Jamestown (PC)

Há uns posts atrás referi que quando era mais novo, nunca fui grande jogador de shooters de “navinhas espaciais”. E de facto durante muito tempo nunca mais voltei a pegar a sério num jogo do género, até este Jamestown ter vindo parar à minha conta no Steam quando comprei o Humble Indie Bundle VI. Assim sendo, lá resolvi dar mais uma oportunidade a mim mesmo e lá tive de suar bastante nalguns momentos “bullet hell” que ia enfrentando.

JamestownBoxArtJamestown, para além de ser inspirado no nome de uma localidade qualquer na Virginia, E.U.A., tem uma história igualmente curiosa, passada em pleno século XVII, altura em que os E.U.A. eram apenas uma colónia Inglesa. Até aqui tudo bem, agora transportem essa colónia para Marte, onde aliens se aliam a Espanha na guerra contra Inglaterra e suas colónias. O jogo torna-se então numa mistura de visuais e estilos tanto “Pirata das Caraíbas”, como outros retirados da ficção científica, como os vários Aliens e naves espaciais que nos vão atacando. A história em si vai sendo contada em vários pequenos interlúdios que separam os seus 5 níveis.

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Pânico? Não… vai tudo correr bem.

Com apenas 5 níveis, Jamestown seria um jogo bastante curto, a menos que a dificuldade fosse algo absolutamente insano. Na verdade temos disponíveis vários níveis de dificuldade, mas assumindo que começamos no “Normal”, apenas poderemos jogar os 3 primeiros níveis. Para desbloquear o seguinte, teremos de rejogar todos os níveis anteriores no grau de dificuldade imediatamente a seguir, com a mesma coisa a repetir-se com o grau de dificuldade acima. Existe no entanto mais conteúdo que ainda dá mais vida ao jogo. Ao longo dos níveis, com os inimigos que vamos destruindo, vamos obtendo algum dinheiro virtual, que pode ser usado posteriormente quer para comprar outras naves com diferentes habilidades, quer outros modos de jogo ou conjuntos de “Challenges“. Um dos modos de jogo que podemos desbloquear dessa forma é o Gauntlet, onde podemos jogar o jogo completo de uma só vez, já na maneira normal apenas jogamos um nível de cada vez, com 3 vidas e 2 continues para cada nível, sendo que depois voltamos ao “hub“. Os outros são os desafios que já referi, níveis bastante curtos mas com tarefas específicas como “sobreviver x segundos”, por exemplo. São secções por norma bastante exigentes e eu não perdi muito tempo com isso.

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É possível jogar cooperativamente com até 4 jogadores locais – podemos utilizar o teclado, rato e comandos para controlar as naves

De resto o jogo é um shooter vertical, onde podemos destruir tudo o que mexa e não somos nós. Cada nave possui um disparo standard e um especial que por norma é mais poderoso. Estes modos de disparo é o que vai variando entre os 4 modelos de naves que podemos desbloquear, para além da sua agilidade. De resto, basta um tiro inimigo acertar no centro da nave para se perder uma vida. À medida em que vamos destruindo os inimigos, eles largam algumas quantidades de ouro que podemos (e devemos) apanhar sempre que possível. Para além de resultar em mais pontos, vamos preenchendo uma barrinha de energia. Quando a mesma estiver cheia, podemos desbloquear uma habilidade que é comum a todas as naves, o Vaunt. Quando activamos o Vaunt, gera-se um escudo À volta da nave que vai diminuindo de diâmetro com o tempo. Todas as balas que entram em contacto com o escudo desaparecem e convertem-se em pontos, sendo uma habilidade excelente para guardar em alturas mais apertadas. Contudo o escudo desaparece rapidamente, pelo que não podemos contar com esse bónus durante muito tempo. Para compensar, mesmo depois do escudo já se ter extinguido, ainda continuamos no modo Vaunt enquanto a tal barrinha de energia não se esvaziar completamente. Neste modo, os nossos disparos são mais poderosos que o habitual, os pontos que conseguimos fazer são multiplicados e podemos manter a barra de energia cheia ao continuar a coleccionar o ouro que conseguimos obter dos inimigos.

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No final de cada nível temos sempre um boss, mesmo como manda a lei

No que diz respeito ao audiovisual, o jogo é todo um tributo aos clássicos shooters das Arcades em plenos anos 90. Desde as referências a credits e insert coin, passando pelos próprios gráficos 2D que parecem vindos directamente de uma placa arcade da Taito. Os inimigos são variados e bem definidos, cada tipo com os seus diferentes padrões de movimento que terão de ser forçosamente fixados se quisermos ousar jogar Jamestown na dificuldade máxima. Quando falei que o jogo fazia de certa forma lembrar os filmes “Pirata das Caraíbas” da Disney, não me estava apenas a referir às referências do século XVII, a banda sonora do jogo é bastante épica e fez-me lembrar por várias vezes as bandas sonoras desses filmes.

Jamestown é um bom jogo para quem gostar do género, com uma dificuldade escalável, e diverso conteúdo extra bastante desafiador para quem tiver paciência para memorizar padrões e reflexos rápidos a acompanhar os vários momentos “bullet hell” que se terá pela frente.

Crayon Physics Deluxe (PC)

De volta aos jogos indie, com um artigo algo curto acerca de um jogo em que também não perdi muito tempo. Crayon Physics Deluxe, autoria de Petri Purho, é mais um puzzle game criativo, onde o único objectivo ao longo dos níveis é levar uma bola do ponto A ao B, já a maneira em como o fazemos fica inteiramente ao nosso critério. O jogo veio-me parar à minha conta do Steam através do pack Humble Indie Bundle 3, que me foi oferecido por alguém.

Crayon_Physics_DeluxeCrayon Physics Deluxe é um jogo simples, porém muito bem conseguido para quem gosta deste tipo de experiências, ou quiser jogar algo de forma mais casual visto que o jogo também está disponível tanto para dispositivos Android como iOS. O conceito do jogo é bastante nostálgico, remetendo-nos de imediato para a nossa infância em que passávamos horas a fio a desenhar e a imaginar os bonecos ganharem vida. No meu caso nem tanto, que eu desde pequeno gostava era de montar naves espaciais com os meus Lego, mas prossigamos. O jogo está dividido em cerca de 70 níveis, onde em cada um dispomos de uma folha de papel com alguns objectos ou superfícies já desenhados, uma bola e uma estrela, que serve de meta a atingir. Depois podemos desenhar tudo o que nos vier à cabeça para que a bola siga um caminho até à estrela, podendo interagir com outros objectos já existentes no cenário como foguetões, por exemplo. Tudo o que nós desenhamos é afectado pela gravidade, pelo que podemos criar desde simples traços que sirvam de ponte, como “bonecos” mais complexos que façam de contrapeso para catapultar a bola, sistemas de roldanas, entre outras artimanhas. Existem então múltiplas maneiras de se completar cada nível, com o jogador a ser recompensado se o conseguir fazer de uma maneira mais “elegante”.

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Crayon Physics, não há muito a dizer.

Visualmente o jogo é bastante simples, com tudo o que é desenhado a assemelhar-se a traços de lápis de cor, daí o nome de Crayon. Existem alguns efeitos sonoros, sendo essencialmente barulhos dos objectos/superfícies a chocarem entre si. As músicas são bastante calmas, encaixando perfeitamente no ambiente que o jogo tenta alcançar. O jogo tem também o nome de “Deluxe”, pois é uma versão melhorada do projecto inicial, contando com um editor de níveis onde os jogadores podem partilhar as suas criações com todos os outros.

Crayon Physics Deluxe é um joguinho interessante para quem gosta do género puzzle game, sendo bastante simples de compreender, estando acessível a toda a gente. É dessa forma também um jogo mais casual, que certamente resultará muito melhor se jogado em dispositivos com touchscreen. Como já afirmei acima, o jogo está disponível também para plataformas Android e iOS, podendo ser uma boa sugestão para se ir jogando de vez em quando em viagens ou outros momentos mortos.

Project Zero II: Crimson Butterfly (Sony Playstation 2)

Project Zero IIE cá está mais um artigo sobre os Project Zero, uma série survival horror produzida pela Tecmo. Nesta primeira sequela, que é possivelmente o jogo mais aclamado pelos fãs e crítica, eu diria que melhoraram em vários aspectos e regrediram noutros. Mas já lá vamos. Entretanto eu gostaria de me lembrar ao certo como este jogo veio parar à minha colecção, a versão PS2 é a que habitualmente é mais difícil de se encontrar a um bom preço. Visto que saiu recentemente um remake deste jogo para a Nintendo Wii, é possível que a versão PS2 esteja um pouco mais acessível nos dias de hoje. De qualquer das formas, creio que a minha cópia foi adquirida através de um site nacional de classificados ou leilões, e não terá sido muito cara, certamente.

Project Zero II - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O Project Zero original abordava a temática de rituais estranhos e sinistros de forma a prevenir que as portas do Inferno se abrissem, e neste jogo a premissa é idêntica. Desta vez, não vagueamos por uma mansão tradicional japonesa em ruínas, mas sim por uma inteira aldeia fantasma, perdida no meio da floresta. A aldeia estava amaldiçoada devido a um ritual feito no passado não ter corrido da melhor forma. Desta vez os rituais utilizariam gémeos, envolvendo mais uma vez sacrifícios humanos. Para não destoar, as personagens principais são duas pequenas gémeas que se perderam na floresta e se depararam com a aldeia fantasma, tendo ficado aprisionadas na sua maldição. Controlamos a menina Mio, que tenta proteger a sua frágil irmã Mayu e achar uma maneira de se escapar da aldeia. E mais não digo, joguem por vocês mesmo.

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A mecânica da Camera Obscura mudou um pouco, os combates são mais exigentes

Mais uma vez, o foco da jogabilidade consiste em exorcizar os espíritos através de uma máquina fotográfica de nome “Camera Obscura”. Só que introduziram várias coisas novas desde o jogo anterior. Aqui o jogo dá muito mais foco nos combates dos espíritos, é muito mais habitual lutarmos contra vários espíritos em simultâneo, quando isso era algo raro no jogo anterior, bem como as “munições” (que são apenas vários tipos de filme fotográfico) serem mais frequentes. Os espíritos têm também padrões de ataque mais complexos e variados, sendo mais difícil manter o foco com a câmara, bem como existe agora inclusivamente um sistema de combos que acaba por dar mais pontos na forma de spirit points. Estes Spirit Points, em conjunto com as Spirit Orbs que vamos encontrando ao longo do jogo, servem para realizar updates à câmara, desde updates básicos que podemos realizar desde sempre, passando para outros mais específicos que iremos desbloquear ao longo do jogo, ou então receber como recompensa ao terminar o jogo nos seus variados graus de dificuldade. Estes updates específicos à câmara conferem-lhe habilidades especiais que dão imenso jeito para derrotar alguns inimigos, como abrandar ou mesmo os paralisar. Mais uma vez a presença de espíritos é alertada pela mudança de cor do filamento da máquina fotográfica, que muda para a cor castanha quando estamos na presença de um espírito maligno, ou para a cor azul, quando se trata apenas de uma aparição temporária, ou um espírito fixo , preso a um determinado local. Convém fotografar estas aparições temporárias, pois acabam por dar alguns spirit points. O mesmo é válido para os espíritos fixos, embora muitas vezes isso acabe por ser mesmo obrigatório para se avançar no jogo. Tal como muitos outros survival horrors, vamos constantemente andar a vaguear pela aquela aldeia à procura de chaves que abram outras portas e outras pistas ou puzzles para resolver alguns mistérios.

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Olá carinha laroca

O jogo tem imenso conteúdo desbloqueável. Ao terminar o jogo pela primeira vez, e à semelhança do que aconteceu no primeiro jogo, desbloqueamos entre outras coisas, um novo modo de jogo chamado “Battle Mode” . Aqui temos 25 diferentes missões em que temos de por à prova as nossas habilidades para alguns combates mais exigentes. Para além disso, vão sendo desbloqueados novos graus de dificuldade bem novos finais à medida em que se vai terminando o jogo nesses diferentes graus. Outras coisas como diverso artwork e as cutscenes dos diferentes finais também poderão ser vistas. Para além disso existem também diversos trajes alternativos para ambas as irmãs, desta vez em muito maior número. Só nesta versão são 8, com o port da Xbox a receber mais um, e logo um em que deixa as 2 raparigas de 15 anos de bikini… vindo dos rebarbados da Tecmo não se poderia esperar outra coisa.

Graficamente o jogo é superior ao primeiro, com os cenários a apresentarem mais detalhe, bem como as cutscenes terem melhor qualidade. Mas no entanto achei o primeiro mais assustador. Em primeiro lugar, acho-o um jogo literalmente mais escuro e sombrio, estando também repleto de pequenos sustos de aparições frequentes, principalmente na primeira metade do jogo, bem como existirem alguns espíritos que na minha opinião eram mais assustadores. Um gajo com uma máscara de demónio tradicional japonesa e uma espada de samurai pronto para nos cortar aos pedaços manda muito mais pinta! Ainda assim, para quem tenha gostado de filmes como “The Ring” ou cinema de terror asiático no geral, é capaz de ter aqui um prato cheio de coisas boas, pois meninas sinistras de cabelo comprido e vestidos tingidos de sangue é coisa que não falta. Um aspecto que melhoraram bastante neste jogo foi o voice acting, que no caso dos fantasmas é muito mais convincente com os seus susurros, que as vozes pseudo fantasmagóricas do passado. No entanto achei que o jogo deu um passo atrás no que diz respeito ao som ambiente. No jogo anterior, aquilo era um ruído constante, dissonante e doentio capaz de nos fazer saltar pela janela fora. Se calhar por isso mesmo é que desta vez decidiram colocar uma ambiência mais contida, apesar de ser na mesma tensa q.b..

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As CGs estão melhor trabalhadas neste jogo.

Project Zero 2 é provavelmente o jogo mais aclamado da série, talvez por isso que tenha sido alvo de um remake recentemente para a Nintendo Wii. No entanto, como já referi atrás, considero um jogo melhor nalguns aspectos, como uma jogabilidade mais completa e desafiante, mas porém não o achei tão sinistro como o primeiro. Ainda assim é um bom survival horror que recomendo a quem gosta do género. A versão Xbox, para além de um novo grau de dificuldade e novos trajes, inclui a possibilidade de se jogar o jogo inteiramente na primeira pessoa. Já o remake para a Wii parece que para além de regravarem os diálogos, melhorarem os gráficos, incluíram novas áreas para explorar, novos finais, controlos de movimento e um novo modo de jogo que pode ser jogado com 2 jogadores. Poderá ser uma boa alternativa a esta versão de PS2 que tem sido um pouco mais chata de se encontrar.

Resistance: Retribution (Sony Playstation Portable)

Resistance RetributionO Resistance Fall of Man foi um dos jogos de lançamento da PS3, um FPS que decorria num passado distópico em que uma misteriosa raça – os Chimera – tomou todo o bloco soviético e continente Europeu de assalto, dizimando a raça humana. O jogo até que teve algum sucesso e não tardou muito para que fosse lançada uma sequela para a PS3, acompanhada de um outro jogo para a PSP. Jogar FPS totalmente em 3D numa que apenas dispõe de um analógico é uma tarefa ingrata (no entanto a plataforma ainda recebeu alguns), pelo que este jogo assume a forma de um third person shooter à lá Resident Evil 4. A minha cópia foi comprada numa GAME perto de casa, tendo-me custado uns 5€, se não estou em erro.

Resistance Retribution PSP
Jogo com caixa e manual

A história deste Retribuition decorre em pleno solo Europeu, após os Chimera terem sido derrotados no Reino Unido pelo que foi contado no primeiro jogo. Encarnamos no papel do soldado britânico James Grayson, que por alturas do conflito com os Chimera no UK encontrou o seu irmão, também militar, morto num centro de transformação de humanos em híbridos Chimera. Esse acontecimento traumatizou James que desertou do seu posto e sozinho, conseguiu destruir mais de 20 dessas bases “Chimerianas“, até que foi capturado pelo seu antigo exército e condenado à pena de morte por deserção (really?). De qualquer das formas, o seu feito atraiu o exército dos Maquis, uma espécie de força de resistência da europa central, que recrutou James para os auxiliar na campanha de eliminação dos Chimera em solo europeu, salvando-se assim da pena de morte. Depois o resto da história resume-se a dar cabo de uns quantos Chimera e também de uns Cloven, uma outra raça que tinha sido mencionada no primeiro jogo, atravessando várias cidades europeias, desde Roterdão até Paris.

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Grayson fica automaticamente em cover se não clicarmos no botão para disparar

A jogabilidade é um pouco confusa devido à falta de um segundo analógico para se controlar a câmara. No entanto isso não impediu que vários shooters acabassem por ter sido lançados na PSP, utilizando os 4 botões frontais principais da PSP como os botões para controlar a câmara. Isto seria muito chato para se mirar em condições nos inimigos, mas por defeito o jogo tem um mecanismo de auto aim activado, o que acaba por facilitar a vida. No caso de utilizarmos a perspectiva com zoom, teremos mesmo de mirar manualmente, como é o caso da sniper rifle ou do lança rockets. Existe também um simples sistema de covers, onde Grayson se protege automaticamente sempre que nos aproximamos de algum objecto/superfície que sirva para o efeito. O grande arsenal que acompanha o primeiro resistance está também aqui presente, com várias armas a regressar com os seus modos secundários inclusivamente, enquanto outras acabam por surgir ligeiramente modificadas. Infelizmente, tanta arma para tão pouco botão disponível acabou por atrapalhar um pouco em momentos mais caóticos a mudança para uma arma mais eficaz para aquela situação.

O jogo conta também com um sistema de achievements interno chamado skills, à semelhança do primeiro Resistance. Completar essas skills desbloqueam várias imagens conceptuais e artwork do jogo, bem como algumas cutscenes e pequenos making-ofs de alguns cenários e personagens. Uma funcionalidade interessante deste jogo é a sua interacção com o Resistance 2 para a PS3. Ao ligar as 2 plataformas com os respectivos jogos, é possível “infectar a PSP”, infectando Grayson com o vírus dos Chimera e tornando a história do jogo ligeiramente diferente logo desde o início. Para além de que Grayson ganha vida regenerativa, passa a ser capaz de respirar debaixo de água e tem inclusivamente acesso a novas armas. Ainda não tenho o Resistance 2, mas assim que o tiver vou tentar dar uma espreitadela neste modo. Também através do Resistance 2, é possível utilizar o comando da PS3 para se controlar este jogo, ficando o auto aim desligado. Para além da campanha, Retribution trazia também uma componente multiplayer que poderia ser jogado online com até 8 jogadores em simultâneo, onde poderíamos experimentar diferentes modos, desde as tradicionais variantes de Deathmatch e Capture the Flag, para outros modos que também não são muito originais.

Graficamente o jogo é competente, chegando a apresentar alguns efeitos interessantes de luz que até à altura ainda não tinha visto na PSP. Os Chimera estão bastante detalhados tendo em conta o hardware da PSP, dá para perceber muito bem quando utilizamos a mira telescópica da sniper rifle. Infelizmente as minhas queixas vão mais uma vez para a narração da aventura, que tal como no primeiro jogo ficou a cargo da personagem da Coronel Parker, o que acabou por ser bastante insípida. Isto a conjugar com a personalidade muito estranha de Grayson e de outras personagens como o Roland Mallery, líder dos Maquis ou os seus antigos líderes das forças armadas Britânicas. A história e os diálogos entre as personagens dão tantas cambalhotas mal dadas que acaba por se tornar ridícula, na minha opinião. Felizmente a coisa fica muito melhor composta com os vários documentos que vamos encontrando ao longo da aventura, com muita informação extra a ser passada.

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Um santuário Cloven. Podemos aprender um pouco mais sobre as origens dessa raça neste jogo.

Ainda assim, e com alguns problemas nos controlos bem como uma recta final da campanha algo repetitiva, este Resistance acabou por ser um shooter agradável. Se não fosse o facto de existir um auto aim, controlar a câmara apenas com 4 botões digitais seria um martírio. Pelo que pesquisei, este jogo utiliza a engine de um dos Syphon Filter da PSP, que por acaso é uma série que planeio ir comprando aos poucos, num futuro a médio prazo. Veremos depois como esses se saíram.

Project Zero (Sony Playstation 2)

Project Zero PS2Project Zero, ou Fatal Frame como é conhecido em terrenos americanos, é uma série survival horror japonesa com um conceito muito peculiar, em que enfrentamos dezenas de espíritos apenas munidos de uma máquina fotográfica especial. E quão mais próximas forem as fotos dos fantasmas melhor, o que contribui desde já para um clima de tensão enorme. Produzido pela Tecmo, este primeiro jogo acabou por sair tanto para a Xbox como a Playstation 2, entre 2001 e 2003, dependendo do território e plataforma. Saiu portanto numa altura em que o género survival horror estava em alta, com séries como Resident Evil ou Silent Hill a terem muito sucesso de vendas e crítica. A minha cópia foi comprada algures em 2011, num leilão no leilões.net. Custou-me uns 8€ se não estou errado. Infelizmente o plástico da capa tem um rasgão na frente, fora isso está tudo normal.

Project Zero - Playstation 2
Jogo com caixa e manual

A história de Project Zero acaba por se complicar com o decorrer do jogo, mas vou tentar fazer apenas uma simples introdução. O jogo decorre em 1986 (belo ano!) e anda à volta da Miku Hinasaki, uma jovem com um sexto sentido que lhe permite ver espíritos. O dom já é de família, com o seu irmão e a falecida mãe a também o ter. Miku anda precisamente à procura do seu irmão, Mafuyu, que por sua vez tinha ido a uma tradicional mansão japonesa em ruínas procurar o seu mentor, o conhecido romancista Junsei Takamine. Junsei estava a preparar o seu novo livro, tendo-se interessado nas lendas obscuras que se falavam sobre a família Himuro e os misteriosos rituais que faziam por lá. O facto de o último patriarca da família Himuro ter assassinado todos os habitantes da mansão e de as pessoas que tenham ido para lá viver posteriormente terem desaparecido, tornaram a mansão Himuro objecto de muito mistério, com os habitantes locais a nem sequer ousar se aproximar de lá. Ora é claro que isto como sendo um jogo de terror a coisa não corre bem e ao longo do mesmo vamos ver muitos fantasmas e descobrir várias notas que nos vão contando os segredos que a família Himuro guardava.

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O círculo da objectiva torna-se vermelho sempre que um espírito se prepara para atacar.

Ao passar para a jogabilidade propriamente dita, tenho logo que falar nos controlos que, apesar de existirem 8 maneiras diferentes de controlar e movimentar a personagem, vai acontecer muitas vezes esbarrarmos contra paredes invisíveis. Por vezes basta a personagem bater com o pixel do dedo mindinho do pé numa esquina para se ficar lá preso. Posto isto, vamos ao que interessa, mas afinal como funciona isso da câmara? Pois bem, a câmara que temos disponível é bastante antiga, sendo ainda do século XIX. Ao longo do jogo vamos encontrando alguns tipos diferentes de filmes fotográficos que podemos utilizar para tirar as fotografias, isto são as “munições” do jogo. A diferença entre as categorias dos filmes apenas está na velocidade à qual a máquina carrega, e o dano que conseguimos dar aos espíritos. Ao longo do jogo vamos encontrar muitos espíritos. Alguns são estáticos, presos a um determinado local ou objecto, outros andam inofensivamente a vaguear por certos locais (embora de forma temporária), mas alguns são agressivos e atacam o jogador. Em qualquer que seja o caso, vamos sendo alertados para a sua presença, seja pelo filamento da máquina fotográfica mudar de cor na presença de um espírito, seja pelos ruídos que vamos ouvindo, o comando começar a vibrar, ou mesmo por os espíritos aparecerem de repente e nos pregarem um susto. Nessas alturas podemos retirar a máquina, passando a ver o jogo numa perspectiva de primeira pessoa. Ao centro da máquina temos um círculo que ganha cor quando apontamos a máquina para o espírito. Se for um espírito maligno, o círculo vai-se carregando com umas runas, caso o deixemos focado no alvo. Convém fazer isto, pois com a máquina completamente carregada conseguimos dar mais dano no espírito e obter mais spirit points. E para que servem estes pontos? Podemos melhorar a máquina fotográfica, desde funcionalidades básicas como o tempo de carga ou o alcance, bem como desbloquear outras funcionalidades bónus que podemos utilizar no combate contra os espíritos, como paralizá-los temporariamente, abrandá-los, entre outros. Estas habilidades especiais requerem o uso de Spirit Stones, items que vamos descobrindo ao longo do jogo de forma algo limitada, pelo que apenas deveremos utilizar essas habilidades com muito cuidado. Outras habilidades extra podem ser desbloqueadas após se terminar o jogo pelo menos uma vez. Também novas roupas para Miku, níveis de dificuldade ou o modo de jogo “Battle Mode” podem ser desbloqueados ao terminar várias vezes a aventura. Este modo consiste apenas em se jogar várias missões com Miku, com objectivos como derrotar um espírito com um número limite de filme, por exemplo.

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A mansão está repleta de espelhos nos locais mais inóspitos, mesmo para aquele sustinho 🙂

O jogo decorre sempre na mesma mansão, estando dividido em 4 capítulos, mais um pequeno introdutório onde controlamos o irmão de Miku quando este chega à mansão Himuro. Como muitos outros survival horrors, vamo-nos deparar com vários puzzles para resolver, muitos dos quais exigem a máquina fotográfica, que também consegue revelar coisas escondidas nas fotos de certos locais chave. Isto de o jogo decorrer numa mansão tradicional japonesa em ruínas confere-lhe sem dúvidas um ar de filme de terror asiático, e a história que nos vai sendo contada acabou por me agradar. O jogo era muito famoso na época por ser bastante assustador, e consigo perceber o porquê (apesar de depois do Amnesia, pouca coisa me fará “borrar a cueca”), pois apresenta espíritos aterradores e o mais importante de tudo, uma atmosfera de cortar à faca. Tirando certos momentos onde somos assombrados por melodias de folclore japonês, todo o restante jogo apresenta uma “banda sonora” absolutamente desconcertante, com ruído branco ou sons dissonantes, mantendo o jogador sempre alerta para o que der e vier. Podemos criar um save à parte com as nossas fotos preferidas, dá um certo gosto capturar alguns bons momentos. Infelizmente o voice acting da versão ocidental é muito mau. As vozes das personagens não têm carisma nenhum e as vozes dos espíritos conseguem ser tudo menos assustadoras, chega até a dar vontade de rir…

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O segundo joystick controla a lanterna, o jogador não controla a câmara a menos que esteja na perspectiva da primeira pessoa

É uma série que já vai em 4 jogos principais, com o quarto infelizmente ter-se ficado apenas pelo território japonês, e logo quando a Wii precisava de bons exclusivos no Ocidente. São decisões que não se compreende, mas ao menos alguns fãs conseguiram lançar um patch para traduzir o jogo. Quando comprar uma Wii, certamente irei importar esse Project Zero 4. Mas voltando a este jogo, ele está disponível tanto na PS2 como na Xbox, a versão Xbox como saiu mais tarde, inclui mais uns quantos extras, um novo final, um outro grau de dificuldade e mais qualquer coisa. À partida também será a versão com melhor desempenho gráfico, mas pelo que me apercebi a versão PS2 não se porta mal. De qualquer das formas, tendo em conta que é um jogo original de 2001 não se pode esperar uns gráficos excelentes, os jogos seguintes da série melhoraram bastante neste aspecto.