Devil May Cry 3: Dante’s Awakening – Special Edition (Sony Playstation 2)

Devil May Cry 3Devil May Cry 3 foi tudo o que os fãs pediram após terem ficado desapontados com o DMC2. O jogo deixou de ser puramente de acção como em DMC2 e passou a integrar novamente elementos de puzzle e exploração, bem como o próprio sistema de batalha está parecido com o do primeiro jogo, mas bem mais avançado. Um ano e qualquer coisa após o DMC3 ter chegado ao mercado, a Capcom decide relançá-lo com mais conteúdo e a metade do preço, de modo a capitalizar no sucesso da série. A minha cópia foi comprada há poucas semanas no ebay UK por cerca de uns 1,5€ mais portes de envio. Uma pechincha, tendo em conta que o jogo está em óptimo estado.

DMC 3 Special Edition PS2
Jogo completo com caixa e manual

Devil May Cry 3 é na verdade uma prequela do primeiro jogo da série. Aqui as raízes de Dante são um pouco mais exploradas, mais concretamente o seu passado de rivalidade com o irmão gémeo Vergil. Para além de Dante e Vergil existe outra dupla de rivais humanos, Arkham e Lady. Vergil é o evil twin de Dante e neste jogo junta-se a Arkham (que se quer tornar num demónio) para roubar o colar oferecido a Dante pela sua mãe. Este colar, conforme já foi visto em Devil May Cry, juntamente ao colar do Vergil permite abrir as portas do Inferno que tinham sido seladas pelo pai de Dante e Vergil, o poderoso demónio Sparda. Sem querer revelar mais pormenores, Lady é também uma caçadora de demónios, que embora não se junte a Dante por ele ser meio-demónio, também tenta impedir o plano de Arkham e Vergil.

As grandes novidades deste jogo estão no gameplay. Começando pelas armas “devil arms“, estas são adquiridas após se defrontar um determinado boss, ao invés de serem simplesmente encontradas como nos 2 jogos anteriores. Para além de armas melee, Dante poderá utilizar vários tipos de pistolas, que estas são encontradas ao longo do jogo. Os níveis estão novamente separados por missões, desta vez com mais foco na exploração e resolução de alguns puzzles. O combate foi o que recebeu mais alterações. Existem 4 estilos base de luta (podendo depois serem desbloqueados mais alguns), cada estilo tem algumas técnicas mais exclusivas. Trickster (o inicial) é um estilo balanceado, onde o esquivar de golpes é focado. Swordmaster e Gunslinger, com especialização em melee weapons ou armas de fogo respectivamente e Royal Guard, que aposta num gameplay mais defensivo. Estes estilos de luta podem ser alterados quer no início de cada missão, quer quando se visita uma “Statue of Time”. Ao lutar vamos ganhando experiência no estilo de luta, podendo depois aprender novas técnicas. Outra novidade reside no facto de Dante apenas poder transportar consigo um par de armas melee e outro de armas de fogo, podendo ser alternadas usando os botões L2 e R2.A escolha das armas a utilizar também é feita antes das missões ou na Statue of Time. Também de volta está o mecanismo das “orbs”, com orbs de várias cores e funções diferentes. Amarela/dourado representam novas vidas ou continues, azul para aumentar a barra de vida, vermelho para comprar items ou fazer upgrades às armas, etc. Mais uma vez, à semelhança do primeiro jogo, cada “devil arm” tem as suas habilidades próprias (como o double jump por exemplo) e isso transpõe-se para o Devil Trigger – a forma demoníaca e poderosa de Dante que pode ser utilizada temporáriamente – que também terá diferentes habilidades consoante a arma equipada.

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Ecrã título

A grande novidade desta Special Edition está no facto de se poder jogar com Vergil. Vergil tem menos armas que dante e apenas um estilo de luta, mas também tem habilidades próprias que podem ser desbloqueadas. Para além disso, nesta Special Edition fez-se uma revisão na dificuldade do jogo (existem mais níveis de dificuldade), e melhorou-se o sistema de continues, permitindo o jogador recomeçar o nível ou ressuscitar instantaneamente no local onde morreu. Para além disso existe um “Turbo” mode que deixa o jogo 20% mais rápido, bem como o regresso do “Survival Mode” de Devil May Cry 2, o “Bloody Palace”. Existem também vários extras como imagens de artwork ou trailers que podem ser desbloqueados, bem como novas roupas para Dante e Vergil. Para isso tem de se ir completanto o jogo em todas as dificuldades, bem como obter o melhor rank possível em cada missão. É possível a qualquer altura rejogar uma missão anterior para melhorar o resultado.

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Vergil a dar cartas!

Graficamente, não acho que o jogo esteja muito mais bonito que o Devil May Cry 2. Mais variado sem dúvida, os cenários estão muito mais bem trabalhados, há novamente uma preocupação pela arquitectura “gótica” sempre presente, quer em cenários abertos de exteriores, quer em corredores apertados de castelos e afins. Já os modelos (principalmente das personagens principais) não estão assim tão bons, na minha opinião. Nota-se que tiveram um bom trabalho com as cut-scenes, agora bem mais “cinematográficas” e com bastante diálogo, algo que deixou a desejar no jogo anterior. A história deixou de ser uma coisa contada à pressa e aqui as coisas fazem todo o sentido. É um jogo agradável visualmente, mas já vi melhor na PS2 e o próprio DMC2 deixou-me mais agradado neste aspecto. A nível de som é o habitual, música ambiente (ou música nenhuma) em fases de exploração, quando começa o combate há uma explosão sonora e começa logo a dar música bastante mexida numa onda mais rock/electrónica, que acaba por agradar. O voice acting não está nada mau, bem como os efeitos sonoros, aqui apresentados em Dolby Pro Logic II (coisa que não tenho, mas pronto).

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Belos polígonos! (Screenshot de PC)

Apesar de ter gostado do caminho mais “simples” que o Devil May Cry 2 seguiu, não posso negar que prefiro este jogo dentro dos 3 existentes para a PS2. Os cenários são bastante variados como já referi, a história é mais empolgante e o próprio carisma do Dante está bem mais acentuado neste jogo. O sistema de batalha é um pouco mais complexo e requer bastante treino para se chegar ao fim. Obviamente que esta Special Edition é a versão a comprar (também existe no PC), tornando a versão original completamente obsoleta. A diferença de preço é practicamente nula (falando de ebay e amazon), portanto esta escolha acaba por ser a mais natural.

Devil May Cry 2 (Sony Playstation 2)

Devil May Cry 2 coverQuando se faz uma sequela de um jogo de sucesso, normalmente as expectativas são postas numa fasquia muito alta. Talvez por isso o Devil May Cry 2 tenha desapontado muita gente. Como só comprei a minha PS2 neste ano, só comecei a jogar estes jogos já muito depois do hype inicial, talvez por isso a minha perspectiva seja diferente e seja dos poucos que até preferem este jogo ao original. A minha cópia foi comprada neste ano no ebay UK, tendo-me custado apenas 3£ mais portes de envio, cerca de 7€ no total. Está completa e em bom estado.

Devil May Cry 2 PS2
Jogo completo com caixa e manual

Devil May Cry 2 é um jogo em que inicialmente poderemos usar 2 personagens. O já conhecido Dante, filho do demónio Sparda que salvou a raça humana há muitos anos atrás, e de mãe humana. Acompanhando Dante temos também uma personagem feminina que podemos escolher desde o início, Lucia, também semi humana. A história desta vez prende-se  com um tal de Arius, que se encontra à procura de uns items mágicos chamados “Arcanas” para libertar um poder demoníaco e assim conquistar o mundo. Lucia pede a Dante que vá com ele à Dumary Island, sua ilha de nascença e local onde Arius procura ressuscitar o demónio Argosax. Este jogo encontra-se dividido em 2 discos, sendo cada disco dedicado a uma personagem, podendo ser jogados de forma independente. As 2 histórias são semelhantes, sendo apenas a perspectiva de cada uma das personagens. Muitas áreas são idênticas, mudando apenas o caminho que Dante ou Lucia tomam. Sinceramente preferia que os níveis fossem sendo jogados de maneira alternada, e se calhar com mais alguma variedade entre os mesmos, seria melhor até para o desenvolvimento da história.

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Dante a dar uso às suas pistolas

A jogabilidade sofreu várias alterações desde o jogo original, e de facto aqui é algo que não gostei muito neste jogo. Passo a explicar: O sistema de combate básico a meu ver parece ter sido melhorado, com mais acrobacias e movimentos. O passo atrás está na variedade de “gameplay”. Em DMC1, se usássemos Alastor ou Ifrit, o estilo de luta mudava completamente, mesmo as próprias Devil Trigger. Aqui o facto de termos mais ou menos armas não traz nada inteiramente novo. Dante continua a usar espadas grandes e armas de fogo, já Lucia é mais uma “melee fighter”. Tem algumas espadas mais pequenas que usa ao mesmo tempo que luta com o corpo. Já de projécteis Lucia especializa-se mais em atirar facas, dardos, etc. Já o mecanismo do Devil Trigger a meu ver foi algo que mudou para melhor. O equipamento de Dante/Lucia não se resume apenas a armas, mas também uma espécie de joias que podem ser colocadas num colar. Essas jóias conferem habilidades especiais quando se utiliza o Devil Trigger, isto é, quando Dante ou Lucia alteram a sua forma humana para a demoníaca. O Devil Trigger é um “estado” especial, que usa uma barra de energia especial para ser consumida, tal como descrevi no Devil May Cry. Enquanto que no jogo original a forma de Devil Trigger de Dante e as suas habilidades modificavam consoante a sua “arma branca” escolhida, aqui é sempre a mesma. As habilidades são customizadas através da escolha das tais jóias que referi. A capacidade de voar, correr mais rápido, utilizar poderes elementais, curar-se mais depressa, entre outras, são alguns exemplos. Outra coisa que não gostei na jogabilidade foi o facto de o CPU fazer “auto-lock” aos inimigos para lutar. Nem sempre o CPU faz a melhor escolha do lock, e várias vezes nem quero lutar, apenas activar alguma switch e esse “auto lock” impede-me. Felizmente se carregar em R2 o lock desaparece, mas é desconfortável jogar dessa forma. Uma boa notícia foi a inclusão da habilidade de fazer o double jump logo de raiz, e torná-la independente do equipamento escolhido.

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O arsenal de Dante

Apesar de a jogabilidade ter alguns altos e baixos, gosto mais deste jogo que o original pelo simples motivo de ser um jogo mais voltado para a acção, e não uma mistura estranha de um jogo de porrada com um jogo de exploração e puzzles. DMC2 continua a ser um jogo dividido em missões, embora desta vez os níveis não sejam contínuos entre si. As secret missions do jogo original não existem, passando a existir as secret rooms que como o próprio nome indica são salas secretas espalhadas nas missões. Nestas salas secretas apenas há combates normais, no fim do mesmo o jogador recebe uma recompensa sob a forma de várias orbs, orbs essas que mantêm as mesmas funções que serviam no jogo original. Infelizmente aqui a câmara apesar de não ser de ângulos totalmente fixos, a mesma continua a não poder ser controlada, o que resulta mais uma vez em nem sempre termos o melhor ângulo do caminho que queremos tomar e dos inimigos que temos pela frente. Graficamente Devil May Cry 2 está superior. Muitos dos níveis são passados em exteriores, que apesar de não serem exteriores tão detalhados, apresentam arquitecturas que pessoalmente me agradam. Desde edifícios rurais que me fazem lembrar algumas aldeias do interior do nosso País, passando para cidades abandonadas que parecem terem ficado congeladas desde os anos 50, até zonas urbanas que, apesar de novamente desertas e não tão agradáveis como as anteriores, não deixam de ser bonitas. Quando passamos para os interiores então sim, acho que são tão ou mais detalhados que os de DMC1, até porque ao contrário do jogo original, aqui as coisas são mais variadas.

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As cut-scenes geralmente utilizam o motor gráfico do jogo, mas também existem CGs

A nível de som, o jogo continua a ter uma boa banda sonora apropriada para os combates, quando surgem, passando de música ambiente para  musicas mais mexidas na onda de um rock/industrial/electrónico. O voice acting sinceramente achei-o competente. Apesar de a história ainda ser contada um bocado aos trambolhões, achei melhor que o jogo original. Devil May Cry 2 tem bastante conteúdo para desbloquear, desde vários níveis de dificuldade, novas roupas para Dante e Lucia (mais para Lucia), a hipótese de se jogar com a Trish de DMC1, e um novo modo de jogo de nome “Bloody Palace”. Bloody Palace é nada mais nada menos que um conjundo de “secret rooms” com vários inimigos e bosses repetidos ad aeternum. Ou então ao longo de 9999 níveis. Não tenho paciência para isso.

Para finalizar, Devil May Cry 2 é um jogo com os seus altos e baixos. Compreende-se que os fãs se tenham sentido desiludidos, mas na minha opinião não deixa de ser um jogo divertido, e até o prefiro ao jogo original. De qualquer das maneiras, pelo pouco que já joguei do DMC3 parece que a Capcom acabou por dar ouvidos aos seus fãs e melhorou muitos dos problemas que DMC2 trouxe.

Devil May Cry (Sony Playstation 2)

Devil May CryA Capcom foi uma das software houses mais criativas da geração passada, como já tive a oportunidade de dizer em artigos anteriores. Devil May Cry, apesar de inicialmente ter sido projectado para ser o Resident Evil 4, ao longo do seu desenvolvimento Shinji Mikami acabou por lhe dar uma grande reviravolta, tanto no conceito como na jogabilidade, criando assim uma nova franchise de sucesso. A minha cópia foi comprada algures este ano no ebay UK, por 1 libra mais portes de envio. Daquelas bagatelas que às vezes temos a sorte de apanhar! O jogo está completo e em bom estado.

Devil May Cry PS2
Jogo completo com caixa e manual

O herói da série chama-se Dante, filho de um pai demónio e mãe humana. O pai, de nome Sparda, foi um poderoso demónio que se insurgiu há 2000 anos atrás contra os planos de Mundus (imperador do Underworld) de invadir e destruir a Terra. Mundus foi também responsável pela morte da família de Dante, 20 anos antes dos acontecimentos deste jogo. Desde então que Dante se torna numa espécie de mercenário, aceitando apenas trabalhos que envolvam o sobrenatural, para se tentar vingar dos demónios que mataram a sua família. A certa altura, Dante fica a conhecer a loiraça Trish que lhe avisa dos planos de Mundus voltar ao activo e indica o castelo da ilha de Mallet que funciona como portal entre as duas dimensões. Na cena seguinte, Dante já se encontra às portas do tal castelo e a acção começa a partir daí.

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Cenários bonitos...

Devil May Cry foi um jogo revolucionário pelo seu combate “estiloso” para a época. É um hack ‘n slash com alguma exploração à mistura, fruto da sua herança de Resident Evil. Dante é um “caçador de demónios” equipado com 2 pistolas automáticas e uma larga espada, podendo tanto esquartejar o que lhe apareça à frente, encher os inimigos de chumbo ou até uma mistura dos 2. Há um grande ênfase na execução de combos e de manobras acrobáticas, tornando o gameplay bem mais dinâmico e livre dos tank controls que Resident Evil sempre teve no passado. Inicialmente Dante apenas tem as 2 pistolas e uma espada, mas ao longo do jogo vão sendo descobertas outras armas que conferem diferentes habilidades, como o salto duplo. Existem 2 barras de energia diferentes, a barra de vida normal, e uma outra usada para o Devil Trigger. Devil Trigger transforma Dante na sua versão demoníaca, ficando mais rápido, mais forte, com mais habilidades (como voar, por exemplo), a sua vida vai regenerando lentamente. Mas como tudo o que é bom acaba depressa, essa barra de energia do Devil Trigger é utilizada num certo tempo limite, mediante a percentagem de energia “Devil Trigger” disponíveis. Existem vários powerups sob a forma de “orbs” de várias cores. Uns restauram a barra de energia, outros extendem-na, bem como à barra Devil Trigger, novas vidas, e finalmente existem as red orbs, que são uma espécie de unidade monetária do jogo, permitindo a aquisição de items e novas habilidades ao longo do jogo. Existem outros items para além das orbs, mas este artigo não pretende ser um manual 😛

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Phantom, um dos primeiros bosses

Mesmo a jogabilidade ser completamente diferente dos Resident Evil clássicos, Devil May Cry ainda herdou algumas das suas características. A mais notória são os ângulos de câmara, que são fixos em salas grandes e abertas, e seguem o movimento do jogador em corredores mais apertados. Contudo, mesmo nesse caso a câmara não é controlada pelo jogador, o que pode ser um pouco irritante na altura de fazer alguns saltos delicados entre plataformas. A outra parecença reside no facto de o jogo não ser só porrada e ter uma elevada dose de exploração e um ou outro puzzle, sendo que a maioria assenta no princípio “encontrar o objecto A, levá-lo ao local B, para poder aceder a C”. De outra forma, apesar de ser possível fazer backtracking em vários momentos do jogo, o progresso do mesmo é separado por missões. Essas missões são coisas simples: encontrar objecto X, derrotar inimigo XYZ, descobrir o caminho para chegar a A. Existem também missões secretas que não são obrigatórias para se concluir o jogo. Essas missões geralmente consistem em derrotar um certo inimigo de uma determinada maneira, ou travar um combate dentro de um tempo limite. Estas missões secretas geralmente recompensam o jogador com powerups.

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Dante a mostrar quem manda

Passando para a questão gráfica, os jogos 3D geralmente envelhecem pior que os clássicos 2D, portanto temos de nos contextualizar no ano de 2001. Nessa perspectiva não me lembro de um jogo mais bonito na PS2 que tenha saído até então (talvez o Ico). Os cenários estão bem desenhados e com bastante detalhe, principalmente se compararmos este jogo com um seu sucessor Chaos Legion, que apresentava cenários bastante simples. A arquitectura do castelo, das salas, os efeitos de iluminação, a modelação das personagens e dos inimigos macabros, acho que no total está um artwork bem conseguido, aliando a uns bons gráficos para a PS2 na era 2001. A banda sonora segue na mesma a imagem rock/gótico deixada pelo estilo de Dante, com uma banda sonora orientada ao rock/industrial, dando também lugar a uma ambiência sonora mais sinistra quando os inimigos são derrotados.

Devil May Cry foi um jogo muito bem conseguido por parte da Capcom, gerando várias sequelas e inspirando outros jogos como o recente Bayonetta. É um jogo que se encontra muito facilmente e muito barato nesses amazon e ebays por aí fora. Foi recentemente anunciado um remaster em HD para PS3 e X360, têm o potencial de se tornar a melhor versão deste jogo, mas a ver o que foi feito no RE4, as mudanças não serão assim muitas.

Chaos Legion (Sony Playstation 2)

Chaos Legion PS2Não restem dúvidas que a Capcom foi uma das software houses mais activas na geração passada. Para além de novas entradas em séries como  Resident Evil, Breath of Fire e Mega Man, foram também criadas novas franchises como Devil May Cry, Viewtiful Joe, Killer 7, God Hand, Onimusha, Monster Hunter, entre vários outros exemplos. Devil May Cry foi uma das séries de maior sucesso, tendo sido imitada por vários outros jogos, inclusive da própria Capcom. Chaos Legion é um deles, foi um jogo que comprei no início deste ano no ebay uk, por cerca de 5€. Está completo e em bom estado.

Chaos Legion PS2
Jogo completo com caixa e manual

Chaos Legion segue a história de Sieg Warheit, um “Knight of the Dark Glyphs” da Order of St. Overia, na busca do seu antigo companheiro Victor Delacroix que, após a morte da sua irmã Siela Riviere, culpa Sieg do seu assassinato (Sieg e Siela eram namorados ou algo do género). Victor passa para o “dark side”, e vai em busca dos 3 “Sacred Glyphs” de modo a unir os 3 diferentes planos de existência (Nether World, Middle World e Celestial World), provocando a destruição do mundo, mas porém trazendo de volta a sua irmã Siela. A história é um bocado novela mexicana, mas siga. Ao longo do jogo vão sendo visitados vários locais, que infelizmente não diferem muito entre si, sendo a maioria templos ou ruínas sempre com uma arquitectura gótica por detrás.

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Sieg e os seus Malice, contra um boss chato

A jogabilidade na sua essência não difere muito da jogabilidade de Devil May Cry, no que diz respeito ao combate com a espada. Mas ao invés de pistolas, Sieg conta com os seus “Legions”, criaturas que podem ser invocadas para o auxiliar na batalha. Sejam em golpes como “Assist”, até ter as criaturas em terreno de combate, podendo tomar atitudes ofensivas ou defensivas. Cada Legion tem habilidades diferentes, desde espadachins, arqueiros, bombas, garras, sendo mais ou menos eficazes para os vários diferentes inimigos. Alguns items escondidos também só poderão ser descobertos ao utilizar estas habilidades dos Legions. Sieg começa com o Legion Thanatos, o mais poderoso, mas que infelizmente é destruído no final do primeiro nível. Os restantes Legions vão sendo encontrados nos níveis seguintes e o próprio Thanatos também poderá vir a ressuscitado lá mais para a frente. O combate em si fornece pontos de experiência, não para Sieg, mas sim para os seus Legions, podendo subir o seu poder de ataque/defesa e habilidades. O estado de Sieg também evolui, mas através de items como “Defense Up” ou “Life Max Up” que tanto podem estar espalhados no jogo, como podem ser deixados pelos inimigos derrotados. Existem portanto 2 barras de energia, uma da vida de Sieg (que caso chegue a zero já sabem o que acontece) e existe uma outra que é a “Soul”. Esta é a barra de energia que permite utilizar os golpes especiais “assist” dos Legions, bem como serve para os invocar. Após a sua invocação esta barra “Soul” muda de forma, tornando-se numa barra de vida para os Legions. Chegando a zero o Legion volta para o seu mundo e é necessário voltar a recuperar alguma dessa energia para os poder utilizar novamente. A energia Soul obtém-se através do Sieg distribuir pancada nos inimigos, pela sua própria espada. Mais lá para a frente conhecemos uma menina de nome Arcia Rinslet, ao fim de algum tempo podemos jogar com ela. A menina não usa os Legions mas sim 2 pistolas como arma (ou os seus próprios pontapés), podem imaginar que a maneira de jogar com ela não é muito diferente de um certo Dante…

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Arcia a mostrar os seus dotes...

Uma coisa que me irritou foi o “targeting system”. É possível “marcar” um inimigo para que os Legions se concentrem apenas nele, mas nem sempre é fácil fazê-lo. O combate aéreo foi a minha maior frustração. É muito difícil que os Legions lutem com sucesso com inimigos que estejam acima de Sieg, e mesmo o próprio Sieg tem limitações ao utilizar os seus golpes nessas circunstâncias. Não consigo fazer “target” a inimigos que estejam a voar, como tal dificulta bastante o combate, mesmo para encaminhar os Legions para atacarem alguns desses inimigos. De resto, tendo em conta que quando Sieg invoca um Legion, Sieg perde algum do seu poder de ataque e velocidade, o que torna o jogo um pouco travado. Os controles também poderiam ser melhores, é frequente não se conseguir mudar a direcção de um golpe quando se está a fazer um combo.

Graficamente o jogo não é nada de especial. Os cenários até podem ser minimamente bonitos por se influenciarem na arquitectura gótica mas pecam por serem muito simples (a nível de texturas) e muito repetitivos. Existem uma ou outra missão na floresta que dá uma lufada de ar fresco, mas mesmo aí não esperem nada de especial. O jogo tem também bastante “fog”, algo típico de jogos de N64. Pelo contrário, é um jogo que apresenta um elevado número de inimigos no ecrã ao mesmo tempo, o que tendo em conta a plataforma em que saiu e o ano, não deixa de ser uma proeza interessante. Talvez por isso os gráficos estejam algo pobres. Os modelos das personagens e inimigos também são um pouco fracos, mas não é nada que seja insuportável. O som, confesso que a banda sonora me passou um pouco ao lado, mas pareceu-me na onda do rock e uma ou outra batida mais electrónica. O voice-acting por si não gostei quase nada. A história não é muito cativante e os diálogos são bastante dramáticos, não me convenceu.

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Fog of War, dizem alguns

Concluindo, acho que Chaos Legion até teve boas ideias, mas a sua execução não foi a melhor. O esquema dos Legions até que está bem pensado, cada um com uma série de habilidades características que permitem estratégias de luta bastante diferentes. Na minha opinião peca pelos controlos e pela história. Os gráficos não são grande coisa, mas não é algo que dê muita importância. Não é um dos jogos que eu recomendo a toda a gente que tenha uma PS2, mas quem gostar de Devil May Cry poderá encontrar algum entretenimento aqui.

Killzone (Sony Playstation 2)

Killzone PS2Resident Evil? Sim, escreverei sobre a série novamente amanhã. Acontece que acabei de finalizar este Killzone para a PS2 e quero aproveitar para escrever enquanto tenho a experiência fresca. Killzone é um jogo que sofreu uma grande campanha publicitária antes do seu lançamento, elevando bastante as expectativas dos fãs de PS2 na esperança que este jogo fosse o tão desejado “Halo-killer“. Como sempre, manter as expectativas demasiado elevadas nunca é boa ideia e Killzone é um bom jogo, embora com uma série de problemas que irão ser mencionados. A minha cópia original foi comprada no ebay UK, entretanto arranjei mais recentemente uma edição especial que contém uma sleeve de cartão mais um dvd bónus que sinceramente ainda não tive tempo de assistir. Custou-me 5€ na Feira da Ladra.

Killzone - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, sleeve de cartão, manual e disco de bónus. Gosto mais do manual da versão original though.

A narrativa de Killzone decorre no futuro, onde a humanidade chegou a um nível de tecnologia avançado que lhe permitiu colonizar vários planetas. A certa altura dá-se uma guerra entre a civilização humana “ISA” (Interplanetary Strategic Alliance) e o Império Hellghast. ISA sai vitoriosa e o povo Hellghast vê-se forçado a exilar-se num planeta com condições ambientais muito agrestes, de tal forma que com o passar dos anos os Hellghast foram-se mutando para conseguirem sobreviver naquelas condições e junto de Visari, o seu Imperador, foram alimentando um enorme ódio pela Humanidade. O exército dos Hellghast vai-se recompondo, ganhando força e a certa altura decidem invadir o planeta das ISA mais próximo – Vekta, começando assim esta aventura. O jogo coloca-nos inicialmente na pele do Capitão Jan Templar, das forças ISA enquanto luta desesperadamente para repelir as forças invasoras nos subúrbios da cidade de Vekta. Ao longo do jogo vamos conhecendo mais 3 personagens jogáveis de diferentes forças militares da ISA. Luger é uma Shadow Marshal, assassina de elite especialista em manobras “stealth“, Rico é o típico “Rambo” equipado com uma metralhadora pesada que destrói tudo o que mexe e finalmente Hakha, um híbrido humano/hellghast que serve de espião ao serviço das forças ISA.

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Os níveis na selva pareceram-me os mais detalhados

O jogo está dividido em 11 níveis, cada um com um conjunto de variável de subníveis. Antes de cada nível temos a liberdade de escolher qual dos 4 personagens jogar (à medida que vão sendo desbloqueadas), as restantes são controladas pela inteligência artificial. A escolha das personagems varia ligeiramente os diálogos existentes no nível, bem como os objectivos ou percurso, pois cada personagem tem várias características diferentes. Templar é o tradicional “faz-tudo”, com mobilidade razoável. Luger tal como disse acima é perita em infiltrações, sendo a pessoa do grupo mais ágil, com mais aptidão para o “sniping” e com maior mobilidade no sentido de ultrapassar obstáculos e esgueirar-se por recantos pequenos. Rico é o elemento mais lento, porém o que consegue suster mais dano e o que melhor opera o armamento pesado. Finalmente, Hakha por ser meio Hellghast consegue passar despercebido entre os alarmes colocados pelos próprios e tem maior aptidão para utilizar o armamento Hellghast (maior capacidade de munição). Os controlos são o habitual nos FPS na PS2, mas com algumas chatices. A mira da sniper rifle é horrível, sendo bastante difícil de controlar, e o facto do botão de sprint ser “o mesmo” do movimento (pressionar L3 enquanto se desloca o stick para a frente) torna a experiência de correr muito irritante, o que era desnecessário. Ainda assim o jogo oferece a oportunidade de customizar os botões à nossa maneira. Outra coisa que me chateou imenso na questão da jogabilidade é o jogo não possuir um botão de salto. Existem vários obstáculos no jogo que poderiam facilmente ser transpostos com um simples botão de salto, no entanto se não tivermos a jogar com Templar ou Luger que são inteligentes o suficiente para avançarem esses pequenos obstáculos, vemos-nos forçados a dar uma grande volta para chegar ao mesmo destino. O jogo é uma experiência altamente linear, apesar de de vez em quando surgir um mapa aberto o suficiente para termos 2, 3 maneiras diferentes de abordar uma situação. À semelhança de Medal of Honor e Call of Duty, Killzone utiliza bastante os eventos pré-programados para dar alguma dinâmica ao jogo e um sentimento mais épico.

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A horrível mira da sniper rifle

Graficamente falando, Killzone é um jogo que fica bastante bonito no papel. Em movimento torna-se uma mistura de feio/belo um pouco difícil de se explicar mas vou tentar. Em primeiro lugar, eu gosto da artwork do jogo. Os cenários urbanos são detalhados (e bonitos para o meu gosto), os veículos, inimigos, armamento no geral também está bem conseguido na minha opinião. Volta-e-meia há alguns cenários (como o da selva, por exemplo) que coloca uns óptimos efeitos de luz. Fumo e partículas quando existem também estão convincentes, embora nada ao nível de um Black. O problema dos gráficos deste jogo é que para ser mostrado um mundo aberto e detalhado, os objectos/inimigos/NPCs que estão longe ficam renderizados de forma muito pobre, com poucos polígonos, e à medida que nos vamos aproximando, o detalhe vai sendo cada vez maior. Isto no papel até pode ser uma boa ideia e um bom truque para maximizar o poder do hardware da PS2. O problema é que isto não é feito de uma forma suave e para além de se notarem quebras de framerate, é muito comum que quando nos aproximamos de um objecto, parede, ou personagem, estes ainda estão com os seus visuais “low-res”, demorando algum tempo até que fiquem “bonitos”. Quando vamos avançando num nível com muitos detalhes (uma zona florestal, por exemplo), é frequente ver o cenário à nossa volta mutar-se frequentemente, com bastante pop-in digno de um Daytona USA na Sega Saturn.

A nível de som, este jogo conta com várias orquestrações para aqueles momentos de maior tensão, tal e qual como se um filme/jogo da 2a Guerra Mundial se tratasse. O jogo é competente neste caso, o voice-acting é bom. O problema nesta área é que devido à escassez de variedade de inimigos, há também uma escassez de falas dos mesmos. Vamos ouvir vezes sem conta a mesma voz para todos os Hellghasts e as mesmas frases/gritos de ordem. Para a nossa equipa vai acontecendo a mesma coisa, mas siga.

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Interessante o efeito de blur quando se usa o sprint

Antes de finalizar, convém referir o multiplayer. Killzone oferece multiplayer local para 2 jogadores, bem como um modo online que suporta até 16 jogadores. Foram criados 8 mapas para uso no multiplayer e podem ser escolhidos vários modos de jogo, entre os quais os já familiares (Team) Deathmatch, Domination e Assault, bem como “Supply Drop”, que se trata de uma variante do Capture the Flag, e o modo “Defend & Destroy”, onde as equipas para além de terem de defender alguns pontos-chave, têm também de atacar os da equipa oponente. Para terminar, Killzone é um bom exemplo do porque não se deve gerar tanto hype assim em torno de um jogo. Gostei bastante do conceito do jogo em si, e a história tem pernas para andar (tanto que já existem pelo menos 2 sequelas e um outro jogo para a PSP), mas neste caso é notório que o jogo a certa altura teve de ser apressado, pois ainda possui uma série de bugs gráficos. A jogabilidade infelizmente também não é a melhor e a IA (que não referi acima) também tem os seus problemas. Ainda assim, não deixa de ser um jogo agradável, apesar da sua extrema linearidade, tendo também um bom potencial de melhorar bastante no futuro (o que pelos vistos acabou por acontecer).