Out Run foi um jogo de tal forma popular e revolucionário quando saiu, que não tardou muito até aparecerem alguns que o usaram como fonte de inspiração. A série Lotus Turbo Challenge “patrocinada” pela britânica Lotus ao invés da Ferrari foi apenas uma delas. Apesar deste jogo da Mega Drive se chamar Lotus Turbo Challenge, este é na verdade a conversão do segundo jogo da série, que teve as suas origens nos computadores retro como o Commodore Amiga. O meu exemplar veio da Cash Converters do Porto algures no mês passado por 7€.
Jogo com caixa
Como seria de esperar, aqui apenas podemos jogar com carros da Lotus, nomeadamente o Elan M100 e o Turbo Esprit. O jogo faz lembrar o Out Run na medida em que vamos percorrendo várias paisagens diferentes, sempre com o objectivo de chegar ao checkpoint seguinte sem o tempo disponível se esgotar. A maior diferença face ao Outrun é que os circuitos estão mesmo segmentados em diferentes corridas e o progresso é linear, ao invés das bifurcações que encontramos no clássico da Sega. Existe também uma versão multiplayer que coloca um piloto contra o outro em split screen. A jogabilidade em si é bastante fluída, com o jogo também a apresentar-nos diferentes modos de controlo possíveis, mas os controlos default parecem-me os mais acertados, mesmo se quisermos conduzir com mudanças manuais.
Como não poderia deixar de ser, temos uma vertente de 2 jogadores
De resto a nível técnico é um jogo bastante agradável. Os circuitos vão sendo bastante diferentes entre si, apresentando vários diferentes cenários como montanhas e florestas, zonas urbanas, desertos ou mesmo pântanos! Existem também diferentes condições metereológicas, podendo ver alguns bonitos efeitos como chuva, neve, ou conduzir à noite. A banda sonora também é interessante, mas está longe de ser tão memoráveis quanto as do Out-Run.
A série Lotus Turbo Challenge não se ficou aqui pela Mega Drive, com a sua sequela a ser uma conversão do terceiro jogo que saiu originalmente para o Commodore Amiga. Fico curioso com esse jogo, pois este Lotus Turbo Challenge apesar de não reinventar a roda, acabou por ser um jogo bem interessante e que me surpreendeu pela positiva.
Durante a era 8 e 16bit, pelo menos no que diz respeito aos RPGs, a balança tendia muito mais para o lado da Nintendo, até porque as suas consolas tinham o apoio de muitos dos produtores de videojogos desses géneros, como a Enix ou a Squaresoft. As consolas da Sega também possuem alguns excelentes RPGs, mas em muito menor número, e muitos deles tendo sido desenvolvidos pela própria Sega. Este Defender of Oasis para a Sega Game Gear não é uma excepção. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto, custando-me 8€. Está infelizmente com a label gasta pelo Sol, pelo que planeio em breve trocar este cartucho por outro em melhor estado.
Cartucho com a label desgastada do sol. E é mais um exemplo da artwork da versão ocidental não ter nada a ver com o jogo em si.
A história leva-nos a uma versão fantasiosa e medieval do médio oriente e arábias, onde muitos anos antes da nossa aventura começar, um ser maligno foi trancado numa outra dimensão. Hoje em dia, com um grande e opressor império no poder, estão mais uma vez a tentar ressuscitar esse grande vilão. Nós somos um príncipe de um pacato reino vizinho que se vê no meio desta confusão e lá acabaremos por ser levados numa luta contra o império que invade o seu reino e contra o mau da fita que invariavelmente iremos defrontar no fim do jogo.
Graficamente é um jogo interessante, deixando-nos com pena da Game Gear não possuir muitos mais jogos deste género
Este é um RPG clássico com batalhas por turnos e aleatórias (por vezes até demasiado aleatórias, bastando dar dois ou três passos para activar uma nova batalha). Para além do príncipe e outras personagens que eventualmente se juntarão à nossa party, temos também um génio, que possui algumas particularidades. O génio é o único capaz de usar magias, que são aprendidas ao explorar as dungeons e ler uns murais que nos ensinam novos feitiços. O génio é também o único que não ganha pontos de experiência e sobe de nível, apenas o fortalecemos ao aprender as novas magias da forma que mencionei acima, e usando itens próprios para melhorar os seus pontos de vida, de magia e demais estatísticas.
Ocasionalmente lá vamos vendo algumas cutscenes que vão avançando na história.
De resto é um RPG simples na sua estrutura e história, até porque é pensado para uma consola portátil. Graficamente está um jogo competente, tendo em conta que é uma portátil de 8bit. Os cenários naturalmente têm todos visuais árabes, incluindo alguns monstros que me parecem retirados de lore dos contos das 1001 noites. As músicas possuem também muitas melodias árabes, que a meu ver resultam bem dentro da temática do jogo e são agradáveis de se ouvir.
Portanto, este é um RPG interessante. Não reinventa a roda, é um jogo simples, típico dos RPGs portáteis que se faziam na altura, e é original na temática que aborda, para além de possuir bons audiovisuais.
Voltando às rapidinhas da Mega Drive, o jogo que cá trago hoje até que é algo original nas suas ideias e jogabilidade. Certamente que todos nos lembramos dos desenhos animados dos Looney Tunes e de todas as aventuras das suas personagens. O típico cenário de “gato e rato” estava aqui também representado, não só com o gato Sylvester e o rato Speedy Gonzalez, mas também com o passarinho Tweety. Neste jogo encarnamos o papel de Sylvester, que tem de perseguir e apanhar o Tweety através de uma série de cenários. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide, algures no ano passado, tendo-me custado uns 7€ se bem me recordo.
Jogo com caixa e manuais
Ao longo do jogo iremos percorrer diferentes níveis onde o objectivo é sempre o mesmo: apanhar o Tweety! O irritante pássaro amarelo fofinho começa por estar sempre na mesma posição, mudando de sítio sempre que o Sylvester se aproxima, até chegar a um beco sem saída, ficando finalmente indefeso. Para isso teremos de ultrapassar alguns obstáculos, evitar inimigos como a velhota, o cão ou o gato de rua e rival do Sylvester, ou mesmo juntar e empilhar alguns objectos para conseguir alcançar alguns locais de outra forma inacessíveis. Temos algum platforming pela frente e vários power-ups para nos ajudar, desde comida de gato que restabelece alguma vida ao Sylvester, relógios que nos dão mais tempo para terminar o nível, armas que nos permitem derrotar temporariamente os inimigos que nos perseguem, ou itens como Pogo-Sticks ou guarda-chuvas que nos ajudam no platforming. Também nos podemos esconder de quem nos persegue, o que é uma adição interessante ao jogo.
Aqui tanto podemos perseguir como ser perseguidos, podendo também esconder-nos em vários locais.
Do ponto de vista técnico, este é um jogo muito interessante, com cenários bem detalhados e gráficos coloridos. Os níveis vão sendo variados, começando pela casa da velhinha, as traseiras, no bairro, em comboios ou navios, ou mesmo num laboratório, onde os papéis se invertem temporariamente, com Tweety a assumir uma forma monstruosa e perseguir o Sylvester. As animações também são muito boas, assim como as músicas que possuem na sua maioria ritmos e melodias jazz, o que me surpreendeu bastante.
Voltando à Sega Master System, o jogo que cá trago agora é bastante original dentro da sua biblioteca. É um lightgun shooter muito diferente do habitual, mas também exige o uso de uma light phaser, ao contrário de muitos outros que também permitem o uso do comando normal. Assim sendo lá tive de recorrer à emulação, pois não tenho nenhuma Light Phaser na colecção ainda. O meu exemplar veio da Feira de Espinho, onde foi comprado no ultimo domingo de Maio por 10€. Está mint!
Jogo com caixa e manual
O jogo remete-nos para o ambiente de Guerra em clima tropical, muito provavelmente para o conflito do Vietname. A nossa missão é a de proteger um pequeno esquadrão de medicos numa missão suicida, onde terão de conduzir um carrinho por caminhos de ferro em zonas de combate e tratar dos vários soldados que necessitam de cuidados médicos. A missão é suicida pois temos inimigos a atacar-nos de todo o lado e os médicos são só três.
Antes de começarmos a jogar temos direito a uma breve cutscene com o mission briefing
É pena que o jogo não tenha suporte ao gamepad, mas compreende-se o porquê. Basicamente o médico vai percorrendo um caminho de ferro fixo, parando sempre que nos deparamos com um soldado em apuros. Mas vamos sendo atacados por soldados inimigos que aparecem por todo o lado, exigindo sempre reflexos rápidos. O nosso médico pode receber um máximo de 3 pontos de dano até morrer, ficando cada vez mais lento com cada tiro que recebe. A excepção são para as tropas especiais que vão surgindo de vez em quando e que nos atacam com armas mais poderosas como granadas ou lança rockets. Estas basta 1 tiro certeiro que morremos logo, pelo que quando virmos estes inimigos a surgir no ecrã é boa ideia tratar logo deles. Também não convém andar a disparar para todos os lados pois podemos atingir algum dos nossos soldados que precisam de ser tratados. Cada vez que tratamos de um soldado, ele deixa-nos depois um item como forma de agradecimento, como medkits ou outros itens de protecção como capacetes ou escudos. Estes últimos protegem-nos apenas contra as armas “especiais” das tropas de elite, pelo que acabam por ser bastante valiosos. Os medkits apenas nos regeneram um pouco a vida no caso de sermos atingidos por armas normais. Se tivermos a vida no máximo, ao apanhar um medkit o mesmo comporta-se como uma bomba inteligente, destruindo todos os inimigos no ecrã ao mesmo tempo.
Não me lembro de ter visto soldados com Jetpacks no Vietname, talvez por isso os americanos se tenham retirado da guerra
Graficamente é um jogo algo simples, pois as sprites são pequenas. E apesar de possuir um grafismo algo “cartoon“, não deixa de ser triste quando vemos um dos médicos (ou todos, não é difícil termos um ecrã de game over) morrer em plena batalha, quando apenas tentava cuidar de feridos. Os 5 níveis vão sendo algo variados, mas possuem todos a mesma temática de cenários de guerra em climas tropicais. Para além disso, temos também uma cutscene no início e no final do jogo, o que lhe dá mais algum charme. As músicas e efeitos sonoros são competentes.
Este Rescue Mission é então um dos jogos mais originais da biblioteca da Master System, pelo menos daqueles que requerem uma light gun para serem jogados. É um jogo “on rails“, mas muito diferente do que habitualmente vemos dentro do género.
Hoje é tempo de mais uma rapidinha, desta vez para a Sega Dreamcast. Não sou um grande conhecedor das comics do Spawn, confesso. Mas a sua temática “infernal” e mais matura é algo que me interessa, pelo que é uma das coisas que está na minha “to do list”. Entretanto existem vários videojogos do Spawn, nem todos com boas críticas, mas este da Capcom sempre me interessou, até porque teve as suas origens na arcade. E tendo sido desenvolvido originalmente para o sistema NAOMI nas arcades, uma conversão para a Dreamcast não podia ter faltado. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Veio num bundle de uma Dreamcast com vários jogos que me ficou no total por 25€.
Jogo com caixa, manuais e papelada
Este Spawn é um jogo de porrada, daqueles em que podemos percorrer livremente vários cenários e derrotar vários inimigos, geralmente de forma muito violenta. Faz-me lembrar de certa forma um Power Stone, mas com minions prontos a serem esquartejados. Existem 3 modos de jogo principais dentro do Arcade: o Boss rush é o principal, onde vamos percorrendo uma série de níveis com o objectivo de assassinar um boss em cada nível. Depois temos duas variantes do deathmatch: o Team Battle Mode, que tal como o nome indica, está dividido em equipas e o Battle Royale, onde são todos contra todos e ganha quem sobreviver. Depois temos o Tournament mode, onde podemos jogar versões extendidas dos modos Team Battle e Battle Royale.
Inicialmente dispomos apenas de 11 personagens jogáveis. Mas muitas mais há para desbloquear!
A jogabilidade em si é bastante divertida. Existem várias personagens do universo da saga Spawn com as quais podemos jogar (e muitas outras para desbloquear à medida em que vamos jogando várias partidas – tal como na série Super Smash Bros.), sendo que cada personagem possui várias habilidades distintas. Cada uma possui um ataque melee de curto alcance e um outro de longo alcance, geralmente envolvendo armas. Para além disso, as arenas estão repletas de power ups escondidos, como diferentes armas brancas, desde espadas a motoserras, passando por várias armas de fogo ou explosivos. Existem também muitos outros power ups que nos aumentam a velocidade, poder de ataque ou defesa, bem como itens regenerativos. A jogabilidade em si é bastante rápida e frenética, tipicamente de um jogo arcade. Então com o extra da violência over the top, sabe ainda melhor! E como em qualquer jogo arcade que se preze temos um tempo limite para derrotar cada boss. É perfeitamente normal morrermos muitas vezes, até porque há bosses extremamente poderosos, mas temos de ter em atenção que a cada vez que morremos, sofremos uma penalização de vários segundos.
Os bosses são muitas vezes imponentes!
O problema são os controlos e câmara que não dá para ser controlada livremente devido à falta de um segundo analógico, algo que é causa de muitas chatices na maioria dos jogos em 3D na Dreamcast, pois aqui usamos um dos gatilhos para centrar a câmara, ou controlá-la, mas deixando o dedo do gatilho premido e sem nos podermos mover. E mesmo só tendo um analógico, decidiram não o usar, mas sim o D-Pad, o que é algo que realmente não se entende.
Para além de cada personagem possuir uma série de ataques próprios, podemos também equipar muitas armas diferentes que encontramos no solo de batalha.
Graficamente é um jogo interessante, nada do outro mundo, mas com visuais sólidos para a Dreamcast. A apresentação é o ponto mais forte, pois o universo do Spawn está cheio de criaturas interessantes e bem detalhadas, fruto da imaginação do Todd McFarlane. As músicas têm todas uma toada bem metal, que muito me agrada, e o narrador é todo do death metal com os seus guturais, o que resulta muito bem face a toda a violência que se vê no ecrã.
Existem vários modos de jogo que podem ser jogados com até 4 pessoas.
De resto é um jogo que preza muito a longevidade, pois teremos muitas personagens para desbloquear através do Boss Attack Mode, e artwork para desbloquear, inclusivamente das armas extra que vamos apanhando e usando ao longo do jogo. É um excelente jogo de porrada, que apenas peca precisamente pela falta de controlo da câmara e pelos controlos que poderiam e deveriam ser um pouco melhores.