Chaos Legion (Sony Playstation 2)

Chaos Legion PS2Não restem dúvidas que a Capcom foi uma das software houses mais activas na geração passada. Para além de novas entradas em séries como  Resident Evil, Breath of Fire e Mega Man, foram também criadas novas franchises como Devil May Cry, Viewtiful Joe, Killer 7, God Hand, Onimusha, Monster Hunter, entre vários outros exemplos. Devil May Cry foi uma das séries de maior sucesso, tendo sido imitada por vários outros jogos, inclusive da própria Capcom. Chaos Legion é um deles, foi um jogo que comprei no início deste ano no ebay uk, por cerca de 5€. Está completo e em bom estado.

Chaos Legion PS2
Jogo completo com caixa e manual

Chaos Legion segue a história de Sieg Warheit, um “Knight of the Dark Glyphs” da Order of St. Overia, na busca do seu antigo companheiro Victor Delacroix que, após a morte da sua irmã Siela Riviere, culpa Sieg do seu assassinato (Sieg e Siela eram namorados ou algo do género). Victor passa para o “dark side”, e vai em busca dos 3 “Sacred Glyphs” de modo a unir os 3 diferentes planos de existência (Nether World, Middle World e Celestial World), provocando a destruição do mundo, mas porém trazendo de volta a sua irmã Siela. A história é um bocado novela mexicana, mas siga. Ao longo do jogo vão sendo visitados vários locais, que infelizmente não diferem muito entre si, sendo a maioria templos ou ruínas sempre com uma arquitectura gótica por detrás.

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Sieg e os seus Malice, contra um boss chato

A jogabilidade na sua essência não difere muito da jogabilidade de Devil May Cry, no que diz respeito ao combate com a espada. Mas ao invés de pistolas, Sieg conta com os seus “Legions”, criaturas que podem ser invocadas para o auxiliar na batalha. Sejam em golpes como “Assist”, até ter as criaturas em terreno de combate, podendo tomar atitudes ofensivas ou defensivas. Cada Legion tem habilidades diferentes, desde espadachins, arqueiros, bombas, garras, sendo mais ou menos eficazes para os vários diferentes inimigos. Alguns items escondidos também só poderão ser descobertos ao utilizar estas habilidades dos Legions. Sieg começa com o Legion Thanatos, o mais poderoso, mas que infelizmente é destruído no final do primeiro nível. Os restantes Legions vão sendo encontrados nos níveis seguintes e o próprio Thanatos também poderá vir a ressuscitado lá mais para a frente. O combate em si fornece pontos de experiência, não para Sieg, mas sim para os seus Legions, podendo subir o seu poder de ataque/defesa e habilidades. O estado de Sieg também evolui, mas através de items como “Defense Up” ou “Life Max Up” que tanto podem estar espalhados no jogo, como podem ser deixados pelos inimigos derrotados. Existem portanto 2 barras de energia, uma da vida de Sieg (que caso chegue a zero já sabem o que acontece) e existe uma outra que é a “Soul”. Esta é a barra de energia que permite utilizar os golpes especiais “assist” dos Legions, bem como serve para os invocar. Após a sua invocação esta barra “Soul” muda de forma, tornando-se numa barra de vida para os Legions. Chegando a zero o Legion volta para o seu mundo e é necessário voltar a recuperar alguma dessa energia para os poder utilizar novamente. A energia Soul obtém-se através do Sieg distribuir pancada nos inimigos, pela sua própria espada. Mais lá para a frente conhecemos uma menina de nome Arcia Rinslet, ao fim de algum tempo podemos jogar com ela. A menina não usa os Legions mas sim 2 pistolas como arma (ou os seus próprios pontapés), podem imaginar que a maneira de jogar com ela não é muito diferente de um certo Dante…

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Arcia a mostrar os seus dotes...

Uma coisa que me irritou foi o “targeting system”. É possível “marcar” um inimigo para que os Legions se concentrem apenas nele, mas nem sempre é fácil fazê-lo. O combate aéreo foi a minha maior frustração. É muito difícil que os Legions lutem com sucesso com inimigos que estejam acima de Sieg, e mesmo o próprio Sieg tem limitações ao utilizar os seus golpes nessas circunstâncias. Não consigo fazer “target” a inimigos que estejam a voar, como tal dificulta bastante o combate, mesmo para encaminhar os Legions para atacarem alguns desses inimigos. De resto, tendo em conta que quando Sieg invoca um Legion, Sieg perde algum do seu poder de ataque e velocidade, o que torna o jogo um pouco travado. Os controles também poderiam ser melhores, é frequente não se conseguir mudar a direcção de um golpe quando se está a fazer um combo.

Graficamente o jogo não é nada de especial. Os cenários até podem ser minimamente bonitos por se influenciarem na arquitectura gótica mas pecam por serem muito simples (a nível de texturas) e muito repetitivos. Existem uma ou outra missão na floresta que dá uma lufada de ar fresco, mas mesmo aí não esperem nada de especial. O jogo tem também bastante “fog”, algo típico de jogos de N64. Pelo contrário, é um jogo que apresenta um elevado número de inimigos no ecrã ao mesmo tempo, o que tendo em conta a plataforma em que saiu e o ano, não deixa de ser uma proeza interessante. Talvez por isso os gráficos estejam algo pobres. Os modelos das personagens e inimigos também são um pouco fracos, mas não é nada que seja insuportável. O som, confesso que a banda sonora me passou um pouco ao lado, mas pareceu-me na onda do rock e uma ou outra batida mais electrónica. O voice-acting por si não gostei quase nada. A história não é muito cativante e os diálogos são bastante dramáticos, não me convenceu.

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Fog of War, dizem alguns

Concluindo, acho que Chaos Legion até teve boas ideias, mas a sua execução não foi a melhor. O esquema dos Legions até que está bem pensado, cada um com uma série de habilidades características que permitem estratégias de luta bastante diferentes. Na minha opinião peca pelos controlos e pela história. Os gráficos não são grande coisa, mas não é algo que dê muita importância. Não é um dos jogos que eu recomendo a toda a gente que tenha uma PS2, mas quem gostar de Devil May Cry poderá encontrar algum entretenimento aqui.

Terminator 2: Judgment Day (Sega Master System)

t2-terminator-2-judgment-day-coverTerminator 2, um dos melhores filmes de acção dos anos 90. Como filme de sucesso, vários foram os jogos desenvolvidos para capitalizar sobre o filme. Só a Master System tem 2, este Judgment Day, conversão por parte da Acclaim/Flying Edge de um jogo igual produzido pela LJN para a NES, e o “Arcade Game” um shooter em primeira pessoa à moda de Operation Wolf ou, fazendo um paralelismo com jogos mais recentes, Time Crisis. O jogo de NES é muito mauzinho e esta versão não lhe fica muito atrás, pelo que este vai ser um post relativamente curto. A minha cópia custou-me uns 5€, foi comprada numa loja perto da minha escola secundária na Maia, cuja loja já fechou.

Terminator 2 Judgment Day SMS
Jogo completo com caixa, manual multilingue e pt

A história toda a gente deve conhecer, mas cá vai. Em 1997 o sistema de computadores do departamento de defesa norte americano “Skynet” adquire vontade própria e lança mísseis contra a Rússia, iniciando dessa forma uma nova guerra mundial e holocausto nuclear que elimina uma grande parte da raça humana. Skynet evolui, construindo elaborados Cyborgs para combater os humanos sobreviventes. Após ter tentado enviar um desses cyborgs ao passado para assassinar Sarah Connor, mãe de John Connor, líder da resistência humana no futuro e ter falhado a sua missão, Skynet envia um T-1000, novo modelo mais avançado para assassinar John na sua adolescência. Os rebeldes conseguem capturar e reprogramar um cyborg T800 e enviam-no para o passado com a missão de proteger John Connor.

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Primeiro nível, sem arma

O jogo é uma mistura entre plataformas e shooter horizontal (como Contra mas muito pior), onde tomamos o controlo do T-800 ao longo de vários cenários retirados do filme. Começamos num cenário à noite, num parque de camionistas e posteriormente num bar (onde o Arnold ia buscar roupas e armas – embora felizmente ele começa o jogo já com roupa). O primeiro nível é todo jogado sem qualquer arma, apenas podemos dar murros, que têm um fraco alcance. Em seguida, já devidamente armados vamos em busca de Sarah Connor no seu manicómio, onde temos o primeiro contacto com o T1000. Este nível está repleto de várias portas e elevadores, tendo um layout algo confuso. Os níveis seguintes são o assalto à Cyberdyne e o final na fundição. Pelo caminho ficou um nível referente à fuga de Arnold numa moto, sendo perseguido pelo T1000 num camião. Na NES esse era um nível especialmente frustrante, talvez por isso tenham decidido retirá-lo na versão Master System e Game Gear.

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Exemplo de uma das "cut-scenes" do jogo

A nível de jogabilidade, como a maioria dos jogos 8 bit, os controlos são simples. Botão direccional para movimento, um botão de salto e um outro de ataque. Infelizmente a jogabilidade é má. Existem níveis que exigem saltos muito precisos, e isto não é nenhum Super Mario Bros, nem para lá caminha. Arnold quando está desarmado apenas pode dar murros, que têm um alcance muito limitado. O jogo comporta-se em parte como um beat’ em up no primeiro nível, onde Arnold só pode progredir no nível derrotando os inimigos todos, desarmado. Se ao menos tivesse mais golpes… O facto de as sprites também serem muito pequenas não ajuda nada. Graficamente o jogo está bem mais colorido do que a versão NES, devido à maior palete de cores existente na Master System e Game Gear. Infelizmente não colocaram as sprites maiores, o que é pena. Ao menos os cenários têm mais detalhe, mas também não esperem nada de especial, estou apenas a comparar com a versão original. Este jogo tem vários diálogos ao longo do mesmo, explicando a história, acompanhados de algumas imagens. A versão NES pareceu-me mais variada nestas imagens. O som não é nada bom. O chip sonoro standard da Master System sempre foi o seu calcanhar de aquiles e em jogos de 3ª categoria mais vale deixar a TV no mute.

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O "reencontro" com Sarah Connor

Comprei este jogo apenas por motivos de coleccionismo, e por ter uma capa badass. Existem várias versões deste jogo espalhadas noutras consolas e computadores, as versões NES, Master System e Game Gear são praticamente o mesmo jogo, tendo servido também de base para as outras versões, até porque as produtoras são as mesmas. Mesmo tendo várias diferenças, todos os jogos são maus.

Resident Evil 4 (Nintendo Gamecube)

resident_evil_4[3]Finalmente, após algum tempo de inactividade, volto a escrever neste espaço. Para compensar, o artigo de hoje incide num dos melhores jogos lançados na geração passada. Resident Evil 4 foi um jogo indubitavelmente marcante para a já longa série de terror da Capcom, introduzindo uma jogabilidade inovadora que parece que veio para ficar, bem como uma nova envolvente. A minha cópia foi adquirida no miau.pt. Não me recordo quando foi, nem quanto custou. Está impecável e é da versão que vinha num bundle com uma GameCube cinzenta, trazendo um disco bónus com uma demo do Metroid Prime, um making of de Resident Evil 4, e trailers dos outros jogos da série presentes na Gamecube. Um bom mimo.

RE 4 GC
Jogo completo com caixa, manual, papelada e disco de bónus

Desde cedo que Resident Evil 4 se tornou num dos jogos mais promissores da Gamecube, mas na verdade os primeiros rumores do jogo surgiram já em 1999. Ao longo dos anos o jogo foi alvo de várias reformulações. Desde cedo que a Capcom queria que Resident Evil 4 marcasse uma mudança radical na série, sendo que a primeira versão do jogo, ainda em desenvolvimento para a PS2, acabou por se afastar de tal forma do conceito da série que Shinji Mikami resolveu dar-lhe o nome de Devil May Cry, tornando-se num inteiramente novo que mais tarde trarei aqui a este espaço. Em 2002 Resident Evil 4 foi anunciado como um exclusivo para a GameCube, mostrando um trailer com Leon Kennedy a fugir de uma estranha mancha negra. Mais tarde, em 2003 a Capcom mostrou uma versão inteiramente nova do jogo, ainda com Leon mas desta vez com uma componente mais “fantasmagórica”, com fantoches “vivos” e seres sinistros. Finalmente decidiram mudar o foco do jogo de terror para a acção e saiu o jogo que hoje conhecemos. Pouco tempo antes de o jogo sair para a Gamecube, a Capcom volta atrás com o acordado com a Nintendo e anuncia que uns meses depois do seu lançamento, uma conversão para a PS2 seria lançada, com conteúdo extra. Na altura, a Gamecube já tinha vendas fracas e os seus fãs esperavam que com a exclusividade de RE4 desse mais alguma força à consola. Infelizmente para mim a Capcom teve esta decisão e, apesar de a versão PS2 ser inferior graficamente, o conteúdo extra é bastante apelativo.

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Olá Ashley. Sim, tem uma cara bonita e é gerada em tempo real.

Resident Evil 4 decorre no ano de 2004, num meio rural e montanhoso do interior de Espanha. Somos informados que a Umbrella já não existe, embora só mais tarde num outro jogo é que se vem a descobrir como. Controlamos Leon Kennedy, a mando dos Serviços Secretos norte-americanos, que tem como missão descobrir o paradeiro de Ashley Graham a filha adolescente do Presidente, resgatando-a com segurança. Somos deixados numa aldeia, onde depressa descobrimos que os seus habitantes não são nada amigáveis. Armados de sacholas, machados, moto-serras e outros apetrechos, Leon só tem de lhes limpar o sebo. Desde cedo que os aldeões parecem possuídos, sendo também devotos seguidores de um culto secreto e sinistro das redondezas, os “Los Iluminados”. Ao longo do jogo vamos visitando outros sítios como o castelo de “Los Iluminados”, repleto de cultistas sinistros. Uma coisa que toda a gente se perguntou na altura foi “onde estão os zombies?” Pois bem, em RE4 não há zombies, mas sim um novo vírus: “Las Plagas”. Sem querer revelar muito da história, os aldeões e várias outras personagens encontram-se infectados com esse vírus, daí a sua hostilidade. O vírus também é mutagénico, alterando as vítimas para criaturas fofinhas. Mas Resident Evil 4 é muito mais que isto, o resto joguem vocês, apenas vos digo que personagens como Ada Wong e Jack Krauser possuem papeis importantes neste jogo.

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Isto não vai acabar bem...

A jogabilidade é um dos pontos fortes do jogo. Finalmente abandonaram os tank controls e os ângulos de câmara fixos, apresentando uma perspectiva mais “over-the-shoulder” que se tornou popular. O foco do jogo também passou mais para a acção, dando grande ênfase nos tiroteios. É sem dúvida um esquema bem mais dinâmico, com o “action button” a ter uma enorme importância, seja para mandar uns “roundhouse kicks” nuns gajos enfraquecidos, arrombar portas, deitar escadas abaixo para segurança, etc. E sim, a tensão é constante. Os inimigos estão constantemente a tentar rodear Leon, obrigando a um ritmo de jogo bem mais frenético e a busca constante de um lugar seguro. O jogo em si está muito bem estruturado, com uma boa variedade de locais, inimigos, bosses e diversas outras situações. Quando resgatamos Ashley, frequentemente temos de a proteger. Se ela for ferida quer por fogo inimigo, quer pelo próprio Leon e morrer, é game over. Para além disso temos de a guardar a todos os momentos, pois algum dos inimigos pode pegar nela e fugir e se a deixarmos escapar também é game over. Nesse caso temos de ter especial cuidado pois para evitarmos que Ashley escape é necessário abater o seu raptor, tendo o cuidado de não atingir Ashley. Este foi o aspecto mais chato do jogo, na minha opinião. Ainda assim, em alguns locais é possível ordenar a Ashley que se esconda, ordenando depois que saia do seu esconderijo quando o local estiver seguro. Resident Evil também reintroduziu o conceito de Quick Time Events, obrigando o jogador a carregar numa série de botões no momento certo para sobreviver. RE4 introduz também uma série de armas, passando por vários tipos de pistolas, metralhadoras, shotguns, lança-rockets, etc. As caixas de armazenamento de items presente nos jogos passados já não existem. Leon possui uma mala com slots limitados e o jogador tem de acondicionar os items e armas da melhor maneira. Armas podem ser compradas a um vendedor misterioso que vai aparecendo ao longo do jogo em vários locais, e o sistema de save mantém-se o mesmo das máquinas de escrever, com a vantagem de não ser necessário nenhum “ink ribbon”.

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Ashley a ser levada por um cultista. Cuidado para não lhe acertar.

O post já vai longo e eu ainda nem falei nos gráficos. Resident Evil 4 para Gamecube é, sem sombra de dúvidas um dos jogos mais bonitos que a Gamecube oferece, bem como um dos mais bonitos da geração passada. Os modelos das personagens estão muito bem detalhados, sendo tão assustadores devido ao seu realismo. A atmosfera dos locais está muito bem conseguida e ao longo do jogo sinto-me mesmo como se estivesse numa qualquer terriola para a zona das serras Peneda/Gerês. Efeitos como lava e fogo, só visto. Partículas como chuva, esguichos de sangue são autênticos eye candys. A nível de som o jogo está muito bem conseguido. As falas em castelhano dos inimigos são fantásticas, o voice acting é bom, inclusive com alguns momentos de humor, algo fora do normal na série. A música ambiente, como já tem sido habitual também contribui para a atmosfera tensa e de pânico constante no jogo.

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Palavras para quê?

Completando o jogo principal, a versão Gamecube dispõe de mais 2 mini-jogos: “Ada’s Assignment” e o regresso do “Mercenaries”. O primeiro é uma extensão da história oficial do jogo, colocando-nos na pele de Ada Wong na sua busca por 5 amostras do vírus “Las Plagas”. É um mini-jogo igualmente divertido, embora Ada seja uma personagem mais frágil que Leon, obrigando a uma abordagem ainda mais cuidada. “Mercenaries” é na sua essência idêntico à sua versão anterior. O objectivo é ir do lugar A para o B no menor tempo possível e quanto maior for o banho de sangue, melhor. Existem 4 níveis disponíveis e inicialmente apenas podemos jogar com Leon, desbloqueando outras 4 personagens se obtivermos uma boa performance nos vários mapas. Dentro do próprio jogo, existe um outro minijogo de “Target Shooting”. É uma galeria de tiro, onde temos de acertar em vários alvos que vão surgindo no ecrã, evitando acertar em alvos amigáveis. É fortemente encorajado que a performance do jogador seja de 100% de tiros certeiros, ganhando boas quantias de dinheiro e troféus diversos.

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"El Gigante" - um dos vários bosses que vamos encontrar.

Muito mais havia a dizer acerca deste jogo, mas o post já vai longo. Resident Evil 4 foi um jogo verdadeiramente revolucionário e está facilmente no Top 5 dos melhores jogos da Gamecube. Ainda assim, actualmente apenas recomendo esta versão para coleccionadores. A versão PS2 apesar de ter um desempenho gráfico visivelmente inferior, ainda inclui um outro capítulo de jogo inteiramente novo, o “Separate Ways”, onde jogamos com Ada Wong e vemos o que ela andou a fazer no tempo em que andou desencontrada com Leon. Mais tarde o jogo saiu para PC, embora graficamente também tenha sido uma conversão pobre. Para além de uma versão pobre para iPhone, o jogo foi relançado para a Nintendo Wii, mantendo os bons gráficos da versão Gamecube aliando ao suporte do Wiimote e trazendo os extras da versão PS2. Actualmente é na minha opinião a melhor versão deste jogo existente. Contudo daqui a pouco tempo irá sair para PS3 e X360 uma versão “remaster” deste jogo com gráficos em HD, juntamente do Resident Evil Code Veronica X. Esta versão futura tem o potencial de ser a melhor versão de Resident Evil 4. Ainda assim, quer possuam GC, PC, Wii, PS2, PS3 ou X360, façam o favor de jogar este jogo, não se irão arrepender.

Resident Evil Code Veronica X (Nintendo Gamecube)

resident evil code veronica gc palCode Veronica é o primeiro jogo principal da série sem os cenários pré-renderizados. Lançado originalmente em 2000 para a Sega Dreamcast, o hardware da mesma já permitia desenhar cenários 3D minimamente realistas, pelo que a Capcom optou por esse caminho. Ano e meio depois, Code Veronica foi re-lançado para a Dreamcast no Japão e para a PS2 em todo o mundo sob o nome Code Veronica X, onde tinham alterado ligeiramente a história, melhorado os gráficos, e introduzido uma série de novas CGs ao longo do jogo. A versão de pre-order da PS2 incluia também o chamado “Wesker’s Report”, um documentário fictício relatando os vários eventos da Umbrella até à altura.  Em 2003/2004 o jogo chega finalmente à Nintendo Gamecube, fruto do acordo entre a Capcom e a Nintendo em lançar toda a série principal nesta consola. Infelizmente é uma conversão directa da versão PS2, sem nenhum conteúdo adicional. A minha cópia foi comprada no miau.pt, não me recordo do ano nem quanto custou, mas não terá sido mais de 25€.

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Jogo completo com caixa, papelada e manual

A história segue Claire Redfield, que parte em busca do seu irmão Chris, pouco depois dos eventos corridos em Resident Evil 2. Logo no início somos presenteados com uma bela CG de Claire a invadir um edifício da Umbrella em França. Muitos tiros depois (incluindo a perseguição por um helicóptero como num Terminator 2), Claire é feita prisioneira e enviada para a prisão de Rockfort Island, uma localidade pertencente à família Ashford, família essa envolvida na criação da Umbrella e do famoso Progenitor Virus. Ao longo do jogo iremos visitar outros locais, incluindo uma base da Umbrella em plena Antárctida, bem como controlar outras personagens como o colega de “prisão” Steve Burnside. Chris Redfield entra na segunda metade do jogo à procura da sua irmã, revisitando dessa forma muitos dos locais anteriores. De volta estão também os zombies, muitos morcegos (chatos) e novas B.O.W. (Bio Organic Weapons), bem como é introduzido um novo virus à série, o T-Veronica, inspirado numa das antagonistas principais do jogo.

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Steve Burnside, companheiro de Claire na luta para escapar de Rockfort Island

A jogabilidade mantém-se nos “tank controls”, embora a Capcom tenha incluido o esquema de controlo “Type-C” que permite avançar com o botão R, utilizando o stick esquerdo para alterar a direcção da personagem. Uma novidade na questão da jogabilidade introduzida neste jogo é a perspectiva de primeira pessoa, ao utilizar certas armas como a sniper rifle, por exemplo. Aliás, é possível jogar o jogo todo numa perspectiva de primeira pessoa, introduzindo uma série de códigos “Action Replay”, penso que inicialmente a Capcom tinha planos para incluir a visão em primeira pessoa no jogo todo, depois lá mudaram de ideias. Para além do combate em si, contem na mesma com vários puzzles para resolver, muita exploração, items para recolher, etc.

Graficamente, podemos afirmar que era um jogo bastante bonito numa Dreamcast, no ano 2000. Para a altura em que chegou à Gamecube (2003/2004), já havia no mercado jogos como Metroid Prime e Zelda Wind Waker que eram um autêntico regalo para os olhos. Ainda assim, são agradáveis e envelheceram bem melhor que os vistos em RE2 e 3. Os modelos são suficientemente bem detalhados, tanto os inimigos, como vários objectos e texturas.  Mesmo abandonando os gráficos pré-renderizados, a câmara ainda é de ângulos fixos, embora estes sejam mais amigáveis e dêm uma melhor perspectiva da sala. Obviamente que não chega ao nível de “beleza” de um Remake ou um Zero, mas sendo uma simples conversão de um jogo mais antigo e feito num hardware inferior, não me queixo. Infelizmente o factor “medo” para mim foi quase inexistente, algo que só o Remake e o Zero, na minha opinião, conseguiram alcançar uma atmosfera bastante tensa. Não faltam zombies e outras criaturas “bonitas” em Code Veronica, mas a atmosfera de uma casa abandonada ou a claustrofobia de um comboio repleto de zombies não está lá, mesmo existindo alguns desses cenários aqui. Já a nível de som não há realmente muito a dizer, foi um bom trabalho da Capcom. A música é atmosférica e sem muita presença, explodindo para músicas mais fortes em momentos mais caóticos, como a luta contra bosses, por exemplo. Os restantes efeitos sonoros são também bem conseguidos, desde os gemidos de zombies até às explosões. O voice-acting pela primeira vez na série levou um tom mais “sério” e não aquele desastrado presente nos primeiros jogos da série.

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Zombies novamente, desta vez com os cenários em 3D

A nível de extras, este Resident Evil possui poucos, comparando com os restantes jogos da série (principalmente conversões). Ao completar o jogo principal, dependendo do tempo levado e performance ao longo do jogo, é atribuído um rank final. Se o rank for de A (muito difícil), é desbloqueado um lança-rockets com munição infinita. Independentemente do ranking é desbloqueado sempre um minijogo, o Battle mode. Este minijogo pode ser jogado em 3ª pessoa, ou em primeira pessoa como se um FPS se tratasse, e consiste simplesmente em chegar do ponto A ao ponto B no menor tempo possível. Dependendo da performance neste Battle mode, podem ser desbloquadas novas personagens para serem jogadas aqui (como Albert Wesker), bem como o Linear Launcher. É uma pena não se desbloquear outros modos de jogo, ou até outros uniformes para as personagens, mas paciência.

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Ecrã de visualização de items, não mudou muita coisa

Concluindo, o que disse acerca do RE2 e 3 repito-o aqui. Aconselho este jogo apenas para quem for coleccionador ou quiser ter os jogos da série principal até ao RE4 na Gamecube. Digo isto pois geralmente encontra-se este jogo bem mais barato na sua versão PS2 (que apresenta as CGs de melhor qualidade devido a correrem num DVD, enquanto que nas versões DC e GC as mesmas estão comprimidas). Mesmo a versão Dreamcast, que embora tenha menos cutscenes e pequenos detalhes alterados, é uma versão perfeitamente capaz e pouco perde entre estas versões mais completas. Foram também anunciadas para X360 e PS3 conversões remasterizadas em HD deste jogo e do Resident Evil 4, poderão perfeitamente vir a ser as versões definitivas destes jogos.

Killzone (Sony Playstation 2)

Killzone PS2Resident Evil? Sim, escreverei sobre a série novamente amanhã. Acontece que acabei de finalizar este Killzone para a PS2 e quero aproveitar para escrever enquanto tenho a experiência fresca. Killzone é um jogo que sofreu uma grande campanha publicitária antes do seu lançamento, elevando bastante as expectativas dos fãs de PS2 na esperança que este jogo fosse o tão desejado “Halo-killer“. Como sempre, manter as expectativas demasiado elevadas nunca é boa ideia e Killzone é um bom jogo, embora com uma série de problemas que irão ser mencionados. A minha cópia original foi comprada no ebay UK, entretanto arranjei mais recentemente uma edição especial que contém uma sleeve de cartão mais um dvd bónus que sinceramente ainda não tive tempo de assistir. Custou-me 5€ na Feira da Ladra.

Killzone - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, sleeve de cartão, manual e disco de bónus. Gosto mais do manual da versão original though.

A narrativa de Killzone decorre no futuro, onde a humanidade chegou a um nível de tecnologia avançado que lhe permitiu colonizar vários planetas. A certa altura dá-se uma guerra entre a civilização humana “ISA” (Interplanetary Strategic Alliance) e o Império Hellghast. ISA sai vitoriosa e o povo Hellghast vê-se forçado a exilar-se num planeta com condições ambientais muito agrestes, de tal forma que com o passar dos anos os Hellghast foram-se mutando para conseguirem sobreviver naquelas condições e junto de Visari, o seu Imperador, foram alimentando um enorme ódio pela Humanidade. O exército dos Hellghast vai-se recompondo, ganhando força e a certa altura decidem invadir o planeta das ISA mais próximo – Vekta, começando assim esta aventura. O jogo coloca-nos inicialmente na pele do Capitão Jan Templar, das forças ISA enquanto luta desesperadamente para repelir as forças invasoras nos subúrbios da cidade de Vekta. Ao longo do jogo vamos conhecendo mais 3 personagens jogáveis de diferentes forças militares da ISA. Luger é uma Shadow Marshal, assassina de elite especialista em manobras “stealth“, Rico é o típico “Rambo” equipado com uma metralhadora pesada que destrói tudo o que mexe e finalmente Hakha, um híbrido humano/hellghast que serve de espião ao serviço das forças ISA.

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Os níveis na selva pareceram-me os mais detalhados

O jogo está dividido em 11 níveis, cada um com um conjunto de variável de subníveis. Antes de cada nível temos a liberdade de escolher qual dos 4 personagens jogar (à medida que vão sendo desbloqueadas), as restantes são controladas pela inteligência artificial. A escolha das personagems varia ligeiramente os diálogos existentes no nível, bem como os objectivos ou percurso, pois cada personagem tem várias características diferentes. Templar é o tradicional “faz-tudo”, com mobilidade razoável. Luger tal como disse acima é perita em infiltrações, sendo a pessoa do grupo mais ágil, com mais aptidão para o “sniping” e com maior mobilidade no sentido de ultrapassar obstáculos e esgueirar-se por recantos pequenos. Rico é o elemento mais lento, porém o que consegue suster mais dano e o que melhor opera o armamento pesado. Finalmente, Hakha por ser meio Hellghast consegue passar despercebido entre os alarmes colocados pelos próprios e tem maior aptidão para utilizar o armamento Hellghast (maior capacidade de munição). Os controlos são o habitual nos FPS na PS2, mas com algumas chatices. A mira da sniper rifle é horrível, sendo bastante difícil de controlar, e o facto do botão de sprint ser “o mesmo” do movimento (pressionar L3 enquanto se desloca o stick para a frente) torna a experiência de correr muito irritante, o que era desnecessário. Ainda assim o jogo oferece a oportunidade de customizar os botões à nossa maneira. Outra coisa que me chateou imenso na questão da jogabilidade é o jogo não possuir um botão de salto. Existem vários obstáculos no jogo que poderiam facilmente ser transpostos com um simples botão de salto, no entanto se não tivermos a jogar com Templar ou Luger que são inteligentes o suficiente para avançarem esses pequenos obstáculos, vemos-nos forçados a dar uma grande volta para chegar ao mesmo destino. O jogo é uma experiência altamente linear, apesar de de vez em quando surgir um mapa aberto o suficiente para termos 2, 3 maneiras diferentes de abordar uma situação. À semelhança de Medal of Honor e Call of Duty, Killzone utiliza bastante os eventos pré-programados para dar alguma dinâmica ao jogo e um sentimento mais épico.

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A horrível mira da sniper rifle

Graficamente falando, Killzone é um jogo que fica bastante bonito no papel. Em movimento torna-se uma mistura de feio/belo um pouco difícil de se explicar mas vou tentar. Em primeiro lugar, eu gosto da artwork do jogo. Os cenários urbanos são detalhados (e bonitos para o meu gosto), os veículos, inimigos, armamento no geral também está bem conseguido na minha opinião. Volta-e-meia há alguns cenários (como o da selva, por exemplo) que coloca uns óptimos efeitos de luz. Fumo e partículas quando existem também estão convincentes, embora nada ao nível de um Black. O problema dos gráficos deste jogo é que para ser mostrado um mundo aberto e detalhado, os objectos/inimigos/NPCs que estão longe ficam renderizados de forma muito pobre, com poucos polígonos, e à medida que nos vamos aproximando, o detalhe vai sendo cada vez maior. Isto no papel até pode ser uma boa ideia e um bom truque para maximizar o poder do hardware da PS2. O problema é que isto não é feito de uma forma suave e para além de se notarem quebras de framerate, é muito comum que quando nos aproximamos de um objecto, parede, ou personagem, estes ainda estão com os seus visuais “low-res”, demorando algum tempo até que fiquem “bonitos”. Quando vamos avançando num nível com muitos detalhes (uma zona florestal, por exemplo), é frequente ver o cenário à nossa volta mutar-se frequentemente, com bastante pop-in digno de um Daytona USA na Sega Saturn.

A nível de som, este jogo conta com várias orquestrações para aqueles momentos de maior tensão, tal e qual como se um filme/jogo da 2a Guerra Mundial se tratasse. O jogo é competente neste caso, o voice-acting é bom. O problema nesta área é que devido à escassez de variedade de inimigos, há também uma escassez de falas dos mesmos. Vamos ouvir vezes sem conta a mesma voz para todos os Hellghasts e as mesmas frases/gritos de ordem. Para a nossa equipa vai acontecendo a mesma coisa, mas siga.

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Interessante o efeito de blur quando se usa o sprint

Antes de finalizar, convém referir o multiplayer. Killzone oferece multiplayer local para 2 jogadores, bem como um modo online que suporta até 16 jogadores. Foram criados 8 mapas para uso no multiplayer e podem ser escolhidos vários modos de jogo, entre os quais os já familiares (Team) Deathmatch, Domination e Assault, bem como “Supply Drop”, que se trata de uma variante do Capture the Flag, e o modo “Defend & Destroy”, onde as equipas para além de terem de defender alguns pontos-chave, têm também de atacar os da equipa oponente. Para terminar, Killzone é um bom exemplo do porque não se deve gerar tanto hype assim em torno de um jogo. Gostei bastante do conceito do jogo em si, e a história tem pernas para andar (tanto que já existem pelo menos 2 sequelas e um outro jogo para a PSP), mas neste caso é notório que o jogo a certa altura teve de ser apressado, pois ainda possui uma série de bugs gráficos. A jogabilidade infelizmente também não é a melhor e a IA (que não referi acima) também tem os seus problemas. Ainda assim, não deixa de ser um jogo agradável, apesar da sua extrema linearidade, tendo também um bom potencial de melhorar bastante no futuro (o que pelos vistos acabou por acontecer).