Minecraft Story Mode (Sony Playstation 4)

Com o anúncio que os jogos da saga Minecraft Story Mode não só iriam desaparecer das lojas digitais para novas compras, mas também para re-download a quem já os teria comprado, apressei-me a jogar este primeiro jogo, cujo meu exemplar deste “season pass” foi comprado há uns meses atrás numa flea market por 5€. Um bom negócio, pensei eu na altura. E de facto lá fui eu colocar o disco na PS4, o primeiro episódio foi instalado, depois quando arranquei o jogo fui convidado a transferir os restantes. OK, até aqui tudo bem visto que os episódios ainda estavam disponíveis nos servidores da PSN. Mas ao olhar com mais atenção é que me apercebi que este “Season Pass” só dava direito aos primeiros 5 episódios deste jogo, que tem um total de 8. Ora sendo que tenho o “Season Pass”, seria de esperar ter acesso a todos os DLCs, até porque o segundo jogo, que saiu mais tarde, corresponde à Season 2. Mas não, se quisesse os últimos episódios poderia comprá-los com o preço promocional de 13€ ao comprar o “Adventure Pass”, ou então comprar em formato físico a edição “Complete Edition”, essa sim, supostamente já com todos os episódios pré-instalados no disco. Ainda tentei arranjar essa versão, mas os seus preços ainda estavam algo proibitivos, quer no mercado “normal”, quer no de usados, pelo que acabei mesmo por adquirir o Adventure Pass antes que ficassem indisponíveis na loja da PSN. Talvez tenha sido por jogadas destas que a Telltale Games abriu falência e sinceramente não fiquei com pena. Qual a piada de lançar 2 edições físicas para o mesmo jogo quando apenas a última está realmente completa??

Jogo com caixa e papelada

Mas pronto, avancemos para o que interessa. Como a maioria dos jogos modernos da Telltale, este é um jogo de aventura onde teremos de dialogar com NPCs, fazer algumas escolhas que alteram ligeiramente o progresso na história ou a forma como as outras personagens nos percepcionam. Para além disso vamos tendo algumas sequências de acção onde teremos vários quick time events pela frente e alguns puzzles para resolver que envolvem as mecânicas de jogo típicas do Minecraft, ou seja, recolher recursos a construir objectos que nos ajudam na aventura.

Como em muitos outros jogos da Telltale temos um tempo limite para os diálogos. Caso deixemos o tempo passar, é como se nos mantivéssemos calados, o que também é uma resposta válida.

Esta season 1 está dividida em dois arcos principais de história, o primeiro decorre ao longo dos primeiros 4 episódios, enquanto o segundo decorre ao longo da outra metade de jogo. No primeiro arco somos convidados a criar a nossa personagem principal, que tanto pode ser rapariga como rapaz e fazemos parte de um pequeno grupo de aventureiros que não é lá muito famoso. Este grupo começa por participar num concurso para a Comicon lá do sítio, onde a melhor construção será presenteada com a hipótese de conhecer Gabriel, um herói da Order of the Stone que tinha salvo o mundo anos antes, após derrotar um poderoso dragão. Entretanto coisas acontecem, uma poderosa criatura é invocada lá no evento que destrói por completo a cidade e absorve a maioria dos seus habitantes. Somos então comandados por Gabriel para procurar os restantes membros da Order of the Stone e tentar arranjar uma forma de destruir a criatura que fica mais poderosa a cada minuto que passa. O segundo arco da história ocorre após esse conflito, onde os jovens aventureiros são agora muito mais famosos e, em busca de um novo tesouro, vêm-se perdidos numa rede de portais para outros mundos. Cada um destes mundos tem uma nova aventura e eventualmente teremos também de arranjar maneira de voltar ao nosso próprio mundo. Sinceramente gostei bem mais da narrativa do primeiro arco.

A nível audiovisual é um jogo bem competente. Graficamente é um jogo fiel ao Minecraft, que possui visuais muito singulares, com um look bastante 3D retro e muito quadrado, algo que a Telltale reproduziu bem. O voice acting é bastante competente, nada a apontar aí, e a narrativa é, na maior parte, muito ligeira e amigável, o que se compreende visto ser um jogo para todas as idades. As músicas são também agradáveis.

Sendo este um jogo no universo de Minecraft, vamos ter de construir coisas também

Portanto, a nível de mecânicas de jogo este Minecraft Story Mode tem tudo o que podem esperar de um jogo da Telltale pós-The Walking Dead: diálogos cujas nossas escolhas para além de terem um tempo limite afectam o desenrolar da história, bem como a forma que outras personagens nos percepcionam, alguns puzzles para resolver, muitos deles usando as mecânicas de crafting do Minecraft e sequências de acção repletas de QTEs. As nossas escolhas afectam a história, mas não tanto assim. Muitas vezes as escolhas ditam quais os NPCs que nos acompanham, mas há pelo menos 2 escolhas que têm impacto directo na jogabilidade. Uma delas é logo no final do primeiro episódio e vai ditar a forma como começamos o segundo episódio. Aí temos mesmo 1 capítulo exclusivo à escolha que fizemos antes, mas podemos sempre usar a mecânica de rewind no primeiro episódio, tomar uma acção diferente e jogar o outro capítulo exclusivo. Mais para a frente acontece  algo semelhante pelo menos mais uma vez e aí sim, já compensaria usar um pouco mais as mecânicas de rewind para tomar decisões diferentes e explorar diferentes cenários. Devo dizer que fiquei algo curioso com a Season 2, mas é algo que apenas comprarei no futuro se realmente a edição física já tiver todos os episódios em disco. Telltale, não me voltam a enganar!

Destiny: The Collection (Sony Playstation 4)

Quando comprei a minha Playstation 4 algures em 2015/2016, o Destiny foi dos primeiros que comprei e joguei. O facto de ser um FPS com elementos de RPG e com uma vertente online muito forte, comprei-o mesmo numa de ir jogando em sessões esporádicas, enquanto ia jogando outros jogos de forma mais focada. Inicialmente tinha comprado uma compilação que já trazia todas as expansões até ao The Taken King (tinha sido um bom negócio numa CeX, onde me tinham garantido que o jogo tinha sido vendido selado pelo que os códigos para activar os DLCs ainda estariam válidos), mas algures no ano passado encontrei na Worten esta “The Collection” que trouxe ainda a última expansão “The Rise of Iron”. Custou-me algo em torno dos 13€.

Jogo completo com caixa e panfletos diversos

Confesso que nunca fui um grande fã de Halo, embora só tenha jogado os primeiros 2 e no PC. Mas admito que, para a época em que sairam, a sua vertente multiplayer tenha sido um grande sucesso na Xbox, mas eu sempre fui mais fã da campanha single-player. E o que este Destiny oferece é na verdade um misto dos dois mundos, mas já lá vamos. Em Destiny o jogo decorre algures no futuro, onde após séculos de prosperidade para a raça humana, que nos permitiu inclusivamente colonizar outros planetas do nosso sistema solar, como Vénus ou Marte, dá-se um colapso que deixou a humanidade na beira da extinção. Pelo meio, enquanto os sobreviventes humanos se regrupam na última cidade livre do planeta terra, várias outras raças alienígenas tomam de assalto as colónias terrestres abandonadas noutros planetas, bem como começam a invadir a Terra também.

Com a introdução da expansão The Taken King, novas subclasses podem ser desbloquadas. Para os Titans, temos os Sunbearers.

Como em muitos jogos online, começamos a aventura por construir a nossa personagem. Dispomos de três classes básicas – os Titans, especialistas em força bruta, os Hunters que são uma espécie de ninjas futuristas, sendo bastante ágeis e com uma jogabilidade que recompensa a precisão dos nossos ataques. Por fim temos os Warlocks, que conforme o nome indica são uma espécie de feiticeiros. Cada uma destas classes possui diferentes subclasses que podemos evoluir e que nos dão diferentes habilidades. Eu pessoalmente escolhi o Titan e a subclasse Striker, que me permitia dar socos poderosíssimos, bem como alguns outros poderes, à media que ia ganhando pontos de experiência.

Ao longo do jogo vamos desbloqueando vários hubs sociais onde podemos interagir com uma série de NPCs, seja para receber quests, seja para comprar/vender alguns itens

Depois vamos tendo várias quests e diferentes tipos de missões pela frente. Temos missões que progridem a história e que, podem ser jogadas cooperativamente com mais uns 2 ou 3 amigos, temos patrulhas que podemos percorrer em cada planeta, onde poderemos fazer algumas pequenas missões ou, tal como em muitos MMOs, participar nalguns eventos públicos que geralmente consistem em derrotar algum boss gigantesco com a ajuda de qualquer outro jogador que esteja nas redondezas. Ainda na campanha, vamos tendo também Strikes e Raids. Estas são missões pensadas exclusivamente para o cooperativo. Os Strikes são para ser jogados com 3 pessoas, já os Raids, maiores e com alguns puzzles, é suposto serem jogados por 6 pessoas. Agora o problema é que muito pouca gente joga o primeiro Destiny e muitas vezes começamos um Strike ou Raid sozinho. Enquanto os Strikes, se tivermos paciência e a nossa personagem estiver suficientemente evoluída, até os conseguimos passar sozinhos (muitas vezes outros jogadores acabam por se juntar à nossa partida mais à frente), já os Raids não há hipótese nenhuma de se completar sozinho. E eu infelizmente não cheguei a fazer nenhum raid pois já não consegui arranjar quórum suficiente.

No final de cada missão temos um sumário dos pontos de experiência que ganhamos, tanto para a personagem, como para cada peça de equipamento que tenhamos equipada, podendo desbloquear novas skills ou habilidades.

Com a adição das expansões The Taken King e The Rise of Iron (gostei bastante da campanha do Taken King!) para além das missões principais da campanha de cada expansão, vamos também desbloqueando outras quests mais à MMO, consistindo em visitar áreas já conhecidas e coleccionar uma série de itens, ou derrotar alguns bosses super poderosos. O problema é que para além de algumas dessas quests serem algo repetitivas, muitos desses bosses são fortes demais para um jogador apenas o conseguir derrotar, até porque temos um tempo limite para o fazer. Portanto, com a falta de jogadores activos no Destiny 1, houve muitas destas quests das duas últimas expansões que desisti de fazer, o que é pena, pois muitas delas desbloqueiam depois algumas missões adicionais que não conseguimos jogar de outra forma. Sobre o multiplayer PVP, temos vários modos de jogo competitivo, sejam variantes de deathmatch, ou baseadas em objectivos onde teremos de controlar uma série de zonas num mapa. Infelizmente também não cheguei a testar nenhum destes modos de jogo devido à falta de pessoas. Inicialmente não quis jogar PVP pois a minha personagem estava ainda muito debilitada, mas só neste ano é que realmente investi umas horas valentes no Destiny e quando estava pronto para testar o PVP não consegui jogar uma única partida devido à falta de gente. É triste.

A qualquer momento podemos activar o nosso Ghost, que nos vai relembrando dos objectivos actuais e a sua localização no mapa, para além de permitir chamar um veículo para nos deslocarmos mais rápido, ou teletransportar de novo para a nave.

A nível gráfico é um jogo excelente para a época em que saiu e temos de ter em conta que o mesmo foi desenvolvido com a X360 e PS3 como plataformas base. Gosto bastante dos diferentes ambientes que exploramos, sejam as ruínas do Cosmodrome na Rússia, colónias humanas e cavernas tenebrosas dos the Hive na Lua, as ruínas de uma colónia avançada em Vénus, tomadas de assalto pela poderosa ameaça robótica dos The Vex, entre tantas outras! O jogo está repleto de pequenos momentos que me agradaram bastante, como é o caso dos ecrãs de loading, que são essencialmente pequenas cutscenes da nossa nave a sobrevoar a superfície de planetas ou a viajar a altas velocidades entre os diferentes planetas do nosso sistema solar. As músicas também variam desde o mais épico, pomposo e orquestral – perfeito quando combatemos em situações críticas, tenebrosas e tensas nalgumas alturas, ou, quando viajamos naqueles ecrãs de loading, conseguem ser tão pacíficas e relaxantes que só quero é que o loading demore um pouco mais.

Como muitos MMOs, por vezes surgem eventos públicos como bosses gigantes que qualquer jogador que se encontre lá perto pode enfrentar. Pena que já não hajam tantos assim como neste screenshot.

Portanto, este Destiny é um jogo que confesso que me divertiu, mesmo não sendo eu um grande fã de MMOs e afins. Mesmo com pouca gente a jogar hoje em dia, ainda deu para fazer todas as missões principais do modo história, a maioria dos Strikes e algumas quests adicionais. Tudo o resto já se torna muito difícil de obter (ou aborrecido) devido ao jogo já não ter tantos jogadores activos quanto isso. Mas ainda assim consigo ver porque foi um jogo de sucesso na altura que saiu. Todo o loot que podemos obter e customizar para a nossa personagem é impressionante, para além de toda uma série de itens cosméticos que podem comprar se isso for a vossa cena. Talvez compre o Destiny 2 no futuro pois gostei da história em geral deste Destiny e estou curioso em ver como a evoluiram, Fico no entanto a aguardar por uma compilação que já traga todas as expansões (não me enganam mais como o The Taken King Legendary Edition!).

Vampyr (Sony Playstation 4)

Tirando uma ou outra partida de Destiny, já há algum tempo que não pegava na PS4, e eu com um backlog cada vez maior para essa plataforma. Então no mês passado lá me decidi a experimentar este Vampyr, jogo que tinha ficado com vontade de experimentar desde que o comprei. E quando foi isso? Foi nas promoções de Black Friday da Worten, que fez descontos na compra de packs de 3 jogos. Já não me recordo ao certo quanto este ficou, mas terá sido algo na volta dos 20€.

Jogo com caixa

Produzido pela Dontnod, os mesmos por detrás de Remember Me e Life is Strange (mais dois jogos que tenho em backlog), este é um RPG de acção muito interessante, passado em plena capital Britânica, algures em 1918, por alturas em que a primeira Guerra Mundial ainda se desenrolava, bem como o fortíssimo surto de gripe espanhola que ceifou muitas vidas em todo o mundo. A nossa personagem é o médico Jonathan Reid, que tinha acabado de regressar de França, após combater na Guerra. Mas eis que coloca um pé de volta em solo britânico quando é atacado, aparentemente mordido por alguém. A aventura começa precisamente com Jonathan a acordar numa vala comum repleta de cadáveres (Londres era uma cidade em quarentena devido à epidemia de gripe) e, bastante fraco e com a visão turva devido à sua sede de sangue, Jonathan acaba por inadvertidamente atacar a sua irmã, matando-a. Confuso e furioso consigo mesmo, Jonathan procura por respostas para o que lhe aconteceu, sendo que logo em seguida é acusado de ele mesmo ser um vampiro por umas milícias que por lá passavam.

Ao combater os inimigos também podemos medir a quantidade de vida e de stamina (barras cinzentas, abaixo) que lhes restam

Entretanto coisas acontecem e acabamos por ficar a trabalhar num Hospital, gerido por um médico que pertence a uma Ordem secreta que estuda precisamente os vampiros. Aí vamos começar a explorar a cidade à nossa volta, interagindo com uma série de personagens, de forma a descobrir quem nos transformou em vampiro e porquê, bem como resolver o problema da epidemia Londrina, que neste momento é bem pior que uma mera gripe, pois muitos dos seus habitantes estão também a serem transformados em Skals, uma espécie de vampiros mais fracos, fisicamente deformados, e tipicamente extremamente selvagens. Vamos conhecer pessoas de todos os estratos sociais, com diferentes personalidades, segredos a encobrir e claro, muitos mais vampiros londrinos também.

O jogo assenta numa premissa interessante: Se formos um vampiro bom e não sacrificarmos inocentes, a nossa personagem evolui de uma forma bem mais lenta, e saliento o beeeeem mais lenta. Se quisermos alcançar o melhor final do jogo teremos de seguir por esta via, o que nos vai levar muitas vezes a defrontar inimigos que estão num nível muito superior ao nosso, às vezes até 10 níveis acima. Isto obriga-nos a encarar cada combate de forma muito cuidada, estudando os inimigos, vendo como se movimentam e usar as nossas habilidades da melhor forma. O pior é contra os bosses, aí lá teremos muitas tentativas pela frente! Durante o combate, temos de ter em atenção às nossas 3 barras de energia que aparecem no canto superior esquerdo do ecrã: a primeira é a nossa barra de vida, a segunda é a barra de stamina, cuja esvazia sempre que atacamos, esquivamo-nos ou corremos, mas vai-se restabelecendo à medida em que paramos alguns segundos. A última barrinha corresponde ao nível de sangue que carregamos. O sangue é necessário para activar as nossas habilidades de vampiro, pensem como se mana se tratasse. Ao atordoar os inimigos podemos mordê-los, absorvendo parte do seu sangue para nós.

Ao pressionar o botão L3 activamos os sentidos de vampiro, que pressentem presenças à nossa volta

À medida que vamos avançando no jogo vamos poder então evoluir o Dr. Reid numa série de parâmetros. Podemos melhorar a nossa condição física, seja ao extender cada uma daquelas barras de energia, aumentar a quantidade de sangue que conseguimos absorver em cada mordida, ou mesmo a força da mordida. Podemos também desbloquear e evoluir várias habilidades vampíricas, desde habilidades ofensivas que tanto podem se focar em dano de luta corpo-a-corpo, dano de sangue ou sombra, sendo que os inimigos têm todos resistências e fraquezas para este tipo de danos. Temos habilidades defensivas como a criação de barreiras, ou a capacidade de nos mordemos a nós próprios e nos curarmos um pouco. Para ataques normais, podemos equipar uma série de armas brancas, sejam facalhões, bastões, machados ou mesmo uma grande ceifa, mas também podemos equipar algumas armas de fogo como revólveres e shotguns. Ao longo do jogo vamos encontrando também vários objectos que podem ser usados em crafting, seja para melhorar a performance das nossas armas (acreditem que faz uma diferença brutal), criar soros que nos regeneram a vida, fadiga ou nível de sangue, ou mesmo medicamentos. Hum? Medicamentos? Sim, Jonathan é um médico e aqui teremos também de cuidar dos cidadãos inocentes, o que me leva a abordar mais um ponto interessante deste Vampyr.

Por vezes sente-se a falta de algum mecanismo de fast travel entre localizações.

Ora vamos para os NPCs. Estes são personagens importantes, não só porque enriquecem o universo do jogo e a sua narrativa, até porque podemos (e devemos) dialogar com eles, descobrindo segredos do seu passado, inclusivamente desbloqueando algumas sidequests. Ocasionalmente também ficam doentes, pelo que devemos curá-los se pudermos. Isto é importante caso queiramos seguir pelo caminho do vampiro bom ou vampiro mau, por diferentes razões. No primeiro caso, porque ao descobrir os seus segredos, completar as suas sidequests e curá-los dá-nos pontos de experiência que são valiosíssimos a uma personagem que anda sempre a correr atrás do prejuízo. Para além disso, manter os cidadãos sãos, mantém os distritos onde habitam também livres de infecções. Se deixarmos as pessoas adoecer, as suas doenças podem evoluir para uma doença mais grave (por exemplo, constipação -> bronquite -> pneumonia) e os pacientes podem morrer. Isso pode tornar a classificação dos distritos como crítica, o que pode levar ao desaparecimento de todos os cidadãos sendo substituidos por criaturas perigosas.

No caso de sermos um vampiro mau e quisermos matar os cidadãos, fazer tudo o que referi acima também é importante porque isso melhora a sua qualidade do sangue, traduzindo-se em mais pontos de experiência. Agora para vocês perceberem bem a diferença entre matar cidadãos inocentes ou não, um inimigo comum, seja ele em nível 5 ou 32, dá-nos sempre 5 (cinco) pontos de experiência. Cumprir as quests principais ou sidequests pode dar algumas centenas (poucas) de pontos, curar cidadãos dá-nos 25 pontos de experiência. Mas matar um deles? Milhares de pontos de experiência. É de facto uma diferença gritante, e na minha opinião injusta. Até porque ao longo do jogo atacamos muitos inimigos humanos, porque raio esses só dão 5 pontos de experiência? E os pontos de experiência serem os mesmos sejam eles fortes ou fracos? É uma das coisas que para mim infelizmente não faz sentido.

Temos várias skills diferentes onde gastar os nossos preciosso pontos de experiência

Outras são também duras, e impactam mais quem está underleveled. Quando morremos, na verdade o jogo não recomeça apenas do último checkpoint como se nada fosse. Todas as munições e itens regenerativos que gastamos desde o checkpoint são perdidas, assim como o nível de sague. Isto é muito chato até porque as munições são escassas, assim como os ingredientes para produzir os soros, ou mesmo dinheiro para os comprar. No entanto se pensarmos que somos um vampiro, imortal, que na verdade está apenas a “acordar” de novo para a vida, é normal que assim seja. Outro aspecto a ter em conta, também ligado ao sistema de progressão de jogo é o ciclo de noites. Nós vamos ganhando pontos de experiência que ficam acumulados e a única forma de evoluir é passar a noite num abrigo. Aí podemos distribuir os pontos de experiência pelas classes que quisermos evoluir, sendo que também vamos subindo de nível, aumentando os nossos stat points no geral também. Acontece que ao dormir, o tempo avança para a noite seguinte, os inimigos que derrotamos fazem respawn, cidadãos ficam doentes, e os que já estavam doentes na noite anterior e ficaram por ser atendidos, correm sérios riscos da sua doença agravar, podendo até morrer se já tiverem uma doença das mais graves. Para além disso, algumas sidequests que ficarem por completar, nomeadamente as quests onde temos de salvar alguém, também falham automaticamente, matando o NPC em questão.

Interagir com as personagens e desvendar os seus segredos torna o seu sangue mais “valioso”, traduzindo-se em mais pontos de experiência se decidirmos matá-los mais tarde.

Portanto, de um ponto de vista de jogabilidade, este é um jogo onde temos de ser muito disciplinados, tanto na forma como combatemos os oponentes, principalmente se estamos a seguir o caminho bom, bem como na gestão do bem estar dos cidadãos comuns. Depois temos todos os diálogos onde algumas das nossas escolhas acabam por ser bastante importantes para o desenrolar da história. As decisões importantes são sempre marcadas com um ícone Y no centro das escolhas, pelo que temos de pensar bem no que responder. É que o jogo faz auto-save logo após a nossa escolha e caso queiramos voltar atrás, só mesmo recomeçando o jogo. Algo que eu tive de fazer pelo menos uma vez ao decidir o destino de uma certa Dorothy Crane… Isso ou habituem-se a fazer backups dos saves, o que para quem está a jogar isto numa PS4 não é assim tão cómodo quanto isso.

No que diz respeito aos audiovisuais, não me posso queixar muito. Visto que jogamos sempre à noite, não há uma grande variedade visual, mas gosto bastante da forma como representaram a cidade de Londes em 1918, parece-me muito próxima da realidade desses tempos. Tenho pena, no entanto, que as cutscenes ou usem o motor gráfico do jogo, ou apenas algumas imagens estáticas a ilustrar o que está a ser narrado. A produção poderia ser um pouco mais limada nesse aspecto. O voice acting no entanto, devo dizer que gostei bastante. As músicas são muito minimalistas, ambientais e muitas vezes dissonantes e desconcertantes, o que cai que nem uma luva à atmosfera que o jogo tenta transparecer.

Muitas vezes temos escolhas para tomar nos diálogos, mas apenas as que são marcadas com um Y no centro são escolhas importantes e que podem ter consequências diferentes

Portanto, mesmo com algumas falhas, ou escolhas de design que resultam numa experiência muito imbalanceada para quem quiser seguir o caminho “bom”, devo dizer que gostei bastante deste Vampyr. Ah, e para quem quiser seguir o caminho “mau” e limpar o sebo a toda a gente de facto torna o jogo muito mais fácil, excepto o boss final, que é tão forte consoante o número de inocentes que matamos. Yep, até esses jogadores merecem sofrer um pouco!

Game of Thrones: A Telltale Game Series (Sony Playstation 4)

Já há muito tempo que não jogava nada na minha Playstation 4. Tenho andado a dar uns tiros no Destiny, mas ainda estou longe de lhe chegar ao fim visto que tenho as expansões quase todas ainda por finalizar. Aproveitei então para mudar de ares e pegar em mais um título da Telltale que tinha em fila de espera já há muito. Na verdade tinha-o para o steam já há algum tempo, mas visto que no mês passado arranjei um selado para a PS4 por 7€, acabei por pegar antes nessa versão.

Jogo com caixa. Este infelizmente nem um folhetozinho trouxe.

Depois do sucesso de Walking Dead, a Telltale repetiu aquelas mecânicas de jogo noutras obras como Wolf Among Us, Tales of the Borderlands, ou este Game of Thrones. A história deste jogo começa com os eventos do Red Wedding, onde encarnamos no jovem Gared Tuttle, escudeiro de Lord Gregor Forrester, uma importante família do Norte de Westeros e aliada dos Starks. Quem for fã da série/livros sabe perfeitamente o que aconteceu nesse casamento, pelo que muita gente morre e a família Forrester fica em muito maus lençóis. Ao longo dos 6 capítulos que compõe este jogo, iremos encarnar em Gared e vários outros membros da família Forrester, de forma a tentar a assegurar a sobrevivência e independência daquela Casa.

Mais uma vez a Telltale aposta num sistema de lançamento por episódios. No disco temos os primeiros 5, com o último a ser necessário fazer o download.

As nossas personagens vão estar espalhadas em vários pontos daquele mundo. Tanto mantemo-nos a norte nos conflitos com os Bolton e Whitehill, ou mesmo a norte do muro, onde outros perigos espreitam. Temos a jovem Mira Forrester em King’s Landing, como auxiliar de Margaery antes desta ser coroada rainha, ou o Asher Forrester nas terras mais solarengas de Essos, mesmo antes de Daenerys conquistar Mereen. Vamos, portanto, interagir com algumas das principais personagens da série como Cersei, Tyrion, Jon Snow e as já referidas Daenerys e Margaery.

Tal como já referido, este jogo herda algumas das mecânicas introduzidas em Walking Dead. É na sua essência uma aventura gráfica, onde os diálogos têm especial relevo, pois temos um tempo limite para responder com uma resposta previamente definida e atribuida a cada um dos botões faciais da PS4. Cada resposta que damos tem, ou pode ter, consequências e implicações diferentes na história e pode influenciar as relações entre personagens, ao favorecer uns perante outros. Pode também ditar a vida ou morte de alguns dos nossos companheiros ou de certa forma a maneira que a história prossegue. Não escolhendo nenhuma resposta é também uma resposta e mais uma vez pode ter consequências.

Muitas das escolhas que fazemos alteram um pouco o rumo da história ou a maneira como nos relacionamos com outras personagens.

Fora isso, vamos tendo ocasionalmente a possibilidade de explorar os cenários onde estamos, seja em busca de pistas ou começando outros diálogos com outras personagens. Também tal como o Walking Dead vamos tendo os momentos de acção que são practicamente quick time events onde teremos de pressionar uma série de botões à medida em que vão surgindo no ecrã indicações para tal.

Mas vamos ao que interessa. A sua narrativa está muito bem conseguida, temos aqui (quase) tudo o que um fã de Game of Thrones pode querer. Temos as escolhas por vezes difíceis, os interrogatórios de grande tensão onde sentimos sempre que a cada passo podemos ficar sem cabeça, a intriga política com as suas reviravoltas do costume e claro, a violência. Só falta mesmo é outra coisa que faria com que este jogo tivesse um rating parental mais restrito…

Temos também alguns momentos de acção, caracterizados por QTEs até relativamente simples.

De resto a nível técnico o jogo possui um voice acting extremamente competente, até porque para aquelas personagens mais conhecidas, parece-me que conseguiram recrutar os actores que as representam na série televisiva. As músicas são também épicas ou mais contidas naqueles momentos de maior tensão e a nível gráfico… bom, o jogo usa aquele cell shading característico que também é usado nos Walking Dead, se bem que aqui está um nadinha mais realista. Em certas alturas acho que resulta muito bem, já noutras nem por isso. No entanto as expressões faciais estão mais uma vez bem conseguidas.

Portanto se gostarem de Game of Thrones e dos Walking Dead da Telltale, com os seus diálogos tensos e com decisões por vezes difíceis para tomar, então experimentem este jogo! Infelizmente a história ficou ali num cliffhanger jeitoso e a sequela acabou por ser cancelada, o que é uma pena até porque a Telltale também fechou portas. A ver se alguém dará continuidade a isto no futuro.

Killzone Shadow Fall (Sony Playstation 4)

killzone_shadow_fall_boxKillzone Shadow Fall foi um dos jogos de lançamento da PS4, e tendo eu até gostado dos seus predecessores, não poderia falhar este jogo também. É um novo capítulo na série, 30 anos após os acontecimentos narrados nas prequelas, que culminaram com a destruição do planeta Helghan. A ISA decidiu então albergar os sobreviventes no seu planeta Vekta, dividindo-o a meio com uma muralha gigantesca. Naturalmente as tensões continuavam altas entre ambas as facções e eventualmente novos conflitos voltam a ocorrer. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide, algures no início do verão de 2016. Custou-me cerca de 12€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e panfletos, já que manuais nesta geração são uma miragem.
Jogo com caixa e panfletos, já que manuais nesta geração são uma miragem.

Shadow Fall continua a tradição de um first person shooter futurista, mas com algumas novidades. Por um lado muito do armamento antigo volta a marcar cá a sua presença, embora com algumas modificações nas armas. Por outro temos o OWL, um pequeno drone que nos acompanha ao longo de practicamente todo o jogo e pode ser usado para nos auxiliar em várias circunstâncias. A função mais importante é a de ataque, onde o podemos mandar para um grupo de inimigos e o drone enfrenta-os por nós, o que nos pode ajudar bastante em manobras de distracção. Por outro lado temos de ter em conta que o OWL possui também uma barra de energia que vai sendo diminuída à medida que leva fogo inimigo. Quando se esvazia, o drone volta para nós e fica a recarregar em background. Isto também tem de ser tido em conta pois quando levamos com bastante dano e ficarmos incapacitados, o drone pode-nos ressuscitar se tivermos connosco algum medkit. No entanto, se o drone estiver a ser recarregado então nada podemos fazer e teremos de recomeçar do checkpoint.

Uma das outras funcionalidades que temos é a possibilidade de fazer um scan à area que nos rodeia, mostrando a posição dos inimigos e de alguns itens
Uma das outras funcionalidades que temos é a possibilidade de fazer um scan à area que nos rodeia, mostrando a posição dos inimigos e de alguns itens

O OWL pode também ser usado para outras funções, como as de disparar uma descarga electrostáctica, atarantando momentaneamente os inimigos. Isso é também útil para incapacitar temporariamente drones ou robots inimigos de nos atacarem, bem como a de destruir escudos. Outra das funções do OWL é a de criar precisamente um escudo para nos proteger do fogo inimigo, ou ser usado como gancho de forma a fazer slide para plataformas que estejam bem abaixo de nós. O drone pode ainda ser usado para interagir com computadores e outros terminais, seja para obter informação necessária para progredir no jogo, ou desactivar alarmes inimigos. Aliás, durante todo o jogo é notório que há toda uma atmosfera diferente em torno das missões. Enquanto que nos anteriores jogávamos num clima de guerra aberta e muitas das missões faziam parte de campanhas militares, onde até tinhamos a companhia de soldados NPCs, aqui a maior parte das missões são mais de infiltração, num ambiente bastante tenso entre as forças da ISA e os Helghast.

Neste jogo a história leva-nos a um ambiente de Guerra fria, onde a maior parte das missões são para prevenir conflitos maiores.
Neste jogo a história leva-nos a um ambiente de Guerra fria, onde a maior parte das missões são para prevenir conflitos maiores.

De resto a jogabilidade é a típica de um first person shooter, a Guerrilla Games não reinventou a roda e sinceramente nem era preciso. Existem alguns segmentos novos, como aquelas partes jogadas em pleno espaço e sem gravidade, ou a última missão, jogada com um outro protagonista que não a personagem principal, que possui uma jogabilidade completamente furtiva. Foi uma missão que me deixou com um sabor algo agridoce, pois por um lado não usamos o OWL, mas sim algumas habilidades furtivas, como a possibilidade de ficar temporariamente invisível (embora as câmaras de segurança nos consigam detector), ou a possibilidade de usar spider bots para precisamente destruir câmaras de segurança. A primeira parte da missão gostei bastante, mas a última foi um martírio para a completar. Quem jogou este Killzone provavelmente terá a mesma opinião que eu. Basicamente temos de percorrer uma cidade de forma completamente despercebida, evitar sermos descobertos por civis, militares ou câmaras de segurança e tudo dentro de um tempo limite de aproximadamente 3 minutos e meio. Até aí tudo bem, mas o mecanismo de camuflar não funciona tão bem assim e com os soldados 100% alertas torna o objectivo final bastante difícil. Se formos descobertos uma vez, muito dificilmente conseguiremos recuperar. Mas eventualmente lá consegui fazer o que era pretendido e terminei o jogo.

Existem várias variantes de jogo no multiplayer. Infelizmente é coisa que não tenho tempo para explorar
Existem várias variantes de jogo no multiplayer. Infelizmente é coisa que não tenho tempo para explorar

Temos também vários modos de multiplayer à disposição, embora sinceramente não tenha perdido nenhum tempo com eles. Pelo que entendi, para além de vários modos de jogo como o team deathmatch, variantes do capture the flag ou modos de conquista de objectivos, existem também várias classes com diferentes habilidades e afins. Para além disso existe um modo de jogo co-operativo na forma do DLC Intercept, que obviamente também não testei porque não o comprei. Pelo que investiguei é uma espécie de Left 4 Dead contra Hellghasts… De resto existem vários outros DLCs, alguns gratuitos, como mapas extra para o multiplayer, outros coisas inúteis como novas skins e afins, mas é o mercado que temos…

De resto, no ponto de vista audiovisual, Shadow Fall é um jogo naturalmente bastante competente. Quando os primeiros trailers foram revelados e mostraram aquelas cidades de Vekta tão imponentes e detalhadas, mostravam também o poder de processamento que a PS4 possuía. Acho que é um jogo com gráficos bem competentes, embora sinceramente acho que estamos a atingir um patamar tal, em que não vale a pena estar a focar demasiado nos gráficos, pois nos jogos AAA para estas consolas, se há coisa que os developers vão fazer bem, é precisamente todo o eye candy. E este Killzone a meu ver cumpre bem com o seu propósito. As músicas também vão sendo épicas como se quer e o voice acting parece-me competente. No entanto, sinceramente não achei que a história fosse tão boa assim. Talvez se me tivesse dado ao trabalho de procurar todos os coleccionáveis (comics, logs de texto e áudio, páginas de jornal, etc), talvez me conseguisse envolver mais na história. Assim já nem tanto, pois fiquei com a sensação que aquela relação entre o Kellan e o comandante Sinclair e o escalamento dos conflitos ficou muito forçada com o decorrer das coisas.

Graficamente é um jogo competente que mostra o poder da nova geração de consolas. Agora se era algo realmente necessário em 2013, bom, isso é outra história.
Graficamente é um jogo competente que mostra o poder da nova geração de consolas. Agora se era algo realmente necessário em 2013, bom, isso é outra história.

Posto isto, acho este Killzone Shadow Fall um FPS bem competente para quem for fã do género. Possui os seus altos e baixos, na minha opinião não é tão bom quanto os anteriores até porque os Helghast, aqueles space nazis que tão intimidadores eram nos jogos anteriores, não me pareceram tão ameaçadores assim neste jogo. Mas ainda assim é um jogo bastante competente e felizmente vai ser daqueles que certamente irá ser encontrado ao desbarato no futuro.