Shadow Warrior (PC MS-DOS)

shadow warrior

A 3DRealms, por alturas em que estava a desenvolver o Duke Nukem 3D, estava também a desenvolver outros 3 FPS utilizando o mesmo motor gráfico Build, de Ken Silverman. Enquanto que Blood e Exhumed/Powerslave acabaram por ser vendidos a outras empresas que os terminaram, a 3D Realms manteve o seu Duke 3D e no ano seguinte (1997) presenteou-nos com este Shadow Warrior, um FPS igualmente repleto de humor e violência gratuita, mas num contexto mais oriental. A minha cópia foi comprada algures em 1999 na já extinta Gamestage, penso que no Norteshopping, e a par do Quake é dos únicos jogos antigos de PC que ainda guardei a sua caixa enorme de papelão.

Shadow Warrior PC
Jogo completo com caixa de papelão, caixa de cd e manual (incluido no livrete da caixa de cd)

Shadow Warrior decorre no Japão moderno, onde encarnamos Lo Wang, um poderoso guarda-costas que outrora trabalhava para a maior empresa do Japão, a Zilla Enterprises. A certa altura Lo Wang descobre que Zilla, o seu patrão tencionava controlar o Japão pelo uso de criaturas do oculto. Lo Wang não compactua com esta atitude e decide demitir-se, voltando ao seu dojo. O jogo começa precisamente com Lo Wang no seu dojo quando é assaltado por criaturas de Zilla com o objectivo de o assassinar. Assim sendo, Lo Wang não tem outro remédio senão partir ao ataque e derrotar Zilla ele mesmo. Pouco tempo depois de iniciar a sua jornada Lo Wang decide visitar o seu mestre no seu templo repleto de meninas bonitas e descobre que Zilla o assassinou, ganhando assim outro motivo para o derrotar.

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Bolinhos da sorte, também em Shadow Warrior.

Shadow Warrior introduz várias funcionalidades que viriam a ser popularizadas por outros jogos posteriormente, tais como modos secundários de fogo para várias armas, a possibilidade de conduzir veículos e disparar outras “turrets“, subir e descer escadas, entre outros. A interactividade com os objectos é algo que se manteve desde o Duke Nukem 3D, sendo possível interagir com máquinas de Pachinko, conduzir carrinhos tele-comandados, entre outros exemplos, como interagir com NPCs. De entre as armas existentes, é impossível não referir a óptima katana de Lo Wang (espada tradicional japonesa), capaz de cortar ao meio os inimigos mais fracos num só golpe, manchando as mãos e a espada de sangue, um outro detalhe inovador na época. Armas tradicionais japonesas existem também as shurikens que ficam presas às paredes e é possível a sua recuperação. Posteriormente temos as habituais shotgun, as metralhadoras Uzi que podem ser usadas num par, lança rockets com vários modos de fogo secundários, incluindo heat-seeking missiles e pequenas bombas atómicas que fariam Duke Nukem orgulhoso. Granadas, a metralhadora futurista “rail gun” e as chamadas “sticky bombs” que ficam espetadas nos inimigos ou paredes já seriam por si só um arsenal de respeito, mas Shadow Warrior vai ainda mais longe, permitindo usar certas partes de corpo de alguns inimigos como arma, nomeadamente a cabeça dos Guardians, disparando bolas de fogo de 3 modos diferentes, ou os corações dos Rippers, que colocam uma espécie de holograma de Lo Wang em campo de batalha matando tudo o que se mexe. Para além disso, mais uma vez tal como Duke 3D, existe um inventário de vários items que podem ser utilizados a qualquer altura, desde kits de primeiros socorros e estojos de ferramentas, passando por granadas de fumo, gás e flash, pregos para colocar no chão ferindo quem por lá passar, entre outros. Para além do jogo single player também era possível o jogo multiplayer, tanto online como utilizando a porta série para ligação a um outro PC. Permitia o jogo cooperativo, deathmatch e variantes e capture the flag.

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Um dos nossos "amigos" ninjas a esvair-se em sangue

Graficamente Shadow Warrior já era um pouco datado, pois em 1997 já os FPS inteiramente poligonais estavam a surgir em força. Shadow Warrior mantém os inimigos como sprites, mas os items, armas e restantes objectos passaram a ser representados em 3D (embora exista uma opção para os representar igualmente como sprites). Ainda assim, Shadow Warrior não deixa de ser um jogo com uma bonita estética, com cenários muito variados e relativamente coloridos. A atenção aos detalhes continuou a ser o grande foco da 3D Realms e mantiveram muitas das funcionalidades de Duke 3D. Para além da interactividade falada acima, a atenção que deram às animações das personagens é muito boa. Nunca me cansei de ver os ninjas a serem cortados em 2, ou quando uma shuriken ou bala lhes acerta na aorta e é só ver o sangue a jorrar e os pobres coitados a verem a sua vida a ir desvanescendo. Ah, estes ninjas se forem desonrados tiram a sua própria vida com um tiro de Uzi no céu da boca. Nunca percebi o que desencadeia este comportamento, mas às vezes acontece. Os mapas em si estão bem construídos e são bastante variados. Muitos são passados em zonas urbanas modernas do Japão, outros em zonas mais industriais e uns outros em zonas mais rurais indo buscando muito misticismo aos templos ocidentais e à arquitectura tradicional japonesa. Os inimigos também são variados, para além de ninjas de várias cores e habilidades, existem vários monstros do submundo, arqueiras femininas, gajos suicidas com uma caixa de TNT às costas, cuja morte geralmente liberta um fantasma, peixes carnívoros, entre outros.

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"Do you wanna wash Wang? Or do you wanna watch Wang wash Wang?"

Sonoramente Shadow Warrior é um jogo muito divertido. Os “bitaites” que Duke mandava em Duke 3D estão ainda mais engraçados neste jogo, com o sotaque oriental característico. A banda sonora incide mais em temas mais orientais, como seria de esperar. O humor perverso e negro é uma constante em Shadow Warrior. Meninas nuas (mas com tudo tapado) a tomar banho, mas ainda assim com espaço para guardar uma Uzi sabe-se lá onde, velhotas taradas, coelhos a andar livremente e com vontade “própria” de acasalarem uns com os outros, carros e veículos da marca “Titsubishi”, enfim os exemplos são vários, joguem e vejam.

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Sim, também aparece aqui.

Em 2005 a 3D Realms libertou o código fonte de Shadow Warrior, surgindo assim vários projectos de actualização do jogo por parte dos fãs. Conversões para windows, usando novas texturas em maior resolução são agora possíveis, tornando o jogo mais bonito. Infelizmente quando saiu o jogo já tinha uns gráficos algo datados o que se traduziu em vendas baixas, embora na minha opinião este Shadow Warrior seja um jogo mais completo e mais divertido do que Duke Nukem 3D. É um daqueles sleeper hits. Se forem fãs de FPS old school e gostaram do humor de Duke 3D, joguem este Shadow Warrior.

Skies of Arcadia Legends (Nintendo Gamecube)

Skies of Arcadia LegendsSempre fui um grande fã da Sega, e na altura em que comprei a minha Gamecube em 2002, para além de a mesma ter tido um catálogo aparentemente impressionante de jogos para sair da própria Nintendo, foi o facto de muitos dos jogos da Dreamcast que eu gostaria de jogar terem sido anunciados para a consola da Nintendo. Skies of Arcadia Legends foi um deles, tendo sido originalmente um RPG lançado para a Dreamcast algures no ano 2000-2001, dos seus estúdios Overworks. Em 2003-2004 acabou por sair uma conversão para a Gamecube com algum conteúdo extra. A minha cópia foi-me oferecida por um primo meu, está em bom estado, mas infelizmente não veio com manual.

Skies of Arcadia Legends Gamecube
Jogo com caixa e papelada (sem manual)

Skies of Arcadia é um RPG inspirado pelos contos de Julio Verne, passando-se num mundo de fantasia repleto de navios e ilhas voadoras. Tomamos o papel de Vyse, um jovem pirata do ar cujo passatempo favorito é assaltar os navios do Império Valuan. Num dos seus assaltos, Vyse e a sua companheira Aika descobrem uma jovem misteriosa de nome Fina, feita prisioneira do Império. A história vai começando aqui até chegar ao cliché de “um bando de rebeldes a lutar contra um lunático que quer dominar o mundo”. Ainda assim, clichés a parte, é o carisma das personagens e o vasto mundo de Skies of Arcadia (sempre com a mística dos descobrimentos) que tornam este jogo num RPG especial. Desde o início somos deixados com um mapa-mundo que se encontra vazio. Ao longo do jogo é nossa tarefa explorar os céus ao máximo, descobrindo tesouros, novas terras ou outros objectos relativos a várias sidequests disponíveis no jogo. As personagens têm um carisma próprio que apesar dos clichés, tornam a história interessante, tanto os heróis, como os próprios vilões, que desde tiranos também podem ser loucos ou simplesmente estupidamente cómicos.

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Os cenários apresentam algum detalhe.

O jogo conta com 2 tipos diferentes de batalhas. Por um lado, temos o habitual esquema de batalhas por turnos, com encontros aleatórios. Aqui, as opções são as do costume. Atacar, defender, usar items, ataques mágicos, etc. A party pode conter até um máximo de 4 elementos, sendo que pelo menos uns 6 vão estar disponíveis. Na versão Dreamcast, o encounter rate era altíssimo, já nesta conversão o mesmo foi atenuado, passando porém as batalhas a dar mais experiência. O outro esquema de batalha é mais uma das razões pela qual este é um RPG especial. É nada mais nada menos que batalhas entre navios voadores, que nos fazem sentir momentâneamente como se fossemos piratas do ar. Aqui as batalhas têm um teor muito mais estratégico. Sabe-se de antemão a próxima jogada dos inimigos e com isso tenta-se tomar a melhor decisão possível. Defender, atacar com armas normais, usar items ou magia quer para provocar dano, quer para restaurar o próprio navio, ou então aproveitar certos turnos vantajosos para usar o canhão especial e dizimar a frota inimiga. Estas batalhas foram das mais motivantes ao longo do jogo, e mesmo começando o jogo com um navio pequeno e humilde, mais tarde ou mais cedo acabamos com um autêntico navio de guerra, montamos a nossa própria base e podemos recrutar até uns 28 membros para a tripulação (mais outra sidequest), cada qual com habilidades próprias que poderão vir a ser úteis.

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Batalhas no ar nunca foram tão divertidas

Os gráficos estão notoriamente datados. A Dreamcast apesar de ser um hardware bastante poderoso para finais de 1998 quando saiu no Japão, em 2003 já era algo obsoleto, comparando com bons jogos de Gamecube e Xbox. As texturas são portanto simples, porém bastante coloridas, não deixando o jogo de oferecer cenários bonitos, cidades bem definidas e que dão gozo explorar. Os modelos porém viram ligeiras melhorias, com mais alguns polígonos. A nível técnico a versão Gamecube é superior em vários quesitos, para além do gráfico. Os tempos de loading foram notoriamente reduzidos, bem como o framerate é mais constante. Mas as novidades neste port não se ficam apenas por melhorias técnicas. Skies of Arcadia Legends oferece mais algumas sidequests, introduzindo novas personagens como Piastol, uma caçadora de piratas que promete ser um osso duro de roer, novas armas, novas descobertas e novas batalhas de bosses cujo grau de dificuldade é habitualmente superior aos próprios bosses finais. Já a nível de som, esta conversão ficou um pouco aquém da versão DC. A Dreamcast utilizava uma mídia óptica propietária, o GD-ROM com 1GB de capacidade de armazenamento, e Skies of Arcadia vinha dividido em 2 discos. Os discos da Gamecube são uma variante do mini-DVD, com sensivelmente 1.4Gb de espaço disponível e o Skies of Arcadia Legends vem apenas num disco, tendo a qualidade das músicas sido sacrificada de modo a caber tudo apenas num disco. Skies of Arcadia ainda é daqueles jogos sem um voice-acting extensivo, algo que só veio a surgir com frequência nas consolas com suporte a DVD.

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Piastol, uma das novas personagens

A versão ocidental do jogo original de Dreamcast trouxe alguma censura de motivos de álcool, tabaco e innuendo sexual (nada de especial, apenas algumas roupas mais apelativas). A versão Legends veio já com estas censuras, mesmo a própria versão japonesa. No fim, Skies of Arcadia Legends é um RPG que, mesmo com alguns clichés e visuais datados para os standards de hoje, não deixa de ser uma boa experiência. A versão Dreamcast não é nada má, mas devido ao conteúdo extra sempre recomendaria a conversão para GC, apesar de possivelmente ser mais cara. O jogo esteve para ser lançado também para PS2 e PC no mercado japonês, mas acabou por não sair. Por muito tempo haviam boatos de uma possível sequela, mas as vendas fracas quer do jogo original, quer a conversão para GC devem ter deitado esses planos por terra. É pena.

Devil May Cry (Sony Playstation 2)

Devil May CryA Capcom foi uma das software houses mais criativas da geração passada, como já tive a oportunidade de dizer em artigos anteriores. Devil May Cry, apesar de inicialmente ter sido projectado para ser o Resident Evil 4, ao longo do seu desenvolvimento Shinji Mikami acabou por lhe dar uma grande reviravolta, tanto no conceito como na jogabilidade, criando assim uma nova franchise de sucesso. A minha cópia foi comprada algures este ano no ebay UK, por 1 libra mais portes de envio. Daquelas bagatelas que às vezes temos a sorte de apanhar! O jogo está completo e em bom estado.

Devil May Cry PS2
Jogo completo com caixa e manual

O herói da série chama-se Dante, filho de um pai demónio e mãe humana. O pai, de nome Sparda, foi um poderoso demónio que se insurgiu há 2000 anos atrás contra os planos de Mundus (imperador do Underworld) de invadir e destruir a Terra. Mundus foi também responsável pela morte da família de Dante, 20 anos antes dos acontecimentos deste jogo. Desde então que Dante se torna numa espécie de mercenário, aceitando apenas trabalhos que envolvam o sobrenatural, para se tentar vingar dos demónios que mataram a sua família. A certa altura, Dante fica a conhecer a loiraça Trish que lhe avisa dos planos de Mundus voltar ao activo e indica o castelo da ilha de Mallet que funciona como portal entre as duas dimensões. Na cena seguinte, Dante já se encontra às portas do tal castelo e a acção começa a partir daí.

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Cenários bonitos...

Devil May Cry foi um jogo revolucionário pelo seu combate “estiloso” para a época. É um hack ‘n slash com alguma exploração à mistura, fruto da sua herança de Resident Evil. Dante é um “caçador de demónios” equipado com 2 pistolas automáticas e uma larga espada, podendo tanto esquartejar o que lhe apareça à frente, encher os inimigos de chumbo ou até uma mistura dos 2. Há um grande ênfase na execução de combos e de manobras acrobáticas, tornando o gameplay bem mais dinâmico e livre dos tank controls que Resident Evil sempre teve no passado. Inicialmente Dante apenas tem as 2 pistolas e uma espada, mas ao longo do jogo vão sendo descobertas outras armas que conferem diferentes habilidades, como o salto duplo. Existem 2 barras de energia diferentes, a barra de vida normal, e uma outra usada para o Devil Trigger. Devil Trigger transforma Dante na sua versão demoníaca, ficando mais rápido, mais forte, com mais habilidades (como voar, por exemplo), a sua vida vai regenerando lentamente. Mas como tudo o que é bom acaba depressa, essa barra de energia do Devil Trigger é utilizada num certo tempo limite, mediante a percentagem de energia “Devil Trigger” disponíveis. Existem vários powerups sob a forma de “orbs” de várias cores. Uns restauram a barra de energia, outros extendem-na, bem como à barra Devil Trigger, novas vidas, e finalmente existem as red orbs, que são uma espécie de unidade monetária do jogo, permitindo a aquisição de items e novas habilidades ao longo do jogo. Existem outros items para além das orbs, mas este artigo não pretende ser um manual 😛

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Phantom, um dos primeiros bosses

Mesmo a jogabilidade ser completamente diferente dos Resident Evil clássicos, Devil May Cry ainda herdou algumas das suas características. A mais notória são os ângulos de câmara, que são fixos em salas grandes e abertas, e seguem o movimento do jogador em corredores mais apertados. Contudo, mesmo nesse caso a câmara não é controlada pelo jogador, o que pode ser um pouco irritante na altura de fazer alguns saltos delicados entre plataformas. A outra parecença reside no facto de o jogo não ser só porrada e ter uma elevada dose de exploração e um ou outro puzzle, sendo que a maioria assenta no princípio “encontrar o objecto A, levá-lo ao local B, para poder aceder a C”. De outra forma, apesar de ser possível fazer backtracking em vários momentos do jogo, o progresso do mesmo é separado por missões. Essas missões são coisas simples: encontrar objecto X, derrotar inimigo XYZ, descobrir o caminho para chegar a A. Existem também missões secretas que não são obrigatórias para se concluir o jogo. Essas missões geralmente consistem em derrotar um certo inimigo de uma determinada maneira, ou travar um combate dentro de um tempo limite. Estas missões secretas geralmente recompensam o jogador com powerups.

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Dante a mostrar quem manda

Passando para a questão gráfica, os jogos 3D geralmente envelhecem pior que os clássicos 2D, portanto temos de nos contextualizar no ano de 2001. Nessa perspectiva não me lembro de um jogo mais bonito na PS2 que tenha saído até então (talvez o Ico). Os cenários estão bem desenhados e com bastante detalhe, principalmente se compararmos este jogo com um seu sucessor Chaos Legion, que apresentava cenários bastante simples. A arquitectura do castelo, das salas, os efeitos de iluminação, a modelação das personagens e dos inimigos macabros, acho que no total está um artwork bem conseguido, aliando a uns bons gráficos para a PS2 na era 2001. A banda sonora segue na mesma a imagem rock/gótico deixada pelo estilo de Dante, com uma banda sonora orientada ao rock/industrial, dando também lugar a uma ambiência sonora mais sinistra quando os inimigos são derrotados.

Devil May Cry foi um jogo muito bem conseguido por parte da Capcom, gerando várias sequelas e inspirando outros jogos como o recente Bayonetta. É um jogo que se encontra muito facilmente e muito barato nesses amazon e ebays por aí fora. Foi recentemente anunciado um remaster em HD para PS3 e X360, têm o potencial de se tornar a melhor versão deste jogo, mas a ver o que foi feito no RE4, as mudanças não serão assim muitas.

Dragon Ball Z The Legend (Sega Saturn)

Dragon Ball Z The LegendA série Dragon Ball é sem dúvida alguma a mais bem sucedida série anime, principalmente a segunda série “Z”. Dragon Ball começou no ano de 1984 como um manga periódico da revista Shonen Jump. Em 1986 a série ganhava a sua própria série de animação, tornando-se no fenómeno que é hoje. Ao longo dos anos foram sendo desenvolvidos vários filmes, jogos, brinquedos, e tudo o resto que pudesse ser capitalizado sob o sucesso desta série. Em Portugal Dragon Ball apenas chegou à televisão nacional em meados dos anos 90. Em 1996 a série estava no seu auge de popularidade por cá (lembro-me perfeitamente de até professores meus fazerem gazeta para verem os episódios connosco lá na escola), tendo sido a melhor altura para trazer 2 dos mais recentes jogos de DBZ para as consolas da Sega (The Legend para Saturn e Buyū Retsuden para Mega Drive). A minha cópia foi adquirida no miau.pt, algures no final do ano passado ou no início deste ano. Não me recordo quanto custou mas não terá sido muito.

Dragon Ball Z Saturn
Jogo completo com caixa, manual e papelada.

De facto, o sucesso da série foi um factor chave para que os 2 jogos tivessem um lançamento por cá. Dragon Ball Z The Legend teve apenas 2 releases em solo europeu, ambas as versões com a linguagem em francês. Para além da edição francesa o jogo foi também lançado em Espanha e Portugal, tendo esta versão um manual em espanhol e português. Já o Dragon Ball Z da Mega Drive saiu apenas uma versão francesa em solo europeu, sendo que em Portugal a Ecofilmes importou directamente o jogo japonês, oferecendo em conjunto um conversor Jap->Eur para que o jogo pudesse ser jogado. Enfim, curiosidades à parte, vamo-nos concentrar na versão Saturn.

Dragon Ball Z The Legend tinha tudo para dar certo, a nível do gameplay (isto no ponto de vista de um pré adolescente em 1996). Senão vejamos: combates 3×3 em tempo real, com cenários destrutíveis em 3D? Melhor ideia seria impossível! Hoje em dia obviamente que olhando as coisas mais friamente a opinião deste jogo não poderá ser a mesma. Este jogo pode ser jogado no modo história ou no modo VS. O modo VS poderá ser jogador contra CPU, jogador contra jogador, ou CPU contra CPU, podendo serem escolhidas até 3 personagens de cada lado para a pancada. O modo história é semelhante na jogabilidade, estando apenas a selecção de personagens restrita nos vários capítulos que a história se vai desenrolando. História essa que vai desde o combate de Goku contra Nappa e Vegeta até ao evil Buu, abraçando portanto a maior parte da história da série. Os combates desenrolam-se de uma forma muito peculiar. Controlamos apenas um de um máximo de 3 personagens (podendo no entanto alternar entre as personagens a qualquer momento no jogo), sendo que as outras personagens vão atacando de forma autónoma. Os ataques normais não provocam dano nos inimigos, apenas vão actualizando a “power balance” (uma barra de energia localizada em baixo, ao centro) para um dos lados. Quando a balança pender apenas para um dos lados poderemos executar (ou sofrer) um Chain Hit indefensável, um ataque especial como o Kame Hame de Goku por exemplo. Esses ataques especiais são a chave para derrotar os inimigos e vencer os combates, sendo a única forma de lhes causar dano. Infelizmente a escolha desses ataques especiais é feita de forma automática, não podemos escolher quais executar, é pena. Apesar de os combates serem frenéticos com um máximo de 6 personagens a lutarem ao mesmo tempo e o mundo ser aberto e parcialmente destrutível, este esquema algo confuso de “balanceamento de poder”, aliando a uns maus controlos tornam esta experiência algo frustrante, pois tinha todo o potencial para ser muito melhor. E não é nada incomum que um combate dure mais de 20 minutos… Voltando aos modos de jogo, lá mais para a frente podem ser desbloqueado o modo “Special” que é um modo onde o jogador tem de enfrentar vários combates com personagens pré-determinadas. Por exemplo, Vegeta contra Vegeta em super guerreiro. Não é algo assim tão interessante pois pode-se fazer exactamente o mesmo no modo VS…

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6 gajos à batatada!

Graficamente o jogo não é nada de especial. Os mundos 3D são algo simples, mas também em 1996 não se poderia pedir muito melhor a um Saturn (a versão PS1 que se ficou pelo Japão é idêntica). Já as personagens que são em 2D tinham a obrigação de serem mais detalhadas. A Saturn é capaz de muito mais neste departamento. Antes de cada combate no modo história é mostrada uma cutscene com a história pré-combate, através de slide de imagens retiradas da manga de DBZ. Não é um FMV, mas não é mau de todo. Na versão Japonesa, nestas introduções ouvia-se um narrador a falar em japonês, contando a história mediante a apresentação de imagens. Na versão europeia cortaram isso, simplesmente passam música e as imagens. Poderiam ter tentado colocar legendas e manter o narrador japonês, mas pronto. Aliás, a própria tradução para francês é muito fraquinha (chergemant em vez de chargement, por exemplo, é o que aparece nos ecrãs de loading). Sonoramente o jogo possui uma banda sonora muito cheesy, tal como era comum nos jogos em CD dos anos 90. Nada de especial. Sinceramente não me recordo se as vozes das personagens eram as originais em japonês ou traduzidas para francês, mas penso que sejam em japonês.

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Balança está mais pendente para o Vegeta

Para finalizar o artigo, enfatizo o que já disse anteriormente. Este jogo tinha imenso potencial, com combates frenéticos até 6 lutadores no ecrã era uma óptima ideia. Contudo, com os controlos não muito intuitivos e uma jogabilidade algo confusa em torno de um balanceamento de poder acabam por tornar esta experiência mais frustrante. Este jogo foi também lançado na PS1 apenas no Japão. A versão europeia é algo rara lá fora, embora ainda se vá encontrando em Portugal em sites como o miau.pt ou o leiloes.net a preços relativamente baratos. É um jogo recomendado para coleccionadores, que para fãs de Dragon Ball existem muitos mais jogos de luta com mais qualidade que este.

Mortal Kombat 3 (PC MS-DOS)

mk3Pois é, o tempo para escrever aqui está a voltar a apertar, mas espero no mínimo fazer 2 artigos por semana. Mortal Kombat, actualmente é possivelmente a série de jogos de luta mais conceituada no mercado, fruto do excelente jogo lançado neste ano. Mortal Kombat 3, como o nome indica é a terceira iteração desta série no mercado, tendo sido lançada originalmente no ano de 1995 para Arcade e para várias consolas e PC. A minha cópia foi adquirida há uma data de anos atrás, por aí em 1997/1998. Penso que me custou cerca de 10€ novo. O jogo está absolutamente impecável, apenas falta a caixa enorme de cartão que a deitei fora por pura estupidez. Era um miúdo na altura.

Mortal Kombat 3 DOS
Jogo com jewel case e manual em português.

Um aviso antes de prosseguir: Uma boa parte dos screenshots aqui publicados não correspondem à versão DOS que por incrível que pareça, não tenho conseguido encontrar screenshots. Não que as pessoas liguem muito, mas a história de Mortal Kombat (pelo menos nos clássicos) segue o duelo de Shao Khan, imperador do OutWorld, rodeado de guerreiros sanguinários, quer invadir e apoderar-se da Terra e dos seus habitantes. Como defesa, a Terra apelou ao torneio Mortal Kombat como disputa. As regras eram simples, Shao Khan para invadir a terra teria de vencer 10 torneios consecutivos. Mortal Kombat I seria o derradeiro torneio para Shao Khan, pois já tinha vencido 9, mas saiu derrotado (e em MK II também). Assim sendo decide por em prática um “plano B”, ressuscitar a sua companheira, a Rainha Sindel, em plena Terra. Com Sindel ressuscitada foi possível criar um elo de ligação entre as 2 dimensões, e Shao Khan já pode finalmente invadir a Terra. Não que a história faça muito sentido, mas neste tipo de jogos o que as pessoas querem é porrada e nisso Mortal Kombat cumpre os requisitos.

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Menu inicial do jogo, não muito bonito, mas funcional.

Confesso que nunca joguei muito esta versão. Isto porque é a versão DOS e não funcionava correctamente no Windows 95/98. Tinha de ligar o PC no modo DOS, e como eu era (e sou) bastante preguiçoso, preferia ir jogar o Ultimate Mortal Kombat 3 para a Mega Drive em casa de uns amigos meus. Hoje em dia já é um jogo que corre bem num emulador como o DOSBox. E foi um erro não ter jogado mais vezes esta versão pois é uma conversão muito fiel à arcade, algo que nem a versão Playstation era nessa altura. Mortal Kombat 3 geralmente é um jogo mal-amado na série (sinceramente também prefiro as versões Ultimate ou Trilogy), muito por culpa da não-inclusão de personagens clássicos dos outros jogos, como Scorpion, Reptile, Raiden, Johnny Cage, Kitana, entre outros. Por contrapartida uma série de novos lutadores foi adicionada, tal como Sindel, os Cyborgs Cyrax e Sektor, um novo Sub-Zero sem o uniforme de ninja, e mais uns quantos. No gameplay foram criadas novas fatalities, bem como foram mantidas as variantes friendships e babalities. Novidade foi a inclusão das animalities, onde à semelhança da fatality de Liu Kang em Mortal Kombat II, permitia ao lutador transformar-se num animal e acabar com o seu adversário de uma forma não muito digna. Ainda no gameplay, Mortal Kombat 3 trouxe como novidade um novo sistema de combos, que permitia o uso de combos pré-determinadas que não podiam ser bloqueadas, para além das combos normais existentes nos jogos anteriores. De resto, os lutadores continuam a lutar todos da mesma forma, sendo apenas diferenciados pelos seus movimentos  especiais. A versão DOS permite vários modos de jogo, desde o tradicional Arcade, até torneios de 9 contra 9, podendo ser feitos também via rede.

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Lutadores disponíveis

Convém também referir que existem várias batotas neste jogo, e apesar de ser algo comum a todas as versões deste jogo, esta versão DOS penso que inclui algumas inéditas que não estão presentes noutras conversões, tais como lutadores “invisíveis”, um modo espelhado, lutadores gigantes, minúsculos, etc. Graficamente a conversão para MS-DOS é practicamente fiel à sua versão Arcade. As personagens estão bem definidas, bem como os cenários. As personagens são sprites digitalizadas de capturas de humanos reais, à semelhança do que se fez em MK1 e em certa parte, MKII. Desta vez os cenários também são digitalizados, algo que em 1995 poderia parecer impressionante, mas sinceramente eu sempre preferi os visuais do Mortal Kombat II (para mim o melhor jogo 2D da série). Este jogo foi relançado mais tarde para Windows 95, sendo essa versão uma conversão directa da versão Playstation. Várias pessoas dizem que a versão MS-DOS é a que é mais fiel à Arcade e com melhores gráficos, mas pessoalmente não notei grande diferença. A nivel de som, Mortal Kombat aposta numa banda sonora mais diversificada, não se focando em temáticas mais orientais e apostando numa sonoridade mais electrónica. Os efeitos sonoros em si continuam bons, como sempre.

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Digam olá a Motaro, um dos bosses do jogo

Mortal Kombat 3 foi lançado em várias consolas ao longo dos anos. Esta é uma óptima conversão (muitos consideram a melhor), mas o facto de ser necessário configurar um emulador de DOS para a correr nos PCs de hoje, pode ser um factor que iniba a aquisição desta versão. Posteriormente o jogo foi relançado em várias compilações que chegaram à PS2, GC, Xbox, PC, PSP, X360 e PS3, sendo porventura versões mais fáceis de serem encontradas. Ainda assim, com várias versões disponíveis, sempre recomendo que comprem o Ultimate Mortal Kombat 3 ou até o Mortal Kombat Trilogy.