ATP Tour (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, ficamos agora com mais um jogo de desporto na Mega Drive. Este ATP Tour é nada mais nada menos que o sucessor da série Wimbledon, herdando muitas particularidades da versão Mega Drive que cá trouxe recentemente. E o meu exemplar foi comprado algures num bundle de vários jogos de Mega Drive que comprei algures em Setembro numa feira de velharias. Custou-me algo em volta dos 3€ se bem me recordo.

Jogo com completo com caixa e manuais

Aqui temos vários modos de jogo desde partidas amigáveis que podem ser de 1 contra 1 como de 2 contra dois, onde neste caso podem ser até jogadas em multiplayer de 1 até 4 jogadores em simultâneo. Para além disto temos diversos torneios, desde um torneio “simples”, um outro “sénior” onde supostamente só entram grandes tenistas do passado e por fim temos o ATP Tour, um modo temporada onde poderemos participar numa série de torneios de ténis ao longo do mundo. Visto que cada partida de ténis é composta por um número (configurável) de sets, cada torneio tem o potencial de demorar imenso. Aqui, tal como no Wimbledon, temos a possibilidade de escolher um tenista anónimo e, tal como um RPG, teremos 10 pontos para distribuir como bem entendermos em diversos atributos. À medida que vamos progredindo no jogo e vencendo torneios, o nosso jogador vai melhorando os seus atributos. De resto a jogabilidade é algo similar à do Wimbledon, com os 3 botões faciais a servirem para executar diferentes tipos de raquetadas.

Visualmente não anda muito longe do Wimbledon

A nível audiovisual, bom infelizmente o jogo não evoluiu muito graficamente desde o Wimbledon. As arenas possuem pouco detalhe (se bem que desta vez o público parece mais animado), assim como os tenistas e restantes NPCs como o árbitro e apanha bolas. Mas só pelo facto de termos apanha-bolas a interagir no jogo já é um pormenor interessante! A nível de som, nada de especial a apontar nas poucas músicas existentes, já os efeitos sonoros, bom, aqui temos muitas mais vozes digitalizadas que no Wimbledon. Para além de anunciarem os pontos, faltas e afins, desta vez também anunciam o nome dos tenistas. Há portanto uma amostragem muito maior de samples de voz, mas infelizmente a qualidade das mesmas é inferior. Não se pode ter tudo, parece-me.

Uma das coisas interessantes deste ATP Tour é a quantidade de retratos de tenistas, se bem que eu apenas tenha reconhecido o Pete Sampras

Portanto este ATP Tour até que me parece um jogo de ténis bastante sólido para uma consola 16bit. É certo que existem outros jogos da mesma era visualmente muito mais interessantes, mas a nível de conteúdo, confesso que este jogo me surpreendeu bastante.

Hard Drivin’ (Sega Mega Drive)

Quando comecei a conhecer melhor o catálogo da Mega Drive através de emulação, algures no final dos anos 90, este Hard Drivin’ sempre foi daqueles que me deixava confuso, pois para além de não entender o conceito do jogo e a sua jogabilidade, também achava que tinha gráficos horríveis. Bom, hoje em dia sei que temos de olhar para este Hard Drivin com uns óculos de 1989, onde o jogo se apresentou nas arcades como um dos primeiros jogos de corridas inteiramente poligonais e, ao contrário de muitos racers no mercado, este apresentava-se como possuindo uma jogabilidade muito mais realista, mais próximo de um simulador. O meu exemplar foi comprado na loja Play ‘n Play algures no mês de Outubro, creio que por 12€.

Jogo com caixa e manual

Na verdade o conceito deste Hard Drivin’ é muito simples. Temos um único circuito por onde competir, que a certa altura se diverge entre a speed track, e stunt track, esta já repleta de obstáculos como saltos, curvas inclinadas ou mesmo um loop que temos de atravessar. Apesar de este ser um suposto simulador, pois as curvas não são fáceis de fazer se estivermos a acelerar como desalmados e facilmente podemos ter acidentes, não deixa também de ser um jogo arcade, na medida em que temos tempo limite para completar o circuito, cujo vai sendo incrementado à medida que vamos passando por checkpoints. Se conseguirmos manter uma boa performance, eventualmente somos desafiados para competir directamente contra um carro controlado pelo CPU.

Este vidro vai rachar mais vezes do que as que conseguem contar

Mas a jogabilidade não é a mais intuitiva, pois a aceleração e travagem não é são lá muito precisas baixo framerate do jogo também não ajuda. Por exemplo, na primeira vez que vão fazer o salto, se acelerarem demais, o carro destrói-se quando aterra, Para além disso, temos trânsito, carros a conduzir em sentido contrário que também nos causam dificuldades e caso colidirmos, ficamos com o carro destruído e o jogo coloca-nos de volta na pista, mas geralmente mais atrás, junto do último checkpoint que tenhamos atravessado, o que nos pode dificultar também a vida ao restar pouco tempo disponível. Por isso é importante que no início joguemos muito o modo Practice, precisamente para ter uma boa percepção da pista e de como atravessar os seus obstáculos. E mesmo quando estivermos mais habituados, há sempre o risco de colidir com um carro aleatório, nem sempre temos tempo de reagir oportunamente.

Se sairmos fora da pista, temos 10 segundos para regressar, caso contrário somos penalizados

Graficamente, bom, o original arcade era um jogo impressionante para a sua época visto ser um dos primeiros racers completamente poligonais, ainda que com muitos poucos polígonos em simultâneo no ecrã. É verdade que não envelheceu nada bem, mas em 1989 devia ser impressionante vê-lo nas arcades. A versão Mega Drive possui gráficos poligonais sem qualquer recurso a hardware adicional para isso, mas naturalmente que os gráficos são ainda mais modestos que o original e o framerate muito mais lento. Envelheceu ainda pior portanto, mas para a época, existem conversões muito piores. No som as coisas poderiam ser diferentes, mas infelizmente as músicas são practicamente inexistentes e as poucas que há não são propriamente vulneráveis. Os efeitos sonoros também deixam algo a desejar.

Um detalhe interessante são os instant replays que somos presenteados sempre que fazemos asneira

Portanto este Hard Drivin é um jogo que não envelheceu nada bem. Por um lado a jogabilidade não é grande coisa, mas quero acreditar que o original arcade fosse muito melhor nesse aspecto. Por outro, o seu grafismo em 3D poligonal primitivo, por muito impressionante que fosse em 1989, um bocadinho menos em 90/91 na Mega Drive,  também envelheceu bastante mal, pelo que este Hard Drivin’ hoje em dia acabe por ser mais uma curiosidade do que propriamente um jogo divertido.

Wimbledon (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, agora pela Mega Drive, vamos ficar com mais um Wimbledon, mais um título de Ténis que usa a licença do famoso torneio britânico de Wimbledon. Na Master System tinham sido lançados dois jogos desta série, e em 1993 a Sega disponibilizou também uma versão para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado em Setembro na Play ‘n Play por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual

Aqui podemos participar em partidas individuais, que podem ser jogadas contra o CPU, contra ou com um amigo, no caso de optarmos pelos doubles, onde temos 2 tenistas contra 2. Também temos um modo torneio, onde iremos participar no torneio de Wimbledon, mas já lá vamos. A jogabilidade é relativamente simples, com os 3 botões faciais da Mega Drive a serem usados para realizar diferentes raquetadas: altas ou baixas, rápidas ou lentas. Tipicamente os jogos de ténis das eras 8 e 16bit são simples de aprender e este não é excepção. A única coisa que eu não gostei muito na jogabilidade é o facto de por vezes ser difícil adivinhar a que altura vai realmente a bola, o que nos pode induzir em erro e não conseguir dar seguimento a uma jogada.

No modo torneio a nossa personagem vai evoluindo os seus atributos à medida em que formos progredindo na competição

Mas voltando ao tal modo de torneio, aqui podemos optar entre jogar em torneios masculinos ou femininos, sendo que começamos sempre com um jogador com stats baixos. À medida que vamos avançando no jogo e completando partidas, os stats do nosso jogador vão aumentando, o que vai dar jeito pois os oponentes também vão sendo cada vez mais habilidosos. Mesmo se chegarmos a vencer um torneio, somos convidados a participar na temporada seguinte, onde poderemos continuar a evoluir a nossa personagem.

A nível audiovisual confesso que é um jogo bastante simples e estava a contar com algo mais elaborado, principalmente por ter vindo da própria Sega. Os jogadores são genéricos, assim como os estádios, parece que a SIMS pegou na versão Master System e acrescentou-lhe uns pózinhos mágicos só. Por outro lado, no som, já é um jogo bem mais elaborado principalmente nos voice samples, que são bastante nítidos. As músicas no entanto apenas tocam entre partidas e são agradáveis, mas nada de especial.

Confesso que estava à espera de algo graficamente um pouco melhor nesta versão

Portanto este Wimbledon, apesar de não ser propriamente um mau jogo, e como muitos outros jogos de ténis desta época serem bastante fáceis de pegar e viciar, não deixo de ficar um pouco desiludido com esta iniciativa da Sega. Para uma consola 16bit esperava algo um pouco melhor.

Donald in Maui Mallard (Sega Mega Drive)

Continuando pelas super rapidinhas, ficamos aqui com mais um jogo que já por cá analisei, numa outra versão. Donald in Maui Mallard, também conhecido como Maui Mallard In Cold Shadow no mercado norte-americano, é um interessante jogo de plataformas produzido pela Disney Interactive, que protagoniza um pato Donald muito diferente do que conhecemos: Detective privado e ninja nas horas vagas!

Jogo com caixa e manuais

Ora eu já cá tinha trazido anteriormente a versão PC, que ao contrário da versão SNES, que possui algumas diferenças nos níveis, esta foi convertida tendo por base a versão Mega Drive, com a vantagem de usufruir uma banda sonora em CD Audio e melhores gráficos. Mas no geral é mesmo muito semelhante à versão Mega Drive, pelo que recomendo a leitura desse mesmo artigo. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Setembro, tendo-me custado 10€.

Tiny Toon Adventures: ACME All-Stars (Sega Mega Drive)

Continuando pela Mega Drive, vamos ficar com mais um jogo relativo aos desenhos animados da Warner Bros, muito populares no início dos anos 90, os Tiny Toon Adventures da Warner Bros. Estes eram uma espécie de uma recreação dos Looney Tunes, onde personagens como Bugs Bunny, Daffy Duck, Taz, eram representados por uma versão infantil dos mesmos. Pelo menos até ao final da era das 16bit, era a Konami que detinha a licença para produzir videojogos sobre essa série, tendo no caso da Mega Drive, produzido anteriormente o Tiny Toon Adventures Buster’s Hidden Treasure. O meu exemplar foi comprado no verão deste ano, em Julho, através de um grande bundle de jogos e consolas comprado a meias com um amigo.

Jogo com caixa e manual

Se jogarmos sozinhos, então o modo história é provavelmente o mais desafiante. Aqui encarnamos no grupo de amigos dos coelhos Buster e Babs Bunny, o pato Plucky e o porquinho Hamton, que formam uma equipa para participar num torneio desportivo organizado por Montana Max, onde todos os Tiny Toon irão participar. As principais modalidades são futebol (4×4) e basquetebol (3×3), mas também iremos participar pelo menos uma vez em eventos como um whac-a-mole adaptado, uma corrida de obstáculos, e uma partida de bowling. Podemos também jogar partidas a solo destes desportos, seja sozinhos contra o CPU, ou em multiplayer, que suporta um máximo de 4 jogadores com recurso a um multitap, algo que nunca cheguei a testar.

Numa partida de futebol, não controlamos os guarda-redes

A jogabilidade é interessante e relativamente simples. No futebol temos o botão A para rematar a bola, o B para passar e o C para usar habilidades especiais. Cada personagem possui uma série de habilidades especiais, cujas podem ser algo variadas ao usar algumas combinações de botões depois de as iniciar com o botão C. Por exemplo, o Buster Bunny pode sair disparado a correr para a baliza e rematar muito forte, resultando num golo quase certo. Já o pato Plucky pode voar com a bola, mas tem de ter cuidado com as bigornas que começam a chover. Para além disso, as habilidades especiais podem também ser usadas defensivamente. Cada personagem possui então diferentes habilidades especiais que tornam cada partida muito caótica como se estivéssemos num cartoon da série. Convém mesmo practicá-las pois nos últimos níveis a IA já nos irá colocar muita mais dificuldade. Mas também não podemos andar a spammar estas habilidades pois cada vez que as usamos o indicador de energia da respectiva personagem vai-se esvaziando e no caso de estar completamente vazia, teremos de esperar algum tempo até se recarregar. No basquetebol a jogabilidade segue a mesma abordagem, onde o botão A serve para saltar e atirar ao certo, enquanto o B serve para passar a bola para um colega. Novamente o C serve para desencadear as habilidades especiais de cada um!

Os mini-jogos também possuem uma jogabilidade bastante intuitiva, onde no caso do bowling podemos reposicionar a nossa personagem, escolher o ãngulo de lançamento e a sua força. Naturalmente que também teremos habilidades especiais, algo que acontece em certas condições.

Alguns campos de jogo apresentam obstáculos adicionais que teremos também de ter em atenção

A nível audiovisual é um jogo uma vez mais competente, que vai herdando as sprites e animações do Buster’s Hidden Treasure. As arenas são bastante vívidas, muitas vezes até com outros obstáculos que apimentam ainda mais a jogabilidade e as habilidades especiais dão mesmo outra cor e vida ao jogo. As músicas são também bastante agradáveis, com a música título dos Tiny Toon a ecoar-nos nos ouvidos vezes sem conta.

Portanto este ACME All-Stars é um jogo divertido, embora seja mais agradável jogá-lo no multiplayer contra amigos. Curiosamente não foi o único Tiny Toon desportivo que a Konami lançou em 1994, pois as consolas da Nintendo  (SNES e Game Boy) acabaram por receber o Tiny Toon Adventures: Wild & Wacky Sports, embora o jogo na Europa já cá tenha chegado mais tarde (1996 no caso da versão SNES!), pelo que me passou completamente despercebido.