Tiny & Big: Grandpa’s Leftovers (PC)

Tempo de voltar ao PC com um interessante jogo indie que há muito estava no meu backlog. Tiny & Big: Grandpa’s Leftovers é um curioso híbrido entre jogo de plataformas e puzzle, com mecânicas bastante originais para a sua época. Foi desenvolvido pelo estúdio alemão Black Pants que, ao que parece, teve apenas esta obra no seu cardápio, para além de um outro título mobile. O meu exemplar veio de um Humble Indie Bundle comprado por uma bagatela algures em 2013.

O conceito do jogo é simples, porém bastante peculiar: controlamos Tiny, um jovem inventor, acompanhado de Radio, uma IA montada por ele próprio, que, após um acidente de carro, se vê envolvido num problema. O seu rival Big rouba as cuecas usadas do seu avô, um poderoso artefacto mágico deixado pelo próprio. Portanto sim, iremos perseguir Big ao longo de uma série de níveis na tentativa de recuperar umas cuecas velhas e sujas, que este insiste em usar na cabeça.

Este é um problema fácil de resolver. Cortar as rochas pela linha sugerida e usá-las como rampa.

Mas não é só por esta premissa fora de série que Tiny & Big chama a atenção. O jogo é aquilo a que os seus criadores apelidaram de um jump and slice. Isto porque Tiny está munido de um conjunto de ferramentas que lhe permitirão moldar os níveis de forma a permitir-nos ultrapassar toda uma série de obstáculos. Este conjunto de ferramentas, totalmente controlado com os três botões do rato, permite-nos usar um laser que corta (quase) qualquer objecto à nossa volta, um gancho que nos permite arrastar objectos e um sistema de rockets que, numa primeira fase, se agarram à superfície para onde os disparamos e, depois, empurram os objectos nessa direcção.

Espalhado pelos níveis teremos vários segredos para descobrir e coleccionáveis inúteis (literalmente) para apanhar

Exemplos práticos: precisamos de subir para uma plataforma, mas esta é demasiado alta? Porque não cortá-la de forma diagonal, remover a parte de cima com o gancho e ficar com uma rampa? É preciso atravessar um precipício largo demais para conseguirmos saltar? Se investigarmos bem, é bastante provável que exista algum pilar nas proximidades. O plano é então cortar o pilar pela base, empurrá-lo para que caia ao chão e arrastá-lo sobre o precipício, formando assim uma ponte. O problema é que, com toda esta liberdade, é perfeitamente possível criarmos situações das quais não conseguimos recuperar, obrigando-nos a reiniciar o último checkpoint. O laser também não é o mais simples de controlar e é muito fácil acabarmos por cortar algo mais do que o pretendido, para além de os saltos de Tiny não serem os mais fluídos de sempre. Mas, honestamente, todos estes são pequenos problemas. O jogo possui uma atmosfera cartoon bastante relaxante e todas as possibilidades de cortar os cenários à nossa volta, quanto mais não seja para descobrir segredos, acabaram por prevalecer sobre essas pequenas falhas.

Com toda esta premissa absurda, é de esperar que o jogo tenha algum bom humor.

No que toca aos audiovisuais, o jogo apresenta-nos um estranho mundo idealizado com gráficos em cel-shading. Começamos por explorar um deserto, onde vemos ligeiras ruínas de uma antiga civilização de toupeiras e, à medida que vamos perseguindo Big, iremos explorar cada vez mais dessas ruínas. A direcção artística possui um estilo muito próprio, que me faz lembrar certos desenhos animados mais alternativos. Para além disso, vamos ouvindo uma banda sonora bastante ecléctica, composta inteiramente por artistas indie de todo o mundo, onde acabei por descobrir algumas músicas bem agradáveis. Podem ouvir a banda sonora na íntegra no bandcamp e tirar as vossas próprias conclusões.

À medida que exploramos, apercebemo-nos que as tais cuecas já são um objecto de culto há muitos, muitos anos.

Portanto, Tiny & Big é um interessante jogo indie que, apesar de curto (terminei-o em cerca de cinco horas) e de alguns pequenos problemas na sua jogabilidade, não deixa de ser uma experiência bastante agradável, óptima para se jogar em finais de tarde de Verão, como foi o caso.

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Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

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