Altered Beast (Sega Mega Drive)

Altered BeastVamos lá voltar à consola de 16bit da Sega, para uma breve análise a um clássico da consola. Altered Beast foi um dos poucos jogos de lançamento da Mega Drive tanto em solo japonês como norte-americano, tendo sido o jogo com maior destaque para demonstrar as capacidades superiores da Mega Drive face à NES. Na Europa e particularmente em Portugal onde recebemos oficialmente a consola mais tarde, já chegou cá com um catálogo mais bem compostinho. E o Altered Beast entrou na minha colecção algures durante o mês passado, tendo sido comprado na feira da Vandoma no Porto por uma quantia a passar um pouco dos 3€.

Altered Beast - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual europeu

“RISE FROM YOUR GRAVE!” é logo o nosso cartão de boas-vindas quando Zeus nos ressuscita, incumbindo-nos de uma simples missão: salvar a sua filha Athena das mãos do malvado deus demoníaco do underworld, Neff. Apesar de Neff não ser Hades, dá para perceber que este é um jogo com muitas influências da mitologia da Grécia Antiga.

Numa primeira olhada, Altered Beast é um beat ‘em up difícil, mas simples. Ao contrário de Double Dragon ou Golden Axe, a nossa personagem e inimigos movem-se num único plano, ao invés de ser simulado um espaço 3D. Não há uma grande variedade de golpes, temos um botão para murros, outro para pontapés e um outro para saltar. É possível atacar quando saltamos, ou ao pressionar o direccional para baixo. O que diferenciou Altered Beast de todos os outros jogos na altura é mesmo a licantropia dos heróis, sendo capazes de se transformar em diversos animais. O jogo está dividido em 6 níveis distintos e em cada um podemos nos transformar em animais diferentes, cada um com os seus poderes e habilidades características.

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Os inimigos vão sendo variados entre si e têm um bom detalhe

Para nos transformarmos, ao longo de cada nível vamos vendo uns lobos azuis, ao derrotá-los eles soltam umas orbs azuis que devemos coleccionar. Por cada orb coleccionada, o jogador ficará cada vez mais poderoso, quase a rebentar com os músculos que ganham. Por fim ao apanhar a terceira orb, transformam-se no tal animal. No primeiro nível transformam-se num lobo capaz de atirar bolas de fogo e saltos horizontais que levam tudo à frente, no seguinte num dragão voador com ataques eléctricos, depois um urso que petrifica os inimigos e é capaz de se enrolar sobre si mesmo. Os últimos dois, são um tigre, também cospe bolas de fogo e tem saltos verticais que levam tudo acima ou abaixo e por fim, no último nível, temos novamente o lobo, desta vez dourado e mais poderoso.

Altered Beast é um jogo para os duros, pois começamos o jogo com apenas 3 vidas e uma barra de energia que não regenera de nível para nível. E os inimigos vão ficando cada vez mais resilientes e agressivos, o que nos irá dar algumas dores de cabeça. No entanto, através de alguns cheat codes obscuros, é possível desbloquear um menu que nos permite mudar a dificuldade do jogo de Normal até Very Hard (awesome), o número de vidas ou o tamanho da health bar. Existem ainda ou outros códigos que nos vão deixando continuar o jogo após um game over, ou mesmo um código que nos deixa escolher qual o bicho que nos queremos transformar em cada nível, por exemplo.

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Os bosses são grandinhos e gore quanto baste.

Graficamente, apesar de ser um jogo que não tira o maior partido da biblioteca da Mega Drive, afinal é um jogo de lançamento, percebe-se perfeitamente o porquê da Sega of America ter-lhe dado um grande destaque por alturas do seu lançamento. As suas sprites grandes e bem detalhadas, tanto dos lutadores, inimigos e bosses, ou mesmo as fantásticas animações quando nos transformamos numa das bestas, eram certamente impressionantes para os padrões nos finais dos anos 80, mostrando claramente a superioridade gráfica da Mega Drive face à concorrência 8bit. A versão Mega Drive é muito parecida à versão arcade, embora possua menos detalhe nas sprites e background, mas para compensar tem um efeito de scrolling em parallax melhor. As músicas também são mais pujantes na versão arcade, assim como os próprios samples de voz são mais nítidos. Ainda assim não deixa de ser awesome ouvir na Mega Drive “Welcome to your doom!” antes de cada luta de boss.

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Esta imagem serviu para muitos screenshots em todas as revistas da especialidade. Back in the day, sempre achei esta imagem fenomenal.

No fim de contas, Altered Beast acaba por ser um jogo que não envelheceu muito bem a nível de mecânicas de jogo, mas não deixa de ser divertido e uma pedra importante tanto do catálogo da Mega Drive, como mesmo da própria Sega. É um jogo que também foi convertido por outras empresas para inúmeros sistemas, não só a Master System, mas para vários computadores (Atari ST, Spectrum, Commodore 64 e Amiga, entre outros), como para consolas da concorrência, como a PC-Engine/TG-16 ou mesmo a NES. Mas a versão da Mega Drive é superior a todas essas conversões. O jogo acabou por aparecer também noutras plataformas mais recentes em várias compilações, aí já com emulações bem competentes: Dreamcast, Xbox, X360, PS3 ou o Virtual Console da Nintendo Wii. Mas a melhor conversão de todas parece-me mesmo ser a mais recente, que saiu na 3DS, com o jogo a ser retocado para tirar partido do ecrã 3D da portátil da Nintendo.

Fighting Vipers (Sega Saturn)

Fighting VipersJá disse por várias vezes que gosto bastante da época dos anos 90 da Sega, em especial os seus jogos arcade em 3D como Sega Rally, Daytona USA ou Virtua Fighter. A Sega Saturn, a polémica consola de 32bit, amada por uns e odiada por outros, serviu para trazer a grande maioria desses títulos arcade para casa, em boas conversões ou nem tanto assim. A série Virtua Fighter, produto da criatividade de Yu Suzuki é um dos grandes marcos dessa época, mas não foi a unica série de jogos de pancada em 3D que teve a mão desse senhor. Enquanto Virtua Fighter apostava num maior realismo na representação de diversas artes marciais (sem contar com os saltos de astronauta, claro está), este Fighting Vipers possui algumas diferenças, sendo um jogo mais descontraído e ainda mais “arcade”. A minha cópia veio-me parar às mãos algures em 2011 se a memória não me falha, tendo ficado por volta de 2€, em conjunto com o Fighters Megamix, num leilão do Miau.pt. Infelizmente o jogo já viu melhores dias e não tem manuais, pelo que mais tarde ou mais cedo irei substituí-lo por uma versão completa e em bom estado.

Fighting Vipers - Sega Saturn
Jogo com disco.

Fighting Vipers tem um feeling muito mais urbano e de “street fighting“. Todos os seus lutadores são jovens rebeldes, como gansters, músicos de bandas rock/metal, skaters e por aí fora. Todos eles participam em lutas de rua de forma a pertencer à elite dos “Vipers”. Por algum motivo o presidente da câmara lá da cidade local (Armstrong City) decide organizar um mega torneio de artes marciais e todos esses lutadores aderem, na esperança de vencer. História e jogos de luta nunca foram coisas que se deram assim tão bem, e este Fighting Vipers é um desses jogos. Mas na verdade também não é preciso muito mais para que um jogo deste tipo nos agrade!

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Ao lado das barras de energia de cada lutador temos também uma figura que indica o estado da sua armadura

E é na jogabilidade que Fighting Vipers possui algumas diferenças em relação ao Virtua Fighter. Para começar, todos os lutadores possuem uma armadura, que se pode partir com o dano sofrido e os lutadores para além de ficarem mais despidos, naturalmente que ficam bem mais vulneráveis aos ataques. As arenas são também fechadas, no entanto, através de alguns golpes especiais podemos atirar os adversários por cima das mesmas, ou mesmo através delas, destruindo as arenas num só golpe. Estes golpes mais “over the top” são justamente das coisas que tornam este Fighting Vipers num jogo menos realista mas nem por isso menos divertido. Os controlos são muito semelhantes aos do Virtua Fighter, com o botão A para bloquear, B para murros e C para pontapés. Os restantes botões do comando da Saturn (à excepção do direccional e Start, claro) servem para fazer pequenos combos de 2 ou 3 acções. Nesta versão Saturn existe uma opção em que podemos jogar o modo arcade com uma regra especial: através de uma combinação de botões é possível o nosso lutador despir a sua armadura por completo. de modo a poder executar alguns ataques rápidos. No entanto ficamos mais vulneráveis, claro. Infelizmente alguns golpes em específico de alguns lutadores são bastante poderosos, o que acaba por tirar algum desafio do jogo no modo arcade.

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É impressão minha ou a Jane é uma imitação da Vasquez do filme Aliens?

Fighting Vipers é também um jogo que se esforçou mais para apresentar mais conteúdo para além de uma simples conversão arcade. Assim sendo, para além do modo arcade, onde depois até poderemos desbloquear alguns lutadores adicionais como o boss Mahler e o modo versus onde podemos jogar contra um amigo, temos também o Team Battle, Training e Playback. O training dispensa quaisquer apresentações, é um modo de jogo onde podemos treinar os golpes dos lutadores. Playback permite ver o replay alguns combates que gravamos e por fim o Team Battle é uma espécie de torneio. Neste Team Battle podemos escolher uma equipa de lutadores e defrontar uma equipa criada por um amigo, ou pela CPU. Neste modo de jogo podemos definir se queremos que a vida e armadura dos lutadores transite para o combate seguinte ou se é feito um reset a 100%. Cada equipa pode ter o mesmo lutador entre ambas, ou até repeti-lo várias vezes na sua equipa.

No que diz respeito ao audiovisual, o original da arcade corre no sistema Model 2, o mesmo de Virtua Fighter 2. Esse é um sistema mais poderoso que a Sega Saturn, pelo que esta conversão não apresenta naturalmente o mesmo poderio gráfico. Ainda assim não é nada mau de todo. Os lutadores continuam muito bem detalhados, embora um bocadinho menos que no Virtua Fighter, devido às suas armaduras/vestimentas mais complexas e as arenas apresentarem um pouco mais de detalhe. Mas é precisamente pelas armaduras e vestimentas mais detalhadas que os lutadores me parecem ter um maior carisma. Os backgrounds continuam a ser imagens em 2D, embora tal como no VF2 apresentam alguma dinâmica, o que já disfarça um pouco a coisa. Mas o que é realmente bom neste Fighting Vipers são as músicas, sendo quase todas hard rock/metal, mesmo como eu gosto.

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Nas opções podemos customizar os controlos à nossa medida

Concluindo, se gostam de jogos de pancada em 3D e têm uma Saturn, então comprem este jogo se tiverem a oportunidade. Virtua Fighter 2, Fighting Vipers e Fighters Megamix são a santíssima trindade dos jogos deste género na Saturn e não deixam de ser jogos de grande peso em toda a geração 32bit. E o Last Bronx também mandou um beijinho, mas esse ficará para um outro artigo.

Aliens Colonial Marines (PC)

Aliens Colonial MarinesUma pena. É o que se resume para mim este jogo. Com tanto potencial ao dar seguimento à história de um dos meus filmes preferidos, ver todas as novelas que o jogo passou e jogar este produto inacabado é realmente uma pena. Long story short, em 2001 a Fox Interactive anunciou um FPS com este nome para a Playstation 2, que nunca chegou a sair. A Sega eventualmente comprou a licença dos Aliens em 2006, e um novo Aliens Colonial Marines foi logo anunciado, com o seu desenvolvimento a cargo da Gearbox, empresa responsável pelo lançamento de expansões do Half-Life, a série Brothers in Arms e posteriormente o Borderlands. Uma empresa com provas dadas dentro do ramo dos FPS. Entretanto houve muitos adiamentos e supostos cancelamentos, com o jogo a sair finalmente no início de 2013. Por essa altura veio-se a descobrir que a Gearbox estava a utilizar parte do financiamento da Sega para desenvolver o Borderlands, e quando a Sega o descobriu, cancelou temporariamente o jogo. Essa polémica fez com que tivessem havido alguns despedimentos na empresa em 2008 e o jogo tenha sido outsourced para outros estúdios menores, sendo essa a grande razão por todos os seus atrasos e por o jogo ter saído como um produto apressado e inacabado. A minha cópia entrou na minha colecção algures no final do ano passado de 2013, sendo a edição de coleccionador, comprada na loja nortenha Gamingreplay por 15€.

Aliens Colonial Marines Collector's Edition
Edição de coleccionador do Aliens Colonial Marines

O jogo decorre depois dos acontecimentos do filme Aliens e Alien 3, com os Space Marines a bordo da nave USS Sephora a deslocarem-se à USS Sulaco do segundo filme que estava misteriosamente de volta em órbita do planeta LV-426, após Ripley, Newt e Hicks terem sido ejectados para o planeta Fury 161 como tinha sido visto no Alien 3. Ou se calhar não foi bem assim, mas vou guardar o spoiler. Quando os Marines atracam na Sulaco descobrem uma infestação de aliens e um grupo para-militar contratado pela Weyland Yutani que estava a controlar a USS-Sulaco e utilizar os marines como hospedeiros dos aliens. Após um combate entre as duas naves, ambas caem sobre LV-426 e o jogador (um space marine chamado Winter) em conjunto com os seus companheiros começam a explorar o planeta, revisitando a colónia de Hadley’s Hope, as ruínas da nave alienígena do filme Alien, o Oitavo Passageiro, entre outros locais, descobrindo que a Weyland Yutani estava a fazer das suas.

Aliens Colonial Marines
Jogo com caixa, manual e papelada

A jogabilidade do modo campanha é a de um simples FPS linear. O jogo está dividido em vários níveis/missões, onde temos de cumprir uma série de objectivos, geralmente ir do ponto A ao ponto B e ver o que se passa, activar ou desactivar alguma coisa, resgatar algum Space Marine ou simplesmente matar tudo o que mexa. O facto de o jogo ser linear é algo que eu compreendo, pois o objectivo é tentar aproximar-se o melhor possível de um filme de acção, tal como Aliens o foi em 1986. Para além dos tiroteios habituais e dos momentos já algo clichés de “last stand” onde nos temos de defender de várias waves de aliens, existem também 2 momentos onde tentam incutir uma vertente mais stealth, mas sem grande sucesso. O primeiro desses momentos é quando estamos desarmados e temos de atravessar os esgotos da colónia e nos deparamos com uma espécie de cemitério de aliens, onde uma nova raça dos xenomorfos estão adormecidos no meio dos seus cadáveres. Estes aliens são cegos, porém muito sensíveis ao som, pelo que temos de fazer o mínimo ruído possível. O segundo momento é quando nos pedem para limpar o sebo a uns quantos cientistas/soldados nos laboratórios da Weyland Yutani sem que eles activem um alarme, coisa que só resulta bem se jogado em cooperativo.

Aliens Colonial Marines
Restante da papelada que veio junto do jogo

Isto porque o jogo está repleto de defeitos, muitos desses defeitos mais grosseiros foram corrigidos com o lançamento de patches, mas ainda há muito lixo a pairar no código. Em primeiro lugar, ainda bem que não existe friendly fire, senão os nossos companheiros morriam muito facilmente. A inteligência artificial é muito má, os nossos companheiros ficam frequentemente presos a um local e já me aconteceu por várias vezes eles não me acompanharem, deixando-me inteiramente por minha conta até que chegasse a um local onde a sua presença era obrigatória e magicamente se teletransportavam para o meu lado. Os próprios inimigos por vezes também ficam presos a um sítio, tornando-se presas fáceis.
Já me aconteceu várias vezes os aliens simplesmente desaparecerem do ecrã, ou até atravessarem um vidro. Felizmente podemos jogar a aventura singleplayer cooperativamente com até mais 3 amigos, tornando a coisa menos intragável. Não aponto grandes problemas para os controlos, são simples e funcionais, embora quando tivemos de controlar o power-loader, esses poderiam ter sido melhor implementados.

Aliens Colonial Marines
Estátua que vem na CE.

O jogo tem um vasto armamento, com várias pulse-rifles como nos filmes, shotguns, revólveres, lança-chamas, rockets ou mesmo a smart-gun com o seu auto-aim dentro de uma certa área. Podemos carregar uma arma primária, uma secundária e um revólver com munição infinita, para além de um certo número de granadas e munições secundárias para certas armas. Ao longo do jogo podemos encontrar algumas armas “lendárias”, como a shotgun de Hicks, ou o revólver Gorman, armas directamente retiradas do filme Aliens. Para além desses extras temos outros coleccionáveis, como dogtags dos colegas Marines ou audio logs. Para além dos achievements do jogo, existem também uma série de achievements internos que nos dão pontos de experiência. Esses pontos de experiência, que são ganhos com cada kill e assist ao longo do jogo, ou com os coleccionáveis que encontramos, servem para aumentar o nosso rank. Piscando o olho a Battlefield ou outros shooters militares modernos, vamos desbloqueando uma série de novas armas e vamos podendo-as customizar à nossa medida, com novas miras, munições secundárias, novas skins ou outros acessórios.

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Os quick-time events estão de volta, mas felizmente são apenas ocasionais

Para além do modo campanha que pode ser cooperativo, temos também a vertente multiplayer do jogo que eu não cheguei a experimentar, pelo que não me vou alongar. Existe um team deathmatch e um modo de jogo chamado Escape, onde os Marines têm de sobreviver e alcançar um evac-point para escapar e os Aliens naturalmente terão de impedir que isso aconteça.

Passando para o audiovisual, Aliens Colonial Marines não possui a mesma qualidade gráfica de um Crysis, tem texturas de baixa resolução e modelos com poucos polígonos, no entanto acho que cumpre os requisitos mínimos. Adorei a maneira “high-tech dos anos 80″ com que conseguiram recuperar a atmosfera do filme Aliens, com todo o equipamento electrónico com os monitores CRT e todos aqueles botões quadrados. A HUD (informação passada no ecrã) é como se estivéssemos dentro de um gravador de vídeo em VHS, as letras têm o mesmo estilo dos ecrãs LCD da época e a própria imagem do jogo tem um filtro gráfico que se assemelha mesmo à qualidade de uma fita VHS. É um pormenor que achei muito interessante (não tenho dúvidas que tenha sido utilizado para mascarar os gráficos) e pelos vistos pouca gente reparou no mesmo. Mas se passarmos para os diálogos… bom esses são realmente maus e bastante clichés. É pena porque a história como um todo até faz algum sentido. Ainda assim, e voltando à história, o DLC Stasis Interrupted conta o porquê da USS Sulaco estar de volta a LV-426 e o porquê de outras coisas. É pena que não tenha feito parte do pacote do jogo.

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Podemos jogar cooperativamente com mais alguns amigos

No fim de contas, confesso que não desgostei de todo do jogo. Para quem é fã da saga Aliens certamente irá encontrar alguns bons momentos na história. O facto de graficamente não ser o melhor jogo de sempre não é algo que me incomoda assim tanto. Na minha opinião o pior são mesmo os imensos bugs existentes e a inteligência artificial que é péssima, bem como os diálogos do jogo que são cheesy até dizer chega. É um jogo que tinha um enorme potencial de relançar finalmente a saga Aliens para a ribalta (após Prometheus ter dividido muitas opiniões), mas quando jogamos algo onde é bem notório que é um produto inacabado e apressado, para mim é mesmo esse o grande problema de Aliens Colonial Marines. Ponho fé na Creative Assembly para o Alien Isolation.

Pac-Mania (Sega Master System)

PacMania-SMS-EU-mediumDe volta para a Sega Master System para mais uma “rapidinha”. Antes de Donkey Kong ter feito furor nas arcades por todo o mundo fora, foram jogos como Space Invaders ou Pac-Man que tiveram um sucesso tremendo, com conversões para practicamente todos os sistemas de videojogos da altura. Pac-Man, com a sua personagem bastante peculiar foi o primeiro videojogo a utilizar o conceito de mascote, com o semicírculo amarelo a figurar no mais variado merchandising. O sucesso de Pac-Man fez surgir imensos clones e sequelas, uns tentando fazer algo completamente diferente (como Pac-Land), outros simplesmente evoluíram a jogabilidade do original, onde este Pac-Mania se enquadra. A minha cópia do jogo entrou na minha colecção há algum tempo atrás, não sei precisar quando, tendo sida comprada num excelente bundle que me ficou baratíssimo no já saudoso miau.pt.

Pac-Mania - Sega Master System
Jogo com caixa

A grande diferença entre Pac-Mania e o original está mesmo na perspectiva do jogo que passou a ser quase isométrica, dando assim a impressão que o jogo é em 3D. Para além disso, o Pac-Man tem agora a habilidade de poder saltar sobre os fantasmas, mais uma manobra evasiva ao nosso dispor. De resto o objectivo é o mesmo do jogo clássico: comer todas as bolinhas amarelas espalhadas pelo nível, fugindo ao mesmo tempo de uma série de fantasmas que nos perseguem ao longo dos corredores labirínticos. Há fantasmas mais rápidos que outros e inclusivamente existem uns novos que saltam ao mesmo tempo que nós, sendo assim bem mais difíceis de evadir do que os restantes. Também tal como no clássico existem umas bolas amarelas maiores que ao comê-las dão-nos invencibilidade temporária, onde nos poderemos vingar dos fantasmas que nos perseguem e engoli-los também. As frutinhas que aparecem temporariamente também existem neste jogo e com uma maior variedade, atribuindo-nos mais pontos de bónus se as conseguirmos comer. No entanto uma outra novidade está na inclusão de mais dois power-ups temporários: um torna-nos mais rápidos, o outro duplica a pontuação obtida.

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Desta vez podemos enganar os inimigos ao saltar por cima deles

Pac-Mania é um jogo colorido e bem detalhado. Os níveis estão bem representados, com um efeito 3D convincente. No entanto, com esta nova perspectiva deixamos de ter vista completa para todo o nível, tornando as coisas um pouco mais confusas, mas é algo que faz parte. Existem 4 diferentes variedades de níveis, um conjunto de labirintos feitos por blocos de plástico semelhantes a Legos, outros representações em 3D das arenas do jogo clássico (Pac-Man Park), uma outra num mundo de areia em que as paredes são pirâmides, e por fim temos os Jungly Steps, onde os labirintos não têm paredes, estão divididos por abismos e os fantasmas andam mais rápido que nunca. A versão Master System dispõe ainda de um nível secreto composto apenas por moedas. Os efeitos sonoros são bastante simples, tais como os do jogo original. As músicas também são OK, mas nada que fique propriamente na memória.

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Gostei do design destes níveis em particular.

Em suma Pac-Mania é uma boa conversão da arcade, certamente muito melhor que as conversões que chegaram aos computadores 8bit no mercado. É um jogo simples, mas continua viciante e as coisinhas novas que acrescentaram dão um bom tom ao jogo. Existe também uma versão para a Mega Drive e Amiga que naturalmente são tecnicamente superiores, mas para o jogo que é, a Master System dá bem conta do recado.

Winter Heat (Sega Saturn)

Winter HeatNo seguimento do artigo Athlete Kings, aqui fica mais uma “rapidinha” à sua sequela, desta vez focada nos desportos de inverno. O feeling do jogo e o seu conceito geral continua idêntico: é um button masher com alguma estratégia à mistura em alguns desportos, um Track & Field de inverno na era dos 32bit. E curiosamente tal como o Athlete Kings, este Winter Heat também foi comprado algures no ano passado na Cash Converters de Alfragide, juntamente com o Athlete Kings e ao mesmo preço (próximo dos 3€).

Winter Heat - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Neste jogo contamos com 11 diferentes desportos, entre os quais diversas provas de ski, bobsleigh, snowboard ou patinagem. Tal com no jogo anterior dispomod dos modos Arcade (onde para prosseguir no jogo temos de obter pontuações mínimas em cada desporto), o 11 Eveent Heat, onde podemos concorrer em todos os desportos e no final é atribuída a pontuação global, o Individual Match onde podemos treinar cada um dos desportos e como novidade dispomos do Custom Heat Mode, onde podemos seleccionar um grupo de desportos a competir. Uma outra novidade face ao Athlete Kings é a vertente multiplayer, que permite jogar com um número de até 4 jogadores em simultâneo ou por turnos (depende do desporto em causa), mas sempre utilizando o adaptador multi-tap.

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As personagens presentes no Winter Heat. Algumas caras novas, outras familiares.

Dependendo do evento em questão a jogabilidade também vai alterando. Em eventos meramente de velocidade como o Speed Skiing apenas temos de nos preocupar em clicar no botão para ganhar velocidade o mais rápido possível, isso é algo presente em todos os desportos, mas nos outros temos também algumas peculiaridades. No bobsleigh podemos manobrar o sled, o mesmo com o trenó, no Speed Skating temos também de reduzir a velocidade em curvas mais apertadas. No Ski Jumping temos de ganhar o máximo de velocidade no início, mas saltar no tempo e com o ângulo certo. No Cross Country é uma prova de resistência em Ski, onde temos de gerir bem a velocidade e a barra de fadiga do jogador. Existem ainda outrs desportos mais “livres” como o Slalom em ski, onde temos de manobrar por entre algumas bandeiras e efectuar uns pequenos saltos. No Snowboard também podemos controlar o jogador mais livremente.

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Antes de cada evento temos uma explicação de como as mecânicas funcionam. Claro que podemos sempre praticar num modo próprio para isso.

O jogo dispõe de 8 personagens jogáveis, muitas delas já tinham passado por Athlete Kings, como o russo Aleksei Rigel ou a francesa Ellen Regianni, algumas caras novas surgem como o norueguês Johann Stensen, visto a Noruega não ter participado no jogo anterior. Infelizmente a personagem mais carismática – o britânico Jef Jansen desapareceu, entrando para o seu lugar um outro britânico chamado B.B., um atleta misterioso de cara tapada. E as personagens estão muito bem detalhadas. Winter Heat é um dos jogos que, como o Virtua Fighter 2, utiliza o modo de alta resolução da Saturn, embora de forma parcial (704×240 contra 704×512 do Virtua Fighter 2 PAL). Isto resulta em personagens com um detalhe elevado, embora os backgrounds não o sejam assim tanto. Também, como é tudo “branco”, seria algo difícil este jogo destacar-se mais. Não deixa de ser um bom trabalho no campo visual. As músicas apenas são existentes nos menus e afins, já nas provas apenas ouvimos os barulhos de fundo. As músicas são OK, típico da Sega na altura, mas nada que se chegue perto de Sega Rally. Os efeitos sonoros e o voice acting também estão bem conseguidos e contribuem bem para a atmosfera mais bem humorada do jogo.

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A prova de Slalom tem uns controlos algo apertados, é preciso prática

No geral o Winter Heat parece-me um jogo com menos button mashing frenético que em Athlete Kings, pois coloca sempre uma componente estratégica maior no jogador. Na maioria dos desportos temos de controlar a nossa velocidade, não basta carregar nos botões à maluca. É um jogo divertido, mas sendo um jogo mais arcade, ao fim de algum tempo acaba por não ter muito mais para oferecer. Recomendo mais pela vertente multiplayer.