Yumemi Mystery Mansion (Sega Mega CD)

Jogos como 7th Guest ou Myst marcaram o início de uma nova era nos jogos de aventura e foram grandes responsáveis por propulsionar as vendas de leitores de CD-Rom nos computadores pessoais. No Japão também foram surgindo alguns jogos de aventura com recurso a técnicas de full motion video, sendo este Yumemi Mystery Mansion um desses casos. O meu exemplar foi comprado a um particular por cerca de 20€ algures no passado mês de Julho.

Jogo com caixa e manual

Neste jogo encarnamos no jovem Johnathan, que, com a sua irmã Samantha, brincavam algures numa floresta. Até que Samantha vê uma bonita borboleta e decide ir atrás dela. Preocupado com as histórias que a sua avó lhe contava acerca de fantasmas que tornam as pessoas em borboletas, Johnathan decide ir atrás da sua irmã, que encontra uma misteriosa mansão perdida no meio da floresta e claro, decide explorá-la. Como todas as histórias das avozinhas são para se levar a sério, Samantha é feita prisioneira e eventualmente é transformada numa borboleta. Resta-nos então a nós explorar a mansão, falar com os seus residentes incomuns (todos borboletas), resolver alguns puzzles e evitar que sejamos também transformados em borboletas.

Todas as borboletas que encontramos foram outrora humanos

Como jogo de aventura até que é bastante simples, sendo jogado inteiramente na primeira pessoa. Usamos o botão direccional para percorrer a mansão e fazer zoom em lugares de interesse, sendo que depois poderemos usar um dos botões faciais para interagir com objectos, apanhar itens, etc. Os itens que apanhamos ficam em inventário, podendo ser “chamados” a qualquer altura para resolver alguns puzzles. Ou no caso do diário que conseguimos encontrar cedo, para gravar o nosso progresso no jogo. Os puzzles são por norma bastante simples, sendo que a maior parte apenas exigem que encontremos alguns itens e os usemos nos objectos certos. Um outro pormenor interessante é que algures na segunda metade do jogo encontramos um relógio e a partir daí temos uma hora para conseguir finalizar os restantes puzzles e escapar da mansão, com a irmã sã e salva. Mas não é uma hora em tempo real, o tempo no jogo apenas passa sempre que nos movimentemos com o botão direccional.

Podemos usar o diário para gravar o nosso progresso no jogo

A nível audiovisual, nitidamente é um jogo que não resistiu bem ao teste do tempo. As imagens para além de serem pouco coloridas como é esperado numa Mega Drive / Mega CD, possuem uma baixíssima resolução, pior que muitos outros jogos FMV da consola. No entanto estes gráficos em CG bastante primitivos não deixam de ter um certo charme! O voice acting alterna entre o razoável e o atroz, dependendo das personagens em questão, o que me surpreendeu um pouco, pois confesso que estava à espera fosse só e unicamente mau. As músicas por outro lado costumam ser algo atmosféricas e bastante tensas, o que se adequa bem ao estilo de jogo que é.

Os cenários sãp de baixíssima resolução infelizmente

Portanto este Yumemi Mystery Mansion é um jogo de aventura na primeira pessoa, com uma temática de horror, algo como o D da Sega Saturn, mas com puzzles simples e uns audiovisuais muito primitivos. Este jogo é também conhecido nos Estados Unidos como Mansion of Hidden Souls, nome esse que é partilhado com um jogo da Sega Saturn que apesar da Wikipedia referir que é um remake deste jogo, isso não é verdade. O Mansion of Hidden Souls da Saturn é na verdade uma sequela desta versão para a Mega CD, e confesso que estou bastante curioso em um dia jogá-la. Também dos mesmos criadores e para a Sega Saturn temos também um outro jogo de aventura, o Torico, mas esse infelizmente já anda a preços mais elevados, não o devo jogar tão cedo.

Dynamite Duke (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas vamos agora para a Mega Drive para mais uma adaptação de um jogo arcade. Na década de 80, muito devido às políticas monopolistas praticadas pela Nintendo no licenciamento para third parties, a Sega estava practicamente sozinha a suportar as suas consolas, algo que começou a mudar a partir do momento que a Mega Drive começou a ter mais sucesso, especialmente no ocidente. Então a Sega seja através da própria ou de empresas subcontratadas, convertia os seus sucessos arcade para as suas consolas, desenvolvia software inteiramente novo, ou adquiria licenças de outras empresas para converter jogos de outras para os seus sistemas. Foi o que aconteceu com a Capcom nas conversões de Strider, Forgotten Worlds ou Ghouls ‘n Ghosts. No caso da nipónica Seibu Kaihatsu, a Sega já tinha convertido o jogo arcade Dead Angle para a Master System, convertendo depois este Dynamite Duke para a Master System e Mega Drive, versão que trago cá hoje. O meu exemplar entrou na minha colecção algures durante o mês passado, após ter sido comprada num bundle que veio do reino unido. Custou-me cerca de 5€.

Jogo com caixa

Tal como o Dead Angle, este é uma espécie de light gun shooter, mas sem suporte a light guns. Enquanto no Dead Angle tínhamos no ecrã uma silhueta do protagonista, para que pudéssemos nos desviar do fogo inimigo, aqui vemos sempre as costas de Duke, o protagonista. Mas se no Dead Angle a silhueta era toda transparente, aqui é apenas o torso de Duke que é transparente, o que é um pouco estranho. De resto a jogabilidade é simples, com um botão para disparar e com o D-pad a servir para controlar a mira, mas também a posição de Duke no ecrã, de forma a conseguirmos evadir do fogo inimigo. Uma particularidade face ao Dead Angle é que aqui podemos também dar socos e pontapés (botões B e C respectivamente), embora tal só resulte contra inimigos que estejam mais próximos.

Ao contrário de Dead Angle, a silhueta de Duke não é completamente transparente, apenas o seu tronco.

Ao destruir os cenários podemos também desbloquear uma série de power ups, como rapid fire temporário, bazookas com capacidade para 10 munições, itens que regenerem a nossa barra de vida, ou munições para a nossa metralhadora. Por vezes também encontramos um D gigante e devemos apanhá-lo sempre que possível pois são os nossos super ataques. Para os usar temos de pressionar para baixo durante alguns segundos enquanto uma barra de energia é carregada na parte inferior do ecrã. Depois soltamos o botão e Duke despoleta um poderoso ataque capaz de limpar o ecrã de inimigos. Também são muito úteis contra os bosses, que tipicamente alternam entre combate distante e próximo, onde somos obrigados a usar os nossos socos e pontapés.

Também podemos dar socos e pontapés para além de disparar

Graficamente esta versão Mega Drive até que é bastante satisfatória, com níveis e inimigos muito bem detalhados, na minha opinião. Algo que a versão Master System é muito mais fraca, mas isso seria assunto para um outro artigo. A música é competente, assim como os efeitos sonoros. No entanto parecem-me haver menos níveis que na versão arcade (que tecnicamente é bastante superior, mas isso não é surpresa para ninguém).

Portanto este Dynamite Duke é um shooter engraçado embora exija muita perícia, especialmente para nos desviarmos do fogo inimigo. A adaptação para a Mega Drive até que me pareceu bastante competente, embora não tenha todos os níveis presentes na versão arcade, infelizmente.

Woody Pop (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é o Woody Pop, um clone de arkanoid que foi lançado para a Game Gear algures em 1991. Mas na verdade as suas origens remontam a 1987, com um lançamento exclusivo em solo japonês para a Sega Mark III, a Master System como era lá conhecida. A versão Master System era jogada exclusivamente com o Paddle Control, um acessório que nunca saiu do solo japonês, talvez por isso a versão Master System não tenha sido lançada no ocidente. O meu exemplar foi comprado no mês passado de Julho, tendo vindo do Reino Unido e custado algo em volta de 5€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um clone de Arkanoid, onde teremos ecrãs com vários blocos coloridos para destruir. Como qualquer clone de Arkanoid que se preze, temos alguns blocos indestrutíveis, outros especiais que fazem spawn de inimigos ou ainda outros que libertam alguns power ups com diversos efeitos, alguns até adversos. Temos blocos destrutíveis com um só toque, já outros (os de madeira) precisam de várias pancadas para serem destruídos, a menos que tenhamos alguns power ups para o efeito. Por exemplo, o power up da bola de fogo destrói os blocos de madeira com 1 só toque, fazendo que os outros blocos de madeira que estejam adjacentes também ardam. Ou o power up de diamante, que torna a bola bastante rígida, fazendo apenas ricochete nas superfícies indestrutíveis e levando tudo o resto à frente.

Como um bom clone de Arkanoid que é, temos vários power ups para apanhar e nem todos são bons

Em alguns níveis também teremos outro tipo de obstáculos, como túneis/portais que transportam a bola para outra localização da arena, ou mesmo comboios indestrutíveis que de vez em quando vão passando, servindo para mais um obstáculo para a bola. O jogo em si é algo desafiante, até porque ao fim de algum tempo a bola começa a rolar muito rapidamente, exigindo-nos reflexos muito rápidos. Existem power ups para abrandar a bola ou colá-la à superfície do Woody Pop, mas nem sempre esses power ups existem. Outro pormenor interessante é a progressão não linear do jogo, pois no final de cada nível, por vezes teremos várias opções de escolha em qual seria o nível seguinte. Isto é interessante pois dá mais alguma longevidade ao jogo, onde poderemos tentar percursos diferentes em cada sessão.

No final de um nível por vezes podermos optar por caminhos alternativos e explorar níveis diferentes

A nível audiovisual é um jogo bastante básico. É colorido quanto baste, mas não há muita variedade de inimigos que ou são pequenos soldados, ou robots. As músicas também não são nada de especial e tirando aquelas melodias de breves segundos que celebram o facto de termos completado um nível, as outras músicas são essencialmente rítmicas, algo que o chip de som da Game Gear não é propriamente exímio.

Portanto este Woody Pop é um clone de Arkanoid que apesar de não ser perfeito, não deixa de ser competente e encaixa perfeitamente numa consola portátil pela sua simplicidade e factor de vício.

FIFA Soccer 96 (Sega Saturn)

Continuando pelas rapidinhas e pela Sega Saturn, o jogo que cá trago hoje é mais uma adaptação do Fifa 96 da Electronic Arts, depois de já car ter trazido as versões Mega Drive e 32X, todas elas distintas entre si. A versão 32X era um híbrido entre a versão 16bit e as 32bit, já a versão Saturn foi feita mesmo a pensar no 3D e com um motor de jogo completamente diferente. O meu exemplar veio-me parar à colecção algures no mês passado, tendo-me custado algo em volta dos 5€, visto que veio num bundle bem grande.

Jogo com caixa e manuais

Dispomos então de vários modos de jogo, desde as típicas partidas amigáveis, passando por campeonatos ou vários tipos de torneios diferentes. A nível de controlos, estes não são tão diferentes assim da versão Mega Drive, existindo no entanto mais alguma variedade de passes, fintas ou roubos de bola. Ainda assim, para alguns dos movimentos temos de carregar em mais que um botão em simultâneo. Na versão Mega Drive isso era compreensível pois nem toda a gente teria um comando de 6 botões, aqui na versão Saturn acho que o comando poderia ser melhor aproveitado, alguns botões ficaram sem grande utilização.

Graficamente o jogo ainda usa sprites para os jogadores, ou são modelos poligonais muito básicos

Mas a grande novidade deste jogo estava mesmo na sua transição em definitivo para a era 32bit, depois de um lançamento para a 3DO. Enquanto as versões 16bit dispõem apenas de uma perspectiva isométrica, aqui temos vários ângulos de câmara à nossa disposição, uns mais dinâmicos que outros. Temos várias animações que surgem no ecrã do “estádio virtual”, como foras-de-jogo, faltas ou golos. Preferia também que fossem os próprios jogadores e árbitros a fazer as suas animações no campo, mas parece que a EA não teve o tempo para polir esta versão como seria preferível. De resto, nos gráficos em si, estes eram competentes para a era, mas os jogadores ainda não eram modelos 3D, mas sim sprites. A nível de som, nada de particular a apontar, a não ser para os comentários, pelos vistos foi o primeiro FIFA a incluir algo deste género, mas os comentários ainda são muito pobrezinhos.

Os modos de jogo disponíveis

FIFA Soccer 96 não me parece ser um mau jogo de futebol de todo para a Saturn, quanto mais não seja pela sua grande variedade de selecções nacionais e clubes à nossa disposição para jogar. A nível de jogabilidade em si, sinceramente continuo a preferir o Worldwide Soccer 97, lançado no ano seguinte.

Virtua Fighter Kids (Sega Saturn)

Voltando às rapidinhas, agora na Sega Saturn, deixo-vos cá mais um Virtua Fighter. Este Kids é um jogo secundário na saga, tendo sido lançado após o sucesso do Virtua Fighter 2. É uma espécie de paródia, com as personagens a assumirem um design super deformed, algo muito habitual no Japão. É suposto todos os protagonistas serem crianças nesta versão, mas claro que Lau continua com a sua bigodaça, Jeffry com a sua barba rija e Shun… bom, continua a ser velho. O meu exemplar foi comprado no mês passado, custou-me algo em torno dos 5€ pois veio num grande lote.

Jogo com caixa e manual

Infelizmente temos poucos modos de jogo. Para além do arcade e versus para 2 jogadores que dispensam apresentações, temos também o Ranking Mode, que é essencialmente a mesma coisa do arcade mas onde a nossa performance é avaliada. Os controlos continuam simples, com o botão A para bloquear, botão B e C para socos e pontapés. Os botões X, Y e Z podem ser usados para mapear alguns combos de forma a nos facilitar a vida. Para isso temos o modo combo maker, onde podemos preparar uma série de golpes e movimentos prédefinidos ao detalhe, frame, a frame. É algo interessante, mas confesso que não perdi muito tempo com essa funcionalidade.

Graficamente o jogo até que possui um certo charme

Graficamente é um jogo bem competente, embora não esteja ao mesmo nível do Virtua Fighter 2. Ainda assim, sendo os protagonistas todos cabeçudos, as suas expressões faciais são bastante visíveis, mesmo durante as batalhas, o que é um detalhe muito interessante. A nível de som, as vozes são nítidas, mas possuem um pitch mais elevado, para simular de certa forma as vozes de crianças. As músicas são variações ligeiras dos temas de Virtua Fighter 2, mas sinceramente prefiro os originais.

Infelizmente não temos lá muitos modos de jogo, mas era o normal em adaptações arcade em 1996

Em suma este Virtua Fighter Kids é um jogo de luta bastante divertido, embora não se deva levar a sério visto ser uma paródia do Virtua Fighter 2. A funcionalidade do combo maker parece-me bastante interessante pelo nível de detalhe que a AM2 chegou, mas sinto a falta de mais alguns modos de jogo. Se bem que naquela altura as adaptações de jogos arcade para as consolas traziam muito pouco de novo.