: Mandatory Happiness (Sony Playstation 4)

Mais uma rapidinha a uma visual novel, desta vez para a PS4. Tal como o Xblaze: Code Embryo, este jogo também o comprei um pouco às cegas, mas desta vez infelizmente acabou por me desiludir bastante. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado online no site da NIS Europe algures durante o mês de Maio, tendo-me custado 8 libras.

Jogo com caixa e folheto publicitário do anime

Baseado no anime do mesmo nome, o jogo decorre no futuro, num Japão completamente isolado do mundo exterior. De forma a proteger os seus habitantes, o país está repleto de sistemas informáticos que estão constantemente a monitorizar os seus cidadãos e recolher dados biométricos que testam a sua sanidade mental e um coeficiente criminal. Se este for suficientemente alto, os cidadãos são considerados potenciais criminosos e serão apreendidos pelas autoridades, preferencialmente antes de cometer qualquer crime. Um pouco como no Minority Report! Nós iremos encarnar num de 2 detectives locais e ir desvendando alguns crimes, que por sua vez estarão ligados entre si e terão uma grande conspiração por detrás. Ora com esta sinopse, e com o visual mais maduro dos design das personagens, eu estava à espera de uma aventura mais negra e cyberpunk, o que acaba por não ser bem o que acontece. Apesar de serem tocados nalguns pontos sempre interessantes, principalmente porque estamos a caminhas a passos largos para uma vida em constante vigilância pelo Big Brother, a história acaba por ser mais ligeira do que eu esperava.

Antes de começar a aventura, temos de escolher qual o protagonista que queremos controlar

Mas o que mais me desiludiu, e tendo em conta que o jogo foi desenvolvido pelos mesmos criadores do Steins;Gate, é o facto de pouca coisa mudar na história mediante as diferentes ramificações que vamos explorando. Na minha primeira playthrough até gostei bastante, e ao longo do jogo teremos imensas escolhas para fazer que nos irão levar ultimamente a diversos finais distintos. Mas, apesar de introduzirem alguns textos e/ou cenas extra pelo meio (e claro, o final), o fio condutor da história principal permanece sempre o mesmo. Mesmo tendo em conta que podemos jogar com 2 personagens diferentes, a história também acaba por ser a mesma, mas com alguns pontos de vista distintos. Para além disso, quando exploro as diferentes ramificações em visual novels, costumo usar e abusar da funcionalidade de skip, que nos permite avançar texto que já tenhamos lido em playthroughs anteriores. Mas infelizmente, e principalmente no último capítulo, o skip nem sempre funciona, mesmo que 90% do texto que vamos ler seja idêntico a outras ramificações. É certo que nas opções podemos activar o force skip, que avança qualquer texto, tenha sido já lido ou não. Mas como eu quis ler as diferenças, isto acabou por tornar o jogo bem mais longo do que eu pretendia!

Visualmente a arte até que é bastante apelativa, embora eu estivesse à espera de algo mais dark.

De resto, para além da história que possui imensos finais distintos para alcançar, também temos um puzzle game para ir jogando quando nos apetecer. É daqueles típicos onde temos de juntar blocos da mesma cor e os pontos que vamos ganhando servem para “comprar” algum conteúdo de bónus assim que os desbloquearmos na aventura principal, nomeadamente alguns ficheiros de audio e sketches da arte do jogo. Ainda gastei umas valentes horas aqui também, só mesmo para conseguir desbloquear tudo o que o jogo tem para oferecer.

Ao longo do jogo teremos várias escolhas para fazer, que irão abrir diferentes ramificações na história e contribuir para um final específico.

A nível audiovisual, é um jogo que me deixa com uma opinião dividida. Os visuais são muito clean, futuristas e bem desenhados. Embora eu estava à espera de uma aventura mais noir, não posso dizer que não tenha gostado da direcção artística. Mas confesso que estava à espera de ver mais algumas animações no ecrã. Para além de expressões faciais, as personagens ficam estáticas no ecrã e nem sequer temos qualquer cutscene, o que é estranho pois o jogo é baseado num anime. O Xblaze que cá trouxe recentemente continua na linha da frente nesse campo! No que diz respeito ao som, nada a apontar ao voice acting que está totalmente em japonês tal como é suposto. As músicas são bastante diversificadas entre si, com algum rock, electrónica ou mesmo uns temas mais dark jazz que me agradaram bastante!

Portanto este Psycho-Pass Mandatory Happiness é uma visual novel que acaba por me desiludir, principalmente por ter sido desenvolvida pela mesma empresa que nos trouxe o Steins;Gate. Apesar de termos imensas escolhas para fazer (a começar por 2 personagens jogáveis) e vários finais para alcançar, a narrativa nunca diverge tanto quanto isso, o que torna o trabalho de alcançar os restantes finais mais frustrante sem necessidade.

Uncharted: Drake’s Fortune (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Depois de Crash Bandicoot na Playstation e Jak & Daxter na PS2 (série que planeio jogar algures no futuro), para a geração seguinte a Naughty Dog decidiu apostar num estilo de jogo diferente, mais realista e repleto de acção, tendo resultado neste Uncharted: Drake’s Fortune, lançado originalmente no final de 2007. Mas a versão que acabei mesmo por jogar é a que veio incluida na compilação Uncharted: The Nathan Drake Collection para a Playstation 4. O original joguei apenas o demo back in the day, mas depois de ter visto todos os melhoramentos que receberam na PS4, especialmente o primeiro jogo da trilogia, optei mesmo por jogá-lo na PS4. Esta minha compilação foi comprada algures no passado mês de Abril a um particular por 15€. Já o original de PS3, custou-me uns 7€ algures no início de 2016, numa das minhas visitas à CeX.

Versão original black label para a PS3, com caixa e manual

Neste Uncharted controlamos então Nathan Drake, supostamente descendente do famoso corsário Inglês Sir Francis Drake, que procura um tesouro escondido pelo seu antepassado, o mítico El Dorado. E após um breve nível algures no mar da costa do Panamá, que serve não só de introdução da história em si, mas também um tutorial básico das mecânicas de jogo, iremos posteriormente explorar templos na floresta amazónica, bem como uma grande colónia hispânica em ruínas numa ilha abandonada, em busca do mítico tesouro. Mas claro que teremos alguma concorrência, pelo que iremos enfrentar piratas modernos, mas também mercenários altamente treinados e equipados.

Colectânea Nathan Drake Collection para a PS4, no seu lançamento original, com papelada e sem manual como habitual em jogos PS4

A nível de mecânicas de jogo, esta é uma excelente mistura entre a exploração e platforming de títulos como os Tomb Raiders clássicos (se bem que com controlos bem mais agradáveis), bem como a acção e o cover-based-shooting de títulos como Gears of War. Já joguei o demo do original na PS3 há muito tempo, pelo que já não me lembro dos seus controlos, mas todas as críticas que vi à compilação The Nathan Drake Collection mencionam que os controlos nos tiroteios ficaram muito melhores face ao lançamento original. E de facto o jogo acabou por se tornar bastante agradável nos seus combates, cuja dificuldade vai aumentando à medida que vamos avançando no jogo, com os oponentes a estarem não só mais fortemente armados, bem como mais protegidos e a adoptarem tácticas inteligentes para nos flanquear. Teremos então de estar constantemente à procura de abrigos, onde nos podemos “colar” às paredes ao pressionar o botão do círculo e, com os botões L2 e R2, poderemos espreitar, apontar e disparar. Soltando o L2 voltamos à posição de abrigo. Mas lá está, também não convém estar demasiado confortável nos abrigos pois alguns podem ser destruídos por fogo inimigo e estes também nos tentam flanquear ou atirar com granadas. De resto, teremos um arsenal relativamente extenso para experimentar, com vários tipos de pistolas, metralhadoras, shotguns, sniper rifles e lança granadas ou lança rockets, sendo que apenas poderemos equipar 2 armas de fogo, uma ligeira e uma “pesada” em simultâneo, mais umas quantas granadas.

Como um bom filme de acção, o jogo está repleto de momentos emocionantes!

No que diz respeito à exploração, por vezes temos alguns puzzles para resolver, que nos obrigam a espreitar o diário de Francis Drake, que obtemos logo no início do jogo, para aprender algumas pistas de como os resolver. São puzzles intuitivos assim que observamos essas dicas. Muitas outras vezes temos também alguns segmentos de platforming, que tipicamente nos obrigam a escalar paredes, saltar entre plataformas, balancear em lianas e devo dizer que as mecânicas dos saltos são um pouco estranhas. Basicamente, a menos que seja suposto nós conseguirmos saltar do ponto A para o ponto B, Nathan executa saltos muito curtos. O que é estranho por vezes nós saltarmos e Nathan avança por aí meio metro, mas quando são saltos que é suposto acontecerem, Nathan já consegue saltar uns 2 ou 3 metros na boa. De resto, Uncharted não é só tiroteios e exploração, também teremos alguns níveis interessantes onde temos perseguições de jipe em plena selva, ou conduzir uma moto de água. Devo dizer que o último nível da moto de água, onde temos de subir um rio e esquivar de barris explosivos e outros bandidos foi um dos níveis que achei mais frustrantes.

Para resolver os puzzles que nos vão aparecendo, podemos consultar o diário de Drake

A nível audiovisual, este Uncharted era realmente impressionante para um título de 2007, com níveis muito bem detalhados, excelentes efeitos de luz e água para a época, uma narrativa com voice acting competente, personagens bem carismáticas e, acima de tudo, um pacing bastante aliciante que agradava não só a quem estivesse a jogar, mas também para quem estivesse simplesmente a ver jogar, o que foi o que aconteceu aqui em casa. A minha namorada por vezes estava bem mais entusiasmada a ver-me jogar do que eu próprio, principalmente nalguns momentos mais desafiantes, como os combates na catedral, ou a subida do rio em moto de água. Já este remaster na PS4 apresenta ainda melhores efeitos de luz, cenários com ainda mais detalhe e, acima de tudo, uma performance bem mais fluída, pois o original tinha várias quebras de frame rate e alguns problemas na renderização das texturas.

O platforming e escaladas impossíveis fazem parte do ADN de Uncharted

Para além do notório update gráfico (e uniformização dos controlos e aparência de Drake ao longo dos 3 jogos desta compilação), o remaster da PS4 incluiu ainda dois novos níveis de dificuldade (um muito fácil e outro muito difícil), alguns trophies adicionais e outros bónus como a possibilidade de activar alguns tweaks, como o modo câmara lenta. Podemos também desbloquear um modo de jogo próprio para speedrunning, e uma série de estatísticas que comparam as nossas skills com as dos nossos amigos da PSN, como número de inimigos derrotados, com que armas usadas e por aí fora. São coisinhas interessantes, mas poder jogar uma versão com controlos melhorados e audiovisuais refinados foram sem dúvida os principais motivos que me levaram a pegar neste Uncharted precisamente neste remaster da PS4.

Um dos bónus do jogo é o Photo Mode, onde podemos tirar alguns screenshots e embelezá-los

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Drake’s Fortune, excepto pelas mecânicas de salto por vezes frustrantes (provavelmente poderá ser problema da minha TV mas achei o jogo bastante escuro em certas partes que acabou por atrapalhar um bocado) e, desculpem lá os spoilers a quem não jogou este jogo ainda, a introdução dos Descendants já na recta final do jogo. Estava a adorar todo o realismo e a Naughty Dog decidiu borrar um pouco a pintura ao introduzir aquela espécie de zombies já perto do final do jogo, é uma pena. Mas tanto eu como a minha namorada ficamos cheios de vontade de começar o segundo jogo, que é o que iremos fazer já de seguida. Antes disso convém também referir que esta versão remastered (bem como o Uncharted 2 e 3) estão também disponíveis standalone para quem preferir.

Flashback 25th Anniversary (Sony Playstation 4)

Aquando dos 15 e 20 anos após o lançamento do clássico Another World, foram sendo lançadas algumas conversões/remasters para sistemas modernos. Quando Flashback fez 25 anos também teve direito a um lançamento especial, que é o que vos trago agora. Confesso que nunca tinha pegado em nenhuma das reedições do Another World, mas, quando comprei esta edição, estava na expectativa que fosse muito mais do que uma simples conversão com alguns extras, pelo que me desiludiu um pouco. Só depois vim a descobrir que, em 2013, foi lançado, de forma exclusivamente digital, um verdadeiro remake deste clássico. O meu exemplar foi comprado na Worten no final de Abril, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa, manual (!!!),, sleeve e autocolantes

Ora mas em que é que consiste este Flashback, portanto? Já cá abordei a versão Mega Drive no passado e esta reedição traz exactamente o mesmo jogo, mas upscaled para resoluções HD, com a opção de incluir alguns filtros gráficos, bem como novos efeitos sonoros. A nível de jogabilidade em si, a única novidade está mesmo na função do rewind, ou seja, sempre que morrermos poderemos voltar um pouco atrás no tempo (creio que o máximo são 2 minutos) e tentar novamente, sem precisarmos de recarregar o nosso save. E visto que não melhoraram os controlos face ao original, esta adição do rewind acaba por ser muito benvinda. É que o Flashback e Another World originalmente possuem controlos arcaicos e com timings muito próprios, tornando alguns saltos ou mesmo combates algo frustrantes. Naturalmente que com práctica as coisas vão lá, mas seria interessante que aproveitassem estes remakes para também oferecer opções alternativas de controlo, pelo que o rewind foi muito benvindo e usado (e abusado) na playthrough que fiz.

O jogo não possui suporte a widescreen, mas podemos desactivar aquelas barras laterais manhosas

No que diz respeito aos audiovisuais, tanto o Another World como o Flashback eram impressionais. Tal como no Prince of Persia usaram técnicas de captura de movimentos semelhantes para ilustrar as animações das personagens e os cenários eram também muito interessantes e bem detalhados. O jogo possuía também uma série de cutscenes incríveis tendo em conta que em muitas plataformas que os receberam, o armazenamento de um cartucho era extremamente limitado. Não temos voice acting, mas as músicas surgem com um certo peso e medida, com pequenas melodias a surgirem em certos momentos chave do jogo, resultando numa experiência bastante atmosférica e cinematográfica. E tudo isso está aqui representado tal como os criadores ambicionaram originalmente. Como já referi acima temos a possibilidade de alternar entre as músicas e efeitos sonoros modernos e os originais, bem como definir uma série de filtros gráficos. Confesso que no caso desses filtros apenas mantive o das scanlines e desactivei todos os outros, pois apresentavam uma imagem mais “borratada” e eu gosto de apreciar um bom pixel art.

Os filtros gráficos por defeito suavizam os pixeis mas prefiri desactivar essas opções pois não gostei do resultado final.

Portanto tudo isto é muito giro, mas confesso que, para o jogo que é, estava à espera de outro tipo de tratamento. Esperava um remaster com um sistema de controlo mais fluído, e talvez com gráficos 2D mais detalhados, mas sempre com a opção de podermos também jogar uma representação mais fiel ao original. Os filtros gráficos que adicionaram são a meu ver practicamente inúteis tirando as scanlines, já os controlos continuam arcaicos e com timings muito específicos. É sem dúvida uma questão de prática e esta versão física até possui um manual que explica os controlos extensivamente (o mesmo também pode ser visto a qualquer momento no menu do ecrã de pausa), mas a adição do rewind foi sem dúvida muito benvinda. Portanto esta reedição do Flashback é sem dúvida um título feito a pensar nos fãs do original, e não tanto para atrair novos fãs. Confesso que fiquei curioso com o remake lançado digitalmente em 2003.

Beyond: Two Souls (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Na altura em que a Revista PUSHSTART era um projecto bem mais activo, recordo-me de ter sido convidado pela Sony para uma apresentação deste jogo em Lisboa, mais concretamente da versão que havia sido localizada para o nosso país, com direito a uma dublagem aparentemente bastante competente. Aliás, não seria caso para menos, pois os jogos da Quantic Dream focam-se numa narrativa muito bem trabalhada e no caso deste Beyond: Two Souls não seria diferente. Pois bem, após ter jogado partes do jogo nesse evento, só no final de 2017 é que arranjei a minha cópia para a Playstation 3, tendo sido comprada numa Cex do Porto por 8€. Mas só agora é que acabei por o jogar, mais precisamente o seu remaster para a PS4, que vem numa compilação com o remaster do Heavy Rain também. Este meu exemplar já foi comprado algures no verão passado, num flea market no Porto por cerca de 5/6€, e estava ainda selado.

Jogo com caixa e manual

Mas então no que consiste este jogo? Aqui acompanhamos a vida de Jodie Holmes, representada pela actriz Ellen Page, que desde cedo não teve uma vida fácil. É que Jodie não está sozinha, desde que nasceu que tem uma entidade sobrenatural, um poltergeist chamado Aiden, ligado (literalmente) a si. Então desde criança que acabou por ser acolhida por um instituto que estuda fenómenos paranormais, liderado por Nathan Sawkins (interpretado por Willem Dafoe), que acaba por se tornar numa espécie de figura parental ao longo da sua vida. As habilidades de Jodie, em virtude do seu amigo Aiden, não passam despercebidas pelo governo norte-americano que a obriga a juntar-se à CIA. E começamos precisamente a aventura a jogar com uma Jodie adulta, fugitiva, a causar todo o caos perante os seus perseguidores. O resto do jogo irá-se desenrolando ao ilustrar os diferentes períodos da sua vida, pelo menos os mais marcantes, sendo que a narrativa não segue necessariamente uma ordem cronológica, mas sim vai saltando por várias fases do crescimento de Jodie, como a sua adolescência, a formação na CIA e algumas das missões que teve de realizar.

Colectânea com versões remasterizadas do Beyond Two Souls e Heavy Rain

Tal como Fahrenheit e Heavy Rain, há aqui um grande foco na narrativa e uma falsa sensação de liberdade, pois muitas vezes podemos vaguear pelos cenários e ir interagindo com uma grande variedade de objectos e pessoas, mas tudo está também de certa forma “no guião” e a certa altura eventos vão acontecer. As acções que tenhamos tomado (ou não tomado) até então terão também consequências na forma como cada capítulo se desenrola. Por vezes teremos também algumas decisões chave para tomar, que poderão não só influenciar bastante o final do jogo, bem como alguns dos seus capítulos intermédios, como a decisão de salvar ou agredir/matar certas pessoas. O jogo vai tendo momentos de pura exploração, mas também momentos de acção, especialmente quando Jodie já é uma jovem adulta, desde o seu treino na CIA. Temos aqui alguns elementos de cover shooting e também jogabilidade furtiva, e claro, tal como nos jogos anteriores da Quantic Dream, teremos também vários quick time events para completar. Felizmente que estes não foram tão frustrantes como nos seus jogos anteriores.

Como habitual vamos tendo várias escolhas para fazer nos diálogos, mas também podemos optar por ficar calados

Quando temos a liberdade de explorar os cenários à nossa volta, podemos ir alternando entre jogar com Jodie ou o seu poltergeist Aiden. Aiden está ligado a Jodie pelo que não se pode afastar muito dela, mas com Aiden poderemos atravessar paredes, interagir com objectos, ou mesmo possuir ou estrangular outras pessoas. Isto é algo que teremos de fazer não só em algumas missões mais orientadas para a acção, bem como para resolver alguns puzzles. Agora, infelizmente a nossa liberdade não é assim tanta, pois Aiden apenas se pode mover ao longo de diversos pontos luminosos espalhados pela área de jogo e os humanos, nem todos podem ser possuídos, ou assassinados, só os que o jogo assim o exige. Ainda assim, mesmo com essa limitação de liberdade, achei as mecânicas de jogo muito interessantes e a relação de Aiden com Jodie está de facto muito bem conseguida.

Com Aiden podemos espiar o que as pessoas estão a dizer de nós noutras divisões

Ao longo do jogo, à medida que vamos explorando os cenários com o Aiden, poderemos também encontrar algumas esferas azuis que se traduzem em conteúdo extra. Estes desbloqueiam não só galerias de arte, bem como alguns vídeos que relatam o processo de criação do jogo. Um dos clips que podemos desbloquear é uma demo técnica do The Dark Sorcerer, uma cutscene renderizada em realtime pela PS4 que mostrava as capacidades técnicas da actual consola da Sony. Este remaster traz ainda mais conteúdo extra, como um modo remix que nos permite jogar os capítulos pela ordem cronológica e não pela ordem original, bem como a expansão Experiments, que nos introduz alguns desafios novos para ultrapassar.

Eventualmente também iremos combater outras entidades paranormais

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo está muito, muito bom, para a consola que foi desenvolvido. Sendo originalmente um jogo de 2013 e tendo sido lançado para a Playstation 3, o nível de detalhe gráfico que aqui incluiram está muito bem conseguido, particularmente na caracterização das personagens, as suas animações fluídas e expressões faciais muitíssimo bem detalhadas. Os diferentes cenários que vamos explorando, para além de serem bastante diversificados, também estavam muito bem representados. O remaster para a PS4 ficou ainda melhor devido à maior resolução de imagem, melhor fluidez performance no geral, bem como os próprios gráficos estarem ainda algo superiores. O voice acting é excelente, pois a Quantic Dream investiu bastante não só na caracterização e animação das personagens, mas também em toda a sua representação. Eu sei que a Sony Portugal também se esforçou por trazer uma óptima localização, mas apenas joguei este jogo com o seu voice acting original.

As interacções que vamos poder ter sobre os cenários são apresentadas muitas vezes com este tipo de pistas visuais

Portanto devo dizer que fiquei bastante agradado com este Beyond: Two Souls. A sua história é de facto cativante, e tecnicamente o que a Quantic Dream conseguiu aqui implementar era de facto tecnicamente impressionante, especialmente pelo detalhe das animações e expressões faciais. As mecânicas de jogo que aqui introduziram, em particular a interacção que podemos ter entre Jodie e Aiden estão muito boas e, mesmo que o jogo nos dê alguma falsa sensação de liberdade, não houve nenhum momento de frustração, nem mesmo durante as cutscenes com QTEs, que desta vez até me pareceram bem mais permissivos a pequenas falhas. A ver como eles se safaram com o Detroit: Become Human assim que o arranjar a um preço atraente.