Killzone Liberation (Sony Playstation Portable)

killzone_liberation_platinumTempo agora para escrever a primeira análise a um jogo de PSP. O escolhido foi o Killzone Liberation, que serve de ponte entre os Killzone e Killzone 2, de PS2 e PS3 respectivamente. Lançado em 2006, Killzone Liberation não é um First Person Shooter como os restantes jogos da série, mas antes um shooter de perspectiva quase isométrica, que oferece bastantes novidades para a série na sua jogabilidade. A minha cópia foi adquirida na loja portuense TVGames, por 5€. Está em óptimo estado, apesar de ser a versão Platinum. Edit: Algures em Agosto de 2016 comprei a versão black label por 3€ na Cash Converters de Alfragide.

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Jogo com caixa e manual, versão Black label

Eu gosto bastante de FPS. O Killzone na PS2 é um jogo que tinha imenso potencial, mas o hype exagerado em torno do “Halo Killer” e uma produção algo apressada para colocar o jogo nas prateleiras na altura mais oportuna, tornou Killzone numa experiência com o feeling que estavamos a jogar uma versão beta qualquer de um jogo superior. Neste Liberation a Guerilla Games decidiu enveredar numa abordagem diferente. Apesar de achar que a PSP tem hardware para fazer um FPS decente (a DS tem o excelente Metroid Prime Hunters!), apenas com um analógico deveria ser algo bastante frustrante. Dessa forma, o que temos aqui é um shooter na terceira pessoa, com a câmara a dar uma perspectiva aérea, algo entre o isométrico e o “top-down view“. Com o analógico controlamos a personagem principal (Jan Templar de Killzone 1), com os botões “normais” a servir das funções básicas de disparo, granadas, recarregar e action/ataque melee. Os botões L e R servem para o mecanismo de lock-on em inimigos ou para agachar/levantar. Frequentemente teremos um companheiro para nos ajudar no jogo, ao qual podemos dar algumas ordens básicas utilizando o botão direccional, seja para mover a personagem para uma área, para atacar um inimigo, colocar bombas, etc. Isto acaba por dar um feeling mais estratégico ao jogo, mesmo que seja apenas algumas vezes.

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Também é possível conduzir veículos, como por exemplo um tanque.

A história prossegue os acontecimentos passados em Killzone. A guerra entre os Hellghast e as forças ISA continua em força. Desta vez voltamos a controlar Jan Templar, que se aventura por território ocupado de Hellghasts para resgatar uma série de prisioneiros de guerra importantes da ISA e do próprio governo de Vekta, raptados pelo general Metrac do exército inimigo. Durante o caminho Jan Templar acaba por receber ajuda dos seus colegas Rico e Luger, também do primeiro jogo. O jogo principal é composto por 4 capítulos com 4 níveis cada, sendo algo curto. Uma coisa que não gostei muito é o facto de podemos utilizar apenas uma arma (para além de um tipo de granadas). Antes de cada nível podemos escolher uma das armas que temos disponíveis para jogar, sendo que ao longo do jogo vamos encontrando várias caixas com items e munições, onde podemos trocar de arma também. Inicialmente apenas podemos escolher no início do nível uma simples “Assault Rifle”, mas ao longo do jogo poderemos encontrar dinheiro escondido nalguns caixotes que servirá para desbloquear novas armas e updates dos stats das mesmas. A acção, apesar de ser frenética em vários momentos, exige sempre que pensemos um pouco antes de disparar. Isto pois a munição é limitada e não se encontra em grandes quantidades, bem como os inimigos geralmente são “inteligentes”, procurando sempre abrigar-se do fogo inimigo e trabalhando em equipa para tirar-nos do ninho.

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Exemplo das ordens que se pode dar ao companheiro

Para além do modo história, sempre que se termina um capítulo é desbloqueado uma série de “Challenge Games”. Como o nome indica são vários desafios, desde galerias de tiro, defesa de pontos cruciais, encontrar x items no menor tempo possível, etc. O objectivo aqui é obter medalhas de ouro em todos os desafios para desbloquear novas habilidades no jogo principal, como por exemplo carregar mais granadas, ter mais pontos de vida, munição infinita, etc. Passando para a vertente multiplayer, a versão original do jogo apenas permite jogar no modo ad-hoc, uma espécie de LAN wireless. Por cada nível concluído no modo single player, é desbloqueado esse mesmo nível para ser jogado de forma cooperativa com um amigo. Para além disso temos os jogos mais tradicionais como Deathmatch e variantes, Assault e Capture the Flag, onde podem jogar um máximo de 6 pessoas. Há pouco falei numa “primeira versão” do jogo, pois este tem DLCs. Eu tenho uma perspectiva muito crítica em relação a DLCs. Se for conteúdo inteiramente novo como os velhinhos expansion packs que comprávamos para jogos como Quake ou Diablo, por mim tudo bem. Agora cobrar por coisas que deveriam pertencer ao jogo principal de raiz, isso é que não. Poucos meses depois de Killzone Liberation ter saído, foi lançado um DLC que inclui 1 capítulo novo (que conclui a história do jogo), um modo extra no multiplayer (uma variante de Deathmatch), novos mapas multiplayer, e suporte a jogo online, com os mesmos modos de jogo descritos em ad-hoc. Felizmente este DLC foi lançado gratuitamente, embora hoje em dia não seja possível fazer-se download de forma oficial. Felizmente na internet encontra-se tudo e pude jogar o último capítulo. Os servidores para jogo online também estão encerrados, paciência. Infelizmente há uma opção “Download” que para além do DLC deveria deixar-me fazer download dos items que ganhei ao completar os desafios, como temas, artwork e afins, coisa que já não tenho acesso.

Graficamente é um jogo bastante competente, com cenários 3D bem detalhados tendo em conta a máquina em questão e o ano de 2006. Infelizmente não me pareceu haver uma variedade de cenários tão interessante como no Killzone original, mas isso é o menos. Para além de bons gráficos o jogo tem uma física interessante aplicada às personagens inimigas, é engraçado vê-los a voar após uma explosão de uma granada ou similar. A nível de som, confesso que não prestei muita atenção à banda sonora, mas o voice acting está bom. Mantiveram as vozes do jogo original, gosto bastante da voz da Luger, pena que poucas vezes ela participe activamente no jogo. Pelo contrário não gravaram muitas vozes para o Rico, acaba por ser um pouco repetitivo e monótono ouvir sempre os mesmos insultos para os Hellghast, que mantiveram as suas vozes e visuais característicos.

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Exemplo de uma partida multiplayer

Para concluir, considero Killzone Liberation como um óptimo shooter para a PSP. Apesar de apreciar mais a mecânica de FPS, a Guerrilla Games conseguiu tirar bom partido das características da PSP, resultando num jogo bastante agradável. Quem tiver PSP e gostar de jogos de acção, tem aqui um prato cheio. Para uma melhor experiência é altamente aconselhado a instalar o DLC que apesar de já não estar oficialmente disponível no site de Killzone, encontra-se muito facilmente por aí. Para além das novas funcionalidades, acrescenta um último capítulo que conta a história que ficou por contar no final do quarto capítulo, que terminou de uma maneira algo abrupta.

Quake III Revolution (Sony Playstation 2)

QUAKE 3 REVOLUTIONQuake III Arena, juntamente com o Unreal Tournament, ambos originais de 1999 foram 2 First Person Shooters muito importantes para a comunidade multiplayer no PC. Com as consolas a ter uma ligação cada vez maior ao “online”, conversões para consolas como a Dreamcast e PS2 não demoraram muito a surgir, embora as diferenças entre estas conversões sejam bastante consideráveis, conforme irei referir. A conversão para a PS2 ficou a cargo da Bullfrog (um estúdio agora extinto conhecido por jogos como Syndicate Wars, Theme Park e Dungeon Keeper). A minha cópia foi comprada numa loja do Porto algures durante este ano, a habitual TVGames, custou-me uns 4€ e está completa e em estado razoável.

Quake III Revolution
Jogo completo com caixa e manual

Com Quake II a ser um jogo bastante solicitado nos deathmatches por essas internetes e LAN’s fora, foi um passo natural a id Software focar a 3a iteracção desta série para a vertente mais competitiva (multiplayer). Ainda assim, o jogo possui um modo campanha que é certamente um bom treino para os combates a realizar online contra oponentes humanos. A história resume-se aos Vadrigar, uma poderosa raça alienígena, que estão aborrecidos de morte e decidem fazer uma espécie de torneio sangrento intergaláctico, onde quem sair vitorioso é-lhe garantida a liberdade. De entre os vários oponentes estão alguns conhecidos de jogos da iD, o Space Marine de Doom e o Ranger de Quake, por exemplo, entre outros ilustres desconhecidos humanos e não só. Enquanto que na versão original para PC o modo singleplayer resume-se a uma série de combates em Deathmatch, cujo objectivo é ficar em primeiro lugar em cada, Quake III Revolution aposta numa maior variedade, incluindo um ou outro mapa com modos de jogo como Possession, uma versão estranha do Capture-the-Flag e Elimination. Possession é um modo de jogo em que o objectivo é ficar com uma bandeira durante um certo intervalo de tempo sem morrer, enquanto que Elimination é uma variante do Deathmatch onde cada oponente tem um determinado número de vidas.

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Exemplo de uma partida de possession

No que diz respeito à jogabilidade, aqui reside uma grande falha. Enquanto que a conversão Dreamcast aceita o uso de teclado e rato, já a versão PS2 não é compatível com esses acessórios, forçando o uso do comando. Existem várias configurações pré-definidas para controlar o jogo, cada uma mais estranha que a anterior, excepto o “Advanced” que é a configuração que estamos habituados a ver habitualmente. Stick esquerdo para movimentar, stick direito para apontar, gatilhos para disparar, saltar, fazer zoom, etc. Quake III é um jogo bastante frenético, embora tenha muito menos customizações que Unreal Tournament, sempre achei que Q3 tinha um “charme” especial. As armas têm estilo, desde metralhadoras, shotgun, lança rockets, granadas, plasma rifle, railgun, entre várias outras armas futuristas, embora infelizmente todas as armas possuam apenas um modo de disparo. O jogo possui também diversos items de apoio, para além dos habituais regeneradores de saúde e armadura. Temos ao dispor items que dão invisibilidade ou invencibilidade temporária, auto-regeneração de saúde, dano duplo ou quádruplo, entre outros. Este jogo mistura o Quake III Arena com a sua expansão Quake III Team Arena, incluindo várias armas e mapas exclusivos dessa expansão.

No que diz respeito ao multiplayer, que seria sem dúvida o ponto forte deste jogo, esta conversão deixa algo a desejar. Enquanto que as versões de PC e Dreamcast tinham suporte completo a jogo online (e até era possível jogar entre PC e DC), esta conversão para PS2 ficou-se pelo tradicional multiplayer em split-screen até 4 jogadores. Sendo um jogo de primeira geração da PS2 (ainda vinha em CD e tudo), a Sony ainda não tinha a sua estrutura online devidamente definida, talvez seja a explicação para tal motivo. Os modos de jogo disponíveis são várias variantes do deathmatch e capture-the-flag. Temos o tradicional DM, e a sua versão Team Deathmatch, e variantes “single weapon” dos 2 modos. No CTF, para além do tradicional temos também Possession e Team Possession e a variante estranha do CTF para o jogo singleplayer. Neste modo existem 2 equipas e uma bandeira neutra situada sensivelmente ao centro da arena. O objectivo é capturar a bandeira neutra e levá-la à base inimiga para pontuar. Para todos estes modos de jogo é possível adicionar também um ou outro bot para ajudar à carnificina, cujas características podem ser alteradas, embora não tanto como em jogos como Timesplitters.

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Multiplayer em splitscreen com 2 jogadores

Em termos técnicos é evidente que a versão PC é superior. Para além de um framerate lisinho (não que o da PS2 seja mau), o jogo é bem mais bonito num PC, como seria de esperar. O que se calhar não seria tão expectável assim é o facto da conversão DC lançada um ano antes ser superior também neste campo. Apresenta texturas mais detalhadas e cores bem mais vibrantes. A versão PS2 apresenta umas cores mais escuras, embora tenha alguns efeitos mais bem conseguidos que a conversão DC. Os tempos de loading também são ridicularmente longos, em vários combates tive de esperar mais de um minuto antes de o mapa carregar. A nível de som, esta conversão apresenta algumas diferenças subtis nos efeitos sonoros de algumas armas, e vozes de personagens, mas que não incomodam e aquele feeling especial ao saber que estamos a encher um oponente de chumbo, plasma e afins, é  sempre bom. As músicas adequam-se ao ritmo frenético do jogo, sendo bastante mexidas.

Para terminar, Quake III Revolution não é propriamente um mau jogo. Até que é um FPS multiplayer bem competente. O problema é que poderia ter sido muito mais. A não inclusão de um modo online, muito menos o suporte a teclado e rato que a conversão DC oferecia, tornam esta conversão num produto que deixa algo a desejar. Continuo a preferir “fraggar” no PC.

God Hand (Sony Playstation 2)

God HandO jogo de hoje é mais um exemplo da onda criativa que atravessou os estúdios da Capcom na geração passada, desta vez o já extinto Clover Studios, que trabalhou anteriormente em jogos como Okami ou Viewtiful Joe. God Hand é um jogo de “perrada” situado num mundo pós apocalíptico / western, repleto de momentos WTF e cómicos. Infelizmente conseguiram dar alguns tiros ao lado neste jogo, conforme será descrito mais à frente. A minha cópia foi comprada na GameStop algures em Agosto/Setembro deste ano, não me custou mais de 10€ e está como nova.

God Hand PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história segue o lutador Gene, que após ter tido um braço decepado por uma série de rufias, encontra-se com a bela jovem Olivia que sendo a última guardiã viva das “God Hands” entrega a Gene a última God Hand, substituindo o seu braço perdido e dando-lhe novos poderes. As God Hands foram umas armas outrora utilizadas para derrotar o grande demónio Angra, salvando assim a humanidade. Na altura em que o jogo decorre, 4 demónios (os chamados Four Devas) planeiam roubar a última God Hand a Gene e ressusitar Angra novamente. Isto é a história geral, os 4 Devas são 4 demónios algo cómicos e ao longo do jogo vamos encontrando vários outros mini-bosses igualmente hilariantes. Desde gémeos gays, “power rangers” anões, cientistas malucos, entre vários outros.

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Tau! Nas jóias de família!

O que God Hand tem de muito mal, na minha opinião é a sua jogabilidade, principalmente na parte da movimentação, bastante travada. Gene mexe-se quase como os “tank controls” habituais dos primeiros resident evil. Isto aliado ao facto da câmara ser fixa e apontar sempre na direcção em que Gene se encontra, torna esta experiência algo frustrante, por nem vermos os inimigos que se encontram atrás de nós até ser tarde demais. Em relação à pancadaria, a coisa melhora um pouco pois God Hand é um beat ‘em up bastante customizável. Os botões Triângulo, Quadrado e X podem ser customizados com vários golpes, resultando em diferentes combos. Estes golpes individuais são mais de 100 e podem ser adquiridos quer numa loja própria, quer ao derrotar alguns bosses ou mesmo ao vencer alguns dos mini-jogos. O botão “O” é uma espécie de botão multi-usos, podendo ser utilizado para abrir portas, cestos, pegar em objectos, ou até aplicar uns golpes especiais para quando os inimigos estão tontos ou cansados: desde joelhadas na cabeça, passando por “suplexes” ou até palmadas no rabiosque de meninas mal comportadas (a sério!). Existem também outras técnicas especiais, as “Roulette”. Estes são golpes poderosos que podem ser desencadeados a troco de 1 ou mais “roulette orbs” – items encontrados ao longo do jogo. Para finalizar esta parte, God Hand tem ainda um modo que faz lembrar o Devil Trigger de Devil May Cry. Gene dispõe de uma barra de tensão que, estando no seu máximo, Gene pode utilizar os poderes da God Hand, tornando-o temporariamente invencível, bem mais rápido e mais forte. Obviamente que tudo o que é bom acaba depressa, portanto tanto os roulette techniques como o poder da God Hand devem ser usados com precaução.

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Shannon, uma diabinha cheia de estilo

God Hand é um jogo difícil. Embora possamos escolher um nível de dificuldade no início do jogo, existe também um “rating level” que funciona da seguinte maneira: Se estivermos a jogar muito bem e conseguirmos dar vários hits seguidos, o nível do barómetro aumenta, e o jogo aumenta a sua dificuldade. Se pelo contrário estivermos constantemente a levar no corpo, o jogo torna-se um pouco mais fácil (os inimigos demoram mais a atacar). A estrutura do jogo segue por níveis acedidos através de um mapa. Cada nível é por si dividido em vários rounds, que podem ser áreas grandinhas, como áreas pequenas com algumas lutas mais importantes. Para além disso, pode também ser visitada entre cada round uma ilha com vários locais de interesse, entre os quais uma loja onde Gene pode adquirir ou vender vários golpes ou items que lhe fortaleçam. Existe também uma arena onde podemos treinar os vários golpes e combos disponíveis, bem como realizar algumas “missões” que passam por derrotar um número fixo de inimigos num dado intervalo de tempo (ou não). Finalmente existe também um casino onde podemos jogar videopoker, Blackjack e Slot Machines, para ganhar algum dinheiro ou até algumas técnicas exclusivas.

Graficamente God Hand é um jogo bastante simples. Os cenários (salvo raras excepções) são bastante simples e pouco detalhados. As personagens (principalmente as mais importantes) já estão bem modeladas e detalhadas. A câmara sendo fixa provoca alguns glitches gráficos também, como o clipping exagerado entre paredes de edifícios. No que diz respeito ao som, apesar de não ser um jogo muito pretencioso neste aspecto, acho que God Hand até desempenha um bom trabalho, tendo em conta que quer passar uma atmosfera toda “série B”. O voice acting acompanha perfeitamente toda a parvoíce (no bom sentido) que vai decorrendo ao longo do jogo.

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A escolher uma roulette technique

Para concluir, God Hand é um jogo repleto de humor e bizarrices. Infelizmente a jogabilidade é muito travada, a câmara é trapalhona e os gráficos têm alguns problemas. Isto aliando a uma dificuldade elevada (Shinji Mikami quis que este fosse um jogo para o público hardcore), deixam esta experiência com um sabor agridoce. God Hand seria um jogo excelente (para os meus gostos), se não o tivessem deixado com estes problemas. Ainda assim não deixa de ser um jogo com um certo “cult” por detrás (e merecido!) pelo que recomendo vivamente que pelo menos o experimentem. Para além da versão original PS2, God Hand está também disponível para a PS3 através de download na PSN. Experimentem!

Brothers in Arms Earned in Blood (Sony Playstation 2)

Brother in Arms Earned in Blood PS2Este post à partida será um pouco mais pequeno que o habitual, pois vem no seguimento do Brothers in Arms: Road to Hill 30, cujo jogo partilha as mesmas mecânicas, gameplay e motor gráfico que este, sendo assim recomendo dar uma leitura prévia a esse artigo. Tal como o jogo anterior, este foi adquirido na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo entre os 3 e 4 euros e está completa, em bom estado.

Brothers in Arms Earned in Blood PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história desta vez segue Joe “Red” Hartsock, outrora membro do pelotão de Matt Baker. Metade do jogo segue alguns eventos que decorreram no jogo anterior, mas do ponto de vista de Hartsock. Outra parte do jogo já vai para além dos eventos decorridos em Road to Hill 30. A mecânica do jogo e o gameplay são exactamente os mesmo. Em Brothers in Arms preza-se uma abordagem estratégica na altura do combate. Enfrentar os inimigos “à Rambo” na maior parte das vezes apenas resulta num ecrã de game over. Hartsock geralmente tem consigo 1 ou 2 pequenos esquadrões (ou um tanque) e a ideia geralmente é colocar um esquadrão a dar fogo de cobertura nuns inimigos, enquanto o outro vai pelos flancos acabar com eles. O problema é que mais uma vez a versão PS2 tem problemas de IA em relação ao original de PC e o port de Xbox. Os esquadrões nem sempre respondem da melhor forma às nossas ordens, ficando muitas vezes descobertos a fogo inimigo. Os inimigos também quando percebem que estão a ser flanqueados costumam fugir logo também para céu aberto ficando também descobertos, o que acaba por tirar alguma “piada” a toda a estratégia. O design dos mapas também é um pouco mais linear, o que acaba por forçar um pouco mais a estratégia que teremos de adoptar.

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Vista posicional dos esquadrões e inimigos

O modo multiplayer é mais variado desta vez. Temos na mesma várias missões multiplayer a cumprir, seja chegar do ponto A ao ponto B, destruir infraestruturas alemãs, etc. Pode ser na mesma jogado em splitscreen para 2 jogadores, ou online com mais uns quantos. A táctica de comandar esquadrões mantém-se. Para além disto, Earned in Blood traz também um “Skirmish” mode com missões adicionais. Pode ser jogado sozinho ou em modo cooperativo, quer em splitscreen quer online. Existem 5 missões para o lado americano e outras 5 para o lado alemão. Para cada mapa podemos jogar de formas diferentes: “Objective” como se uma missão normal se tratasse; “Timed Assault” onde o objectivo é arrasar com todos os inimigos no menor tempo possível; “Defence” é um modo de sobrevivência onde enfrentaremos ondas intermináveis de inimigos nesse mesmo mapa, e finalmente o “Tour of Duty” que consiste em completar todas as missões numa dificuldade acrescentada apenas com uma vida, um esquadrão, sem checkpoints ou savegames de qualquer forma.

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Multiplayer warfare!

A nível visual, o jogo tem o mesmo motor gráfico do anterior. São gráficos agradáveis para uma PS2, mas nada do outro mundo. Algo que não mencionei no jogo anterior foi o enorme trabalho (que pode ser visto nos extras) que a Gearbox teve ao sincronizar os lábios das personagens com as falas. Na versão PS2 não se vê nada disso infelizmente. A nível sonoro, ou o jogo foi feito muito à pressa ou está um pouco abaixo do anterior. As personagens continuam a interagir uns com os outros, mas acho que não o fazem tanto como no jogo anterior. A banda sonora permanece com a mesma qualidade. Da mesma forma que fizeram no Road to Hill 30, aqui ao jogar-se o jogo principal nos vários graus de dificuldade vão sendo desbloqueados vários extras, desde fases da produção do jogo, arquivo histórico e curiosidades várias das armas, veículos e infantaria presente no jogo.

Apesar das falhas da versão PS2, não deixa de ser um jogo agradável para quem gostar da temática. As falhas na IA são de facto o problema mais sério, mas com um pouco de mais cuidado e paciência vai-se jogando bem. A versão original de PC (e Xbox) são naturalmente mais bonitas, o design dos níveis está mais completo e os problemas de IA mais atenuados. Recomendaria também que ficassem longe da conversão para a Nintendo Wii que saiu uns anos mais tarde. É baseada nesta versão PS2 sem os modos multiplayer e com mais alguns problemas.

Brothers in Arms: Road to Hill 30 (Sony Playstation 2)

brothers in arms road to hill 30Numa altura repleta de Call of Duty, Medal of Honor e outros FPS com a temática da 2ª Guerra Mundial, uma nova série para ter sucesso tem de se desmarcar das restantes. Foi o que aconteceu com Brothers In Arms, onde se dá muito mais enfase ao realismo, precisão histórica e acima de tudo, ao companheirismo de um grupo de soldados. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo em torno dos 5€. Está em óptimo estado e o jogo vem com um mapa das missões que teremos de enfrentar.

Brothers in Arms Road to Hill 30 PS2
Jogo completo com caixa, manual e poster com mapa e tacticas no verso

Brothers in Arms é um jogo baseado em factos reais. Bem mais que qualquer outro FPS sobre a WW2 lançado até à data. Os locais foram recreados o melhor possível, as missões também. A gearbox empenhou-se bastante neste campo, e de acordo com os vários extras que vão sendo desloqueados podemos ver fotos, mapas da época, e documentos oficiais que relatam as várias missões que vamos poder jogar. Para além desta contextualização histórica, em Brothers in Arms (tal como a série de TV Band of Brothers) dá-se um grande destaque ao grupo de soldados que nos acompanham. A história deste Road to Hill 30 segue o dia-a-dia de um regimento de paraquedistas norte-americanos, desde o dia D, invasão de forças aliadas nas praias da Normandia, até à captura e segurança da Hill 30, perto da cidade de Carentan, 8 dias depois.

A jogabilidade de Brothers in Arms é o outro argumento forte desta série. Nós encarnamos directamente o sargento Matt Baker que, como sargento terá de dar ordens aos elementos do seu esquadrão. Geralmente Baker tem ao dispor 2 equipas diferentes, uma para dar fogo de apoio enquanto que a 2a equipa é geralmente utilizada para flanquear o inimigo e tirar vantagem dessa posição. Por vezes uma das equipas é substituída por um ou mais tanques. Baker pode dar várias ordens diferentes aos grupos de soldados. Obrigá-los a serem proactivos, recuar para procurar abrigo, obrigar a dar tiro de apoio ou a atacar “à Rambo” um grupo de soldados inimigos. Mesmo num nível de dificuldade baixa, atacar à rambo sem ter alguma vantagem posicional nunca é boa ideia e 2 ou 3 tiros são o suficiente para matar qualquer um dos elementos do esquadrão ou o próprio jogador, dando mais algum realismo à experiência. O realismo não se fica por aí, a própria hit detection das balas é propositadamente errática, e mesmo a acção de mirar pela arma não é nada estável, o que até pode acabar por frustrar um pouco (principalmente nas sniper rifles). As próprias armas estão muito bem caracterizadas, conseguindo-se de facto diferenciar a performance das diferentes armas, quer americanas quer alemãs. De resto, enquanto todas as ideias de planeamento estratégico foram boas, a própria IA dos elementos do esquadrão não é a melhor. Muitas vezes eles não perceberam as minhas ordens de se deslocarem para um certo sítio e acabaram mortos. Outras vezes ficavam presos contra uma rocha e não sabiam dar a volta, etc. O facto de os elementos do esquadrão morrerem não serve de muito, no final da missão eles voltam à vida (excepto os que de acordo com a história do jogo morrem mesmo).

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Ironsight. Boa sorte a tentar acertar nesse aí.

Graficamente o jogo até que é bonitinho para a PS2. Datado de 2005 já possuia um efeito “gloom” sobre a iluminação (coisa que foi usada até à exaustão nos primeiros jogos de X360 e PS3), e os próprios modelos das armas, soldados, e meio ambiente em geral são agradáveis. Mas se formos comparar este jogo com a versão PC ou Xbox então digo-vos que não tem nada a ver. Para além do jogo ser bem mais bonito, os próprios mapas estão mais completos e detalhados, acabando por ser uma experiência melhor. Passando para o som, bem aqui é algo muito bem conseguido na minha opinião, preciamente por o jogo passar um espírito bem maior de camaradagem do que qualquer outro até então. Enquanto as cut-scenes de introdução ao nível em questão são bastante introspectivas, no decorrer do próprio jogo sentimos que realmente temos o apoio dos “colegas”. Eles avisam quando descobrem alemães, respondem às ordens, quando nos armamos em Rambo é habitual ouvir “Baker! Go back!”, entre várias outras falas. Neste ponto acho que o jogo é realmente imersivo. Num total, apesar de ser um jogo com um passo mais moderado comparando a outros jogos do género como Medal of Honor ou Call of Duty, toda esta imersão do jogador no contexto, bem como uma jogabilidade mais realista, acabam por tornar a experiência mais gratificante. A última missão foi aterradora.

Passando para o multiplayer, confesso que não lhe prestei muita atenção, mas é algo mais “mission based“. Seja destruir uma ponte, levar um objecto do ponto x ao ponto y, o jogo passa por ser entre 2 ou 4 jogadores. Cada jogador tem um pequeno esquadrão para comandar como no jogo single player, pelo que acaba por ser algo mais original que um simples deathmatch. O multiplayer local está limitado a 2 jogadores em splitscreen (o que acaba por estragar um pouco o efeito surpresa), mas o modo online suportaria os tais 2 ou 4 jogadores mais respectivos esquadrões. Não sei como será no PC ou Xbox, mas os servidores da PS2 estão encerrados, portanto não tenho muito a dizer.

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Esta missão teve a sua graça.

Apesar de ter tido várias frustrações com a mecânica de jogo inicialmente, posso dizer que fiquei agradado com este jogo. Ainda continuo a preferir o gameplay mais directo dos jogos da concorrência, mas esta interacção com o “grupo” é de facto uma mais-valia. Eu estou aqui a falar bem da versão PS2, mas os vídeos que vi da versão PC não tem comparação, o jogo é bem mais bonito e detalhado. Pelo que li numa ou noutra review, parece-me que a dificuldade e os problemas de AI desta versão PS2 são menores no PC e Xbox, pelo que na minha opinião são as versões definitivas deste jogo. Este Road to Hill 30 e o Earned in Blood sairam em conjunto na Wii, alguns anos mais tarde, mas esqueçam esse port. Para além de não ter o multiplayer, fizeram conversão da versão PS2, o resultado foi pior. Agora com licença que vou dar uns tiros no Earned in Blood.