The Walking Dead: The Final Season (Sony Playstation 4)

Bom, este último Walking Dead foi sem dúvida um parto difícil. A Telltale estava em dificuldades financeiras, eventualmente fechou e o projecto ficou a meio, pois tal como a esmagadora maioria dos restantes jogos do seu catálogo eram lançados num formato episódico, com os episódios a sairem ao longo de vários meses. Mas a vontade dos fãs, mas também dos criadores, era mesmo finalizar o jogo e fechar a já longa aventura de Clementine no apocalipse zombie, pelo que a Skybound Games, com vários dos elementos que trabalharam no jogo pela Telltale, decidiram acabar a obra que começaram. E ainda bem! O meu exemplar foi comprado no ebay por menos de 10 libras algures no antes do início da quarentena obrigatória pós-covid, em Março, mas apenas me chegou às mãos no início de Julho.

Jogo com caixa

A história decorre alguns anos após os acontecimentos vividos no A New Frontier, onde mais uma vez encarnamos na jovem Clementine, agora adolescente com uns 15, 16 anos, que se faz à estrada com Alvin Junior, também mais crescido. Começamos por explorar uma casa abandonada em busca de mais mantimentos, mas as coisas não correm lá muito bem, somos atacados e acabamos por ser resgatados por um grupo de outros adolescentes, que possuem uma comunidade numa escola abandonada, que originalmente recebia apenas jovens delinquentes. Mas a vida não vai ser fácil, pois há mais um conflito à espreita e uma vez mais Clementine terá de lutar pela sua sobrevivência, à medida que vai criando laços com os seus novos colegas e claro, ensinando o melhor que sabe ao seu pupilo Alvin Junior.

Tal como nos restantes jogos da série, as escolhas que tomamos vão tendo consequências tanto nos relacionamentos com as pessoas à nossa volta e por vezes para desenlaces bem mais graves

Tal como os restantes jogos desta série, este é, na sua essência, uma aventura gráfica onde poderemos interagir com cenários, objectos e outras pessoas. Todas as opções que vamos tomando, sejam nos diálogos, sejam algumas outras decisões chave em momentos de maior aflição, vão tendo algumas repercussões, desde nas relações entre as diferentes personagens, ou mesmo outras que ditarão a vida e morte de alguns intervenientes. No meio disso está a criança Alvin Junior, que temos sempre de ter o cuidado de a educar da melhor forma, seja com dicas de sobrevivência, seja com decisões morais mais sensíveis que tipicamente envolvem matar outros humanos. Sem dúvida que o crescimento de AJ como personagem é um dos pontos mais fortes de toda a narrativa!

Os quick time events são bastante dinâmicos, nada aborrecidos

Mas para além de toda a exploração e diálogos, teremos também algumas sequências de combate para atravessar. Muitas destas envolvem alguns quick time events que, tal como no seu predecessor, acabam por ser bastante dinâmicos e agradáveis. Mas também, noutras ocasiões, vamos mesmo ter de combater como se estivéssemos um jogo de acção. Teremos combates contra zombies em grupos, onde teremos de nos mover cuidadosamente para não sermos encurralados e os ir incapacitando e/ou matá-los. Ou outros segmentos com tiroteios onde temos mesmo de apontar e disparar! São sem dúvida algumas novidades benvindas, mas a sua implementação por vezes ainda deixa algo a desejar. Principalmente o botão de correr, dava jeito em momentos mais apertados que Clementine corresse mesmo, em vez de andar ligeiramente mais rápido. Ou as acções de incapacitar/matar, que por vezes não surgem quando nos aproximamos demasiado de um zombie.

Ocasionalmente vamos tendo maior liberdade de movimento nas sequências de acção

Do ponto de vista audiovisual, o jogo segue a mesma aposta no cell shading mas, não sei bem como explicar isto, devo dizer que gostei bastante do resultado nesta Final Season. Os visuais possuem um aspecto ainda mais próximo de uma banda desenhada que, como sabemos é o formato original da franchise The Walking Dead, mas devo dizer que gostei bastante do detalhe artístico e claro, das expressões faciais que estão de facto muito boas. O voice acting é uma vez mais muito bom e, no que diz respeito às músicas, temos aqui algumas músicas mais acústicas, com um cheirinho a folk moderno que também me agradaram imenso.

Graficamente o jogo está bem melhor que os seus antecessores

Portanto esta The Final Season é um jogo que acabou por me agradar, sejam pelos novos segmentos com mais acção livre, seja pelos audiovisuais mais arrojados ou pela óptima narrativa que fecha a saga de Clementine, agora com a jovem adolescente a servir de guardiã e exemplo para uma criança. Foi uma boa maneira de fechar um ciclo!

Hellblade: Senua’s Sacrifice (Sony Playstation 4)

Ultimamente, com o calor que se tem feito sentir, a minha vontade de jogar alguma coisa em plataformas mais modernas tem esvanecido, pois o calor gerado pelas consolas ou PC em jogar algo mais exigente também não ajuda nada. Entretanto, como houve aqui uma janela em que as temperaturas baixaram um pouco, aproveitei para pegar neste Hellblade da Ninja Theory, um jogo que sempre ouvi falar muito bem e, não sendo muito longo, foi a escolha perfeita. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Junho na Worten do Maia Shopping, depois de muito tempo esgotado, fiquei contente ao ver que voltou a exisitir em stock por 20€.

Jogo com sleeve e caixa

Nem sei bem por onde começar ao falar na história pois não quero mesmo estragar a experiência de quem o vier a jogar, mas basicamente controlamos Senua, uma guerreira de uma civilização Celta algures de uma ilha Escocesa que havia sido invadida por vikings e claro, muita gente morreu, incluindo o seu namorado, o que a deixou especialmente transtornada. Então acompanhamos Senua numa viagem por mundos vikings, onde procura entrar no domínio de Helheim, o reino dos mortos da mitologia viking, e tentar salvar a alma do seu companheiro. Mas o grande selling point do Hellblade era o facto de Senua sofrer graves problemas mentais, nomeadamente psicose, que a levava a ouvir várias vozes na sua cabeça, bem como ter alucinações ou outras deturpações visuais que, naturalmente irão ter um grande foco ao longo de todo o jogo.

Sim, este é um jogo bastante macabro!

No que diz respeito à jogabilidade, podemos dividi-la em duas frentes distintas: a exploração e o combate. Ao longo de toda a aventura iremos explorar diversos locais, como florestas, cavernas, fortalezas e aldeias, tipicamente devastadas pela guerra e repletas de cadáveres em todo lado, representando a violência dos vikings quando invadiam outros povos. Enquanto vamos explorando ocasionalmente teremos uma série de puzzles ou outros desafios para resolver de forma a podermos avançar na história. Muitos destes puzzles giram em torno da maneira “diferente” que Senua (e pessoas que sofrem de psicose) percepciona o mundo. Brincar com ilusões ópticas para mudar o ambiente à nossa volta ou procurar certos padrões visuais nos cenários (como as runas que teremos de encontrar para abrir certas portas) são bastante recorrentes. Mas ocasionalmente lá teremos de enfrentar alguns inimigos, tipicamente representações algo sinistras de guerreiros vikings.

Muitos dos puzzles que teremos de resolver andam à volta de ilusões de óptica e portais que distorcem a realidade

Tanto na exploração como no combate não temos qualquer tutorial que nos explique as mecânicas de jogo, indicação visual do caminho a seguir ou dicas de combate, a não serem as vozes que Senua ouve na sua cabeça, que são muitas vezes conflituosas, mas também nos vão dando bons conselhos, especialmente em combate. Estes decorrem com uma câmara muito próxima de Senua, o que não nos deixa ver se teremos algum inimigo nas nossas costas prestes a atacar, pelo que quando ouvirmos uma voz a avisar Senua que alguém nos está prestes a atacar pelas costas, só temos tempo de fazer dodge. Os botões faciais do comando da PS4 representam então os ataques fracos, fortes, pontapés (muito úteis para desarmar inimigos com escudos) e o tal botão para evadir. Os botões de cabeceira permitem-nos correr, defender ou a tal habilidade de focar, que é sempre necessária para resolver os puzzles de ilusões ópticas e no combate ganha outra importância acrescida. À medida que vamos conseguindo desferir golpes com sucesso nos inimigos, bem como evadir ou bloquear os seus golpes, um counter invisível vai-se acumulando e a certa altura podemos usar a habilidade de focar a nosso favor, ao abrandar toda a acção à nossa volta e deixar os inimigos mais vulneráveis aos nossos ataques. Alguns inimigos podem também ficar envolvidos em sombras deixando-os invulneráveis até que consigamos activar a habilidade de foco em combate, pelo que defender ou evadir são sem dúvida cruciais em todos os combates.

Durante o combate, quando vemos este objecto a brilhar na cintura de Senua, está na altura de activar o focus

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo desenvolvido com recurso ao motor gráfico Unreal Engine 4, pelo que poderão encontrar bons gráficos no geral. Mas eu confesso que gosto da mitologia, folclore e toda a cultura viking, pelo que fiquei agradavelmente surpreendido pela forma como a Ninja Theory conseguiu representá-la. Não só pelos seus cenários tipicamente devastados por conflitos, como as tais aldeias, fortalezas ou mesmo o que resta de uma grande batalha marítima, com navios vikings encalhados numa praia. Mas também por toda a narrativa, puzzles onde temos de procurar por runas ou mesmo aquelas pequenas histórias retiradas da sua mitologia que vamos ouvindo sempre que encontrarmos e interagirmos com alguns pedestais espalhados pelo jogo.

As animações faciais bem como o papel que a actriz aqui representou ficou qualquer coisa fora de série

Mas é mesmo na narrativa bizarra e esquizofrénica induzida pela doença mental de Senua que o jogo brilha ainda mais. Logo no início é-nos aconselhado jogar com um headset, pois o jogo inclui som 3D. Infelizmente não o fiz meramente por uma questão de logística pois não tenho nenhum headset wireless, mas percebo perfeitamente como poderia ter feito a diferença. A percepção de onde vêm os sons terá muita importância nos combates, visto que a câmara está muito próxima de Senua, e, como não nos permite ver todos os inimigos à nossa volta, ter a noção através do som 3D da sua localização daria muito jeito. Aliás, o confronto contra o Fenrir tornou-se bem mais difícil por eu apenas usar o som normal da TV. E depois claro, as diferentes vozes que Senua ouve a ecoarem pela nossa cabeça enriqueceria certamente uma experiência já por si muito bem conseguida.

O único coleccionável são estas runas, espalhadas ao longo do jogo e onde vamos aprendendo algumas lendas da mitologia nórdica

No fim de contas devo dizer que fiquei muito agradavelmente surpreendido por este Hellblade. Tal como a Ninja Theory lhe apelidou, é um jogo com os valores de produção AAA, mas com a liberdade criativa de um jogo indie. Não é um jogo que irá agradar a toda a gente, pois há quem se calhar preferisse um foco maior nos combates, já que estes apenas ocorrem em certos momentos da história e não há como voltar a repeti-los. É certo que no início tive alguma dificuldade a familiarizar-me com as mecânicas dos combates, mas na segunda metade do jogo já andava a distribuir pancada mais à vontade. E tanto a  direcção artística, como a narrativa e mesmo o próprio papel da Senua ficaram mesmo muito bem conseguidos. A ver como irão desenvolver a sua sequela, que terá certamente um maior orçamento.

Uncharted: The Lost Legacy (Sony Playstation 4)

Voltando às rapidinhas, mas agora na Playstation 4, vamos ficar com um breve artigo sobre o último (até agora) Uncharted lançado na PS4. Originalmente planeado como um DLC para o Uncharted 4, acabou por evoluir para um lançamento standalone em formato físico, contendo, no entanto, toda a componente multiplayer do próprio Uncharted 4. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa das minhas visitas à feira da Vandoma no Porto, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa e papelada

Nesta nova aventura, que decorre algum tempo após os acontecimentos narrados no Uncharted 4, possui como principais protagonistas a Chloe Frazer, que já nos tinha ajudado principalmente no Uncharted 2, e nada mais nada menos que a mercenária Nadine Ross, uma das principais antagonistas do jogo anterior. O jogo decorre em pleno coração da Índia, onde Chloe ambiciona continuar a pesquisa do seu pai no encalço da presa de Ganesh, um artefacto valiosíssimo e há muito perdido. Mas como é habitual na série, não vamos estar sozinhos nessa demanda, pois teremos forças rebeldes que também procuram o mesmo.

Apesar de menos variados, os gráficos continuam lindíssimos

Tal como na restante série, este jogo mantém a mesma identidade, pelo seu balanço entre exploração, puzzle solving, tiroteios com mecânicas cover based e algumas sequências de acção bastante intensas, mas num pacote menor. Teremos apenas 9 capítulos para percorrer, todos na Índia, se bem que continuamos com um grande número de segredos e coleccionáveis para descobrir, principalmente no quarto capítulo, que é uma grande área aberta onde podemos conduzir um jipe. Teremos algumas armas novas para experimentar, incluindo explosivos C4 que, ao contrário das granadas, poderemos preparar para montar emboscadas aos inimigos. De resto, tal como referi acima, este Lost Legacy inclui os mesmos modos multiplayer introduzidos no Uncharted 4, se bem que com mais mapas relativos às novas áreas de jogo.

Em vez de um scrapbook, Chloe usa o telemóvel para tirar fotos e talvez partilhá-las na sua conta do instagram assim que tiver sinal

A nível audiovisual, este é um jogo que partilha o mesmo motor gráfico do anterior, pelo que não contem com grandes novidades nesse aspecto. É menos variado a nível de cenários que os restantes jogos, pois decorre todo na Índia, tanto numa zona mais urbana, como nas habituais selvas e templos em ruínas. A narrativa, bem como as estonteantes sequências de acção ficaram uns furos abaixo dos jogos principais, mas ainda assim o seu nível de qualidade é bastante satisfatório. É bom ver a Naughty Dog dedicar um videojogo, se bem que mais pequeno, a personagens que sempre foram algo secundárias em jogos anteriores, ficando a conhecê-las melhor e ao seu passado. A dinâmica entre Chloe e Nadine também vai sendo muito bem explorada, tanto nos seus diálogos, como nos tiroteios, onde Nadine se revela bastante útil quando as coisas começam a apertar.

O quarto capítulo apresenta um mundo aberto que podemos explorar livremente e de forma algo não linear

Portanto, devo dizer que apesar de  ser um jogo mais curto e de certa forma mais contido, tanto na sua apresentação, como na narrativa ou sequências de acção, este Lost Legacy acaba por me satisfazer bastante. Prefiro de longe lançamentos como este (que já sairam originalmente para venda a um valor bem mais em conta), do que qualquer DLC manhoso como muitos que se vê por aí.

Uncharted 4: A Thief’s End (Sony Playstation 4)

Depois de ter terminado a trilogia original do Uncharted, comecei a jogar, embora de forma algo alternada, o Uncharted Golden Abyss da PS Vita e este Uncharted 4 para a Playstation 4. Enquanto o jogo da Vita é um capítulo secundário nas aventuras de Nathan Drake, este já é uma sequela a sério. E mesmo tendo jogado a trilogia original nas suas versões remastered para a PS4, o salto qualitativo deste Uncharted 4, mesmo comparando com os remasters dos anteriores, é de facto bastante notável. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado a um vendedor particular. É a edição limitada que traz um steelbook, um livro com artwork e foi comprado novo, por apenas 7€.

Edição limitada com caixa de cartão exterior, steelbook, artwork, papelada e autocolantes

A história leva-nos uma vez mais a explorar a vida de Nathan Drake em mais uma busca a um tesouro, desta vez o do pirata Avery, que aparentemente teria escondido uma fortuna de valor incalculável. É também um jogo onde iremos descobrir mais coisas do passado de Nathan Drake, nomeadamente a sua relação com o seu irmão Samuel Drake, que acaba por ter um grande foco na história do início ao fim. Até porque é o próprio Sam que convence Nathan a abandonar a sua então vida pacata para retomar a busca ao tesouro que começaram muitos anos antes. E claro, uma vez mais não estarão sozinhos nessa busca, pois teremos um exército de mercenários para enfrentar também.

Os combates corpo a corpo são mais brutais, e desta vez sem indicações no ecrã dos botões a pressionar no caso de contra ataque

No que diz respeito à jogabilidade, o básico é o mesmo que a série já nos tem habituado desde a trilogia original, mas acreditem ou não, o resultado é ainda melhor. Temos uma vez mais um excelente balanço entre sequências de acção over the top, a exploração e platforming, tudo associado a uma narrativa ainda mais bem escrita, que nos faz criar uma maior empatia entre todas as personagens principais. Os tiroteios, que continuam a assentar nas mesmas mecânicas cover based, possuem agora um maior foco na furtividade, ao dar-nos mais esconderijos, a possibilidade de “marcar” os inimigos, bem como sermos avisados se estivermos prestes a ser descobertos. Claro que podemos ignorar uma abordagem furtiva e entrar à Rambo, mas isso tem consequências, pois os inimigos são ainda mais agressivos e todos nos vão começar a flanquear e atacar de forma mais voraz que antes. Alguns deles, principalmente os soldados altamente armadurados, são autênticas esponjas de balas, mas felizmente já só perto da recta final é que os começamos a enfrentar. Os combates corpo-a-corpo foram também revistos e, apesar de os controlos serem practicamente idênticos ao que eram antes, agora não temos no ecrã a informação visual que nos avisa quando devemos contra-atacar um golpe inimigo. Teremos mesmo de observar os seus movimentos e agir correctamente quando necessário, algo que será absolutamente vital num certo encontro lá mais para a frente.

Ocasionalmente poderemos conduzir alguns veículos, como as belíssimas paisagens de Madagascar

De resto, tal como os anteriores, teremos à nossa disposição um grande arsenal de armas que poderemos descobrir e utilizar, embora apenas possamos carregar com uma arma leve, uma pesada e algumas granadas. Para além disso contem com alguns puzzles ocasionais, estes sinceramente achei-os um pouco mais desafiantes que os anteriores (e ainda bem!) bem como imensos coleccionáveis, muitos deles muito bem escondidos. Para além do modo história, que é sem dúvida mais longo que os anteriores Uncharted, teremos também um modo multiplayer competitivo que sinceramente não cheguei a perder tempo. Temos também um DLC com um modo co-op de sobrevivência, onde teremos de enfrentar diversas ondas de inimigos, mas também não perdi tempo com ele. A expansão The Lost Legacy acabou por ser lançada como um título standalone, pelo que o irei abordar separadamente, assim que o terminar.

O HDR é muito bem utilizado nos efeitos de luz

A nível audiovisual, tal como eu referi acima, já tinha achado os remasters da trilogia original com óptimo detalhe gráfico, mas quando peguei neste Thief’s End apercebi-me que de facto este Uncharted 4 é um jogo de uma geração acima. O nível de detalhe, tanto nas paisagens (que tal como nos anteriores até que são bastante detalhadas), como nas próprias personagens, os efeitos de luz, fogo, água e por aí fora são de facto de uma qualidade que deixam os Uncharteds da Playstation 3 uns bons furos abaixo. Quando comecei este jogo é que me apercebi que a maior parte dos títulos da PS4 que joguei até agora foram títulos que não foram necessariamente desenvolvidos a pensar nesta plataforma, pelo que me voltei a surpreender com o que esta máquina da Sony é capaz e que ainda tenho muito que jogar! De resto, o voice acting é excelente como antes e, tal como referi acima, os produtores conseguiram construir óptimos diálogos, que não só resultam bem nas cutscenes, como naquelas pequenas conversas que os protagonistas vão tendo ao longo do jogo. São diálogos que parecem completamente naturais e assentam muito bem à personalidade dos protagonistas.

O arsenal à nossa disposição é bastante vasto e teremos de o usar de forma inteligente nos diferentes combates que iremos defrontar

Portanto, este Uncharted 4 é um excelente jogo de acção, na minha opinião o melhor da série até ao momento, pois para além de ser uma produção excelente no campo audiovisual, narrativa e a fluidez com que a história se desenrola, possui também uma jogabilidade ainda mais refinada. Pena que tenham trocado alguns controlos, nomeadamente os botões de recarga e lançar granadas, que me levaram a desperdiçar alguns explosivos de forma bastante estúpida até me habituar.

Psycho-Pass: Mandatory Happiness (Sony Playstation 4)

Mais uma rapidinha a uma visual novel, desta vez para a PS4. Tal como o Xblaze: Code Embryo, este jogo também o comprei um pouco às cegas, mas desta vez infelizmente acabou por me desiludir bastante. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado online no site da NIS Europe algures durante o mês de Maio, tendo-me custado 8 libras.

Jogo com caixa e folheto publicitário do anime

Baseado no anime do mesmo nome, o jogo decorre no futuro, num Japão completamente isolado do mundo exterior. De forma a proteger os seus habitantes, o país está repleto de sistemas informáticos que estão constantemente a monitorizar os seus cidadãos e recolher dados biométricos que testam a sua sanidade mental e um coeficiente criminal. Se este for suficientemente alto, os cidadãos são considerados potenciais criminosos e serão apreendidos pelas autoridades, preferencialmente antes de cometer qualquer crime. Um pouco como no Minority Report! Nós iremos encarnar num de 2 detectives locais e ir desvendando alguns crimes, que por sua vez estarão ligados entre si e terão uma grande conspiração por detrás. Ora com esta sinopse, e com o visual mais maduro dos design das personagens, eu estava à espera de uma aventura mais negra e cyberpunk, o que acaba por não ser bem o que acontece. Apesar de serem tocados nalguns pontos sempre interessantes, principalmente porque estamos a caminhas a passos largos para uma vida em constante vigilância pelo Big Brother, a história acaba por ser mais ligeira do que eu esperava.

Antes de começar a aventura, temos de escolher qual o protagonista que queremos controlar

Mas o que mais me desiludiu, e tendo em conta que o jogo foi desenvolvido pelos mesmos criadores do Steins;Gate, é o facto de pouca coisa mudar na história mediante as diferentes ramificações que vamos explorando. Na minha primeira playthrough até gostei bastante, e ao longo do jogo teremos imensas escolhas para fazer que nos irão levar ultimamente a diversos finais distintos. Mas, apesar de introduzirem alguns textos e/ou cenas extra pelo meio (e claro, o final), o fio condutor da história principal permanece sempre o mesmo. Mesmo tendo em conta que podemos jogar com 2 personagens diferentes, a história também acaba por ser a mesma, mas com alguns pontos de vista distintos. Para além disso, quando exploro as diferentes ramificações em visual novels, costumo usar e abusar da funcionalidade de skip, que nos permite avançar texto que já tenhamos lido em playthroughs anteriores. Mas infelizmente, e principalmente no último capítulo, o skip nem sempre funciona, mesmo que 90% do texto que vamos ler seja idêntico a outras ramificações. É certo que nas opções podemos activar o force skip, que avança qualquer texto, tenha sido já lido ou não. Mas como eu quis ler as diferenças, isto acabou por tornar o jogo bem mais longo do que eu pretendia!

Visualmente a arte até que é bastante apelativa, embora eu estivesse à espera de algo mais dark.

De resto, para além da história que possui imensos finais distintos para alcançar, também temos um puzzle game para ir jogando quando nos apetecer. É daqueles típicos onde temos de juntar blocos da mesma cor e os pontos que vamos ganhando servem para “comprar” algum conteúdo de bónus assim que os desbloquearmos na aventura principal, nomeadamente alguns ficheiros de audio e sketches da arte do jogo. Ainda gastei umas valentes horas aqui também, só mesmo para conseguir desbloquear tudo o que o jogo tem para oferecer.

Ao longo do jogo teremos várias escolhas para fazer, que irão abrir diferentes ramificações na história e contribuir para um final específico.

A nível audiovisual, é um jogo que me deixa com uma opinião dividida. Os visuais são muito clean, futuristas e bem desenhados. Embora eu estava à espera de uma aventura mais noir, não posso dizer que não tenha gostado da direcção artística. Mas confesso que estava à espera de ver mais algumas animações no ecrã. Para além de expressões faciais, as personagens ficam estáticas no ecrã e nem sequer temos qualquer cutscene, o que é estranho pois o jogo é baseado num anime. O Xblaze que cá trouxe recentemente continua na linha da frente nesse campo! No que diz respeito ao som, nada a apontar ao voice acting que está totalmente em japonês tal como é suposto. As músicas são bastante diversificadas entre si, com algum rock, electrónica ou mesmo uns temas mais dark jazz que me agradaram bastante!

Portanto este Psycho-Pass Mandatory Happiness é uma visual novel que acaba por me desiludir, principalmente por ter sido desenvolvida pela mesma empresa que nos trouxe o Steins;Gate. Apesar de termos imensas escolhas para fazer (a começar por 2 personagens jogáveis) e vários finais para alcançar, a narrativa nunca diverge tanto quanto isso, o que torna o trabalho de alcançar os restantes finais mais frustrante sem necessidade.