Earthworm Jim (Sega Mega Drive)

Para além de Mario e Sonic, a era das consolas de 16bit foi bastante prolífera nos jogos de plataformas, e no meio de muitos clones e projectos de mascotes que acabaram por falhar, o doido Earthworm Jim é talvez aquele nome que mais rapidamente nos salta à memória e nos deixa com saudades. Produzido pela Shiny Entertainment, e com David Perry a cargo da programação (um dos responsáveis pelos excelentes Global Gladiators e Aladdin), os 2 Earthworm Jim lançados na Mega Drive e SNES são excelentes jogos. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado, numa das minhas idas à Cash de Alfragide quando ainda vivia lá. Se bem me recordo, custou-me 8€.

Jogo em caixa

A origem desta franchise é bastante interessante, pois o conceito de Earthworm Jim foi introduzido pela Playmates Toys, uma empresa de brinquedos que, inspirada pelo sucesso de videojogos como o Sonic, decidiram introduzir a série precisamente pelos videojogos e só depois o resto, quando o caminho geralmente era ao contrário, começando em séries de animação ou filmes, por exemplo. A tarefa de desenvolver o jogo ficou a cargo da Shiny Entertainment, um novo studio fundado poer David Perry, que já havia trabalhado em excelentes jogos de plataformas por intermédio da Virgin.

Esta vaca vai dar que falar!

Earthworm Jim é uma minhoca perfeitamente banal que encontra um fato robótico que lhe confere super-poderes, tornando-se num super herói e protector da terra. Nesta aventura, iremos defrontar uma série de vilões e claro, respeitando todos os clichés, temos também uma princesa para salvar. O nome da princesa é “What’s-Her-Name”, pelo que já dá para entender que a Shiny também gozava um pouco com todos esses lugares-comuns. A aventura em si faz-me lembrar desenhos animados como o Ren & Stimpy, por todas as bizarrices que vamos vendo no ecrã. Tanto nas animações do Earthworm Jim, os inimigos que enfrentamos, ou mesmo os próprios níveis que vamos atravessando.

Entre cada “mundo” temos uma corrida pelo espaço a fazer, que de certa forma me faz lembrar os níveis de bónus do Sonic 2.

A jogabilidade é interessante, com a minhoca a poder saltar, disparar a sua arma (que mais parece um secador de cabelo), ou usar o seu próprio corpo de minhoca como chicote ou grappling hook, de forma a balancear-se entre plataformas, ou mesmo descer slides. Os níveis são tradicionalmente de plataformas, decorrendo em cenários bizarros como uma sucateira, no inferno ou mesmo nos intestinos de alguém. Existe alguma variedade na jogabilidade, especialmente nas lutas contra os bosses. O caso do Major Mucus é um óptimo exemplo, onde o temos de o enfrentar ao longo de várias quedas de bungee-jumping, atacando-o até que a sua “corda” se rompa. De resto, entre cada nível temos um segment de corrida pelo espaço, onde temos de correr contra o Psy-Crow (vilão que terá maior destaque na sequela). Faz lembrar os níveis de bonus do Sonic 2, onde também temos de desviar de obstáculos e apanhar alguns power-ups pelo caminho. Se perdermos a corrida, teremos de defrontar o Psy Crow numa luta antes de progredir para o nível seguinte.

Se perdermos uma corrida contra o Psy-Crow, somos depois obrigados a combatê-lo para progredir

Este é também um jogo com alguma dificuldade, pois os níveis para além de serem longos, o jogo obriga-nos a dominar os controlos (especialmente disparar a nossa arma em todas as direcções), pois teremos inimigos a atacarem de todos os lados. Nós vamos tendo uma percentagem de vida que pode ser restaurada ao apanhar os inúmeros power-ups na forma de átomos que vamos encontrando, mas é frequente andarmos com os pontos de vida abaixo de 50%. E esta percentagem transita de nível para nível!

No que diz respeito aos audiovisuais, esta é uma obra de arte. As animações estão excelentes, como já é esperado desta equipa pelos seus trabalhos anteriores na Mega Drive, o Earthworm Jim faz inúmeras parvoíces, os níveis vão sendo passados em localizações variadas e estão muito bem detalhados. As músicas também são bastante agradáveis e com uma boa qualidade, fazendo também lembrar muitos daqueles desenhos animados caóticos como o Ren & Stimpy.

Sim, este é mesmo um jogo extremamente bizarro!

Existem outras versões do jogo que também podem ser consideradas. A da SNES, é muito semelhante a esta, embora possua gráficos mais coloridos, mas a custo de faltar um nível e alguns efeitos sonoros. Posteriormente foi lançada a “Special Edition” para a Mega CD e Windows, que possuem um nível extra, animações ainda mais fluídas e versões extendidas dos restantes níveis. Nestas, a versão PC é a que possui melhores gráficos devido à reduzida paleta de cores que a Mega Drive e Mega CD podem apresentar. As versões que saíram para consolas portáteis como a Game Boy, Game Gear e GBA deixam muito a desejar. Já neste milénio saiu um remake em format digital para uma série de plataformas, mas nunca a experimentei.

Ghouls ‘n Ghosts (Sega Mega Drive)

Ghouls ‘n Ghosts é o segundo capítulo da saga Ghosts ‘n Goblins, a mesma que coloca o pobre Sir Arthur a lutar contra uma enorme horde de criaturas demoníacas até descer até ao inferno e resgatar das mãos do diabo, a sua princesa Prin Prin. Sim, aqui a mesma formula é repetida novamente, com a jogabilidade a ter algumas novidades e melhorias. Este meu exemplar foi comprado por 1.5€ numa feira de velharias algures em Julho e sendo apenas o cartucho, é um daqueles jogos que farei questão em ter um dia completíssimo. Edit: arranjei recentemente um exemplar completo e, tendo em conta que me vi livre do cartucho, acabou por ficar por pouco mais de 5€.

Jogo com caixa e manual

Tal como muitos jogos nas consolas da Sega nos anos 80, início dos 90, as suas conversões ficavam a cargo da própria Sega, que aproveitou para lançar duas versões distintas, esta da Mega Drive, e uma 8bit para a Sega Master System que possui algumas diferenças mais acentuadas face à versão original de arcade, mas isso ficaria para um eventual futuro artigo, assim que arranjar essa versão. Aqui, o que este jogo tem de mais diferente em relação ao primeiro é mesmo a possibilidade de disparar as nossas armas directamente para cima e também para baixo, durante os saltos. Todas as armas que estavam presentes no primeiro jogo também marcam aqui a sua presença, incluindo duas novas como uma espada que não serve para atirar aos inimigos, servindo apenas para ataques de curto alcance. Um dos powerups que podemos também encontrar é a Magic Armor, uma armadura dourada que nos confere ataques mágicos, característicos de cada arma que tenhamos equipado. Esses ataques devem ser carregados através de uma barra de energia, para que sejam os mais devastadores possível.

Os bosses estão maiores que nunca!

Depois como seria expectável, este é um jogo bastante difícil, com inimigos a surgirem de todos os lados, e apenas temos direito a um golpe de misericórdia, pois se estivermos com a armadura equipada e sofrermos dano, o pobre Arthur tem de sobreviver de boxers, já se sofrer mais dano assim lá se vai uma vida. E tal como o seu antecessor, perto do final do jogo é-nos dito que temos de jogar tudo de novo, pois para defrontar o boss final (Loki nesta versão, Lucifer na original), teremos de encontrar uma arma especial que nos permite posteriormente derrotá-lo. Mas esta versão Mega Drive possui algumas vantagens face à arcade, pois é ligeiramente mais fácil, com mais checkpoints, graus de dificuldade e a possibilidade de termos continues infinitos.

Agora temos também ataques mágicos, mas para isso precisamos de apanhar também uma armadura dourada

A nível audiovisual, naturalmente que há um pequeno downgrade gráfico perante a versão arcade, que para os padrões de 1988, era um jogo bastante bem detalhado nas arcadas. Ainda assim, esta versão Mega Drive mantém todo o espírito do original, com vários cenários e bosses bastante sinistros. Sinceramente sempre gostei da arte desta série! As músicas também são bastante agradáveis.

Para enfrentarmos o último boss, teremos também de rejogar tudo de novo!

Portanto, este Ghouls ‘n Ghosts acaba por ser um clássico. E mesmo não sendo uma conversão perfeita da versão arcade (essas honras foram pela primeira vez para o obscuro computador X68000), ainda assim possui algumas peculiaridades que podem agradar a quem não gostar da dificuldade extrema do original. A Sega produziu também a conversão para a Master System que acaba por ser bastante diferente, mas isso fica para um outro artigo.

Wonder Boy in Monster World (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas e à Sega Master System, o jogo que cá trago hoje é mais um dos capítulos da saga Wonder Boy, saga essa que deu azo a muitas confusões ao longo dos anos, como o caso da série Adventure Island, jogos com nomes similares, ou as palete swaps que foram posteriormente lançadas na PC-Engine / TurbographX. Este jogo em particular é a sequela directa do excelente Wonderboy III: The Dragon’s Trap, aquele que é um dos melhores jogos de plataforma da era 8bit, na minha opinião. Este meu exemplar foi comprado a um particular no final de 2015. Creio que me custou 14€. Edit: Recentemente arranjei a versão normal, completa, por cerca de 20€.

Wonder Boy in Monster World - Sega Master System
Jogo com caixa e manual

Wonderboy in Monster World - Sega Master System
Jogo em caixa, versão Classics.

O jogo foi desenvolvido inicialmente para a Mega Drive, mas a Westone teve em boa consideração os fãs da Master System, visto que a consola ainda tinha um bom mercado pelo menos em solo europeu, e acabaram por converter essa versão 16bit para a Master System. No entanto, a versão Mega Drive é bastante superior, mas já lá vamos. Este jogo inicia um novo capítulo na saga, com um novo herói de cabelo azul chamado Shion, que tal como os seus predecessores, irá salvar o mundo de uma série de monstros!

Tal como os seus predecessores directos, este é um metroidvania onde podemos amealhar dinheiro e comprar melhor equipamento, itens, encontrar heart containers, entre outros!

Tal como nos Wonderboys passados no Monster World/Land, este é um metroidvania muito interessante, misturando elementos de platforming com muita exploração, backtracking e RPG. É no entanto muito mais inspirado no Wonderboy in Monster Land do que propriamente pelo seu antecessor directo, o Dragon’s Trap. Isto porque desta vez o herói não se pode transformar noutros animais e com isso ganhar diferentes. Pelo menos nesta versão da Master System, pois no original, um dos equipamentos que podemos encontrar deixa-nos precisamente transformar em pigmeus e assim conseguir esgueirar por passagens muito estreitas.

O maior problema deste jogo está mesmo nos controlos que não são tão bons como nos anteriores

Essa é a maior perda da conversão Mega Drive para a Master System, pois o mundo está muito mais simplificado e houve muito conteúdo cortado de uma versão para a outra. A jogabilidade em si mantêm-se muito semelhante na sua essência, mas a verdade é que também aqui a versão Master System sai a perder visto que a original está preparada para o comando de 6 botões da Mega Drive. Na versão 16bit, o botão A é usado para usar itens ou magias que tenhamos no inventário. Aqui temos de carregar para cima no D-Pad e no botão de salto em simultâneo, o que não é a mesma coisa. Um dos itens é uma Ocarina e ocasionalmente teremos de tocar umas melodias para progredir no jogo, que consistem em combinações de botões (muito antes de um certo Ocarina of Time aparecer…), e neste esquema de controlo também dificulta um pouco. Para além disso a versão 8bit não possui nenhuma pilha para save, o progresso no jogo é antes registado através de passwords bem longas com 40 caracteres.

Já a nível gráfico esta versão está excelente e não muito longe da original da Mega Drive

Por outro lado, no que diz respeito aos gráficos, esta versão para a Master System está também muito bem conseguida, sendo facilmente dos jogos mais bonitos na consola e talvez em qualquer máquina 8bit. No entanto, uma vez mais, a versão Mega Drive também é superior, como seria de esperar. O mesmo é válido para as músicas e efeitos sonoros.

Portanto, apesar deste jogo não ser tão bom quanto o Dragon’s Trap, não deixa de ser um excelente jogo de plataformas. O seu maior problema é mesmo existir uma versão para a Mega Drive (e para a PC-Engine sob o nome de The Dynastic Hero, se quisermos ser exigentes), com melhores audiovisuais, melhor jogabilidade, um mundo expandido com maiores possibilidades de exploração. Porque os pequenos defeitos que esta versão tem, não são tão maus assim.

AMOK (Sega Saturn)

Vamos regressar à Sega Saturn para um interessante shooter lançado para a consola algures em 1997. AMOK é um interessante jogo desenvolvido pela Lemon e publicado pela Scanvenger, uma editora europeia muito peculiar, composta por nomes conhecidos da demoscene do Commodore Amiga, geralmente programadores autodidactas que conseguiam tirar grande partido do hardware onde mexiam. Foi o caso do Sub-Terrania, também editado pela Scavenger, e dos Scorcher e este AMOK para a Saturn. E este jogo apesar de não ser propriamente um grande feito para a consola, não deixa de ter algumas peculiaridades interessantes. O meu exemplar foi comprado algures no verão de 2015, numa das minhas idas às feiras de velharias do Porto ou Lisboa. Se bem me recordo, custou-me 3€.

Jogo com caixa e manual

AMOK é um jogo que decorre num outro mundo, num cenário algo hostil e pós-apocalíptico, no final de uma grande guerra entre duas mega corporações que se arrastou por várias décadas. Nós somos um mercenário a cargo de uma terceira entidade que lucra com a guerra, e iremos participar numa série de missões de forma a enfraquecer a facção que venceu anteriormente o conflito, para que o conflito se acenda novamente.

Começamos a aventura no fundo dos oceanos, de forma a infiltrar em solo inimigo

Para isso estamos munidos de um mecha muito particular, até porque é anfíbio. Logo na primeira missão, infiltrar o território inimigo, jogamos no fundo dos oceanos, passando a jogar em terra nalgumas das missões seguintes. A nível de armamento e características do mecha, nada muda em solo ou água, a não ser as capacidades de movimento e a maior inércia nos combates subaquáticos. De resto estamos equipados com uma espécie de metralhadora com munição inifinita, mas poderemos encontrar outro tipo de munições e power-ups, a começar pelo rapid-fire e balas mais poderosas, bem como mísseis e bombas que podem também ser usadas para destruir algumas infrastruturas ou outras armadilhas.

Antes de começar cada missão temos direito a um briefing que nos indica os seus objectivos

Outros power ups envolvem a barra de energia do nosso mecha, que se divide em duas partes. A parte da esquerda consiste na barra de energia actual, enquanto que à direita temos o potencial de crescimento da barra de energia. Para aumentar a barra de energia efectiva temos de apanhar uns power-ups que melhoram a armadura. Existem no entanto outros power ups de energia que nos restauram a vida até ao limite actual, ou outros que momentaneamente nos dão vida até ao máximo teórico. Temos também outros power ups que nos deixam temporariamente invencíveis. Vidas e continues? Isso não existe, este é um jogo hardcore, daqueles em que temos mesmo de o jogar em hard se quisermos chegar ao fim. Por vezes lá nos dão uma password quando acabamos um nível e mesmo assim nem sempre isso acontece.

O facto do jogo usar voxels na construção dos cenários, em vez dos tradicionais gráficos poligonais, é uma decisão incomum.

Este é então um shooter 3D bastante frenético, especialmente na sua segunda metade de jogo, onde teremos imensos inimigos a surgirem de uma só vez e atacar-nos violentamente, sem dó nem piedade. Teremos mesmo de avançar a passo de caracol, pacientemente, tentando esquivar ao máximo do fogo inimigo e derrotá-los à distância. Isso ou activar o código de invencibilidade, antes que ficasse com menos cabelo que aquele que já tenho. Os últimos níveis são mesmo de bradar aos céus, principalmente quando estamos em contra-relógio e a enfrentar mais poder bélico que o exército soviético na Guerra Fria. De resto as missões em si são interessantes, sendo que antes de as iniciarmos temos um briefing que nos indica quais os objectivos a cumprir (geralmente destruir algumas infrastruturas inimigas) e as suas localizações.

Para além de podermos consultar o mapa da missão a qualquer momento, temos também sempre activo um radar que nos indica a posição dos inimigos mais próximos.

Avançando para a componente mais técnica, este é um jogo algo peculiar. Isto porque a sua representação tem um pouco de diferentes coisas: tal como muitos shooters 3D desta época, temos ainda algumas sprites 2D, nomeadamente alguns inimigos e os próprios power-ups. Outros objectos, incluindo o mecha, são representados em 3D poligonal. A maior parte dos cenários no entanto são representados por voxels. Pensem nos voxels como pixels em 3D e o resultado é um pouco estranho, no mínimo. Mas interessante! Nos níveis sub-aquáticos, aquele nevoeiro característico de jogos 3D rudimentares dessa época acaba por fazer todo o sentido. No que diz respeito aos efeitos sonoros e música não há nada de mal a apontar. As músicas em si são algo inspiradas em música electrónica, o que até acaba por soar bem tendo em conta o conceito do jogo.

Pocahontas (Sega Mega Drive)

Pocahontas é um videojogo muito fora do comum, não só a nível de jogabilidade, mas também pelas condições no qual foi desenvolvido e lançado. Desde o Aladdin que practicamente todos os videojogos da Disney Interactive eram produzidos por estúdios afectos à Virgin Interactive, com lançamentos a surgirem posteriormente para várias plataformas, como foi o caso de Jungle Book, Pinocchio, Lion King ou Toy Story. Mas Pocahontas teve o seu lançamento a cargo da europeia Funcom, e ao contrário dos jogos da Virgin, não houve qualquer conversão para outras plataformas a não ser a Gameboy clássica. A versão Mega Drive aparentemente também não terá sido lançada num grande número, visto o jogo ter vindo a encarecer bastante nos últimos anos. O meu exemplar foi comprado numa das minhas idas à feira algures no mês de Julho, tendo-me custado 3€.

Jogo com caixa e manuais

O jogo segue por alto a história do filme, colocando a tribo de Powhatan no meio de um conflito com colonizadores ingleses, e com o romance de Pocahontas e o inglês John Smith também a ganhar destaque. Mas ao contrário de muitos outros jogos da Disney até então, este é na mesma um sidescroller / jogo de plataformas, mas com uma vertente muito mais cooperativa. Isto porque vamos alternando entre Pocahontas e o seu animal de estimação Meeko, cada qual com habilidades diferentes. Meeko consegue escalar árvores com facilidade e esgueirar-se por buracos nas rochas, enquanto Pocahontas consegue nadar e saltar mais alto. Aliás, o caso de Pocahontas é um pouco diferente pois à medida que vamos progredindo na aventura iremos também interagir com outros animais e resgatá-los de alguma situação de perigo, como o pobre veado que ficou com os chifres presos numa árvore. Ao interagir com esses animais ganhamos algumas das suas habilidades, como a capacidade de correr, nadar, escalar ramos de árvores, cair em segurança de grandes alturas, entre outros.

Logo no início temos de cooperar. Aqui Pocahontas tem de servir de plataforma para Meeko, de forma a que ele consiga depois rebolar a rocha para baixo, servindo de plataforma para Pocahontas.

Teremos de usar estas habilidades e a interacção entre Pocahontas e Meeko para ultrapassar os diversos obstáculos que os diferentes níveis nos vão apresentar. Os primeiros níveis são de pura exploração, já os da segunda metade do jogo incluem outros humanos que teremos de ter cuidado. Como não os podemos atacar, somos encorajados a usar a habilidade de “stealth“do espírito do lobo para passar despercebidos, assustá-los com o espírito do urso, ou usar o guaxinim Meeko para lhes atirar com colmeias na cabeça.

Neste jogo temos de usar a astúcia em vez da força para ultrapassar os inimigos

No que diz respeito aos audiovisuais, este Pocahontas não fica nada a dever aos clássicos produzidos pela Virgin. Isto porque também possui animações fantásticas e muito detalhe nos níveis. É verdade que o jogo é todo passado numa floresta norte-americana, pelo que não há muita variedade nos cenários, para além da introdução das culturas nativo-americanas, ou o acampamento dos colonos. Mas a floresta está rica em detalhes, como pequenos animais a passear, ou as folhas a voarem ao sabor do vento. Graficamente foi mesmo uma agradável surpresa. E no que diz respeito ao som também não me posso queixar. Os efeitos sonoros são competentes, mas as músicas são também muito boas. As suas raízes tribais são algo esperado, mas o ritmo das músicas tanto nos causa alguma tensão quando é preciso, como são completamente tranquilizadoras.

Este Pocahontas não fica nada atrás dos jogos da Virgin no que diz respeito ao detalhe e animações

Pocahontas não é um jogo da Disney muito comum. Para além de ter sido desenvolvido por uma equipa completamente diferente dos jogos anteriores e não existir mais nenhuma versão de consolas de mesa para além desta, as suas mecânicas de jogo são também diferentes, prezando mais a exploração, o puzzle solving e a cooperação do que propriamente a acção. Mas é uma excelente surpresa!