Vectorman (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, hoje trago cá mais um jogo de acção para a popular consola de 16bit. Para além de ser um bom jogo de acção por si só, habitualmente Vectorman é visto como também como um prodígio técnico na consola e de facto possui uma série de detalhes muito interessantes nesse aspecto. O meu exemplar foi comprado num pequeno conjunto de jogos Sega que mandei vir no Reino Unido em Julho, tendo-me ficado por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual

A narrativa decorre num futuro onde os humanos, de tanto poluirem a terra, tiveram de a abandonar e colonizar outros planetas. Mas deixaram uma série de robots a trabalhar na Terra, com o objectivo de ir limpando todo o lixo do planeta, sendo supervisionados por Raster, um robot mestre. Mas, e preparem-se que vem aí a melhor parte, a certa altura um desses robots de limpeza, que carregava uma ogiva nuclear acidentalmente ligou-a ao Raster. Este endoideceu, ficou sedento de poder e planeia dominar o resto do planeta, eliminando qualquer humano que tente lá voltar. Vectorman é um robot que estava fora do planeta quando isto aconteceu, pelo que não foi influenciado por estes acontecimentos e decide combater esta nova ameaça.

É verdade que a história é um bocado parva.

Este é então mais um jogo de acção/plataformas, onde Vectorman pode saltar e disparar a sua arma. O seu corpo é estranho, com os membros todos desconexos do seu tronco, um pouco como o Rayman, mas que lhe dá a habilidade de se transformar noutras formas, algo que teremos de fazer (através de power ups) para atravessar certas zonas dos níveis. Podemos perfurar superfícies, flutuar ou mesmo mudar para uma forma de peixe, útil nos níveis subaquáticos. Outros power ups que podemos encontrar podem ser upgrades da nossa arma, itens que regeneram (ou expandem) a nossa barra de vida, vidas extra, ou simplesmente coleccionáveis para dar mais pontos. Para além dos níveis “normais” de um jogo de acção/plataformas 2D, também vamos tendo ocasionalmente alguns níveis onde jogamos numa perspectiva vista de cima, o que acontece logo no segundo nível, onde Vectorman se transforma um comboio que viaja numa linha de ferro aérea, com um robot gigante a atacar-nos por baixo. Temos mais um ou outro nível com essa perspectiva, todos eles distintos entre si.

No final de alguns níveis vamos ter bosses que são autênticas esponjas

A nível técnico, realmente Vectorman está repleto de detalhes muito interessantes. O jogo possui várias sprites e cenários digitalizados, um pouco em resposta ao que a Rare popularizou em Donkey Kong Country. Regra geral, este é um daqueles jogos que, através de truques de programação, consegue ultrapassar bastante o limite de 64 cores em simultâneo no ecrã, imposto pelo hardware. Mas no entanto o jogo acaba por não ser lá muito colorido, tendo quase sempre tons cinzentos, esbatidos ou escuros. Também é suposto retratar um planeta Terra em extremamente poluído e inóspito. Mas passando à frente do tema das cores, o jogo está realmente repleto de detalhes muito interessantes como efeitos de paralaxe múltiplos em alguns níveis, rotações e ampliação de sprites, e efeitos de luz muito interessantes. Por exemplo, sempre que Vectorman passa por zonas mais escuras, a sua cor escurece. Por outro lado, sempre que dispara, a sua armadura fica brilhante como que a reflectir a luz dos seus disparos. Outros detalhes interessantes de efeitos de luz estão no nível da neve, onde sempre que o sol fica à vista, o ecrã fica mais claro e com aqueles efeitos lens flare, o que é de facto um toque engraçado. Ou noutro nível que decorre à noite com alguns holofotes iluminados, onde colocaram um conjunto de pixeis a moverem-se junto dos mesmos, representando mosquitos. São só alguns dos exemplos dos pequenos detalhes interessantes que a Blue Sky Software conseguiu implementar. As músicas também são agradáveis, com um feeling futurista como seria de esperar.

O jogo está cheio de efeitos gráficos interessantes

Portanto este Vectorman acaba por ser um jogo de acção bem competente, e apesar de não o considerar o jogo mais bonito da consola, longe disso, possui também uma série de detalhes técnicos que realmente impressionam. A Blue Sky acabou por desenvolver também uma sequela, mas essa por algum motivo acabou por se tornar exclusiva do mercado norte-americano. O que é um pouco estranho, pois mesmo a sequela ter saído em 1996 nos Estados Unidos, já algo tarde no ciclo de vida da Mega Drive, a consola ainda vendia bem em terreno Europeu, pelo que é uma decisão que não entendo.

Astérix and the Great Rescue (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive e às rapidinhas, vamos agora ficar com a versão 16bit do Astérix and the Great Rescue, jogo desenvolvido pela Core para as consolas da Sega e cuja versão Master System eu já cá analisei há uns bons anos atrás. Já na altura referi que as versões 8bit deste jogo, embora não tão boas a nível de gráficos e som quanto esta versão Mega Drive, tinham uma jogabilidade algo medíocre, mas bem mais coesa que a versão 16bit. E infelizmente a minha opinião mantém-se. O meu exemplar foi comprado a um amigo por cerca de 10€ algures durante o mês passado.

Jogo com caixa e manual

A história é simples e resume-se a: Os romanos raptaram o druida Panoramix e o fiel companheiro de 4 patas de Astérix, o cão Ideafix. Iremos então atravessar meia Europa para chegar ao coração do império Romano e resgatar ambos das garras do Império.

Antes de cada nível podemos sempre optar com que personagem queremos jogar

No que diz respeito à jogabilidade, bom… este é na mesma um jogo de plataformas em 2D, mas enquanto a versão Master System tinha a opção de nos deixar alternar livremente entre o Astérix e Obélix durante o jogo, aqui temos de escolher forçosamente um ou outro antes de começar cada nível. E por muito que goste do Obélix, não faz muito sentido escolhê-lo pois é menos ágil e é tão forte quanto Astérix, nesta versão. Para além disso o alcance dos seus ataques é ridiculamente curto. E a agilidade conta muito, pois este é daqueles jogos em que temos de ter reflexos de ninja, pois teremos imensos obstáculos e inimigos que surgem de todo o lado para nos atacar. Como não podemos saltar e atacar ao mesmo tempo, temos de jogar algo cautelosamente. Mas também não tão cautelosamente, pois temos um curto intervalo de tempo para completar o nível!

Graficamente até que é um jogo bem colorido

De resto, tanto um como o outro podem saltar, atacar com os seus punhos e apanhar e usar uma série de itens. Temos bombas que para além de causarem dano nos inimigos permitem-nos abrir alguns caminhos, outras poções que nos deixam criar plataformas temporárias na forma de nuvens, outras que nos deixam voar temporariamente. Temos também outros itens que nos podem conferir invencibilidade temporária, regenerar a nossa barra de vida ou simplesmente dar pontos extra.

A nível audiovisual, aí sim, esta versão marca alguns pontos. As personagens são detalhadas o quanto baste, assim como os níveis que vão sendo bastante diversos entre si, até porque vamos atravessar diferentes regiões da Europa. As músicas são também bastante agradáveis, tendo aquele feeling que só os estúdios Europeus conseguiam reproduzir, nos seus jogos para computadores como o Commodore Amiga. A Core começou precisamente por aí!

A dificuldade desta versão é assustadora, não só pelo número de inimigos, mas também pelo curtíssimo alcance dos nossos ataques

Portanto esta versão do Astérix and the Great Rescue acaba por ser bastante bonita graficamente e com uma banda sonora bastante agradável. Mas está longe da jogabilidade coesa jogos como o Astérix e Astérix and the Secret Mission na Master System (ambos desenvolvidos pela própria Sega). A versão 8bit deste, apesar de ser mais modesta no departamento audiovisual, acaba também por ter uma jogabilidade um pouco melhor.

Spot: Goes to Hollywood (Sega Mega Drive)

Continuando pela Mega Drive e para mais uma rapidinha, o jogo que vos trago hoje é nada mais nada menos que a sequela de Cool Spot. Enquanto este era u mjogo de plataformas em 2D, cuja versão Europeia teve todas as menções da 7Up removidas, provavelmente pela mascote da bebida por cá ser o Fido Dido, este jogo aborda muitas das mecânicas desse Cool Spot, mas agora com uma perspectiva isométrica. Já cá trouxe a versão Sega Saturn, que apesar de ter algumas diferenças nas mecânicas de jogo e no design dos níveis, acaba por ser também muito semelhante na sua base. O meu exemplar foi comprado algures em Setembro a um amigo meu. Custou-me 10€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manuais

Neste jogo vamos levar o Spot ao longo de vários níveis que são inspirados em várias temáticas habituais do cinema, como os piratas, uma casa/castelo assombrados, um templo antigo e por fim alguns níveis mais sci-fi, desde um futuro pós-apocalíptico, passando mesmo pelo espaço. Todos os níveis são apresentados numa perspectiva isométrica e, tirando algumas excepções como o nível em que conduzimos um vagão das minas ou o da corrida futurista, onde teremos acima de tudo de evitar alguns obstáculos, todos os outros são mais de platforming e exploração. Aqui, em cada um dos níveis teremos de coleccionar uma percentagem mínima de spots, as pintas vermelhas, de forma a desbloquear a saída do nível. Desta vez existem muito menos spots, muitas delas estão espalhadas ao lnogo dos níveis pelo que teremos de os explorar bem, outras já são aparecem se destruirmos alguns inimigos. Spot pode saltar e atacar, lançando aqueles projécteis mágicos que já tinhamos visto no Cool Spot. A diferença é que agora, fruto da perspectiva isométrica, o platforming acaba por ser um pouco mais exigente.

Os inimigos são autênticas esponjas!

A nível audiovisual, o jogo até que é bem competente. As músicas sinceramente não as acho nada de especial, mas também já ouvi pior, pelo que acabam por cumprir o seu papel. São temas que se vão adaptando de certa forma à temática de cada nível, mas não são propriamente memoráveis. Graficamente, o jogo conta com níveis muito bem detalhados e mesmo dentro da mesma temática, os níveis acabam por ser distintos entre si, algo que para mim foi muito bem explorado nos níveis temáticos do terror, onde começamos por explorar uma casa assombrada, passando pela sua cave e posteriormente um castelo medieval repletos de obstáculos e inimigos. Todos estão muito bem detalhados, mas tal como quaisquer jogos em perspectiva isométrica, o platforming acaba por se tornar algo confuso pois nem sempre é fácil identificar ao certo onde as plataformas estão.

Podemos jogar os níveis de cada mundo pela ordem que mais nos apetecer

Portanto este Spot Goes to Hollywood é um jogo interessante, se bem que acabo por preferir as versões 32bit. Para além destas terem melhor aspecto, não temos a restrição de procurar um certo número de Spots para desbloquear a saída do nível, tornando os níveis mais lineares e que requerem menos exploração. Se preferem um jogo que possui uma vertente maior na exploração e platforming, então esta versão 16bit acaba por oferecer um maior desafio.

Super Skidmarks (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas e visitando uma vez mais a Mega Drive, hoje trago-vos cá mais um clássico publicado pela Codemasters, se bem com as suas origens nos sistemas Commodore Amiga. Super Skidmarks é mais um jogo de corridas um pouco similar ao Micromachines, desta vez com uma perspectiva isométrica e os circuitos off-road, repletos de curvas apertadas, rampas e cruzamentos letais. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Outubro, na loja PlaynPlay de Almada, creio que por 15€.

Jogo com caixas e manual

Inicialmente podemos optar por entre o modo campeonato e o match race, onde neste último podemos jogar corridas amigáveis seja contra o CPU, ou contra mais amigos, até um total de 4 graças ao J-Cart. Aqui o jogo permite-nos jogar em split screen dividido até 4 ecrãs, o que numa Mega Drive é bastante impressionante. Mas voltando ao single player, aqui teremos vários conjuntos de circuitos para concorrer, onde cada conjunto passa-se em diferentes climas e com veículos próprios. Temos 6 veículos em cada pista, sendo que nas primeiras 3 corridas temos de obrigatoriamente ficar nos primeiros 4 lugares, enquanto que nas restantes somos obrigados a terminar sempre em primeiro lugar. No fim de contas, ganha quem tiver mais pontos! Após vencer o modo campeonato nas 3 localidades (floresta, praia, neve, deserto), desbloqueamos o modo Pro, onde os oponentes são mais ferozes. Completando o modo campeonato na dificuldade Pro, acabamos também por desbloquear outros modos de jogo, como o Acid Grand Prix, ou o Bovine Warriors, que consistem numa série de pistas remixed onde conduzimos carros de Fórmula 1 ou vacas com rodas. Sim, as tais que aparecem na capa do jogo!

Super Skidmarks apresenta uma série de circuitos todo-o-terreno com várias rampas, inclinações e saltos

A nível de jogabilidade sinceramente não gosto tanto deste jogo quando os Micro Machines, as coisas ficam frenéticas muito rapidamente com 6 carros no ecrã e é fácil perdermos o fio à meada do que está a acontecer no ecrã e depois será muito difícil de recuperar. Alguns circuitos também acabam por se tornar bastante confusos, com vários 8 e curvas apertadas, nem sempre é fácil, no meio de toda a confusão, saber qual o caminho certo a tomar. Mas deve ser tudo uma questão de práctica, creio. Os Micro Machines joguei bastante nos anos 90, tanto sozinho como com amigos, este Super Skidmarks não teve a mesma sorte. Tem tudo para ser um jogo multiplayer de luxo, até porque no início todos estarão tão confusos quanto nós!

A dificuldade é imperdoável, não é nada incomum terminar em último lugar

A nível audiovisual, o jogo possui músicas rock apenas nos menus e entre corridas, sendo que durante as mesmas, apenas ouvimos o rugido dos motores e buzinas, algo que numa consola como a Mega Drive deixa um pouco a desejar, mas não tem mal. Os níveis em si são divididos entre temáticas como a floresta, praia, neve e deserto, sendo que os mesmos estão repletos de vários relevos como lombas, rampas e curvas inclinadas, algo que não é tão notório na versão Mega Drive como no original de Amiga. As skidmarks, marcas deixadas pelos pneus nos circuitos, eram algo também presente no original, mas ausentes nesta conversão. Ainda assim, não deixa de ser tecnicamente um jogo impressionante, quanto mais não seja pela possibilidade do multiplayer em splitscreen dividido em 4 ecrãs, algo que nunca tinha visto numa Mega Drive.

Daffy Duck in Hollywood (Sega Mega Drive)

Já cá trouxe uma das versões 8bit do Daffy Duck in Hollywood, nomeadamente a versão Game Gear, mas essa versão não lhe faz justiça, pois é uma conversão modesta desta versão Mega Drive. Aqui temos um jogo de plataformas visualmente muito mais agradável e com melhor jogabilidade, apesar de os conceitos serem idênticos aos que já referi no artigo anterior. Por isso esta será mais uma rapidinha! O meu exemplar foi comprado algures em Julho/Agosto, através de um grande bundle de jogos e consolas que comprei a meias com um amigo.

Jogo com caixa

a história é simples: Yosemite Sam (o pistoleiro dos Looney Tunes) pede ao Daffy Duck que resgate os seus prémios cinematográficos, que foram roubados por um vilão qualquer e estão em Hollywood, espalhados ao longo dos estúdios dos filmes em que Daffy Duck participou. Será então uma espécie de Mickey Mania, onde fazem uma homenagem à personagem da Warner Bros e reviver alguns dos seus cartoons clássicos.

A pistola de bolhãs de sabão, essa arma letal

A jogabilidade é interessante. Em cada nível Daffy Duck terá de explorar os mesmos até à exaustão, não só para descobrir passagens secretas que nos podem levar a power ups interessantes, como às tais estátuas de ouro e bombas de dinamite que temos de procurar e desarmar. Na verdade cada nível está dividido em vários segmentos temporizados de 99 segundos cada, onde só conseguimos avançar para a zona seguinte após termos encontrado todas as barras de dinamite. Daffy está também munido de uma arma de bolas de sabão ou de outra gosma letal e ao longo do jogo vamos poder encontrar vários itens que não só nos podem fortalecer a arma, como contribuir para vidas extra, regeneradores da barra de energia ou mesmo garantir invencibilidade temporária. Por vezes a maneira como Daffy se movimenta e ataca pode ser diferente. Por exemplo, há um conjunto de níveis passado no oriente onde Daffy já salta como um ninja e a sua arma é substituída por shurikens.

Ocasionalmente lá temos alguns bosses para defrontar também. E estes também têm estátuas de outo escondidas!

A nível audiovisual, bom, por curiosidade fui ver o que as revistas clássicas acharam do jogo e uma das coisas que eles referem é precisamente os gráficos aborrecidos desta versão Mega Drive. Sinceramente não poderia estar mais em desacordo. Os gráficos são muito bem detalhados, com sprites grandinhas, bem animadas e cheias de detalhe. É certo que não tem o nível de atenção ao detalhe de um Earthworm Jim, mas está longe de ser um jogo aborrecido visualmente. As músicas também as achei bastante agradáveis, muitas delas começam calmamente, de forma lenta e algo silenciosa, para depois evoluirem para temas bem catchy.

Portanto, para mim este é mais um bom jogo de plataformas na Mega Drive e que aparentemente é um exclusivo europeu, por algum motivo. Tal como já referi, existem outras versões 8bit que são uma conversão directa desta versão, mantendo a mesma estrutura de mecânicas de jogo e níveis similares, mas com resultados muito mais modestos.