Hard Drivin’ (Sega Mega Drive)

Quando comecei a conhecer melhor o catálogo da Mega Drive através de emulação, algures no final dos anos 90, este Hard Drivin’ sempre foi daqueles que me deixava confuso, pois para além de não entender o conceito do jogo e a sua jogabilidade, também achava que tinha gráficos horríveis. Bom, hoje em dia sei que temos de olhar para este Hard Drivin com uns óculos de 1989, onde o jogo se apresentou nas arcades como um dos primeiros jogos de corridas inteiramente poligonais e, ao contrário de muitos racers no mercado, este apresentava-se como possuindo uma jogabilidade muito mais realista, mais próximo de um simulador. O meu exemplar foi comprado na loja Play ‘n Play algures no mês de Outubro, creio que por 12€.

Jogo com caixa e manual

Na verdade o conceito deste Hard Drivin’ é muito simples. Temos um único circuito por onde competir, que a certa altura se diverge entre a speed track, e stunt track, esta já repleta de obstáculos como saltos, curvas inclinadas ou mesmo um loop que temos de atravessar. Apesar de este ser um suposto simulador, pois as curvas não são fáceis de fazer se estivermos a acelerar como desalmados e facilmente podemos ter acidentes, não deixa também de ser um jogo arcade, na medida em que temos tempo limite para completar o circuito, cujo vai sendo incrementado à medida que vamos passando por checkpoints. Se conseguirmos manter uma boa performance, eventualmente somos desafiados para competir directamente contra um carro controlado pelo CPU.

Este vidro vai rachar mais vezes do que as que conseguem contar

Mas a jogabilidade não é a mais intuitiva, pois a aceleração e travagem não é são lá muito precisas baixo framerate do jogo também não ajuda. Por exemplo, na primeira vez que vão fazer o salto, se acelerarem demais, o carro destrói-se quando aterra, Para além disso, temos trânsito, carros a conduzir em sentido contrário que também nos causam dificuldades e caso colidirmos, ficamos com o carro destruído e o jogo coloca-nos de volta na pista, mas geralmente mais atrás, junto do último checkpoint que tenhamos atravessado, o que nos pode dificultar também a vida ao restar pouco tempo disponível. Por isso é importante que no início joguemos muito o modo Practice, precisamente para ter uma boa percepção da pista e de como atravessar os seus obstáculos. E mesmo quando estivermos mais habituados, há sempre o risco de colidir com um carro aleatório, nem sempre temos tempo de reagir oportunamente.

Se sairmos fora da pista, temos 10 segundos para regressar, caso contrário somos penalizados

Graficamente, bom, o original arcade era um jogo impressionante para a sua época visto ser um dos primeiros racers completamente poligonais, ainda que com muitos poucos polígonos em simultâneo no ecrã. É verdade que não envelheceu nada bem, mas em 1989 devia ser impressionante vê-lo nas arcades. A versão Mega Drive possui gráficos poligonais sem qualquer recurso a hardware adicional para isso, mas naturalmente que os gráficos são ainda mais modestos que o original e o framerate muito mais lento. Envelheceu ainda pior portanto, mas para a época, existem conversões muito piores. No som as coisas poderiam ser diferentes, mas infelizmente as músicas são practicamente inexistentes e as poucas que há não são propriamente vulneráveis. Os efeitos sonoros também deixam algo a desejar.

Um detalhe interessante são os instant replays que somos presenteados sempre que fazemos asneira

Portanto este Hard Drivin é um jogo que não envelheceu nada bem. Por um lado a jogabilidade não é grande coisa, mas quero acreditar que o original arcade fosse muito melhor nesse aspecto. Por outro, o seu grafismo em 3D poligonal primitivo, por muito impressionante que fosse em 1989, um bocadinho menos em 90/91 na Mega Drive,  também envelheceu bastante mal, pelo que este Hard Drivin’ hoje em dia acabe por ser mais uma curiosidade do que propriamente um jogo divertido.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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