Fantasy Zone (Sega Master System)

Fantasy Zone é um interessante shmup produzido pela própria Sega originalmente para as arcades algures em meados da década de 80. Naturalmente que uma versão acabou por ser produzida para a Master System e, apesar de já cá ter trazido a versão Game Gear que partilha do mesmo nome, essa é na verdade uma versão diferente. O meu exemplar foi comprado a um particular algures no mês passado por 5€.

Jogo com caixa e manual

Fantasy Zone é um cute’em up, ou seja, um shmup mas com visuais muito fofinhos, a começar pelo protagonista, Opa-Opa. Este tem a aparência de uma nave espacial bem colorida mas é na verdade um ser vivo, e que até tem pernas, que são visíveis se decidirmos caminhar à superfície. Os níveis também costumam ser bastante coloridos e os inimigos raramente têm um aspecto ameaçador.

Os gráficos são bastante bonitinhos e os inimigos muitas vezes bizarros

Mas então qual é o propósito do jogo? Bom em cada nível nós podemos nos mover livremente pelo ecrã, quer pelo ar, quer à superfície. Vamos destruindo os inimigos que nos vão atacando e apanhar as moedas que vão deixando. Também vamos vendo uns inimigos maiores que são na verdade geradores de inimigos mais pequenos. O objectivo de cada nível é precisamente o de destruir todos esses inimigos maiores. Uma vez derrotados, somos levados a defrontar um boss e passamos para o nível seguinte. Os controlos são simples, um botão serve para disparar a arma primária, o outro a secundária, típicamente bombas largadas pelo ar. As moedas que vamos apanhando servirão para comprar novos power ups e upgrades em lojas que vamos poder visitar ocasionalmente. Temos várias armas para comprar, incluindo bombas bem mais poderosas (mas de munição limitada), ou upgrades que nos melhorem a agilidade da nave ou mesmo vidas extra. Se quisermos farmar dinheiro basta deixar os inimigos maiores vivos durante algum tempo e ir destruindo os inimigos gerados por eles.

O dinheiro que vamos amealhando deve ser usado para comprar alguns upgrades ou novas armas

Do ponto de vista dos gráficos, já aqui referi que este é na verdade um cute ‘em up, com inimigos fofinhos e gráficos bem coloridos. Mas no entanto esta conversão para a Master System infelizmente fica uns furos bem abaixo da versão arcade, que possuía níveis ainda mais coloridos. Felizmente que o Fantasy Zone II acabou por ser bem melhor nesse aspecto! De resto as músicas são bastante agradáveis!

Portanto este Fantasy Zone, apesar de simples, é um bom shmup na Master System que apresenta algumas mecânicas de jogo interessantes. Opa-Opa foi uma espécie de mascote da Sega, pelo que a Master System acabou por receber ainda mais dois jogos desta série. O Fantasy Zone II é mais um shmup que me pareceu ser uma óptima evolução deste, mas isso já seria assunto para um outro artigo.

R.B.I. Baseball ’94 (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, vamos ficar aqui com mais um desporto americano que não me desperta lá muito interesse e muito pouco conheço das suas regras. Não sendo o futebol americano, só poderia ser então o baseball. E esta série da Tengen até me parece ser das que mais sucesso teve na era das 16bit, mas não levem a minha palavra como certa. O meu exemplar veio de uma feira de velharias algures no mês de Agosto deste ano, tendo-me custado 5€ e é um exemplar new old stock.

Jogo com caixa, manual e papelada na sua versão Genesis (norte americana)

Para além de termos alguém a atirar uma bola, outra pessoa da equipa adversária a tentar acertar-lhe com um taco de baseball e depois ver umas quantas pessoas a correr entre bases, outras a passar a bola de uns para os outros, pouco sei deste desporto. Se quem estiver a dar as bastonadas com o taco conseguir acertar na bola em cheio de tal forma que saia fora do estádio, temos um home run, que nos dão uns quantos pontos extra. Este é o meu conhecimento do baseball, pelo que não fui muito longe aqui. Para além de atirar ou tentar acertar na bola, deveríamos correr entre bases ou tentar apanhar a bola o mais rápido possível, mas sinceramente nunca atinei bem com isto, nem com o manual. Mas é giro iniciar uma partida amigável e colocar o CPU a jogar entre si!

O jogo possui a licença da MLB, pelo que teremos jogadores reais, ocasionalmente com os seus retratos

E este RBI Baseball ’94 traz-nos diversos modos de jogo diferentes, desde as já faladas partidas amigáveis, como diversos modos de temporada, uns mais curtos, outros mais longos (aparentemente o mais longo coloca-nos numa epopeia de 162 partidas). Para além disso temos o Game Breakers que é um modo de jogo onde teremos de vencer alguns desafios específicsos, bem como alguns modos de treino que nos permitem cobrir jogadas defensivas (a tal correria das bases) ou treinar as tacadas.

Os treinadores gesticulam imenso, mas isso é chinês para mim

Mas se o que tenho a dizer da jogabilidade é um redondo zero, posso ao menos falar dos seus audiovisuais com mais certeza. Este R.B.I. Baseball é um jogo de desporto bem competente tecnicamente. As sprites dos jogadores estão bem detalhadas e muito bem animadas e naqueles ecrãs laterais, visíveis na altura do batting, podem incluir imensas animações diferentes, desde a posição dos nossos colegas de equipa nas bases, ou os treinadores a esbracejar veemente as suas tácticas (embora para mim seja chinês) ou mesmo por vezes ver gente à batatada! No que diz respeito ao som também me pareceu um jogo bem competente. Há música durante todo o jogo, tanto nos menus como nas partidas e a banda sonora até que é bem variada e competente. Os efeitos sonoros também me parecem bem competentes com uma série de vozes digitalizadas. Ao navegar pelas opções poderemos activar os crazy sounds, que dá ao jogo uma sonoridade muito cartoon, o que também se revelou numa óptima surpresa.

WWF WrestleMania: Steel Cage Challenge (Sega Master System)

Voltando à Master System para mais uma rapidinha, este Steel Cage Challenge foi um jogo que joguei bastante na minha infância. Não porque gostasse dele, mas simplesmente porque eu e os meus amigos não tínhamos tantos jogos assim. Anos mais tarde lá consegui arranjar um exemplar para a colecção, tendo sido comprado a um amigo no passado mês de Setembro por 5€.

Jogo com caixa e manual

Eu não sou um grande fã de wrestling, nem dos programas de entretenimento, nem dos videojogos (excepção para os Arcade Game e In Your House pela sua natureza mais arcade), pelo que não me vou alongar muito aqui. Temos vários modos de jogo, desde partidas singulares de 1 contra 1, partidas em tag team ou campeonatos 1 contra 1 ou em tag team. Nas partidas singulares podemos também jogar contra ou cooperativamente com um amigo. Os combates podem também decorrer em arenas normais ou, tal como o título do jogo refere, em jaulas de aço.

Antes de cada combate temos uma pequena introdução aos protagonistas

No que diz respeito à jogabilidade, esta é muito simples, até porque o comando da Master System não tem muitos botões faciais. Basicamente temos um botão para socos e pontapés, mas dependendo do contexto, poderão corresponder a golpes ligeiramente diferentes. Pressionar o botão direccional e o 1 e 2 em simultâneo faz-nos correr nessa direcção, o que pode ser usado para ir às cordas e desferir alguns daqueles golpes vistosos. Entretanto, o objectivo de cada combate é o de enfraquecer o adversário e, uma vez enfraquecido – tipicamente depois de esvaziarmos toda a sua barra de vida) temos de lhe fazer o pin durante 3 segundos. No caso de um combate dentro da jaula de aço, uma vez com o oponente enfraquecido no chão, o combate é ganho depois de subirmos a jaula com sucesso. Até aqui tudo bem, mas a jogabilidade não é nada de especial e sinceramente o jogo até que é algo aborrecido.

Podemos levar a pancada para fora do ringue, mas não convém ficar lá muito tempo

Graficamente falando, estamos perantes um jogo também bastante simples. As sprites são pequenas, mas ainda assim possuem um bom nível de detalhe o suficiente para que os wrestlers sejam bem distinguíveis entre si. No que diz respeito ao som, os efeitos sonoros são simples e as músicas variadas, sendo que cada lutador tem o seu próprio tema. Já durante os combates em si, esses são jogados em silêncio, apenas vamos ouvindo os efeitos sonoros primitivos dos golpes a serem desferidos.

Portanto este Steel Cage Challenge, apesar de ser o único título WWF a sair na consola de 8bit da Sega, é para mim um jogo mediano. Pode entreter por algum tempo, principalmente pelo seu multiplayer, mas a falta de golpes especiais por personagem e os seus audiovisuais demasiado simples também não lhe abonam muito. Dos anos 90, o Wrestlemania Arcade continua a ser o que melhor envelheceu.

Sega Extreme Sports (Sega Dreamcast)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, vamos ficar agora com este Sega Extreme Sports para a Dreamcast. Como tem o branding Sega Sports, sempre pensei que este jogo tivesse sido produzido pela própria Sega, o que não foi o caso. Desenvolvido pela Innerloop, o jogo foi publicado pela Sega na Europa e Japão, mas publicado pela Infogrames nos EUA. O meu exemplar foi comprado algures em Agosto, após ter vindo num bundle de uma consola e uns quantos jogos que acabou por me ficar de graça, após ter despachado os repetidos.

Jogo com caixa manual e papelada

Este Sega Extreme Sports possui vários modos de jogo que irão abordar diferentes modalidades radicais, como snowboarding, corridas de BTT ou ATV, asa delta ou mesmo bungee jumping. Mas em vez de termos as corridas separadas por modalidade, teremos antes misturas de diferentes modalidades na mesma corrida. O principal modo de jogo é o campeonato, onde teremos uma série de circuitos para concorrer sendo que quem amealhar mais pontos no final desse conjunto de circuitos ganha a prova e poderemos desbloquear os circuitos seguintes, já com um nível de dificuldade maior. Tal como referi acima, neste modo de jogo teremos vários eventos para competir em cada corrida. A primeira pista nos Himalaias coloca-nos a descer umas montanhas em snowboarding, para depois trocarmos para uma corrida em asa delta, culminando numa corrida em moto-4 (ATV). Cada tipo de evento possui controlos e mecânicas de jogo algo distintas entre si, se bem que temos também o modo Practice precisamente para as treinar. Outros modos de jogo incluem a single race (que também permite multiplayer para 2 jogadores – estranho que não permita 4 também), ou o time trial que como o nome indica é focado em fazer o melhor tempo possível.

Aparentemente o jogo teve o patrocínio de uma marca de roupa qualquer. Isso para mim tem zero interesse, mas poderiam haver mais personagens jogáveis para além de quatro.

Como referi acima, os controlos são ligeiramente diferentes consoante a modalidade que estamos a competir no momento, mas tipicamente andam à volta em usar os turbos no momento certo, se bem que para os recarregar teremos de ir fazendo alguns truques e acrobacias também. Algumas modalidades também nos permitem atacar os oponentes como se fosse um Road Rash, o que dará muito jeito. O snowboard e BTT até que se controlam bem, o bungee jumping é uma questão de ir fazendo truques e estar atento ao timing para parar o salto e soltar a corda. Para o ATV e asa delta infelizmente nem sempre são fáceis de controlar. No caso do ATV convém conhecermos bem os circuitos para não ficarmos presos nalguma subida íngreme e assim perder segundos preciosos que nos irão afastar da concorrência.

Os bonitos efeitos de luz para a época e a draw distance são marcos impressionantes do ponto de vista gráfico

Já no que diz respeito aos audiovisuais, do ponto de vista gráfico este jogo até que me deixou bem surpreendido nalguns pontos. O principal é o grande campo de visão que é especialmente notório quando fazemos alguns saltos, acrobacias ou na asa delta. Aqui teremos uma draw distance bem grande que nos deixa ver as montanhas a uma grande distância, com muito pouco pop-in. Outros detalhes gráficos como as luzes do sol também me pareceram bem implementados. Já a variedade de personagens disponíveis, bem como o detalhe dos seus modelos poligonais deixam um pouco a desejar. A banda sonora é composta principalmente por músicas electrónicas, aparentemente licenciadas de artistas comerciais.

Portanto este Sega Extreme Sports até me agradou pela positiva, seja pela variedade de desportos e a maneira em como os misturam todos. No entanto, naturalmente não é tão completo quanto um jogo inteiramente dedicado a snowboarding, ATV, BTT e por aí fora. No que diz respeito aos audiovisuais acho o balanço francamente positivo tendo em conta as capacidades da Dreamcast, só tenho pena em não haver uma maior variedade de locais a explorar.

Ground Zero Texas (Sega Mega CD)

Voltando à Mega CD, vamos ficar com mais um jogo baseado em full motion video, produzido pela Digital Pictures. Este que é uma interessante mistura entre a jogabilidade de um Sewer Shark e um Night Trap, por misturar elementos de light gun shooter com a alternancia de câmaras em diversas localizações. A sua arte de capa sempre me fascinou quando era mais novo, inclusivamente chegou a ser capa de um número da nossa Mega Force, que eu infelizmente nunca cheguei a ter. O meu exemplar foi comprado neste passado mês de Setembro, tendo-me custado 5€ a um particular.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

A história é simples. Uma pequena localidade no estado do Texas, já perto da fronteira com o México, foi invadida por extraterrestres. Aliens esses que começaram a raptar os habitantes da vila e a assumir as suas formas! Uma equipa de intervenção montou um sistema todo high tech de várias câmaras armadas em quatro pontos da vila. Nós iremos controlar essas câmaras e disparar sobre todos os extra terrestres que as mesmas detectarem! Naturalmente que deveremos evitar disparar sobre inocentes e ocasionalmente teremos mesmo de proteger alguns operativos das forças especiais que por lá andem.

Apesar de ocasionamente vermos conflitos a decorrer entre civis, apenas podemos disparar no alvo assim que o mesmo for identificado pela câmara

O jogo vai-nos então obrigando a saltar de câmara em câmara, tal como no Night Trap ou Double Switch, mas em vez de activarmos armadilhas, teremos mesmo um cursor para mover pelo ecrã e disparar. Infelizmente, ao contrário dos Lethal Enforcers, não podemos usar nenhuma light gun mas sim os próprios comandos da Mega Drive. Se não conseguirmos disparar nalgum alien a tempo, vamos sofrer dano e perder energia na câmara respectiva. Quanto mais dano sofrermos, pior será a qualidade da imagem dessa câmara, o que irá ainda dificultar mais a acção. Enquanto nos movemos de câmara para câmara podemos (e devemos!) também activar os seus escudos para a deixar durar mais tempo. Ao fim de algum tempo poderemos visitar a base do aliens e recuperar algumas das suas armas, mas depois disso o jogo entra na sua última fase, onde os extraterrestres enviam um grupo de soldados bem mais agressivos, que causam todo o caos e destruição naquela vila e vão-nos dar muito mais trabalho. Isto porque estes serão bem mais rápidos e ocasionalmente até aparecem aos pares, pelo que será muito difícil não sofrer dano nessa altura. Naturalmente que se perdermos muitas câmaras será game over e o governo norte americano eventualmente larga uma bomba nuclear para conter a ameaça.

Eventualmente os aliens assumem a sua forma real

Bom, no que diz respeito aos audiovisuais, contem com a habitual competência da Digital Pictures: o acting não é nada do outro mundo mas é minimamente competente e desta vez até investiram um pouco mais na produção e efeitos especiais, pois teremos umas quantas explosões a acontecer e respectiva destruição de veículos ou cenários. A qualidade dos vídeos é que é muito má como habitual. Os mesmos são apresentados numa resolução baixíssima e com péssima qualidade, mas isso também se deve ao facto da Mega Drive apenas poder apresentar 64 cores em simultâneo no ecrã. As músicas não são nada de especial e os efeitos sonoros apesar de simples, cumprem bem o seu papel.

Este Ground Zero Texas é então um jogo onde a Digital Pictures até tentou fazer algo um pouco diferente, mas tal como muitos outros jogos desta época acabou por envelhecer mal. A jogabilidade e dificuldade, principalmente nas últimas secções, também é algo frustrante e desta vez o fluxo do jogo, onde os aliens aparecem, acaba por ser mais aleatório pelo que não se devem fiar muito em guias, mas sim em treinar os reflexos e tentar inúmeras vezes ter sucesso.