The Story of Thor (Sega Mega Drive)

The Story of Thor

Bom, este é dos poucos exemplos em que quando nos Estados Unidos mudam o nome de um jogo até acaba por ser uma boa decisão. Isto porque este jogo na Europa e Japão chama-se The Story of Thor, nas américas alguém lhe decidiu chamar Beyond Oasis e eu acho que faz muito mais sentido. Isto porque não vi nenhuma menção a qualquer deus nórdico, quanto mais o Thor e todo o jogo tem uma ambiência árabe… mas picuinhices à parte, sempre adorei este jogo e o meu exemplar foi comprado por cerca de 10€ na Feira da Vandoma no porto há coisa de 2 meses atrás.

Jogo com caixa e manuais. O manual português é de uma outra distribuidora que não a Ecofilmes e não vinha com o jogo que comprei originalmente.

Aqui o nosso herói é o príncipe Ali, que numa das suas explorações descobre uma braçadeira dourada com poderes mágicos. Era a Gold Armlet, outrora pertencente a um poderoso feiticeiro benevolente. Tinha sido criada para combater a Silver Armlet, pertencente a um outro feiticeiro com más intenções – o Agito. E ao que parece esse feiticeiro está de volta, os seus monstros invadiram o país e atacaram também os restantes membros da família real! A nossa missão é simples: para derrotar Agito teremos primeiro de encontrar 4 espíritos para nos auxiliar nessa demanda.

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Visualmente é um jogo muito bonito, bem detalhado e animado!

E é aí que entra uma jogabilidade que pega em conceitos algo mascarados de action RPGs com a exploração, puzzle e combate de jogos como os The Legend of Zelda tradicionais em 2D. Sim, temos um overworld considerável para explorar, com uma aldeia, palácio, várias paisagens repletas de perigos e muitas dungeons pela frente, com os seus puzzles e bosses como seria de esperar. O combate é bastante fluído e é possível executar alguns golpes especiais e combos como se um beat ‘em up se tratasse. Começamos com um pequeno punhal, que apesar de ser relativamente fraco permite-nos desencadear uma série de golpes bem ágeis. Iremos encontrar muitas outras armas ao longo do jogo como espadas, arco-e-flecha ou vários tipos de explosivos. O nosso inventário para as armas (e outros itens) é limitado, mas também a maioria das armas têm um determinado número de utilizações antes de partirem, pelo que devemos sempre ter o cuidado de deixar as melhores para bosses ou outros inimigos mais chatos.

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Efreet é certamente o espírito mais poderoso!

Mas também temos os tais espíritos que nos ajudam assim que os encontremos. Temos Dryad, espírito da água, Efreet do fogo, Shade da sombra e Bow, espírito da terra que é na verdade uma planta gigante. Todos estes possuem vários poderes, muitos deles mesmo necessários ao nosso progresso. Dryad consegue apagar fogos que nos impedem a passagem, curar-nos, Bow pode comer umas portas verdes especiais, Shade protege-nos das quedas em abismos sem fim ou transporta-nos entre pequenos abismos. Mas todos eles têm ataques especiais que nos poderão ser bastante úteis, o Efreet então nem se fala! Mas para não tornar o jogo demasiado fácil, existe uma barrinha de energia que está constantemente a ser consumida enquanto algum dos espíritos esteja activo. Geralmente a mesma pode ser regenerada naturalmente ao andar de um lado para o outro (embora existam alguns locais em que isso não acontece) mas existem alguns itens que nos restauram essa energia, como vários tipos de comida que também nos poderão restaurar a nossa própria vida. A maneira como chamamos esses espíritos também é interessante. Ao pressionar no botão A, soltamos uma bola de energia que se tocar nalguma superfície com água chama Dryad, fogo para Efreet e por aí fora. Até a sombra dos nossos inimigos serve para shamar o Shade, por exemplo. São detalhes muito interessantes!

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Como não poderia deixar de ser, temos também vários bosses para enfrentar

Os elementos de RPG é que estão algo mascarados, pois não são assim tão visíveis. Tanto nós quanto os nossos espíritos podem ficar mais fortes, bastando para isso apanhar uma série de itens especiais. No caso dos espíritos esses itens são cristais coloridos, muitas vezes bem escondidos nas dungeons ou outras áreas e daí que a exploração e backtracking sejam encorajados sempre que encontremos um novo espírito e por conseguinte com novos poderes à disposição. Para fazer “level up” do Ali já é algo mais rebuscado. Para isso temos de estar com a nossa barra de vida quase no mínimo, levar uma pancada de algum inimigo e depois matá-lo, fazendo com que o mesmo deixe cair um coração. Esses corações são os que nos vão deixar mais fortes, mas no fim irá afectar negativamente a nossa pontuação final caso os apanhemos, o que sinceramente a mim isso não me provoca nenhum dilema.

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A menção ao Yuzo Koshiro logo no ecrã título serve bem para mostrar o peso que o nome dele tinha na indústria.

Graficamente é um jogo excelente. Os cenários, inimigos e restantes personagens estão muito coloridos, bem detalhados e os movimentos de Ali são também muito bem animados. Um dos melhores jogos da Mega Drive neste campo, na minha modesta opinião. As músicas, da autoria de Yuzo Koshiro, apresentam um registo muito mais calmo que a música electrónica de Streets of Rage, mas também seria de esperar que fosse algo mais adequado a um jogo de fantasia. São músicas mais calmas, por vezes algo sombrias, mas a qualidade do som em si deixa-me um pouco a desejar tendo em conta que o mestre Koshiro já fez muito melhor.

Story of Thor, ou Beyond Oasis como lhe prefiro chamar, é um excelente jogo da Mega Drive, óptimo para quem gosta de RPGs de acção ou mesmo clones de Zelda, esta é certamente uma das melhores apostas nesse ramo para a Mega Drive. Existe um outro jogo desta série para a Saturn, mas por acaso esse nunca acabei por o jogar. Quem sabe um dia…

Battle Arena Toshinden Remix (Sega Saturn)

Battle Arena Toshinden

Vamos lá a mais uma rapidinha a uma conversão de mais um jogo da série Battle Arena Toshinden para a Sega Saturn. Esta série, produzida pela Takara, foi um dos primeiros clones de Virtua Fighter, o mítico jogo de luta que deu início aos primeiros videojogos de luta 1 contra 1 completamente em 3D poligonal, contrastando com todos os clones de Street Fighter e Mortal Kombat que haviam por aí. Mas Battle Arena Toshinden é mais que um clone pois é um dos primeiros, senão o primeiro mesmo, jogo de luta 3D com armas brancas, muito à semelhança do que veio posteriormente a ser popularizado com Soul Blade / Soul Calibur. Mas antes disso, Battle Arena Toshinden foi também o primeiro jogo de luta a sair na Playstation, uns meros meses antes de Tekken, portanto foi também concorrente directo ao Virtua Fighter nessa consola. Mas poucos meses depois também foi relançado como Battle Arena Toshinden Remix na Sega Saturn. O meu exemplar foi trocado com um particular por um outro jogo que eu tinha aqui repetido.

Jogo com caixa e manuais

BAT Remix é mais que uma mera conversão, pois traz algum conteúdo extra, como uma nova personagem jogável, exclusiva desta versão Sega Saturn, bem como um modo história repleto de cutscenes que nos enquadram melhor na história. Isto porque o BAT Remix segue o cliché de muitos outros jogos de luta, na medida em que existe algures um grande torneio de artes marciais, organizado por gente duvidosa e com segundas intenções e todos os lutadores têm as suas próprias razões para competir, sejam boas ou más. Bom, esse modo história ao menos dá-nos um pouco do background de cada personagem, as suas motivações e relações com os outros lutadores que nos apareçam à frente. Temos também o modo arcade para um ou dois jogadores, bem como um modo de treino onde poderemos lutar contra o computador. A jogabilidade em si é simples, com 2 botões para ataques com a arma e outros 2 para pontapés (fracos mas rápidos e fortes mas lentos). Como não poderia deixar de ser há uma série de especiais e se escolhermos as dificuldades mais baixas até dá para mapear alguns golpes especiais num ou 2 botões do comando.

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Battle Arena Toshinden é uma das primeiras séries de luta em 3D. E com armas brancas!

Tecnicamente o jogo não é nada de especial. Tanto a versão Saturn como Playstation apresentam modelos poligonais com pouco detalhe, bem característicos desta altura em que os jogos inteiramente em 3D ainda davam os primeiros passos. Mas a versão Saturn ficou um pouco inferior – sim, pois a consola 32bit da Sega apresentava um hardware muito complexo e era um trabalho colossal colocar um jogo tão bonito numa consola e noutra e com o mesmo rendimento, já todos sabemos, ou deveríamos saber dessas “limitações” da Saturn. O que é inferior aqui, para além de alguns efeitos de transparências como é habitual, os próprios backgrounds das arenas são muitas vezes imagens estáticas ao contrário da versão arcade ou PS1, que apresentam cenários também poligonais. A música e efeitos sonoros no geral não me deixaram lá muitas lembranças pelo que nem os comento, já o voice acting das cutscenes entre cada combate no modo história… esse… esse é tão horrível que até se torna bom! Vocês sabem! Quase no nível do House of the Dead 2!

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Este modo história não está no original arcade e playstation. Mas a qualidade também não é de todo a melhor.

Battle Arena Toshinden é uma série que por acaso nunca foi daquelas que mais me marcou. No entanto os seus 4 jogos na Playstation terão deixado as suas marcas nos fãs da Sony, até porque o primeiro antecedeu-se ao Tekken por uns quantos meses. Para esses fãs, considerem também esta conversão para a Sega Saturn assim como o Battle Arena Toshinden URA pois apesar de serem tecnicamente inferiores, ambas apresentam conteúdo extra que poderá ser uma mais valia.

Hang On (Sega Master System)

screenshotHang-On é uma das mais importantes obras de Yu Suzuki, a mesma mente por detrás do agora-finalmente-famoso-de-novo Shenmue, pois foi o primeiro jogo arcade com uma cabine de “corpo inteiro”, ou seja havia mesmo uma réplica de uma moto que teríamos de manobrar. E claro, também foi dos primeiros videojogos a utilizar a técnica do sprite scaling, que ficou bem conhecida em outras das suas obras como Out-Run e davam uma sensação de velocidade que os videojogos da concorrência não tinham. Claro que a versão Master System, lançada originalmente no Japão no mesmo ano de 1985, não tinha toda esta pompa e circunstância. Esta minha cópia foi comprada a um particular há coisa de um mês, se bem me lembro.

Hang-On - Sega Master System
Jogo com caixa e manual multilingue

Este é então um jogo bastante simples. Tanto que na Europa foi lançado originalmente como um Sega Card, um formato de cartucho na forma de cartão de crédito, que tem capacidade para 32KB, o tamanho mais baixo de todos os jogos da Master System e era então deixado para jogos simples como o My Hero, Transbot ou este Hang-On. E aqui temos 8 circuitos diferentes para concorrer, cada um com 5 partes, 4Km e sempre com um tempo para bater, afinal este não deixa de ser um jogo com raízes arcade. Cada motociclista que ultrapassemos serve para aumentar a nossa pontuação final e como sempre temos de evitar bater noutros motociclistas ou nos sinais de trânsito da berma da estrada. A jogabilidade é simples com um botão para acelerar, outro travar e o direccional para virar para a esquerda ou direita e os botões para cima e paara baixo servem para engatar mudanças, existindo 3 mudanças diferentes para se usar.

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Apesar de até ser bem colorido para os padrões das consolas em 1985, perde muito do detalhe do original de arcade, o que seria expectável.

De resto a nível técnico é um jogo muito mais simples. Apesar de ser bem colorido quando comparado com jogos da NES da época, o detalhe das sprites é muito menor quando comparado com a versão arcade. E nos circuitos em si, a versão arcade tem muito mais detalhe nas pistas, aqui é só umas imagens de fundo e mudar as cores do céu e do solo. Mas não é de todo um jogo mau, simplesmente envelheceu mal e a própria Master System a meu ver acabou por receber outros jogos de corrida de motos com mais qualidade. A música e efeitos sonoros também não são nada de especial, até porque só ouvimos uns breves temas no ecrã título. É pena…

Desert Strike (Sega Mega Drive)

Desert StrikeUm dos meus jogos preferidos da Master System, tanto a nível nostálgico pois foi um dos primeiros jogos que entrou na minha colecção, como mesmo pelo jogo em si e pela sua excelente qualidade que não se perdeu na transição de 16 para os 8bit. Mas quer se queira quer não, é a versão Mega Drive aquela que foi realmente a original e apesar de eu ter quase a certeza que não se perdeu nada de relevante a nível de conteúdo na conversão da Master System (corrijam-me se estiver errado), é óbvio que nos audiovisuais a versão Mega Drive ainda leva a melhor.

Desert Strike - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual

É por essa razão que eu decidi a levá-lo quando o encontrei por um preço entre os 5/6€ na Cash de Alfragide. Sobre o jogo em si, recomendo que passem os olhos pelo meu artigo da versão Master System pois é essencialmente o mesmo jogo, mas mais bonito. E um grande clássico da era 16bit.

Halley Wars (Sega Game Gear)

Halley WarsMais uma rapidinha e para não variar vai ser mais um jogo de GameGear, desta vez um shmup vertical que até acabou por me surpreender pela positiva. Este meu exemplar é mais um dos cartuchos que veio num generoso conjunto que me foi oferecido por um colega de trabalho e que eu bem agradeço! Edit: Arranjei recentemente uma versão completa com caixa e manual.

Jogo com caixa e manual

Invariavelmente, nós somos um piloto solitário, a última grande esperança da raça Humana que nos recai o pesado fardo de sozinhos enfrentar uma horda de extraterrestres que achavam que nós estaríamos a mais no universo e então mandam um enorme cometa em rota de colisão com o nosso querido planeta. Daí o nome Halley Wars, penso eu. E se a história baseia-se em algo que já vimos vezes sem conta, a jogabilidade é um misto de tradicional e inovadora.

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Inicialmente as coisas até são bem simples.

Tradicional porque utiliza as mecânicas básicas de um shmup vertical, nós contra um exército de aliens e também asteróides que se vão metendo no nosso caminho. Podemos apanhar uma série de power-ups que tanto nos vão aumentando o poder de fogo, passando de uns modestos lasers para disparos mais poderosos e também com fogo diagonal, power-ups de velocidade que nos aumentam a agilidade, escudos que nos deixam invulneráveis a uma série de projécteis inimigos ou as “naves ajudantes”, um pouco como no R-Type, pelo menos conceptualmente, já que têm as suas diferenças. Podemos apanhar até um máximo de 4 que vão voando atrás de nós em formação de V invertido onde nos aumentam ligeiramente o poder de fogo e podem ser utilizadas como bombas inteligentes, o ataque especial que causa dano em todos os inimigos no ecrã. Mas não convém as segurarmos durante muito tempo, até porque são bem vulneráveis ao fogo inimigo. Quando virmos que um deles está para ser atingido, o melhor é usá-lo! A outra mecânica de jogo mais incomum é o medidor de dano. Ao longo do jogo vamos vendo uma percentagem no canto inferior direito do ecrã. Bom, essa é a percentagem de dano que o planeta Terra sofre, cada vez que deixamos um inimigo ou asteróide se escapar de nós. Caso chegue a 100%, naturalmente resulta num game over.

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Estes nossos “ajudantes” até que foram implementados de uma forma inteligente e original

No que diz respeito aos gráficos, acho este um jogo muito bem conseguido nesse aspecto. A viagem pelo nosso sistema solar não é apenas num fundo negro e estrelado, mas sim iremos também passar pela superfície lunar, de Saturno e os seus anéis repletos de asteróides indestrutíveis, as tradicionais enormes bases espaciais alienígenas e até o próprio cometa maldito será visitado e tudo até tem um bom aspecto. Por outro lado, as músicas não as achei nada de especial e os efeitos sonoros cumprem o seu papel.

No fundo, achei este Halley Wars um bom achado e os fãs de shmups irão certamente apreciá-lo, pelo que recomendo a sua compra caso o encontrem baratinho, num dia destes.