Para acabar o ano, o artigo de hoje será mais uma rapidinha. Depois do abandono por parte da Bizarre Creations da alçada da Psygnosis, o outrora gigante britânico teve de subcontratar uma equipa para desenvolver o Formula 1 98, jogo esse que teve um desenvolvimento algo atribulado e, apesar de não ser mau de todo, não teve uma recepção tão boa por parte do público. No ano seguinte a Psygnosis recorreu a um outro pequeno estúdio britânico que já havia colaborado com eles no passado, o Studio 33, que acabou por também ficar responsável não só por este, mas pelos seguintes jogos de Formula 1 na primeira Playstation. O meu exemplar foi comprado algures em Janeiro de 2018, numa das minhas idas à feira da Vandoma, tendo-me custado 4€.
Jogo com caixa, manual e um disco bónus com demos
Este jogo é então baseado na época de 1999-2000 de Formula 1, contendo todos os circuitos, equipas e pilotos oficiais dessa época, incluindo pela primeira vez o canadiano Jacques Villeneuve, que não havia cedido os seus direitos de imagem em muitos outros jogos anteriores. A nível de modos de jogo, bom o arcade que esteve presente nos dois jogos anteriores foi completamente à sua vida, pois aqui apenas temos a opção de participar em corridas ocasionais, ou tentar o modo temporada completo, onde teremos de escolher uma equipa e piloto para representar e participar ao longo de toda a temporada de 1999, que inclui um dia de treinos, outro para a prova de qualificação e finalmente a corrida em si.
Graficamente é um jogo muito bem conseguido para uma PS1 e isso nota-se bem no circuito do mónaco, por exemplo
A nível de mecânicas de jogo, os controlos parecem-me estar melhores que no anterior e o jogo oferece imensas opções de customização, não só para activar ou desactivar algumas regras de jogo, como a implementação do sistema de bandeiras ou o número de voltas necessário, bem como outras opções como o desgaste dos pneus, consumo de combustível, o sistema de dano físico nos carros ou mesmo as condições metereológicas. Com isto tudo activado, o jogo torna-se bem mais desafiante pois teremos sem dúvida que fazer uma gestão do carro mais cuidada e ir às boxes ocasionalmente, o que nos poderá causar algumas dores de cabeça. Como seria de esperar podemos também customizar o carro de corrida para corrida.
As diferentes condições metereológicas marcam uma vez mais presença, com bonitos efeitos
A nível de apresentação o jogo deu um passo em frente, a começar logo pelos menus, que estão visualmente muito mais apelativos e intuitivos. Nas corridas em si, não só os carros e as pistas parecem-me ter ainda mais detalhe que nos jogos anteriores, bem como a performance não parece ter sido afectada. O pop-in dos cenários serem “construídos” à nossa frente existe (como é normal em practicamente todos os jogos de consola desta época), mas está muito reduzido. Os comentários continuam presentes e dão outra vida às corridas. Já as músicas, agora temos muito menos que nos jogos anteriores, apenas existem no início e fim do jogo, por algum motivo.
Portanto este Formula 1 99 acabou por se revelar numa boa surpresa. Por um lado retiraram algum conteúdo como a variante arcade, se bem que a Psygnosis iria lançar 2 anos mais tarde um jogo de Formula 1 exclusivamente de mecânicas arcade, por outro lado investiram mais na apresentação do jogo e os seus controlos, resultando numa agradável experiência. É também de referir que este Formula One 99 acabou também por ser lançado no PC, algo que não tinha acontecido no anterior.
Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, mas agora na primeira Playstation, vamos ficar com mais um jogo da série Formula 1, publicada pela Psygnosis. Enquanto os 2 jogos anteriores, que tinham sido recebidos com muito entusiamo pela imprensa e público geral, foram desenvolvidos pela Bizarre Creations, estúdio que nos trouxe mais tarde jogos como Metropolis Street Racer para a Dreamcast e a série Project Gotham Racing para as consolas Xbox, por esta altura eles decidiram desvincular-se da Psygnosis pelo que o estúdio britânico teve de arranjar um outro estúdio para desenvolver este novo jogo. O mesmo acabou entregue à Visual Sciences, que não teve muito tempo para acabar o jogo. O meu exemplar foi comprado no mês passado na loja Games ‘n Stuff, tendo-me custado uns 4€.
Jogo com caixa e manual
No que diz respeito aos modos de jogo, este Formula 1 98 herda os mesmos do seu predecessor, pois tanto podemos correr em corridas singulares, experimentar os desafios do modo arcade, ou uma temporada completa, onde começamos por escolher um piloto e equipa e teremos de enfrentar todos os circuitos da temporada de Formula 1 de 1998, onde infelizmente o nosso do Estoril já não estava presente. Todas as pistas, construtores e pilotos estão devidamente licenciados, excepto uma vez mais o Jacques Villeneuve, que já tinha os seus próprios direitos de imagem, sendo aqui representado como “Williams Driver 1”.
Tal como o seu predecessor, temos efeitos meteorológicos e de dano nos carros
No que diz respeito ao multiplayer, este agora permite até 4 jogadores em simultâneo, com recurso ao multi tap ou a cabos de ligação entre 2 Playstations. No modo Grand Prix, antes de competir em cada circuito podemos não só participar em provas de treino, qualificação e por fim as corridas em si, como também poderemos customizar vários detalhes do nosso carro. Nas opções poderemos ainda customizar mais o jogo em si, como a randomização de condições metereológicas, activar ou desactivar o desgaste de pneus, consumo de combustível ou os danos nos carros.
O modo arcade é bastante divertido, onde acima de tudo temos de passar nos vários checkpoints dentro do tempo limite.
A nível gráfico, bom os circuitos continuam com um nível de detalhe bastante competente, mas ainda com vários problemas de pop-in, o que era normal nas consolas desta geração. Os cenários e carros, no entanto parecem-me ter um pouco menos de detalhe do que no jogo anterior, pois a Visual Sciences decidiu refazer um motor gráfico do zero, em vez de reaproveitar o mesmo que a Bizarre Creations já tinha construído. No que diz respeito à parte sonora, temos uma vez mais os mesmos comentadores britânicos a mandarem os seus bitaites e algumas músicas nos menus e afins.
Portanto este Formula 1 98 parece ser mais um sólido simulador de Formula 1 para a velhinha Playstation, embora a troca de developer pareça ter causado alguns estragos no seu desenvolvimento.
Justamente na semana em que Shenmue III é finalmente lançado, lá consegui finalizar o Shenmue II. Não que planeie comprar o Shenmue III a full price, mas com as promoções que se avizinham de Black Fridays e Natal, nunca se sabe! Tenho este jogo em várias plataformas, mas tal como no primeiro, foi no HD Remaster para a PS4 onde o joguei até ao fim. A versão Dreamcast foi comprada por 20€ na Cash Converters de Alfragide, já há uns bons anos atrás, provavelmente 2014 ou 2015. A versão Xbox também não consigo precisar quando a arranjei, visto que já me passaram diversos exemplares pelas mãos, mas esta veio de uma feira de velharias e está completa e em bom estado. O remaster para a PS4, também como já referi no outro artigo, veio de uma Worten algures neste ano, numa das suas promoções de “leve 3 pague 2”.
Jogo completo com manuais, sleeve exterior e papelada
Tal como no artigo anterior, começo por abordar as diferenças entre versões. A versão Dreamcast é a original, e visto não ter saído nos Estados Unidos, a versão que nos chegou até à Europa contém todo o voice acting original em japonês, com legendas em Inglês. A versão Xbox, já vem com o voice acting em inglês. Inclui algumas ligeiras melhorias gráficas e de performance, para além de incluir alguns extras como a possibilidade de gravar o progresso no jogo em qualquer altura, ou tirar screenshots a qualquer instante. Para além disso traz um DVD bónus com um filme que resume a história do primeiro jogo e os seus momentos chave. Já o remaster HD, transcrevo o que disse sobre o primeiro jogo: “o remaster HD foi upscaled para 1080p, com algumas melhorias nos gráficos, apresentando no entanto a possibilidade de optarmos pelo voice acting em japonês ou inglês. Sinceramente prefiro jogar com o voice acting original, logo aqui está uma óptima melhoria! Os controlos, apesar de estarem longe de perfeitos, foram revistos, incluindo suporte aos analógicos e a algum controlo de câmara adicional . Podemos também salvar o nosso progresso no jogo a qualquer momento, para além de mais alguns pequenos extras como o suporte a troféus”. A possibilidade de tirar screenshots também se mantém.
Versão Xbox com caixa, manual e disco bónus. Não gosto muito da arte desta versão.
E este Shenmue II começa logo após os eventos do jogo anterior, logo no início de 1987, onde partimos para Hong Kong no encalço de Lan Di, não só para procurar vingança pelo assassinato do pai de Ryo Hazuki, mas também para desvendar o porquê de todos os acontecimentos que se têm vindo a desenrolar. A primeira melhoria a denotar é precisamente na área a explorar. O distrito de Wan Chai em Hong Kong só por si já possui muito mais áreas de jogo, repletas de lojas e outros edifícios que poderemos explorar. Mais lá para a frente, ainda em Hong Kong vamos explorar também a cidade degradada de Kowloon, que apesar de mais pequena em àrea horizontal, está repleta de grandes prédios, cheios de interligações entre si, e com muitos elevadores avariados e escadas fechadas, tornando a sua navegação algo labiríntica. Por fim acabamos por explorar parte do interior da China, quando caminhamos rumo à vila de Bailu, que servirá de ponto de arranque do Shenmue III.
Remaster dois dois Shenmues para a Playstation 4
Tal como o seu predecessor, Shenmue II é um jogo de natureza open-world, que assenta em três mecânicas de jogo principais. As free quests representam toda a natureza de exploração, onde podemos navegar livremente pelo mapa, interagir com NPCs e inclusivamente jogar alguns mini-jogos como coleccionar pequenas figuras, jogar arcadas ou participar em jogos de azar. Ocasionalmente lá teremos de participar nalguns combates de rua (e não só), com o jogo a assumir algumas mecânicas semelhantes aos Virtua Fighter, onde podemos por em prática diferentes golpes e muitas vezes teremos de defrontar mais que um oponente em simultâneo. Por fim temos várias outras cutscenes repletas de quick time events. Desta vez não temos condução de veículos (saudades das corridas de empilhadoras!).
A versão Xbox por si só já vinha com alguns melhoramentos gráficos
A parte de exploração é sem dúvida onde passamos mais tempo e é aqui que as quests principais se vão desenvolvendo. Tal como no seu predecessor, o jogo possui um relógio niterno, com transições entre dia e noite. As localizações que podemos/devemos visitar, como as diferentes lojas, têm horários próprios de funcionamento que devemos ter em conta, bem como todos os NPCs seguirem rotinas próprias, o que é muito interessante e tecnicamente impressionante para a altura em que o jogo foi desenvolvido. Outros detalhes como as diferentes condições metereológicas estão novamente aqui presentes. A nível de melhoramentos, a principal funcionalidade que achei muito benvinda é a o possibilidade de, em certas ocasiões, poder avançar rapidamente no tempo. Por exemplo, temos uma quest que nos obriga a estar no ponto A a uma certa hora. Enquanto no original tinhamos mesmo de esperar esse tempo todo, aqui vamos tendo a opção de avançar o tempo até à hora em questão. É certo que é fácil matar tempo: Nesta sequela temos muito mais por explorar, muitos mais minijogos como lutas por dinheiro, competições de braços de ferro, gambling, empregos, coleccionáveis, mas pura e simplesmente podemos não querer perder tempo com isso e avançar na história, pelo que esta opção é muito benvinda.
Espero que estas QTEs na Dreamcast não sejam tão frustrantes quanto na PS4
No que diz respeito aos combates, há aqui também mais algumas mudanças face ao original. No original Dreamcast, e no remaster, podemos importar todas as habilidades (e o seu nível) do primeiro jogo para a sequela, se bem que iremos também aprender novos golpes neste jogo. Para os nossos golpes serem mais eficazes, temos de os practicar e isto, no primeiro Shenmue, era algo que se podia fazer em qualquer altura do dia, em alguns espaços abertos, sendo uma óptima maneira de passar o tempo. Aqui não temos essa possibiliade, pelo que apenas podemos ir evoluindo os nossos golpes nas batalhas propriamente ditas. Outra possibilidade é desafiar alguns lutadores de rua, mas aí temos a desvantagem de poder perder dinheiro, caso percamos o combate.
Não temos de conduzir empilhadoras, mas vamos precisar de passar umas manhãs a carregar livros antigos
Por fim, no que diz respeito aos quick time events, este Shenmue II introduz alguns novos tipos de QTEs: sequências de botões que têm de ser pressionados rapidamente e sem falhas. Bom, para mim este é mesmo o ponto mais baixo em todo o jogo. Isto porque estas sequências para além de terem um timing muito próprio, não dão quaisquer margens para erros. Geralmente conseguimos gravar o nosso progresso no jogo antes de haverem estas QTEs “especiais”, ou noutras situações o jogo deixa-nos tentar novamente sem nos prejudicar. Mas já na recta final de Kowloon, temos uma série de combates mais exigentes que terminam com QTEs deste género. E se falharmos, temos de recomeçar os combates de novo. Posso dizer que tentei seguramente mais de 20 vezes o combate contra o Baihu e falhava sempre uma destas QTEs. Não sei se é um problema do remaster, provavelmente na Dreamcast ou Xbox as coisas não são tão críticas, mas tive muitas dificuldades na PS4. A dica que posso dar é: se tiverem uma destas QTEs em que precisam de pressionar 2 direcções seguidas e depois um botão facial, usem o analógico, com toques firmes e na direcção certa, não necessariamente à velocidade da luz mas também não muito lento. Se tivermos de pressionar algumas direcções e botões faciais de forma alternada, aí já uso mais o D-pad: Com calma, mas uma vez mais relativamente rápido, toques firmes em cada botão. Creio que o meu problema era tentar fazer as sequências rápidas demais e/ou não pressionar devidamente nos botões certos, muitas vezes o sistema não aceitava as minhas combinações, mesmo eu tendo a certeza que pressionei os botões correctos. Em qualquer dos casos, foi muito, muito, muito frustrante. Espero que o Yu Suzuki tenha implementado um sistema melhor no Shenue III.
Podemos perguntar às pessoas por direcções e algumas até se disponibilizam em nos acompanhar aos destinos.
A nível audiovisual, tal como referi anteriormente, o original um jogo tecnicamente muito impressionante para a época em que foi lançado (finais de 1999). A sequela mantém a mesma qualidade, com cidades muito bem detalhadas, especialmente as personagens, as suas animações e expressões faciais. Para além disso há uma maior variedade de cenários a explorar, não só urbanos, e a representação das cidades parece-me muito realista para a época retratada. O remaster traz texturas em maior resolução, modelos poligonais ligeiramente mais detalhados e alguns efeitos de luz adicionais, embora tenha o mesmo problema de, à noite, o jogo ser bem mais escuro que o original. A nível de som, as músicas são muito ambientais (tirando se calhar o tema mais rock da Joy), indo buscar muitos temas orientais. As cidades estão repletas do burburinho de pessoas a falar, músicas das lojas a tocar em plano de fundo, enfim, cheias de vida! O voice acting original, em Japonês, é excelente para a sua época. Já o inglês… bom… sinceramente não acho que seja o mais interessante.
Depois dos acontecimentos frenéticos do terceiro disco, o quarto é literalmente um passeio
Portanto, este Shenmue II acaba por ser uma excelente sequela do clássico da Dreamcast, expandindo os seus conceitos de exploração ao adicionar muito mais conteúdo e território a explorar. Algumas novidades nas mecânicas de jogo como a possibilidade de avançar o tempo em determinadas situações foram muito benvindas, já os novos QTEs sequenciais não, de todo. Os controlos continuam a ser algo estranhos na movimentação de Ryo, mas são fruto do seu tempo. A narrativa está excelente e agora, ao fim destes anos todos, consigo entender perfeitamente o porquê dos fãs de Shenmue quererem tanto uma sequela, pois a história tem potencial e eu também estou bastante curioso em acompanhar o seu desfecho.
The World is not Enough é mais um filme da longa saga de James Bond, mais um protagonizado por Pierce Brosnan. E já cá trouxe a versão Nintendo 64 do jogo, que as únicas coisas em comum que tem com a versão Playstation é ser também um first person shooter e baseado no mesmo filme. A versão Playstation ficou a cargo da Black Ops Entertainment, o mesmo estúdio que nos tinha trazido no ano passado a adaptação, também para a Playstation, do Tomorrow Never Dies. O meu exemplar foi comprado na Mr. Zombies há uns meses atrás, tendo-me custado 4€.
Jogo com caixa e manual
Tal como referi, o jogo segue a trama do filme Tomorrow Never Dies, que coloca o Agente James Bond no encalço de uma organização terrorista, que não só ataca a própria base do MI6 em Londres, raptando a líder M, como também rouba uma ogiva nuclear, planeando-a detonar em plenas águas turcas.
Antes de cada missão temos sempre direito a um briefing da mesma
Os controlos por defeito são um bocado arcaicos como seria de esperar, com o D-Pad a servir para movimentar James Bond, os botões faciais para disparar, recarregar a arma, interagir com o cenário ou rodar as armas gadgets que tenhamos equipadas. Os botões de cabeceira já recaem no strafing, agacharmos e poder mover a mira em 360º. Ah, tão bom que hoje em dia os controlos dos FPS em consolas sejam mais ou menos standard! Ao menos podemos customizá-los um pouco. Uma mecânica de jogo interessante que esta versão também partilha com a Nintendo 64 é o facto de não termos quaisquer medkits para James Bond. Não temos como restabelecer a sua barra de vida, podendo porém vestir alguns coletes à prova de bala para lhe dar alguma armadura extra.
Sendo uma adaptação de um filme, esperem por vários clipes em FMV com excertos do mesmo. Talvez demasiados.
Iremos então ter um vasto arsenal de armas à nossa escolha, desde vários tipos de metralhadoras, revólveres silenciados e outros explosivos. Para além disso, ao longo das missões iremos receber de R vários dos seus gadgets, que teremos de usar para cumprir certos objectivos. Coisas como canetas explosivas, cartões de crédito que servem para fazer lockpicking, ou câmaras secretas para fotografar documentos e outras provas incriminatórias. Antes de cada missão vamos ter na mesma um briefing inicial, onde tal como na versão Nintendo 64 teremos os comentários de M que nos vai indicando os objectivos de cada missão, R que vai apresentando os seus gadgets (que relembro que neste filme foi retratado por nada mais nada menos que o fantástico John Cleese) e Moneypenny, que apenas faz alguns comentários algo cómicos envolvendo James Bond e o seu papel de mulherengo.
Ao longo das missões vamos poder usar vários gadgets com diferentes objectivos
Na verdade, a nível de jogabilidade devo dizer que gostei mais da versão Nintendo 64. Para além dos controlos serem um pouco melhores, os níveis estavam melhor desenhados e na versão Nintendo 64 tinhamos sempre um maior número de objectivos principais e secundários para cumprir em cada nível. Em relação à versão Nintendo 64, embora sinceramente não seja algo que para mim seja um deal breaker, esta versão também perde pelo facto de não possuir qualquer modo multiplayer.
A obrigação de jogar blackjack no casino foi uma surpresa. Por um lado agradável, por outro temos de ganhar muito dinheiro, pelo que se pode tornar algo ingrato.
A nível audiovisual, bom a versão Nintendo 64 tinha-me impressionado pela positiva, pois é dos jogos 3D onde vemos gráficos mais bem detalhados, repletos de texturas e no caso do som, com bastantes clipes de voz, o que não era nada habitual na plataforma em virtude da limitada capacidade de armazenamento dos seus cartuchos. A versão Playstation possui também níveis e personagens bem detalhados, embora esta seja naturalmente mais rica em texturas, resultando nalguns níveis visualmente mais apelativos e com mais detalhe. Sendo uma consola em CD, teremos muitas (se calhar até em demasia) cutscenes em FMV retiradas do próprio filme, bem como imensos clipes de voz que usam os actores reais. As músicas andam practicamente todas à volta do tema habitual de James Bond, com algumas nuances aqui e ali.
Portanto temos aqui mais um FPS sólido, provavelmente um dos melhores na Playstation, embora sinceramente tenha acabado por preferir a versão Nintendo 64, por possuir melhor level design, missões mais interessantes, e uma jogabilidade também ligeiramente superior.
Vamos voltar à Playstation 4, onde ficamos agora com mais um videojogo português, um que até teve honras em sair em formato físico, aparentemente de forma exclusiva em Portugal, pelo menos até à Limited Run Games ter também lançado um batch limitado do mesmo jogo algures durante este ano. A glória de Strikers Edge começou logo em 2016, onde uma versão preliminar do jogo venceu a primeira edição dos Prémios Playstation em Portugal. Após ter recebido financiamento da Sony eis que no início de 2018 o jogo estava finalmente pronto e nas principais superfícies comerciais do nosso país. O meu exemplar foi comprado algures em Maio deste ano, na FNAC do Mar Shopping, tendo-me custado 8€.
Jogo com caixa
Lembram-se do jogo do mata? Aquele em que a desculpa era atirar com uma bola a alta velocidade para os nossos adversários? Bom, este é uma espécie de jogo do mata mais elaborado e fantasioso, onde todas as personagens são ora cavaleiros, arqueiros, feiticeiros ou até ninjas, cada qual com diferentes projécteis e habilidades, sejam armas brancas como flechas, shurikens ou outras facas/espadas, ou mesmo projécteis mágicos.
Temos um pequeno modo campanha que para além de ser uma boa maneira de practicar as mecânicas de jogo sozinho, também vemos o background de cada personagem
A jogabilidade é muito simples de se entender, porém exige muita práctica para se dominar: O analógico da esquerda serve para movimentar a nossa personagem, enquanto o da direita serve para apontar os nossos golpes, com uma seta a surgir no ecrã, para indicar a direcção para a qual os nossos ataques serão projectados. Depois todas as outras acções ficam nos botões de cabeceira, com os do lado esquerdo para manobras defensivas, enquanto os do lado direito são dedicados para os ataques. O botão L2 serve para nos desviarmos na direcção pretendida com o analógico esquerdo, enquanto o L1 serve para bloquear um ataque inimigo, embora em cada partida apenas possamos bloquear 3 golpes, se bem que vão havendo outros obstáculos nas arenas como rochas ou barris, sobre os quais nos podemos esconder, mas não por muito tempo pois esses objectos podem ser destruídos com projécteis inimigos, e o mesmo podemos fazer aos nossos adversários! O botão R2 serve para disparar e caso o deixemos pressionado durante alguns segundos, vamos carregando a nossa personagem para despoletar um ataque mais poderoso que, caso seja bem sucedido, causa mais dano nos oponentes. É nesta altura, imediatamente após despoletar um ataque forte, que podemos também pressionar o botão R1, que activa a habilidade especial da nossa personagem, o que nos permite encadear uma série de ataques poderosos caso sejamos bem sucedidos. Cada personagem possui diferentes habilidades, algumas até têm ataques que cobrem áreas maiores, o que nos permite usar estratégias diferentes.
Dependendo das habilidades de cada um, podemos causar várias mudanças de estado nos adversários, como atordoá-los ou a arder, por exemplo
Ora como referi acima, isto é fácil de perceber, já pondo em práctica obriga a algum treino, pois temos de estar em constante movimento para evitar sermos atingidos pelo adversário, bem como usar o analógico direito para manter a mira sempre na direcção dos adversários. E sempre que disparamos, os nossos projécteis demoram breves segundos a atravessar o ecrã, pelo que muitas vezes temos de tentar adivinhar onde o adversário estará antes de disparar. Para além disso, atacar ou evadir usa a nossa stamina, que uma vez gasta nos deixa algo lentos e sem poder atacar ou evadir durante alguns segundos até recuperar. Os golpes fortes têm de ser carregados, e nos segundos em que estamos a carregar a nossa personagem, a nossa movimentação é também bastante lenta, o que nos deixa igualmente vulneráveis a ataques inimigos. É também possível deflectir ataques inimigos, caso os nossos projécteis se cruzem, algo que vai acontecer vezes sem conta no meio do caos.
Cada personagem especial possui algumas habilidades especiais que, se forem bem executadas causam dano extra
Agora como devem calcular, este é um jogo que transpira multiplayer por todos os poros. Temos a possibilidade de jogar partidas de 1 contra 1, ou 2 contra 2 (não tenho a certeza se podemos jogar 2 contra 1), tanto online como em multiplayer local. E acredito que seja um jogo bastante divertido em festas lá em casa com os amigos, mas não o cheguei a experimentar. Tentei várias vezes o modo online, mas infelizmente não consegui encontrar ninguém com quem jogar umas partidas. É o grande problema deste Strikers Edge infelizmente, é um jogo indie perdido no meio de muitos outros, e pelo menos no caso da PS4, pelo que quem quiser jogá-lo online vai ter uma tarefa difícil. Felizmente que temos também um pequeno modo campanha onde podemos jogar sozinhos e ver o background histórico de cada personagem, para além de servir de bom treino para o multiplayer.
No que diz respeito aos audiovisuais, este Strikers Edge até que cumpre bem o seu papel. Os gráficos são um 2D com bastante pixel art, personagens variadas e bem animadas. Mesmo durante os combates vamos tendo alguns momentos como zooms e slowdowns quando alguém está a soro e prestes a levar com um projéctil na cara, com um público virtual a reagir com aplausos ou gritos de espanto mediante o resultado desses momentos. Isto contribui bastante para a atmosfera do jogo, foi um bom detalhe. As músicas são também excelentes, misturando temas épicos com o chiptune de outros tempos.
Em cada arena temos também alguns obstáculos que podem servir de abrigo, isto é, até serem destruídos
Portanto este Strikers Edge é um interessante jogo com um foco no multiplayer e uns audiovisuais retro e charmososos. A jogabilidade é simples e viciante, mas o seu problema é que infelizmente ninguém o joga online hoje em dia. Ainda assim possui o multiplayer local que acredito que seja divertido em noites de festa lá por casa. Recomendo vivamente a sua compra, até porque hoje em dia é frequente encontrá-lo novo a preços reduzidos. Um marco na produção nacional de videojogos!