Road Rash (Sega Master System)

RoadRash-SMSAs conversões de jogos 16bit para sistemas de 8bit geralmente ficam muito atrás da versão mais avançada. Muitos dos jogos multiplataforma que a Mega Drive recebeu geralmente ficam bem melhor, tanto a nível gráfico como na própria jogabilidade.  Embora sejam raros, há exemplos em que a versão Master System de um jogo no geral acaba por ser melhor que a versão Mega Drive, como é o caso do Astérix and the Great Rescue, por exemplo. No entanto há também outros jogos que são excelentes na Mega Drive e a versão Master System, apesar de inferior tecnicamente, consegue ser igualmente divertida e competente tecnicamente. Essa é a categoria que o Road Rash da Master System se enquadra, na minha opinião. A minha cópia foi comprada na feira da Ladra em Lisboa, em conjunto com outros lançamentos “portuguese purple“, tendo-me custado algo entre os 5 e os 8€.

Road Rash - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manual português.

Tal como a versão original da Mega Drive, Road Rash é um jogo de corridas ilegais de motos através de várias estradas estaduais norte-americanas. O twist é que podemos andar à porrada com os outros concorrentes e com os polícias que nos perseguem também! Mas claro que isto vocês já sabiam. Existem apenas 5 pistas, todas elas de diferentes zonas do estado da Califórnia, como a Sierra Nevada, Palm Desert ou Grass Valley. Após terminarmos as 5 pistas pela primeira vez, vamos subir na categoria e teremos de as voltar a jogar, contudo com a distância do circuito a aumentar, assim como a sua dificuldade: os oponentes e a polícia serão cada vez mais agressivos, as estradas terão mais trânsito e obstáculos como animais, barreiras de obras, manchas de óleo ou areias.

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Ter um acidente enquanto somos perseguidos pela polícia é sinal que a corrida termina ali.

O nível de dificuldade irá aumentar 5 vezes, pelo que no fim de contas acabamos por correr em 25 circuitos. No entanto teremos de chegar ao final de cada corrida pelo menos na terceira posição de forma a desbloquear a corrida seguinte. Também consoante a posição em que atravessamos recebemos mais ou menos dinheiro para depois podermos comprar novas motos. É essencial tentar chegar sempre em primeiro lugar pois nos níveis de dificuldade mais avançados teremos mesmo de ter motos mais “potentes”. De resto, para além de usarmos os nossos punhos ou pontapés para agredir os oponentes podemos tentar roubar um bastão a alguns dos nossos adversários. Esse bastão naturalmente é bem mais poderoso e torna-se mais fácil tirá-los da corrida.

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As 5 regiões onde podemos correr

Graficamente falando, este é um jogo que não deixa assim tanto a dever face à versão original para a Mega Drive. É certo que a versão Mega Drive possui sprites bem maiores e detalhadas, para além de um framerate mais fluído. Ainda assim, apesar disso, a versão para a Master System porta-se muito bem. Os cenários estão bem detalhados tendo em conta as capacidades da consola, os fundos possuem um scrolling em parallax bem convincente, e acima de tudo, as subidas e descidas que vamos vendo estão fantásticas. Não há jogo de corridas na Master System mais detalhado que este, na minha opinião. Outro dealhe que achei muito bom é o facto de na parte inferior do ecrã termos os 2 espelhos retrovisores da moto que nos mostram os oponentes que nos perseguem, ou mesmo os carros que vão passando por nós. Para além disso as imagens dos espelhos são ligeiramente diferentes entre si, tal como seria na realidade. Mais um toque bem interessante pela malta da Probe que tratou desta conversão.

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O dinheiro que vamos amealhando nas corridas deve ser utilizado para comprar melhores motos para as corridas seguintes.

Para além disso temos também aqueles diálogos antes de cada corrida, onde vemos retratos dos polícias ou os nossos adversários juntamente com as suas frases mais “picuinhas”. Os efeitos sonoros por si só não são nada de especial, mas as músicas estão noutro campeonato. Sempre disse que a Master System tem o seu calcanhar de Aquiles com o chip de som que possui (a FM Unit japonesa naturalmente não entra para estas contas), mas mais uma vez a Probe fez aqui um excelente trabalho. As músicas que na Mega Drive eram porreirinhas, aqui passaram a ser das chiptunes mais bem conseguidas dos sistemas 8bit. Vale bem a pena.

Por todas estas razões, apesar de numa análise fria a versão Mega Drive ser superior em practicamente todos os pontos, não pode deixar de ser louvado o fantástico trabalho da Probe que tornou esta versão para a Master System num excelente port, tendo em conta as restrições de hardware da Master System. Fossem todas as conversões assim, com todo este amor e carinho e esta indústria seria muito melhor.

The Need For Speed (Sega Saturn)

Need for SpeedThe Need for Speed, ou como lhe podemos chamar pelo seu nome completo “Road & Track Presents: The Need for Speed”, é o primeiro capítulo da famosa série de jogos de corrida da Electronic Arts. Como muitos dos primeiros jogos 3D da Electronic Arts nesse período dos anos 90, este jogo saiu originalmente para a mal amada 3DO, com conversões a sairem posteriormente para a Saturn, Playstation e PC. A minha cópia chegou-me às mãos após ter sido comprada há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, por 5€. Como todos os jogos da EA para a Saturn, vem com uma caixa bem grossa e um manual a condizer.

The Need for Speed - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Este é mais um artigo em jeito de “rapidinha”, pois também nunca joguei este Need for Speed assim tanto a fundo. Na biblioteca de jogos de corrida da Saturn, sempre preferi os jogos da Sega desse segmento. Mas adiante, este NFS é um jogo não tão arcade como os restantes jogos da época, e permite-nos estar ao volante de vários maquinões da época, como o Dodge Viper ou o Lamborghini Diablo. O jogo apresenta vários modos de jogo, desde o single race para quem quiser jogar uma partida rápida, até ao modo Tournament, onde temos de chegar em primeiro lugar em todos os circuitos para vencer este modo de jogo e também desbloquear um circuito bónus em Las Vegas. Existe também um Time Attack, mais voltado para as provas em contra-relógio, mas o que marca realmente a diferença em Need for Speed, é o Head 2 Head mode, que tanto pode ser jogado contra o CPU ou em multiplayer local. Este modo de jogo é um duelo entre 2 carros que, se for jogado num dos circuitos “abertos”, concorremos com tráfico local e polícias que vão patrulhando a estrada. Isso obviamente que resulta em perseguições policiais e se nos deixarmos apanhar levamos com uma multa. Na segunda multa somos logo desclassificados da corrida, o que tenho a ideia que acontece apenas na terceira multa noutras versões.

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As pistas decorrem em diferentes paisagens e climas, onde podemos escolher também o período do dia em que correr

No que diz respeito ao audiovisual é um jogo razoável. Isto porque é uma conversão do original da consola 3DO, um produto inferior tecnologicamente. Os cenários têm uma coisa boa, a sua draw distance é bem grandinha se comparada a muitos outros jogos de corrida da época, mas claro que isso está a custo de um detalhe menor nos cenários no geral. Os carros vistos de fora também não têm grande detalhe, parecem paralelipípedos com rodas, mas se passarmos para o interior, então é de admirar o trabalho feito com os interiores dos carros, que me parecem bem realistas e não era algo assim tanto comum de se ver nos jogos de corrida da época. Felizmente a banda sonora eu achei-a muito boa. Toda ela é composta pela dupla de artistas Jeff Dyck & Saki Kaskas, e tanto tem música electrónica, como outras bem mais a abrir e cheias de guitarradas como eu gosto.

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O interior dos carros dão um toque mais realista à coisa

Apesar dos seus visuais datados, acho que este Need For Speed não é um mau jogo a ter-se no catálogo da Saturn. Claro que a versão PC que saiu mais tarde para o Windows 95 é muito superior, mas ainda assim não achei nada mau o jogo, dá perfeitamente para nos divertirmos, e no fundo isso é o que interessa.

 

Dick Tracy (Sega Master System)

DickTracy-SMSVoltando às “rapidinhas”, desta vez para um jogo simples da Sega Master System. Dick Tracy é uma personagem de banda desenhada, cujas raízes remontam aos anos 30, bem no tempo de todas as “gangster wars”, temática principal de Dick Tracy, o intrépido detective norte-americano. Em 1990 foi feito um filme sobre esta personagem, onde até a artista Madonna teve uma participação. E como em todos os filmes de “gabarito”, um videojogo lá acabou por ser desenvolvido para as várias plataformas existentes na altura, entre as quais esta versão para a Master System que aqui trago. A minha cópia foi comprada há pouco mais de um mês na Pressplay Porto, por 4.50€, faltando-lhe o manual.

Dick Tracy - Sega Master System
Jogo com caixa

Este é daqueles jogos que eu desde miúdo, ao ver imagens dele em revistas e catálogos sempre tive curiosidade em jogar, daí tê-lo comprado. Mas como diz o ditado “não se deve julgar um livro pela capa”, o jogo não é lá grande coisa. Basicamente está dividido em 6 áreas diferentes, cada uma com 3 níveis, onde simplesmente temos de matar todos os gangsters que nos apareçam à frente, incluindo um boss para cada área. Há muito pouca diversidade, tanto no grafismo como na jogabilidade, inclusivamente as primeiras 4 áreas são quase clones umas das outras.

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O ecrã título do jogo, bem ao estilo da banda desenhada original

O jogo é um sidescroller, onde temos de ir da esquerda para a direita até chegar ao final do nível, com inimigos a surgirem de todos os lados. Se estiverem longe, disparamos com o revólver, se estiverem perto, então distribuímos socos a torto e a direito. O twist é que surgem também inimigos no background. Na versão Mega Drive existe um botão próprio para sacarmos da nossa fiel metralhadora Tommy Gun e limpar o sebo a todos os que estão atrás, surgindo para isso uma mira para nos ajudar. Aqui teremos de deixar pressionado o botão de ataque para isso acontecer e nenhuma mira aparece. Para apontar teremos então de ver o rasto de balas no chão ou paredes e guiar a metralhadora dessa forma. Infelizmente os controlos demoram um pouco a responder, portanto acaba por ser frequente ficarmos encurralados e ver a nossa vida a descer rapidamente. Felizmente ao carregar nos botões 1 e 2 ao mesmo tempo podemos chamar reforços que limpam todos os inimigos no ecrã, embora só o possamos fazer uma vez no nível.

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Os inimigos que aparecem em background têm de ser despachados com rajadas da nossa Tommy Gun

Os níveis tanto podem ser sidescrollers bem simples sem obstáculos, em ruas, dentro de armazéns ou mesmo no esgoto. Existem alguns que são passados em perseguições de carro, onde Dick Tracy tem de matar e esquivar-se das balas dos outros gangsters que também viajam nos seus carros. Existem alguns níveis (uns 2 ou 3) onde não temos armas, todos os inimigos têm de ser derrotados apenas com os nossos punhos e existe um ou outro nível mesmo lá mais para o final onde temos de saltar sobre alguns precipícios. Infelizmente os saltos são terríveis e é bem fácil cair num precipício bem estreito se não saltarmos no pixel certo. No final de cada área temos sempre um combate contra um boss que surge sempre em background, disparando contra nós, e com outros capangas de lado também a meterem-se ao barulho. Pois, não é um jogo fácil. Entre cada área vamos tendo um nível de bónus, onde poderemos ganhar mais continues. É uma galeria de tiro, onde personagens vão surgindo aos pares e o objectivo é atingir o máximo de bandidos possível e não matar nenhum inocente. O botão 1 dispara para a esquerda e o 2 para o boneco da direita.

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Exemplo de um dos níveis de perseguição automóvel

Graficamente falando, as únicas coisas que valem a pena referir é mesmo as pequenas cutscenes que vemos entre cada área, parecem mesmo retiradas das comics clássicas e até ficaram bonitinhas na Master System. De resto, os inimigos e os próprios níveis são bastante simples, assim como as músicas e efeitos sonoros que não são propriamente memoráves. Gostei no entanto do detalhe de podermos danificar as paredes com a metralhadora. No fim de contas, acho este Dick Tracy um jogo meramente mediano, apenas recomendado a coleccionadores.

The Revenge of Shinobi (Sega Mega Drive)

The Revenge of ShinobiA série Shinobi da Sega sempre foi daquelas cujos jogos separavam os meninos dos homens. Chegar ao fim de um jogo da série fazia-nos logo crescer barba e cabelo no peito e este Revenge of Shinobi para a Mega Drive não foge à regra. Lançado originalmente para a Mega Drive e depois nas arcades para o sistema Mega-Tech (essencialmente uma Mega Drive na mesma), este é ainda um dos jogos de primeira geração desta consola e que apesar de ter saído em inúmeras compilações que vinham inclusivamente em bundles com a consola, é um jogo que eu sempre fiz questão em ter a sua versão standalone. E felizmente isso veio a acontecer numa incursão que fiz à feira da Vandoma no Porto no mês passado, onde o consegui comprar num bundle ficando-me por pouco mais de 3€.

The Revenge of Shinobi - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual pt.

Este é uma sequela directa do primeiro Shinobi que também possuo para a Master System e figura mais uma vez o melhor ninja do clã Oboro, Joe Musashi. Após Musashi (porque Joe não tem piada nenhuma) ter derrotado o grupo mafioso de Zeed no primeiro jogo, este reforma-se como Neo-Zeed e a sua primeira acção foi mesmo vingar-se do clã Oboro, assassinando o mestre de Musashi e raptando a sua namorada Naoko. Ao longo do jogo Musashi irá atravessar meio mundo até finalmente chegar à fortaleza de Zeed e fazer o que lhe compete: dar um infesto de porrada em Zeed mais uma vez.

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O fantástico ecrã título. Genesis does what Nintendon’t.

A jogabilidade é simples, um botão para saltar, outro para atacar e um outro para utilizar as magias ninjutsu, que já detalharei mais à frente. Os ataques tanto podem ser melee, se estivermos ao lado do inimigo, como podem ser de longo alcance através das shurikens que podemos apanhar ao longo dos níveis. Existe um cheat code que nos deixa com shurikens infinitas, código esse que me acompanhou em toda a infância e mesmo assim as coisas não eram fáceis. Para além do salto normal, podemos também dar um duplo salto com uma cambalhota no ar, que para além de nos permitir alcançar locais mais altos, podemos também disparar um molho de shurikens em várias direcções, um golpe bastante útil. Existem também níveis com 2 planos distintos, como o nível da base militar, onde temos inimigos no background e foreground, e é com esse duplo salto que alternamos de plano. Ao longo dos níveis podemos encontrar diversos caixotes que podem ter vários powerups, ou então estão armadilhados com bombas. Dos powerups, para além de mais shurikens, items que regeneram a nossa barra de vida ou mesmo vidas extra, temos powerups para armas, ou para as magias. Os primeiros tornam as nossas shurikens envoltas em fogo, capazes de dar duas vezes o dano das normais e equipam Musashi de uma espada também poderosa para close encounters. Mas como isto é um Shinobi, basta levar com um ponto de dano que perdemos esse bónus.

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Ao dar um duplo salto podemos disparar shurikens por uma vasta área

O segundo deixa-nos utilizar mais uma magia no nível em questão. Existem 5 magias distintas, que podemos escolher qual queremos equipar no menu de pausa. Podemos utilizá-las em qualquer altura do nível, mas apenas o podemos fazer uma vez. A menos claro, que apanhemos esse powerup. Os Jitsus mágicos podem então ser o Ikazuchi, um escudo eléctrico que nos protege de 4 golpes; Karyu, onde Musashi invoca 4 dragões de fogo que dão dano a todos os inimigos no ecrã; Fushin, onde Musashi ganha uma maior destreza física, capaz de saltar ainda mais e por fim Mijin, mais uma magia que dá dano a todos os inimigos no ecrã, mas a troco da vida de Musashi. No entanto, apesar de ser um ataque suicida, restabelece a barra de vida e deixa-nos utilizar uma outra magia mais uma vez.

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Um dos jitsus que podemos invocar, este dá dano a todos os inimigos no ecrã.

O jogo está dividido em 8 zonas, todas elas distintas visualmente entre si e divididas em 2 níveis de plataforma e um boss. Começamos o jogo em ruínas japonesas, lutando contra outros ninjas e guerreiros com armaduras samurai, e vamos atravessando cidades, bases militares e industriais, incluindo alguns níveis fora-de-série, como lutar em cima de um comboio, ou sobre um veículo que transporta mísseis intercontinentais. O último nível então é uma fortaleza labiríntica, onde existem imensas portas que o mais certo é não levarem a lado nenhum de interesse, levando-nos assim muito tempo até encontrar a saída. Mas para “piorar” as coisas, não fosse este um Shinobi, é practicamente obrigatório chegar ao boss final com um poder mágico extra e com o power-up que dê mais dano. Isto porque mal começamos a enfrentar Zeed, vemos Naoko aprisionada em background e Zeed solta uma armadilha em que o tecto da sua cela começa a descer lentamente. Sendo assim o jogo deixa-nos com 2 finais distintos: derrotar Zeed e Naoko morrer, ou derrotar Zeed a tempo e salvar Naoko. Por isso é que ter 2 poderes mágicos e/ou o powerup de dar mais dano é practicamente obrigatório. Não podia também deixar de referir outros bosses como o Hulk, Spiderman, Batman ou Godzilla. Inicialmente a Sega utilizou estas sprites (ou parecidas) sem autorização dos seus autores, pelo que existem em circulação diversas versões deste jogo, com sprites diferentes consoante as licenças na altura. Infelizmente não tenho a minha Mega Drive comigo em Lisboa, pelo que confesso que não sei qual das versões do jogo eu possuo.

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Exemplo de um dos níveis em que podemos alternar entre 2 planos de acção distintos

Visualmente, apesar de ser um jogo de primeira geração da Mega Drive, não deixou de impressionar bastante na altura e mesmo nos dias de hoje porta-se bem. Ver aquela “cutscene” inicial do Musashi a defender-se com a espada de um monte de shurikens em grande plano sempre me impressionou quando era miúdo e mesmo hoje em dia continua-me a agradar. É verdade que outros jogos da Mega Drive, como por exemplo o excelente Shinobi III são melhores graficamente, mas este é bem competente, especialmente tendo em conta o facto de ser um jogo de primeira geração. Sprites grandes e detalhadas, níveis bem desenhados, não tenho razões de queixa. As músicas essas são autoria do grande senhor Yuzo Koshiro, que quem estiver por dentro do que ele faz, já sabe o que esperar. Músicas bem catchy, e sendo este um jogo de ninjas têm também um toquezinho oriental.

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O Godzilla foi um dos bosses “polémicos”, por questões de copyright. Existem versões que trocam esta sprite por um esqueleto

No fim de contas, The Revenge of Shinobi é um excelente jogo. Não é por acaso que fez parte de imensos bundles e compilações até na própria Mega Drive. É um jogo bonito, com excelentes músicas e com uma jogabilidade simples, mas com uma dificuldade elevada. É jogo para separar os meninos dos homens, como sempre foram os jogos desta série. Joe Musashi, temos saudades tuas.

Road Rash (Sega Saturn)

Road RashRoad Rash remete-me logo para 2 memórias: A atitude “cool” dos anos 90 e o tempo em que a Electronic Arts era uma empresa realmente criativa e um colosso bem respeitado por todos. A série tem as suas raízes na Mega Drive, com a temática de violentas corridas ilegais de moto por estradas estaduais dos EUA. O facto de podermos andar à pancada com outros condutores e também fugir à polícia era algo que tornava Road Rash num jogo único na sua altura. E como todas as séries de sucesso na Electronic Arts, foram lançadas imensas sequelas e conversões ao longo de toda a década de 90. Um desses lançamentos foi um remake do primeiro Road Rash para a 3DO, versão essa que acabou por ser lançada também noutras consolas, entre as quais a Sega Saturn. A minha cópia foi comprada algures em Janeiro/Fevereiro deste ano por 5€, na feira da Ladra em Lisboa.

Road Rash - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Este Road Rash é um remake do primeiro jogo, pelo que toda a acção decorre em várias estradas estaduais da Califórnia, nomeadamente as localidades “The City, The Peninsula, Pacific Coast Highway, Sierra Nevada e Napa Valley”. Tal como os outros jogos da série, o modo “campeonato” coloca-nos a correr nesses 5 circuítos, ao longo de 5 níveis de dificuldade, com os mesmos circuitos a tornarem-se gradualmente mais longos e os oponentes mais agressivos. Nesse mesmo modo Championship é obrigatório chegar pelo menos em 3º lugar em cada corrida, de forma a podermos avançar para a próxima. Quando melhor classificados ficamos, mais dinheiro ganhamos, que será bem útil para comprar novas motos, reparar estragos ou pagar multas caso tenhamos sido caços pela polícia. Uma das novidades neste Road Rash é o facto de podermos ter amizades e rivalidades ao longo do jogo, o que até dá alguma pica extra para mandar umas boas patadas nos rivais em plena corrida.

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Ao cair da moto, às vezes voamos para bem longe e depois temos de voltar para trás a correr.

Infelizmente tem o grande problema de não ter um multiplayer em split screen, tal como o Road Rash II para a Mega Drive introduziu. Tal como o Road Rash original, o multiplayer existe apenas em jogar as corridas de forma alternada, o que é um bocadinho (muito) chato, especialmente nas últimas corridas onde as distâncias são bem grandinhas. Nos circuitos por vezes também há bifurcações que nos levam por caminhos alternativos, mas nada de especial. De resto as mecânicas de jogo são semelhantes e os controlos também: um botão para acelerar, outro para travar e um outro para atacar, onde podemos obter várias armas como os típicos bastões de baseball ou correntes de metal.

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O ecrã de selecção dos circuitos

Graficamente falando não é um jogo propriamente colossal. As motos, veículos no geral e pedestres são todos sprites digitalizados, tal como foi feito no Road Rash 3 para a Mega Drive. A única coisa em 3D poligonal pareceram-me ser mesmo os edifícios e desfiladeiros que não possuem assim tanto detalhe quanto isso mas o bom framerate da versão Sega Saturn chega bem para compensar essa falha. Outra coisa  engraçada são as cutscenes. Nos originais da Mega Drive essas cutscenes eram sempre algo engraçadas e aqui tentaram fazer o mesmo, mas em full motion video com actores reais. Existem várias cutscenes para vitórias, derrotas ou quando somos presos pela polícia. Umas até que têm piada, outras nem por isso. A banda sonora é que tanto é excelente como uma desilusão. Passo a explicar: o jogo está repleto de faixas licenciadas de bandas de rock como Soundgarden ou Monster Magnet. Isto é completamente OK in my books. Mas infelizmente isso apenas aontece nos menus e afins, pois durante o jogo em si já mudaram para músicas mais genéricas e o barulho das motas é tão forte que nem dá para as apreciar.

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O artwork das personagens do jogo está completamente caricaturado

Infelizmente este é o único jogo da série que chegou à Sega Saturn. Depois deste ainda sairam mais uns 3 jogos diferentes, já totalmente em 3D, mas apenas para as consolas Playstation e Nintendo 64. Apesar de ser um jogo que falhou no modo multiplayer – foi realmente uma oportunidade perdida, não acho este Road Rash um mau jogo de todo. A sensação de velocidade é bem convincente e poder distribuir pancada noutros motoqueiros é sempre divertido. É pena que a Electronic Arts nunca mais tenha voltado a pegar na série, após um port manhoso para a Gameboy Advance. Mas veremos o que o futuro lhe reserva. Ainda sobre este jogo, saiu também uma versão para a Mega CD, que herda a mesma banda sonora, vídeos e pouco mais, pois a parte gráfica do jogo em si já é muito semelhante a outros Road Rashs da Mega Drive.